Blog do Júlio Gomes

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Milagres de De Gea mostram: é a hora do United
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Julio Gomes

Desde que Mourinho levou um pé no traseiro e Solskjaer, ídolo histórico, assumiu o Manchester United, o time só ganhou. São seis de seis, feito inédito para um treinador estreante no clube.

Hoje, era a prova de fogo. O primeiro jogo grande com o norueguês no banco, clássico contra o Tottenham, em Londres. E o Manchester United ganhou mais uma, 1 a 0.

A atuação do goleiro espanhol De Gea é para entrar para a história. No segundo tempo, ele simplesmente fechou o gol, fazendo meia dúzia de defesas extraordinárias. Não foram defesas triviais, foram milagres à queima-roupa (no total, foram 11 paradas).

Depois de um primeiro tempo equilibrado, em que o United foi melhor no início e achou o gol já no finalzinho, o segundo tempo foi de um time só. O Tottenham dominou completamente a partida e foi acumulando chances de gol, parando sempre em De Gea. Mais um jogo fantástico da Premier, com muito ritmo e de prender o fôlego.

O United, de time carrancudo, chato de ver, de mal com a vida sob Mourinho, virou aquele time estrelado, quando tudo dá certo. O jogo deste domingo é o exemplo perfeito.

E ninguém quer enfrentar times iluminados, certo? Impossível não pensar no duelo entre Paris Saint-Germain e Manchester United, pelas oitavas da Champions, em fevereiro.

Na Premier, o United já alcançou a pontuação do Arsenal e está a seis do Chelsea, a sete do Tottenham. Difícil imaginar que não invada o G4 logo logo. Brigar pelo título é impossível, devido à distância para o Liverpool. Mas, no mata-mata… de repente, o gigante adormecido acordou.


Sorte sorriu para o City na vitória sobre o Liverpool
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Julio Gomes

O Manchester City ganhou do Liverpool por 2 a 1, diminuindo a desvantagem para quatro pontos, tirando a invencibilidade do líder e colocando fogo na Premier League inglesa.

Antes de mais nada, um parênteses. Espero que todos os técnicos e jogadores do Brasil, principalmente os da base, tenham assistido a essa partida. Dois times taticamente perfeitos, agressivos, jogando todas as fases do jogo, sem abdicar de nada. Esse é o futebol que amamos.

A vitória teve mérito, raramente não é assim. Mas teve muito de sorte também.

O City se livrou por um centímetro (para ser mais exato, 11 milímetros) de fazer um gol contra no primeiro tempo. Após tabela maravilhosa entre Salah e Firmino e assistência do egípcio, Mané chutou na trave. Na volta, Stones, zagueiro do City, se apavorou e chutou a bola em cima de Ederson. A bola ia entrando quando o próprio Stones salvou. A tecnologia da linha do gol mostrou que não entrou por isso aí, um centímetro.

Sorte também o fato de Lovren, zagueiro croata supervalorizado, ser do Liverpool, não do City. Foi ele quem teve a velocidade de um mastodonte no final do primeiro tempo e deixou Aguero se antecipar, dominar, girar e fuzilar, sem chance para Alisson. A bola passou no único lugar por onde poderia passar, no pequeno espaço entre o goleiro brasileiro e a trave.

Lovren voltaria a vacilar três vezes no segundo tempo, mas o City não aproveitou. O zagueiro croata é velho, lento, é claramente o ponto fraco de uma defesa que leva poucos gols – o que valoriza ainda mais o outro zagueiro, o holandês Van Dijk.

Ironicamente, após o justo empate do Liverpool, marcado por Firmino (após falha de Danilo no lance), foi Van Dijk, com suas pernas longas, que deu condição de jogo, novamente por um centímetro, para Sterling receber uma boa bola, avançar e dar a assistência para Sane fazer o gol da vitória.

O chute cruzado do alemão bateu na trave e entrou, ao contrário do chute de Mané no primeiro tempo, que bateu na trave e voltou para a área.

No segundo tempo, houve pelo menos dois bate e rebates na área do City, aquelas bolas que podem cair em qualquer pé, mas que acabaram não entrando.

O resultado normal para o jogo seria um empate. O Liverpool fez por merecer e encurralou o City nos 20 minutos finais, coisa muito rara de se ver quando um time comandado por Guardiola está em campo.

Mas, nos detalhes, o jogo caiu para o City, não para o Liverpool. O futebol é assim. Quando dois times se equivalem e fazem bons jogos, o placar final será decidido por um erro, por uma genialidade, por um centímetro para lá ou para cá.

Para o time azul de Manchester, uma noite perfeita. Para o Liverpool, no entanto, não foi um desastre completo. O time mostrou não sentir a pressão, jogou pela vitória e merecia outro resultado. Não amarelou, enfim. Ainda são quatro pontos de vantagem e o sonho de acabar com a seca de 29 anos sem título da Premier mais do que vivo.

 


Time de 2018, Liverpool começa o ano com desafio gigante
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Julio Gomes

O Liverpool foi o grande time de futebol de 2018. E não falo isso naquela de “a última impressão é a que fica”. Não, é a impressão de um ano todo.

Vamos lembrar que, no primeiro semestre, o Liverpool foi até a final da Champions League, eliminando no caminho o Manchester City, de Guardiola, destruidor de todos os recordes na Premier League. Vamos lembrar que é com a camisa do Liverpool que joga Salah, o jogador de um país sem tradição alguma e que ousou se colocar no nível, tanto técnico quanto estatístico, de Cristiano Ronaldo e Messi.

E, claro, vieram a Copa do Mundo e o segundo semestre. A Copa nos mostrou que o futebol de posse de bola se transformou rapidamente no futebol da intensidade e das transições (hoje, passar a defender depois de atacar e atacar depois de defender, as duas transições, para contra atacar e para evitar contra ataques, são mais importantes do que simplesmente atacar ou simplesmente defender).

O Liverpool é o time de futebol do mundo que melhor compreende e executa o futebol do momento, à imagem de seu técnico, o alemão Jurgen Klopp.

Mesmo nos tempos de Borussia Dortmund, Klopp já era um anti-Guardiola de sucesso. Não uma nêmesis do tipo Mourinho, de extremos, criando uma rivalidade agressiva tanto em campo como no discurso. Klopp é um boa gente. Sua rivalidade com Guardiola não se trata de algo pessoal e midiático, mas estratégico.

Só que Klopp, apesar de ser uma pedra no sapato guardiolista, vai agora além dos momentos pontuais em que há um confronto direto. Agora o time de Klopp conseguiu transformar a intensidade em consistência (e tudo isso em um ano em que o Liverpool perdeu Philippe Coutinho).

Se, na temporada passada, o Liverpool era uma espécie de Robin Hood – leão nos jogos contra os outros grandes, gatinho contra os times médios e pequenos, uma verdadeira peneira defensiva -, agora os Reds passaram um turno inteiro sem perder um ponto sequer para um time fora do “big six” (os três maiores de Londres e os dois de Manchester).

O primeiro jogo gigantesco de 2019, hoje à tarde, coloca frente a frente Manchester City x Liverpool.

A percepção geral é que a pressão está toda do lado do time de Guardiola, pois é ele que joga em casa, que está sete pontos atrás e que, se perder, pode dar adeus ao título.

Não vejo assim. A pressão existe para os dois, mas, para mim, é maior para o Liverpool. Porque é o Liverpool que não ganha o Campeonato Inglês desde 1990 (nunca foi campeão na era Premier League e perdeu para o United o posto de maior vencedor do país).

O Liverpool é o raro clube grande europeu (o único, na real) que escolheria ganhar a liga doméstica do que a Champions League. O Liverpool PRECISA ganhar a Premier League neste ano, dado que montou um belo time e chega à metade do campeonato com vantagem considerável.

Se vencer hoje, o Liverpool dará um passo gigante para isso. Mas, e se perder? A vantagem cai para quatro pontos, as interrogações invadem a cabeça, o City ganha muita força e ainda faltará um mundo de 17 jogos. O empate hoje seria ótimo para o Liverpool. Mas será que o time de Klopp jogará pensando nisso? Se conformará com isso?

Não é e nunca foi a característica dos times de Klopp.

Hoje é dia para o Liverpool mostrar toda sua grandeza. Mostrar se esse time, que é quem melhor joga futebol no planeta já há meses, tem o DNA dos campeões. O resultado importa. Mas, a forma, ainda mais.

 


Manchester City começa Inglês do jeito que acabou: arrasando
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Julio Gomes

Começou o Campeonato Inglês do jeito que se esperava. O Manchester United ganhou com sofrimento na sexta-feira, coisa que virou característica fundamental dos times de Mourinho nos últimos anos. O Chelsea começou ganhando e jogando bem, a vida com Maurizio Sarri será muito mais divertida para jogadores e torcedores do que era com Conte. O Liverpool, em busca de um título inédito (na era Premier League), contratou bem e começou com uma goleada contundente – a chave será encontrar equilíbrio e consistência semana após semana.

E o melhor ficou para o fim da rodada. O Manchester City foi a Londres e fez fáceis 2 a 0 sobre o Arsenal, de técnico novo (Unai Emery, ex-amiguinho dos brasileiros do PSG – contém ironia).

É estranho ver o Arsenal sem Arsene Wenger no banco após mais de duas décadas. Mas o time, em campo, foi igualzinho ao dos últimos anos. Pouca atitude competitiva em vários momentos da partida, derrota para um time melhor sem dar muita luta, sem ameaçar, sem conseguir trazer a torcida junto.

Mas ainda é cedo para criticar o Arsenal. Até porque do outro lado estava o time a ser batido, o melhor do último ano (apesar de ter ficado sem o título máximo, a Champions). O Manchester City dos 100 pontos começou a temporada atual fulminante, do mesmo jeito que acabou a outra.

Guardiola montou o City com uma linha de 4, usando Mendy pela lateral-esquerda. O francês, campeão do mundo, mesmo sem jogar, era para ser titular na temporada passada, mas sofreu grave lesão. Do lado direito do ataque, Mahrez, grande nome do Leicester daquele milagre. Ou seja, o timaço da temporada passada agora tem dois baita reforços.

Passou por cima do Arsenal sem dó e sem De Bruyne, David Silva, Gabriel Jesus, Sané…

É muita força, muito jogador bom, muitas opções e uma ideia muito clara de jogo, difícil de ser enfrentada pelos outros. O City joga com posse, controle, velocidade, se defende bem e com seriedade, é um time quase perfeito. Vamos ver como a temporada se desenrola. Haverá mais altos do que baixos, e a Champions é uma conta pendente de Guardiola nestes anos de Bayern e City.

Na Inglaterra, não sei se terá pro cheiro, não.


Europeus precisam fazer algo para criar imprevisibilidade
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Julio Gomes

Falar que as ligas europeias estão em declínio pode parecer um devaneio. Estádios cheios, muito dinheiro envolvido, os maiores craques do futebol mundial, grandes salários e volume de dinheiro em transferências. O interesse global é inegável. Mas, se olharmos com lupa, tem algo que não está certo. E que fatalmente vai exigir mudanças no futuro próximo. A previsibilidade.

Neste fim de semana, começam os campeonatos na Inglaterra e na França. Semana que vem, Espanha, Itália e Alemanha. São as cinco ligas domésticas mais importantes da Europa. Se você quiser apostar agora em Manchester City, PSG, Barcelona, Juventus e Bayern de Munique campeões nacionais, a chance de acerto beira os 100%.

O único risco maiorzinho aí é apostar no Barça. Afinal, o Real Madrid, mesmo em transição e sem Cristiano Ronaldo, está no mesmo campeonato. Mas os outros quatro… é difícil, muito difícil, quase impossível, imaginar que um deles não será campeão.

Vivemos a era das grandes potências. O que ela tem gerado? Na Champions League, uma fase de grupos monótona e previsível. E um mata-mata espetacular, porque é quando, afinal, esses times todos se enfrentam. E, no mata-mata, os (um pouco) mais fracos podem superar os mais fortes. Como aconteceu na temporada passada, com o Liverpool eliminando o Manchester City (no Campeonato Inglês, o City ficou 25 pontos na frente do Liverpool, o que dá a dimensão da diferença entre os times).

O espetacular mata-mata envolvendo todas as potências europeias nos faz pensar que tudo está bem. Poucos notam que, em fevereiro/março, quando começam estes confrontos, as ligas domésticas estão todas resolvidas. Até por isso é raro vermos lá debates sobre poupar ou não poupar jogadores, um debate que pega fogo aqui no Brasil nestes dias.

Quando olhamos os jogos dos timaços e os clássicos domésticos na TV nos fins de semana, parece que as ligas domésticas europeias são só alegria. Mas, fora de Inglaterra e Alemanha, tem muito estádio vazio e jogo despertando interesse zero

Apenas como medida do tamanho do favoritismo dos times citados em suas ligas domésticas, o blog foi buscar em site de apostas (o Bet365) as cotações para títulos neste início de temporada. Os números abaixo se referem ao valor retornado para cada unidade apostada. Se o apostador colocar 1 dólar no título da Juventus na Itália, por exemplo, irá receber como retorno 1,40 dólar.

Compare as cotações da Champions League (imprevisibilidade total) com as ligas domésticas (previsibilidade máxima):

Champions League: Man City 6,50, Barcelona 7, Juventus 7, Bayern 8, PSG 8, Real 8, Liverpool 12, Atlético de Madrid 15, Manchester United 15.

Inglês: Manchester City 1,66, Liverpool 4,50, Manchester United 11

Espanhol: Barcelona 1,75, Real Madrid 2,62, Atlético de Madrid 9,50

Italiano: Juventus 1,40, Inter 7,50, Napoli 8

Alemão: Bayern de Munique 1,16, Borussia Dortmund 6,50, Leipzig 29

Francês: PSG 1,11, Lyon e Marselha 13

Percebam que um título europeu do Atlético de Madrid ou do Manchester United tem retorno próximo a um título doméstico destes dois. No Bet365, todos os campeonatos acima, exceto o espanhol, tem a possibilidade extra para o apostador adivinhar o “campeão do resto”. Ou seja, Inglês sem City, Italiano sem Juventus, Alemão sem Bayern, Francês sem PSG.

Andei conversando com muitos jornalistas e amigos europeus sobre isso nestes dois meses que acabo de passar na Europa. Não há movimento algum para mudar o estado das coisas. Mas todos concordaram que a chatice das ligas domésticas é tremenda e vai, mais cedo ou mais tarde, exigir mudanças.

Não é normal que o PSG ganhe as três competições domésticas na França e a temporada seja considerada um fracasso, pela derrota na Champions. Não é normal o Barça conseguir tantos dobletes na Espanha, coisa que era raríssima no passado, e pouca gente dar bola para isso.

Não é novidade que historicamente alguns times dominam algumas ligas. Mas nunca foi tão fácil, tão previsível. O abismo entre o Bayern e o resto do pacote, hoje, não é muito menor do que o abismo entre o Bayern e os times sul-americanos, por exemplo.

Um alto dirigente da Juventus já andou falando, recentemente, sobre diminuir as ligas domésticas e criar uma Champions League com grupos maiores antes do mata-mata, mais datas europeias, mais confrontos entre os grandes.

Este é um caminho mais realista, me parece, do que outros, do tipo criar mata-matas nas ligas domésticas ou então tetos orçamentários para diminuir o abismo – que é a fórmula encontrada nos esportes americanos, entre outros mecanismos.

A distribuição mais justa de dinheiro cria, na Premier League inglesa, uma situação de times médios e pequenos mais fortes, mais competitividade rodada após rodada. O domínio do City no ano passado (e possivelmente neste) não é corriqueiro. Mas a Premier League é a exceção que comprova a regra.

O futebol brasileiro vive realidade oposta à das ligas europeias. Por aqui está tudo tão errado (calendário, amadorismo, etc), mas tão errado, que, mesmo com as diferenças bizarras de dinheiro recebidas pelos clubes de Série A, a imprevisibilidade é a grande marca do nosso futebol. É ruim, mas é bom. Os espetáculos são, em sua maioria, uma tristeza. Mas não saber quem vai ganhar é um componente muito importante de qualquer disputa esportiva.

Não há nada o que possamos ensinar aos europeus. A imprevisibilidade daqui é decorrência de problemas, não de alguma solução. Mais cedo ou mais tarde, no entanto, eles terão de fazer alguma coisa.


Wenger mudou a história do Arsenal e foi muito mais que um simples técnico
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Julio Gomes

Dizem que o Arsenal é o time inglês com maior número de torcedores (ou simpatizantes) no Brasil. Talvez o mesmo aconteça em outros lugares do planeta. Se há um responsável por isso, o nome é Arsene Wenger.

Este é apenas um pequeno exemplo do tamanho do legado deixado pelo francês, que anunciou nesta sexta-feira que deixará o clube ao final da temporada.

O Arsenal era um antes dele. Passou a ser outro depois. Um clube respeitado, que eleva o nível do futebol, dono de um campo onde a bola é bem tratada.

Conhecer um pouquinho melhor do que era o Arsenal pré-Wenger (e de um jeito divertido) é a leitura de “Febre de Bola”, um livro imperdível para quem ama futebol. Publicado por Nick Hornby em 1992, quatro anos antes da chegada de Wenger ao clube, o livro mostra um Arsenal dono de um futebol duro, feio, tipicamente inglês. Uma torcida que sofria mais do que se divertia em Highbury.

Antes de Wenger, o Arsenal havia vencido o Inglês dez vezes, a Copa da Inglaterra seis vezes e a glória europeia resumia-se a uma Recopa e uma Uefa. Já era um clube grande e popular em Londres, mas estava longe de ser um protagonista no continente.

Depois de Wenger, vieram três Premier Leagues, uma delas de forma invicta, sete Copas da Inglaterra, a presença em todas as edições da Champions League moderna (exceto a atual) e o vice-europeu de 2006. O Arsenal passou a ser protagonista.

E da melhor maneira possível. Não virou protagonista pelos títulos mas, sim, pelo encantamento produzido. Pelo bom futebol, agradável de se ver, que passou a atrair fãs no mundo todo e atrair também jogadores, que queriam vestir a camisa do Arsenal e jogar com Wenger.

Por que o Arsenal tem tantos simpatizantes no Brasil? Porque este momento de ótimo futebol coincidiu com o advento da TV a cabo e início de transmissão da Premier por aqui, em conjunto com o declínio do futebol brasileiro – o que faz com que muita gente prefira e veja apenas futebol europeu. Algo parecido aconteceu no mundo, com a expansão da Premier.

O declínio de resultados do Arsenal coincidiu com a venda de clubes a investidores estrangeiros, começando pelo Chelsea, 15 anos atrás. Ao mesmo tempo, o Arsenal construiu um estádio novo. A presença na Champions League em absolutamente todas as temporadas foi essencial para manter o clube saudável financeiramente.

Os primeiros 10 anos de Wenger foram um sucesso estrondoso. A segunda metade da parceria não foi tão exitosa, mas isso tem muito mais a ver com o contexto financeiro da Liga do que propriamente um técnico defasado em relação aos outros.

22 anos talvez seja tempo demais para um técnico, mesmo. Todos pregamos a continuidade, mas com moderação. Talvez de 3 a 5 anos em países “normais”, de 5 a 10 na Inglaterra, seja um período ideal. Mais do que isso significa acomodação geral de funcionários, jogadores, até torcedores.

Por isso, muitos fãs do Arsenal estão felizes com a mudança, sentem que já era a hora.

A vida pós-Wenger não será fácil, como não está sendo para o Manchester United pós-Ferguson. É muito tempo trabalhando da mesma forma. Quem pegar o clube, pegará um abacaxi.

Por enquanto, no entanto, o clube está em uma semifinal de Europa League. E o anúncio de Wenger foi inteligente, pois dará fim a especulações e críticas e vai gerar uma grande união em torno do clube e a perspectiva de um título europeu inédito para ele.

Seria merecido.

De qualquer forma, já me adianto às homenagens que marcarão este último mês de temporada. Merci, Arsene.

 


A Premier dá mais uma lição: jogadores que não desistem nunca
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Julio Gomes

Liverpool e Tottenham fizeram um jogo daqueles de dar gosto. Os clássicos da Premier League costumam ser fantásticos. Os do Liverpool então, nem se fala – afinal, é um time de DNA ofensivo e com defensores que cometem muitas falhas infantis.

O Liverpool, único capaz de ganhar do todo-poderoso Manchester City na Premier, vencia o Tottenham por 1 a 0 em casa. Foi melhor no primeiro tempo, podia ter feito mais. Na sequência, o time londrino dominou totalmente o segundo tempo, mas esbarrava na defesa de Liverpool.

Até que tudo aconteceu nos 15 minutos finais. O empate saiu dos pés de Wanyama, com um petardo inacreditável de fora da área. Um dos gols do ano.

Em vez da satisfação com o empate, o Tottenham mostrou sede. Foi para cima e conseguiu um pênalti. Em um lance difícil, em que Kane estava em posição de impedimento, mas a falha de Lovren, que ataca a bola e fura, tocando de leve nela, habilita o atacante. Kane, em uma rara tarde infeliz, chuta no meio do gol e desperdiça o que seria a virada.

Tudo indicava que o jogo acabaria empatado. Mas aí o egípcio Salah, que certamente é um dos cinco melhores jogadores da temporada, fez o inimaginável. Recebeu uma bola pela direita, cruzou e ela tocou no braço de Delle Ali. Pênalti não marcado. Salah é tão rápido, tão rápido, que deu tempo de reclamar, desistir de reclamar, insistir na jogada, driblar três e meter o 2 a 1. Outro gol do ano.

Impossível não pensar em tantos jogadores que ficariam lá reclamando de pênalti e correriam babando para cima do árbitro. Vemos isso com frequência no Brasil. O jogador que desiste da jogada para reclamar ou cavar alguma falta.

Acabou, certo?

Nada disso. Ainda deu tempo de o Tottenham jogar uma bola na área e Van Dijk, o zagueiro mais caro do mundo, chutar Lamela na área. Teve a intenção? Não vejo intenção de fazer falta no lance. Mas o fato é que Lamela se antecipa na jogada, ganha o espaço e é acertado. Pênalti.

Só que o juiz não viu! Passaram alguns segundos até que o assistente chamou o árbitro para falar do pênalti. Aos 49 do segundo tempo, em um clássico, fora de casa.

Quantos bandeiras no mundo têm a capacidade técnica e, o principal, a coragem, a tranquilidade para marcar um lance desses? Saber que não será agredido, não irá para a geladeira, etc, etc…

E lá se foi Kane para a segunda chance e seu gol número 100. Depois de perder a chance da virada, não perdeu a do empate. 2 a 2.

A Premier League dá lições para todo mundo, principalmente aqui para nós, todos os dias. Mas, à parte toda a organização magnífica extra-campo, o que mais têm encantado são as lições dentro das quatro linhas.

Jogadores que não simulam, respeitam as decisões de arbitragem, que escolhem jogar bola. E não desistem nunca.


City e Guardiola ‘matam’ a Premier League no dérbi dos presentes
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Julio Gomes

O Manchester City foi a Old Trafford, ganhou do Manchester United por 2 a 1 e praticamente decretou o fim da disputa pelo título da Premier League.

Além de vencer seu principal concorrente, o City ainda foi beneficiado pelos empates de Chelsea, Arsenal e Liverpool. Neste momento, o time de Pep Guardiola tem 11 pontos de vantagem para o United, 14 para o Chelsea e podemos parar por aqui. O turno está quase no fim, são 15 vitórias e 1 empate em 16 jogos e nenhuma, nenhuma indicação de que o City vá “despencar” no returno.

Podemos considerar tranquilamente que o Manchester City será campeão inglês. Basta saber quando e qual será o tamanho do recorde. Por enquanto, as 14 vitórias seguidas já são uma marca inédita.

O que não dava para imaginar é que o City venceria o dérbi de Manchester com dois gols de bola parada, contando com falhas bisonhas de um time comandado por um tal José Mourinho. O time de Pep venceu com jogadas típicas dos times de Mou. Foram três gols na partida dados de presente pelas defesas.

Mas, independente de como saíram os gols que quebraram a série invicta de 40 jogos do United em seu campo, a forma de vencer foi a forma City de jogar, a forma Pep de enxergar futebol.

O domínio do City no primeiro tempo foi impressionante. Mesmo jogando no campo adversário, controlou completamente as ações, empurrou o United para trás e passou 45 minutos sem sofrer uma finalização sequer. O gol poderia ter saído bem antes. Mas saiu de um escanteio, após uma bobeada defensiva e a finalização de David Silva. O United empatou nos acréscimos em uma falha individual de Delph, lateral improvisado na esquerda por Guardiola e bem aproveitada por Rashford.

No segundo tempo, o United voltou melhor que o City, carregando o momento do primeiro. Equilibrou a posse de bola e aproveitou o fato de Guardiola ter precisado sacar o zagueiro Kompany e colocado Fernandinho na zaga. Mas, em nova jogada de bola parada, Lukaku afastou mal e ela sobrou limpa para Otamendi fazer o segundo do City.

Guardiola corrigiu, colocando um zagueiro e tirando Gabriel Jesus que, linda entortada no argentino Rojo à parte, fez um jogo ruim, errático, tomando más decisões – ainda que, diga-se, fora de seu melhor posicionamento. A partir daí, o City voltou a dominar. Sempre carregado por De Bruyne, um jogador especial, com leitura incrível e que adapta seu posicionamento em função do que encontra na marcação adversária.

No final, o United, claro, tentou buscar o empate. E, na melhor jogada do time de Mourinho na partida, parou em dois milagres seguidos do goleiro brasileiro Ederson.

O dérbi do ano passado serviu para ver que Guardiola havia viajado na contratação de Cláudio Bravo. O de hoje serve para referendar a grana paga por Ederson, um dos heróis da vitória.

Agora são 20 jogos entre Guardiola e Mourinho, com 9 vitórias para os times comandados por Pep, 7 empates e 4 vitórias do português.

O Manchester City é o grande time da temporada até agora. Ainda falta muito na Champions. Mas, na Premier, a vaca alheia já foi para o brejo.


Mou x Pep, capítulo 20: a batalha para voltar ao topo da pirâmide
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Julio Gomes

Em algum momento, parecia que José Mourinho e Pep Guardiola haviam atingido tal tamanho que mastodontes como Real Madrid e Barcelona estavam a seus pés. Não era o Barcelona que dominava a Europa e seria, um ano após o outro, desafiado por Chelsea, Inter, o próprio Real. Não. Era o Barcelona de Pep. E o desafiante era o time de Mou, onde quer que ele estivesse.

O tempo passou, Mourinho saiu do Real Madrid, viveu altos e baixos, perdeu um pouco do status adquirido. Guardiola foi para o Bayern, não chegou a uma final europeia, começou mal no Manchester City. E, neste domingo, eles se reencontram em mais um dérbi de Manchester.

Será o dérbi número 175 da história e o vigésimo jogo com os dois técnicos mais falados do mundo se enfrentando. O capítulo número 20. São dois técnicos que há muito tempo não atingem o olimpo que costumavam frequentar. Que não são unanimidade.

Mas que, nesta temporada, dão toda a pinta de que estão prontos para triunfar novamente. Não é apenas mais um Mou x Pep. É um clássico importante para situar a força dos times deles, que são candidatos a tudo na Europa e querem justificar o rótulo.

Amigos nos tempos de Barcelona anos-90 (Mou era auxiliar, Pep era jogador), eles romperam completamente em 2011, no auge da rivalidade. E agora, na mesma cidade, cinzenta, onde não há nada o que fazer e já há alguns anos sem se enfrentar diretamente por algo grande, parece que reataram.

Nas coletivas pré-jogo, não tivermos farpas para lá e para cá. Guardiola se recusou a criticar o jogo supostamente “negativo” do United (“cada técnico entende o futebol de uma maneira, essa é uma beleza do esporte”). Chamou Mourinho de “irmão gêmeo” na vontade de ganhar que ambos compartilham. O português, do outro lado, elogiou muito o time do City e seu “técnico fantástico”. Para não dizer que não era Mourinho, alfinetou os jogadores e as arbitragens (já fazendo aquela tradicional pressão) dizendo que às vezes “o vento derruba os jogadores do City”.

O fato é que os dérbis disputados na temporada passada tiveram um tamanho muito menor do que o esperado, pois os times de Manchester fizeram uma campanha pouco espetacular. Pareciam jogos envolvendo técnicos com mais passado do que futuro. Mas, neste ano, tudo mudou.

O City lidera a Premier com uma campanha surreal, 14 vitórias e 1 empate. O United tem respeitáveis 35 pontos, mas já está 8 atrás. Ou seja, o dérbi é crucial para o time de Mourinho, que joga em casa, tentar quebrar a invencibilidade do City, diminuir a diferença para 5 pontos e mostrar que o campeonato está vivo.

Mais do que isso. São dois times que claramente podem ir longe na Europa. Fizeram uma primeira fase de Champions League muito boa e podem, por que não, se encontrar em fases agudas no ano que vem. Guardiola e Mourinho voltam a ser fortíssimos aspirantes a tudo. A reconquistar a Europa – coisa que um não faz desde 2011, o outro, desde 2010.

Até hoje, foram disputados 19 confrontos diretos entre Mourinho e Guardiola. Pep ganhou oito jogos, Mou ganhou quatro e foram sete empates. Em pontos corridos, foram seis jogos, com três a um para o catalão (dois empates) – o mais marcante foi o primeiro, os 5 a 0 do Barça sobre o Real, a pior derrota de Mourinho. Esta é a quarta temporada em que eles treinam times na mesma liga.

Em mata-matas, o placar mostra 1 a 1 em Champions League (Inter sobre o Barça em 2010, Barça sobre o Real em 2011), 1 a 1 em Copas do Rei, 2 a 0 para Pep nas Supercopas da Espanha e Europa, que pouco valem, 1 a 0 para Mou na Copa da Liga Inglesa (ano passado), que também tem menos importância.


Sábado perfeito para Barcelona, PSG e outros líderes das ligas europeias
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Julio Gomes

A rodada da Liga dos Campeões da Europa, semana que vem, gerou um super sábado no retorno dos campeonatos europeus, com praticamente todas as grandes forças do continente em ação.

O dia começou com um dérbi londrino, teve um romano durante a tarde e acabou com um dérbi madrilenho. Nenhuma zebra apareceu, o que é raro após as paradas para jogos de seleções (que geram perda de ritmo, lesionados, etc). Manchester City, Barcelona, Bayern de Munique, PSG e Napoli tiveram vitórias importantes e estão mais do que consolidados na liderança das cinco principais ligas.

City e Barcelona ganharam 11 de 12 jogos, enquanto PSG e Napoli ganharam 11 de 13. Estão invictos.

Espanha

O Barça, sem muitos problemas, passou pelo fraco Leganés, com dois gols de Suárez, quebrando uma seca incômoda, e um de Paulinho, que havia entrado no segundo tempo. A impressão é que o titular da seleção faz gol em todos os jogos do Barça! Já são quatro na Liga.

O Barcelona é, na visão deste blog e de acordo com as previsões feitas antes do início da temporada, a grande surpresa. São 11 vitórias e 1 empate em 12 jogos, uma campanha impressionante que nem os melhores Barças de anos atrás conseguiram.

Com 34 pontos, o Barça tem como perseguidor mais próximo o surpreendente Valencia, que tem 27 pontos e pode chegar a 30 se vencer o Espanyol, neste domingo. No fim de semana que vem tem Valencia x Barcelona, e Piqué desfalcará o time catalão.

Real Madrid e Atlético de Madri fizeram um dérbi muito intenso, bem jogado, mas não saíram do 0 a 0 no lindo estádio Wanda Metropolitano, que recebeu o primeiro clássico da cidade. Os dois já estão dez pontos atrás do líder.

Desde a inauguração do estádio, o Atlético ganhou as duas primeiras e depois colecionou uma derrota e, agora, quatro empates seguidos. Os resultados na nova casa estão sendo tão ruins que o time já está virtualmente eliminado na Champions League e ficou para trás no Espanhol. Está invicto na Liga, mas são seis vitórias e sete (muitos) empates.

O Real Madrid, bicampeão europeu, é inegavelmente uma das decepções da temporada. O time não demonstra a mesma fome e muito menos a mesma bola, fala-se em uma crise de relacionamento entre Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo e parece claro que o elenco está mais fraco – o que permite menos alternativas a Zidane.

O Real teve algumas chances contra o Atlético, até poderia ter vencido pelo segundo tempo que fez. Mas não foi um time com a urgência da vitória, como se esperava. Como tirar dez pontos de desvantagem para o Barcelona, em uma liga desequilibrada como a espanhola?

Itália

O Napoli parece decidido a ganhar seu primeiro título desde 1990, quando era o time de Maradona. No clássico que fechou o sábado, fez 2 a 0 em cima do Milan.

Ao contrário do Barcelona, do City, do PSG e do Bayern, no entanto, ainda não tem grande vantagem, pois a Série A está muito equilibrada. São 35 pontos, contra 31 da Juventus e 30 de Roma e Inter, todos estes com um jogo a menos. Juve e Inter entram em campo no domingo.

Já a Roma venceu bem o dérbi da capital contra a Lazio, 2 a 1. Fez um grande primeiro tempo, abriu 2 a 0 no segundo e depois sofreu, mas garantiu a vitória. A Roma, de técnico novo, é uma das surpresas da temporada, mantendo altíssimo nível dos tempos de Spalletti – hoje técnico da Inter.

Inglaterra

Na Premier League, o Manchester City deu mais uma demonstração de força ao fazer 2 a 0 no Leicester, fora de casa. O time voltou a jogar bem, dominar completamente as ações. O City é um “vendaval” para cima dos adversários. Ataca por todos os lados, de todos os jeitos, com muita gente chegando de trás e muita qualidade.

Guardiola gerou interrogações em algumas cabeças incrédulas depois de um primeiro ano meia boca no City e de três anos sem chegar à final europeia com o Bayern. Parece que muitas das dúvidas estarão dissipadas antes mesmo no Natal.

O City faz uma campanha histórica, com 11 vitórias em 12 jogos, 40 gols marcados. Um escândalo. São 8 pontos de vantagem para o United, 9 para o Chelsea, 11 para o Tottenham, 12 para Arsenal e Liverpool.

Na rodada inglesa, Manchester United, Chelsea e Liverpool ganharam bem, e o Arsenal fez uma grandíssima partida contra o rival Tottenham, vencendo por 2 a 0. O Tottenham, naturalmente, foi o grande derrotado do super sábado. É verdade que o primeiro gol do Arsenal saiu de uma jogada que deveria ter sido invalidada, mas tal foi o domínio que parece uma bobagem falar de arbitragem.

Gabriel Jesus fez o primeiro do City, Philippe Coutinho fez o terceiro dos 3 a 0 do Liverpool sobre o Southampton, e, no jogo do United, duas grandes notícias. Pogba voltou ao time e fez a jogada do empate, quando o time perdia para o Newcastle, e ainda marcou o terceiro gol, que praticamente matou o jogo – seria 4 a 1. A outra grande notícia foi a volta de Ibrahimovic, após mais de seis meses longe dos gramados.

Bundesliga e Ligue 1

Na Alemanha, o Bayern chegou à sétima vitória em oito jogos desde o retorno de Jupp Heynckes ao banco de reservas. O reencontro é sucesso absoluto, e o Bayern volta a ganhar corpo como uma das forças da Europa.

Com a derrota – mais uma – do Borussia Dortmund, sexta, e o empate do RB Leipzig em Leverkusen, neste sábado, o Bayern já abre seis pontos para o Leipzig na liderança. O caminho para o inédito hexacampeonato já está bem pavimentado.

Na França, Neymar fez um jogo sem muita graça. Ficou apagado na goleada de 4 a 1 do PSG sobre o Nantes, um adversário perigoso e bem treinador por Claudio Ranieri.

Cavani abriu o placar aos 37min, quando o PSG nada tinha feito em campo. Os outro gols saíram todas de lambanças bizarras do adversário, o que mostra o desnível entre a liga francesa e outras mais potentes. Com mais um tropeço do Monaco, na sexta-feira, agora a distância entre eles é de seis pontos.

No domingo que vem, haverá o aguardado duelo entre Monaco e PSG. Além de estar jogando mal, o Monaco enfrentará um time que ganhou 11 e empatou 2 até agora, campanha inferior somente à do City na Inglaterra.