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Real Madrid, a vitória necessária e o ‘recadito’ para o PSG
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Julio Gomes

O Real Madrid faz uma temporada ruim. Simples assim. Não há copo meio cheio. Ele está, na verdade, bem vazio. O Real está a 16 pontos do Barcelona, sem chances de repetir o título espanhol. Foi eliminado em casa da Copa do Rei pelo Leganés, um clube minúsculo. Levou uma sova do Tottenham na Liga dos Campeões, ficou em segundo na fase de grupos e terá de pegar o PSG nas oitavas.

Temporada ruim, decepcionante. Menos de um ano atrás, parecia que o Barcelona iria ladeira abaixo e o Real Madrid dominaria o futebol no país de forma contundente. Quem pensou isso, como eu, caiu do cavalo. No mercado de inverno, Zidane preferiu não se mexer. Confiava que conseguiria recuperar o time com o que tinha em mãos. “Fechar o grupo”.

As últimas três semanas tiveram, alternadas ao vexame na Copa do Rei e o empate contra o Levante, goleadas de 7 sobre o La Coruña, um 4 a 1 em Valência e os 5 a 2 deste sábado, contra a Real Sociedad. Dá para dizer que, no mínimo, no meio da instabilidade, o time reencontra momentos de brilho e reafirmação.

E o que aconteceu neste sábado é muito promissor. Naturalmente, o Real Madrid teria escalado reservas contra a Real Sociedad. Afinal, a Liga já era e não haveria por que arriscar uma lesão antes de pegar o PSG.

Mas as ideias de Zidane eram outras. O francês via a necessidade de uma boa vitória, uma boa apresentação, para dar confiança e tranquilidade antes de quarta-feira.

Só não começaram jogando Casemiro e Bale. É óbvio que o time precisava de um jogo e um resultado como esses. Cristiano Ronaldo, que fez uma primeira metade de temporada meia boca, chega com um hat trick de moral. Será que repete o filme da temporada passada?

A grande sacada de Zidane em 2017 foi ganhar a Liga espanhola com meias e atacantes reservas. Os caras ganharam vários jogos duros e deram descanso para os titulares voarem na Champions League. Quem sabe a grande sacada deste ano seja confiar o tempo todo nos titulares. Veremos se o plano dará certo.

Ao final da partida contra a Real Sociedad, em vez do tradicional “Hala, Madrid”, hino do clube, os alto falantes do Bernabéu entoaram o “hino” da Champions.

Um recadito. Uma mensagem clara para o PSG. Estamos aqui. Estamos prontos. Podem vir quente que estamos fervendo.

 


Real Madrid se afunda na falta de gols e na seca de Cristiano
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Julio Gomes

Foi um ano e meio fazendo gols em todos os jogos. Todos. 73 partidas consecutivas guardando pelo menos um, recorde absoluto de um Real Madrid que viveu uma fase em que tudo dava certo com Zinedine Zidane.

Quando começou a temporada 17/18, após passar por cima do Barcelona na Supercopa espanhola, parecia que o Real Madrid iria atropelar todo mundo que viesse pela frente. A Liga dos Campeões da Europa, sempre marcada pelo equilíbrio de forças, começou com um favorito absoluto, o time a ser batido, como há muito não se via.

Pois é. Acelere a fita. E, neste sábado, o Real Madrid viveu mais uma tarde de depressão no Santiago Bernabéu. Quatro graus Celsius, muita chuva, arquibancada fria, molhada e impaciente. Trocentas chances criadas. Zero gols. E mais uma derrota. 0 a 1 contra uma Villarreal que nunca havia vencido neste estádio.

Depois da sequência histórica de 73 jogos oficiais marcando, agora o Real Madrid passa em branco pela quinta vez em 25 partidas. 20% dos jogos, portanto.

O Bernabéu não vê uma vitória do Real há mais de um mês. Em 16 jogos oficias na temporada em casa, o Real ganhou 8 e não ganhou 8. Isso mesmo. Este contra o Villarreal já é o quinto tropeço em casa na Liga espanhola, a terceira derrota em dez jogos.

Não à toa, as vaias foram intensas a partir do gol do Villarreal, que já saiu nos minutos finais – aliás, um golaço de Fornals. São vaias generalizadas e difusas, sem um vilão claro. Afinal, quem vai ficar xingando Zidane ou Cristiano Ronaldo?

O melhor jogador do mundo vive sua temporada mais seca em muitos anos. E passa por ele e por um ataque que não funciona a explicação para o que vem acontecendo.

Afinal, foram quase 30 chegadas ao gol, 12 escanteios, muitos lances criados. É verdade que o goleiro Asenjo, do Villarreal, pegou muito. Mas Cristiano Ronaldo, por exemplo, perdeu um gol feito no primeiro tempo, daqueles que talvez nunca tenhamos visto perder. Nos últimos dez jogos pelo Espanhol, ele foi à rede em só dois deles – e jogando os 90 minutos sempre. Tem quatro gols no campeonato, que contrastam com os nove que marcou na Champions.

Para quem achava que o problema era Benzema, talvez seja melhor rever conceitos. Se antes estava dando tudo certo, hoje parece claro que as coisas estão dando errado para o Madrid.

O primeiro turno acaba na Espanha. É verdade que o Real Madrid ainda tem um jogo a menos, mas soma 32 pontos contra 48 do líder Barcelona – que encerra a rodada no domingo contra a Real Sociedad. Está bem atrás de Atlético de Madri e Valencia e tem na cola Sevilla e Villarreal.

A última vez que o Real Madrid acabou em quarto lugar no campeonato foi em 2004 – alguns meses depois, chegaria Vanderlei Luxemburgo. A última vez que ficou fora do G4 foi no ano 2000 (quando conquistou a Champions). A última vez que ficou fora da Champions foi na temporada 96/97. É este o tamanho do risco que o time atual está correndo.

Rafael Benítez foi demitido dois anos atrás após 18 jogos na Liga espanhola – 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas (37 pontos) – 47 gols marcados. Na atual temporada, Zidane disputou os mesmos 18 jogos no Espanhol – 9 vitórias, 5 empates e 4 derrotas (32 pontos) – apenas 32 gols marcados.

Sim, o jogo do Real Madrid é pobre. Mas chances estão sendo criadas. Está na hora de Cristiano Ronaldo aparecer, senão o confronto contra o PSG não vai ter nem graça.


Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
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Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.


Diego Costa, o “malvado favorito”, está de volta e revoluciona o Atlético
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Julio Gomes

A primeira metade da temporada do Atlético de Madri foi, talvez, a pior desde a chegada de Diego Simeone, em dezembro de 2011. Mais do que a eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões da Europa (o grupo não era moleza, tinha Chelsea e Roma), o que chamaram a atenção foram as atuações ruins e apáticas no Espanhol.

Depois de duas temporadas melhorando seu jogo, deixando para trás o DNA de time defensivo e raçudo e passando a gostar de jogar com a bola, com jogadores de meio e de frente de mais toque e qualidade, o Atlético parece que retrocedeu.

Cansou, talvez? O time talvez tenha se esgotado psicologicamente após tantos anos de exigência máxima. Afinal, para concorrer com Barcelona, Real Madrid e os outros gigantes da Europa na Champions, o Atlético sempre teve de jogar cada partida, cada minuto, como se fosse a última.

Curiosamente, o suspiro que faz o futuro parecer mais promissor vem do passado. Diego Costa.

Diego foi contratado por 65 milhões de euros no início da temporada, mas só pôde estrear agora em janeiro, por uma punição recebida pelo Atlético. Ficou três meses entrando em forma e treinando, perdeu quilos, queria voltar tendo impacto imediato. E foi o que aconteceu.

Já na reestreia, quarta, pela Copa do Rei, fez um gol na vitória por 4 a 0 sobre o Lleida. E neste sábado, em sua volta à Liga Espanhola, na primeira partida no novíssimo estádio Wanda Metropolitano, a primeira como titular, fez um gol nos 2 a 0 sobre o Getafe. Mais do que isso: cumpriu o script completo.

Taticamente, mudou o jogo do Atlético, que passa a ter um Griezmann mais móvel (como ele gosta e rende mais). Passa a ter uma presença de área muito mais forte do que com o velho Torres ou Gameiro. Passa a ter um jogador que incomoda, distrai, inferniza a vida dos defensores adversários.

Animicamente, passa a ser um Atlético mais parecido com o velho time de Simeone. Raçudo, inflamado, malvado.

O árbitro de Atlético x Getafe teve uma atuação patética. Encheu o Atlético de cartões e perdoou o Getafe. O efeito Diego Costa tem disso também, os árbitros não gostam dele, ninguém gosta dele. É o jogador que recebe uma falta e levanta rapidinho para espinafrar o juiz. É o jogador que sai para o túnel no intervalo batendo boca e trocando empurrões com algum adversário. Xinga até a sombra.

É o jogador que deixa o braço para proteger a bola. Alguns não teriam nem a falta marcada. Outros, levariam vermelho direto. No caso de Diego, saiu um amarelo. Seguido, claro, de encarada, empurra empurra, tensão.

Tensão.

Esta é a palavra. Este é o principal efeito Diego Costa. O jogo fica tenso, o adversário fica tenso, os companheiros ficam tensos, a torcida, os árbitros, todo mundo. Os jogos ganham uma atmosfera diferente. Tensão pode ser ruim, claro que pode. Mas não é possível ganhar no futebol sem tensão. E era isso que esse Atlético não mostrava na temporada 17/18.

E veio o gol. Contra ataque, bom posicionamento na área, finalização de primeira, no contrapé do goleiro, tudo certinho.

Mas Diego Costa é Diego Costa. E ele subiu a escadinha que dá acesso à arquibancada para ganhar um banho de massas. Debaixo de chuva em Madri, foi abraçado, beijado, amassado, esmagado. Foi para a galera.

Na volta, adivinhem? Amarelo. E vermelho.

Empurra empurra, nome gritado, bate boca, cotovelo, amarelo, gol, celebração irracional, banho de massas na chuva, vermelho, aplausos, suspensão. O Atlético x Getafe deste sábado foi 100% Diego Costa.

Não dá para não pensar em como teria sido aquela final de Champions em 2014, entre Atlético e Real Madrid. Diego Costa saiu machucado logo no início, o Atlético chegou a abrir o placar, mas levou o empate nos acréscimos e perdeu o título na prorrogação.

O torcedor ama Diego Costa. É o típico jogador odiado por quem está contra, amado por quem está do mesmo lado (menos Antonio Conte).

O Atlético está fora da Champions, mas já é, nas casas de apostas, o principal favorito a ficar com o título da Europa League (à frente de Arsenal, Dortmund, Napoli, Milan…).

No Espanhol, está seis pontos atrás do Barcelona, que amanhã deve voltar a abrir nove, pois recebe o Levante. O jogo entre eles no segundo turno será no Camp Nou. O título do Barcelona está praticamente garantido.

Mas, no mínimo no mínimo, teremos a partir de agora fortes emoções nos jogos do Atlético. O homem de Sergipe está de volta.

 


Barcelona só perde título espanhol se sofrer virada recorde
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Julio Gomes

Com os 3 a 0 sobre o Real Madrid, sábado, em pleno Santiago Bernabéu, e as derrotas de Atlético de Madri, Valencia e Sevilla, o Barcelona teve a rodada dos sonhos antes de o Campeonato Espanhol fazer a pausa para as festas de fim de ano.

O Barça é líder com 45 pontos em 51 possíveis, não perdeu um jogo sequer na Liga doméstica. A vantagem é de 9 pontos para o Atlético, 11 para o Valencia, 14 para o Real Madrid (que tem um jogo a menos) e 16 para o Sevilla.

Na história do Espanhol, a maior “remontada” de pontos aconteceu na temporada 98/99. Exatos 19 anos atrás, o Mallorca liderava o campeonato após 14 rodadas e tinha 9 pontos de vantagem para o Barcelona, que acabaria sendo campeão no ano de seu Centenário. O Mallorca terminaria em terceiro lugar.

Se o Atlético de Madri for campeão da atual temporada, terá igualado este recorde histórico. Se o Barça perder o título para outro time, como o Real Madrid, por exemplo, terá sido a maior remontada já vista no campeonato.

E tem um detalhe: no segundo turno, o Barcelona jogará contra Atlético, Real e Valencia em seu estádio, o Camp Nou. Não está fácil para a concorrência.

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O dado histórico, somado à consistência deste Barcelona de Valverde e a inconsistência dos rivais, faz com que muitos considerem a Liga já definida, mesmo faltando duas rodadas para ser concluído o primeiro turno.

Seria o nono título do espanhol do Barça em 14 temporadas, um domínio só comparável ao histórico Real Madrid de Si Stefano, dos anos 50 e 60. São justamente as 14 temporadas com Messi no time principal desde a estreia, em 2004 – o argentino é o recordista de gols em clássicos no Bernabéu (agora são 15) e o jogador que mais gols fez contra o Real Madrid na história.

Com a vitória no clássico , o Barcelona conseguiu vencer em Madri em três Ligas seguidas pela primeira vez na história (só o Atlético de Simeone, recentemente, havia conseguido tal feito). É também a primeira vez que o Real sofre pelo menos três gols em casa, do mesmo adversário, três vezes seguidas.

Os últimos dez dérbis pela Liga no Bernabéu tiveram sete vitórias do Barça, com 28 gols marcados – quase três por visita. Dá para chamar de freguesia.

Manchester City, com a campanha surreal que faz na Inglaterra, Bayern de Munique, na Alemanha, e PSG, com todo o investimento que fez na França, também já são virtuais campeões nacionais. Sobram as disputas intensas na Itália e Portugal e, claro, a Liga dos Campeões, onde todos esses aí vão se enfrentar.

De todos esses, o Barcelona é quem faz a temporada mais surpreendente. É importante lembrar que este era um clube em depressão quatro meses atrás, humilhado pela saída de Neymar, sem conseguir quem queria no mercado, sem a renovação de Messi assinada, sem o Iniesta de outros tempos, com diretores renunciando, com um ex-presidente atrás das grades e o atual enrolado com a Justiça.

Tanto que Piqué dizia, após a derrota para o Real Madrid na Supercopa espanhola, que abria a temporada, que pela primeira vez se sentia inferior ao maior rival.

O mundo girou, Ernesto Valverde faz um enorme trabalho, Paulinho encaixou como uma luva e hoje, quem quiser tirar o título do Barça, terá de bater recorde.

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Quem precisa de Neymar? Paulinho virou o substituto perfeito

As três maiores viradas da história da Liga espanhola foram: a já citada do Barça para cima do Mallorca (9 pontos, em 98/99); outra do Barça, do Dream Team de Cruyff, mas sobre o Real Madrid, quando a vitória ainda valia 2 pontos (8 pontos de desvantagem após 14 rodadas, em 91/92); e a do Valencia de Rafa Benítez sobre o Real Madrid dos galácticos (8 pontos faltando apenas 12 rodadas, em 2003/2004).

Neste mesmo campeonato, o primeiro de Ronaldinho na Espanha, o Barcelona chegou a tirar 18 pontos de desvantagem para o Real Madrid para acabar em segundo lugar – os galácticos acabariam em quarto. Era o terreno sendo pavimentado para o bicampeonato em 2005 e 2006, o início da “era Messi”.


Quem precisa de Neymar? Paulinho virou o substituto perfeito
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Julio Gomes

Paulinho melhor do que Neymar? Calma, calma. Com a bola nos pés, seria uma comparação do tipo Cristiano Ronaldo x Renato Gaúcho. Bizarra. Mas, para o Barcelona, está dando muito certo.

Quando perdeu Neymar para o PSG, no último mercado de verão europeu, o Barcelona saiu correndo atrás de um substituto. Apostou tudo em Philippe Coutinho. Não deu certo. E aí pagou um caminhão de dinheiro pelo jovem francês Dembélé, do Borussia Dortmund. Que logo se machucou e está há meses sem jogar.

Paulinho chegou sob muita desconfiança na Catalunha. Afinal, tinha fracassado no Tottenham e vinha de uma liga fraca, a chinesa. E por muito dinheiro. Além disso, não tem o “estilo Barça”. Não é um “inho” como os outros brasileiros que passaram por lá.

Mas Ernesto Valverde, o técnico do Barcelona, que no teste de fogo de sua carreira vem calando muitas bocas, incluindo a deste escriba, sabia exatamente como usar Paulinho.

Do jeito que ele gosta e é mais perigoso. Chegando de trás, indo à área, finalizando, se infiltrando. Paulinho se consagrou assim, seja no Corinthians, seja nos melhores momentos vestindo a camisa da seleção brasileira. Não é um meio-campista defensivo, tipo Casemiro ou Busquets. Tampouco é um passador do estilo Modric ou Kroos.

Sim, ele sabe fazer o que precisa ser feito no meio de campo. Mas o forte mesmo é a chegada, até porque sua condição física, a capacidade de percorrer muitos metros de uma área a outra, é invejável.

Ele teria feito o segundo gol no clássico de sábado, não fosse a “defesa” de Carvajal. Foi em uma infiltração dessas que quase fez um gol no primeiro tempo, em um momento do jogo dominado pelo Real Madrid. Foi o melhor em campo nos 3 a 0 do Bernabéu, e isso não é pouca coisa.

Um colunista do jornal madrilenho “AS” resumiu assim: “Paulinho é um animal. Presença, posição, entendimento do jogo. Nunca uma contratação tão discutível deu tanto resultado”.

Paulinho não é fera no que se convencionou chamar de “jogo posicional”. Talvez por isso não participe de algumas partidas da Liga Espanhola, quando o Barcelona enfrenta adversários menores, aqueles duelos de ataques contra defesas. Mas podem estar certos de que ele vai aparecer em todos os jogos grandes da temporada, quando Valverde utilizará um time mais compacto.

Foi assim contra o Real Madrid. Será assim contra o Chelsea, nas oitavas de final da Champions League.

O Barça do trio MSN, principalmente nas últimas duas temporadas, era um time espaçado demais. Quase sem conexão entre defesa, meio e ataque. Não à toa, falamos e analisamos diversas vezes como o Barcelona era um time de jogo coletivo abaixo de outros gigantes da Europa, mas que salvava a vida em diversos momentos pela genialidade de Messi, Neymar e Suárez.

Sem Neymar, Valverde, que nunca foi um treinador superousado, encontrou em Paulinho o substituto perfeito.

O time passa a jogar em um 4-4-2, com liberdade total para Messi e Suárez – que ficava preso demais no centro da área. Paulinho ajuda o time na fase defensiva, dando mais números e consistência ao meio de campo. E aparece na frente, em alguns momentos até como centroavante, dando opções de passe e criando chances de gol.

É um time menos brilhante do que nos dias de Neymar, mas também menos vulnerável e mais equilibrado. Na minha opinião, dada a situação de três meses atrás, o clube catalão é a grande surpresa da temporada. O Barcelona é virtual campeão espanhol na virada do turno. E, com Paulinho, parece mais forte na Champions do que nos últimos anos.

 


Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real Madrid na Liga
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Julio Gomes

Zinedine Zidane vai completar em janeiro dois anos à frente do Real Madrid. Neste período, ganhou uma Liga Espanhola e duas Champions League seguidas, o que nunca havia acontecido na era moderna da competição. O francês se notabilizou por não inventar. É um ex-craque, que conhece o clube, a linguagem necessária para estimular e fazer com que os seus jogadores funcionem em campo. Nunca pareceu ser um gênio tático ou um mestre das substituições durante os jogos.

Hoje, Zidane inventou. O Real levou 3 a 0 na testa. E a Liga acabou.

Zidane tirou Isco do time, colocou Kovacic. No primeiro tempo, a estratégia de ganhar o meio de campo até que deu certo em alguma medida. O Real Madrid teve a posse de bola e, jogando pela esquerda, Cristiano Ronaldo criou muitos problemas para o Barça. Mas faltava criatividade, o último passe. O passe de morte. Faltava Isco.

É verdade que Messi mal pegou na bola. Quando conseguiu, encontrou um lançamento para Paulinho, na única chance do Barça no primeiro tempo. Aliás, Paulinho já justificou com sobras o investimento. Sem Neymar, o Barça passou a jogar em um 4-4-2 que só dá certo porque Paulinho tem muita chegada no ataque.

O primeiro tempo foi do Real Madrid, mas as chances criadas foram poucas – basicamente uma rara furada de Cristiano Ronaldo e uma grande defesa de Ter Stegen. No segundo tempo, o Barcelona voltou muito melhor. Com Rakitic mais próximo de Busquets e o time mais compacto no meio, aliado a um Real Madrid “mole”, começaram a surgir os primeiros contra ataques para o Barcelona.

Num deles, criado por Busquets e puxado por Rakitic, Kovacic fingiu que não era com ele, Casemiro estava muito recuado e saiu o gol de Suárez. Mesmo assim, Zidane demorou para reagir. Nada fez. Até que saiu o segundo gol, em pênalti anotado por Messi e com expulsão de Carvajal. Ali, a vitória do Barcelona ficou decretada.

O Real ainda tentou depois de Zidane tirar os dois volantes, Ter Stegen brilhou e sairia o terceiro gol nos acréscimos, de Vidal.

O preço pago pelo Real Madrid pelos erros de Zidane é altíssimo. A derrota por 3 a 0 para o Barcelona é a quinta nos últimos sete superclássicos disputados no Santiago Bernabéu. Em Madri, quem manda é o Barça. Não à toa, vimos algo raro neste sábado: um time vaiado pela própria torcida.

Antes de começar a temporada, o Real Madrid era destacado favorito para ganhar o Campeonato Espanhol. Nos duelos entre os dois gigantes na Supercopa, no início da temporada, o Real atropelava um Barça em depressão, que perderia Neymar para o PSG. Naquela ocasião, Piqué, um ícone da Catalunha e do clube, disse o seguinte:

“Pela primeira vez, em anos, me sinto realmente inferior ao Real Madrid”.

Piqué estava correto. Havia um abismo entre os clubes. Mas talvez essa noção e o fato de terem vencido tudo foram fatores que geraram desatenção no Real Madrid. O time começou mal a temporada, com tropeços pouco usuais.

Enquanto isso, o Barcelona ia vencendo, vencendo, vencendo. Mesmo sem Neymar. Mesmo com tantas lesões. Mesmo com a seca de Suárez. Mesmo sem encantar. Mesmo com toda a fervura política na Catalunha. O Barça fechou os ouvidos e foi vencendo, vencendo, vencendo.

Chegamos ao clássico deste sábado, e o Real Madrid precisava vencer para sobreviver. Perdeu. E o Campeonato Espanhol virou missão impossível. São 14 pontos de desvantagem (que podem ser 11, porque o Real tem um jogo a menos). Até hoje, na história da Liga, a maior “remontada” foi de 9 pontos.

Zidane será muito pressionado nas próximas semanas, até as oitavas de final da Champions, contra o PSG. Neste momento, o Real Madrid seria presa fácil para o time francês. Algo está acontecendo nos bastidores, e possivelmente alguns destes atritos virão a público nos próximos dias.

Vamos ver como Zidane vai se virar para reencontrar o time e a forma de vencer.


Real Madrid enfrenta ‘match point’ contra o Barcelona
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Julio Gomes

Antes do início do Campeonato Espanhol, o Real Madrid tinha ares de favoritaço. O bicampeonato era uma barbada.

Afinal, o Real, além de campeão espanhol, é o bi europeu. Acabou o primeiro semestre voando, atropelando quem aparecesse na frente. Encontrou um Isco mágico com a titularidade no meio de campo. E mostrou reservas de muitas garantias, liderados por Asensio e Morata, que deram conta do recado quando necessário e mostraram que pediriam passagem logo logo.

Já o Barcelona… bem, o Barcelona, além de ter acabado bem mal a temporada, dando sinais de decadência, perdeu simplesmente Neymar, com requintes de humilhação, no mercado de verão. E ainda levou um “não” do Liverpool, apesar de tanto insistir por Philippe Coutinho.

Acelere a fita e estamos no fim do ano. O Barcelona tem 11 pontos de vantagem para o Real Madrid, ainda que este tenha um jogo a menos, devido à viagem para o Mundial.

O time de 2017 acaba o ano contra a parede.

O Real tropeçou no começo da temporada. Isso quase sempre acontece, os dois gigantes vira e mexe dão umas escorregadas no início do campeonato. Só que não foi o caso com o Barcelona de Ernesto Valverde, mesmo sem Neymar.

O Barça só não venceu Atlético de Madri e Valencia fora de casa, resultados normais, e tropeçou com o Celta em casa. Foram 13 vitórias até agora, com três empates e nenhuma derrota. Daí, a vantagem expressiva.

O Real Madrid chega ao clássico com o troféu do Mundial no bolso, mas sabedor de que essa é a principal “final” de dezembro para o clube. É uma espécie de match point. Que o Real só salva com vitória. Isso quer dizer que o Barcelona será campeão caso não perca? Ainda não. Até porque o Atlético de Madri está perto e vai se reforçar no mercado de janeiro. Mas é difícil o Real buscar o título se não conseguir diminuir a desvantagem no confronto direto.

O Real ganhou três dos últimos cinco clássicos contra o Barça. Mas, em casa, no Santiago Bernabéu, perdeu quatro dos últimos seis confrontos.

Só 1 dos últimos 14 clássicos acabou empatado. Em só 2 dos últimos 25 clássicos algum time ficou sem marcar. Só 1 dos últimos 30 clássicos teve menos de dois gols marcados. Ou seja, a tendência do jogão nos últimos anos tem sido de gols e alternância de placar.

Desta vez, é plausível acreditar que o Real Madrid tomará o comando das ações e terá mais posse de bola. Zidane tem todos os titulares à disposição e um time que já sabemos de cor. Casemiro, Kroos e Modric formam o melhor meio de campo do mundo. Isco flutua na armação para Cristiano Ronaldo e Benzema. É um time que já provou nos últimos anos que cresce quando importa.

O Barcelona, ao contrário dos últimos anos, é um time mais equilibrado e menos exposto defensivamente com Valverde. Paulinho não é titular sempre, mas fatalmente será no sábado, até porque tem muita explosão e chegada à frente. Sua presença faz com que Iniesta e Rakitic tenham mais liberdade em determinadas situações. E, claro, Messi e Suárez são a garantia na frente de que qualquer coisa pode acontecer.

Messi já fez 14 gols no Bernabéu. Cristiano Ronaldo também tem o Barça como uma das vítimas prediletas. Os dois maiores do século.

É o maior jogo de futebol do mundo. E com aquele componente político que conhecemos – nesta semana foram realizadas eleições na Catalunha, os ânimos estão à flor da pele e a arquibancada mostrará isso. Quem gosta de futebol, não pode perder.


Sábado perfeito para Barcelona, PSG e outros líderes das ligas europeias
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Julio Gomes

A rodada da Liga dos Campeões da Europa, semana que vem, gerou um super sábado no retorno dos campeonatos europeus, com praticamente todas as grandes forças do continente em ação.

O dia começou com um dérbi londrino, teve um romano durante a tarde e acabou com um dérbi madrilenho. Nenhuma zebra apareceu, o que é raro após as paradas para jogos de seleções (que geram perda de ritmo, lesionados, etc). Manchester City, Barcelona, Bayern de Munique, PSG e Napoli tiveram vitórias importantes e estão mais do que consolidados na liderança das cinco principais ligas.

City e Barcelona ganharam 11 de 12 jogos, enquanto PSG e Napoli ganharam 11 de 13. Estão invictos.

Espanha

O Barça, sem muitos problemas, passou pelo fraco Leganés, com dois gols de Suárez, quebrando uma seca incômoda, e um de Paulinho, que havia entrado no segundo tempo. A impressão é que o titular da seleção faz gol em todos os jogos do Barça! Já são quatro na Liga.

O Barcelona é, na visão deste blog e de acordo com as previsões feitas antes do início da temporada, a grande surpresa. São 11 vitórias e 1 empate em 12 jogos, uma campanha impressionante que nem os melhores Barças de anos atrás conseguiram.

Com 34 pontos, o Barça tem como perseguidor mais próximo o surpreendente Valencia, que tem 27 pontos e pode chegar a 30 se vencer o Espanyol, neste domingo. No fim de semana que vem tem Valencia x Barcelona, e Piqué desfalcará o time catalão.

Real Madrid e Atlético de Madri fizeram um dérbi muito intenso, bem jogado, mas não saíram do 0 a 0 no lindo estádio Wanda Metropolitano, que recebeu o primeiro clássico da cidade. Os dois já estão dez pontos atrás do líder.

Desde a inauguração do estádio, o Atlético ganhou as duas primeiras e depois colecionou uma derrota e, agora, quatro empates seguidos. Os resultados na nova casa estão sendo tão ruins que o time já está virtualmente eliminado na Champions League e ficou para trás no Espanhol. Está invicto na Liga, mas são seis vitórias e sete (muitos) empates.

O Real Madrid, bicampeão europeu, é inegavelmente uma das decepções da temporada. O time não demonstra a mesma fome e muito menos a mesma bola, fala-se em uma crise de relacionamento entre Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo e parece claro que o elenco está mais fraco – o que permite menos alternativas a Zidane.

O Real teve algumas chances contra o Atlético, até poderia ter vencido pelo segundo tempo que fez. Mas não foi um time com a urgência da vitória, como se esperava. Como tirar dez pontos de desvantagem para o Barcelona, em uma liga desequilibrada como a espanhola?

Itália

O Napoli parece decidido a ganhar seu primeiro título desde 1990, quando era o time de Maradona. No clássico que fechou o sábado, fez 2 a 0 em cima do Milan.

Ao contrário do Barcelona, do City, do PSG e do Bayern, no entanto, ainda não tem grande vantagem, pois a Série A está muito equilibrada. São 35 pontos, contra 31 da Juventus e 30 de Roma e Inter, todos estes com um jogo a menos. Juve e Inter entram em campo no domingo.

Já a Roma venceu bem o dérbi da capital contra a Lazio, 2 a 1. Fez um grande primeiro tempo, abriu 2 a 0 no segundo e depois sofreu, mas garantiu a vitória. A Roma, de técnico novo, é uma das surpresas da temporada, mantendo altíssimo nível dos tempos de Spalletti – hoje técnico da Inter.

Inglaterra

Na Premier League, o Manchester City deu mais uma demonstração de força ao fazer 2 a 0 no Leicester, fora de casa. O time voltou a jogar bem, dominar completamente as ações. O City é um “vendaval” para cima dos adversários. Ataca por todos os lados, de todos os jeitos, com muita gente chegando de trás e muita qualidade.

Guardiola gerou interrogações em algumas cabeças incrédulas depois de um primeiro ano meia boca no City e de três anos sem chegar à final europeia com o Bayern. Parece que muitas das dúvidas estarão dissipadas antes mesmo no Natal.

O City faz uma campanha histórica, com 11 vitórias em 12 jogos, 40 gols marcados. Um escândalo. São 8 pontos de vantagem para o United, 9 para o Chelsea, 11 para o Tottenham, 12 para Arsenal e Liverpool.

Na rodada inglesa, Manchester United, Chelsea e Liverpool ganharam bem, e o Arsenal fez uma grandíssima partida contra o rival Tottenham, vencendo por 2 a 0. O Tottenham, naturalmente, foi o grande derrotado do super sábado. É verdade que o primeiro gol do Arsenal saiu de uma jogada que deveria ter sido invalidada, mas tal foi o domínio que parece uma bobagem falar de arbitragem.

Gabriel Jesus fez o primeiro do City, Philippe Coutinho fez o terceiro dos 3 a 0 do Liverpool sobre o Southampton, e, no jogo do United, duas grandes notícias. Pogba voltou ao time e fez a jogada do empate, quando o time perdia para o Newcastle, e ainda marcou o terceiro gol, que praticamente matou o jogo – seria 4 a 1. A outra grande notícia foi a volta de Ibrahimovic, após mais de seis meses longe dos gramados.

Bundesliga e Ligue 1

Na Alemanha, o Bayern chegou à sétima vitória em oito jogos desde o retorno de Jupp Heynckes ao banco de reservas. O reencontro é sucesso absoluto, e o Bayern volta a ganhar corpo como uma das forças da Europa.

Com a derrota – mais uma – do Borussia Dortmund, sexta, e o empate do RB Leipzig em Leverkusen, neste sábado, o Bayern já abre seis pontos para o Leipzig na liderança. O caminho para o inédito hexacampeonato já está bem pavimentado.

Na França, Neymar fez um jogo sem muita graça. Ficou apagado na goleada de 4 a 1 do PSG sobre o Nantes, um adversário perigoso e bem treinador por Claudio Ranieri.

Cavani abriu o placar aos 37min, quando o PSG nada tinha feito em campo. Os outro gols saíram todas de lambanças bizarras do adversário, o que mostra o desnível entre a liga francesa e outras mais potentes. Com mais um tropeço do Monaco, na sexta-feira, agora a distância entre eles é de seis pontos.

No domingo que vem, haverá o aguardado duelo entre Monaco e PSG. Além de estar jogando mal, o Monaco enfrentará um time que ganhou 11 e empatou 2 até agora, campanha inferior somente à do City na Inglaterra.

 

 


Quatro impressões iniciais da temporada europeia
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Julio Gomes

A temporada 2017/2018 ainda mal começou na Europa e temos a primeira pausa para jogos de seleções. Foram quatro rodadas na França e Portugal, três na Inglaterra e Holanda, duas na Alemanha, Espanha e Itália. Foram disputadas também as fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, com as chaves sorteadas para a fase de grupos de ambas as competições continentais.

Já podemos tirar conclusões? É logicamente cedo para concluir qualquer coisa. Mas já temos alguns indícios. Aqui vão quatro deles:

1- Manchester United é favorito a tudo

Convencionou-se dizer que a segunda temporada de José Mourinho é sempre a melhor nos clubes por onde passa. O técnico português tem impacto imediato, mas é depois de observar (e trocar) as peças do elenco que ele consegue elevar seus times ao próximo nível.

A primeira temporada de Mourinho no United não foi ruim. Conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa. É verdade que são títulos menores para um clube com o tamanho e o histórico do United, mas ainda assim foram os primeiros pós-Ferguson, o que foi importantíssimo. Para este ano, chegaram Lukaku, Matic e Lindelof. E agora há a notícia da permanência de Ibrahimovic, um jogador importantíssimo, ainda mais considerando que o sueco ficou apesar da chegada de Lukaku – ou seja, fica com a consciência da reserva e de sua importância para o grupo.

O United é o único a ganhar os três jogos na Premier League e não sofreu um gol sequer. Meteu 4 a 0 no West Ham e no Swansea (fora) e fez 2 a 0 no Leicester. O United do campeonato passado não goleava ninguém e costumava empatar jogos como este, contra o fechadinho Leicester, sábado. Agora apresenta mais soluções ofensivas aliadas à solidez defensiva.

Além do mais, o United foi sorteado em um grupo fácil na Champions League, ou seja, não precisará abrir mão de jogos na Premier League para avançar às oitavas na Europa. É apenas início de temporada, mas já deu para ver que as previsões feitas antes de o campeonato começar estavam certas: o gigante de Manchester vai disputar o título inglês, sim senhor, e é forte candidato na Champions.

Ainda na Inglaterra, importante observar o bom início do Liverpool, apesar da “lesão” (assim mesmo, entre aspas) de Philippe Coutinho. Sem o brasileiro, os Reds passaram bem pela prévia da Champions, contra um perigoso Hoffenheim, enfiaram impiedosos 4 a 0 no Arsenal, ontem, e só não têm 100% na Premier porque levaram um gol nos acréscimos e em impedimento na primeira rodada. Havia a interrogação sobre o que seria o Liverpool sem Coutinho. E a impressão é que Klopp conseguirá superar a ausência de seu melhor jogador – se ele, de fato, sair para o Barcelona.

2- Milão está de volta

Comprados por chineses, Milan e Internazionale tentam retomar dias de glória e quebrar o inédito domínio da Juventus, hexacampeã italiana.

O Milan foi o terceiro clube que mais gastou na janela de verão europeia, atrás apenas de Manchester City e PSG, trouxe o torcedor de volta ao San Siro e não está deixando ninguém na mão até agora. Passou com tranquilidade da fase prévia da Europa League e ganhou as duas primeiras no Italiano – ainda que tenha sofrido mais da conta ontem, contra o Cagliari.

É um time inteirinho novo e, como eu já dizia na prévia do Italiano, vamos ver que química Montella irá conseguir criar. Se encaixar, como parece que está encaixando, o Milan tem tudo para estar entre os quatro primeiros e ameaçar a Juventus. O início é promissor.

A Inter foi a quarta que mais gastou antes da temporada passada. Para este ano, mais do que gastar, o que o clube fez foi trazer o técnico Spalletti. E logo na segunda rodada ele comandou uma virada importante contra seu ex-clube, a Roma, fora de casa. A ausência de competições europeias (calendário folgado), duas vitórias em dois jogos, sendo uma delas contra um adversário direto da parte alta da tabela, credenciam a Inter a fazer um bom papel no Italiano.

3- Monaco não dará trégua ao PSG

Neymar começou muito bem sua trajetória no PSG, com gols, assistências e eficiência. Por aqui, o que mais ouvimos ultimamente é que “na França é fácil”. Bom, geralmente os que falam isso também achavam que “jogar na Espanha é fácil”. Difícil é o Brasileirão, claro.

Os adversários da França estão um degrau abaixo da Espanha, sem dúvida, e a diferença do PSG para os outros é muito grande. Mas eu não usaria tais argumentos para diminuir o início de Neymar.

O que este começo de temporada nos mostra, no entanto, é que o PSG não vai passear rumo ao título do Francês. O atual campeão é o Monaco e, apesar da perda de três titulares para a Premier League, o time de Leonardo Jardim trouxe boas reposições e manteve o alto nível.

Assim como o PSG, o Monaco ganhou seus quatro primeiros jogos no campeonato e, ontem, enfiou 6 a 1 no Olympique de Marselha – um grande do país e que começou a temporada como suposta terceira força. Falcao García começou voando e já tem sete gols nas quatro primeiras rodadas, e o Monaco fez os mesmos 14 gols que o PSG marcou.

Resta saber se nesta semana serão confirmados os rumores da saída de Mbappé do Monaco para o PSG. Se a transferência realmente ocorrer, aí a balança se desequilibra. Mas, por enquanto, não podemos descartar o atual campeão. Somando as duas temporadas, o Monaco ganhou seus últimos 16 jogos na Ligue 1.

4- Barcelona em crise

Quem olha a tabela do Espanhol, vê o Barcelona entre os líderes, com seis pontos, e o Real Madrid abaixo, com quatro. Nesta segunda, o clube catalão apresentou o novinho Dembélé, segundo jogador mais caro da história do futebol. Pode ser que para os jornais locais a crise seja passado. Mas não é. O Barcelona foi atropelado pelo Real na Supercopa, jogou francamente mal nas duas vitórias pela Liga e nota-se uma ruptura entre jogadores e diretoria. Não há coesão e união.

Se conseguir acertar com Coutinho até quinta, quando fecha a janela de transferências, o Barcelona terá sido o clube campeão de gastos do verão. Tudo isso porque perdeu Neymar de forma humilhante para o PSG e saiu comprando a torto e direito, pagando mais do que o mercado exige. Jogando para a torcida, sem qualquer planejamento financeiro.

Perdeu Neymar para si mesmo, assim como tinha perdido uma peça tão importante como Daniel Alves. E agora temos a novela da tal assinatura de Messi, que está faltando, apesar do anúncio de renovação meses atrás.

O início de temporada mostra um Barcelona rachado, com pouco futebol e muitas interrogações. Interrogações que não pairam sobre o Real Madrid, apesar do tropeço diante do Valencia – sem Cristiano Ronaldo, diga-se.