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Arquivo : Campeonato Espanhol

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos no mesmo dia
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Julio Gomes

Já tivemos muitos e muitos clássicos mais importantes do que o Barcelona-Real Madrid deste domingo. Não só na história toda, mas mesmo nos últimos anos. O de hoje foi dos menos importantes. O Espanhol está decidido para o Barcelona, o Real Madrid não joga mais nada nesse campeonato, não vivemos o auge da tensão política Espanha-Catalunha…

Então, com licença aos gols de Cristiano Ronaldo e Messi, um em cada tempo, e também com licença ao fato de o Barcelona ter mantido a invencibilidade no campeonato, se aproximando de um feito histórico, o clássico do Camp Nou foi vergonhoso.

Não havia razão para tanta pancada, tantas entradas, tanta provocação, tanta picuinha. Não há rivalidade que justifique.

Tem gente que adora. Muita gente, aliás. “Isso é futebol”. “Os caras não têm sangue de barata”. “Vai lá assistir vôlei”. Esses são os (profundos) argumentos prediletos da turma.

Não é como eu vejo o jogo, não é o que me apaixona no jogo. Sou um crítico frequente deste “futebol machão” que vemos na América Latina, não tem por que poupar o maior clássico do mundo de críticas.

Todos sabemos perfeitamente que existe tensão dentro do campo de futebol, não precisam estar jogando Barcelona e Real Madrid para termos conhecimento disso. O problema é quando descamba. E ainda mais em um jogo assim, assistido no mundo inteiro, por zilhões de pessoas.

Que exemplo dá Messi para o mundo ao dar uma entrada maldosa em Sergio Ramos, como uma forma de vingança após um cotovelo deixado por Ramos no peito de Luis Suárez?

O juiz deu amarelo a Ramos (justo) e a Suárez (também justo, pela reclamação ostensiva, aquele show de sempre). O que mais queria Messi?

Vamos dar um pequeno desconto a Messi, porque em tantos anos de carreira nunca o vimos fazer esse tipo de coisa?

Até podemos. Mas imaginem se fosse Neymar a fazer o que Messi fez? Teria perdão? Messi é grande quando faz o golaço que fez no segundo tempo, é pequeno quando resolve fazer justiça com as próprias mãos (ou pés).

Aliás, em nosso país estamos vivendo a era dos justiceiros. Todo mundo quer e acha que pode fazer justiça com as próprias mãos. O pequeno microcosmo do futebol nos mostra o quanto isso é a barbárie.

Messi deu a senha. No minuto seguinte, Bale deixou a sola na panturrilha de Umtiti, de forma igualmente maldosa. No mínimo, amarelo. Outro minuto, e Sergi Roberto dá um soco em Marcelo (recebeu o vermelho). Não dá nem para chamar o fraco juiz de justiceiro seletivo, porque no segundo tempo Suárez fez falta clara em Varane no lance do gol de Messi. E depois, já com 2 a 2, o árbitro ainda deixou de dar pênalti claro de Alba sobre Marcelo.

O árbitro se perdeu e cometeu erro atrás de erro. Mas a confusão toda começa antes disso e é exclusivamente culpa dos jogadores. Gente que, hoje, perdeu a noção do que representa. De como são copiados no mundo inteiro.

Nos minutos finais ainda teve a briguinha pelo tal fair play. Suárez cai, Busquets não joga a bola para fora, depois o Real Madrid tampouco e vira bate boca. Após o apito final, claro, sorrisinhos de Ramos, Piqué e os outros jogadores da seleção espanhola. Do tipo “os bobocas aí devem ter se divertido com nossas briguinhas”. Foi um “El Clássico” deprimente.

Vamos lembrar que a vergonha já havia começado antes da partida. Na Espanha, existe uma tradição de muitas décadas. Depois de um time ser campeão, ele é homenageado em sua partida seguinte. O adversário da vez faz um corredor (o “pasillo”) para render homenagem aos jogadores campeões, que entram em campo sob aplausos.

Em dezembro, o primeiro jogo do Real Madrid após a conquista do Mundial de Clubes foi o clássico contra o Barcelona. Alegando que não havia disputado o mesmo torneio, o Barça resolveu não fazer o tal pasillo. Um argumento discutível, pois o Barça havia disputado a Champions, vencida pelo Real e que deu o direito ao time de Madri jogar o “Mundialito”. Picuinha pura.

O Real Madrid, que se orgulha de ser um clube “señor”, acima do bem e do mal, classudo, devolveu como? Não fazendo o pasillo neste domingo, apesar de o Barça ter sido campeão espanhol na rodada passada. Ou seja, uma atitude pequena, mesquinha. Picuinha pura.

Faltou classe a todo mundo. Menos ao pobre Iniesta, que se despediu dos clássicos em um jogo para ser esquecido.

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos, juntos, no mesmo dia.


Na era das superpotências, feito do Barcelona já não é tão histórico
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Julio Gomes

O Barcelona deu sequência à era mais vitoriosa de sua história e conquistou ontem, com a goleada sobre o Sevilla, a Copa do Rei número 30 para a galeria de troféus do clube.

A Copa do Rei, quase sempre conquistada em Madri, diante dos olhos da realeza, com direito a hino nacional espanhol vaiado, tem um gosto especial para os catalães.

No fim de semana que vem, em La Coruña, o Barça deve garantir matematicamente também o título espanhol número 25 – o Real Madrid tem 33 Ligas, mas 19 Copas do Rei.

A imagem dos 5 a 0 sobre o Sevilla, no sábado, e talvez seja a imagem do título de Liga também, foi a dos aplausos a Iniesta – que deve anunciar aposentadoria em breve.

Mas qual será a imagem da temporada do Barcelona? O Iniesta levantando taça? Ou o Iniesta estupefato vendo, do banco de reservas, o time ser eliminado da Champions League em Roma? Falarei mais disso mais adiante.

Confirmada a conquista da Liga domingo que vem, será o oitavo “doblete” do Barça na história, ou seja, a oitava temporada com títulos de Liga e Copa. O Athletic Bilbao conseguiu cinco vezes, sendo a última nos anos 50. O Real Madrid, quatro vezes, a última em 88/89. O Atlético de Madrid tem apenas um doblete.

Isso dá bem a medida do feito. Ele é raro. Ou era raro. Pelo menos para o Barça.

Sempre gosto de usar 2003 como o ano do recorte. O ano da chegada de Ronaldinho ao clube. Ali, começa a virada. Vêm a confiança, os títulos, vem Messi, vem Guardiola, etc.

Até 2003, haviam sido quatro dobletes do Barça na história, ou seja, mesmo número do Real. Desde então, se confirmado o título da Liga na semana que vem, este número dobrou. E com um detalhe: em 2009 e 2015, o Barça conseguiu o triplete, pois ganhou a Champions também – o Real, mesmo sendo o maior campeão europeu, nunca fez um triplete.

E é aí que está.

Hoje o doblete que vale é o Champions + Liga doméstica. E não mais Liga + Copa locais, como antigamente.

Enquanto a Champions League era ainda a Copa dos Campeões da Europa, alguns grandes clubes podiam passar anos sem disputá-la. Só entravam caso ganhassem a liga doméstica.

Na “era Champions”, todos os grandes estão sempre lá. Desde 1997, o Real Madrid esteve presente em todas as edições. Neste mesmo período, Barcelona e Bayern só ficaram de fora uma vez. Manchester United e Arsenal, apenas duas. O Chelsea só ficou de fora de uma Champions desde que foi comprado por Abramovich. Juventus e Porto ausentes? Raríssimas vezes.

Com este novo formato de futebol europeu, o livre mercado no continente, a globalização, os direitos bilionários de TV, surgiram as hiperpotências – não preciso listar quais são.

E na era das hiperpotências, amigos e amigas, não me venham “só” com doblete doméstico. O que importa mesmo é a Champions. É lá que estão os rivais do mesmo tamanho.

O doblete doméstico do Barça é raro, como já vimos. Será comemorado, sem sombra de dúvidas. Mas não há como apagar o derretimento inexplicável nas quartas de final da Champions, apanhando de 3 a 0 de uma Roma de qualidade duvidosa (após ter feito 4 a 1 na ida).

Talvez daqui uns anos alguns se esqueçam do doblete. Ou confundam com algum outro – já que o feito virou corriqueiro. Mas ninguém se esquecerá da tragédia catalã em Roma por um bom tempo.

Assim como Guardiola possivelmente será lembrado pelos fracassos com o Bayern de Munique na Champions, e não pelos recordes nos três títulos de Bundesliga.

É o ônus do futebol na era das potências.

Está ficando chato, dirão alguns. Em termos de competitividade, está mesmo. O futebol nacional nos países europeus está altamente previsível. A ponto de dobletes, como este que o Barça conquistará, não serem mais vistos como feitos históricos.

Com tão poucos rivais à altura, convenhamos… a notícia não é nem o Barça fazê-lo de forma recorrente. A notícia é o Real Madrid não conseguir ganhar Liga e Copa desde 1989.

Por falar em Real Madrid. Depois de começar a temporada com tanto favoritismo no Espanhol, perdeu o campeonato ainda no primeiro turno. Está 15 pontos atrás. Foi eliminado da Copa do Rei em casa pelo minúsculo Leganés. Mas, se ganhar a Champions, que seria a quarta em cinco anos… quem seria o grande vencedor da temporada?

Pois é. O tamanho do doblete do Barça vai depender mais do que Real Madrid do que outra coisa.

 


Na “final” espanhola, faltou coragem e sobrou Messi
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Julio Gomes

Diego Simeone mudou a história do Atlético de Madrid, e isso é inegável. Mas lá se vão 13 partidas contra o Barcelona na Liga espanhola e são zero vitórias do treinador argentino (nove do Barça, quatro empates).

Faltou coragem ao Atlético no Camp Nou. Faltou também ao Barcelona, mas o time já vencia quando recuou. E o resultado final do jogo acabou sendo definido por Messi. Um golaço de falta, mais uma genialidade do argentino, que chega a 600 gols como profissional.

Se nos anos iniciais de Simeone o Atlético era um time de futebol reativo, isso foi se transformando ao longo dos anos. O Atlético passou a ser um time de boa defesa, sim, mas também de muita qualidade com a bola. Só que parece que nos grandes clássicos, nos grandes jogos, o time dá um passo atrás. Falta aquele centímetro de coragem, já que concentração e dedicação sempre sobram.

Foi assim nas duas finais de Champions contra o Real Madrid. E é assim quase sempre nos jogos grandes contra o Barcelona pelo Espanhol.

Agora, o Barça volta a ter oito pontos de vantagem na tabela, o que praticamente determina o campeão.

O Barça foi muito melhor no primeiro tempo, contra um Atlético que só pensava em marcar e abdicou de jogar. Não foram tantas chances criadas, mas o domínio era claro. E, numa falta besta feita por Thomas em Messi, o gênio não perdoou.

Com a saída de Iniesta por lesão muscular, Ernesto Valverde (que venceu Simeone pela primeira vez) também mostrou pouca coragem. Colocou em campo André Gomes, pensando em fechar o meio de campo. É um jogador de nível muito abaixo do restante. A entrada de Paulinho teria sido mais natural.

No segundo tempo, o Atlético fez um jogo mais sólido, com outra atitude. Diante de um Barcelona recuado e desinteressado, o time de Madri foi ganhando metros. E, aí sim, apareceu a coragem de Simeone, colocando dois atacantes e partindo para cima.

A impressão é que o Atlético chegaria ao empate. Até fez o gol, mas o bandeirinha encontrou impedimento milimétrico de Diego Costa no lance. Se tivesse jogado com a mesma atitude desde o início, fatalmente o resultado teria sido diferente. Por que não agredir desde o primeiro minuto?

Ao Atlético, agora, resta centrar forças na Europa League, onde é o principal favorito ao título. O Barcelona possivelmente terá de enfrentar o Chelsea, pela Champions, sem Iniesta. A Liga espanhola já está na regressiva.


No Espanhol, Barcelona é a maior pedra no sapato de Simeone
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Julio Gomes

Na Champions, um leão. Na Liga espanhola, um gatinho. Este tem sido o Atlético de Madrid quando enfrenta o Barcelona, nos seis anos e pouquinho desde a chegada de Diego Simeone ao clube.

Neste domingo, os clubes duelam no Camp Nou. Com a vantagem do Barça atualmente em cinco pontos, o jogo é tratado como uma “final”. Se o Atlético for campeão, terá sido a maior “remontada” da história da Liga espanhola. E ser campeão passa por vencer fora domingo, coisa que os colchoneros não fazem desde 2006.

Se na “era Simeone”, que começou em dezembro de 2011, o Atlético fez o Real Madrid virar freguês em jogos pelo Campeonato Espanhol, o mesmo não se pode dizer dos duelos contra o Barça. Foram 12 jogos desde a chegada do treinador argentino, com 8 vitórias do Barcelona e 4 empates.

Se colocarmos todas as competições na balança, foram 12 vitórias do Barça, 6 empates e 2 vitórias do Atlético – ambas em jogos de Liga dos Campeões, em 2014 e 2016, anos em que Simeone eliminou o Barça e só caiu na final europeia, justamente diante do Real.

Entre estes empates, houve um no Camp Nou, em 2014, que significou o título espanhol para o Atlético. Uma boa lembrança, sem dúvida. Mas outro empate no domingo deixaria a diferença em cinco pontos, ou seja, manteria o Barça com o controle do campeonato.

Por isso e por outras razões, é possível imaginar que o Atlético irá agredir o Barcelona, o que pode resultar em um grandíssimo jogo de futebol.

Depois da decepcionante eliminação na fase de grupos da Champions, Simeone recebeu Diego Costa em janeiro. Na Liga, desde então, foram oito vitórias e um empate em nove jogos, com 20 gols marcados e 3 sofridos. A presença de Diego Costa fez com que Griezmann jogasse mais solto – o francês fez sete gols nos últimos dois jogos.

Diego Costa e Griezmann dão ao Atlético uma mistura ofensiva muito curiosa. Lembra os primeiros anos de Simeone, com um time mais duro, mais pesado, mais catimbeiro – Diego Costa personalizava tudo isso em campo. Mas lembra também o Atleti recente, dos últimos anos, um time mais leve, capaz de propor jogo e envolver adversários, com um atacante, Griezmann, de características muito distintas.

Tudo isso, como sempre, com um sólido sistema defensivo por trás e muita concentração.

Uma concentração para lá de fundamental, pois o Barcelona terá espaços, e Messi e Suárez estão voando. Aliás, Messi já fez 27 gols no Atlético, uma de suas vítimas prediletas, e está a um de chegar a 600 gols como profissional.

Apesar de ainda invicto no campeonato, o Barcelona tropeçou três vezes em fevereiro – empates contra Espanyol, Getafe e Las Palmas – e fez um jogo ruim contra o Chelsea, pela Champions (deu sorte de sair com o empate de Londres). É o pior momento do time na temporada, mas talvez falte justamente um jogo como esse para o caminho ser retomado.

 


Real Madrid, a vitória necessária e o ‘recadito’ para o PSG
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Julio Gomes

O Real Madrid faz uma temporada ruim. Simples assim. Não há copo meio cheio. Ele está, na verdade, bem vazio. O Real está a 16 pontos do Barcelona, sem chances de repetir o título espanhol. Foi eliminado em casa da Copa do Rei pelo Leganés, um clube minúsculo. Levou uma sova do Tottenham na Liga dos Campeões, ficou em segundo na fase de grupos e terá de pegar o PSG nas oitavas.

Temporada ruim, decepcionante. Menos de um ano atrás, parecia que o Barcelona iria ladeira abaixo e o Real Madrid dominaria o futebol no país de forma contundente. Quem pensou isso, como eu, caiu do cavalo. No mercado de inverno, Zidane preferiu não se mexer. Confiava que conseguiria recuperar o time com o que tinha em mãos. “Fechar o grupo”.

As últimas três semanas tiveram, alternadas ao vexame na Copa do Rei e o empate contra o Levante, goleadas de 7 sobre o La Coruña, um 4 a 1 em Valência e os 5 a 2 deste sábado, contra a Real Sociedad. Dá para dizer que, no mínimo, no meio da instabilidade, o time reencontra momentos de brilho e reafirmação.

E o que aconteceu neste sábado é muito promissor. Naturalmente, o Real Madrid teria escalado reservas contra a Real Sociedad. Afinal, a Liga já era e não haveria por que arriscar uma lesão antes de pegar o PSG.

Mas as ideias de Zidane eram outras. O francês via a necessidade de uma boa vitória, uma boa apresentação, para dar confiança e tranquilidade antes de quarta-feira.

Só não começaram jogando Casemiro e Bale. É óbvio que o time precisava de um jogo e um resultado como esses. Cristiano Ronaldo, que fez uma primeira metade de temporada meia boca, chega com um hat trick de moral. Será que repete o filme da temporada passada?

A grande sacada de Zidane em 2017 foi ganhar a Liga espanhola com meias e atacantes reservas. Os caras ganharam vários jogos duros e deram descanso para os titulares voarem na Champions League. Quem sabe a grande sacada deste ano seja confiar o tempo todo nos titulares. Veremos se o plano dará certo.

Ao final da partida contra a Real Sociedad, em vez do tradicional “Hala, Madrid”, hino do clube, os alto falantes do Bernabéu entoaram o “hino” da Champions.

Um recadito. Uma mensagem clara para o PSG. Estamos aqui. Estamos prontos. Podem vir quente que estamos fervendo.

 


Real Madrid se afunda na falta de gols e na seca de Cristiano
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Julio Gomes

Foi um ano e meio fazendo gols em todos os jogos. Todos. 73 partidas consecutivas guardando pelo menos um, recorde absoluto de um Real Madrid que viveu uma fase em que tudo dava certo com Zinedine Zidane.

Quando começou a temporada 17/18, após passar por cima do Barcelona na Supercopa espanhola, parecia que o Real Madrid iria atropelar todo mundo que viesse pela frente. A Liga dos Campeões da Europa, sempre marcada pelo equilíbrio de forças, começou com um favorito absoluto, o time a ser batido, como há muito não se via.

Pois é. Acelere a fita. E, neste sábado, o Real Madrid viveu mais uma tarde de depressão no Santiago Bernabéu. Quatro graus Celsius, muita chuva, arquibancada fria, molhada e impaciente. Trocentas chances criadas. Zero gols. E mais uma derrota. 0 a 1 contra uma Villarreal que nunca havia vencido neste estádio.

Depois da sequência histórica de 73 jogos oficiais marcando, agora o Real Madrid passa em branco pela quinta vez em 25 partidas. 20% dos jogos, portanto.

O Bernabéu não vê uma vitória do Real há mais de um mês. Em 16 jogos oficias na temporada em casa, o Real ganhou 8 e não ganhou 8. Isso mesmo. Este contra o Villarreal já é o quinto tropeço em casa na Liga espanhola, a terceira derrota em dez jogos.

Não à toa, as vaias foram intensas a partir do gol do Villarreal, que já saiu nos minutos finais – aliás, um golaço de Fornals. São vaias generalizadas e difusas, sem um vilão claro. Afinal, quem vai ficar xingando Zidane ou Cristiano Ronaldo?

O melhor jogador do mundo vive sua temporada mais seca em muitos anos. E passa por ele e por um ataque que não funciona a explicação para o que vem acontecendo.

Afinal, foram quase 30 chegadas ao gol, 12 escanteios, muitos lances criados. É verdade que o goleiro Asenjo, do Villarreal, pegou muito. Mas Cristiano Ronaldo, por exemplo, perdeu um gol feito no primeiro tempo, daqueles que talvez nunca tenhamos visto perder. Nos últimos dez jogos pelo Espanhol, ele foi à rede em só dois deles – e jogando os 90 minutos sempre. Tem quatro gols no campeonato, que contrastam com os nove que marcou na Champions.

Para quem achava que o problema era Benzema, talvez seja melhor rever conceitos. Se antes estava dando tudo certo, hoje parece claro que as coisas estão dando errado para o Madrid.

O primeiro turno acaba na Espanha. É verdade que o Real Madrid ainda tem um jogo a menos, mas soma 32 pontos contra 48 do líder Barcelona – que encerra a rodada no domingo contra a Real Sociedad. Está bem atrás de Atlético de Madri e Valencia e tem na cola Sevilla e Villarreal.

A última vez que o Real Madrid acabou em quarto lugar no campeonato foi em 2004 – alguns meses depois, chegaria Vanderlei Luxemburgo. A última vez que ficou fora do G4 foi no ano 2000 (quando conquistou a Champions). A última vez que ficou fora da Champions foi na temporada 96/97. É este o tamanho do risco que o time atual está correndo.

Rafael Benítez foi demitido dois anos atrás após 18 jogos na Liga espanhola – 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas (37 pontos) – 47 gols marcados. Na atual temporada, Zidane disputou os mesmos 18 jogos no Espanhol – 9 vitórias, 5 empates e 4 derrotas (32 pontos) – apenas 32 gols marcados.

Sim, o jogo do Real Madrid é pobre. Mas chances estão sendo criadas. Está na hora de Cristiano Ronaldo aparecer, senão o confronto contra o PSG não vai ter nem graça.


Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
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Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.


Diego Costa, o “malvado favorito”, está de volta e revoluciona o Atlético
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Julio Gomes

A primeira metade da temporada do Atlético de Madri foi, talvez, a pior desde a chegada de Diego Simeone, em dezembro de 2011. Mais do que a eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões da Europa (o grupo não era moleza, tinha Chelsea e Roma), o que chamaram a atenção foram as atuações ruins e apáticas no Espanhol.

Depois de duas temporadas melhorando seu jogo, deixando para trás o DNA de time defensivo e raçudo e passando a gostar de jogar com a bola, com jogadores de meio e de frente de mais toque e qualidade, o Atlético parece que retrocedeu.

Cansou, talvez? O time talvez tenha se esgotado psicologicamente após tantos anos de exigência máxima. Afinal, para concorrer com Barcelona, Real Madrid e os outros gigantes da Europa na Champions, o Atlético sempre teve de jogar cada partida, cada minuto, como se fosse a última.

Curiosamente, o suspiro que faz o futuro parecer mais promissor vem do passado. Diego Costa.

Diego foi contratado por 65 milhões de euros no início da temporada, mas só pôde estrear agora em janeiro, por uma punição recebida pelo Atlético. Ficou três meses entrando em forma e treinando, perdeu quilos, queria voltar tendo impacto imediato. E foi o que aconteceu.

Já na reestreia, quarta, pela Copa do Rei, fez um gol na vitória por 4 a 0 sobre o Lleida. E neste sábado, em sua volta à Liga Espanhola, na primeira partida no novíssimo estádio Wanda Metropolitano, a primeira como titular, fez um gol nos 2 a 0 sobre o Getafe. Mais do que isso: cumpriu o script completo.

Taticamente, mudou o jogo do Atlético, que passa a ter um Griezmann mais móvel (como ele gosta e rende mais). Passa a ter uma presença de área muito mais forte do que com o velho Torres ou Gameiro. Passa a ter um jogador que incomoda, distrai, inferniza a vida dos defensores adversários.

Animicamente, passa a ser um Atlético mais parecido com o velho time de Simeone. Raçudo, inflamado, malvado.

O árbitro de Atlético x Getafe teve uma atuação patética. Encheu o Atlético de cartões e perdoou o Getafe. O efeito Diego Costa tem disso também, os árbitros não gostam dele, ninguém gosta dele. É o jogador que recebe uma falta e levanta rapidinho para espinafrar o juiz. É o jogador que sai para o túnel no intervalo batendo boca e trocando empurrões com algum adversário. Xinga até a sombra.

É o jogador que deixa o braço para proteger a bola. Alguns não teriam nem a falta marcada. Outros, levariam vermelho direto. No caso de Diego, saiu um amarelo. Seguido, claro, de encarada, empurra empurra, tensão.

Tensão.

Esta é a palavra. Este é o principal efeito Diego Costa. O jogo fica tenso, o adversário fica tenso, os companheiros ficam tensos, a torcida, os árbitros, todo mundo. Os jogos ganham uma atmosfera diferente. Tensão pode ser ruim, claro que pode. Mas não é possível ganhar no futebol sem tensão. E era isso que esse Atlético não mostrava na temporada 17/18.

E veio o gol. Contra ataque, bom posicionamento na área, finalização de primeira, no contrapé do goleiro, tudo certinho.

Mas Diego Costa é Diego Costa. E ele subiu a escadinha que dá acesso à arquibancada para ganhar um banho de massas. Debaixo de chuva em Madri, foi abraçado, beijado, amassado, esmagado. Foi para a galera.

Na volta, adivinhem? Amarelo. E vermelho.

Empurra empurra, nome gritado, bate boca, cotovelo, amarelo, gol, celebração irracional, banho de massas na chuva, vermelho, aplausos, suspensão. O Atlético x Getafe deste sábado foi 100% Diego Costa.

Não dá para não pensar em como teria sido aquela final de Champions em 2014, entre Atlético e Real Madrid. Diego Costa saiu machucado logo no início, o Atlético chegou a abrir o placar, mas levou o empate nos acréscimos e perdeu o título na prorrogação.

O torcedor ama Diego Costa. É o típico jogador odiado por quem está contra, amado por quem está do mesmo lado (menos Antonio Conte).

O Atlético está fora da Champions, mas já é, nas casas de apostas, o principal favorito a ficar com o título da Europa League (à frente de Arsenal, Dortmund, Napoli, Milan…).

No Espanhol, está seis pontos atrás do Barcelona, que amanhã deve voltar a abrir nove, pois recebe o Levante. O jogo entre eles no segundo turno será no Camp Nou. O título do Barcelona está praticamente garantido.

Mas, no mínimo no mínimo, teremos a partir de agora fortes emoções nos jogos do Atlético. O homem de Sergipe está de volta.

 


Barcelona só perde título espanhol se sofrer virada recorde
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Julio Gomes

Com os 3 a 0 sobre o Real Madrid, sábado, em pleno Santiago Bernabéu, e as derrotas de Atlético de Madri, Valencia e Sevilla, o Barcelona teve a rodada dos sonhos antes de o Campeonato Espanhol fazer a pausa para as festas de fim de ano.

O Barça é líder com 45 pontos em 51 possíveis, não perdeu um jogo sequer na Liga doméstica. A vantagem é de 9 pontos para o Atlético, 11 para o Valencia, 14 para o Real Madrid (que tem um jogo a menos) e 16 para o Sevilla.

Na história do Espanhol, a maior “remontada” de pontos aconteceu na temporada 98/99. Exatos 19 anos atrás, o Mallorca liderava o campeonato após 14 rodadas e tinha 9 pontos de vantagem para o Barcelona, que acabaria sendo campeão no ano de seu Centenário. O Mallorca terminaria em terceiro lugar.

Se o Atlético de Madri for campeão da atual temporada, terá igualado este recorde histórico. Se o Barça perder o título para outro time, como o Real Madrid, por exemplo, terá sido a maior remontada já vista no campeonato.

E tem um detalhe: no segundo turno, o Barcelona jogará contra Atlético, Real e Valencia em seu estádio, o Camp Nou. Não está fácil para a concorrência.

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Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real na Liga

O dado histórico, somado à consistência deste Barcelona de Valverde e a inconsistência dos rivais, faz com que muitos considerem a Liga já definida, mesmo faltando duas rodadas para ser concluído o primeiro turno.

Seria o nono título do espanhol do Barça em 14 temporadas, um domínio só comparável ao histórico Real Madrid de Si Stefano, dos anos 50 e 60. São justamente as 14 temporadas com Messi no time principal desde a estreia, em 2004 – o argentino é o recordista de gols em clássicos no Bernabéu (agora são 15) e o jogador que mais gols fez contra o Real Madrid na história.

Com a vitória no clássico , o Barcelona conseguiu vencer em Madri em três Ligas seguidas pela primeira vez na história (só o Atlético de Simeone, recentemente, havia conseguido tal feito). É também a primeira vez que o Real sofre pelo menos três gols em casa, do mesmo adversário, três vezes seguidas.

Os últimos dez dérbis pela Liga no Bernabéu tiveram sete vitórias do Barça, com 28 gols marcados – quase três por visita. Dá para chamar de freguesia.

Manchester City, com a campanha surreal que faz na Inglaterra, Bayern de Munique, na Alemanha, e PSG, com todo o investimento que fez na França, também já são virtuais campeões nacionais. Sobram as disputas intensas na Itália e Portugal e, claro, a Liga dos Campeões, onde todos esses aí vão se enfrentar.

De todos esses, o Barcelona é quem faz a temporada mais surpreendente. É importante lembrar que este era um clube em depressão quatro meses atrás, humilhado pela saída de Neymar, sem conseguir quem queria no mercado, sem a renovação de Messi assinada, sem o Iniesta de outros tempos, com diretores renunciando, com um ex-presidente atrás das grades e o atual enrolado com a Justiça.

Tanto que Piqué dizia, após a derrota para o Real Madrid na Supercopa espanhola, que abria a temporada, que pela primeira vez se sentia inferior ao maior rival.

O mundo girou, Ernesto Valverde faz um enorme trabalho, Paulinho encaixou como uma luva e hoje, quem quiser tirar o título do Barça, terá de bater recorde.

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As três maiores viradas da história da Liga espanhola foram: a já citada do Barça para cima do Mallorca (9 pontos, em 98/99); outra do Barça, do Dream Team de Cruyff, mas sobre o Real Madrid, quando a vitória ainda valia 2 pontos (8 pontos de desvantagem após 14 rodadas, em 91/92); e a do Valencia de Rafa Benítez sobre o Real Madrid dos galácticos (8 pontos faltando apenas 12 rodadas, em 2003/2004).

Neste mesmo campeonato, o primeiro de Ronaldinho na Espanha, o Barcelona chegou a tirar 18 pontos de desvantagem para o Real Madrid para acabar em segundo lugar – os galácticos acabariam em quarto. Era o terreno sendo pavimentado para o bicampeonato em 2005 e 2006, o início da “era Messi”.


Quem precisa de Neymar? Paulinho virou o substituto perfeito
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Julio Gomes

Paulinho melhor do que Neymar? Calma, calma. Com a bola nos pés, seria uma comparação do tipo Cristiano Ronaldo x Renato Gaúcho. Bizarra. Mas, para o Barcelona, está dando muito certo.

Quando perdeu Neymar para o PSG, no último mercado de verão europeu, o Barcelona saiu correndo atrás de um substituto. Apostou tudo em Philippe Coutinho. Não deu certo. E aí pagou um caminhão de dinheiro pelo jovem francês Dembélé, do Borussia Dortmund. Que logo se machucou e está há meses sem jogar.

Paulinho chegou sob muita desconfiança na Catalunha. Afinal, tinha fracassado no Tottenham e vinha de uma liga fraca, a chinesa. E por muito dinheiro. Além disso, não tem o “estilo Barça”. Não é um “inho” como os outros brasileiros que passaram por lá.

Mas Ernesto Valverde, o técnico do Barcelona, que no teste de fogo de sua carreira vem calando muitas bocas, incluindo a deste escriba, sabia exatamente como usar Paulinho.

Do jeito que ele gosta e é mais perigoso. Chegando de trás, indo à área, finalizando, se infiltrando. Paulinho se consagrou assim, seja no Corinthians, seja nos melhores momentos vestindo a camisa da seleção brasileira. Não é um meio-campista defensivo, tipo Casemiro ou Busquets. Tampouco é um passador do estilo Modric ou Kroos.

Sim, ele sabe fazer o que precisa ser feito no meio de campo. Mas o forte mesmo é a chegada, até porque sua condição física, a capacidade de percorrer muitos metros de uma área a outra, é invejável.

Ele teria feito o segundo gol no clássico de sábado, não fosse a “defesa” de Carvajal. Foi em uma infiltração dessas que quase fez um gol no primeiro tempo, em um momento do jogo dominado pelo Real Madrid. Foi o melhor em campo nos 3 a 0 do Bernabéu, e isso não é pouca coisa.

Um colunista do jornal madrilenho “AS” resumiu assim: “Paulinho é um animal. Presença, posição, entendimento do jogo. Nunca uma contratação tão discutível deu tanto resultado”.

Paulinho não é fera no que se convencionou chamar de “jogo posicional”. Talvez por isso não participe de algumas partidas da Liga Espanhola, quando o Barcelona enfrenta adversários menores, aqueles duelos de ataques contra defesas. Mas podem estar certos de que ele vai aparecer em todos os jogos grandes da temporada, quando Valverde utilizará um time mais compacto.

Foi assim contra o Real Madrid. Será assim contra o Chelsea, nas oitavas de final da Champions League.

O Barça do trio MSN, principalmente nas últimas duas temporadas, era um time espaçado demais. Quase sem conexão entre defesa, meio e ataque. Não à toa, falamos e analisamos diversas vezes como o Barcelona era um time de jogo coletivo abaixo de outros gigantes da Europa, mas que salvava a vida em diversos momentos pela genialidade de Messi, Neymar e Suárez.

Sem Neymar, Valverde, que nunca foi um treinador superousado, encontrou em Paulinho o substituto perfeito.

O time passa a jogar em um 4-4-2, com liberdade total para Messi e Suárez – que ficava preso demais no centro da área. Paulinho ajuda o time na fase defensiva, dando mais números e consistência ao meio de campo. E aparece na frente, em alguns momentos até como centroavante, dando opções de passe e criando chances de gol.

É um time menos brilhante do que nos dias de Neymar, mas também menos vulnerável e mais equilibrado. Na minha opinião, dada a situação de três meses atrás, o clube catalão é a grande surpresa da temporada. O Barcelona é virtual campeão espanhol na virada do turno. E, com Paulinho, parece mais forte na Champions do que nos últimos anos.