Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Campeonato Brasileiro

Atlético-PR é a grande incógnita do ano e pode, por que não?, sonhar alto
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Julio Gomes

A classificação para as oitavas da Copa do Brasil, eliminando um “grandão”, mesmo que em pior fase, parece ser o resultado que Fernando Diniz precisava para se firmar no Atlético Paranaense.

Sabemos como é o futebol. Estão todos na corda bamba o tempo todo. Mas algumas cordas são mais bambas. Aparentemente, a relação entre Diniz e quem realmente manda no Atlético é ótima. Ou está ótima. Como sempre, em clubes de mandatário centralizador, tudo depende da combinação relação/resultados.

Se a relação é ótima, ótimo! Mas se os resultados não vêm…

Quando o Atlético contratou Fernando Diniz, eu chamei a parceria de “casamento perfeito” aqui no blog.

Tudo iria por água baixo se o Atlético fosse eliminado logo nas fases iniciais da Copa do Brasil por um Tubarão da vida. Foi quase. Mas não foi. E lá está o bravo CAP nas oitavas, passando pelo São Paulo no Morumbi. E virtual classificado para a próxima fase da Sul-Americana, após atropelar o Newell’s. E na liderança do Brasileiro, pois foi quem fez a maior vitória da primeira rodada.

Onde pode chegar o Atlético de Diniz?

Esta é, a meu ver, a grande incógnita da temporada do nosso futebol.

Porque sabemos que os times de elenco mais rico chegarão fortes lá na frente. Que outros ficarão pelo caminho, uma hora ou outra.

Todo mundo coloca como favoritos a ganhar o Brasileiro o Corinthians, atual campeão, o Grêmio, pelo maravilhoso futebol mostrado, e o trio dos riquinhos Palmeiras-Cruzeiro-Flamengo, os três com elencos fartos, apesar de não terem mostrado nada demais em termos de bola.

Quem pode desbancá-los? A resposta é: o Atlético Paranaense.

Jogando um futebol ultramoderno, de posse e controle do jogo, com uma estrutura fantástica, um estádio maravilhoso, torcida participativa e um técnico brilhante e corajoso, o Atlético pode, sim, ser campeão de um Brasileiro ou de uma Copa do Brasil. Ou dos dois.

Ou ser eliminado na próxima fase da Copa, chegar em 14o no Brasileiro e ter Diniz demitido após alguma sequência de derrotas.

Sem dúvida, as chances do CAP passam por fazer um ótimo trabalho nestas duas primeiras fases do Brasileiro. As seis rodadas iniciais, quando seus supostos concorrentes diretos estarão super envolvidos com Libertadores – há confrontos diretos contra Grêmio e Palmeiras -, e das rodadas 7 a 12, quando uma turma importante perderá jogadores para a Copa do Mundo e o Atlético enfrentará adversários que possivelmente passarão a maior parte do campeonato na metade de baixo da tabela.

O Cruzeiro, em 2013, não parecia ter time para ser campeão. Mas aproveitou muito bem o período pré-Copa das Confederações e depois não olhou mais para trás.

Seria muito importante que os tais concorrentes diretos perdessem pontos nestas 12 rodadas iniciais, para de repente priorizar as Copas em vez do campeonato.

Não estou aqui falando que o Atlético Paranaense será campeão brasileiro. Estou falando que não é nenhum absurdo pensar nesta hipótese. Mas, claro, precisamos sempre lembrar que estamos falando do futebol e ele, especialmente no Brasil, é dinâmico demais. Em uma semana, tudo muda.

O que não mudam são as convicções e o bom gosto de Fernando Diniz pelo futebol bem jogado. Sempre tentando submeter o adversário, em vez de depender do que o próprio fará.

Times que jogam de forma específica e fora da caixinha têm um problema: são mais visados, estudados, e isso pode gerar dificuldades adicionais. Como eu disse lá no começo. É cedo, o Atlético é uma grande incógnita em 2018. Mas que vale muito ver, isso vale.

 


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Brasileirão segue imprevisível, mas não só pelo (baixo) nível técnico
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Julio Gomes

Entre os campeonatos de países com alguma relevância e história no futebol mundial, o Brasileiro é o mais imprevisível. Antes, achávamos que era assim essencialmente pelo mata-mata para decidir campeões. Mas lá se vão quase duas décadas de pontos corridos e fica claro que esta é uma competição em que é realmente difícil saber o que cada clube fará.

Títulos, de fato, ficaram nas mãos de poucos. E eles nunca mais irão para as mãos da classe média. Mas, além dos títulos, é possível perceber uma incrível montanha russa que atinge a todos. Um ano campeão, no outro quase rebaixado, no outro na Libertadores, no outro nem perto disso, no outro campeão, no outro rebaixado e assim vai.

A que se deve isso? Certamente não ao equilíbrio orçamentário. O futebol brasileiro conseguiu gerar, dentro de seu bizarro pensamento individualista, em que o outro é visto como inimigo, uma das maiores discrepâncias orçamentárias do mundo.

Mas por que os que ganham tanto dinheiro a mais da televisão não conseguem traduzir isso em domínio? Geralmente são os campeões, mas nenhum deles domina por muitos anos seguidos.

Essencialmente, porque há um nivelamento técnico. Os melhores jogadores do nosso futebol não necessariamente são tão melhores assim que os outros – e são uma espécie de terceiro escalão no universo de jogadores brasileiros, já que os melhores estão na Europa.

Além do nivelamento técnico (por baixo), há o amadorismo que impera na gestão dos clubes. De que adianta muito dinheiro em mãos incompetentes? Mais vale pouco dinheiro em mãos competentes.

O amadorismo faz com que seis rodadas coladas na Copa do Mundo não tenham os jogadores convocados por diversas seleções. O amadorismo impede a continuidade de técnicos e resulta em saídas de jogadores ao longo do campeonato.

Ou seja, qualquer análise que se faça agora está sujeita a muitas e muitas mudanças ao longo do campeonato. Mudanças, a maioria delas, imprevisíveis.

Além disso, e essa é uma crítica que faço a treinadores e dirigentes, não temos como saber quem vai se dedicar totalmente ao Brasileiro e quem vai deixar o campeonato de lado. E este é o principal fator para não ser possível fazer qualquer prognóstico.

O Grêmio tem o melhor conjunto time-técnico do Brasil? Possivelmente, sim. Então é favorito no Brasileiro? Possivelmente, não. Porque já vimos Renato abandonar o campeonato na quarta rodada no ano passado. Se o clube priorizar as Copas, não será campeão brasileiro, simples assim.

Não estou falando de poupar um ou dois em algum jogo de Brasileiro às vésperas de um confronto decisivo de Libertadores. Estou falando de times reservas inteiros em campo.

No ano passado, Flamengo e Atlético Mineiro abriram o campeonato como favoritos e fizeram um ótimo jogo. Depois, foi (quase) só tragédia. Cruzeiro e Grêmio abrem o campeonato como favoritos neste sábado. E é fácil falar que disputarão título. Difícil, como tudo aqui, é saber se isso se confirmará.

Arriscar um palpite de quem será campeão vai além de analisar times, tabelas e contextos. É preciso adivinhar o que os técnicos e dirigentes farão ao longo de um campeonato fraturado pela Copa e com a digital do amadorismo. E adivinhar é para adivinhos.

 

 


Clubes que votaram contra o VAR desvalorizam o próprio produto
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Julio Gomes

Sete clubes votaram pela implementação do VAR (árbitro auxiliar de vídeo) no Brasileirão 2018: Palmeiras, Flamengo, Inter, Grêmio, Bahia, Botafogo e Chapecoense. Os outros votaram contra – o São Paulo se absteve, o que, na prática, é a mesma coisa. A justificativa comum? Dinheiro. É muito caro. Se o campeonato é da CBF, ela que pague.

(Como se a Chapecoense, que recebe seis vezes menos que o Corinthians pelos direitos de transmissão, estivesse nadando na grana).

Não estou aqui para defender a CBF, que é quase indefensável por qualquer ângulo que se olhe. Apenas não consigo dissociar a qualidade administrativa e a ética da CBF da dos dirigentes médios brasileiros.

O Brasileiro deveria estar nas mãos dos clubes, como acontece em qualquer liga séria do mundo, já há muito tempo. E isso não acontece por culpa deles mesmos, incapazes de se sentarem à mesa e pensarem no bem comum. Então, tome Brasileirão administrado pela CBF.

A CBF não quer pagar pelo VAR? OK. Nem sei se deveria ou não. O fato é que são os clubes os protagonistas da competição. A arbitragem de vídeo seria benéfica a eles, ao produto deles, à credibilidade do torneio jogado por eles. São eles, pois, que deveriam tomar a dianteira do assunto.

É muito fácil se escorar na CBF. Nenhum cartola será criticado pelos seus torcedores por se opor a uma decisão da CBF, não é verdade?

Alguns dirigentes, quero crer, estão realmente preocupados com as finanças. Outros apenas querem empurrar responsabilidades. É muito mais fácil colocar na arbitragem a culpa de uma derrota, de um rebaixamento, de uma não classificação para a Libertadores.

Arbitragens ruins, e elas não são raras no Brasil, são a muleta para muitos dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e até mesmo comentaristas esportivos. Aliás, alguns torcedores mais fanáticos correram para abraçar a decisão de seus dirigentes, elencando a mesma série de desculpas faladas aos microfones. Não canso de me surpreender com o senso de “defesa” do clube.

Mas após a decisão de ontem só resta uma pergunta. O que, afinal, queremos para o futebol brasileiro?

Se por um lado é verdade que o VAR custa caro (pelos valores ditos ontem, R$ 50 mil por jogo), por outro lado não estamos falando de um valor impagável.

O Vitória, por exemplo, foi o time mais prejudicado por erros de arbitragem no Brasileiro do ano passado (pelo levantamento deste blog, quem mais teve pontos “tirados”). Acabou se livrando do rebaixamento na última rodada, mesmo perdendo, com uma boa dose de sorte. Quanto custaria aos cofres do Vitória ser rebaixado? O VAR, um investimento que parece alto, teria saído baratinho.

E mais. Será que o VAR custa mesmo tudo isso? Se o valor apresentado pela CBF é muito alto, e parece ser mesmo, comparando aos custos do VAR, por exemplo, em Portugal, por que os clubes não se mexem para encontrar um outro modelo?

O VAR, além de ser extremamente benéfico ao jogo, apresenta uma gama de oportunidades comerciais. No momento em que ele é acionado, há inúmeras oportunidades de exposição de marca. A própria geradora de imagens, a Globo, poderia estar envolvida. Se bobear, com um pouco de esforço e criatividade, ainda ganhariam dinheiro com isso.

 

O que vemos é a maioria dos clubes fazerem esforço zero pela arbitragem de vídeo. Não se juntaram para viabilizar a coisa, com ou sem CBF.

E aqui deixo um spoiler do Brasileirão. Haverá erros. E essa turma vai reclamar adoidado…

 


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Rhodolfo e Vizeu precisam ser punidos exemplarmente
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Julio Gomes

Aqui no Brasil, estamos acostumados a achar que no futebol vale tudo. Não é nem só no profissional, não. É no próprio futsal ou society semanal entre amigos.

A frase que consagra o “vale tudo” é essa aqui: “o que acontece no campo, fica no campo”. A historinha do “código de ética” próprio do esporte. Podemos nos agredir à vontade dentro das quatro linhas, depois vamos tomar uma cerveja, como amigos que somos.

Claro que tais “convenções” não levam em conta pessoas que não gostam de passar por agressões morais constantes ou crianças que não querem lidar com tal nível de agressividade para poder praticar o esporte. Claro que quem tenta lutar contra as convenções é acusado de estar de mimimi.

Há uma tentativa, por parte de técnico, torcedores e dos envolvidos, de ressaltar o “lado bom” do atrito entre Rhodolfo e Vizeu na vitória do Flamengo sobre o Corinthians, ontem. OK, é compreensível.

Mas não é aceitável.

O lado bom seria a demonstração de um time com caráter e fome de ganhar.

Um jogo de futebol não pode ser uma bolha dissociada da sociedade. Uma espécie de jaula da morte, no melhor estilo Mad Max. Não podemos nos esquecer que um jogo de futebol é visto por parcela importante da sociedade. Que jogadores são copiados por crianças. Todas as atitudes, as boas e as más.

O futebol é tão poderoso que ele não é apenas reflexo da sociedade em que está inserido, mas também influencia e é copiado pela própria sociedade.

A quantidade de ofensas proferidas entre atletas, entre atletas e árbitros e das arquibancadas para o campo é completamente desproporcional. Xinga-se e ofende-se com a mesma naturalidade que se toma água. Isso sem contar a contestação ostensiva a cada decisão dos árbitros.

Que lições o futebol brasileiro tem passado à nossa já combalida sociedade?

OK, não irei mudar o mundo, infelizmente. Jogadores, profissionais ou amadores, continuarão se xingando, como Rhodolfo e Vizeu se xingaram neste domingo.

Só que é importante ressaltar que eles foram além. Uma cobrança normal de Rhodolfo por um erro de posicionamento de Vizeu virou um bate boca entre eles. Ato seguido, o zagueiro desferiu um soco no jovem atacante. Parecia transtornado, companheiros tiveram dificuldades para segurá-lo. Segundos depois, Vizeu fez o terceiro gol do Flamengo e mandou um dedo do meio para Rhodolfo que atravessou o campo inteiro e que certamente atravessará todos os oceanos e será mostrado em todos os programas esportivos do mundo.

Afinal, não é todo dia que vemos um atacante comemorar seu gol mandando um dedo do meio para um colega de equipe. Ainda mais no clube mais popular do “país do futebol”.

Transfiram a cena para o escritório de uma financeira ultracompetitiva. Pode ser normal ver dois profissionais se cobrarem em um momento tenso da vida profissional. Mas e se xingarem? E se agredirem verbalmente e fisicamente? Você acharia normal?

Depois do jogo, os dois apareceram juntos para uma entrevista no estilo paz e amor. Rhodolfo não parecia entender o tamanho de seu erro (o soco) e não parecia ter engolido muito o tal dedo do meio. Foi impressão minha e de outros colegas que acompanharam a entrevista. Vizeu assumiu o discurso do “jovem impetuoso”, “ainda estou aprendendo”, etc. Quase assumiu a culpa. Uma culpa que ele tem, sem dúvida, mas que não se compara à culpa de quem desfere um soco em um companheiro de trabalho – e de time.

De qualquer forma, Vizeu só aprendeu aos 20 anos de idade que não se faz o que ele fez. E quantos meninos e meninas terão “aprendido” a ver agressões e xingamentos e considerar tudo isso normal? Ainda mais se eles ligarem a TV de noite e verem tanta gente minimizando o acontecido. “É tudo do jogo, só exageraram um pouquinho”. Oras.

Sei que muito torcedores gostaram de ver jogadores do seu time se pegando, principalmente por ser, o Flamengo, um time acusado de “falta de raça” e também porque deu certo – ninguém foi expulso e o jogo foi ganho.

Não quero posar de falso moralista e sei que a tensão faz parte do jogo. Mas não dá para aceitar o que aconteceu na Ilha do Urubu, que acabe em um abraço e fique tudo para trás.

Diretoria do Flamengo e tribunais esportivos precisam tomar medidas duras, duríssimas, para o que aconteceu não se repita mais e sirva de exemplo. Mesmo que eles, os cartolas e juízes, não acreditem no que estiverem fazendo.


Sete momentos que definiram o sétimo título brasileiro do Corinthians
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Julio Gomes

O Corinthians chegou ao heptacampeonato brasileiro com a vitória sobre o Fluminense, nesta quarta-feira. Abaixo, o blog preparou uma lista com o que considera os sete momentos-chave do título corintiano, que chega com três rodadas de antecipação.

1. Rodada 5: Vasco 2-5 Corinthians

Corinthians assume a liderança para não mais perder. Mesmo após o título paulista, o time ainda não inspirava confiança. Havia jogado mal nas rodadas iniciais, com vitórias magras, e chegava a São Januário (onde o Vasco tinha vencido seus dois jogos e mostrava força) sem três titulares por causa da data Fifa. Abriu 2 a 0, levou o 2 a 2 e ainda assim buscou a goleada. Marquinhos Gabriel, um reserva, brilhou. O Corinthians mostrava que não era fogo de palha.

2. Rodada 10: Grêmio 0-1 Corinthians

Os dois times já estavam bem na frente da concorrência, ganhando todos os jogos, e o Grêmio atuava em casa, podendo assumir a ponta. Contra o clube que mais venceu o Corinthians na história dos Brasileiros e diante de 54 mil pessoas, o time de Carille fez uma ótima partida. Anulou o Grêmio, fez 1-0 e Cássio defendeu um pênalti de Luan no final. O Corinthians abria vantagem de quatro pontos (nunca mais baixou disso).

3. Rodada 13: Palmeiras 0-2 Corinthians

O grande jogo de Guilherme Arana no campeonato, quebrando uma invencibilidade do Palmeiras de um ano no Allianz Parque. Corinthians acabava a rodada a 10 pontos do Grêmio, a 12 de Santos e Flamengo e a 16 do Palmeiras.

4. Rodada 17: Corinthians 1-1 Flamengo

Time já começava a dar alguns sinais da perda de rendimento que ocorreria no segundo turno. O Flamengo crescia e ainda parecia ser um time capaz de caçar o líder. Corinthians foi bem melhor no primeiro tempo, acabou fazendo o 1 a 0 com  Jô – após um gol mal anulado dele mesmo por impedimento. No segundo tempo, Flamengo foi superior, empatou e Diego perdeu um gol feito, que seria o da virada e poderia ter mexido com o campeonato.

5. Rodada 25: São Paulo 1-1 Corinthians

O Corinthians começou o segundo turno com três derrotas (encerrando uma série invicta inacreditável de 34 partidas), uma vitória em Chapecó aos 45 do segundo tempo e uma vitória sobre o Vasco com gol de mão de Jô. Foi, então, eliminado da Sul-Americana pelo Racing. A crise técnica já estava clara e chegou o clássico contra o São Paulo, que estava afundado na zona de rebaixamento e precisava da vitória. O jogo foi importante porque marcou o surgimento de Clayson, que fez o gol de empate, ganhou muito espaço, foi fundamental no returno e assumiria a titularidade na reta final do campeonato.

6. Rodada 31: Ponte Preta 1-0 Corinthians

A derrota em Campinas marcou o pior momento do Corinthians no ano. O time completava quatro jogos sem vitórias e somava 12 pontos em 12 jogos no returno. O medo de perder um campeonato ganho tomava conta do clube. O jogo teve um momento crucial: às vésperas do dérbi com o Palmeiras e com muitos pendurados, o Corinthians podia ter perdido Jô, que agrediu o zagueiro Rodrigo, da Ponte. O juiz não mostrou amarelo nem vermelho, e Jô pôde jogar e ser decisivo contra o Palmeiras (só seria suspenso duas rodadas depois). Outro fato importante gerado pela derrota em Campinas: Carille entendeu que precisava mudar o time, e Clayson e Camacho ganharam a titularidade, substituindo Jadson e Maycon.

7. Rodada 32: Corinthians 3-2 Palmeiras

O jogo do título – e da selfie de Romero, claro. Depois de tantas derrotas, o Corinthians tinha sua enorme vantagem reduzida a apenas 5 pontinhos. Mas o time respondeu na hora certa, da melhor forma possível e contra o melhor rival possível. Fez seu melhor jogo no campeonato, ganhou do Palmeiras, reconquistou toda a confiança perdida em apenas 90 minutos, voltou a abrir vantagem e ganhou todos os jogos depois daquele, consumando o hepta. Os jogos seguintes tiveram o pênalti defendido por Walter e o gol de Giovanni Augusto, contra o Atlético-PR, o improvável gol de Kazim sobre o Avaí e a virada, a única em todo o campeonato, sobre o Fluminense. Mas tudo isso foi decorrência da vitória no dérbi, que recolocou as coisas nos trilhos.

 


Brasileiro, ato 35: jogos cruciais ofuscados pela festa corintiana
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Julio Gomes

O Corinthians tem, nesta quarta, o primeiro match point, para consumar o heptacampeonato nacional. Basta ganhar do Fluminense e será campeão com três rodadas de antecipação.

O jogo não é nenhuma barbada, até porque o Corinthians não ganhou fácil de ninguém ao longo do campeonato. O Fluminense, muito instável, é capaz de tudo e de nada e ainda não está totalmente livre da ameaça de rebaixamento. A festa que está sendo preparada em Itaquera ofusca jogos importantíssimos desta quarta-feira.

Ponte Preta e Avaí jogam a vida. Se não vencerem Atlético-PR e Cruzeiro, respectivamente, estarão virtualmente rebaixados para a segunda divisão.

O Grêmio mandará os titulares a campo para um teste final antes da Libertadores contra um São Paulo que ainda sonha estar na competição continental do ano que vem. Mesmo caso de Vasco e Atlético, que se enfrentam em São Januário.

Os olhos estarão voltados para Itaquera, mas muita coisa estará em jogo neste feriado em outros quatro campos do país.

Aqui vão informações, prognósticos e dicas de aposta dos jogos de quarta-feira:

17h Ponte Preta x Atlético-PR (Moisés Lucarelli)
Turno: 0-2 Ponte
Colocação: 18-Ponte (36), 12-CAP (45)
Prognóstico: 0-2 Atlético
Aposta: alguém passa em branco
A vitória sobre o Botafogo, fora, afastou de vez o Atlético-PR da luta contra o rebaixamento – e, como consequência, reacendeu esperança de Libertadores. A Ponte também saiu relativamente feliz da última rodada, pois perder para o Coritiba teria sido o caos. Mas o campeonato vai chegando ao fim e, se não vencer os últimos dois jogos que fizer em casa (este contra o Atlético e na penúltima rodada, contra o Vitória, a Ponte fatalmente cairá). O time só tem três gol marcados nos últimos seis jogos e ganhou duas de dez partidas com Eduardo Baptista. O técnico vai repetir o time, novamente sem Sheik e agora com Cajá no banco. Curiosamente, um duelo com pouquíssimos empates até hoje – só 2 nos últimos 23 confrontos. O jogo do primeiro turno marcou a única vitória da Ponte fora de Campinas neste campeonato.

19h30 Cruzeiro x Avaí (Mineirão)
Turno: Avaí 1-0
Colocação: 5-Cruzeiro (54), 19-Avaí (35)
Prognóstico: Cruzeiro 1-0
Aposta: alguém passa em branco
O Avaí enfrenta três dos cinco primeiros colocados nas últimas quatro rodadas e, apesar do belo esforço da diretoria e de ter mantido o técnico durante o campeonato todo, parece condenado. O time que menos fez gols no campeonato precisa vencer praticamente todos os jogos restantes para se salvar, começando pelo Cruzeiro, a quem venceu pela primeira vez na história no jogo do turno. O Cruzeiro, que vendeu Diogo Barbosa ao Palmeiras e tem quatro mudanças em relação ao time que venceu o Flu, é o líder do returno.

19h30 Grêmio x São Paulo (Arena)
Turno: 1-1
Colocação: 2-Grêmio (58), 11-SPFC (45)
Prognóstico: Grêmio 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
É o último jogo do Grêmio com o time titular, um teste final a uma semana da primeira partida decisiva da Libertadores, contra o Lanús. O São Paulo vai de Araruna na lateral e Maicosuel no meio – Cueva segue com o Peru e, sem o meia, o São Paulo só empatou os últimos dois jogos. Apesar da grande arrancada no segundo turno e sonhar com boa posição, para quem sabe beliscar uma Libertadores, o tricolor paulista segue sendo o segundo pior visitante do campeonato.

21h45 Vasco x Atlético-MG (São Januário)
Turno: 1-2 Vasco
Colocação: 8-Vasco (49), 10-CAM (46)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir
Historicamente, um duelo em que mandantes costumam vencer – mas não foi o que aconteceu no turno. Este é um jogo de prognóstico complicadíssimo, qualquer coisa pode acontecer. Os jogos do Vasco costumam ter poucos gols, mas o do Galo, pelo contrário. O Vasco não perde com Zé Ricardo (os dez jogos são a maior invencibilidade vigente no campeonato), mas vem empatando muito (quatro das últimas cinco). O time tem muitos desfalques, mas conta com os retornos de Breno e Wellington. O jovem Evander será titular. O Galo, ótimo visitante, tem os retornos de Leonardo Silva, Marcos Rocha, Adilson e Fred – Luan é desfalque.

21h45 Corinthians x Fluminense (Itaquera)
Turno: 0-1 Corinthians
Colocação: 1-SCCP (68), 14-Flu (43)
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
É o jogo do título e a torcida prepara uma grande festa em Itaquera. Só falta combinar com o Fluminense, que ainda precisa de alguns pontinhos para se livrar do rebaixamento – depois deste jogo, o Flu recebe os ameaçados Ponte e Sport em casa, ou seja, situação está sob controle, mas não pode bobear, pois serão duelos diretos. O time de Abelão não terá Marlon e Renato Chaves, mas voltam Sornoza e Henrique Dourado. O Corinthians não terá Cássio e Balbuena, que serão substituídos por Caíque e Pedro Henrique. Jô volta ao time – ele tem um gol a menos que Henrique Dourado na briga pela artilharia do campeonato (16 a 17).


Brasileiro, ato 34: mini Rio-SP mostrará caminhos para a Libertadores
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Julio Gomes

Com a disputa pelo título encerrada – basta saber quando o Corinthians será campeão matematicamente -, as cinco rodadas finais do Brasileiro terão jogos valendo Libertadores e fuga do rebaixamento. E dois clássicos entre cariocas e paulistas dirão muito sobre o futuro dos clubes envolvidos na competição.

No domingo, o Palmeiras recebe o Flamengo no Allianz Parque e, se não se recuperar após as derrotas para Corinthians e Vitória, estará colocando a posição no G4 em risco. Se vencer, o Flamengo ficará a um ponto do Palmeiras. E o Botafogo, que neste sábado abre a rodada contra o Atlético-PR, é outro que pode se aproximar ainda mais.

Jogarão também Vasco e São Paulo no Maracanã, dois dos quatro melhores times do returno – o melhor, por enquanto, é o Botafogo. Vasco e São Paulo não olham para o G4, mas olham para uma vaga na pré-Libertadores. É bom lembrar que o G6 vai virar G7 se o Cruzeiro estiver entre os seis primeiros, e pode virar G8 se o Grêmio for campeão da Libertadores ou até G9, se o Flamengo vencer a Sul-Americana e estiver entre os primeiros do Brasileiro.

Como há essa indefinição, e ela vai perdurar até as duas rodadas finais do campeonato, é importante estar bem posicionado. O Vasco, que só perdeu 1 de 11 jogos com Zé Ricardo, estará consolidado entre os oito primeiros se vencer o São Paulo. Já o time paulista, que perdeu a chance de ganhar a quarta seguida ao tropeçar na Chape, no Pacaembu, já se afastou do rebaixamento e precisa ganhar no Maracanã para sair da “zona morta” da tabela e entrar na briga pela Libertadores. O jogo é um divisor de águas nesse sentido.

Outro confronto direto de Libertadores reúne Bahia e Atlético-MG. Na parte de baixo da tabela, o duelo que mais chama a atenção reúne Coritiba e Ponte Preta. É um confronto direto e, se o Coxa vencer, fica muito tranquilo na luta contra o rebaixamento, afundando a Ponte de vez.

Aqui vão os prognósticos da rodada.

SÁBADO

17h Botafogo x Atlético-PR (Engenhão)
Turno: 0-0
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Botafogo é líder do returno porque começou ganhando cinco de seis jogos. Desde setembro, não encaixa duas vitórias seguidas e precisa quebrar essa escrita para buscar o Palmeiras e entrar no G4. O Atlético-PR não faz gol há três jogos e não terá Gedoz nem Nikão, mas Guilherme volta ao time. Parece que vai acabar o campeonato na zona morta, mas se continuar perdendo muito o Z4 pode virar um fantasma, pois ainda jogará fora de casa contra Ponte e Avaí.

19h Corinthians x Avaí (Itaquera)
Turno: 0-0
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Sem Cássio e com a lesão de Walter, o Corinthians terá no gol o jovem Caíque, terceiro goleiro. Jô, suspenso, também está fora. Basicamente, portanto, o Corinthians não terá seus dois jogadores mais importantes no campeonato e enfrenta um adversário para quem um pontinho será um espetáculo. Jogo deve ser amarrado e duro de ver em Itaquera.

DOMINGO

17h Vasco x São Paulo (Arena da Baixada)
Turno: SPFC 1-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: melhor fugir!
São dois dos times mais consistentes do returno. Um dia, chegaram a estar ameaçados de rebaixamento, principalmente o São Paulo, mas este é um pesadelo distante e agora a hora é de pensar em Libertadores. Com Zé Ricardo, o Vasco só perdeu um jogo e nunca tomou mais de um gol na mesma partida. A questão é: como estarão as arquibancadas de São Januário? Torcedores unidos para apoiar o time ou um clima de guerra pela divisão política do clube? O Vasco não vence o São Paulo em casa desde maio de 2005. Desde então, foram 20 jogos entre eles, com 12 vitórias são-paulinas e 2 vascaínas (mas ambas como visitante). Jogo de difícil prognóstico.

17h Palmeiras x Flamengo (Allianz Parque)
Turno: 2-2
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Quem olhasse a tabela antes do início do campeonato poderia usar uma caneta marca-texto e marcar este clássico na 34a rodada como um possível jogo de implicações de título. Ledo engano. Os dois elencos milionários do futebol brasileiro não fizeram um campeonato nem perto de suas possibilidades e agora jogam por uma vaga no G4 – e olhe lá, porque do jeito que vão as coisas ficarão abraçados com vagas de pré-Libertadores. Desde 2010, o Flamengo só venceu 1 de 12 jogos contra o Palmeiras, que leva vantagem no retrospecto histórico. Ainda sem Borja e Mina, o Palmeiras deve ter William de volta ao ataque, enquanto o Flamengo terá a defesa reforçada por Juan. Paquetá, que jogou muito bem pelo meio contra o Cruzeiro, segue no time substituindo Diego.

17h Grêmio x Vitória (Alfredo Jaconi, Caxias do Sul)
Turno: 1-3 Grêmio
Prognóstico: Grêmio 2-1
Aposta: coluna 1
Depois de seis jogos sem vencer, o Vitória finalmente ganhou uma – e em casa. O que já foi suficiente para sair da zona de rebaixamento. O jogo será em Caxias do Sul porque a Arena Grêmio irá receber um show, o que deixou Renato Gaúcho indignado. Com as duas últimas vitórias, o Grêmio está mais do que consolidado no G4, uma garantia, pois nunca se sabe o que acontecerá na final da Libertadores. Se ganhar mais essa (Grohe, Cortez e Edilson são os desfalques, do meio para frente joga todo mundo), o Grêmio pode usar reservas a vida toda no Brasileiro, com a certeza de que estará na fase de grupos da próxima Libertadores. O Vitória ganhou em Porto Alegre ano passado, o que não acontecia desde 2005.

17h Atlético-GO x Sport (Olímpico)
Turno: Sport 4-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Pior time do returno, com apenas uma vitória, o Sport tanto fez que entrou na zona de rebaixamento e em um momento para lá de crítico do campeonato. Agora, contra o lanterna Atlético-GO, mesmo jogando fora e sem Diego Souza, é vencer ou vencer. Não adianta mais somar de um em um. O Dragão perdeu as últimas quatro em casa e ganhou só uma das últimas 12 partidas, já sabe que será rebaixado.

18h Bahia x Atlético-MG (Fonte Nova)
Turno: 0-2 Bahia
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
Assim como os clássicos entre paulistas e cariocas, este é também um jogo com implicações de Libertadores. Para o Bahia, já livre do rebaixamento muito antes do que o mais otimista torcedor imaginava, seria um prêmio e tanto. O time encaixou com Carpegiani e vai fazer estragos nas rodadas finais. Para o Atlético, dadas as expectativas antes do início do campeonato, seria um prêmio de consolação para lá de aceitável. Enquanto o Bahia, que é bom mandante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu só uma com Carpegiani, o Galo, que é otimo visitante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu duas com Oswaldo de Oliveira. Os últimos quatro duelos entre eles acabaram em empate em Salvador, e o Bahia não vence o Galo em casa desde 2002.

19h Cruzeiro x Fluminense (Mineirão)
Turno: 1-1
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
O Cruzeiro ganhou só um dos últimos cinco jogos, era normal que o time caísse de rendimento após o título da Copa do Brasil. O Fluminense ganhou um de quatro e parece claro o destino: acabar na zona morta da tabela. Nem cai nem briga por nada lá em cima. O Flu joga sem Henrique Dourado, artilheiro do campeonato.

19h Coritiba x Ponte Preta (Couto Pereira)
Turno: Ponte 4-0
Prognóstico: Coxa 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com Eduardo Baptista, a Ponte conseguiu duas vitórias por 1 a 0, empatou um jogo e perdeu seis. O péssimo momento contrasta com o do Coritiba, que não perde há cinco jogos e, se vencer a rival direta, fica em situação muito confortável para evitar o rebaixamento. Para o Coxa, é a chance de respirar de vez. Para a Ponte, é final de campeonato. Típico confronto em que, historicamente, quem joga em casa, vence. Última vitória da Ponte em Curitiba foi 16 anos atrás. Com dois gols marcados nos últimos cinco jogos, Baptista promete escalação ofensiva.

SEGUNDA

20h Chapecoense x Santos (Arena Condá)
Turno: Santos 1-0
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
Com Gilson Kleina, a Chape ganhou uma e empatou três. De pontinho em pontinho, vai ficando longe do rebaixamento – o que seria praticamente um título após a tragédia de um ano atrás. O Santos é um dos times mais difíceis de prever neste campeonato. Vive em litígio com a torcida e joga sem Bruno Henrique, mas está em terceiro na tabela e quer se garantir com vaga direta na Libertadores. Jogo tem cheiro de empate.


São Paulo joga por liderança do returno e foco na Libertadores
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Julio Gomes

Afastado o risco de rebaixamento, que nunca foi tão real na história do São Paulo Futebol Clube, os objetivos agora são outros. O jogo desta quinta, contra a Chapecoense, no Pacaembu, pode alçar o São Paulo à liderança do returno do Brasileirão e mostrar se o time vai seriamente buscar uma vaga na Libertadores.

Uma vitória sobre a Chape seria a quarta seguida do São Paulo, o que ainda não aconteceu neste ano. O time de Dorival Jr iria a 27 pontos no segundo turno, deixando para trás o Botafogo, que soma 26, e o Cruzeiro, que abriu a rodada com 24 e ficou neles. O Vasco, praticamente imbatível com Zé Ricardo, também tem 24 no recorte que leva em conta só o returno.

São Paulo, Botafogo e Vasco são três postulantes reais a vagas na Libertadores, e esta é a briga que promete pegar fogo na reta final do campeonato. Até porque não é possível saber quantas serão as vagas.

Os quatro primeiros entram diretamente na Libertadores. Corinthians, Grêmio e Santos estão firmes neste G4, o Palmeiras nem tanto. Quinto e sexto vão à fase prévia da competição continental. Mas este G6 pode até virar G9, porque o Cruzeiro já está garantido na Libertadores e o mesmo pode acontecer com Grêmio, se for campeão da edição atual, e Flamengo, se for campeão da Sul-Americana (está na semifinal).

O Botafogo e o Flamengo são sombras reais ao Palmeiras. O Vasco é uma sombra real aos dois rivais cariocas. São Paulo e Atlético Mineiro podem entrar firmes nesta briga se vencerem seus jogos nesta quinta. O domingo reserva confrontos diretos, com Palmeiras x Flamengo e Vasco x São Paulo.

Não pode ser descartado nem o Bahia, que vive grande fase desde a chegada de Carpegiani e, já livre do rebaixamento, estará levinho levinho, correndo por fora nesta briga.

Aqui vão prognósticos e dicas para os jogos de quinta. Nos de quarta, foram três boas dicas e três furadas.

QUINTA

20h São Paulo x Chapecoense (Pacaembu)
Turno: Chape 2-0
Colocação: 9-SPFC (43), 14-Chape (40)
Prognóstico: São Paulo 1-0
Aposta: coluna 1 paga mal, melhor fugir
Sem Cueva, que tenta levar o Peru para a Copa, o São Paulo deve ter o jovem Shaylon entre os titulares. Pelo momento, a confiança adquirida, Hernanes e jogar em casa, o São Paulo é favorito. Mas este é um jogo bastante perigoso. A Chape, que não se afastou totalmente do rebaixamento, ainda não perdeu com Gilson Kleina e costuma ser uma pedra no sapato tricolor. Nunca perdeu em uma visita a São Paulo (dois empates e uma vitória) e, até hoje, em sete confrontos, o São Paulo só venceu a Chape uma vez.

20h Atlético-MG x Atlético-GO (Independência)
Turno: 1-2 CAM
Colocação: 12-CAM (42), 20-Atlético-GO (27)
Prognóstico: Galo 3-0
Aposta: Galo por 2 ou mais gols de diferença
Assim como o São Paulo, o Galo joga hoje para entrar de vez na briga por Libertadores – precisa melhor o desempenho, só ganhou uma das últimas cinco. Tem obrigação de vitória, apesar do mau desempenho ao longo do ano no Horto. O adversário está virtualmente rebaixado, não vence há seis jogos e alguns jogadores não atuarão mais, como Walter. No Galo, Valdivia ocupa a vaga do suspenso Otero e faz companhia a Cazares, Robinho e Fred no ataque.

21h Fluminense x Coritiba (Maracanã)
Turno: 1-2 Flu
Colocação: 13-Flu (42), 15-Coxa (38)
Prognóstico: Flu 2-1
Aposta: ambos marcam
o Coritiba tinha pinta de rebaixado, quando de repente engatou uma série de três vitórias e um empate, escapando da zona de rebaixamento. Está dois pontos acima, então qualquer coisa que some no Rio será lucro. O Flu está virtualmente livre desta briga e, se vencer, muda o foco e passa a sonhar com Libertadores. Cinco dos últimos oito jogos entre eles acabaram empatadas, e o Coxa não vence o Flu no Rio desde 2009. É um jogo de difícil prognóstico, pois o momento do Coritiba é bom. Mas dou ligeiro favoritismo a quem atua em casa.