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Oito jogos históricos que se repetirão na Champions League
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O sorteio da fase de grupos da Champions League distribuiu 32 das mais fortes e tradicionais equipes europeias em oito grupos. Os confrontos ocorrem entre setembro e dezembro. E o blog foi recuperar oito jogos históricos, um de cada grupo, que se repetirão agora, em 2017.

29/5/68 Manchester United 4 x 1 Benfica

Dez anos após a tragédia de Munique, um acidente aéreo que matou oito jogadores e três membros da comissão técnica do Manchester United, o clube conquistou sua primeira Copa da Europa – a primeira também de um clube inglês. Comandado pelo histórico técnico Matt Busby e o lendário Bobby Charlton, ambos sobreviventes da tragédia, o United enfrentou na final o Benfica, multicampeão português, que já tinha dois títulos europeus e o grande Eusébio no ataque.

O jogo, disputado diante de mais de 90 mil pessoas no velho Wembley, em Londres, terminou empatado em 1 a 1. Charlton abriu o placar para o United, mas Jaime Graça empatou para o Benfica a dez minutos do fim. Na prorrogação, gols de George Best, Kidd e, novamente, Charlton, selaram o 4 a 1 e a primeira Copa dos Campeões para o United. É um dos jogos mais importantes da história do clube e com toda a carga simbólica de ter ocorrido dez anos após o acidente de Munique.

Ambos estão no grupo A da atual Champions, e o United tem um retrospecto altamente positivo contra o Benfica, com seis vitórias, dois empates e somente uma derrota (fase de grupos, em 2005). Os outros times são o CSKA Moscou e o Basel, da Suíça, que em 2012 eliminou o próprio United da fase de grupos da Champions.

19/3/86 Anderlecht 2 x 0 Bayern de Munique

No grupo B da competição, o Bayern de Munique tem a companhia do Paris Saint-Germain (que ganhou os três jogos que fez em Paris contra os alemães). Os outros times, o Celtic e o Anderlecht, não devem ser páreos para os atuais multimilionários que enfrentarão.

Mas o Anderlecht viveu um auge e foi muito forte nos anos 70 e 80, quando ganhou duas Recopas (76 e 78), uma Copa da Uefa (83) e duas Supercopas (76 e 78, contra Bayern e Liverpool). Em 1986, entrou em campo contra o Bayern pelas quartas de final da Copa dos Campeões após perder a partida de ida por 2 a 1. No que foi um dos grandes jogos da história do clube, ganhou a volta por 2 a 0, com gols de Scifo e Frimann, classificando-se para as semifinais e igualando o feito de 1982.

Acabou sendo eliminado na semi pelo Steaua Bucareste, da Romênia, que seria campeão europeu na decisão contra o Barcelona. Aquele time do Anderlecht era a base da seleção da Bélgica, que chegaria à semifinal da Copa do Mundo de 86, no México – quatro jogadores do clube eram titulares da seleção belga, que tinha o goleiro Pfaff, do Bayern.

30/4/14 Chelsea 1 x 3 Atlético de Madri

Chelsea, Atlético de Madri e Roma deverão ter uma disputa apertada pelas duas vagas do grupo C. Houve poucos confrontos entre estes três clubes. Eu poderia lembrar de novembro de 2008, quando a Roma ganhou do Chelsea pela fase de grupos. Foi minha única visita ao Olímpico e eu bati o carro na saída do estádio. Mas foi muito mais uma pequena tragédia pessoal do que um jogo inesquecível :-).

Em 2012, o Atlético chegou a ganhar a Supercopa da Europa com um 4 a 1 sobre o Chelsea, então vencedor da Champions. Mas o confronto mais relevante entre eles ocorreria dois anos depois. Eram as quartas de final da Champions de 2014 e, após o empate sem gols em Madri, os times de Mourinho e Simeone se enfrentaram em Londres.

O Chelsea abriu o placar com Fernando Torres. Mas Adrián empatou ainda no primeiro tempo, e Diego Costa e Arda Turan decretaram o 1-3 que levaram o Atlético à semifinal europeia (perderia a final para o Real Madrid, na prorrogação). Na temporada seguinte, Diego Costa passaria a jogar pelo Chelsea – e agora quer desesperadamente voltar ao Atlético.

6/6/15 Barcelona 3 x 1 Juventus

O Barcelona conquistou sua quinta Copa da Europa ao vencer a Juventus, em Berlim, dois anos atrás. Foi o auge do lendário trio Messi-Suárez-Neymar, desfeito com a saída do brasileiro para o PSG. Aquela era a segunda temporada de Neymar no Barça, e a primeira de Suárez e do técnico Luís Enrique. Rakitic abriu o placar para os catalães, mas a Juve, que tinha Pirlo, Pogba e Tevez, empatou com Morata. Tevez desperdiçou uma grande chance de virada antes de Suárez fazer o segundo e, nos acréscimos, Neymar definir o 3 a 1.

Na temporada passada, há poucos meses, a Juve se vingou, eliminando o Barcelona nas quartas de final com um 3 a 0 em Turim e um 0 a 0 no Camp Nou. O clube italiano perderia a final para o Real Madrid, mas manteve a sólida base para a atual temporada, enquanto o Barcelona está juntando os cacos após o trágico mercado de verão e a perda de Neymar.

 

18/5/16 Sevilla 3 x 1 Liverpool

Outro jogo recente, o Sevilla conquistou a Europa League retrasada vencendo o Liverpool na final, disputada na Basileia, Suíça. Daqueles times, seis jogadores ainda seguem no Sevilla, e dez no Liverpool. Os ingleses saíram na frente com Sturridge, mas no segundo tempo Gameiro e Coke (duas vezes) viraram para o Sevilla, então treinado por Unai Emery, hoje técnico do PSG.

Aquela foi a terceira conquista de Europa League consecutiva do Sevilla, quinta no total. Os dois times estão no grupo E da atual Champions League, junto com o Spartak Moscou e o Maribor, da Eslovênia.

14/9/11 Manchester City 1 x 1 Napoli

Feyenoord e Shakhtar Donetsk, os outros integrantes do grupo F, nunca jogaram entre si ou contra Napoli ou City. Os clubes da Itália e da Inglaterra, favoritos para passar neste grupo, estiveram juntos nesta fase na temporada 2011/12.

O Manchester City jogava a Champions League pela primeira vez desde que passou a ter dinheiro árabe arraigando suas contas. Pela primeira vez na máxima competição europeia desde 1968. E o Napoli também vivia um momento histórico. Era seu primeiro jogo de Champions League e a primeira vez na máxima competição europeia desde 1990/91, ainda tempos de Copa dos Campeões e de Diego Maradona.

Na estreia de ambos na fase moderna da Champions, empate por 1 a 1, gols de Kolarov e Cavani. Depois, na quinta rodada, o Napoli venceria por 2 a 1, com dois de Cavani, passando o City na tabela e se classificando para as oitavas, deixando o já rico clube de Manchester eliminado na fase de grupos.

26/5/04 Porto 3 x 0 Monaco

Poucos diriam, antes do início daquela temporada 2003/2004, que o título europeu seria decidido entre Porto e Monaco. Mas foi o que aconteceu, com a vitória portuguesa na decisão, disputada em Gelsenkirchen, Alemanha. O brasileiro Carlos Alberto, Deco (nome do jogo) e o russo Alenichev marcaram na fácil vitória do Porto.

O jogo é inesquecível também por ter sido a primeira Champions conquistada por José Mourinho, que na temporada seguinte assumiria o Chelsea. O time do Porto seria a base da seleção de Portugal, que naquele verão de 2004, comandada por Luiz Felipe Scolari, perderia em casa a final da Eurocopa para a Grécia. Os principais nomes do Monaco eram Evra, Giuly e Morientes. Nenhum dos dois clubes voltou a jogar uma final europeia depois daquilo.

Na atual Champions, Porto e Monaco estão no grupo G, ao lado do debutante RB Leipzig, da Alemanha, e do Besiktas, bicampeão turco.

24/4/13 Borussia Dortmund 4 x 1 Real Madrid

O grupo H é considerado o grupo da morte. Real e Dortmund, que já caíram no mesmo grupo na temporada passada, voltam a se enfrentar e têm a companhia do Tottenham, uma força da Premier League. O Tottenham foi vítima recente tanto de um quanto do outro e precisa mostrar mais do que vem monstrando em campanhas europeias. Irá se reencontrar com dois ex-jogadores que estão no Real, Bale e Modric.

O Real Madrid eliminou o Borussia em 2014, no caminho rumo ao nono título europeu. Mas o jogo que fica marcado para a história foi disputado um ano antes. Era a partida de ida da semifinal, em Dortmund, e o polonês Robert Lewandowski, hoje no Bayern, fez simplesmente os quatro gols da vitória do Borussia, de Klopp, sobre o Real, de Mourinho. Na partida de volta, o Real fez dois gols no fim e quase chegou à heróica remontada, mas não deu. O Borussia Dortmund perderia a final de 2013 para o Bayern.

 


Real Madrid encabeça grupo da morte. Dos outros…
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As bolinhas tiradas por Totti e Shevchenko, homenageados no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foram desviando balas aqui e ali. Mas não teve como evitar a confecção de um grupo da morte.

E o grupo H, encabeçado pelo campeão Real Madrid, é o que será apelidado assim. O Real enfrenta novamente o Borussia Dortmund (que no ano passado relegou os espanhóis à segunda posição no grupo) e o Tottenham (que fez uma péssima Champions no ano passado, mas é um belíssimo time de futebol). Sorte que o quarto elemento é o fraco Apoel Nicosia, do Chipre, que vai apanhar de todo mundo.

São três times para duas vagas. Mas o Real Madrid está alguns vários degraus acima dos outros. É possível que seja o grupo da morte… para os outros. Tottenham e Dortmund que se virem pela segunda vaga.

Outro grupo forte é o que reúne Chelsea, Atlético de Madri, Roma e o estreante Qarabag, do Azerbaijão. O Atlético e o Chelsea são favoritos, a Roma ainda é uma incógnita na temporada. Trocou técnico e perdeu bons jogadores. Claro que pode deixar um dos favoritos a ver navios, mas, a priori, corre por fora.

À exceção do Tottenham e do Chelsea, o sorteio foi muito bom para os ingleses.

O Manchester United, de José Mourinho, vai enfrentar Benfica, Basel e CSKA Moscou. Um grupo tranquilo para o gigante inglês, que não vai precisar se matar e sacrificar jogos da Premier League para passar. Benfica é ligeiro favorito para a segunda vaga.

O Liverpool, que poderia ter caído em um verdadeiro grupo da morte (estava no terceiro pote das bolinhas), se safou e jogará contra Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. O Liverpool mostrou muita força da fase prévia, passando por cima do bom Hoffenheim. Mesmo que perca Philippe Coutinho, é o favorito destacado. Até porque o Sevilla tem técnico novo, ainda derrapa e vai suar para ficar à frente do Spartak, campeão russo.

O Manchester City, depois de anos de “azareios”, finalmente teve um sorteio favorável. Jogará contra Napoli, Shakhtar Donetsk e Feyenoord, o campeão holandês. City é favoritaço para ser primeiro do grupo. E o Napoli, um ótimo time de futebol, que manteve a base do ano passado, é favoritaço para ser segundo. Tem mais chance de o Napoli atrapalhar o City do que ser atrapalhado pelos outros.

Dos três grupos restantes, um tem equilíbrio total. E os outros dois tem aquele formato com duas grandes forças e duas zebras. O que se decide é basicamente quem fica em primeiro, quem fica em segundo.

É assim no grupo B, em que Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain, de Neymar, disputarão o primeiro lugar e não terão a passagem às oitavas ameaçada por Anderlecht ou Celtic. Os confrontos entre Bayern e PSG devem ser os que chamarão mais atenção durante a fase de grupos.

E é assim no grupo D, em que Juventus e Barcelona, que se enfrentaram nas últimas quartas de final, jogarão pelo primeiro lugar. Bom sorteio para o Barça, que derrapa neste início de temporada, mas não deve ser ameaçado por Olympiacos ou Sporting de Portugal. Não quero desprezar as duas camisas, com muita história, mas imaginem se caísse um Liverpool ou um Tottenham ou um Leipzig nesse grupo? O Barcelona pode respirar aliviado.

O grupo G é o mais equilibrado, com Monaco, Porto, Besiktas e RB Leipzig. O Monaco é favorito. É o campeão francês, atual semifinalista e, ainda que tenha perdido três titulares em relação à campanha passada, segue mostrando ótimo futebol. O Porto tem a camisa mais pesada, mas o Besiktas é um bom time, bicampeão turco, e o RB Leipzig tem um ótimo time. É vice-campeão alemão e manteve a base.

Abaixo, os grupos e os prognósticos de quem passa para as oitavas de final:

Grupo A
Benfica (POR)
Manchester United (ING)
Basel (SUI)
CSKA Moscou (RUS)

Prognóstico: 1- United, 2- Benfica, 3- Basel, 4- CSKA

Grupo B
Bayern de Munique (ALE)
Paris Saint-Germain (FRA)
Anderlecht (BEL)
Celtic (ESC)

Prognóstico: 1- PSG, 2-Bayern, 3- Anderlecht, 4- Celtic

Grupo C
Chelsea (ING)
Atlético de Madri (ESP)
Roma (ITA)
Qarabag (AZE)

Prognóstico: 1- Atlético, 2- Chelsea, 3- Roma, 4- Qarabag

Grupo D
Juventus (ITA)
Barcelona (ESP)
Olympiakos (GRE)
Sporting (POR)

Prognóstico: 1- Juventus, 2- Barcelona, 3- Olympiacos, 4- Sporting

Grupo E
Spartak Moscou (RUS)
Sevilla (ESP)
Liverpool (ING)
Maribor (SLO)

Prognóstico: 1- Liverpool, 2- Sevilla, 3- Spartak, 4- Maribor

Grupo F
Shakhtar Donetsk (UCR)
Manchester City (ING)
Napoli (ITA)
Feyenoord (HOL)

Prognóstico: 1- City, 2- Napoli, 3- Feyenoord, 4- Shakhtar

Grupo G
Monaco (FRA)
Porto (POR)
Besiktas (TUR)
RB Leipzig (ALE)

Prognóstico: 1- Monaco, 2- Leipzig, 3- Besiktas, 4- Porto

Grupo H
Real Madrid (ESP)
Borussia Dortmund (ALE)
Tottenham (ING)
Apoel Nicosia (CHP)

Prognóstico: 1- Real, 2- Tottenham, 3- Dortmund, 4- Apoel


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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juliogomes

Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Vitórias no sábado fazem Barça e Napoli sonharem com milagre europeu
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juliogomes

Terça-feira, Napoli x Real Madrid e Arsenal x Bayern de Munique. Quarta-feira, Barcelona x PSG e Borussia Dortmund x Benfica. Esta é a agenda da semana na Liga dos Campeões da Europa, que vai definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final. E os jogos de ontem, pelas ligas domésticas, nos dão algumas pistas do que vêm pela frente. Sete dos oito envolvidos venceram.

O Barcelona e o Arsenal são os que têm aquela que é considerada por quase todos uma missão impossível. O Barça levou 4 a 0 do PSG em Paris, enquanto o Arsenal foi atropelado pelo Bayern em Munique, 5 a 1. De três semanas para cá, a esperança de  em um confronto, aumentou em outro.

Da goleada de Paris para cá, muita coisa aconteceu pelos lados do Barcelona. Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do clube na próxima temporada e aproveitou para mudar o sistema de jogo, alterado para uma espécie de 3-1-5-1 que fez o time criar mais volume de jogo – mas que ainda não foi verdadeiramente testado atrás.

O fato é que o Barcelona ganhou quatro jogos seguidos e assumiu a liderança na Espanha – apesar de ainda ter um jogo a mais que o Real Madrid. De alguma forma, o Barça faz parecer que a virada na Champions é possível.

O PSG, por sua vez, tropeçou em casa contra o Toulouse e sofreu para avançar na Copa da França e para ganhar, ontem, do modesto Nancy – precisou de um gol de pênalti no final. Mas, no meio de tudo isso, meteu 5 a 1 no Olympique, em Marselha.

Como o Barça não está mais animicamente destroçado e o novo sistema parece ter feito o time melhor, é plausível considerar que a diferença exposta em Paris não exista no Camp Nou.

O mesmo não se pode dizer do duelo entre Arsenal e Bayern. Não parece haver a menor chance de reversão de placar neste duelo.

No sábado, o Arsenal levou 3 a 1 do Liverpool, após um primeiro tempo patético e com o time pessimamente escalado por Arsène Wenger, que deixou Alexis Sánchez no banco. O Arsenal só ganhou um jogo grande na temporada, no primeiro turno do Inglês contra o Chelsea. Fora isso, foi só desastre.

Já o Bayern, que chegou a dar algumas derrapadas no começo da temporada e era mais econômico com Ancelotti do que foi com Guardiola, de repente engatou uma quinta marcha impressionante. Empatou com o Hertha, em Berlim, e depois ganhou três jogos seguidos fazendo 14 gols e sofrendo nenhum – ontem, foram 3 a 0 no Colônia, fora de casa, sem maiores problemas.

Parece mais provável uma nova goleada do Bayern em Londres do que qualquer tipo de drama.

Drama é o que podemos ver em Nápoles. O Real Madrid venceu a partida de ida por 3 a 1. Naquele momento, já começava a receber críticas por seu jogo, mas deu um murro na mesa fazendo uma boa apresentação contra o Napoli.

Depois disso, perdeu para o Valencia um jogo atrasado pelo Espanhol. Ganhou do Villarreal virando o jogo com dois gols nos minutos finais – um deles com um pênalti bisonhamente marcado – e, por fim, arrancou um empate em casa com o Las Palmas também com dois gols no fim. Perdeu a liderança do campeonato e passou a gerar mais dúvidas que certezas.

Ontem, com um time misto, sem Cristiano Ronaldo, Bale, Kroos, Marcelo, Carvajal e Varane, respondeu fazendo 4 a 1 no Eibar, em um campo difícil, fora de casa. Mas o time que jogou era bem diferente do que entrará em campo no quentíssimo estádio San Paolo terça-feira.

O Napoli é um time goleador. Foi corajoso no Bernabéu, conseguiu o gol que queria e por pouco não saiu com uma derrota por 3 a 2. Depois daquela partida, perdeu para a Juventus por 3 a 1 na Copa da Itália, em um jogo com polêmicas de arbitragem, perdeu em casa para a Atalanta no Italiano e parecia rumar ladeira abaixo.

Mas a vitória de sábado sobre a Roma, em pleno estádio Olímpico, enche a torcida de esperanças. Foi um jogaço do Napoli, completo e contra um rival direto pelo vice-campeonato. Jogo para mostrar que há vida, que o time tem bola, que o ataque de baixinhos (Mertens, Insigne e Callejón) segue funcionando. É um franco atirador.

O Real Madrid de Zidane não joga bem há tempos, a bola não para no meio de campo e a defesa sofre. A correria napolitana, se resultar em algum gol logo no início, pode fazer a eliminatória ferver.

Por fim, Borussia Dortmund e Benfica, um duelo que teve vitória portuguesa por 1 a 0 na ida, com trocentos gols feitos e um pênalti perdidos pelos alemães.

Desde o jogo de ida, o Borussia espantou a má fase, ganhou três seguidas na Bundesliga, fazendo 12 gols nestes jogos. Ontem, meteu 6 a 2 no Bayer Leverkusen. É um claro favorito contra o Benfica, que lidera em Portugal, mas com vitórias apertadas – ontem, ganhou do Feirense por apenas 1 a 0.

Dos oito times que entram em campo pela Champions, portanto, sete venceram no sábado – sendo cinco delas vitórias maiúsculas. Só o Arsenal perdeu. A semana promete.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Bayern pós-Guardiola sofre; Lucas brilha no PSG e bate na porta da seleção
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juliogomes

Tem gente que cai nesse papinho que nos contam invejosos. “Guardiola é marketing”. “Guardiola só ganhou títulos porque tinha timaços nas mãos”. “Queria ver Guardiola na Série C, no Estadual”. Blá, blá, blá, blá.

Guardiola é um técnico que extrapola o simplismo dos resultados e isso incomoda o status quo. “Ganhou, é gênio. Perdeu, é uma besta”. O simplismo que dita análises e ações em nossa sociedade. O fins justificam os meios de toda nossa vida.

O que me faz (e a muita gente) admirar tanto o trabalho de Guardiola não é o simplismo do tamanho de sua sala de troféus. E, sim, a mensagem que ele manda e que pode ser extrapolada do futebol para a vida: os meios importam. É possível atingir objetivos, chegar lá, sem abrir mão de suas convicções. É importantíssimo fazer as coisas do modo como preferimos, como idealizamos.

É impossível não lembrar de Guardiola quando observamos a semana do Bayern de Munique.

No sábado, perde o clássico para o Borussia Dortmund por 1 a 0. Na quarta, perde do Rostov (!!!) na Rússia por 3 a 2, o que relega o clube à segunda posição no grupo D da Champions League.

Na Bundesliga, o Bayern soma 24 pontos em 11 jogos – ganhou sete, empatou três, perdeu uma. Está em segundo lugar. Na Champions, ganhou três e perdeu duas, está classificado, mas em segundo lugar, atrás do Atlético de Madri, e terá de jogar a partida de volta das oitavas de final fora de casa.

Na temporada 15/16, com Guardiola, o Bayern ganhou as dez primeiras na Bundesliga e só foi tropeçar (empatar) pela primeira vez na rodada 11. Era líder com 31 pontos.Em 14/15, nos 11 primeiros jogos foram oito vitórias e três empates, 27 pontos, 27 gols marcados. Em 13/14, nos 11 primeiros jogos foram nove vitórias e dois empates, 29 pontos. Guardiola foi campeão com 19 pontos de vantagem no primeiro ano, 10 no segundo e 10 no terceiro.

Na Champions League, nos três anos de Guardiola o Bayern ganhou seu grupo com facilidade, sempre com cinco vitórias e uma derrota.

O substituto de Guardiola no Bayern é um dos grandes técnicos da história do futebol europeu, Carlo Ancelotti. Um treinador com três Champions no currículo, incluindo a “Décima” do Real Madrid, quebrando jejum de 12 anos.

O início claudicante do Bayern na temporada, ainda assim com bons números, não fala mal de Ancelotti. Apenas serve para nos lembrar que os feitos de Guardiola no clube bávaro não seriam repetidos “por qualquer um que estivesse ali”, como gostam de falar seus detratores.

Com Pep, o Bayern passou a jogar outro futebol, o futebol que Guardiola considera o mais atraente e eficiente para se chegar à vitória. Uns gostam, outros não gostam. É direto de todos. O que não não para discutir é que o fim não é o único objetivo. O jeito importa. E, do jeito que Pep idealizou, amassou seus adversários na Alemanha, nunca sendo ameaçado. Foi fortíssimo na Champions League e acabou caindo em três semifinais seguidas para times espanhóis.

Contra o Real (14) e o Barça (15), o Bayern de Guardiola foi destruído nos contra ataques. Contra o Atlético (16), o problema foi resolvido. Mas aí Thomas Muller perdeu aquele pênalti…

Guardiola não é perfeito. Ancelotti não é um lixo. Mas o elenco estrelado do Bayern, que está ainda melhor nesta temporada, parece encontrar dificuldades para se des-Guardiolizar e voltar ao “normal”. Acabará se encontrando, sem dúvida. Deve ganhar a Bundesliga. E ainda acho um dos favoritíssimos na Champions League.

Mas o caminho será mais tortuoso. Como Guardiola, tudo foi mais fácil. E mais belo.

O que mais rola na Champions

O grupo do Bayern foi vencido pelo Atlético de Madri, com os 2 a 0 sobre o PSV. O Atlético já ficou para trás na Espanha, mas não se enganem. É um elenco forte, um timaço e com um técnico espetacular. O Atlético, vice em 14 e 16, é candidato novamente. Agora é torcer por um sorteio amigável nas oitavas

No grande jogo da rodada, Arsenal e PSG ficaram no 2 a 2. O gol de empate do PSG, no final, foi de Lucas Moura, que fez uma partida fantástica. Tite deve estar de olho, logo logo Lucas voltará à seleção. Está jogando demais.

Lucas, à priori, joga aberto no PSG. Mas, ao contrário dos tempos de Blanc, se movimenta, cai pelos dois lados, volta para armar, se associar com meio-campistas e municiar Cavani, bate faltas (acertou o travessão antes de fazer o gol de empate), ajuda na marcação. Tem muita concorrência para a seleção, com Philipe Coutinho também brilhando, por exemplo. Mas Lucas faz uma temporada consideravelmente superior às de William (Chelsea) e Douglas Costa (Bayern).

Foi um grande jogo de futebol, destes que só a Champions nos proporciona. Times que tratam bem a bola, buscam a vitória, não praticam antifutebol, não apelam. O PSG pós-Ibra e pós-Blanc parece um time mais solidário, que vai se acertando com Emery e será uma ameaça real a qualquer um no mata-mata. Será que supera a barreira das quartas?

Aos franceses, basta uma vitória por qualquer placar contra o fraco Ludogorets, em casa, para garantir o primeiro lugar do grupo. O Arsenal – novidade – será segundo.

Primeiro lugar que o Barcelona já garantiu com os 2 a 0 sobre o Celtic, na Escócia, com assinatura de Messi. O Manchester City, de Guardiola, empatou com o Borussia Moenchengladbach na Alemanha e está classificado, mas em segundo lugar.

Primeiros colocados já definidos matematicamente: Barcelona, Atlético de Madri, Monaco e Leicester. Serão primeiros também PSG e Juventus.

Segundos colocados já definidos: Manchester City, Bayern de Munique e Bayer Leverkusen. Será segundo também o Arsenal.

O que resta definir na última rodada:

– Real Madrid x Borussia Dortmund. Empate deixa os alemães na primeira posição, Real precisa vencer para não ser segundo.

– Porto precisa vencer em casa o classificado Leicester para entrar em segundo. Se tropeçar, pode perder a vaga para o Copenhagen.

– Lyon x Sevilla decidem em duelo direto a segunda vaga no grupo da Juventus. Franceses precisam vencer por dois ou mais gols de diferença, Sevilla pode empatar ou até perder por um.

– Napoli e Benfica deveriam ter vencido e se classificado nesta quarta, mas ambos bobearam feio. O duelo direto entre eles, na última rodada, em Lisboa, deve definir apenas um classificado. Quem vencer, ganhará o grupo. Empate classifica o Napoli. Ambos podem entrar juntos, caso o Besiktas não vença o eliminado Dynamo, em Kiev. Mas o time turco só depende de uma vitória para entrar.


Suárez e Leicester, os nomes de um ano estranho das ligas europeias
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juliogomes

E acabaram as grandes ligas europeias.

Nenhuma história, nem de perto, se compara à do Leicester – aliás, nenhuma história em 30 anos se compara à do Leicester. Não parecia possível que um clube minúsculo, que sempre jogou para não cair, pudesse ser campeão nos pontos corridos, ainda por cima em uma liga tão rica e competitiva como a inglesa.

É o conto de fadas. Acontece em Olimpíada, em mata-mata, mas não acontece nunca em competições estilo “maratona”. As estrelas se alinharam. Todos os grandes tiveram problemas profundos ao mesmo tempo, os que sobraram para concorrer com o Leicester, apesar das camisas históricas, parece que desaprenderam a ganhar (me refiro a Arsenal e Tottenham). As coisas foram se sucedendo e, quando viram, o impossível aconteceu.

Fora a já tão falada e maravilhosa história do Leicester, as outras ligas europeias não tiveram surpresa no resultado final, mas nenhuma delas transcorreu de forma, digamos, normal. Todas tiveram algo diferente neste ano.

Neste fim de semana, Barcelona e Benfica confirmaram as taças na Espanha e em Portugal. Até aí, tudo certo.

O Barça ganha o sexto título espanhol em oito anos, um domínio que o clube catalão nunca havia tido no país. São 8 títulos em 12 anos, se puxarmos desde o início da “era Ronaldinho”, passando então o bastão a Messi, a era Guardiola, etc.

Luis-Suarez

Mas é a primeira vez desde aquele primeiro título com Guardiola, em 2009, que o protagonista do campeonato não é Messi. Por sinal, foi o primeiro destes seis títulos do Barça em que a diferença final para o vice-campeão foi somente de um ponto, e o primeiro em que, se os catalães não ganhassem o jogo final, ficariam sem a taça – quatro dos troféus vieram por antecipação.

Não dá para tirar o peso de Messi na conquista consumada no sábado, na linda cidade de Granada. Mas tampouco é possível negar que Luis Suárez foi o nome do campeonato. O grande protagonista.

Na hora H do campeonato, quando o Barça fraquejou por três rodadas seguidas e reabriu a disputa, Suárez apareceu. Nas cinco rodadas derradeiras, fez 13 gols. Isso mesmo, 13 gols em cinco jogos. No total, foram 40 jogos em 35 partidas. Só dois caras na história haviam conseguido pelo menos 40 gols em uma mesma edição do Espanhol. Sim, você adivinhou: Messi e Cristiano Ronaldo. Não é pouca coisa.

Vamos lembrar que foi Neymar que apareceu ali ao lado dos dois mitos no pódio da Bola de Ouro. Hoje, Suárez já aparece não um, mas alguns degraus acima de Neymar.

Um título do Barça em que Messi foi o segundo melhor jogador do time. Coisa que nunca havíamos visto.

No final, foi um título justo para o melhor time. Mas se eu fosse apostar agora, antes de pré-temporada, contratações, etc, colocaria minhas fichas no Real Madrid para o próximo título espanhol. O Barça só ganhou três títulos seguidos uma vez (os três primeiros anos de Guardiola). E só ganhou quatro seguidas uma outra vez (a era de ouro de Cruyff, Romário, Stoichkov, Guardiola em campo, entre 91 e 94).

No ano da morte de Cruyff, menos mal que o Barcelona não tenha entregado a rapadura no final. Já bastavam a Holanda fora da Eurocopa e o papelão do Ajax.

Que o PSV Eindhoven tenha sido campeão holandês, nenhum mistério. Mas que o tenha sido porque o Ajax foi incapaz de vencer um time rebaixado na última rodada… é de entrar para a história.

Assim como na Espanha e na Holanda, o título ficou para a última rodada também em Portugal.

E foi para o Benfica, que precisou ganhar as últimas 12 partidas do campeonato para ficar na frente do Sporting – que ganhou as últimas 9. O problema para o Sporting, que não levanta o troféu desde 2002, é que seu último tropeço foi no duelo em casa contra o Benfica – derrota por 1 a 0.

O Sporting foi líder por boa parte do campeonato, deu umas bobeadas, mas só precisava de um empate no clássico, disputado em março, para não perder a ponta. Dominou o Benfica, foi superior o jogo inteiro. Mas como dizer que não merecia ser derrotado? Este gol perdido pelo costarriquenho Bryan Ruiz foi, além de bizarro, o que teve mais implicações na temporada europeia. Definiu o título.

Clique aqui para ver e segure o queixo, para ele não cair.

 

Na Alemanha e na Itália, títulos para Bayern de Munique e Juventus. Sem novidades. Mas sem tranquilidade.

O Borussia Dortmund vendeu caro para o Bayern de Guardiola, e o título só foi consumado na penúltima rodada. No ano passado, o título veio com quatro rodadas de antecedência. No retrasado, com sete – primeira vez na história que a Bundesliga acabara no mês de março. Por sinal, é a primeira vez na história que o Bayern ganha quatro títulos seguidos. A tendência é o domínio continuar com Carlo Ancelotti no comando, mas o Dortmund mostrou que não será galinha morta na era pós-Klopp.

A Juventus ganhou o quinto Italiano seguido. Mas foi o mais esquisito deles todos. Normal que, após ser finalista da Champions, mas perder Tevez, Pirlo e Vidal, o time sofresse uma queda. Anormal foi ganhar três, empatar três e perder quatro no primeiro quarto do campeonato. Após 10 rodadas, a Juve era a 12a colocada, com 12 pontos – 11 a menos que a Roma, 9 a menos que Napoli, Fiorentina e Inter.

Mais anormal ainda foi depois ganhar 26 dos 28 jogos restantes, só perdendo uma, com título garantido, para o lanterna e rebaixado Verona (aquele placar que cheira mal). No segundo turno, foram 17 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Só isso.

Na França, mais um campeão “natural”. O PSG. Mas foi com oito rodadas de antecipação, quase invicto (se não tivesse desviado a atenção com a Champions, teria sido invicto). Foi quase um não-campeonato. O que não é normal.

Um ano em que coisas estranhas aconteceram em todas as grandes ligas. E a mais estranha de todas, logicamente, o conto de fadas do Leicester.

Agora restam as finais europeias e as finais das Copas nacionais. As europeias dispensam comentários por enquanto. As Copas têm finais bem bacanas.

Um “showdown” entre Bayern e Dortmund na Alemanha. Man United em busca de salvar o ano na FA Cup, Porto em busca do mesmo após um ano de papelões em Portugal. Juventus e PSG, favoritíssimos, mas diante de dois rivais históricos: Milan e Olympique. E um Barça-Sevilla interessante na Espanha.

Aqui vai o calendário das finais neste fim de temporada:

Quarta, 18 de maio

15h45 Liverpool x Sevilla (Europa League)

Sábado, 21 de maio

13h30 Crystal Palace x Manchester United

15h Bayern de Munique x Borussia Dortmund

15h45 Milan x Juventus

16h Olympique de Marselha x Paris Saint-Germain

Domingo, 22 de maio

13h15 Porto x Braga

16h30 Barcelona x Sevilla

Sábado, 28 de maio

15h45 Real Madrid x Atlético de Madri (Champions League)


Barça terá de suar sangue para passar pelo Atlético
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juliogomes

O sorteio da manhã desta sexta-feira agradou aqueles que querem ver uma espécie de semifinais dos sonhos da Champions League.

Os quatro melhores times da Europa são Barcelona, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Real Madrid.

Nenhum deles se enfrenta nas quartas de final. E o melhor time entre os restantes, o Atlético de Madri, enfrenta justamente o melhor do grupinho acima: o Barcelona.

Bayern de Munique e Real Madrid foram os “agraciados” do sorteio. O Bayern, após o sufoco contra a Juventus (palmas para a Juve), enfrenta o Benfica.

O Benfica tem um bom time, comandado por Jonas, muita camisa e história na competição. Mas, além de o Bayern ter um elenco espetacular, a Europa tem algumas freguesias clássicas. Uma delas é a de portugueses contra alemães: times e seleções lusas sempre perdem.

O Bayern deve matar a eliminatória logo com uma vitória contundente em casa no primeiro jogo. Neste meio tempo, consolida o título alemão (são apenas cinco pontos de vantagem para o Dortmund) e fica pronto para a reta final da Champions.

Já o Real Madrid enfrenta o Wolfsburg. A Bundesliga é muito forte, muitos se confundem devido ao domínio do Bayern. Mas o Wolfsburg chegou ao máximo, eliminar o Real Madrid seria uma zebra daquelas.

Por mais que o Real tenha mostrado fraquezas nos jogos grandes na Espanha, ele ainda é o time estrelado de sempre, com jogadores como Cristiano Ronaldo, Kroos, Bale e Sergio Ramos. Zidane, ainda uma incógnita como treinador, sabe que a liga doméstica está perdida e tem tempo para preparar o time para a Champions.

Chance do Wolfsburg é fazer um belo resultado em casa na ida (1-0, 2-0) e depois jogar a vida no Bernabéu. Mas não acredito que o Real Madrid saia da Alemanha sem fazer gols.

PSG e City é o duelo dos novos ricos. Finalmente um deles vai chegar à sonhada semifinal, coisa que ainda não aconteceu.

O Paris está em alta. Passou pelo Chelsea, é campeão francês (já) e tem um timaço. É superior ao City, sem sombra de dúvidas. Um City que tem bom time, logicamente, mas faz temporada ruim, sem chances na Premier e em compasso de espera por Guardiola.

O PSG não desistiu de Blanc (deveria, a meu ver), mas o City desistiu de Pellegrini e espera um futuro melhor. Curiosamente falei destes dois times no início da temporada aqui mesmo no blog (clique para ler o post). Era a hora de dar um passo a mais. E de fato ela veio, um deles estará na semifinal e, se este um deles for o PSG, pode estar na final.

Finalmente, chegamos ao quarto confronto. Os ingleses diriam “last, but not least”. É o mais equilibrado de todos, entre Barcelona e Atlético de Madri.

Antes do sorteio, aqui no blog, perguntei: quem poderia parar o Barcelona? E a resposta, por encaixe, era que o Atlético de Madri seria o time com melhores possibilidades.

Eles se enfrentaram em janeiro no Camp Nou. O Atlético fez 25 minutos tremendos e ganhava o jogo. Aí Messi, sempre ele, empatou. E ocorreram os erros, principalmente a expulsão de Filipe Luís, que decretaram os 2 a 1 para o Barça. Com 9 em campo, o Atlético perdeu só de 2 a 1 em Barcelona. Tenho certeza que Simeone não ficaria bravo se fosse esse o resultado da ida em abril. Aqui no blog, eu resumo como foi aquele jogo de janeiro pela liga espanhola.

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Dois anos atrás, o Atlético eliminou o Barça da Champions. Mas era o Barça de Martino, ainda sem Suárez, outros tempos para os catalães.

O fato é que o trio MSN está resolvendo tudo em uma bola ou duas. Messi é o mais importante dos três, sem dúvida, porque é quem recua para organizar o jogo quando a coisa aperta. Não acredito que o Atlético dê os contra ataques que o Barça atual tanto gosta. Vai tentar ao máximo diminuir a velocidade do jogo e deixar o Barcelona se virar para furar a defesa bem postada. A estratégia será parecida com a aplicada pela Juventus em Munique. Pressão lá no alto para roubar a bola e tentar o gol, depois recuo em bloco para se defender.

Serão duelos táticos, de briga intensa por cada metro. O Atlético vai tentar deixar o jogo “chato”. E o Barcelona terá de suar sangue para conseguir o que quer. É o favorito? Sem dúvida. Mas, se tem um time capaz de incomodar o atual campeão, esse time é o de Simeone.


Quem pode parar o Barcelona?
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juliogomes

Desde que a Copa dos Campeões da Europa virou a Champions que conhecemos hoje, com não apenas um, mas vários times fortes das ligas europeias, ninguém ganhou o torneio duas vezes seguidas. Isso nos dá o tom do equilíbrio e de como é difícil ser campeão europeu.

Mas está difícil visualizar este Barcelona sendo eliminado por alguém, não está não? Será que cai o tabu?

Sobraram oito postulantes ao título. Além do Barça, temos, no que eu considero a ordem de força dos restantes: Bayern de Munique, Paris Saint-Germain, Real Madrid, Atlético de Madri, Manchester City, Benfica e Wolfsburg.

Coloco o Bayern no mesmo nível de favoritismo do Barcelona. A classificação épica contra a Juventus mostrou que são muitas as fraquezas do time de Guardiola. Preguiçoso para defender os inevitáveis contra ataques a que estará submetido (por proposta de jogo), chuta pouco a gol, tenta pouco jogadas individuais (só Robben mesmo?). Ao mesmo tempo, uma classificação como esta eleva a confiança de todos.

O Bayern joga bem. Não rifa a bola, é agressivo, busca a vitória. Mas muitas vezes me passa a impressão que a verdadeira diferença na tal revolução de Guardiola era Messi. Não quero nem por um milímetro tirar méritos do treinador. Mas sem um jogador que rompa defesas sozinho… o sistema não parece ser eficiente nos jogos gigantes.

Em um hipotético duelo Bayern x Barcelona, o “novo” Barça não disputaria a posse de bola e, sim, teria todo o espaço do mundo para contra atacar com Messi, Suárez e Neymar.

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Acredito que o desenho seria parecido contra o PSG, um time que gosta de ter a posse e controlar o jogo. Contra o Real Madrid e o Atlético, talvez o Barça tenha de propor mais jogo e ele, Barça, é quem poderia ficar exposto a contra ataques.

Pelas características, pelo encaixe, acredito que o Atlético seja o time mais “chato” dos oito para o Barcelona – ser mais chato não significa ter mais chances de vitórias mas, sim, ter uma proposta de jogo que deixe o Barça desconfortável em campo.

Não sabemos como o Real de Zidane encararia o Barça – o de Benítez levou ferro. Mas eu apostaria minhas fichas em um time tentando marcar muito o trio de frente e fazendo transição em altíssima velocidade com Cristiano Ronaldo e Bale.

Contra o Atlético e o Real, portanto, o Barça teria confrontos de maior exigência mental. Qualquer erro de passe pode ser fatal. Contra Bayern e PSG, fortíssimos, o Barça teria mais chances de encaixar o jogo que ele gosta de fazer, saindo em velocidade com os três caras lá na frente. E contra City, Wolfsburg e Benfica acho que nem vale à pena fazer análise de encaixe. Não vejo nenhum dos três com chances contra o Barça.

O futebol é um jogo de encaixe, além de talento, técnica, etc. Para ganhar do Barcelona, não basta ser melhor que ele. É preciso ter um jogo que encaixe no dele.

Por enquanto, os técnicos dos outros sete times estão mesmo só pensando em outro encaixe. Que a bolinha do sorteio não encaixe o time dele contra o time de Luís Enrique…


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