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Por que ninguém fala deste Real Madrid como o melhor time da história?
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Julio Gomes

Basta ler a coluna na Folha do grande PVC, também blogueiro aqui do UOL, para entender o tamanho da história feita pelo Real Madrid.

É o primeiro tricampeão da era Champions League (já era primeiro o bicampeão), uma era em que é muito mais difícil ganhar o torneio. Antes, enquanto tínhamos o formato de Copa dos Campeões da Europa, o difícil mesmo era disputar o torneio – era necessário ser campeão nacional. A característica da era Champions é que todos os grandões estão sempre na disputa, porque, claro, raramente não ficam entre os três ou quatro primeiros nas ligas domésticas.

Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, agora os “ricos” Chelsea, City, PSG, enfim. A galera toda está sempre lá, salvo uma ou outra exceção. E é isso que faz da Champions uma competição tão difícil de ser vencida.

Que o Real tenha vencido quatro europeus em cinco anos é um fato estrondoso. Muito mais relevante que o penta do próprio Real lá nos anos 60, quando a competição é criada, ou os tris de Ajax e Bayern e, claro, mais relevante que as quatro conquistas do Barcelona entre 2006 e 2015, com uma espinha dorsal e um jeito de jogar característico.

Quando o Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi e Iniesta ganha do jeito que ganha em 2011 – e considerando que aquele time era base e inspiração para uma Espanha campeã do mundo em 2010 e campeã da Europa em 2008 e, depois, em 2012 -, parecia claro que estávamos diante do maior time da história. Maior que o Real de Di Stefano e do Santos de Pelé, pela competição maior de hoje em dia, pelo fato de o futebol ser globalizado (ou seja, os melhores do mundo realmente estão na Champions) e por deixar uma marca, uma impressão digital, quando parecia impossível inventar algo novo no jogo. O resgate triunfal do “jogo bonito”.

Por que podemos discutir se o Barça de Guardiola e Messi é o melhor de sempre, mas não vemos discussões desse tipo sobre o Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo?

Não seria a hora de olharmos para Sergio Ramos como um dos grandes zagueiros da história? Não seria a hora de percebermos que, exceção feita à Copa do Mundo, Marcelo tem uma carreira maior que a de Roberto Carlos? Não seria a hora de colocarmos a dupla Kross-Modric em um patamar parecido ao de Xavi-Iniesta? Não seria a hora de vermos que Cristiano Ronaldo é o maior atacante de todos os tempos?

Eu desconfio de alguns fatores que fazem com que muita gente seja tão reativa à ideia de considerar este Real Madrid de 14-18 o maior time de todos os tempos.

É um time que neste mesmo período ganhou seu campeonato doméstico apenas uma vez – neste ano, por exemplo, acabou em terceiro, a 17 pontos do Barcelona. As ligas domésticas, com 38 rodadas, apontam que times conseguem ser mais consistentes, dominantes em todos os jogos, enquanto o mata-mata, claro, dá margem a muito mais coisa.

O Barça de Guardiola, o Real de Di Stefano, o Santos de Pelé eram todos absolutamente dominantes nas competições domésticas.

Guardiola é um gênio do ofício, um cara que consegue enxergar muito além, abstrair, pensar fora da caixa. É desses que deixam a digital, um legado. Qual é até agora a marca de Zidane?

E uma comparação parecida envolve o embate Cristiano-Messi. Os números e a capacidade do primeiro são inegáveis. Mas Messi é fantasia, é genialidade, é fazer aquilo que ninguém espera, aquilo que conexões cerebrais não conseguem enxergar.

Cristiano e Zidane ganham. Messi e Guardiola encantam. Mais ou menos por aí.

Os detratores do Real Madrid vão também olhar para a sorte, para os adversários do mata-mata, para erros de arbitragem que favoreceram o clube nestes quatro títulos. Mas, se olharmos na lupa, o mesmo que argumento que poderia servir para diminuir os feitos do Real pode ser usado para outros. Nos últimos anos, o Barcelona tem sido mais ajudado por arbitragens europeias que o Real Madrid, por exemplo. Em três dos quatro títulos, o Real passou pelo Bayern. Enfim. Não tem muito como ficar colocando “poréns”.

Talvez o título deste ano tenha sido mesmo o menos brilhante, com tantos presentes dados pelos adversários. Mas azar dos outros.

O Real Madrid, eu já disse aqui, só dá presente para a própria torcida, não para os rivais.

Ainda que eu seja um “Messista”, eu também sou “Cristianista”. O cara ruma à sexta Bola de Ouro, faz mais gols que qualquer um, foi campeão europeu com Portugal, ganhou tudo com dois clubes diferentes, mostrando que se adapta a qualquer lugar.

É fácil defender a tese de “Cristiano é o maior de todos”. Muito mais fácil do que defender a tese de “este Real Madrid é o maior time de futebol da história”.

Eu entendo que você não goste dessa ideia. Mas está na hora de, no mínimo, debatê-la. Acho que esse time aí faz por merecer, não fez?

 


Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos no mesmo dia
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Julio Gomes

Já tivemos muitos e muitos clássicos mais importantes do que o Barcelona-Real Madrid deste domingo. Não só na história toda, mas mesmo nos últimos anos. O de hoje foi dos menos importantes. O Espanhol está decidido para o Barcelona, o Real Madrid não joga mais nada nesse campeonato, não vivemos o auge da tensão política Espanha-Catalunha…

Então, com licença aos gols de Cristiano Ronaldo e Messi, um em cada tempo, e também com licença ao fato de o Barcelona ter mantido a invencibilidade no campeonato, se aproximando de um feito histórico, o clássico do Camp Nou foi vergonhoso.

Não havia razão para tanta pancada, tantas entradas, tanta provocação, tanta picuinha. Não há rivalidade que justifique.

Tem gente que adora. Muita gente, aliás. “Isso é futebol”. “Os caras não têm sangue de barata”. “Vai lá assistir vôlei”. Esses são os (profundos) argumentos prediletos da turma.

Não é como eu vejo o jogo, não é o que me apaixona no jogo. Sou um crítico frequente deste “futebol machão” que vemos na América Latina, não tem por que poupar o maior clássico do mundo de críticas.

Todos sabemos perfeitamente que existe tensão dentro do campo de futebol, não precisam estar jogando Barcelona e Real Madrid para termos conhecimento disso. O problema é quando descamba. E ainda mais em um jogo assim, assistido no mundo inteiro, por zilhões de pessoas.

Que exemplo dá Messi para o mundo ao dar uma entrada maldosa em Sergio Ramos, como uma forma de vingança após um cotovelo deixado por Ramos no peito de Luis Suárez?

O juiz deu amarelo a Ramos (justo) e a Suárez (também justo, pela reclamação ostensiva, aquele show de sempre). O que mais queria Messi?

Vamos dar um pequeno desconto a Messi, porque em tantos anos de carreira nunca o vimos fazer esse tipo de coisa?

Até podemos. Mas imaginem se fosse Neymar a fazer o que Messi fez? Teria perdão? Messi é grande quando faz o golaço que fez no segundo tempo, é pequeno quando resolve fazer justiça com as próprias mãos (ou pés).

Aliás, em nosso país estamos vivendo a era dos justiceiros. Todo mundo quer e acha que pode fazer justiça com as próprias mãos. O pequeno microcosmo do futebol nos mostra o quanto isso é a barbárie.

Messi deu a senha. No minuto seguinte, Bale deixou a sola na panturrilha de Umtiti, de forma igualmente maldosa. No mínimo, amarelo. Outro minuto, e Sergi Roberto dá um soco em Marcelo (recebeu o vermelho). Não dá nem para chamar o fraco juiz de justiceiro seletivo, porque no segundo tempo Suárez fez falta clara em Varane no lance do gol de Messi. E depois, já com 2 a 2, o árbitro ainda deixou de dar pênalti claro de Alba sobre Marcelo.

O árbitro se perdeu e cometeu erro atrás de erro. Mas a confusão toda começa antes disso e é exclusivamente culpa dos jogadores. Gente que, hoje, perdeu a noção do que representa. De como são copiados no mundo inteiro.

Nos minutos finais ainda teve a briguinha pelo tal fair play. Suárez cai, Busquets não joga a bola para fora, depois o Real Madrid tampouco e vira bate boca. Após o apito final, claro, sorrisinhos de Ramos, Piqué e os outros jogadores da seleção espanhola. Do tipo “os bobocas aí devem ter se divertido com nossas briguinhas”. Foi um “El Clássico” deprimente.

Vamos lembrar que a vergonha já havia começado antes da partida. Na Espanha, existe uma tradição de muitas décadas. Depois de um time ser campeão, ele é homenageado em sua partida seguinte. O adversário da vez faz um corredor (o “pasillo”) para render homenagem aos jogadores campeões, que entram em campo sob aplausos.

Em dezembro, o primeiro jogo do Real Madrid após a conquista do Mundial de Clubes foi o clássico contra o Barcelona. Alegando que não havia disputado o mesmo torneio, o Barça resolveu não fazer o tal pasillo. Um argumento discutível, pois o Barça havia disputado a Champions, vencida pelo Real e que deu o direito ao time de Madri jogar o “Mundialito”. Picuinha pura.

O Real Madrid, que se orgulha de ser um clube “señor”, acima do bem e do mal, classudo, devolveu como? Não fazendo o pasillo neste domingo, apesar de o Barça ter sido campeão espanhol na rodada passada. Ou seja, uma atitude pequena, mesquinha. Picuinha pura.

Faltou classe a todo mundo. Menos ao pobre Iniesta, que se despediu dos clássicos em um jogo para ser esquecido.

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos, juntos, no mesmo dia.


Iniesta deixa o Barcelona como maior jogador da história da Espanha
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Julio Gomes

Andrés Iniesta é um mito. Um gênio da bola. Mas é mais do que isso.

E talvez esse “plus a mais”, como diria o outro, é que faça a despedida dele do Barcelona após 16 temporadas, anunciada nesta sexta-feira, tão revelante e emocionante.

Iniesta não é o melhor jogador de todos os tempos do Barcelona. Lá estiveram Messi, Cruyff, Romário, Xavi, só para citar alguns. Sem dúvida ele está no top 10 da história do clube, afinal, fez parte da era mais vitoriosa da história do Barça.

No domingo, com um empate em La Coruña, o Barça deverá garantir por antecipação mais um título da Liga espanhola. Será o nono de Iniesta. O nono em 14 anos, desde que começou a fazer mesmo parte do time. É um absurdo. Bote aí na conta também seis Copas do Rei, quatro Liga dos Campeões da Europa, três Mundias de Clubes, três Supercopas da Uefa, sete da Espanha. É um escândalo.

Mas o que faz de Iniesta o maior jogador espanhol de todos os tempos, como eu cravo no título deste post?

Oras, entre outras coisas, os feitos com a seleção espanhola, é óbvio. Duas Eurocopas e uma Copa do Mundo, com direito ao gol do título naquela prorrogação de Johanesburgo. Um gol de título de Copa do Mundo é coisa para poucos.

Mas vamos além disso. Afinal, a seleção espanhola campeã de tudo é formada por outros jogadores de igual importância. Xavi, Sérgio Ramos, Casillas, Piqué, etc.

Depois de fazer aquele gol em Johanesburgo, Andrés Iniesta sacou a camisa em êxtase e, por baixo da “roja”, mostrou uma camiseta em que homenageava Dani Jarque – morto um ano antes, aos 26, após um ataque do coração, Jarque era capitão do Espanyol, rival local do Barcelona.

Gente. Vamos ser sinceros. Ninguém mais lembrava de Dani Jarque. Não é que passaram o mês da Copa inteiro falando dele. Aquela foi uma homenagem inesperada. Maravilhosa. Humana. Sincera.

É o paralelo a Cafu se lembrando do Jardim Irene. Só os verdadeiros humildes conseguem voltar tantas casinhas no tempo justo no momento em que estão vivendo seu ápice.

Iniesta, o autor do gol do título espanhol, passou a ser aplaudido por todos os campos da Espanha. Sempre, em qualquer jogo do Barcelona. E isso é assim há quase oito anos. Só porque ele fez o gol? Só por causa da homenagem a Jarque?

Não, não só. Pela atitude em campo, por ter sido sempre um exemplo de cavalheirismo e fair play em campo, por nunca ter dado pernada nem cotovelada em ninguém, por jogar muita, mas muita, mas muita, mas muita bola – o jeito de jogar que o espanhol venera e ama. E, claro, por não ter sido um divisor em anos de divisão e tensão.

Iniesta sempre foi uma voz apaziguadora ou silenciosa no auge da rivalidade Barça-Madrid e também neste momento de independentismo catalão à flor da pele. Ele não é catalão. Ao contrário do que muitos pensam, Iniesta é de Castilla La Mancha, uma região bem “espanhola”, e foi cedo para as bases do Barça. Mas nunca insuflou e nem menosprezou o separatismo catalão – ao contrário de Xavi, Piqué ou Sergio Ramos, por exemplo.

Não vou debater quem jogou mais. Acredito que Xavi tenha sido um jogador mais completo taticamente, uma influência mais importante em campo para o Barcelona e para a Espanha. Mas Iniesta foi mais genial, mais decisivo. Eles estão ali, pau a pau.

Como disse hoje Julio Maldini, o melhor jornalista de futebol da Espanha, escolher entre Xavi e Iniesta é como escolher entre papai e mamãe. Ou seja, não dá para escolher. Mas, olhando de fora, eu percebo que a admiração por Iniesta é nacional e unânime. Xavi, pela questão extra-futebol, não é uma unanimidade.

Junte tudo isso ao gol na final da Copa, aos títulos, à classe, etc, e temos o maior jogador da história da Espanha. Eu gosto de usar “maior”, em vez de “melhor”, porque gosto de abranger mais do que as quatro linhas para elencar jogadores em seu lugar na eternidade da bola.

E olho. Porque o homem se aposentou do Barça, mas não do futebol. E algo me diz que essa Espanha, com a tabela que tem, o time que tem, a confiança adquirida por essa geração e com Iniesta em campo… vai dar o que falar na Copa da Rússia.

Hasta pronto, Andrés. Y muchas gracias.

 


Na era das superpotências, feito do Barcelona já não é tão histórico
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Julio Gomes

O Barcelona deu sequência à era mais vitoriosa de sua história e conquistou ontem, com a goleada sobre o Sevilla, a Copa do Rei número 30 para a galeria de troféus do clube.

A Copa do Rei, quase sempre conquistada em Madri, diante dos olhos da realeza, com direito a hino nacional espanhol vaiado, tem um gosto especial para os catalães.

No fim de semana que vem, em La Coruña, o Barça deve garantir matematicamente também o título espanhol número 25 – o Real Madrid tem 33 Ligas, mas 19 Copas do Rei.

A imagem dos 5 a 0 sobre o Sevilla, no sábado, e talvez seja a imagem do título de Liga também, foi a dos aplausos a Iniesta – que deve anunciar aposentadoria em breve.

Mas qual será a imagem da temporada do Barcelona? O Iniesta levantando taça? Ou o Iniesta estupefato vendo, do banco de reservas, o time ser eliminado da Champions League em Roma? Falarei mais disso mais adiante.

Confirmada a conquista da Liga domingo que vem, será o oitavo “doblete” do Barça na história, ou seja, a oitava temporada com títulos de Liga e Copa. O Athletic Bilbao conseguiu cinco vezes, sendo a última nos anos 50. O Real Madrid, quatro vezes, a última em 88/89. O Atlético de Madrid tem apenas um doblete.

Isso dá bem a medida do feito. Ele é raro. Ou era raro. Pelo menos para o Barça.

Sempre gosto de usar 2003 como o ano do recorte. O ano da chegada de Ronaldinho ao clube. Ali, começa a virada. Vêm a confiança, os títulos, vem Messi, vem Guardiola, etc.

Até 2003, haviam sido quatro dobletes do Barça na história, ou seja, mesmo número do Real. Desde então, se confirmado o título da Liga na semana que vem, este número dobrou. E com um detalhe: em 2009 e 2015, o Barça conseguiu o triplete, pois ganhou a Champions também – o Real, mesmo sendo o maior campeão europeu, nunca fez um triplete.

E é aí que está.

Hoje o doblete que vale é o Champions + Liga doméstica. E não mais Liga + Copa locais, como antigamente.

Enquanto a Champions League era ainda a Copa dos Campeões da Europa, alguns grandes clubes podiam passar anos sem disputá-la. Só entravam caso ganhassem a liga doméstica.

Na “era Champions”, todos os grandes estão sempre lá. Desde 1997, o Real Madrid esteve presente em todas as edições. Neste mesmo período, Barcelona e Bayern só ficaram de fora uma vez. Manchester United e Arsenal, apenas duas. O Chelsea só ficou de fora de uma Champions desde que foi comprado por Abramovich. Juventus e Porto ausentes? Raríssimas vezes.

Com este novo formato de futebol europeu, o livre mercado no continente, a globalização, os direitos bilionários de TV, surgiram as hiperpotências – não preciso listar quais são.

E na era das hiperpotências, amigos e amigas, não me venham “só” com doblete doméstico. O que importa mesmo é a Champions. É lá que estão os rivais do mesmo tamanho.

O doblete doméstico do Barça é raro, como já vimos. Será comemorado, sem sombra de dúvidas. Mas não há como apagar o derretimento inexplicável nas quartas de final da Champions, apanhando de 3 a 0 de uma Roma de qualidade duvidosa (após ter feito 4 a 1 na ida).

Talvez daqui uns anos alguns se esqueçam do doblete. Ou confundam com algum outro – já que o feito virou corriqueiro. Mas ninguém se esquecerá da tragédia catalã em Roma por um bom tempo.

Assim como Guardiola possivelmente será lembrado pelos fracassos com o Bayern de Munique na Champions, e não pelos recordes nos três títulos de Bundesliga.

É o ônus do futebol na era das potências.

Está ficando chato, dirão alguns. Em termos de competitividade, está mesmo. O futebol nacional nos países europeus está altamente previsível. A ponto de dobletes, como este que o Barça conquistará, não serem mais vistos como feitos históricos.

Com tão poucos rivais à altura, convenhamos… a notícia não é nem o Barça fazê-lo de forma recorrente. A notícia é o Real Madrid não conseguir ganhar Liga e Copa desde 1989.

Por falar em Real Madrid. Depois de começar a temporada com tanto favoritismo no Espanhol, perdeu o campeonato ainda no primeiro turno. Está 15 pontos atrás. Foi eliminado da Copa do Rei em casa pelo minúsculo Leganés. Mas, se ganhar a Champions, que seria a quarta em cinco anos… quem seria o grande vencedor da temporada?

Pois é. O tamanho do doblete do Barça vai depender mais do que Real Madrid do que outra coisa.

 


Seis Champions seguidas sem final. E agora, Guardiola?
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Julio Gomes

“Eles são o melhor time do mundo. Mas sabíamos que podíamos vencê-los”.

A frase foi de Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, depois de eliminar o Manchester City, de Pep Guardiola.

Mas poderia ter sido dita por Di Matteo, em 2012, depois de o Chelsea tirar o Barcelona na semifinal. Ou por Simeone, em 2016, depois de o Atlético de Madrid eliminar o Bayern. Ou por Mourinho, em 2010, quando a Inter tirou o Barça. Bem, talvez ouvir isso de Mourinho seria surpreendente demais…

O fato é que a história se repete. Guardiola é um gênio. Desde que apareceu no cenário europeu como técnico, 10 anos atrás, mudou o futebol. Isso não é passível de debate. Os times dele (primeiro o Barça, depois o Bayern, depois o City) foram sempre os que melhor jogaram. Um futebol ofensivo, atrativo, apaixonante. Mas, na principal competição de clubes do mundo… os fracassos se acumulam.

Com o Barcelona, Guardiola foi campeão de duas das três primeiras Champions que jogou (2009 e 2011). Desde então, jogou a competição outras seis vezes. E nunca mais chegou à decisão.

O contraste com o desempenho em campeonatos de pontos corridos é tremendo. O título do Manchester City na Premier League é apenas questão de tempo. Será o sétimo em nove temporadas de Guardiola (ganhou três de quatro com o Barça e os três que jogou com o Bayern).

Seus críticos dirão que é fácil ganhar campeonatos longos de pouca competitividade com timaços nas mãos.

Eu acredito que a crítica possa até ser válida para os anos de Bayern. De forma alguma para os anos de Barcelona, quando Guardiola assumiu o comando de um clube em transição e vindo de duas temporadas horríveis. Foi ele quem construiu o timaço que o Barcelona mostrou ao mundo entre 2008 e 2012 (o mais dominante e encantador que vi em vida). No City, a evolução foi tremenda da temporada passada para a atual. É verdade que foram gastos muitos milhões no mercado. Mas contratar bem e fazer os jogadores encaixarem também é uma arte.

Sou fã de Guardiola. Muito fã. Estamos diante de uma figura que faz história, que mudou o esporte.

Mas não é possível ignorar tantas eliminações nas fases agudas da Champions. E das mais diversas formas. Há algo errado aí na tomada de decisões de Pep. Há algo errado na maneira de encarar a adversidade, tendo poucos minutos para resolver pepinos.

Como quando deixou o Bayern tão exposto aos (óbvios) contra ataques do Real Madrid, em 2014. Como na pane nos minutos finais do jogo do Camp Nou, em 2015. Ou como neste duelo contra o Liverpool, inventando escalações e mudanças táticas que nada tiveram que ver com o que time fez ao longo da temporada.

É verdade, também, que não foi ele que perdeu o pênalti contra o Atlético, em 2016. Foi Muller. Nem contra o Chelsea, em 2012. Foi Messi. Tampouco foi ele quem anulou um gol legal do City, ontem, que deixaria o jogo com um 2 a 0 no intervalo.

Nem tudo é culpa de Guardiola. Mas nem tudo o que Guardiola faz é perfeito.

Devemos nos habituar a imperfeições. Não precisamos nos render. Mas a vida é cheia delas.

 


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…

 


Messi faz Chelsea pagar por tantos erros
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Julio Gomes

O Chelsea fez uma boa eliminatória contra o Barcelona. Muito melhor do que o que tem feito no resto da temporada. Foi superior em Londres e teve chances (e coragem) no Camp Nou. Mas do outro lado está um rapaz chamado Lionel. E, quando Messi está em campo, é melhor não cometer erros.

Messi quebrou com louvor o tabu de nunca ter marcado contra o Chelsea – eram quatro duelos de mata-mata em Champions entre os clubes, com duas vitórias para cada, sempre com o argentino passando em branco. Mas ele fez um na ida, dois na volta e o Chelsea é passado.

O gol da ida foi o mais importante da eliminatória. Em um jogo em que o Chelsea havia sido superior, vencia e dava pinta de que ampliaria, um jogo em que Kanté anulou Messi. Mas aí Christensen deu um passe errado, Azpilicueta deu um bote errado, e Iniesta deu o gol a Messi.

Aquele 1 a 1, até injusto pelo que os times haviam feito em campo, definiu a eliminatória. Lembrando que naquele jogo Willian acertou duas bolas na trave. Como diz a música, bola na trave não altera o placar.

No Camp Nou, o Barcelona começou acelerado, fez 2 a 0 20 em minutos, com um gol e uma assistência de Messi a Dembélé, e praticamente matou a eliminatória. Duas bolas que Courtois costuma defender – o goleiro belga não teve sua noite mais feliz.

Verdade que depois o Chelsea jogou bem, ocupou a área adversária, acertou a trave de novo em falta batida por Marcos Alonso e vai reclamar de pênalti no próprio, no começo do segundo tempo. Dois lances que, sem dúvida, teriam botado fogo na eliminatória – não achei o toque de Piqué no braço suficiente para derrubar Marcos Alonso, mas ao mesmo tempo não entendo por que o jogador se deixaria cair daquele jeito.

Estava claro que o Barcelona teria algum contra ataque, porque o Chelsea estava no campo ofensivo e deixava espaços. Em um deles, Suárez achou Messi chegando em velocidade. Antes mesmo de a bola chegar aos pés de Messi, estava claro que ele colocaria na frente e faria o gol. Foi exatamente o que aconteceu.

Messi foi muita areia para o caminhãozinho do Chelsea, um time que fez uma eliminatória digna, mas cometeu erros que não pode ser cometidos em jogos assim.

O Barcelona chega às quartas de final pela 11a temporada seguida. É muita coisa. É muito Messi.


Na “final” espanhola, faltou coragem e sobrou Messi
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Julio Gomes

Diego Simeone mudou a história do Atlético de Madrid, e isso é inegável. Mas lá se vão 13 partidas contra o Barcelona na Liga espanhola e são zero vitórias do treinador argentino (nove do Barça, quatro empates).

Faltou coragem ao Atlético no Camp Nou. Faltou também ao Barcelona, mas o time já vencia quando recuou. E o resultado final do jogo acabou sendo definido por Messi. Um golaço de falta, mais uma genialidade do argentino, que chega a 600 gols como profissional.

Se nos anos iniciais de Simeone o Atlético era um time de futebol reativo, isso foi se transformando ao longo dos anos. O Atlético passou a ser um time de boa defesa, sim, mas também de muita qualidade com a bola. Só que parece que nos grandes clássicos, nos grandes jogos, o time dá um passo atrás. Falta aquele centímetro de coragem, já que concentração e dedicação sempre sobram.

Foi assim nas duas finais de Champions contra o Real Madrid. E é assim quase sempre nos jogos grandes contra o Barcelona pelo Espanhol.

Agora, o Barça volta a ter oito pontos de vantagem na tabela, o que praticamente determina o campeão.

O Barça foi muito melhor no primeiro tempo, contra um Atlético que só pensava em marcar e abdicou de jogar. Não foram tantas chances criadas, mas o domínio era claro. E, numa falta besta feita por Thomas em Messi, o gênio não perdoou.

Com a saída de Iniesta por lesão muscular, Ernesto Valverde (que venceu Simeone pela primeira vez) também mostrou pouca coragem. Colocou em campo André Gomes, pensando em fechar o meio de campo. É um jogador de nível muito abaixo do restante. A entrada de Paulinho teria sido mais natural.

No segundo tempo, o Atlético fez um jogo mais sólido, com outra atitude. Diante de um Barcelona recuado e desinteressado, o time de Madri foi ganhando metros. E, aí sim, apareceu a coragem de Simeone, colocando dois atacantes e partindo para cima.

A impressão é que o Atlético chegaria ao empate. Até fez o gol, mas o bandeirinha encontrou impedimento milimétrico de Diego Costa no lance. Se tivesse jogado com a mesma atitude desde o início, fatalmente o resultado teria sido diferente. Por que não agredir desde o primeiro minuto?

Ao Atlético, agora, resta centrar forças na Europa League, onde é o principal favorito ao título. O Barcelona possivelmente terá de enfrentar o Chelsea, pela Champions, sem Iniesta. A Liga espanhola já está na regressiva.


No Espanhol, Barcelona é a maior pedra no sapato de Simeone
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Julio Gomes

Na Champions, um leão. Na Liga espanhola, um gatinho. Este tem sido o Atlético de Madrid quando enfrenta o Barcelona, nos seis anos e pouquinho desde a chegada de Diego Simeone ao clube.

Neste domingo, os clubes duelam no Camp Nou. Com a vantagem do Barça atualmente em cinco pontos, o jogo é tratado como uma “final”. Se o Atlético for campeão, terá sido a maior “remontada” da história da Liga espanhola. E ser campeão passa por vencer fora domingo, coisa que os colchoneros não fazem desde 2006.

Se na “era Simeone”, que começou em dezembro de 2011, o Atlético fez o Real Madrid virar freguês em jogos pelo Campeonato Espanhol, o mesmo não se pode dizer dos duelos contra o Barça. Foram 12 jogos desde a chegada do treinador argentino, com 8 vitórias do Barcelona e 4 empates.

Se colocarmos todas as competições na balança, foram 12 vitórias do Barça, 6 empates e 2 vitórias do Atlético – ambas em jogos de Liga dos Campeões, em 2014 e 2016, anos em que Simeone eliminou o Barça e só caiu na final europeia, justamente diante do Real.

Entre estes empates, houve um no Camp Nou, em 2014, que significou o título espanhol para o Atlético. Uma boa lembrança, sem dúvida. Mas outro empate no domingo deixaria a diferença em cinco pontos, ou seja, manteria o Barça com o controle do campeonato.

Por isso e por outras razões, é possível imaginar que o Atlético irá agredir o Barcelona, o que pode resultar em um grandíssimo jogo de futebol.

Depois da decepcionante eliminação na fase de grupos da Champions, Simeone recebeu Diego Costa em janeiro. Na Liga, desde então, foram oito vitórias e um empate em nove jogos, com 20 gols marcados e 3 sofridos. A presença de Diego Costa fez com que Griezmann jogasse mais solto – o francês fez sete gols nos últimos dois jogos.

Diego Costa e Griezmann dão ao Atlético uma mistura ofensiva muito curiosa. Lembra os primeiros anos de Simeone, com um time mais duro, mais pesado, mais catimbeiro – Diego Costa personalizava tudo isso em campo. Mas lembra também o Atleti recente, dos últimos anos, um time mais leve, capaz de propor jogo e envolver adversários, com um atacante, Griezmann, de características muito distintas.

Tudo isso, como sempre, com um sólido sistema defensivo por trás e muita concentração.

Uma concentração para lá de fundamental, pois o Barcelona terá espaços, e Messi e Suárez estão voando. Aliás, Messi já fez 27 gols no Atlético, uma de suas vítimas prediletas, e está a um de chegar a 600 gols como profissional.

Apesar de ainda invicto no campeonato, o Barcelona tropeçou três vezes em fevereiro – empates contra Espanyol, Getafe e Las Palmas – e fez um jogo ruim contra o Chelsea, pela Champions (deu sorte de sair com o empate de Londres). É o pior momento do time na temporada, mas talvez falte justamente um jogo como esse para o caminho ser retomado.