Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Barcelona

Messi precisa de uma bola para afundar plano (quase) perfeito do Chelsea
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Julio Gomes

Não foram poucas as retrancas que o Barcelona enfrentou em sua fase dourada, nos últimos 13 anos. Nenhum time conseguiu “anestesiar” tanto o jogo catalão como o Chelsea.

A história foi a mesma nesta terça. A mesma de 2005, 2009, 2012. O Chelsea, com uma quarta leva diferente de jogadores, conseguiu fazer o Barça ficar o tempo inteiro longe de seu gol. Menos, claro, quando Christensen atravessou um péssimo passe em frente a sua área e deu de presente a bola para Iniesta, que deu de bandeja o gol a Messi.

E Messi, que nunca havia feito gol em Buffon na Champions (e fez na primeira fase), agora quebra outro tabu incômodo. Não havia marcado contra o Chelsea nas oito partidas anteriores, com direito a pênalti perdido em semifinal. De hoje, não passou. Uma bola limpa. Era tudo o que ele precisava.

Messi foi quem mais tentou, mas sempre que pegava a bola tinha a ótima marcação de dois, três, às vezes até quatro adversários. Kanté, incansável, não saía de perto um segundo sequer. Faltou ao Barcelona movimentação, que outros jogadores abrissem linhas de passe a Messi.

Foi um time estático, com Rakitic muito recuado, Paulinho enfiado, Iniesta sumido. Courtois fez só uma boa defesa, em um chute cruzado de Suárez. Um jogo ruim, talvez o pior do Barça na temporada inteira – em que ele perdeu apenas uma vez.

E, mesmo assim, mesmo com o Chelsea fazendo o jogo acontecer exatamente da forma como Conte queria, o resultado final foi de 1 a 1. O que deixa o Barcelona muito mais perto das quartas de final do que o time azul londrino.

Além de Kanté, destaque para Willian. Na proposta de jogo de Conte, sem centroavante e com três jogadores agudos à frente, Willian conseguiu ser mais perigoso até que Hazard, que é quem tinha mais liberdade. Chutou duas bolas na trave e fez um gol, foi o principal jogador da partida.

O plano tático de Conte funcionou à perfeição. Mas o futebol é coisa de seres humanos. E seres humanos erram. Não basta estar concentrado 99,999% do tempo, porque Messi só precisa de 0,001 para estragar teus planos.

 

 


Iniesta volta ao campo em que mudou de patamar
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Julio Gomes

Nunca me esquecerei de uma conversa com Tostão, na pequenina cidade suíça de Weggis, durante aqueles famosos treinamentos da seleção brasileira antes da Copa de 2006. Eu já morava na Espanha e tinha acompanhado muito de perto aquele renascimento do Barcelona, que conquistava a Europa pela primeira vez em 14 anos. Falávamos de Ronaldinho, de Deco, de Eto’o, de Xavi. Quando Tostão comentou. “Quem é um craque é o Iniesta”.

Eu tomei um susto. Iniesta não era um titular daquele Barça. Ele começava os jogos menores do Espanhol, quando Rijkaard preferia um time mais leve e ofensivo em campo. Na Champions, era banco. Jogavam Edmilson, Van Bommel, Rafa Márquez… caras mais pesados, literalmente. Iniesta não me chamava tanta atenção ainda em 2006. Mas, se Tostão falou, estava falado.

Aquela conversa me veio à cabeça imediatamente quando ocorreram os dois grandes momentos da carreira de Iniesta – e, por sorte, eu estava no campo nas duas vezes. Uma, claro, todos se lembrarão, foi a final da Copa de 2010 e aquele gol na prorrogação contra a Holanda. O gol do título mundial da Espanha – desde então, ele é aplaudido em todos os estádio espanhóis.

Mas, um ano antes, no dia 6 de maio de 2009, Andrés Iniesta pulou para outro patamar em sua carreira.

O estádio era Stamford Bridge, em Londres, o mesmo estádio que receberá amanhã o jogo de ida entre Chelsea e Barcelona, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. E Iniesta fez isso aqui.

Para muitos, aquele foi o jogo dos cinco pênaltis não marcados para o Chelsea. Era a semifinal da Champions, o jogo de ida, no Camp Nou, havia acabado no 0 a 0. Entre um jogo e outro, o Barcelona, que vivia o primeiro ano de Guardiola no comando técnico, enfiou 6 a 2 no Real Madrid, em pleno Bernabéu – o famoso jogo em que Guardiola inventou Messi como falso 9.

Quatro dias depois dos 6 a 2, vinha o duelo de Stamford Bridge. Um duelo em que o Chelsea foi muito superior e que teve, sim, vários pênaltis não marcados.

Meu testemunho, de quem estava no campo, é que nenhum dos lances, na hora, pareceram tão claros assim. Mas, depois, vendo no vídeo, dava para entender a revolta dos jogadores do Chelsea. O jogo poderia estar resolvido antes. Mas não estava. E veio o golaço de Iniesta no primeiro chute a gol do Barça. E que chute.

Eu estava atrás do gol, ali de colete laranja de imprensa. Estava no meio da torcida do Barcelona, Stamford Bridge é um estádio apertado para trabalhar. Lembro do barulho da bola estufando a rede. O mundo parou naquele momento.

O Barcelona chegaria à final, venceria o United e aquele time, no primeiro ano de Guardiola, ganharia tudo o que havia para ser disputado. Sem Champions, não haveria Mundial, Supercopa, etc. Aquele gol de Iniesta foi o gol que elevou o jogador à categoria de ídolo enorme do clube e foi o gol mais importante do Barcelona naquela temporada, a temporada do “sextete”.

Iniesta já não é mais menino. Tem 33 anos.

Mas já fez nesta temporada mais jogos como titular do que na temporada passada inteira. Está melhor fisicamente, fugindo de lesões, pronto para os jogos principais do Barcelona.

O duelo contra o Chelsea nunca foi moleza para o Barça. Desde que o Chelsea foi comprado por Abramovich, os clubes se encontraram 10 vezes, com 3 vitórias do Chelsea, 5 empates e 2 do Barça – a última delas em 2006.

O Chelsea de Mourinho eliminou o Barcelona nas oitavas em 2005, mas o troco foi dado na mesma fase no ano seguinte – ali nascia a grande rivalidade Mou-Barça. Em 2009, com o gol de Iniesta, o Barcelona passou à final, mas em 2012 o Chelsea daria o troco também na semi – na última temporada de Guardiola no clube catalão. Em eliminatórias, portanto, está 2 a 2.

Quando saiu o sorteio, no fim do ano, este duelo parecia mais equilibrado.

Agora, o favoritismo do Barcelona é claro. O Chelsea vive grande instabilidade, com apenas duas vitórias em seis jogos pela Premier League em 2018. Já o Barcelona, após a perda de Neymar e o atropelamento sofrido na Supercopa espanhola, se levantou rapidamente e faz uma temporada impecável. Perdeu apenas um jogo (em 38) – para o Espanyol, na Copa do Rey, mas mesmo assim está na final do torneio.

Messi e Suárez estão voando, o time está firme em todas as linhas e, claro, tem um certo Iniesta.

 

 


Panelinha de brasileiros em clube europeu é uma faca de dois gumes
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Julio Gomes

Eu trabalhava como correspondente na Europa, bem perto de Real Madrid e Barcelona, acompanhando os dois gigantes quase diariamente. Coincidentemente (ou não), ambos eram recheados de brasileiros.

No Real Madrid, no meio do entra-e-sai, estavam Luxemburgo (e comissão técnica), Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio Baptista, Emerson, Robinho, Marcelo. No Barcelona, estavam Ronaldinho, Deco, Edmilson, Belletti, Sylvinho, Thiago Motta.

Tínhamos ali dois exemplos opostos de como ter muitos brasileiros no elenco de um gigante europeu pode dar muito certo ou muito errado.

No Real Madrid, formou-se a panelinha. Só que havia outras panelinhas dentro do clube, essencialmente um núcleo duro de jogadores espanhóis e profissionais do clube (médicos, diretores, etc). O conflito estava desenhado antes mesmo de Luxemburgo colocar os pés na capital.

No Barcelona, não parecia haver uma separação do tipo “brasileiros aqui, catalães para lá”. Eles se mesclaram, se fundiram. Não dava para chamar de panelinha.

Talvez os momentos e personagens explicassem ter dado errado no Real, certo no Barça. O Real vinha de títulos grandes, os jogadores já eram consagrados e parte da história do clube. Então que palhaçada era aquela de chegarem esses brasileiros querendo fazer e acontecer por aqui? Roberto Carlos era o elo entre o passado e o então presente, mas talvez não tenha sido capaz de fazer dar liga entre os grupos.

Foi a era dos Galácticos. Os fracassos não vieram só por causa dos brasileiros, claro que não. Mas o fato de não ter havido química certamente não ajudou.

Quando alguns deles saíram e poucos ficaram, obrigados a “entrar na linha”, o clube foi bicampeão espanhol (2007 e 2008).

Já o Barcelona era um clube em depressão em 2003, em um momento esportivo terrível, e tudo mudou com a chegada de Ronaldinho. Outros brasileiros já haviam feito sucesso no clube, havia e há uma química interessante entre Catalunha e Brasil. Existia boa vontade, uma boa vontade que não havia em Madri. Puxado por Ronaldinho, Barcelona começou a sorrir e a ganhar, então o próprio grupo de jogadores do clube via a turma brasilina com ótimos olhos.

Uma panelinha de brasileiros em clube grande europeu só dá certo se houver química e condescendência por parte dos outros jogadores e do técnico da vez. Até porque a maioria dos brasileiros (estou generalizando, falando de “maioria”, não de totalidade) não faz tanta questão de se misturar e de se adaptar. Gostam de levar o Brasil para a Europa, na forma de “parças”, comida, CDs de música.

Aí, chegamos ao Paris Saint-Germain da atualidade (ler essa notícia do UOL Esporte).

Não parecia haver tanto problema quando estavam lá veteranos como Thiago Motta, Maxwell (que parou), Thiago Silva, um jovem Marquinhos, outro jovem, Lucas.

Mas, quando chegam Neymar e vem um cara como Daniel Alves, um veterano e que foi a Paris apenas e tão somente para acompanhar Neymar e “ganharem tudo juntos”, o cenário muda. Ainda mais porque, com as contratações de Neymar e Mbappé, o resto do elenco todo passou a estar automaticamente à venda. E ninguém fica feliz ao ser oferecido por aí, jogado ao mercado.

Não havia muitas dúvidas de que a turma de brasileiros não estaria no topo da lista de “vendáveis”, exatamente para não incomodar o grupo. E, quando isso aconteceu com Lucas, os outros não gostaram muito.

Para piorar a situação, o resto do elenco tem uma quantidade considerável grande de argentinos e uruguaios, que formam outro tipo de panelinha. E um técnico que não tem o estilo “paizão”.

Foi interessante quando Muricy Ramalho disse, recentemente, em meio à polêmica Neymar-Casagrande, que o fato de o treinador espanhol Unai Emery não ser muito “amigão” dos jogadores estar atrapalhando as coisas.

De fato, Emery e a grande maioria dos treinadores europeus não precisam ser “paizões”. Luiz Felipe Scolari não deu certo no Chelsea, entre outras coisas, porque o estilo “paizão” era visto por outros jogadores com desdém. O jogador de futebol europeu, com bases educacionais e familiares mais sólidas (por serem provenientes de países mais desenvolvidos), não fazem muita questão desse tipo de relacionamento.

Mas os brasileiros, sim. O fato de a relação Emery-brasileiros ter ido para o vinagre fala mais (mal) sobre os brasileiros do que o técnico, no meu ponto de vista. Agora, sabedor do que viria pela frente e do que cairia em seu colo, o técnico também deveria ter tido mais jogo de cintura. Viver em enfrentamento com uma panelinha de jogadores brasileiros bons e caros era e é uma burrice. O lado fraco da corda é ele, o treinador. E, ao barrar Thiago Silva do jogo de quarta, ele declarou guerra.

Jogadores brasileiros são bons. Em regra, acima da média. Não à toa são maioria da Liga dos Campeões.

Mas juntá-los é uma faca de dois gumes. Pode dar muito certo, como já deu em vários lugares. Pode dar muito errado, como parece que vai dando no PSG.

Talvez o ideal seja ter alguns brasileiros, mas com parcimônia. Um ou dois “craques” ou titulares, mais um ou dois jogadores de grupo, para fazer companhia. Um modelo que já deu muito certo em muitos lugares.

Emery parece condenado no PSG. Qual a solução? Certamente não é desfazer a panelinha de brasileiros, agora que já está formada. Muito mais fácil mandar o cara embora, até porque ele não é unanimidade em Paris.

Um Carlo Ancelotti, que está dando sopa no mercado, um Tite. Enfim, alguém que seja capaz de falar a linguagem dos brasileiros, sempre sedentos por um carinho, uma palavra amiga.

 


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
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Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Real Madrid? Quando se trata de Neymar, sempre que teve fumaça, teve fogo
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Julio Gomes

Muitos gols, dribles, títulos, polêmicas, conflitos, selfies e… especulações. É inegável que a carreira de Neymar tem sido marcada por tudo isso até agora. Não é possível ficar à margem. Alguns amam tudo, do jogo ao estilo. Alguns odeiam tudo, do jogo ao estilo. Alguns amam Neymar em campo, odeiam fora. Tem de tudo.

E se os gols, dribles, títulos, polêmicas e conflitos acontecem em mais ou menos quantidade em função do momento da temporada, tem uma coisa que não muda. As especulações sobre o futuro de Neymar rondam sua carreira inteira, desde o início. E, quando houve fumaça, houve fogo.

Agora, a fumaça é Neymar no Real Madrid.

Isso mesmo. O cara mal chegou ao PSG, na maior transação de todos os tempos, e esquenta cada vez mais o papo de Neymar no Real Madrid.

Quando ele estava no Santos, havia fumaceira o tempo todo. Mas nunca houve tanta fumaça quanto em 2011. E ano e meio depois confirmou-se a ida dele para o Barcelona, em um acordo fechado com o pai em… 2011.

Já no Barcelona o fumacê foi constante desde o início, mas se intensificou no meio de 2016. Só não foi ao PSG naquele momento porque, na hora H, o jogador não quis. A fumaça foi aumentando até que, no meio do ano passado, veio o incêndio.

E agora, em meio a algumas vaias de torcida, algumas especulações sobre insatisfação em Paris, alguma desavença de vestiário, etc, etc, aparece a fumaça branca. Fumata madridista.

Vamos lembrar que o namoro Neymar-Real Madrid é antigaço. Eu entrevistei o garotinho Neymar nas arquibancadas do Bernabéu ainda em 2006 (vídeo está aqui). Seu empresário e muita gente do staff sempre preferiram o Real ao Barça – foi o jogador que quis vestir a mesma camisa de Messi.

Após a goleada de sábado sobre o Montpellier, pela Ligue 1, Neymar finalmente se pronunciou – após dois meses em silêncio. O vídeo está aqui. Tire suas conclusões.

“Especulação sempre vai existir. No Santos sempre existiu. No Barcelona, toda janela de transferência tinha algo com o meu nome. É impossível ficar fora disso, né?”, disse Neymar.

O amigo João Castelo Branco insistiu, pedindo uma palavra para pôr fim na possibilidade de sair para o Real. “Já falei, especulação sempre existe, não vou estar repetindo toda hora”.

Eu não acho que seja “impossível ficar fora disso”. Basta se pronunciar mais claramente. Ou então que seu staff pare de vazar a outros clubes a possibilidade de saída. Ainda no Barcelona, Neymar foi literalmente oferecido a PSG, City e United, os únicos três que teriam bala para pagar a multa. Se o cara é oferecido, aí realmente fica “impossível ficar fora disso”.

Se teve uma coisa que Neymar NÃO fez no sábado foi ajudar a dissipar a especulação. A minha leitura é que deixou a porta escancarada para sair.

Eu não vejo o PSG liberando Neymar facilmente. E não vejo Neymar ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid.

Há algumas estrelas que precisam ficar alinhadas para que essa transferência ocorra. Uma saída de CR7 do Real e, talvez, um título de Champions para o PSG (o site Goal.com noticiou que o presidente do PSG teria feito essa promessa ao jogador, basta clicar).

Não acredito que Neymar vá para o Real Madrid sem que essas duas coisas ocorram. E tampouco acredito que Cristiano Ronaldo toparia ser negociado com o PSG se for um modelo CR7 mais dinheiro por Neymar. Aí o orgulho falará mais alto.

Vamos ver.

Em questão de semanas, a fumacinha virou fumaçona. E, quando se trata de Neymar, fumaça é fogo. Se não for agora no fim desta temporada, será na próxima, no meio de 2019. Mas que tem toda a pinta de que Neymar se vestirá de branco, isso tem.


Neymar precisa ser mais como Ronaldinho em campo e menos fora
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Julio Gomes

Este post é sobre os dois brasileiros da semana. Dois dos nossos maiores jogadores, que dominaram o noticiário por motivos diferentes. Mas, antes de chegar em Neymar e Ronaldinho, vou contar uma historinha. Vocês vão entender.

Março de 97. Eu tinha 17 anos, estava no primeiro ano de faculdade e meu time era um timaço. A Lusa era vigente vice-campeã brasileira, candidata a tudo. Em uma tarde qualquer, enfrentou o Kaburé, de Tocantins, pela Copa do Brasil. Pouca gente foi ao Canindé, horário comercial, dia de semana, já sabem. Eu estava lá. A Portuguesa ganhava por 7 a 0 quando, nos minutos finais, o juiz marcou um pênalti.

Os torcedores presentes começaram a gritar o nome de Capitão. Para quem não sabe ou não lembra, Capitão, um volante de alguma classe e muito esforço, jogou por quase 10 anos no clube. Com mais de 500 jogos, foi quem mais vezes vestiu a camisa da Portuguesa (a história dele está bem contada aqui). Mas fez pouquíssimos gols. Portanto, com 7 a 0 no placar e pênalti, era a hora e a vez de Capitão.

Mas apareceu um estraga-prazeres. O goleiro Clemer. Que era ídolo e tal, mas nada nem perto de Capitão. Com cara amarrada, ele pegou a bola das mãos de Capitão, cobrou sob vaias, não comemorou e voltou para o gol. Foi xingado até o fim do jogo. Já deviam ter combinado algo assim, de que se o jogo estivesse resolvido Clemer iria bater o pênalti. Só não contavam com uma torcida espirituosa e grata.

Eu não sei se a torcida do Paris Saint-Germain tem a mesma espirituosidade. E nem se é tão grata assim a Cavani.

Vamos lembrar. O PSG vencia o Dijon por 7 a 0 na Ligue 1, quarta-feira. Neymar só não fez chover no jogo. Já havia marcado três gols, um que foi uma pintura, lembrando os tempos de Brasil, driblando todo mundo. Sai um pênalti para o PSG. Se convertesse, Cavani se tornaria o maior artilheiro da história do clube. A torcida grita o nome do uruguaio. Neymar pega a bola, bate e faz o quarto dele, o 8 a 0. É vaiado. Fica bravo. Não vai celebrar o resultado com a torcida, como os outros jogadores.

Eu não sei se Neymar sabia do recorde de Cavani ou percebeu o ruído da arquibancada. Talvez até não. Não acho que ele seja o pior ser humano do mundo por ter batido o pênalti.

Mas me parece claro que falta a Neymar uma conexão com a arquibancada. E falta o sorriso no rosto que tinha Ronaldinho – chegamos a este monstro sagrado, a quem não posso deixar de prestar homenagem na semana em que se aposentou de vez (na prática, se aposentou faz tempo).

As homenagens a Ronaldinho no mundo inteiro deveriam servir de exemplo para muitos jogadores marrentos por aí. Ronaldinho foi, em 2004 e 2005, disparado o maior do mundo. Mas não só isso. Ele foi pura mágica em campo. Aquele sorriso aberto em todos os momentos, na vitória ou na derrota, no golaço ou na pancada, contagiou milhões de pessoas. E contagiou porque era genuíno, todos conseguiam ver isso. Era impossível não gostar de Ronaldinho. Impossível.

Ronaldinho foi muito mais do que um grande jogador. Ronaldinho é desses caras que fazem o brasileiro ser bem recebido em qualquer lugar do mundo. Que fazem com que a gente tenha o melhor cartão de visitas global, em qualquer país, em qualquer circunstância. Ele é o símbolo da alegria do nosso povo (ou suposta alegria, não precisamos dividir nossos podres).

De quantas roubadas eu já não saí mundo afora fazendo o hang-loose e dizendo “Roooooonalldinho”!

Mas, fora de campo, ele teve uma carreira muito curta e prejudicada. Eu nunca convivi com a família Assis. Mas era nítido que Ronaldinho bancava muita gente para morar com ele (primos, parças, festas…). E Assis, o irmão mais velho, uma espécie de pai substituto após a tragédia familiar, era quem tocava os negócios.

Ex-jogador, que não passou nem perto de ser o que foi o irmão, parecia querer fazer valer o talento em forma de grandes contratos. Sempre muito duro com os clubes, sempre forçando renovações, querendo mais, mais e mais. O auge foi o patético leilão instigado entre Flamengo, Palmeiras e Grêmio em 2011. Mas tiveram também as próprias saídas de Grêmio, PSG e Barça.

Se há algum arranhão na imagem de Ronaldinho é este. Festeiro demais, com a carreira influenciada por um irmão que pensa em dinheiro demais.

Fora do campo, o paralelo com Neymar é nítido. Carreira levada pelo pai, ex-jogador, que parece querer ganhar com o filho todo o dinheiro possível para esta e mais umas 30 vidas. Banca um mundo de amigos, que leva para lá e para cá. Muitas distrações. E o tempo todo no noticiário as especulações sobre novos contratos, possíveis saídas, etc. Coisas que não são inventadas pela imprensa. Essas informações chegam, são vazadas, até como forma de pressionar os clubes e agentes envolvidos.

Seria ótimo se a carreira de Neymar, já marcada pela negociação picareta que o tirou do Santos e por outra saída traumática (do Barcelona), passasse a ser menos atrelada a tantas especulações envolvendo contratos, transferências, impostos. Dinheiro, em resumo.

As pessoas detestam gente gananciosa. E Ronaldinho só superou essa imagem porque, em campo, o cara era a simpatia ambulante.

Uma simpatia que Neymar não tem. Seus sorrisos no terreno de jogo são invariavelmente irônicos ou pedantes. A atitude diante dos adversários é de humilhação.

Existe uma certa sabedoria popular que vem das arquibancadas. Uma sabedoria que muitas vezes escapa do radar dos jogadores, do staff deles e mesmo de jornalistas. Um senso comum ali, um feeling.

A sabedoria que fez torcedores do Real Madrid aplaudirem Ronaldinho Gaúcho no Bernabéu. A sabedoria que fez o Brasil inteiro (menos os cruzeirenses) ficar feliz quando o cara levantou uma Libertadores, já no fim da carreira. A sabedoria de quem percebe que há algo especial naquele dentuço de Porto Alegre. A sabedoria de quem, como eu já disse, sabe que aquela felicidade em campo é genuína. E que o jogo tem que ser aquilo, nada mais, nada menos. O jogo tem de trazer alegria a quem joga e a quem vê, não sofrimento ou irritação.

É óbvio que alguns torcedores do PSG devem estar ficando de saco cheio das notícias de uma possível insatisfação de Neymar no clube, de uma possível saída para o Real Madrid, de uma possível briga por holofotes no vestiário. Começam a ficar bodeados do craque. Começam a ver quatro gols com desdém, não com entusiasmo e paixão.

Clemer, 20 anos atrás, não teve a perspicácia de entender que aquele era o momento de deixar Capitão bater o pênalti. A perspicácia que Neymar não mostra nunca, porque parece acreditar que o mundo gira mesmo em torno dele. Como devem ter falado e ainda falam em seus ouvidos.

O garoto é uma pilha de nervos ambulante. Vive agindo com uma chata e pequena mentalidade de “o mundo está contra mim”.

Imaginem Ronaldinho neste 7 a 0? Iria pegar a bola, sair rindo com seus dentões e oferecer até para o gandula bater o pênalti.

Neymar precisa ser mais como Ronaldinho em campo. Mais genuíno, mais alegre. Resgatar a felicidade leve que ele deve ter sentido um dia, quando jogava bola na praia de Santos.

Menos cala-bocas. Mais abraços grátis. Na história, você já está. Agora trate de entrar nos corações também. Relaxa, Neymar!

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Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
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Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017
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Julio Gomes

Quando o Paris Saint-Germain depositou os 222 milhões de euros por Neymar, pagando ao Barcelona a multa rescisória, muitos viram aquele movimento como uma aberração do mercado. Uma distorção que só poderia ocorrer porque o PSG é um clube que na prática, pertence a um país – o Catar.

Mas é importante notar que o último mercado do verão europeu teve muitas outras transferências que implodiram recordes e mostraram que o que existe mesmo é uma tendência. O próprio Barcelona usou o dinheiro para pagar 105 milhões por Dembélé, do Borussia Dortmund, de apenas 20 anos, e 40 a um clube da China para trazer Paulinho.

Tiveram os 85 milhões pagos pelo Manchester United por Lukaku. E tantos outros negócios com volumes enormes de dinheiro. Morata do Real para o Chelsea, o Manchester City gastando centenas de milhões para trazer goleiro e laterais, a injeção de dinheiro no Milan, etc. O próprio PSG já se comprometeu a pagar outros 180 milhões de euros no meio do ano que vem ao Monaco para ter Mbappé, que por enquanto chegou por empréstimo.

De acidente, não tem nada.

A explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017. Com todo respeito ao bi europeu do Real Madrid, ao Chelsea de Conte, ao Grêmio de Renato Gaúcho, ao Corinthians de Carille e até à eliminação da gigante Itália da próxima Copa do Mundo.

Nada, no planeta bola, foi mais relevante do que a onda de transferências gigantescas.

A economia reaquece em alguns lugares da Europa, os clubes ganham mais e mais dinheiro globalmente, não apenas localmente, e existe uma corrida insana sendo disputada. O tal Fair Play financeiro foi o grande derrotado do ano e não parece passar de mais do que conversinha para boi dormir.

É uma corrida que vai ampliando o abismo dentro da própria Europa entre alguns gigantes nacionais e outros clubes menores. O que dizer então do abismo entre os gigantes da Europa e os clubes da América do Sul? Esse extremo fortalecimento e as quantias exorbitantes deixam a Champions League cada vez mais espetacular. Mas geram degradação esportiva das ligas domésticas europeias.

Precisamos ver no que vai dar.

Mas o movimento de final de ano já nos mostra que a tendência é irreversível. Nesta semana mesmo, o Liverpool anunciou a contratação do zagueiro mais caro da história. Não, não é o Baresi nem o Gamarra nem o Maldini nem o Sergio Ramos. O Liverpool pagou 75 milhões de libras (330 milhões de reais) pelo holandês Virgil Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

Estaria o Liverpool já contanto com um dinheiro que receberá por Philippe Coutinho? Tudo bem que a defesa do Liverpool é uma peneira e tanto. Mas 75 milhões de libras?? Uau.

É possível que o Barça finalmente consiga contratar Coutinho em janeiro ou no meio do ano e é plausível imaginar que o valor supere o pago pelo PSG por Neymar, virando a maior venda da história.

Ainda tem o climão de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Quanto algum clube do mundo poderia pagar por ele?

Em 2018, teremos Copa do Mundo. Teremos a Libertadores com maior número de campeões na história. Teremos PSG x Real Madrid logo de cara, nas oitavas de final da Champions. Veremos e falaremos de muito futebol.

Mas, se preparem. Grandes manchetes voltarão a ser abocanhadas pelo tresloucado mercado da bola.