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Arquivo : Barcelona

Barça atropela a Juve. Quem tem Messi nunca está morto
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O Barcelona, após a dramática janela de transferências, é quem deveria ser o time desfigurado em campo. Mas não foi o que vimos no Camp Nou, na noite de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Foi a Juventus, vice-campeã na temporada passada, que estava irreconhecível.

A Juve entrou em campo nesta terça sem cinco jogadores que começaram a final contra o Real Madrid e sem seis dos que fizeram aquele 3 a 0 em cima do Barcelona nas quartas de final da última Champions, em abril. Sem Daniel Alves, Bonucci e Chiellini, a intensidade defensiva caiu demais.

E tudo o que Messi precisa nessa vida é de um time desarrumado atrás.

Messi é cada vez mais um meio-campista. Está mais paradão. Não se movimenta como antes, não marca mais a saída de bola do rival e não fica buscando deslocamentos. Recebe a bola no pé. Às vezes, apenas devolve. Às vezes, resolve acelerar. E, quando acelera, sai de baixo.

Ernesto Valverde escalou o Barcelona de forma inteligente. Abriu Alba pela esquerda e jogou Dembélé lá para a ponta direita. O efeito foi nítido: Alex Sandro, uma das principais armas para a saída de bola da Juventus, ficou preso na marcação. Messi e Iniesta se encontraram pelo meio do campo, e Suárez caiu por todos os lados. Busquets ficou mais recuado.

Ainda assim, o Barça trocou muitos passes e chegou pouco no primeiro tempo. A grande chance veio no rebote de uma falta cobrada por Messi, Suárez chutou e obrigou Buffon a fazer grande defesa. Pouco a pouco, a Juventus foi avançando a marcação e conseguiu roubar bolas e ameaçar. O 0 a 0 do primeiro tempo era condizente com o jogo.

Mas, por mais que o Barcelona não pareça mais ou mesmo, alterne momentos de chatice pura com velocidade, mesmo que não tenha mais Neymar, o fato é que o time que tenha Messi, qualquer que seja ele, nunca pode ser considerado morto.

No último lance do primeiro tempo, Messi acelerou. Fez linda tabela com Suárez e bateu com precisão, no canto, sem chances para Buffon. Foi a primeira vez na carreira que Messi conseguiu fazer um gol em Buffon.

Na carreira de Buffon, só faltava ganhar a Champions e tomar gol do Messi. Agora só falta ganhar a Champions. E vai ser difícil. Porque a Juventus, além de menos intensa e coesa defensivamente, vai sentir falta da opção ofensiva que Daniel Alves dava na temporada passada (além do espírito competitivo). Claro que há muita temporada pela frente e Allegri tem tempo para encontrar alternativas. Mas, neste momento, a Juve não passa a segurança de outros anos. Foi um time apático no Camp Nou.

No começo do segundo tempo, Alex Sandro subiu pela esquerda (uma raridade) e Dybala teve a chance de empatar. Mas chutou por cima. Alguns minutos depois, Messi acertou a trave. Depois, em uma troca de posições com Dembélé, arrancou pela direita e cruzou, Rakitic completou na sobra. Ali, o jogo morreu.

A Juve tentou adiantar a marcação para buscar o renascimento no jogo. Resultado? Deu espaços. Com espaço, Messi fez um golaço, 3 a 0. A partir daí, até a Juve achou que estava de bom tamanho.

Coloquei o Barcelona na terceira prateleira de favoritos para a Champions e o mantenho por aí. Mas, para um clube que parecia despedaçado um mês atrás, Valverde está conseguindo encontrar soluções rapidamente. E, claro, quem tem Messi tem sempre esperanças.

Favoritos vencem com facilidade

Todos os favoritos ganharam bem, sem sustos, neste primeiro dia de fase de grupos. Nenhum deles sofreu um gol sequer.

No grupo A, o Manchester United fez 3 a 0 no Basel. O Benfica levou a virada em casa e perdeu para o CSKA Moscou por 2 a 1. Resultado péssimo para os portugueses nessa briga pela segunda vaga.

No grupo B, O PSG foi à Escócia e meteu 5 a 0 no Celtic. Neymar fez um, Mbappé fez outro, Cavani fez dois. É um ataque absurdo. O Bayern de Munique também passeou, 3 a 0 no Anderlecht. Na próxima rodada, tem o primeiro confronto entre PSG e Bayern. Entre eles, decidirão quem fica em primeiro e quem fica em segundo.

No grupo C, o Chelsea fez o dever de casa e enfiou 6 a 0 no debutante Qarabag. Roma e Atlético de Madri ficaram no 0 a 0 no Olímpico, um resultado melhor para o Atlético, logicamente.

E, no grupo D, além dos 3 a 0 do Barça sobre a Juve, o Sporting, fora de casa, abriu 3 a 0 sobre o Olympiacos. O multicampeão grego ainda fez dois gols no finalzinho, mas não conseguiu buscar o milagre. O Sporting está com 100% de aproveitamento na temporada e não pode ser descartado como uma ameaça à Juve neste grupo.

 


Real nunca foi tão favorito, mas nunca teve tanta concorrência na Champions
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O Real Madrid é o bicampeão da Liga dos Campeões da Europa. Tem o melhor jogador do mundo. Um técnico com time e diretoria nas mãos. Jogadores ótimos em todas as linhas. Banco de reservas jovem e fortíssimo. Tem camisa, tradição e o medo dos adversários.

Não há ninguém mais pronto que o Real na disputa da Champions League 2017/2018, que começa nesta terça-feira. E o reflexo disso é o favoritismo apontado pelas casas de apostas.

Durante os meses que antecederam a competição, um eventual título do Real Madrid tinha o mesmo retorno para os apostadores que uma eventual conquista do Barcelona ou do Bayern de Munique. E é assim há anos. Os três gigantes dominaram a competição, sempre entrando como favoritos, ao longo dos últimos dez anos. O Real foi campeão em 14, 16 e 17, o Barcelona em 09, 11 e 15, o Bayern em 13 (perdeu finais de 10 e 12).

As semifinais da última Champions foram as primeiras desde 2009 sem que pelo menos dois deles estivessem presentes.

Agora, as coisas mudaram. O Real Madrid se descolou dos dois concorrentes. É claro que o Barcelona, mesmo sem Neymar, mas ainda com Messi e Suárez, e o Bayern de Munique, de elenco milionário e técnico multicampeão, não podem ser descartados. Mas não estão na mesma prateleira que o Real Madrid.

Quem aparece como segundo favorito na competição é o Paris Saint-Germain, que ganha o status após as chegadas de Neymar e Mbappé. No final deste post, encontre o retorno das casas de apostas.

O PSG tem batido na trave desde que ganhou o aporte financeiro do Qatar. Precisa superar a barreira das quartas de final para, depois, pensar em título. No último mata-mata, todos se lembrarão, foi eliminado de forma surreal nas oitavas pelo Barcelona após fazer 4-0 na ida e levar 6-1 na volta. Agora, deu um murro na mesa. E acrescentou dois craques ao que já era um timaço. Qualquer coisa que não seja chegar à final será considerado um fracasso.

O PSG tenta se posicionar com o anti-Real. Mas não está sozinho.

Se, por um lado, o Real Madrid entra com um status de “maior favorito” que ninguém tinha desde o Barcelona dos anos de Guardiola, por outro vai ter de encarar uma competição incomum.

Devido ao título do Manchester United na última Europa League, a Inglaterra chega com cinco representantes. Que são, de fato, os cinco melhores times da Premier League, fortalecidos por altíssimos gastos em seguidas janelas de transferências e com técnicos badalados. Nada de Leicester e Arsenal, que todos sabiam que não chegariam a lugar algum.

O Chelsea, de Conte, o Manchester City, de Guardiola, o Manchester United, de Mourinho, e até mesmo o Liverpool, de Klopp, e o Tottenham, de Pocchetino, têm bola suficiente para eliminar qualquer time da Champions League quando chegar o mata-mata, no ano que vem. Os ingleses chegam com sede para recuperar o domínio da década passada.

E há uma leva de times que também são fortes o suficiente e com características interessantes para derrubar gigantes no mata-mata. O Atlético de Madri, de Simeone, foi finalista em 14 e 16, é um time ultracompetitivo e que já não surpreende mais. A Juventus chegou às finais de 15 e 17, perdeu Bonucci e Dani Alves, mas trouxe bons reforços e segurou Dybala.

O Napoli incomodou o Real Madrid na temporada passada e está roçando uma campanha mais longa. A Roma e o Sevilla podem encarar algum gigante em dois jogos. O Monaco, sensação da última Champions, perdeu muita gente, mas segue em alto nível. E não podemos descartar os alemães: o tradicionalíssimo Borussia Dortmund e o debutante RB Leipzig, que tem um ótimo time.

Não seria nenhum absurdo que qualquer um dos times citados acima neste post eliminasse o Real Madrid ou o PSG em algum momento. Pode até ser uma zebra, mas não um absurdo.

É uma Champions rara. Com um inegável favorito. Mas também recheada de times que podem derrotá-lo. Uma concorrência mais forte que a de outros anos.

Dessa turma toda, quem pode ficar pelo caminho já na fase de grupos?

Na próprio grupo do Real Madrid estão Borussia Dortmund e Tottenham, um deles vai sobrar. O grupo C reúne Chelsea, Atlético de Madri e Roma, que é favorita a ficar de fora. De resto, deverão estar todos no mata-mata, que promete ser o mais parelho e imprevisível da história. Por enquanto, ficamos com alguns jogaços e alguns joguinhos da fase de grupos.

Ranking de força do blog:

Prateleira 1:
Real Madrid – time pronto, bicampeão e com Cristiano Ronaldo

Prateleira 2:
Bayern de Munique – nunca é bom desprezar Ancelotti
Manchester United – nunca é bom desprezar Mourinho
Manchester City – nunca é bom desprezar Guardiola
Paris Saint-Germain – nenhum trio de ataque é mais poderoso. Tem fome

Prateleira 3:
Barcelona – Messi-Suárez podem desequilibrar, mas tem algo muito errado fora de campo
Atlético – parece em queda, mas tem coração, experiência, classe, técnico…
Juventus – forte, mas abaixo da temporada passada
Chelsea – a forma reativa de jogar pode machucar no mata-mata

Prateleira 4:
Tottenham – fez uma péssima Champions passada, mas o time está pronto
Liverpool – como será a reintegração de Coutinho após a crise?
Monaco – perdeu titulares, mas repôs bem (na medida do possível) e segue com talento e gols
Borussia Dortmund – foi primeiro no grupo do Real e chegou às quartas em 16/17
Napoli – tem um ataque muito rápido e está a ponto de beliscar algo maior se tiver sorte

Prateleira 5:
Leipzig – é vice alemão, segurou o time todo e pode incomodar
Sevilla – ainda não sabemos como será a vida pós-Sampaoli
Roma – ainda não sabemos como será a vida pós-Spalletti

Nas casas de apostas (retorno por valor apostado):
Real Madrid – entre 3,5 e 4
PSG – entre 6 e 7
Bayern – entre 7 e 8
Barcelona – entre 7 e 8
City – entre 10 e 12
United – entre 10 e 12
Juventus – entre 14 e 16
Chelsea – entre 14 e 18
Atlético – entre 18 e 22
Liverpool – entre 18 e 22


A viagem milagrosa que curou as costas de Philippe Coutinho
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Philippe Coutinho não jogou ainda pelo Liverpool na temporada. Seu time teve duelos importantíssimos contra o Hoffenheim, da Alemanha, pela fase prévia da Champions League. Depois de tanto batalhar para acabar em quarto lugar no último Campeonato Inglês, faltava passar essa barreira para garantir a presença (e os milhões) no campeonato europeu mais importante.

Coutinho não estava lá.

Seu time já jogou três partidas pelo Campeonato Inglês e é o vice-líder, com sete pontos. Já precisou encarar um clássico, ontem, contra o Arsenal.

Coutinho não estava lá.

A versão oficial é de dores nas costas. Dores que não lhe impediram de se apresentar à seleção brasileira, já classificada para a Copa do Mundo, para dois jogos de eliminatórias sul-americanas. E tem mais! Santa viagem milagrosa. O jogador chegou curado!

Passou pelo Rio de Janeiro para “bater um papo” com um médico antigo de sua confiança, como mostra a reportagem de Pedro Ivo Almeida, do UOL Esporte. O diagnóstico: estresse.

Vamos falar o português claro, né. Coutinho não tem dores nas costas. O que ele tem é vontade de ir jogar no Barcelona, e o Liverpool não quer liberá-lo. Está forçando a barra para sair. Não é o primeiro e nem o último a fazê-lo, e infelizmente a maioria de casos parecidos (não todos, mas a maioria) tinha jogadores brasileiros no meio.

O jogador de futebol brasileiro de alto nível vai sendo criado em uma redoma de proteção, são mimados, paparicados e raramente contrariados. Seja por dirigentes, empresários ou até mesmo familiares. Curiosamente, a maioria deles sai de condições humanas terríveis. Da proteção nula para a proteção total.

Será que alguém teve coragem de dar um esporro em Coutinho por ter deixado seu clube na mão em um momento tão delicado, que selaria toda a temporada do Liverpool?

Coutinho não é um novato na Europa. Já completou sete temporadas por lá. Foi contratado muito jovem pela Inter de Milão, não deu certo por uma temporada e meia, foi emprestado pro Espanyol para ganhar experiência, melhorou, voltou à Itália, voltou a não dar certo e, quando já parecia ser mais um caso de brasileiro de quem muito se esperava e pouca coisa entregaria, foi parar no Liverpool.

Foi o Liverpool que apostou nele, não o Barcelona ou qualquer outro. Foi na Inglaterra, em quatro temporadas e meia, que ele cresceu, aprendeu e virou um grande. Em uma das camisas mais pesadas do mundo.

Ninguém parecia estar com uma arma na cabeça de Philippe Coutinho quando ele renovou o contrato por CINCO temporadas em janeiro deste ano, para ganhar R$ 2,5 milhões por mês. E mais: sabendo que na Inglaterra não há cláusula de rescisão. Ele tinha contrato até 2020 e fez um novo acordo até 2022, ganhando mais, logicamente.

O jogador tem direito de querer sair e ir jogar em outro lugar. E o clube tem direito de querer que o contrato seja cumprido por sua maior estrela.

O que ninguém tem direito é de deixar o outro na mão, como Coutinho vem fazendo neste início de temporada. Isso não é o que chamamos de profissionalismo.

Imaginem se o Liverpool não vende Coutinho e, só de bronca, lhe dá um ano sabático para pensar melhor na vida? O que seria da Copa do Mundo dele? Seria pouco profissional da parte do Liverpool e todos se revoltariam, certo?

Outra coisa: Coutinho tampouco tem direito de guardar em segredo o milagre da companhia aérea que cura dores nas costas. É uma poltrona mágica? Minha lombar está me matando ultimamente…

PS – se o Liverpool prometeu em janeiro, no momento da renovação, facilitar a saída ou qualquer coisa do tipo, que isso seja falado. Até para o jogador não ficar mal visto no mundo inteiro, que é o que está acontecendo.

Mais no blog: Quatro impressões iniciais da temporada europeia

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Quatro impressões iniciais da temporada europeia
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A temporada 2017/2018 ainda mal começou na Europa e temos a primeira pausa para jogos de seleções. Foram quatro rodadas na França e Portugal, três na Inglaterra e Holanda, duas na Alemanha, Espanha e Itália. Foram disputadas também as fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, com as chaves sorteadas para a fase de grupos de ambas as competições continentais.

Já podemos tirar conclusões? É logicamente cedo para concluir qualquer coisa. Mas já temos alguns indícios. Aqui vão quatro deles:

1- Manchester United é favorito a tudo

Convencionou-se dizer que a segunda temporada de José Mourinho é sempre a melhor nos clubes por onde passa. O técnico português tem impacto imediato, mas é depois de observar (e trocar) as peças do elenco que ele consegue elevar seus times ao próximo nível.

A primeira temporada de Mourinho no United não foi ruim. Conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa. É verdade que são títulos menores para um clube com o tamanho e o histórico do United, mas ainda assim foram os primeiros pós-Ferguson, o que foi importantíssimo. Para este ano, chegaram Lukaku, Matic e Lindelof. E agora há a notícia da permanência de Ibrahimovic, um jogador importantíssimo, ainda mais considerando que o sueco ficou apesar da chegada de Lukaku – ou seja, fica com a consciência da reserva e de sua importância para o grupo.

O United é o único a ganhar os três jogos na Premier League e não sofreu um gol sequer. Meteu 4 a 0 no West Ham e no Swansea (fora) e fez 2 a 0 no Leicester. O United do campeonato passado não goleava ninguém e costumava empatar jogos como este, contra o fechadinho Leicester, sábado. Agora apresenta mais soluções ofensivas aliadas à solidez defensiva.

Além do mais, o United foi sorteado em um grupo fácil na Champions League, ou seja, não precisará abrir mão de jogos na Premier League para avançar às oitavas na Europa. É apenas início de temporada, mas já deu para ver que as previsões feitas antes de o campeonato começar estavam certas: o gigante de Manchester vai disputar o título inglês, sim senhor, e é forte candidato na Champions.

Ainda na Inglaterra, importante observar o bom início do Liverpool, apesar da “lesão” (assim mesmo, entre aspas) de Philippe Coutinho. Sem o brasileiro, os Reds passaram bem pela prévia da Champions, contra um perigoso Hoffenheim, enfiaram impiedosos 4 a 0 no Arsenal, ontem, e só não têm 100% na Premier porque levaram um gol nos acréscimos e em impedimento na primeira rodada. Havia a interrogação sobre o que seria o Liverpool sem Coutinho. E a impressão é que Klopp conseguirá superar a ausência de seu melhor jogador – se ele, de fato, sair para o Barcelona.

2- Milão está de volta

Comprados por chineses, Milan e Internazionale tentam retomar dias de glória e quebrar o inédito domínio da Juventus, hexacampeã italiana.

O Milan foi o terceiro clube que mais gastou na janela de verão europeia, atrás apenas de Manchester City e PSG, trouxe o torcedor de volta ao San Siro e não está deixando ninguém na mão até agora. Passou com tranquilidade da fase prévia da Europa League e ganhou as duas primeiras no Italiano – ainda que tenha sofrido mais da conta ontem, contra o Cagliari.

É um time inteirinho novo e, como eu já dizia na prévia do Italiano, vamos ver que química Montella irá conseguir criar. Se encaixar, como parece que está encaixando, o Milan tem tudo para estar entre os quatro primeiros e ameaçar a Juventus. O início é promissor.

A Inter foi a quarta que mais gastou antes da temporada passada. Para este ano, mais do que gastar, o que o clube fez foi trazer o técnico Spalletti. E logo na segunda rodada ele comandou uma virada importante contra seu ex-clube, a Roma, fora de casa. A ausência de competições europeias (calendário folgado), duas vitórias em dois jogos, sendo uma delas contra um adversário direto da parte alta da tabela, credenciam a Inter a fazer um bom papel no Italiano.

3- Monaco não dará trégua ao PSG

Neymar começou muito bem sua trajetória no PSG, com gols, assistências e eficiência. Por aqui, o que mais ouvimos ultimamente é que “na França é fácil”. Bom, geralmente os que falam isso também achavam que “jogar na Espanha é fácil”. Difícil é o Brasileirão, claro.

Os adversários da França estão um degrau abaixo da Espanha, sem dúvida, e a diferença do PSG para os outros é muito grande. Mas eu não usaria tais argumentos para diminuir o início de Neymar.

O que este começo de temporada nos mostra, no entanto, é que o PSG não vai passear rumo ao título do Francês. O atual campeão é o Monaco e, apesar da perda de três titulares para a Premier League, o time de Leonardo Jardim trouxe boas reposições e manteve o alto nível.

Assim como o PSG, o Monaco ganhou seus quatro primeiros jogos no campeonato e, ontem, enfiou 6 a 1 no Olympique de Marselha – um grande do país e que começou a temporada como suposta terceira força. Falcao García começou voando e já tem sete gols nas quatro primeiras rodadas, e o Monaco fez os mesmos 14 gols que o PSG marcou.

Resta saber se nesta semana serão confirmados os rumores da saída de Mbappé do Monaco para o PSG. Se a transferência realmente ocorrer, aí a balança se desequilibra. Mas, por enquanto, não podemos descartar o atual campeão. Somando as duas temporadas, o Monaco ganhou seus últimos 16 jogos na Ligue 1.

4- Barcelona em crise

Quem olha a tabela do Espanhol, vê o Barcelona entre os líderes, com seis pontos, e o Real Madrid abaixo, com quatro. Nesta segunda, o clube catalão apresentou o novinho Dembélé, segundo jogador mais caro da história do futebol. Pode ser que para os jornais locais a crise seja passado. Mas não é. O Barcelona foi atropelado pelo Real na Supercopa, jogou francamente mal nas duas vitórias pela Liga e nota-se uma ruptura entre jogadores e diretoria. Não há coesão e união.

Se conseguir acertar com Coutinho até quinta, quando fecha a janela de transferências, o Barcelona terá sido o clube campeão de gastos do verão. Tudo isso porque perdeu Neymar de forma humilhante para o PSG e saiu comprando a torto e direito, pagando mais do que o mercado exige. Jogando para a torcida, sem qualquer planejamento financeiro.

Perdeu Neymar para si mesmo, assim como tinha perdido uma peça tão importante como Daniel Alves. E agora temos a novela da tal assinatura de Messi, que está faltando, apesar do anúncio de renovação meses atrás.

O início de temporada mostra um Barcelona rachado, com pouco futebol e muitas interrogações. Interrogações que não pairam sobre o Real Madrid, apesar do tropeço diante do Valencia – sem Cristiano Ronaldo, diga-se.


Oito jogos históricos que se repetirão na Champions League
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O sorteio da fase de grupos da Champions League distribuiu 32 das mais fortes e tradicionais equipes europeias em oito grupos. Os confrontos ocorrem entre setembro e dezembro. E o blog foi recuperar oito jogos históricos, um de cada grupo, que se repetirão agora, em 2017.

29/5/68 Manchester United 4 x 1 Benfica

Dez anos após a tragédia de Munique, um acidente aéreo que matou oito jogadores e três membros da comissão técnica do Manchester United, o clube conquistou sua primeira Copa da Europa – a primeira também de um clube inglês. Comandado pelo histórico técnico Matt Busby e o lendário Bobby Charlton, ambos sobreviventes da tragédia, o United enfrentou na final o Benfica, multicampeão português, que já tinha dois títulos europeus e o grande Eusébio no ataque.

O jogo, disputado diante de mais de 90 mil pessoas no velho Wembley, em Londres, terminou empatado em 1 a 1. Charlton abriu o placar para o United, mas Jaime Graça empatou para o Benfica a dez minutos do fim. Na prorrogação, gols de George Best, Kidd e, novamente, Charlton, selaram o 4 a 1 e a primeira Copa dos Campeões para o United. É um dos jogos mais importantes da história do clube e com toda a carga simbólica de ter ocorrido dez anos após o acidente de Munique.

Ambos estão no grupo A da atual Champions, e o United tem um retrospecto altamente positivo contra o Benfica, com seis vitórias, dois empates e somente uma derrota (fase de grupos, em 2005). Os outros times são o CSKA Moscou e o Basel, da Suíça, que em 2012 eliminou o próprio United da fase de grupos da Champions.

19/3/86 Anderlecht 2 x 0 Bayern de Munique

No grupo B da competição, o Bayern de Munique tem a companhia do Paris Saint-Germain (que ganhou os três jogos que fez em Paris contra os alemães). Os outros times, o Celtic e o Anderlecht, não devem ser páreos para os atuais multimilionários que enfrentarão.

Mas o Anderlecht viveu um auge e foi muito forte nos anos 70 e 80, quando ganhou duas Recopas (76 e 78), uma Copa da Uefa (83) e duas Supercopas (76 e 78, contra Bayern e Liverpool). Em 1986, entrou em campo contra o Bayern pelas quartas de final da Copa dos Campeões após perder a partida de ida por 2 a 1. No que foi um dos grandes jogos da história do clube, ganhou a volta por 2 a 0, com gols de Scifo e Frimann, classificando-se para as semifinais e igualando o feito de 1982.

Acabou sendo eliminado na semi pelo Steaua Bucareste, da Romênia, que seria campeão europeu na decisão contra o Barcelona. Aquele time do Anderlecht era a base da seleção da Bélgica, que chegaria à semifinal da Copa do Mundo de 86, no México – quatro jogadores do clube eram titulares da seleção belga, que tinha o goleiro Pfaff, do Bayern.

30/4/14 Chelsea 1 x 3 Atlético de Madri

Chelsea, Atlético de Madri e Roma deverão ter uma disputa apertada pelas duas vagas do grupo C. Houve poucos confrontos entre estes três clubes. Eu poderia lembrar de novembro de 2008, quando a Roma ganhou do Chelsea pela fase de grupos. Foi minha única visita ao Olímpico e eu bati o carro na saída do estádio. Mas foi muito mais uma pequena tragédia pessoal do que um jogo inesquecível :-).

Em 2012, o Atlético chegou a ganhar a Supercopa da Europa com um 4 a 1 sobre o Chelsea, então vencedor da Champions. Mas o confronto mais relevante entre eles ocorreria dois anos depois. Eram as quartas de final da Champions de 2014 e, após o empate sem gols em Madri, os times de Mourinho e Simeone se enfrentaram em Londres.

O Chelsea abriu o placar com Fernando Torres. Mas Adrián empatou ainda no primeiro tempo, e Diego Costa e Arda Turan decretaram o 1-3 que levaram o Atlético à semifinal europeia (perderia a final para o Real Madrid, na prorrogação). Na temporada seguinte, Diego Costa passaria a jogar pelo Chelsea – e agora quer desesperadamente voltar ao Atlético.

6/6/15 Barcelona 3 x 1 Juventus

O Barcelona conquistou sua quinta Copa da Europa ao vencer a Juventus, em Berlim, dois anos atrás. Foi o auge do lendário trio Messi-Suárez-Neymar, desfeito com a saída do brasileiro para o PSG. Aquela era a segunda temporada de Neymar no Barça, e a primeira de Suárez e do técnico Luís Enrique. Rakitic abriu o placar para os catalães, mas a Juve, que tinha Pirlo, Pogba e Tevez, empatou com Morata. Tevez desperdiçou uma grande chance de virada antes de Suárez fazer o segundo e, nos acréscimos, Neymar definir o 3 a 1.

Na temporada passada, há poucos meses, a Juve se vingou, eliminando o Barcelona nas quartas de final com um 3 a 0 em Turim e um 0 a 0 no Camp Nou. O clube italiano perderia a final para o Real Madrid, mas manteve a sólida base para a atual temporada, enquanto o Barcelona está juntando os cacos após o trágico mercado de verão e a perda de Neymar.

 

18/5/16 Sevilla 3 x 1 Liverpool

Outro jogo recente, o Sevilla conquistou a Europa League retrasada vencendo o Liverpool na final, disputada na Basileia, Suíça. Daqueles times, seis jogadores ainda seguem no Sevilla, e dez no Liverpool. Os ingleses saíram na frente com Sturridge, mas no segundo tempo Gameiro e Coke (duas vezes) viraram para o Sevilla, então treinado por Unai Emery, hoje técnico do PSG.

Aquela foi a terceira conquista de Europa League consecutiva do Sevilla, quinta no total. Os dois times estão no grupo E da atual Champions League, junto com o Spartak Moscou e o Maribor, da Eslovênia.

14/9/11 Manchester City 1 x 1 Napoli

Feyenoord e Shakhtar Donetsk, os outros integrantes do grupo F, nunca jogaram entre si ou contra Napoli ou City. Os clubes da Itália e da Inglaterra, favoritos para passar neste grupo, estiveram juntos nesta fase na temporada 2011/12.

O Manchester City jogava a Champions League pela primeira vez desde que passou a ter dinheiro árabe arraigando suas contas. Pela primeira vez na máxima competição europeia desde 1968. E o Napoli também vivia um momento histórico. Era seu primeiro jogo de Champions League e a primeira vez na máxima competição europeia desde 1990/91, ainda tempos de Copa dos Campeões e de Diego Maradona.

Na estreia de ambos na fase moderna da Champions, empate por 1 a 1, gols de Kolarov e Cavani. Depois, na quinta rodada, o Napoli venceria por 2 a 1, com dois de Cavani, passando o City na tabela e se classificando para as oitavas, deixando o já rico clube de Manchester eliminado na fase de grupos.

26/5/04 Porto 3 x 0 Monaco

Poucos diriam, antes do início daquela temporada 2003/2004, que o título europeu seria decidido entre Porto e Monaco. Mas foi o que aconteceu, com a vitória portuguesa na decisão, disputada em Gelsenkirchen, Alemanha. O brasileiro Carlos Alberto, Deco (nome do jogo) e o russo Alenichev marcaram na fácil vitória do Porto.

O jogo é inesquecível também por ter sido a primeira Champions conquistada por José Mourinho, que na temporada seguinte assumiria o Chelsea. O time do Porto seria a base da seleção de Portugal, que naquele verão de 2004, comandada por Luiz Felipe Scolari, perderia em casa a final da Eurocopa para a Grécia. Os principais nomes do Monaco eram Evra, Giuly e Morientes. Nenhum dos dois clubes voltou a jogar uma final europeia depois daquilo.

Na atual Champions, Porto e Monaco estão no grupo G, ao lado do debutante RB Leipzig, da Alemanha, e do Besiktas, bicampeão turco.

24/4/13 Borussia Dortmund 4 x 1 Real Madrid

O grupo H é considerado o grupo da morte. Real e Dortmund, que já caíram no mesmo grupo na temporada passada, voltam a se enfrentar e têm a companhia do Tottenham, uma força da Premier League. O Tottenham foi vítima recente tanto de um quanto do outro e precisa mostrar mais do que vem monstrando em campanhas europeias. Irá se reencontrar com dois ex-jogadores que estão no Real, Bale e Modric.

O Real Madrid eliminou o Borussia em 2014, no caminho rumo ao nono título europeu. Mas o jogo que fica marcado para a história foi disputado um ano antes. Era a partida de ida da semifinal, em Dortmund, e o polonês Robert Lewandowski, hoje no Bayern, fez simplesmente os quatro gols da vitória do Borussia, de Klopp, sobre o Real, de Mourinho. Na partida de volta, o Real fez dois gols no fim e quase chegou à heróica remontada, mas não deu. O Borussia Dortmund perderia a final de 2013 para o Bayern.

 


Real Madrid encabeça grupo da morte. Dos outros…
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As bolinhas tiradas por Totti e Shevchenko, homenageados no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foram desviando balas aqui e ali. Mas não teve como evitar a confecção de um grupo da morte.

E o grupo H, encabeçado pelo campeão Real Madrid, é o que será apelidado assim. O Real enfrenta novamente o Borussia Dortmund (que no ano passado relegou os espanhóis à segunda posição no grupo) e o Tottenham (que fez uma péssima Champions no ano passado, mas é um belíssimo time de futebol). Sorte que o quarto elemento é o fraco Apoel Nicosia, do Chipre, que vai apanhar de todo mundo.

São três times para duas vagas. Mas o Real Madrid está alguns vários degraus acima dos outros. É possível que seja o grupo da morte… para os outros. Tottenham e Dortmund que se virem pela segunda vaga.

Outro grupo forte é o que reúne Chelsea, Atlético de Madri, Roma e o estreante Qarabag, do Azerbaijão. O Atlético e o Chelsea são favoritos, a Roma ainda é uma incógnita na temporada. Trocou técnico e perdeu bons jogadores. Claro que pode deixar um dos favoritos a ver navios, mas, a priori, corre por fora.

À exceção do Tottenham e do Chelsea, o sorteio foi muito bom para os ingleses.

O Manchester United, de José Mourinho, vai enfrentar Benfica, Basel e CSKA Moscou. Um grupo tranquilo para o gigante inglês, que não vai precisar se matar e sacrificar jogos da Premier League para passar. Benfica é ligeiro favorito para a segunda vaga.

O Liverpool, que poderia ter caído em um verdadeiro grupo da morte (estava no terceiro pote das bolinhas), se safou e jogará contra Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. O Liverpool mostrou muita força da fase prévia, passando por cima do bom Hoffenheim. Mesmo que perca Philippe Coutinho, é o favorito destacado. Até porque o Sevilla tem técnico novo, ainda derrapa e vai suar para ficar à frente do Spartak, campeão russo.

O Manchester City, depois de anos de “azareios”, finalmente teve um sorteio favorável. Jogará contra Napoli, Shakhtar Donetsk e Feyenoord, o campeão holandês. City é favoritaço para ser primeiro do grupo. E o Napoli, um ótimo time de futebol, que manteve a base do ano passado, é favoritaço para ser segundo. Tem mais chance de o Napoli atrapalhar o City do que ser atrapalhado pelos outros.

Dos três grupos restantes, um tem equilíbrio total. E os outros dois tem aquele formato com duas grandes forças e duas zebras. O que se decide é basicamente quem fica em primeiro, quem fica em segundo.

É assim no grupo B, em que Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain, de Neymar, disputarão o primeiro lugar e não terão a passagem às oitavas ameaçada por Anderlecht ou Celtic. Os confrontos entre Bayern e PSG devem ser os que chamarão mais atenção durante a fase de grupos.

E é assim no grupo D, em que Juventus e Barcelona, que se enfrentaram nas últimas quartas de final, jogarão pelo primeiro lugar. Bom sorteio para o Barça, que derrapa neste início de temporada, mas não deve ser ameaçado por Olympiacos ou Sporting de Portugal. Não quero desprezar as duas camisas, com muita história, mas imaginem se caísse um Liverpool ou um Tottenham ou um Leipzig nesse grupo? O Barcelona pode respirar aliviado.

O grupo G é o mais equilibrado, com Monaco, Porto, Besiktas e RB Leipzig. O Monaco é favorito. É o campeão francês, atual semifinalista e, ainda que tenha perdido três titulares em relação à campanha passada, segue mostrando ótimo futebol. O Porto tem a camisa mais pesada, mas o Besiktas é um bom time, bicampeão turco, e o RB Leipzig tem um ótimo time. É vice-campeão alemão e manteve a base.

Abaixo, os grupos e os prognósticos de quem passa para as oitavas de final:

Grupo A
Benfica (POR)
Manchester United (ING)
Basel (SUI)
CSKA Moscou (RUS)

Prognóstico: 1- United, 2- Benfica, 3- Basel, 4- CSKA

Grupo B
Bayern de Munique (ALE)
Paris Saint-Germain (FRA)
Anderlecht (BEL)
Celtic (ESC)

Prognóstico: 1- PSG, 2-Bayern, 3- Anderlecht, 4- Celtic

Grupo C
Chelsea (ING)
Atlético de Madri (ESP)
Roma (ITA)
Qarabag (AZE)

Prognóstico: 1- Atlético, 2- Chelsea, 3- Roma, 4- Qarabag

Grupo D
Juventus (ITA)
Barcelona (ESP)
Olympiakos (GRE)
Sporting (POR)

Prognóstico: 1- Juventus, 2- Barcelona, 3- Olympiacos, 4- Sporting

Grupo E
Spartak Moscou (RUS)
Sevilla (ESP)
Liverpool (ING)
Maribor (SLO)

Prognóstico: 1- Liverpool, 2- Sevilla, 3- Spartak, 4- Maribor

Grupo F
Shakhtar Donetsk (UCR)
Manchester City (ING)
Napoli (ITA)
Feyenoord (HOL)

Prognóstico: 1- City, 2- Napoli, 3- Feyenoord, 4- Shakhtar

Grupo G
Monaco (FRA)
Porto (POR)
Besiktas (TUR)
RB Leipzig (ALE)

Prognóstico: 1- Monaco, 2- Leipzig, 3- Besiktas, 4- Porto

Grupo H
Real Madrid (ESP)
Borussia Dortmund (ALE)
Tottenham (ING)
Apoel Nicosia (CHP)

Prognóstico: 1- Real, 2- Tottenham, 3- Dortmund, 4- Apoel


Espanhol começa hoje sem Vinícius Jr, a contratação mais cara da janela
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juliogomes

Sabem quem foi o jogador mais caro da janela de transferências espanhola até agora? Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior, nascido em São Gonçalo 17 anos atrás.

Pois é. O Real Madrid pagou 45 milhões de euros ao Flamengo por Vinícius Jr, mas o garoto ainda não vai jogar na temporada 17/18 da Espanha. Talvez chegue ao Real no meio do ano que vem, com 18 anos completos e podendo assinar contrato. Talvez fique no Flamengo até o fim do próximo Brasileirão. Ou talvez, dependendo da escolha dos espanhóis e do amadurecimento do garoto, só vá no meio de 2019, daqui a duas temporadas.

É um projeto de longo prazo, na tentativa de encontrar o próximo Neymar. Até aí, normal. Pagar pouco e correr alto risco com a perspectiva de grande retorno, esse modelo é conhecido no futebol. O que acontece é que, no caso Vinícius Jr, não se pagou pouco. Vamos ver no que o garoto vai dar. Em alguns anos, daremos risada desse valor – para bem ou para mal.

Até que o Barcelona consiga (ou não) trazer Philippe Coutinho e/ou Dembélé, a contratação de Vinícius Jr, concretizada em maio, fica como a mais cara da janela espanhola, que fecha em 31 de agosto.

O campeonato começa nesta sexta com dois jogos (Leganés-Alavés e Valencia-Las Palmas). No domingo, o Barcelona estreia contra o Betis, no Camp Nou, e o Real Madrid faz sua primeira partida em La Coruña.

A segunda transferência mais cara do verão espanhol é outro brasileiro: Paulinho. O Barcelona pagou aos Guangzhou Evergrande, da China, os 40 milhões da cláusula rescisória.

E esses são os únicos brasileiros na lista de 15 maiores contratações de clubes da Liga espanhola para a temporada.

Mais para frente na lista, vão aparecer Léo Baptistão, sem espaço no Atlético de Madri, vendido ao Espanyol. E o goleiro Neto, ex-Juventus, que chega para ser o substituto de Diego Alves no Valencia. Ambos por 7 milhões de euros. Guilherme, ex-volante da Portuguesa e do Corinthians, foi comprado pelo La Coruña por 5 milhões junto à Udinese.

Aqui está a lista das 10 contratações mais caras da janela espanhola (valores em Euros, fonte diário Marca:

1- Vinícius Jr (BRA/Flamengo-Real Madrid) – 45 milhões (segue no Flamengo por empréstimo)

2- Paulinho (BRA/Guangzhou-Barcelona) – 40 milhões

3- Vitolo (ESP/Sevilla-Atlético) – 36 milhões (emprestado ao Las Palmas até janeiro)

4- Nelson Semedo (EQU/Benfica-Barcelona) – 30 milhões

5- Théo Hernandez (FRA/Atlético-Real Madrid) – 26 milhões

6- Luis Muriel (COL/Sampdoria-Sevilla) – 20 milhões

7- Simone Zaza (ITA/Juventus-Valencia) – 18 milhões (já estava no clube por empréstimo)

8- Daniel Ceballos (ESP/Betis-Real Madrid) – 17 milhões

9- Enes Unal (TUR/Manchester City-Villarreal) – 14 milhões

10- Rúben Semedo (POR/Sporting-Villarreal) – 14 milhões

11- Simon Kjaer (DIN/Fenerbahce-Sevilla) – 12,5 milhões

12- Gerard Deulofeu (ESP/Everton-Barcelona) – 12 milhões

13- Pablo Fornals (ESP/Málaga-Villarreal) – 11 milhões

14- Éver Banega (ARG/Inter de Milão-Sevilla) – 9 milhões

15- Nolito (ESP/Manchester City-Sevilla) – 9 milhões


Prévia do Espanhol: Real Madrid é favoritaço para o bi
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juliogomes

O Campeonato Espanhol começa nesta sexta-feira e, enquanto muitos insistem com o discurso do “só tem dois times”, a perspectiva para a temporada é de uma competição de “um time só”. O Real Madrid já era bicampeão europeu, mais time, mais completo. Mas, depois dos dois bailes em cima do Barcelona na Supercopa espanhola, a distância entre eles ficou exposta. E o gigante da capital torna-se um favorito destacado para ser bicampeão espanhol.

Tão favorito quanto o PSG na França ou o Bayern da Alemanha ou a Juventus na Itália? É mais ou menos por aí…

O abismo para o maior rival está tão grande que o próprio Piqué, que virou uma espécie de porta-voz não oficial do Barcelona, disse após a derrota de quarta, no Santiago Bernabéu. “Pela primeira vez em 9 anos me sinto inferior ao Real Madrid”. E, para piorar tudo, o Barcelona ficará o primeiro mês da temporada sem Suárez, lesionado.

Leia também: Superioridade do Real deve aumentar desespero do Barça no mercado

Depois dos anos de um domínio exagerado de Barcelona e Real Madrid na Espanha, especialmente os de Guardiola e Mourinho, os dois gigantes tiveram alguma resistência nas duas temporadas passadas.

O Atlético de Madri tornou-se uma ameaça real. E alguns jogos que eram resolvidos no estilo “passeio” ficaram mais duros. Times médios se reforçaram. Goleadas deixaram de ser tão previsíveis, ainda que tenham acontecido, claro que sim.

Dito isso, o Real Madrid voltou a ser campeão após quatro anos e agora o clube da capital tem a faca e o queijo na mão para ser dominante por bastante tempo.

Zinedine Zidane, uma aposta arriscada do presidente Florentino Pérez, caiu como uma luva. Tem exatamente o tom, o discurso e os métodos que agradam à comunidade que gira em torno do clube e o grupo de jogadores.

E, de repente, o Real tem uma baita linha defensiva, um meio de campo extraordinário e um ataque letal. Pode jogar com a bola ou sem ela. É fortíssimo no jogo aéreo, tem velocidade para contra atacar, tem qualidade para furar retrancas. Cristiano Ronaldo não dá sinais de parar. E o futuro está garantido com Isco, Asensio, o lateral Théo Hernandez, tirado do Atlético por 30 milhões de euros e que será preparado para substituir Marcelo, o meia Ceballos, do Betis, muito bom de bola, etc.

As saídas de Pepe, Danilo, Morata e James Rodríguez debilitam, claro. Debilitam o time reserva. Nada mais. É um elenco jovem e completíssimo.

Apesar de as casas de apostas insistirem em pagar o mesmo retorno para título do Real Madrid e título do Barcelona, vejo o clube da capital com amplo favoritismo para ficar com a Liga. A superioridade na disputa da Supercopa não é circunstancial.

Além de estar voando, encaixado e com elenco, o Real vê um Barcelona vivendo um pesadelo extra-campo. O clube foi humilhado pela decisão de Neymar de abandoná-lo. Virou motivo de piada nas rodas de dirigentes e pessoas importantes do futebol europeu. E também nas conversas de bar.  Não se perde um jogador como Neymar impunemente.

Agora é um clube desesperado que acaba tomando medidas desesperadas. Pagou por Paulinho mais do que deveria. E o mesmo acontecerá com Philippe Coutinho e/ou Dembélé. Isso se conseguir trazê-los. Mesmo que venham, haverá um tempo para adaptação, encontrar o melhor formato de time para acomodá-los, etc. Suárez está machucado. Quando perceberem, o Real Madrid estará muito na frente.

A derrota contundente na Supercopa não se deve à ausência de Neymar. O que Neymar fez foi perceber que a barca estava afundando e foi ser feliz em outro lugar. A linha defensiva é de segunda linha, o meio de campo está envelhecido e sem opções e Messi já está há tempos andando em campo. Faz gols, dá assistências, é um gênio, mas não trabalha mais defensivamente, não joga com sangue nos olhos. E isso já faz uns bons dois anos.

No meu ponto de vista, o Barcelona está mais para disputar segundo lugar com o Atlético do que primeiro com o Real Madrid.

O ATLÉTICO, de Simeone, segue tão forte quanto nos outros anos. É verdade que não pôde contratar ninguém pela sanção da Fifa, mas manteve seu grande líder, o técnico, e seu grande jogador, Griezmann. Em janeiro, devem chegar Diego Costa, Vitolo (emprestado ao Las Palmas até dezembro) e talvez outros nomes, o que fará do Atlético um candidato na Champions League (de novo).

A grande chave para o Atlético é dar mais espaço a protagonismo a Saúl, um jogador jovem, de muito talento e que talvez trabalhe demasiado taticamente. O belga Carrasco também precisa ter mais importância.

O SEVILLA substituiu Sampaoli pelo bom (e também argentino) Eduardo Berizzo, ex-Celta. Perdeu alguns jogadores importantes, como Vitolo, o lateral Mariano (Galatasaray, difícil entender essa decisão) e veteranos como o zagueiro Ramy, o meia Nasry ou o volante Iborra.

Mas trouxe reforços interessantes e que podem dar certo nas mãos de um técnico que gosta de jogo, como Berizzo. O atacante colombiano Muriel, da Sampdoria, o zagueiro dinamarquês Kjaer, do Fenerbahce, o volante Banega, da Inter, e os extremos Nolito e Jesús Navas, ambos chegando do Manchester City.

O grande adversário do Sevilla na busca por uma vaga na Champions League será novamente o VILLARREAL, que se reforçou com o colombiano Bacca (Milan) e o turco Unal (Man City) para o ataque, o zagueiro Semedo (Sporting) e o promissor meia Fornals (Málaga). As principais perdas foram o zagueiro Musacchio, para o Milan, e o veterano Soldado, para o Fenerbahce.

OUTROS:

A Real Sociedad e o Athletic Bilbao mantêm bases interessantes, mas dificilmente conseguirão se manter no G4. O Valencia, em eterna tentativa de ser grande de novo, aposta em um bom técnico, Marcelino. Mas segue com um elenco fraquinho.

Olho para o filho de Zidane, Enzo, que jogará no Alavés. O Celta, que havia apostado em Luís Enrique antes de o treinador chegar ao Barcelona, agora aposta em seu braço direito, Juan Carlos Unzué. Douglas Luiz, ótimo volante revelado pelo Vasco e comprado pelo Manchester City, atuará por empréstimo no recém-ascendido Girona para ganhar experiência.

Outras prévias no blog:
Em busca do hexa na Alemanha, Bayern não tem rivais à altura

Liga inglesa: a melhor virou também a mais imprevisível

França: Neymar e PSG fazem bi parecer sonho distante para o Monaco

 

Supercopa da Espanha:

13/8/17 Barcelona 1 x 3 Real Madrid
16/8/17 Real Madrid 2 x 0 Barcelona

Maiores campeões espanhóis: Real Madrid (33), Barcelona (24), Atlético de Madri (10)

Previsões:

Título: Real Madrid
Vice: Atlético de Madri
Vagas na Champions: Barcelona e Sevilla
Artilheiro: Messi
Melhor jogador: Isco
Olho em: Asensio e Saúl, astros da Espanha sub-21, podem explodir
Na TV: FOX e ESPN
Duelos imperdíveis: Atlético-Barcelona em 14/10/17, Atlético-Real em 18/11/17, Real-Barcelona em 19/12/17, Barcelona-Atlético em 3/3/18, Real-Atlético em 7/4/18, Barcelona-Real em 5/5/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e tem jogos também às segundas-feiras. Real Madrid e Barcelona quase sempre jogam sábado ou domingo à tarde.

Primeira rodada:

Sexta
15h15 Leganés x Alavés
17h15 Valencia x Las Palmas

Sábado
13h15 Celta x Real Sociedad
15h15 Girona x Atlético de Madri
17h15 Sevilla x Espanyol

Domingo
13h15 Athletic Bilbao x Getafe
15h15 Barcelona x Betis
17h15 La Coruña x Real Madrid

Segunda
15h15 Levante x Villarreal
17h Málaga x Eibar


Superioridade do Real deve aumentar desespero do Barça no mercado
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juliogomes

O Real Madrid passeou de novo contra o Barcelona, venceu por 2 a 0 e levantou a Supercopa da Espanha. É um troféu menor, sem dúvida. Mas que ganha corpo quando os dois gigantes se enfrentam. E que amplia o inferno astral vivido pelo Barcelona.

Não usemos meias palavras. O Barcelona sofreu uma humilhação brutal ao ver Neymar querer sair para o Paris Saint-Germain. A humilhação fora do campo tem tudo para preceder algumas no campo.

É a primeira vez desde 2011 que o Barça não marca um gol em um clássico (24 jogos desde então). E a primeira vez desde maio de 2008 que o Barça acaba um clássico com menos posse de bola que o Real. Aquele jogo foi emblemático. Foi um banho do Real, que entrou em campo campeão espanhol – assim, os jogadores do Barça tiveram de fazer o tradicional (e, naquele caso, humilhante) “pasillo”, o corredor para aplaudir os campeões.

Aquele jogo marcou definitivamente o fim do ciclo Ronaldinho-Rijkaard no Barcelona. Naquele verão de 2008, chegariam Guardiola, Daniel Alves e o resto da história já sabemos. A diferença é que aquele jogo ocorreu no finalzinho da temporada. Já estes dois jogos da Supercopa, de total domínio do Real Madrid, marcam o início da temporada 17/18.

Romário, Ronaldo, Figo, Ronaldinho, Neymar… parece ser um padrão, não? O Barcelona simplesmente não consegue convencer seus craques (brasileiros, na maioria) a ficar. Ou não consegue fazer as coisas certas nos bastidores.

Não podemos nos esquecer da forma como um multicampeão como Daniel Alves saiu do clube. Espinafrando todo mundo, mostrando que, se dependesse dele, jogaria lá para sempre – mas não para aqueles dirigentes.

No ano passado, perguntei (atenção, perguntar não é afirmar): será que não valia à pena para o Barcelona vender Messi? Arrumar algum biruta que pagasse, sei lá, 300, 350 milhões de euros pelo cara.

Se fosse para escolher ou Messi ou Neymar DAQUI PARA FRENTE… quem você escolheria? Não estou perguntando quem é melhor. E não, não acho que Neymar atingirá um dia o patamar que Messi atingiu. Mas que a fome do argentino está diminuindo, isso é nítido. Messi passa muitos momentos dos jogos andando em campo. Raras são as atuações com faca nos dentes, como aquela do Bernabéu pela Liga, do gol do fim e a camisa mostrada para o público.

Não tenho a resposta para a pergunta acima. Mas me espanta que o Barcelona nunca tenha passado nem perto de se fazer essa pergunta. O fato é que o clube não fez planejamento algum pensando na transição Messi-Neymar. Achou que ela aconteceria naturalmente. E ela simplesmente não vai acontecer.

Ao ser humilhado pela decisão de Neymar, que já ficou muito perto de ocorrer um ano atrás, o Barcelona se coloca em uma situação de dar respostas.

E dirigentes fracos com muito dinheiro em mãos e muitas respostas para dar costumam fazer besteiras.

A contratação de Paulinho por 40 milhões de euros foi muito contestada na Catalunha, por ser um jogador de 29 anos e sem potencial de revenda. E que não se encaixa tão claramente no jeito de jogar do time. Com a ida de Matuidi, um volante com mais história no futebol europeu de alto nível do que Paulinho (não estou falando que é melhor, apenas que gera menos dúvidas sobre o retorno), por 20 milhões do PSG para a Juventus, a diretoria do Barça ficou ainda mais exposta.

Como Philippe Coutinho e Dembélé estão forçando a barra para ir ao Barça, possivelmente irão. Mas certamente Liverpool e/ou Borussia Dortmund vão arrancar muito dinheiro dos catalães.

Aí a gente lembra dos 35 milhões de euros pagos por André Gomes. 30 por Paco Alcácer, 34 por Arda Turan, 20 por Mathieu. 19 por Vermaelen e por Song. 25 por Chygrynskiy. 14 por… Keirrison.

Gastar bem não tem sido exatamente a marca registrada do Barcelona nos últimos 10 anos.

Os grandes rivais europeus, Real, Bayern, Juventus, City, United, Chelsea e, claro, PSG, esfregam as mãos. O tão poderoso Barcelona está numa forte pegada de autodestruição.


Neymar no Barcelona foi mico ou gênio?
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juliogomes

A imagem de Neymar na Catalunha será uma só: a de traidor. Como Figo. Na Espanha, eles usam o termo “pesetero”, que remete à antiga moeda do país (as pesetas), com o mesmo sentido que usamos o termo “mercenário”.

Acho pesetero mais simpático. Mostra melhor que o cara se importa mais com dinheiro do que outras coisas. Mas não acho, sinceramente, que Neymar deva ser julgado ou avaliado em função de suas escolhas financeiras.

Cada um é livre para fazer o que bem entender da vida. Se ele acha que o dinheiro é o mais importante, que seja assim. Desde que, logicamente, pague devidamente os impostos, o combinado com as partes envolvidas, etc.

Vamos focar nos quatro anos que Neymar passou em Barcelona. Como posicioná-lo na história do clube? Será que a passagem de Neymar foi mais um mico do que trouxe benefícios ao clube?

Primeiro, falando de história e dos brasileiros em Barcelona nesta era moderna no futebol (vou tirar Evaristo da equação).

Não é possível colocar Neymar no patamar atingido por Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Sem chances. Não precisa nem ser aberta discussão aqui. Ambos ganharam Bola de Ouro no clube e deixaram marcas mais profundas.

Na história do clube, jogadores como Daniel Alves, Deco, Belletti e Edmilson também merecem mais homenagens do que Neymar.

Mas vamos nos limitar aos supercraques, aos jogadores protagonistas não apenas no clube, mas também na seleção brasileira. Será que há lugar para Neymar no pódio catalão?

Ronaldo e Romário tiveram passagens mais rápidas do que a dele pelo Barcelona.

Ronaldo até saiu de forma parecida. Jogou apenas um ano, arrebentou, apareceu para o mundo e, de alguma forma, não se sentiu valorizado na Catalunha. A Inter de Milão pagou a cláusula e levou o Fenômeno embora. De qualquer forma, Ronaldo não teve a carreira marcada por muitas glórias nos clubes por onde passou, a marca dele é a seleção.

Romário ficou um ano e meio. Suficiente para meter três gols em uma goleada sobre o Real Madrid, ser segundo colocado na Bola de Ouro de 93 e ganhar a mesma em 94. Fez parte do “Dream Team” de Cruyff, o maior time da história do Barça (até chegarem os anos da dupla Guardiola-Messi) e, em sua única temporada completa, meteu 30 gols em 33 jogos na Espanha e foi com o time até a final da Copa dos Campeões (derrota para o Milan).

Neymar não teve individualmente, no Barcelona, uma temporada tão fantástica com aquela 93/94 de Romário ou a 96/97 de Ronaldo.

Por outro lado, foi importantíssimo na conquista da Champions League 14/15, que foi a temporada da chegada de Suárez e a montagem do tal trio MSN.

Nos últimos dois anos, no entanto, ficou uma constante impressão de que Neymar era o menos importante dos três, ainda que fosse o principal beneficiado pela marcação sempre forte em Messi e Suárez (neste, por posicionamento, não por ser melhor ou pior que Neymar).

Sem Neymar, o Barça teria conquistado a Europa em 2015? Difícil dizer. O fato é que ele fez 7 dos 13 gols do Barcelona nos cinco jogos de quartas, semis e final contra, respectivamente, PSG, Bayern e Juventus. Foi uma temporada tão boa, aquela após a Copa do Mundo, que ele acabou em terceiro lugar na Bola de Ouro, atrás de já sabem quem.

Mas, sem Neymar, o que o Barça teria feito diferente nas últimas duas temporadas, em que ganhou um Espanhol, duas Copas do Rei e não passou nem perto da final da Champions? Possivelmente, os resultados teriam sido os mesmos.

Para não ser injusto, podemos dizer que o Barça caiu nas quartas da última Champions, e não nas oitavas, por causa daqueles 7 minutos magníficos de Neymar contra, adivinhem, o PSG. Aqueles minutos mágicos que resultaram nos 6 a 1 e que talvez tenham mostrado para Neymar mesmo e um punhado de outras pessoas que ele poderia e deveria ser o protagonista.

O fato é que a dupla Messi-Neymar nunca explodiu como se esperava. E Neymar não pode, de forma alguma, reclamar de qualquer espécie de boicote em campo. Messi e Suárez nunca deixaram de passar bolas e dar gols para Neymar.

Dos 105 gols marcados por Neymar em jogos oficiais, 12 foram de pênalti e 5 de falta. Dos 88 gols com bola rolando, em 49 deles Neymar precisou dar apenas UM toque para a bola entrar. Outros 30 foram no estilo domina e finaliza. E somente 9 vieram de jogadas totalmente individuais. Neymar recebeu de presente a esmagadora maioria de seus gols no Barça, praticamente três em cada quatro.

Isso não tira um centímetro de méritos. É apenas para constatar que não havia nada do tipo “não passavam a bola para ele”.

Acredito que, no coração do torcedor do Barça, Romário fique à frente de Neymar. Mas, em termos de conquistas e impacto para o clube, Neymar foi mais importante. Ronaldo não fica à frente dos dois em nenhum dos critérios.

O debate em cima do título desta postagem se deve a todos os pepinos extra-campo que o Barcelona teve com Neymar.

A chegada do Santos, em uma transferência tão picareta que ainda está sendo revista e debatida nos tribunais espanhóis. Importante frisar que o Barça sempre posou de “bom moço”, se contrapondo aos negócios “duvidosos” do Real Madrid. A compra de Neymar, os valores por baixo do pano, etc, arranharam a imagem do clube mundialmente.

E, agora, uma saída que deixa cicatrizes. Deixa o Barcelona com uma imagem de clube incapaz de segurar um de seus gênios, que simplesmente escolheu abandoná-lo.

Isso depois de ter, em quatro anos, ganhado mais dinheiro do clube do que Iniesta, por exemplo, ganhou a vida inteira.

Colocando o desgaste, o dinheiro, os títulos, os gols, a paixão, tudo isso na balança… será que valeu a pena?

Cada um terá uma resposta. Eu acho que Neymar foi um mico para o Barça fora de campo, tanto na chegada quanto na saída. Em campo, passou longe, muito longe, de ser um mico.  Mas não teve, na terceira e quarta temporadas, algo perto do impacto da segunda.

Pelo que joga, Neymar fez, com a camisa do Barça, menos do que podia. Ou será que fez exatamente o que podia?

Já veremos.