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Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra estão com o pé na Copa-2018
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A rodada do fim de semana classificou a Bélgica para a Copa do Mundo, após a vitória por 2 a 1 na Grécia. Além da anfitriã, a Rússia, a seleção belga é a única europeia já confirmada.

Mas a rodada dupla deste início de setembro deixou também Espanha, Inglaterra, Alemanha e Sérvia com um pé (e uns dedinhos) na Copa do Mundo do ano que vem. Nas eliminatórias europeias, as seleções vencedoras dos nove grupos ganham vaga direta, e oito segundos colocados disputam quatro vagas no mata-mata.

A Espanha, depois da ótima partida de sábado contra a Itália, no duelo direto que, de fato, decidiu tudo, massacrou Liechtenstein nesta terça por 8 a 0. Foram quase 80% de posse de bola e gols de quase todo mundo: Morata e Aspas fizeram dois, Isco, Sergio Ramos, David Silva e Deulofeu, um cada. A Espanha vai virando “o time de Isco”, o que não é mau negócio.

Com 22 pontos, a Espanha mantém três de frente para a Itália, que ganhou de Israel por 1 a 0 com um gol de Immobile. Foi uma partida preguiçosa da Itália, que parecia desmotivada em campo. Melhorou no segundo tempo, mas não foi suficiente para ampliar o marcador.

A Espanha não deve tropeçar nem contra Albânia nem contra Israel e tem 17 gols a mais de saldo que a Itália. Pode até perder uma. Não vai acontecer, a vaga para a Roja virá em outubro. E a Itália que se vire na repescagem.

Em uma “final” pela vaga direta, a Sérvia foi a Dublin e conquistou uma vitória enorme sobre a Irlanda. 1 a 0, com gol de Kolarov, ex-Manchester City, hoje na Roma. A Sérvia jogou quase 30 minutos com um homem a menos e segurou o resultado.

Nos outros jogos do grupo D, a Áustria se despediu ao ficar com 1 a 1 com a Geórgia, e o País de Gales ganhou por 2 a 0 em Moldova. Agora, faltando duas rodadas, a Sérvia tem 18 pontos, Gales tem 14 e a Irlanda tem 13. Mas a vaga está nas mãos dos sérvios, que enfrentam as fracas Áustria (fora) e Geórgia (casa) nos últimos jogos.

Na última rodada, Gales e Irlanda se enfrentarão em Cardiff por uma vaga na repescagem. Talvez o empate sirva para Gales, talvez para ninguém (o pior segundo colocado fica fora).

Além de Espanha e Sérvia, outras duas seleções praticamente garantidas são Alemanha e Inglaterra, que venceram seus jogos na segunda-feira.

A Alemanha tem cinco pontos a mais que a Irlanda do Norte e, mesmo que perca o confronto direto entre elas, depois se despedirá em casa contra o Azerbaijão. Já deve se garantir na próxima rodada, mesmo jogando na Irlanda. Os norte-irlandeses vão para a repescagem.

A Inglaterra tem cinco pontos de vantagem para a Eslováquia e seis para Eslovênia e Escócia. Também pode até tropeçar uma vez, já que a Inglaterra pega a Lituânia na última rodada. As outras três seleções jogam por uma vaga na repescagem. A Escócia tem duelos diretos em casa contra a Eslováquia e fora contra a Eslovênia. Se não perderem na Escócia, os eslovacos têm tudo para ficarem com a vaga no mata-mata derradeiro.

Outras potências

Depois de perder na estreia para a Suíça, um ano atrás, Portugal, campeão europeu, fez sua parte. Ganhou todos os jogos. Mas a Suíça também. Na próxima rodada, em outubro, Portugal vai ganhar de Andorra e a Suíça, em casa, não deve perder da Hungria. Na última rodada, em 10 de outubro, Portugal recebe a Suíça. Se vencer, vai para a Copa e jogará os suíços para a repescagem. A Suíça jogará pelo empate para ir ao Mundial.

A outra finalista da última Euro, a França, perdeu a chance de se garantir ao empatar com Luxemburgo, domingo. Com 17 pontos, comanda um grupo que tem a Suécia com 16, Holanda com 13 e Bulgária com 12. Na próxima rodada, jogam Bulgária x França e Suécia e Holanda têm jogos fáceis. Na última rodada, a França recebe Belarus, enquanto a Holanda recebe a Suécia.

A tendência é a França ganhar o grupo e a Suécia ser segunda, por ter um saldo muito melhor que o da Holanda. Mas é um grupo em que está tudo aberto – graças ao tropeço inesperado dos franceses domingo.

Grupo embolados

O grupo I teve jogos fundamentais nesta terça. A Turquia sobreviveu ao vencer a Croácia por 1 a 0, e a Islândia, Cinderela da última Euro, fez 2 a 0 na Ucrânia.

Agora, Croácia e Islândia têm 16 pontos, Ucrânia e Turquia têm 14. As quatro tem um jogo tranquilo, contra os rivais mais fracos do grupo. E tudo será definido em dois confrontos diretos: na próxima rodada, Turquia x Islândia e, na última, Ucrânia x Croácia. Um empate servirá para a Croácia e, talvez, para a Islândia. A turcos e ucranianos, bastará uma vitória para garantir, pelo menos, repescagem. Vai pegar fogo.

No grupo E, a Polônia tem 19 pontos, Montenegro e Dinamarca têm 16. A Polônia tem tudo para ficar com a vaga, joga fora com a Armênia e em casa contra Montenegro. Na próxima rodada, se enfrentam Montenegro e Dinamarca – na última rodada, os dinamarqueses recebem a eliminada Romênia. O jogo de Montenegro é fundamental, e um empate é bom negócio para a Dinamarca.

Além de Bélgica, Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra, conseguirão vagas diretas possivelmente França, Polônia, Portugal ou Suíça e, vou arriscar, a Croácia.

A repescagem está se desenhando com Suécia, Portugal ou Suíça, Irlanda do Norte, País de Gales, Montenegro ou Dinamarca, Eslováquia, Itália, Grécia e Turquia ou Islândia. Um deles, de pior campanha, ficará fora. E os outros se matam-matam por quatro vagas.

 


Alemanha, o país do futebol, chega a mais uma decisão
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Eu tenho alguns arrependimentos na vida. O maior deles, não ter escrito um livro com o amigo Sérgio Patrick e que estava prontinho para ser escrito. Pesquisas e entrevistas feitas. Faltou disciplina, talvez coragem. A ideia de título para o livro, em 2013, era: “O Brasil não é o país do futebol”. Conforme as pesquisas avançaram, identificamos que havia um claríssimo país do futebol: a Alemanha. O livro se chamaria: “Por que a Alemanha (e não o Brasil) é o país do futebol”. Faltava um ano para o 7 a 1.

Não escreverei o livro-que-não-escrevi aqui. Mas, simplificando, a Alemanha é o país do futebol por várias razões. Povo apaixonado e praticante do esporte, futebol inserido na sociedade, usado como forma de aproximação, integração e inserção social, campeonatos locais fortíssimos, ingressos acessíveis, estádios lotados, clubes financeiramente saudáveis, futebol de base tratado com o cuidado do de cima, busca do conhecimento teórico em todas as esferas dos esporte, formação de profissionais, seleção multicampeã em todas as categorias, inclusive futebol feminino.

O futebol alemão não tem brechas. Você não encontrará NENHUM outro futebol do mundo que atenda com glória todos os pontos acima, entre outros.

E, nesta quinta, com um time super renovado, cheio de caras novas, pensando muito mais na Copa do Mundo de 2022 do que na de 2018, a Alemanha passou por cima do México. 4 a 1. Vai disputar a final da Copa das Confederações contra o Chile.

E aí, será que “vamos” celebrar mais uma “talentosa geração da Alemanha”?

Mais uma? Que sorte eles têm, hein. É geração talentosa atrás de geração talentosa! Os que analisam assim são os mesmos, possivelmente, que diziam que “o problema da seleção brasileira é que a atual geração é ruim”. Incrível, ficou boa com Tite.

Não tem sorte e azar não, amigas e amigos. Tem trabalho. Planejamento. Responsabilidade. Tudo o que nós não temos em nosso combalido país quando se trata de futebol (a seleção é a exceção que, infelizmente, nubla o resto).

A Alemanha fabrica jogadores de futebol desde que revolucionou seu modo de ver a base, lá no ano 2000, após o fracasso naquela Euro. A consagração veio na Copa de 2014, a dos 7 a 1. O placar não refletia a diferença técnica entre Alemanha e Brasil. Mas refletia perfeitamente a diferença entre o futebol de lá e o daqui, como um todo. E segue refletindo.

Enquanto aqui no nosso Brasileirão vemos técnicos degolados, maratona de jogos, clubes quebrados, dirigentes atuando com a mesma racionalidade de torcedores em redes sociais, na Copa das Confederações vemos a Alemanha mandar um time B. Vemos a Alemanha pensando dois passos adiante. Descansando jogadores experientes e dando bagagem aos mais novos.

A Alemanha pode até perder a final de domingo para o Chile. Acho até que perderá. O Chile vive o melhor momento de sua história, tem uma geração campeã, de jogadores acima da média e que compreendem a importância desse título. O torcedor chileno (mais de 12 mil foram à Rússia) percebe o momento histórico, os jogadores também.

Mas o que importa?

Será que o futebol não é mais do que ganhar ou perder? Ninguém joga para perder, isso é básico, mas será que só importa mesmo vencer? Será que o que vale é vencer, não importam os meios? Não é mais bacana vencer sem a influência do acaso?

Nada do que acontece com o futebol da Alemanha é por acaso. Nem mesmo uma final com um time de vinte e poucos anos de média. Aliás, bom notar que a seleção sub-21 está na final europeia contra a Espanha. A Alemanha agregou talento, conhecimento, paixão a sua já conhecida mentalidade competitiva.

Sabem qual a imagem mais bacana da goleada sobre o México? Não, não são os gols de Goretzka, as boas defesas de Ter Stegen ou os dribles de Draxler. A imagem é o pênalti que Werner sofre ao ser empurrado por trás. Mas ele se recusa a cair, tenta fazer o gol e depois xinga o árbitro. A mentalidade é se dar bem por méritos próprios, não depender dos outros.

O futebol é muito dinâmico. Copas do Mundo são torneios curtíssimos, qualquer um pode ganhar ano que vem (meu favorito é o Brasil). Em pouco tempo, muitos países podem alcançar a Alemanha. Mas, hoje, eles estão dando um banho na concorrência, inclusive europeia.

A Alemanha segue dando aulas. Só não aprende quem não quer.


Alemanha aprendeu ‘lição brasileira’ e acerta ao poupar nas Confederações
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A Copa do Mundo, já faz algum tempo, não é mais a baba de outrora para os países tradicionais da bola. Nunca foi uma baba ganhar a Copa – mas quase nunca foi complicado para os grandes passar de primeira fase e chegar até o momento agudo da competição.

Isso foi mudando ao longo dos anos. E, hoje, em um futebol globalizado, em que as informações (táticas, técnicas e de treinamentos) correm muito rapidamente, a história de “não ter bobo” virou uma realidade. Portanto, em uma competição curta, como são Copas entre seleções, o condicionamento físico não só é uma virtude. É obrigação. É mandatório estar com todo mundo a 100%.

Neste contexto, a Alemanha acerta ao deixar tantos jogadores importantes fora da Copa das Confederações. A estreia será nesta segunda, contra a Austrália.

A Alemanha é a atual campeã do mundo. A Alemanha joga para ganhar Copa e Eurocopa. Claro que não entra para perder a Copa das Confederações, mas entra com limitações em nome de algo maior.

Não é o caso, por exemplo, de Chile, Portugal e México. Para estas três seleções, que têm tradição no futebol, mas não o peso da Alemanha, ganhar uma Copa das Confederações seria um feito. Seria bizarro deixar Alexis Sánchez ou Cristiano Ronaldo ou qualquer outro jogador fora de um momento importante na história do futebol destes países. Os olhos do mundo estão voltados para a Rússia.

Sim, é verdade que esses caras correm o risco de chegar com a língua de fora na Copa-2018, após vários anos sem férias ou sem pré-temporada bem feita. Mas… e daí? Para chilenos, mexicanos e portugueses, essa Copa das Confederações é histórica. E ganhá-la é uma possibilidade. A Alemanha escolheu compartilhar o favoritismo com os outros.

O que trouxe para o Brasil os títulos das Copas das Confederações de 2005, 2009 e 2013?

Será que foi a melhor estratégia expor suas qualidades e defeitos para o mundo inteiro ver? A de 2013 é até compreensível, pois a seleção tinha técnico novo, precisava montar time e jogava a competição em casa. Mas as outras…

Em 2005, Parreira até que deixou alguns poucos nomes fora daquela Copa das Confederações. Em 2009, Dunga foi com tudo. O fato é que o Brasil ganhou todas elas e perdeu todas as Copas do Mundo subsequentes. Já quando mandou o time Z, aquele do Leão, em 2001, se deu bem no ano seguinte.

A Alemanha tenta não cometer o erro do Brasil. Não quer se expor e não quer massacrar fisicamente seus jogadores mais importantes. Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Khedira, Ozil, Muller… ficam todos em casa. É a hora dos Kimmich, Brandt, Sule, Werner, Draxler.

Há países que vivem o dia a dia, a obrigação da vitória sempre a qualquer custo. E há países que planejam, entendem que derrotas fazem parte do jogo, mantêm estilo, base e vão fazendo transições pouco dramáticas. Alguns vivem da ruptura (e às vezes se dão bem com ela). Outros prezam pela estabilidade. Extrapole o futebol e muita coisa será explicada.

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Alemanha e Inglaterra rumo à Copa com o futebol que têm
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juliogomes

Alemanha e Inglaterra estrearam nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 fazendo a que, no papel, era a partida mais difícil – ou das mais difíceis – que teriam de fazer até o fim da competição.

A Alemanha jogou com a Noruega fora de casa. Passeou, fez 3 a 0. Jogo dominante, limpo, moderno, espalhando campo e machucando o adversário de várias maneiras.

A Inglaterra jogou com a Eslováquia fora de casa. Não cedeu uma finalização sequer, mas foi incapaz de criar grandes ocasiões de gol. Ganhou no sufoco, aos 50 minutos do segundo tempo.

Alemanha e Inglaterra vão ganhar seus grupos e estarão na Copa do Mundo de 2018. Possivelmente farão campanhas parecidas. Uma, de jeito dominante, outra, aos trancos e barrancos, farão o que precisam com o futebol que têm. Mas as campanhas parecidas e o peso das camisas (e das ligas, geopolítico, etc) farão com que muitos coloquem ambas no mesmo balaio de “favoritos” daqui a dois anos.

Ledo engano. A Alemanha chegará fortíssima ao Mundial para revalidar o título. A Inglaterra chegará sem chance alguma.

thomas-muller

O primeiro dia de eliminatórias europeias teve a Dinamarca e a Escócia como as grandes vencedoras. Se deixarmos de lado as grandes potências, há uma briga ferrenha entre os “mediões” para buscar uma vaga na Copa.

O grupo C teve Noruega 0 x 3 Alemanha, República Tcheca 0 x 0 Irlanda do Norte e San Marino 0 x 1 Azerbaijão – estes dois são café com leite. Apesar da derrota, os noruegueses não podem reclamar do empate entre os dois países com quem disputam a segunda posição.

O grupo E teve Dinamarca 1 x 0 Armênia, Cazaquistão 2 x 2 Polônia e Romênia 1 x 1 Montenegro. Esse é um dos grupos imprevisíveis, em que qualquer um pode ganhar a vaga direta para a Copa, até mesmo Montenegro (uma ex-república iugoslava).

A Polônia, ligeira favorita do grupo, vencia por 2 a 0 e cedeu o empate a uma das seleções mais fracas do grupo. A Romênia perdeu pontos em casa. Só a Dinamarca pode comemorar. Grande rodada para uma seleção que ficou fora da última Euro, eliminada pela Albânia.

No grupo F, a Escócia ganhou de Malta por 5 a 1, fora de casa, uma goleada fora dos padrões dos highlanders. A Inglaterra fez 1 a 0 na Eslováquia, e Lituânia e Eslovênia empataram por 2 a 2. Supostamente, eslovacos e eslovenos disputarão a segunda vaga. Mas a Escócia pode sonhar! Por que não?

 


Favoritos sofreram e sofrerão na Copa nivelada por cima
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UOL Esporte

Os grandes sobreviveram às oitavas de final desta grande Copa do Mundo. Sobreviveram. Brasil, Argentina e Alemanha sofreram mais do que muitos esperavam. Não foi surpresa para eles, no entanto.

É um jogão atrás do outro! Quatro dias de coração na boca e será assim nos oito jogos que faltam.

Para os “gigantes”, foram sofrimentos distintos em circunstâncias distintas de jogo.

Não é uma boa leitura minimizar as dificuldades enfrentadas pelo Brasil só porque outros também sofreram.

Muita gente andou falando no Twitter coisas do tipo “o Brasil sofreu contra o Chile, mas olha só os outros sofrendo contra times piores”.

“Pior” e “melhor” é muito relativo. Se olharmos o ranking da Fifa, por exemplo, pouquíssimos são “melhores” que a Suíça, que era cabeça de chave do grupo dela.
A Suíça jogou um futebol extremamente negativo. Nunca quis ganhar o jogo, o plano foi sempre embaralhar a entrada da área, congestionar o campo e esperar pelos pênaltis.

Tiveram um par de contra ataques no primeiro tempo e nada mais do que isso. A lição de casa era copiar o que fez o Irã e não permitir os espaços que a Argentina tinha tido contra a Nigéria.

É definitivamente uma boa estratégia para enfrentar a Argentina, que joga de modo muito estático. Messi está parado, quer bola no pé e, quando ela chega, rapidamente uma marcação dobrada (muitas vezes até triplicada) era imposta pelos suíços.

O outro rompedor de defesas é Di María, que fez um mal jogo, tomando muitas decisões equivocadas. Virou o herói no final, mas estamos falando aqui dos 118 minutos anteriores.

A Suíça tem poder de fogo, no entanto. E poderia ter pelo menos tentado ganhar o jogo. Pagou por ter abdicado do futebol, uma punição justa a quem decidiu fazer um jogo negativo.

Brasil, Alemanha, qualquer um teria sofrido contra a Suíça. É sempre difícil jogar contra linhas sólidas, juntas e envolvendo os dez atletas de linha.

A Argélia fez algo bastante diferente contra a Alemanha. Além de marcar muito, tentou ganhar o jogo de forma inteligentíssima. Correndo para cima de uma zaga lenta, pelo meio, apostando realmente em fazer dano dessa maneira.

É o ponto fraco alemão e quase a maior zebra da Copa apareceu.

No Brasil, temos a mania de ignorar e desprezar times médios e pequenos europeus. São ridicularizadas por muita gente que quer “provar” que as ligas domésticas europeias são ruins por terem “apenas dois ou três times bons”.

Os argelinos, espalhados pelos Sportings e Getafes da vida, mostraram não só qualidade, mas muita inteligência tática. Não foi o antijogo suíço, foi algo muito mais ousado, sofisticado e digno de aplausos.

O Brasil possivelmente teria tanto trabalho quanto contra a Suíça e bastante menos contra a Argélia. Com laterais e zagueiros mais rápidos que os alemães, as ameaças seriam menores.

Já a Alemanha possivelmente teria tido menos trabalho contra o Chile. Porque gosta da bola, não permitiria que os chilenos dominassem a posse e fizessem o jogo como quisessem. Além, claro, de serem brilhantes em bolas aéreas – o grande defeito defensivo do Chile.

Que o futebol não tem mais bobo é algo que todos deveriam saber faz tempo, ainda que muita gente siga achando que camisas ganham jogos. O futebol evoluiu, é global, esses caras jogam em grandes ligas europeias.

Foram sofrimentos diferentes e esperados. Que não falam tão mal de Brasil, Alemanha e Argentina, mas, sim, bem de seus adversários e do nível atingido no futebol global.

Zebra mesmo será se o Brasil não sofrer contra a Colômbia. A Alemanha, contra a França (aliás, mal vejo um favorito aqui). A Holanda, contra a brava Costa Rica, convidada de honra desta grande festa. E se a Argentina não passar apuros contra a Bélgica também.

(Aliás, Colômbia e Bélgica prometiam. E cumpriram. O que vier a partir de agora é lucro e histórico).

É zebra se os favoritos não sofrerem. Não é zebra alguma se perderem.

Não é uma Copa nivelada por baixo, daí o equilíbrio. Muito pelo contrário. Estamos vendo qualidade, velocidade e gols. Times abertos, buscando a vitória. Não dá para pedir muito mais.


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