Blog do Júlio Gomes

Grêmio e Palmeiras conseguirão evitar a maior final de todas?
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Julio Gomes

Muitos clubes brasileiros têm uma história gigante, maravilhosa, torcidas e rivais. Mas pergunte a qualquer pessoa fora da América Latina qual o maior clássico do continente. Pergunte a qualquer brasileiro qual o maior clássico da América do Sul, excetuando seu próprio time.

Não tem jeito. É Boca x River. River x Boca. Determinar ''o maior clássico de todos'' passa por um monte de coisas.

Responda rápido: qual o maior clássico do Brasil? E o de São Paulo? E o do Rio? E o da Inglaterra? E o da Argentina?

Pois é. Não precisa ser bidu para saber que o último é o que terá o maior percentual de respostas iguais. Determinar o maior clássico de um país passa por títulos, quantidade de torcedores e, claro, pela exclusividade. A não concorrência. Boca x River é indiscutivelmente o grande clássico argentino. Sim, Grêmio e Inter fazem o único clássico gaúcho, por exemplo. E Celtic x Rangers fazem o grande clássico escocês. Em ambos os casos, não estamos falamos de um país inteiro como a Argentina, um país vencedor, berço de grandes craques e completamente apaixonado pelo esporte.

Boca Juniors e River Plate estão agora a um passo de uma inédita final de Libertadores. Inédita porque eles nunca disputaram uma decisão continental. E nem sequer houve até hoje uma final argentina.

Até pouco tempo atrás, o regulamento impedia que dois times do mesmo país disputassem a decisão. Depois, com o aumento da quantidade de clubes de cada país, o regulamento passou a dificultar, mas não impedir. Neste cenário, São Paulo e Atlético-PR, em 2005, e Inter e São Paulo, em 2006, fizeram as únicas finais, até hoje, entre times do mesmo país.

Hoje, essa regra caiu de vez. É por isso que Boca e River e Grêmio e Palmeiras não são mudados de lugar na chave, evitando uma final entre argentinos ou brasileiros, como antigamente.

Na história da Libertadores, Boca e River jogaram 24 vezes (a primeira delas foi em 1966), com 10 vitórias do Boca, 7 empates e 7 vitórias do River. Foram três confrontos em mata-mata e outros dois confrontos eliminatórios, em uma época em que a segunda fase levava às finais.

O Boca se deu bem três vezes (em 1978, no que era uma segunda fase equivalente às semifinais, em 2000, pelas quartas, e em 2004, pelas semifinais, passando nos pênaltis). Em 78 e 2000, seria campeão, em 2004 perderia a final para o Once Caldas.

O River Plate levou a melhor duas vezes (em 1970, no era uma segunda fase equivalente às quartas de final, e em 2015, nas oitavas, com aquele ''superclássico da vergonha'', adiado após agressões da torcida do Boca a jogadores do River, com direito a gás pimenta no túnel do vestiário). O River ganharia esta competição de 2015.

O Boca Juniors tem seis títulos e busca o sétimo, para se igualar ao Independiente como maior campeão. O River Plate tem três títulos, o mesmo número dos brasileiros que mais vezes ganharam a competição (Grêmio, São Paulo e Santos).

Somados, Boca, River, Grêmio e Palmeiras têm 13 títulos de Libertadores. Nunca houve uma fase semifinal com tantos troféus reunidos e nem mesmo com quatro ex-campeões.

Grêmio e Palmeiras têm tradição suficiente para derrotar os argentinos. E têm time também. O Grêmio, apesar de algumas baixas, é o atual campeão. E o Palmeiras é o elenco mais completo do Brasil, com bons jogadores em todas as posições. Ambos com técnicos experientes e que já foram campeões da América.

 

São semifinais muito equilibradas, em que os brasileiros têm a vantagem de decidir em casa. Talvez o River tenha mostrado um futebol melhor que o de todos os outros. O Boca, pelo contrário, está um pouco abaixo.

Grêmio e Palmeiras podem estragar tudo. Mas, se der Boca Juniors de um lado, River Plate do outro, teremos a maior final de Libertadores da história.


Reservas levaram Palmeiras à ponta. E agora, o que será deles?
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Julio Gomes

O desenho que Luiz Felipe Scolari deu ao semestre do Palmeiras é para lá de claro. Ele montou um time para jogar as Copas, que podemos chamar de ''time titular'', pois os torneios são a prioridade do clube (por prestígio e grana), e montou um time para jogar o Brasileirão nos fins de semana – que podemos chamar de ''time reserva''.

O time titular passou pelo Cerro Porteño e, nesta semana, deve confirmar, contra o Colo Colo, a classificação para as semifinais da Libertadores. Na Copa do Brasil, passou pelo Bahia, mas foi eliminado pelo Cruzeiro e está fora da decisão.

Como o time titular atua somente nos meios de semana, ele jogou duas partidas pelo Brasileirão com Scolari, vencendo Botafogo (22/8) e Atlético-PR (5/9) – ambos jogos bastante difíceis, em que os titulares flertaram com um tropeço no Allianz Parque.

Já o time reserva só entra em campo nos fins de semana. E, assim, ganhou seis partidas (incluindo o clássico contra o Corinthians) e empatou três (incluindo o jogo com o Inter, no Beira-Rio). Seis das nove partidas foram disputadas fora de casa, em condições adversas. Com este fantástico aproveitamento de 77,7%, podemos falar tranquilamente que foi o time reserva que levou o Palmeiras à atual liderança do campeonato.

O time reserva é beneficiado por ter quase sempre o mesmo goleiro do time titular (Weverton) e contar, esporadicamente, com a entrada de Dudu desde o início – ou, pelo menos, com a entrada dele e de Willian no segundo tempo das partidas mais encardidas. Felipe Melo, suspenso da Libertadores, é outro que tem aparecido no time reserva.

E assim Felipão toca a vida. Com dois times, ambos de nível parecido, ambos com uma semana de descanso entre seus jogos.

Só que agora o Palmeiras é líder e está fora da Copa do Brasil. Isso faz com que o Brasileirão ganhe peso e que o calendário, finalmente, dê um folga. Nesta semana, os titulares jogarão contra o Colo Colo. As duas semanas seguintes à atual serão as duas primeiras semanas ''livres'' para Felipão desde seu retorno ao Palmeiras.

Os meios de semana estarão reservados para as finais da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Corinthians (no meio de uma data Fifa).

Os dois próximos compromissos do Palmeiras pelo Brasileiro são contra o São Paulo, sábado, e contra o Grêmio, no outro domingo, dia 14 de outubro. Dois jogos contra times que disputam diretamente o título com o Palmeiras e dois jogos que não precedem compromisso algum de meio de semana.

E aí, o que fará Felipão?

A lógica estabelecida indicaria o time reserva nos dois jogos. Mas aí os titulares farão o quê? Terão folga até a semifinal da Libertadores, que será só em 24 de outubro? Difícil imaginar que os caras ficarão 20 dias sem jogar, certo? Difícil não, impossível.

Minha aposta é que Felipão, do meio para frente, vai escalar seus titulares.

Mas ficam interrogações. O que fazer com a linha de defesa? Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Luan e Victor Luís deram conta do recado, o time reserva levou três gols em nove jogos. Há quem diga que essa dupla de zaga é melhor que a ''titular'', formada por Antônio Carlos e Dracena.

E o que fazer com Lucas Lima e Deyverson, que foram os nomes mais importantes deste time reserva no período? Vai mandar Lucas Lima para o banco e agora ele só volta no jogo contra o Ceará, daqui a 20 dias, a partida que precede a semi da Libertadores?

O time reserva ganhou corpo, jogou com motivação e fez seu trabalho. Felipão conseguiu ter o elenco na mão, todos se sentem protagonistas.

Mas agora chegam as partidas contra São Paulo e Grêmio e só um time pode jogar. Ele fará uma escolha por time A ou time B? Ou vai misturar tudo? Como isso vai cair dentro do elenco?

A bola já esteve com o Flamengo, com o São Paulo e com o Inter. Agora, a bola está com o Palmeiras. Felipão que se vire!

 


Problema do Flamengo não é treinador, é má gestão do futebol
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Julio Gomes

O Flamengo demitiu mais um técnico. Agora, Maurício Barbieri. Não ficarei aqui defendendo estabilidade de treinadores, etc.

A instabilidade de treinadores no Brasil é ruim e se deve a muitos fatores. Desde o amadorismo dos dirigentes até o calendário nefasto e o próprio comodismo de muitos treinadores, para quem é conveniente pular de galho e galho e ficar só esperando a próxima boa proposta.

Trocar de técnico costuma não dar em nada. Mas, às vezes, funciona, vide Palmeiras, indo de Roger a Felipão, vide Real Madrid, chamando Zidane no meio de uma temporada. A maioria das trocas em meio de campeonato não ajuda, algumas ajudam. É uma aposta.

Quando treinador e jogadores não falam a mesma língua ou quando o trabalho simplesmente não evolui, trocar pode dar certo. O Flamengo tem 12 jogos para ser campeão brasileiro. Está na briga e tem jogadores para ganhar. Poderia ser com Barbieri? Pode ser com um técnico da velha guarda? Ou com interino? É loteria. Pode ser com qualquer um, basta sentar lá na cadeira, rolar uma química com os atletas e engatar duas ou três vitórias. Cria-se ambiente vencedor e a coisa vai.

Um mês no futebol é muita coisa. A Grécia foi campeã da Europa em um mês. A Croácia foi finalista da Copa em um mês. Quando a coisa dá certo, o período curto ajuda.

Portanto, não critico a demissão de Barbieri nesse sentido. Trocar agora pode até dar certo.

Mas o problema do Flamengo claramente não é de treinador. Já passaram por lá de todos os tipos. Novos, velhos, bons e ruins. Até houve um esforço para segurar nomes como Zé Ricardo e o próprio Barbieri. Mas o buraco é mais embaixo.

O problema do Flamengo é de gestão de futebol. Diretoria permissiva em relação aos jogadores, muitas contratações erradas, pagando valores acima do aconselhável e com elenco descompensado. Muito atleta para as mesmas posições e outras posições sem nenhum atleta de bom nível.

O Palmeiras, em sua gastança, montou um elenco muito mais coeso do que o do Flamengo, só para usar o exemplo do outro ''rico'' do futebol brasileiro.

A gestão Bandeira de Mello foi ótima para as finanças do Flamengo. E isso renderá frutos quando o clube cair em mãos que entendem de montagem de elenco de futebol. Hoje, não está.

 

Tags : Flamengo


Corinthians e Cruzeiro: olhem os times de 98 e chorem de saudades
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Julio Gomes

Corinthians e Cruzeiro farão uma final nacional 20 anos depois da única até hoje, a disputa do título do Campeonato Brasileiro de 1998.

Foram, a meu ver, os últimos anos de qualidade alta nos times brasileiros. O último grande time brasileiro, com nível parecido aos grandes europeus, foi o Corinthians do Mundial do ano 2000 (que mantinha parte da base do bi brasileiro 98-99). Depois disso, com a união de Champions League + mercado comum europeu + lei Bosman + globalização + mesmas gestões pífias no futebol sul-americano, foi sendo criado o abismo que já perdura há duas décadas.

Os títulos mundiais de Inter, São Paulo e Corinthians não passam de soluços.

Vejam o Corinthians que entrou em campo no terceiro e decisivo jogo (saudades dos playoffs com três partidas!) contra o Cruzeiro, naquele 23 de dezembro de 1998:

Nei; Índio, Batata (Cris), Gamarra e Sylvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho (Amaral) e Marcelinho; Mirandinha (Dinei) e Edílson. O técnico era Vanderlei Luxemburgo (no auge da carreira). Outros dois jogadores que entraram em campo em algum dos três jogos da decisão foram o volante Gilmar Fubá e o atacante Didi.

Esse meio de campo do Corinthians talvez tenha sido o último meio de campo de nível mundial de um time brasileiro. Quem, do time atual do Corinthians, jogaria nessa equipe de 98? Cássio, sem dúvida. Fágner, talvez. E olhe lá.

Mesmo se pegarmos o Corinthians campeão mundial de 2012, quem entraria nesse time? Acho que também só o Cássio. Talvez alguém no lugar de Mirandinha no ataque? Danilo, Sheik ou Guerrero, só escolher. O Tite de 2012 era melhor que o Luxemburgo de 98? Na opinião deste blog, não.

Vamos agora ao Cruzeiro vice-campeão brasileiro de 98.

Dida; Gustavo (Alex Alves), Marcelo Dijan, João Carlos e Gilberto; Valdir (Marcelo Ramos), Djair, Ricardinho e Valdo; Muller e Fábio Júnior. O técnico era Levir Culpi. Nos dois primeiros jogos, o titular da zaga era Wilson Gottardo ao lado de Marcelo. Que timaço!

Quem, do time atual, jogaria naquele Cruzeiro? Fábio? Ótimo, mas me desculpem, Dida foi melhor. Dedé na zaga? Bom debate. Lucas Silva no lugar de Valdir, provavelmente.

Na minha opinião, até o super Cruzeiro de 2003 era inferior, nome a nome, ao de 98. A grande exceção, claro, Alex. E o time de 2003 jogava mais no todo, de forma coletiva. O bi brasileiro de 2013/14 teria quem entrando em 98? Talvez só os mesmos Dedé e Lucas Silva. É um debate, alguém pode argumentar sobre esse ou aquele, mas estaremos entrando na exceção.

Meu ponto é que, hoje, os times são bem piores do que 20 anos atrás. Algo muito errado aconteceu e tem acontecido com o futebol brasileiro e nada está sendo feito para reverter esse processo.

O Cruzeiro é, a meu ver, favorito contra o Corinthians nesta final de Copa do Brasil. É o atual campeão, é mais time em todos os setores, tem mais opções no banco e um técnico mais experiente. Mas o nível está tão lá embaixo, principalmente se compararmos à grande final de 98 entre eles, que qualquer coisa pode acontecer.

 


As três derrotas de Cristiano Ronaldo
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Julio Gomes

Eu não teria dado o prêmio de melhor do mundo a Luka Modric.

Veja, isso não é dizer que o croata não mereça. É um jogador espetacular, destes raros, que são ao mesmo tempo carregadores de piano, talentosíssimos, corajosos. Pode ser um 5, um 8, um 10, pode ser o que o treinador precisar. Um jogador coletivo e, não se enganem, fundamental para o Real Madrid ter quebrado um jejum grande (para o tamanho do clube) e ter vencido quatro das últimas cinco Champions League.

O Real não teria feito nada disso sem Cristiano Ronaldo? Verdade. Mas também não sei se teria feito sem Modric.

Modric é fantástico. Fez uma Copa do Mundo enorme. E aí chegamos ao X da questão. Em prêmios de votação popular, como este da Fifa, uma competição como a Copa do Mundo ganha um peso grande demais. É como se todo o resto da temporada servisse, no máximo, de desempate.

Por isso sempre defendi que a grande chance de Neymar ser eleito melhor do mundo seria na Copa, com a seleção. Não era necessário deixar o Barcelona e sair da sombra de Messi, mas, sim, fazer algo grande com a camisa amarela. Veja, Modric nem mesmo precisou ser campeão do mundo para levar.

Zidane, em 98, Ronaldo, em 2002, Cannavaro, em 2006, não foram os melhores do mundo naqueles anos. Mas foram os melhores daquelas Copas. As exceções foram 2010 e 2014, quando a popularidade de Messi e Cristiano Ronaldo era tão grande que não deu para um espanhol ou para um alemão.

O prêmio Fifa, com votação de técnicos e capitães de todos os países do mundo, ou seja, votos de um monte de gente que não acompanha de perto, não atua, não vive e não conhece o futebol de alto nível, acaba sendo mais ou menos uma enquete popular. Famosos sempre vão sobressair. E, em anos de Copa, o peso do Mundial será absoluto.

Modric perdeu um pênalti na prorrogação das oitavas de final da Copa contra a Dinamarca. A decisão foi para os pênaltis, e o goleiro Subasic salvou a pele da Croácia. E se a Dinamarca tivesse passado? Modric seria melhor do mundo? Claro que não. OK, o ''se'' não joga. Vieram os jogos contra Rússia, Inglaterra e França. Modric fez tanto assim nesses três jogos para ser o ''the best''? Na minha opinião, não.

Eu votaria em Salah, porque creio que a temporada do egípcio foi a mais fora da curva, a mais difícil de ser realizada, dados o time em que atua, o campeonato onde joga e suas próprias limitações técnicas. Salah acabou, de forma bizarra, com o prêmio de gol do ano. Convenhamos, um gol tão belo quanto comum.

O natural seria Cristiano Ronaldo ganhar os dois prêmios. O Puskas, pela bicicleta perfeita que arrancou aplausos da torcida adversária em Turim, em um dos maiores clássicos do futebol mundial. E o prêmio de melhor do mundo também.

A impressão é que o mundo da bola não quis dar a Cristiano um título de melhor do mundo a mais do que Messi. Não quis desequilibrar o equilíbrio histórico entre eles.

Cristiano, competitivo como é, deve estar P da vida. Não deve estar considerando justas as duas derrotas.

Mas, mesmo que ele ache tudo isso, ele nunca poderia ter deixado de comparecer à premiação. Ele era uma finalista, oras bolas. Ele é o Cristiano Ronaldo. O cara jogava ao lado de Modric até outro dia, ganharam tudo juntos. É muito conversinha para boi dormir não ir ao prêmio porque tem jogo quarta-feira (um ''gigante'' Juventus x Bologna pela sexta rodada da Série A). Acredite nessa quem quiser acreditar.

Cristiano não foi porque quis boicotar o prêmio. Acabou desrespeitando os próprios companheiros de profissão. Boicotando a própria imagem.


Onde está o espírito guerreiro do São Paulo?
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Julio Gomes

Mesmo que tivesse vencido por 1 a 0, seria difícil elogiar o São Paulo neste sábado. Contra o América, o time não mostrou o sangue nos olhos que estava sendo a marca tricolor no campeonato. Teve certa arrogância, até, em alguns momentos. Achou que venceria quando quisesse.

Acabou levando o empate de um time que pouco se aventurou ao ataque, em uma falha tremenda de Rodrigo Caio no lance, habilitando o atacante do América – que deveria ter sido deixado em impedimento. Nos 10 minutos finais (mais acréscimos), os mineiros ficaram mais próximos da virada do que o São Paulo do 2 a 1.

O time de Aguirre vem sofrendo com seguidos desfalques, é verdade, sejam lesões, suspensões ou convocações. Está difícil repetir o time. A baixa de Éverton é especialmente sensível.

Mas o problema parece ir além disso.

O São Paulo forjou sua liderança com muita guerra, muita briga, muita humildade. Era um time que parecia se sentir inferior a todos, consequentemente precisava lutar por cada bola como se fosse um prato de comida.

Mesmo nos dois primeiros tropeços da série, empate com o Flu e derrota para o Galo, o time brigou e até jogou bem. Mas, contra Bahia, Santos e América, o espírito foi diferente. O time agora se sente líder.

Nos últimos cinco jogos, foi apenas uma vitória e três gols marcados. Não faz mais de um gol em um jogo desde 19 de agosto, contra a Chape, há mais de um mês – foram sete partidas desde então.

Faltam gols. E está faltando guerra. O São Paulo está líder. Para continuar, tem que fazer por merecer.


Juve supera expulsão exagerada de CR7 e mostra a que veio
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Julio Gomes

A Juventus chegou a duas finais de Champions nas últimas quatro temporadas. É multicampeã italiana, uma camisa pesadíssima. Não é novidade considerá-la uma das favoritas ao título europeu.

Mas é lógico que a chegada de Cristiano Ronaldo mudou o status do clube.

Pois bem. Eis que na estreia de CR7 pela Juve na Champions, ele é expulso com 29min de jogo pelo árbitro alemão Felix Brych. Considero exagerado o vermelho direto. Cristiano se enrosca na área com Murillo e depois dá uma espécie de puxada de cabelo no adversário, que estava caído. Agressão? O árbitro auxiliar de linha de fundo considerou que sim. Eu achei um exagero completo.

Foi tipo Diego Souza expulso outro dia, no Brasileiro, contra o Fluminense. Deu margem para o juiz expulsar? Deu. Foi infantil? Foi. Mas merecia o vermelho? Não. Cristiano até chorou em campo de tanta raiva, algo raro de ver. É a imagem mais forte desta primeira rodada da fase de grupos da Champions.

E como a Juventus iria reagir a essa expulsão, jogando em Valência, contra um bom time?

Não há jeito melhor de reagir do que dando um murro na mesa. O Valencia fez dois pênaltis bestas (bem marcados), Pjanic cobrou bem os dois e, de resto, foi se defender com aquela concentração típica dos times italianos. Ainda teve pênalti defendido pela Juve nos acréscimos.

O fato é que a Juventus tem um senhor time de futebol e passou com louvor do teste. Com um a menos por dois terços da partida e sem Cristiano Ronaldo, foi lá e ganhou do Valencia.

O Real Madrid ganhou bem da Roma, assim como o fizeram Bayern de Munique e Manchester United, fora de casa, contra Benfica e Young Boys.

A grande zebra da primeira rodada foi a derrota do Manchester City para o Lyon, na Inglaterra.

Os ''novos ricos'' City e PSG foram os dois favoritões que perderam na estreia. Vão ter de remar para fazer história.


Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Neymar teve seus melhores anos após Copas. Será a Champions da redenção?
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Julio Gomes

Era o dia 22 de junho de 2011. Pacaembu. Final de Libertadores da América. Neymar fez um gol, o Santos ganhou do Peñarol e voltou a conquistar o título que não via desde os tempos de Pelé. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo da África. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final e para a qual Neymar possivelmente devesse ter sido convocado por Dunga.

Vamos agora a 6 de junho de 2015. Berlim. Final de Champions League. Neymar fez um, o Barcelona ganhou da Juventus e voltou a conquistar a Europa. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo do Brasil. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas semifinais, naquele 7 a 1 contra a Alemanha que não teve participação de Neymar, pois ele se machucara nas quartas, contra a Colômbia.

Finalmente, chegamos a 2018. O Brasil acaba de cair na Copa da Rússia nas quartas de final, e Neymar saiu do Mundial como piada, por seus exageros e simulações. Daqui a menos de um ano, em junho de 2019, será disputada, em Madrid, a final da Champions, que dá o pontapé para sua fase de grupos nesta terça-feira.

Começa o torneio de futebol mais importante do mundo. E Neymar busca, pela enésima vez na carreira, a redenção. O tempo, para quem busca glória e conquistas pessoais, está passando rápido.

Para o Paris Saint-Germain, clube que contratou o jogador na maior transação da história e que virou um protagonista no mercado com o dinheiro do Catar, não estar nessa final de 2019 será nada menos do que uma enorme frustração. Um fracasso.

Em 2010, logo após a frustração de não ir à Copa, Neymar levou o Santos ao título da Copa do Brasil e começou com tudo sua história na seleção (chamado por Mano). No primeiro semestre de 2011, foi artilheiro do Santos e terceiro goleador da Libertadores na campanha do título. Em 2014, logo após a frustração da Copa em casa e de um ano de adaptação ao Barcelona, Neymar voou, fez 10 gols na campanha do título europeu, dividiu a artilharia com Messi e Cristiano Ronaldo e se colocou como postulante a melhor do mundo.

Neymar vem de nova frustração em uma Copa. E de um ano de adaptação ao PSG. Ele pode se agarrar a vários paralelos. Indiscutivelmente, os 11 meses que se seguiram aos Mundiais de 2010 e, depois, 2014, foram os melhores de sua carreira. Em 2011, se reivindicou como uma realidade nacional. Em 2015, internacional.

E em 2018/19, o padrão de sucesso pós-Mundial será mantido?

Não importam os gols e as vitórias fáceis na França. O que importa para o Paris é a Champions. E o time é um dos favoritaços a levantar a taça.

Nas casas de apostas, o principal favorito é o Manchester City, de Guardiola. Depois, vêm o Barcelona, de Messi, a Juventus, de Cristiano Ronaldo, e o PSG, de Neymar (ou de Mbappé?). Atrás deles todos, o tricampeão Real Madrid. Ou seja, os algoritmos consideram que a mudança de CR7 para a Itália é suficiente para catapultar a Juve e jogar o Real para a condição de quinta força. Logo atrás, vêm o Bayern de Munique e o Liverpool.

O Liverpool, algoz do City e finalista da Champions na temporada passada, se reforçou, ganhou os cinco jogos que fez até agora na Premier League (lidera com o Chelsea) e é o primeiro adversário do Paris, no grande jogo desta terça.

Sabemos que a fase de grupos da Champions tem reservado poucas surpresas. Ser primeiro do grupo é sempre uma vantagem, pois aumenta as chances de enfrentar um rival mais fácil nas oitavas ou, pelo menos, decidir em casa contra um rival de mesmo porte.

Na temporada passada, o Paris, primeiro de um grupo que tinha o Bayern, acabou emparelhado com o Real Madrid nas oitavas e dançou. Entre um jogo e outro, Neymar se machucou, escapando da eliminação em casa – assim como escapara do 7 a 1, em 2014.

Ser primeiro do grupo, pois, não é obsessão de quase ninguém na Champions. Mas jogos como este Liverpool x PSG desta tarde servem para medir forças logo no início da temporada. É o grande duelo do dia e da primeira rodada.

Depois do papelão na Rússia e da frustrante primeira temporada com o PSG, Neymar começa mais uma caminhada de redenção. Desta vez, não só esportiva, mas a redenção de sua imagem perante o mundo e os fãs. O ano em que Neymar precisa, de todas as formas, aparecer no noticiário somente pela enorme bola que joga.

Será que ele cumprirá a missão que lhe foi dada a peso de ouro pelos donos do clube? Será que, menos de um ano após uma Copa, ele estará, pela terceira vez, com as mãos em um troféu de relevância gigantesca?

Meu palpite é que sim. Mas a caminhada é longa. E é grande o desafio de controlar a fogueira das vaidades dentro de um clube que tem menos peso do que o vestiário. É arriscado o palpite. Mas é um bom palpite. Neymar já fez isso antes.

 


Queridinha do Brasil faz a alegria de três das maiores torcidas
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Julio Gomes

A vitória da Chapecoense sobre o Internacional, nesta segunda à noite, representou um suspiro de alívio para as torcidas de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, três das maiores do Brasil.

Time que já tinha a simpatia geral por ser o patinho feio na elite, ganhou o coração de todos após a tragédia de Medellín e, agora, deixa tanta gente feliz. A Chape, de quebra, sai da zona do rebaixamento.

O Inter poderia assumir a liderança isolada e ganhar ainda mais moral para o resto do Brasileiro. Pelo contrário. Em uma rodada que parecia favorável ao Colorado, enfrentando um time da zona de rebaixamento, todos os seus adversários fizeram um ponto a mais e em jogos mais complicados (Flamengo e São Paulo, em clássicos locais, o Palmeiras jogando em Salvador contra o bom time do Bahia).

Ainda teve vitória do rival Grêmio, que, no entanto, eu descarto da briga pelo título por causa da Libertadores – não pela diferença de pontos.

O Inter ainda perdeu um pênalti aos 49min do segundo tempo, com Jandrei parando Damião – aliás, eu não teria marcado a penalidade. Jandrei, cria colorada, ainda fez um milagre aos 51min, em um lance de bola parada onde, aí sim, me pareceu haver pênalti não marcado para o Inter sobre Moledo.

O Colorado não pode falar de arbitragem. A real é que nunca foi superior à Chape e só jogou bem depois de sofrer a virada e ficar com um homem a menos. Não jogou como líder. Mais um típico jogo que mostra o equilíbrio absurdo do nosso campeonato. Ninguém é favorito contra ninguém.

O Brasileiro é cada vez mais um campeonato ''caseiro''. Nas primeiras 20 rodadas, só uma (a sexta) acabou sem vitória alguma dos visitantes. Nas últimas cinco rodadas, isso aconteceu três vezes. O Inter perde o posto de melhor visitante e também a liderança para o São Paulo.

Os empates conseguidos pelo São Paulo, em Santos, e pelo Palmeiras, em Salvador, contra adversários superiores ao longo dos dois jogos, hoje parecem valer ouro.