Blog do Júlio Gomes

Botafogo viaja menos até volta da Libertadores; veja a tabela de cada um
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juliogomes

A semana foi intensa para os times brasileiros vivos na Libertadores, mas a competição só volta daqui a um mês. Grêmio, Santos e Botafogo conseguiram importantes vitórias fora de casa e estão pertinho das quartas de final. Palmeiras e Atlético-MG terão de reverter derrotas mínimas sofridas fora, enquanto o Atlético-PR é quem vive pior situação. Um cenário bem possível, hoje, é de vermos cinco brasileiros e três argentinos nas quartas.

Mas como estarão esses times todos daqui a um mês? Podem haver lesões, contratações, saídas e, por que não, até mesmo técnicos demitidos até lá.

Se juntarmos os mata-matas de Copa Libertadores e Copa do Brasil, veremos que o Grêmio é o único time que venceu nas duas competições e é favoritíssimo para seguir em ambas – até porque, resultados à parte, joga um grande futebol. O Atlético-PR, por sua vez, é o único que perdeu nas duas e dificilmente sobrará algo mais do que o Brasileiro, dentro de um mês, para o Furacão.

Palmeiras e Atlético-MG terão paradas duras na Copa do Brasil, fora de casa, antes de precisarem reverter, em seus domínios, as derrotas sofridas nesta semana pela Libertadores. O Santos está vivíssimo na Libertadores, mas em situação dura na Copa do Brasil. Mesmo cenário para o Botafogo. Ambos jogarão as partidas decisivas em casa, mas podendo administrar na competição sul-americana e tendo de buscar um resultado adverso na nacional.

O blog lista abaixo a tabela de jogos dos seis times brasileiros vivos tanto nas oitavas da Libertadores quanto nas quartas da Copa do Brasil. Nos próximos 35 dias, todos estarão em ação sempre, em fim de semana e meio de semana, e terão de administrar a maratona em três competições. Serão 10 jogos para cada.

Botafogo e Santos jogam 6 em casa e 4 fora, mas o primeiro ainda tem a vantagem de fazer um clássico contra o Fluminense. De todos eles, o Botafogo é quem menos viaja. Os outros – Palmeiras, Grêmio e Atléticos – fazem 5 partidas em casa e 5 fora.

O Grêmio, que vive a melhor situação, poderá evitar jogar com o time reserva no Brasileiro, como fez contra o Palmeiras. Poderá mesclar para poupar um ou dois (em vez do time todo). Ou, talvez, escolher um duelo mais ''ganhável'' para seu time B. Na minha visão, o jogo ideal para poupar titulares é justamente o próximo, em casa contra o Avaí, antes do duelo fundamental contra o Flamengo, no Rio, no meio da próxima semana.

O Palmeiras, com elenco mais parrudo, dificilmente poupará todo mundo de uma vez. Cuca vai administrar e terá duelos diretos contra Corinthians e Flamengo nas próximas duas quartas-feiras. Depois do confronto contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, jogará três de quatro jogos em sua arena, onde não perde há um ano.

O Santos tem três pedreiras agora, depois dois jogos em casa antes de tentar reverter na Copa do Brasil, contra o Flamengo. Novamente duas pedreiras no Brasileiro e um jogo mais tranquilo, contra o Avaí, antes da Libertadores.

O Atlético Mineiro tem uma tabela amigável nas próximas cinco rodadas do Brasileiro, com três jogos em casa e um fora contra o lanterna. Mas, ensanduichados entre os jogos de mata-mata contra Botafogo (26/7) e Jorge Wilstermann (9/8), enfrenta os dois atuais ponteiros do campeonato, Corinthians e Grêmio. Os 10 primeiros dias de agosto serão determinantes para a temporada do Galo. O desempenho anterior no Brasileiro determinará se Roger acabará levando força máxima para enfrentar os líderes ou se abrirá, de vez, mão do campeonato para focar na Libertadores.

O Botafogo, rival do Galo na Copa do Brasil, terá duas sequências de três jogos no Rio de Janeiro e é quem menos viaja. E, além do mais, provavelmente mandará time reserva para as partidas que fará fora, contra Atlético-GO e Cruzeiro, imediatamente antes das partidas decisivas contra Atlético-MG e Nacional-URU. O time de Jair Ventura sabe o que quer em campo, está com muita confiança nos jogos grandes e pode continuar sonhando com tudo. A tabela não é propriamente uma inimiga no próximo mês.

O Atlético-PR é quem está em situação mais delicada no mata-mata. Virtualmente eliminado da Copa do Brasil e precisando vencer o Santos por dois gols, fora de casa, na Libertadores. Será um mês de viagens curtas e a segunda quinzena de julho sem sair de Curitiba. Tempo para Eduardo Baptista trabalhar melhor e tentar uma série de vitórias para sonhar, no Brasileiro, com vaga na Libertadores do ano que vem.

Os jogos de cada um no próximo mês.

ATLÉTICO-MG

9/7 Botafogo x Atlético-MG
12/7 Atlético-MG x Santos
16/7 Atlético-GO x Atlético-MG
19/7 Atlético-MG x Bahia
23/7 Atlético-MG x Vasco
26/7 Botafogo x Atlético-MG (Copa do Brasil, 0-1)
30/7 Coritiba x Atlético-MG
2/8 Atlético-MG x Corinthians
6/8 Grêmio x Atlético-MG
9/8 Atlético-MG x Jorge Wilstermann-BOL (Libertadores, 0-1)

ATLÉTICO-PR

9/7 Chapecoense x Atlético-PR
12/7 Atlético-PR x Cruzeiro
15/7 Corinthians x Atlético-PR
20/7 Atlético-PR x Botafogo
23/7 Atlético-PR x Ponte Preta
27/7 Atlético-PR x Grêmio (Copa do Brasil, 0-4)
31/7 Vasco x Atlético-PR
3/8 Atlético-PR x Avaí
6/8 Palmeiras x Atlético-PR
10/8 Santos x Atlético-PR (Libertadores, 3-2)

BOTAFOGO

9/7 Botafogo x Atlético-MG
12/7 Fluminense x Botafogo
17/7 Botafogo x Sport
20/7Atlético-PR x Botafogo
23/7Atlético-GO x Botafogo
26/7 Botafogo x Atlético-MG (Copa do Brasil, 0-1)
29/7 Botafogo x São Paulo
2/8 Botafogo x Palmeiras
6/8 Cruzeiro x Botafogo
10/8 Botafogo x Nacional-URU (Libertadores, 1-0)

GRÊMIO

9/7 Grêmio x Avaí
13/7 Flamengo x Grêmio
16/7 Grêmio x Ponte Preta
19/7 Vitória x Grêmio
24/7 São Paulo x Grêmio
27/7 Atlético-PR x Grêmio (Copa do Brasil, 0-4)
30/7 Grêmio x Santos
2/8 Atlético-GO x Grêmio
6/8 Grêmio x Atlético-MG
9/8 Grêmio x Godoy Cruz-ARG (Libertadores, 1-0)

PALMEIRAS

9/7 Cruzeiro x Palmeiras
12/7 Palmeiras x Corinthians
16/7 Palmeiras x Vitória
19/7 Flamengo x Palmeiras
23/7 Sport x Palmeiras
26/7 Cruzeiro x Palmeiras (Copa do Brasil, 3-3)
29/7 Palmeiras x Avaí
2/8 Botafogo x Palmeiras
6/8 Palmeiras x Atlético-PR
9/8 Palmeiras x Barcelona-EQU (Libertadores, 0-1)

SANTOS

9/7 Santos x São Paulo
12/7 Atlético-MG x Santos
16/7 Vasco x Santos
19/7  Santos x Chapecoense
23/7 Santos x Bahia
26/7 Santos x Flamengo (Copa do Brasil, 0-2)
30/7 Grêmio x Santos
2/8 Santos x Flamengo
6/8 Avaí x Santos
10/8 Santos x Atlético-PR (Libertadores, 3-2)


Borja é um grande mico. Vai deixar de ser?
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juliogomes

O texto abaixo foi escrito pelo amigo Paulo Junior, do canal de podcasts Central 3, que, entre outras maravilhas, tem o semanal ''Zé no Rádio'', com José Trajano. Junior, assim como Trajano e este escriba, é um ex-ESPN. Um desiludido com o futebol moderno. E, assim como eu, enxerga o colombiano Miguel Borja caminhando a passos largos para se transformar no maior mico da história palmeirense. O blog agradece desde já ao amigo pelo texto. E assina embaixo.

Leia também, sobre o jogo de quarta: Palmeiras podia ter vencido, mas Cuca errou e preferiu jogar com 10

***

Borja, a contratação mais cara da história do Palmeiras, jamais poderá reclamar de má vontade da torcida: contra o Cruzeiro, há uma semana, quando foi a campo no intervalo e com o time perdendo por 3 a 0, era aplaudido por devolver arremesso de lateral de Tchê Tchê ou Egídio, aquela cobrança de protocolo, no pé bom para o centroavante chapar de volta e correr para a área.

Dali foi elogiado por parecer mais interessado que de costume, de certa forma contagiado por um time que perdia em casa por três gols e buscou o empate na pressão. Fez um jogo ligado, sim, ainda que continuasse errando lances fáceis, apanhando da bola em alguns momentos.

Uma semana antes, tinha marcado o gol da vitória contra o Atlético-GO, jogo em que Cuca revelou a um amigo depois do placar magro: não tem um centroavante melhor que esse para indicar, não? O treinador do clube mais agressivo do mercado se mexeu, claro. Tentou Richarlison, tenta Diego Souza. A torcida tem que apoiar, óbvio. Mas, internamente, Borja é uma coisa que o técnico segue tentando entender.

Nessa semana, jogou contra o Grêmio em jornada de poupados e ganhou nova chance contra o Barcelona, no Equador. Pelos relatos dos setoristas, seria titular mesmo com a presença de Guerra, liberado para voltar a São Paulo em razão de um acidente com o filho. Sem a principal referência técnica e criativa do time, a presença de Borja saltou ainda mais aos olhos: com o desfalque do venezuelano o time ficaria mais lento, mais previsível, cadenciado, ao ritmo de Zé Roberto, o que aumentaria a responsabilidade do seu atacante fora de órbita, escalado ao invés da velocidade de Roger Guedes ou Keno, ou de uma chance ao meia Raphael Veiga.

Borja nada fez. Nem procurou.

Após mais uma atuação constrangedora do colombiano, podemos ponderar o esquema tático (o famoso: a bola não chega!), uma provável comparação com Gabriel Jesus, o tempo para se acostumar com o novo país, a pressão por ter custado tanto dinheiro, o fato de ter só 24 jogos (15 como titular) pelo clube, num início de adaptação no primeiro semestre de um contrato de cinco anos. Todos esses poréns são válidos, e Borja, como todo artilheiro – incríveis 39 gols em 2016, contrastando com 13 em 2015 e só 14 nas temporadas somadas antes disso -, pode desencantar a qualquer momento e carregar o Palmeiras nas três competições. Tem 7, joga num time grande e pode terminar o ano com 20, 30, 40 gols, quem sabe?

Mas tem uma coisa anterior a isso, outra camada, que independe dos fatores citados acima: Borja é mais devagar e menos técnico do que todos pensavam. Isso é fato. Tem dificuldade em proteger a bola contra defensores comuns, atrapalha contra-ataques, tropeça mais do que parecia pela TV. Aí não tem posição, esquema, perto ou longe da área, sequência. Tem o cara, o jogo e a bola, relação primária, coisa de peneira de adolescente – você bater o olho e ver onde tem samba e onde tem canela. Essa primeira vista é assustadora. A presença de Miguel Borja nos quase 80 minutos em campo no Equador é pavorosa.

Assim, pelo que custou, pelo que custa, pelo momento do clube e pela megalomania dos investimentos, Borja tem pinta de maior mico da história do Palmeiras, ainda que só dependa dele mesmo para reverter o quadro. Aliás, tem tempo e condições ideais para isso – bom salário, estádio cheio, clube estruturado, apoio dos companheiros. Reforço: pode virar o jogo, e lembro Dudu, por exemplo, que começou no clube com atuações que nem de perto pareciam o que viria a ser nos títulos em 2015 e 2016.

A questão é saber se tem capacidade e força para isso. “Mas, ah, ele é jogador de área!”. Que corra mais, abra espaços, ajude. “Ah, no Atlético Nacional o time era arrumadinho”. Que trabalhe para arrumar esse, oras. “Ah, o Cuca não gosta de 9 que jogue parado!”. Convença o técnico, se reinvente, se vire! Se Borja não tem culpa de ter custado tanto e ser pintado como o 9 das Américas, que ao menos encontre outra identidade. Mas se é com essa “obsessão”, como cantam clube e torcida, que se joga um mata-mata de Libertadores, olha…

Por enquanto, a prateleira é a do folclore dos micos. Tipo Neto por Ribamar, ou aquele empresário do mercado de vinhos que colocou 2 milhões de euros no Valdívia. A chance no time titular em Guayaquil passou como um grande vazio. Veremos como reage, ou não, nessa sequência que vai dar nas decisões contra Cruzeiro e Barcelona. Acho, puro palpite, que assistindo do banco de reservas.


Palmeiras podia ter vencido, mas Cuca errou e preferiu jogar com 10
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juliogomes

O Palmeiras fez um muito bom primeiro tempo e um mau segundo tempo em Guayaquil. Poderia ter vencido a partida. Acabou perdendo.

Um resultado horroroso, pois o Barcelona provou-se, nesta Libertadores, mais perigoso fora de casa do que em seus domínios. Em agosto, irá a São Paulo para se defender e tentar achar um gol que deixaria a eliminatória muito complicada para o Palmeiras.

Não deu para entender por que Cuca deixou Borja em campo até os 35min do segundo tempo. O colombiano não fez gol, não finalizou, não participou, não fez nada nada nada.

Antes de tirar Borja, Cuca tirou Zé Roberto para colocar Roger Guedes e tirou Dudu para colocar Michel Bastos. Não teve o menor cabimento deixar Borja em campo e sacar Dudu, que estava bem. Zé Roberto, apesar do cartão, fazia uma boa partida na posição em que mais brilhou na carreira. Por fim, aos 35, entrou Keno no lugar do colombiano, que vai se configurando como o mico do ano.

O Palmeiras teve, depois das trocas, alguma agressividade no segundo tempo. Mas já não havia mais tempo para buscar a vitória, era melhor segurar o 0 a 0. E nem isso deu certo.

Borja foi contratado basicamente por causa da Libertadores do ano passado. Quem sabe ainda se acerte no futebol brasileiro, mas está difícil. Pois não parece um jogador muito a fim de participar do jogo. Ou recebe bolas limpas ou ajuda pouco.

Nesta quarta, no primeiro tempo, com Zé Roberto, Dudu e Willian, o Palmeiras teve lances em que poderia ter feito um gol. Mas, com um atacante que não participava das jogadas, faltou uma peça no tabuleiro.

Vamos ver até quando vai durar a paciência de Cuca e de uma das torcidas mais exigentes do país.


São Paulo perde até troféu “cretinice da semana”. Prêmio vai para a Chape
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juliogomes

A fase do São Paulo é tão ruim que nem o prêmio ''cretinice da semana'' ele consegue ganhar. Afinal, a Chapecoense conseguiu superá-lo.

Porque, mais cretina do que a demissão de Rogério Ceni, só mesmo a de Vágner Mancini.

O que os novos dirigentes pensam que a Chapecoense é? Uma gigante do futebol mundial? Talvez tenham ficado embriagados pela fama nos quatro cantos do planeta, fama gerada pela maior tragédia da história do esporte.

A Chapecoense é um clube pequeno, do interior de Santa Catarina, que conseguiu o milagre de subir da quarta para a primeira divisão nacional em cinco anos e que nela se mantém pelo quatro ano seguido. Clube que ganhou a simpatia de todos por desafiar os enormes e ricos do nosso futebol e se manter na elite contra os prognósticos.

Aí, acontece a tragédia. E vários profissionais se colocam à disposição para trabalhar para o clube. Vágner Mancini recebe um ''não-time''. Vai montando elenco, é campeão estadual, classifica o time na Libertadores (perde pontos por erro administrativo) e chega a liderar o Brasileiro. No primeiro momento de instabilidade, é mandado embora?

É revoltante.

E vamos lá ver de quem a Chape perdeu? Do Botafogo, Flamengo e Atlético Mineiro, antes de cair para o Defensa y Justicia argentino e empatar com o Fluminense, sofrendo empate nos acréscimos.

Será que se tivesse vencido o Fluminense, segunda-feira, Mancini teria sido mandado embora? Eu tenho 100% de certeza. Não, não seria. Portanto, uma bola que entra ou não entra, aos 48min do segundo tempo, é o que faz um dirigente mandar ou não mandar um profissional embora.

Em um Bolão que faço com amigos, precisava mandar palpites de campeão, vice e rebaixados até a quarta rodada do campeonato. A Chape era líder. Mas coloquei na minha lista de rebaixados. Fui o único, talvez acerte sozinho. Era muito lógico que a Chape cairia de produção e logo estaria no seu verdadeiro campeonato, ali embaixo, lutando pela permanência. Pelo jeito, só os dirigentes dela achavam que aquela liderança significava alguma coisa.

Em entrevista, Vágner Mancini disse que se sentiu traído, o que é óbvio. E que sofreu com um elenco curto, quando começaram os desfalques, o que também é óbvio. Falou também:

''Vínhamos falando em reforços há muito tempo. Inclusive, me passaram que havia folga no orçamento e estávamos em cima disso. Todo mundo que sai do Estadual se reforça, a maratona é pesada.''

Interessante, essa informação. Interessante pensar que há ''uma folga no orçamento'' da Chapecoense. Será que há ''folga no orçamento'' das famílias de muitos dos mortos do último mês de dezembro? Já falei aqui e repito. A Chape é vítima e também culpada. A instituição é responsável por seus empregados, colocados dentro de um avião duvidoso, de uma empresa duvidosa. E temos relatos de famílias entrando na Justiça para receber indenizações condizentes com o que seus pais/maridos/filhos recebiam.

É uma enorme pena que as pessoas que assumiram a Chapecoense não tenham entendido nada.

Já a demissão de Rogério Ceni, tão comentada por tantos colegas e entendidos de São Paulo Futebol Clube, é cretina porque mostra o amadorismo do clube e seu presidente.

É incrível como o São Paulo, tão dominante em outros tempos, tenha ficado tão para trás. Hoje, é um clube sem identidade. Não sabe que futebol joga, se é um clube de elite ou popular, se compra ou vende, se é soberano ou humilde, não sabe nada.

Florentino Pérez também jogou para a torcida ao contratar Zidane. Mas Zidane havia passado por vários estágios obrigatórios na carreira de um treinador em formação. A aposta em Rogério Ceni precisava ter sido melhor estudada e, se aprovada, mantida.

O time não jogava nada, Rogério tem enorme parcela de culpa. Mas o cara tinha um plano, oras. E o mínimo que o clube devia a ele era a chance de colocar esse plano em prática. Se desse errado, depois haveria tempo para se levantar. No futebol brasileiro, quem ganha tanto dinheiro, como o São Paulo, sempre se levanta. Duro mesmo é ser a Chape. Ainda mais com quem administra o clube com o mesmo fígado de outros dirigentes.


Renato Gaúcho erra ao jogar pontos fora no Brasileiro
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juliogomes

Responda rápido. O que é mais importante para o Grêmio? Ganhar o Campeonato Brasileiro ou a Copa do Brasil?

Acredito que não haja muitas dúvidas sobre a resposta.

Quando o Grêmio venceu a Portuguesa naquela final de 1996, eu tinha a certeza que era a última chance da Lusa. Mas não imaginava que o Grêmio ficaria os 20 anos seguintes sem ganhar o Brasileiro – e, convenhamos, sem passar nem perto.

Depois daquilo, já ganhou três Copas do Brasil, inclusive a última.

Qual o sentido de jogar com os titulares na Copa do Brasil contra o Atlético-PR e colocar um time inteiro reserva para enfrentar o Palmeiras no Campeonato Brasileiro?

Eu entendo que o grande objetivo seja a Libertadores. Mas escalar os titulares em um jogo no sábado, se tivessem vindo de uma semana inteira de folga, não comprometeria para o jogo de terça contra o Godoy Cruz.

E escalar os reservas em casa, contra o Atlético-PR, pela Copa do Brasil não significaria derrota certa.

O Grêmio, neste sábado, não passou nem perto de ameaçar o Palmeiras. Não foi um time competitivo. É verdade que o gol palmeirense saiu no fim, em um gol contra dos mais bestas. Mas já deveria ter saído no primeiro tempo, quando o árbitro não deu pênalti claríssimo sobre Egídio. O segundo tempo foi disputado inteirinho dentro da área gremista.

Uma coisa é escalar um time ''alternativo'', como Cuca chamou o do Palmeiras. Estavam lá vários jogadores que têm atuado também nos jogos mais importantes, e outros entraram no segundo tempo. Outra coisa é escalar um time completamente reserva.

E esse time reserva do Grêmio é um espectro do titular. Muito, muito, muito, mas muito abaixo. Por que não poupar algumas peças, em vez do time todo? Assim, o time não perderia sua essência, como perdeu.

O Grêmio perdeu três jogos no campeonato, dois deles com o time inteiro reserva. Seis pontos que Renato Gaúcho simplesmente jogou no lixo. Pode acabar o domingo já longínquos sete pontos atrás do Corinthians.

Vamos pensar de forma invertida. E se o Grêmio tivesse mandado os titulares e vencido o mistão palmeirense? Quantos times vão ganhar do Palmeiras em São Paulo neste campeonato? Pouquíssimos, se é que algum vencerá.

Será que a Libertadores é tão mais importante assim para o Grêmio? Será que o torcedor tricolor não está sedento também por um Brasileiro, 21 anos depois? Renato Gaúcho está dando um show como treinador do time mais agradável de se assistir no Brasil. Mas erra feio ao abdicar de pontos, especialmente contra concorrentes diretos.


Brasileiro, ato 11: rodada de jogões é condicionada pela Libertadores
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juliogomes

A 11a rodada do Brasileirão prometia. Ainda promete, talvez. Mas, infelizmente, está totalmente condicionada ao início do mata-mata da Libertadores, com seis clubes envolvidos em jogos no meio da próxima semana.

Palmeiras e Grêmio abrem a rodada neste sábado em um clássico nacional que pode perfeitamente ter implicações de título. Mas os dois mandarão a campo times reservas no Pacaembu. Uma grande pena, pois poderíamos ver um baita duelo entre dois dos mais fortes do país.

Ambos jogaram no meio de semana pela Copa do Brasil e jogarão semana que vem pela competição continental. Não concordo com a lógica de colocar titulares na Copa do Brasil e reservas no Brasileiro. O argumento é sempre a Libertadores. ''A Copa do Brasil é o caminho mais curto''. Outro argumento é que ''no Brasileiro dá tempo para recuperar''.

Será que dá mesmo?

Se era para poupar, ambos deveriam ter poupado na Copa do Brasil. E não arriscar tanto com ''times alternativos'' em um confronto direto. O Grêmio já perdeu pontos importantes fazendo isso na Ilha do Retiro, em um momento em que o Sport vivia péssima fase e jogava com técnico interino.

O Atlético Mineiro só não poupará jogadores porque tem, no domingo, o clássico contra o Cruzeiro. Não dá para abrir mão de clássico. Roger escolheu, então, poupar em Chapecó semana passada. Deu certo. Como o Galo ficou muito para trás na classificação do Brasileiro, faz mais sentido focar nas Copas – é diferente de Palmeiras e Grêmio.

O Santos vai poupar titulares contra o Atlético, em Goiânia. Um jogo que todos os candidatos a título vão vencer e ele passa a arriscar pontos ''fáceis''. O Atlético-PR nem levou meio time para Recife. E o Botafogo só não vai colocar time reserva contra o Corinthians porque falta elenco.

Justamente o Corinthians e o Flamengo são os beneficiados neste momento que a Libertadores está de volta. Ambos estão claramente focados no Brasileiro e, se preciso for, abrirão mão de titulares na Sul-Americana.

O Corinthians abre vantagem na liderança, e o Flamengo, até pela maratona gremista, é quem se perfila como principal perseguidor. Mas olho! Botafogo e São Paulo, que vão a Itaquera e à Ilha do Urubu, respectivamente, costumam ser visitantes indigestos historicamente para os dois clubes mais populares do país.

O jogo a jogo da rodada:

SÁBADO

16h Palmeiras 3 x 2 Grêmio
Duelo de times reservas no Pacaembu, ambos pensando na Libertadores da América. O Palmeiras tem retrospecto positivo contra o Grêmio em Brasileiros e, no Pacaembu, nunca perdeu do rival gaúcho (11 vitórias em 14 partidas). O elenco palmeirense é mais farto, Cuca já vem mudando mesmo o time com frequência, essas são vantagens do atual campeão.

19h Atlético-GO 2 x 0 Santos
O Dragão perdeu três jogos seguidos por 1 a 0, criando muitas chances de gol e perdendo as oportunidades. Sem dúvida, Doriva aproveitou a semana livre para tentar melhorar esse aspecto e Wálter, relacionado, pode reaparecer. O Santos também tem problema parecido, ficou três dos seus últimos quatro jogos sem marcar. O time não está agradando, e Levir deve poupar alguns titulares e veteranos pensando em Libertadores. Chance boa para zebra.

DOMINGO

16h Flamengo 2 x 0 São Paulo
O Flamengo, finalmente, embalou. Não perdeu como mandante nesta temporada e venceu os três jogos que fez na Ilha do Urubu, que vai ganhando contornos de caldeirão. O São Paulo, que teve a semana livre para treinar, reformula o elenco com o campeonato em andamento e agora perdeu Thiago Mendes. Foram dois empates e três derrotas nos últimos cinco jogos. A pressão sobre Rogério Ceni só não é gigante porque a diretoria virou o principal alvo. Se der a lógica no Rio, o São Paulo pode acabar a rodada na zona de rebaixamento. Retrospecto: nos últimos quatro campeonatos (oito jogos), o Flamengo só ganhou do São Paulo uma vez, em 2015, no Maracanã. Neste século, o São Paulo tem mais vitórias como visitante que o Flamengo como mandante.

16h Corinthians 1 x 0 Botafogo
Enquanto o Corinthians poupou alguns titulares do jogo na Colômbia, o Botafogo sofre com um elenco curto e tem dificuldade até para rodar jogadores. Teve um jogo duro contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil, enfrenta o Corinthians e na semana que vem vai ao Uruguai pegar o Nacional. São dois times que jogam de forma parecida, com muita obediência tática e velocidade nas transições, mas o Corinthians tem mais armas ofensivas quando precisa propor o jogo. Nos últimos 10 anos, o Corinthians ganhou só 4 de 20 jogos contra o Fogão. Nos últimos 10 jogos como visitante, o Botafogo ganhou 4 e perdeu só 2. É um retrospecto recente favorável, mas o momento dos times não permite que o Corinthians não seja considerado favorito.

16h Atlético-MG 1 x 2 Cruzeiro
Clássico é clássico. E vice-versa! Piadinhas à parte, esse é um jogo de difícil prognóstico. Na história do Brasileirão unificado, 22 vitórias para cada lado. Para ser campeão mineiro, o Galo venceu e quebrou uma série de oito jogos e dois anos sem bater o maior rival. Os dois pouparam os titulares recentemente e mostraram mais gás pela Copa do Brasil, no meio de semana. Jogando no Independência, só com torcida contra, acredito que o Cruzeiro atuará como Mano gosta. Fechado, bem postado e explorando contra ataques.

16h Sport 1 x 1 Atlético-PR
Tradicionalmente um confronto de raras vitórias dos visitantes, e o Atlético-PR poupará meio time pensando na Libertadores – sete jogadores nem viajaram. A boa sequência de quatro vitórias no Brasileiro foi quebrada com um sonoro 4 a 0 para o Grêmio, no Sul. Já o Sport comemorou o título pernambucano no meio de semana e comemora também o fato de Diego Souza ter, por enquanto, decidido ficar. O Sport tem ligeiro favoritismo para o confronto, mas o Atlético pode aproveitar o fato de o time de Luxemburgo estar sofrendo em casa para tentar arrancar um ponto.

16h Vitória 0 x 2 Bahia
Mais um clássico de difícil prognóstico. O Bahia está há cinco jogos sem vencer, mas não vem jogando mal e pegou uma tabela complicadíssima, enfrentando Corinthians, Grêmio, Flamengo e Palmeiras. Pode ter Régis de volta. O Vitória começou a colecionar bons resultados com Gallo, mas perdeu duas seguidas. Neste ano, o Vitória se deu bem com dois empates e foi campeão estadual, mas o Bahia eliminou o rival na semi da Copa do Nordeste.

19h Coritiba 1 x 0 Vasco
Jogo será na Vila Capanema. Os dois times tiveram a semana livre, então deve ser um jogo interessante, pegado e bem jogado. O Coxa conseguiu um efeito suspensivo e terá a volta do Gladiador-socador-cuspidor Kléber. Desde o surto do atacante, o Coxa passou quatro jogos sem fazer gols. Já o Vasco luta contra o estigma de ser um leão em casa, um gatinho fora – como visitante, perdeu quatro de quatro. Luis Fabiano, suspenso, não joga. É um desfalque e tanto – o substitulo será Thalles.

19h Avaí 1 x 0 Ponte Preta
Jogo crucial para as pretensões do Avaí, que saiu da lanterna com uma improvável vitória sobre o Botafogo, no Rio. Precisa vencer esses jogos em casa se não quiser voltar para a Série B. A Ponte Preta jogou pela Sul-Americana no meio de semana e não terá seus veteranos: Emerson Sheik, Renato Cajá e Rodrigo.

SEGUNDA

20h Fluminense 3 x 1 Chapecoense
O jovem time do Flu goleou no meio de semana, enquanto a Chape perdeu pela Sul-Americana. Outrora líder do campeonato, a Chape perdeu quatro seguidas, seis das últimas sete. Tem sofrido muitos gols e feito poucos. Saiu dos trilhos, enfim. O Fluminense é o maior favorito da rodada. Mas esses jogos de segunda têm aprontado algumas surpresas…

 


Alemanha, o país do futebol, chega a mais uma decisão
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juliogomes

Eu tenho alguns arrependimentos na vida. O maior deles, não ter escrito um livro com o amigo Sérgio Patrick e que estava prontinho para ser escrito. Pesquisas e entrevistas feitas. Faltou disciplina, talvez coragem. A ideia de título para o livro, em 2013, era: ''O Brasil não é o país do futebol''. Conforme as pesquisas avançaram, identificamos que havia um claríssimo país do futebol: a Alemanha. O livro se chamaria: ''Por que a Alemanha (e não o Brasil) é o país do futebol''. Faltava um ano para o 7 a 1.

Não escreverei o livro-que-não-escrevi aqui. Mas, simplificando, a Alemanha é o país do futebol por várias razões. Povo apaixonado e praticante do esporte, futebol inserido na sociedade, usado como forma de aproximação, integração e inserção social, campeonatos locais fortíssimos, ingressos acessíveis, estádios lotados, clubes financeiramente saudáveis, futebol de base tratado com o cuidado do de cima, busca do conhecimento teórico em todas as esferas dos esporte, formação de profissionais, seleção multicampeã em todas as categorias, inclusive futebol feminino.

O futebol alemão não tem brechas. Você não encontrará NENHUM outro futebol do mundo que atenda com glória todos os pontos acima, entre outros.

E, nesta quinta, com um time super renovado, cheio de caras novas, pensando muito mais na Copa do Mundo de 2022 do que na de 2018, a Alemanha passou por cima do México. 4 a 1. Vai disputar a final da Copa das Confederações contra o Chile.

E aí, será que ''vamos'' celebrar mais uma ''talentosa geração da Alemanha''?

Mais uma? Que sorte eles têm, hein. É geração talentosa atrás de geração talentosa! Os que analisam assim são os mesmos, possivelmente, que diziam que ''o problema da seleção brasileira é que a atual geração é ruim''. Incrível, ficou boa com Tite.

Não tem sorte e azar não, amigas e amigos. Tem trabalho. Planejamento. Responsabilidade. Tudo o que nós não temos em nosso combalido país quando se trata de futebol (a seleção é a exceção que, infelizmente, nubla o resto).

A Alemanha fabrica jogadores de futebol desde que revolucionou seu modo de ver a base, lá no ano 2000, após o fracasso naquela Euro. A consagração veio na Copa de 2014, a dos 7 a 1. O placar não refletia a diferença técnica entre Alemanha e Brasil. Mas refletia perfeitamente a diferença entre o futebol de lá e o daqui, como um todo. E segue refletindo.

Enquanto aqui no nosso Brasileirão vemos técnicos degolados, maratona de jogos, clubes quebrados, dirigentes atuando com a mesma racionalidade de torcedores em redes sociais, na Copa das Confederações vemos a Alemanha mandar um time B. Vemos a Alemanha pensando dois passos adiante. Descansando jogadores experientes e dando bagagem aos mais novos.

A Alemanha pode até perder a final de domingo para o Chile. Acho até que perderá. O Chile vive o melhor momento de sua história, tem uma geração campeã, de jogadores acima da média e que compreendem a importância desse título. O torcedor chileno (mais de 12 mil foram à Rússia) percebe o momento histórico, os jogadores também.

Mas o que importa?

Será que o futebol não é mais do que ganhar ou perder? Ninguém joga para perder, isso é básico, mas será que só importa mesmo vencer? Será que o que vale é vencer, não importam os meios? Não é mais bacana vencer sem a influência do acaso?

Nada do que acontece com o futebol da Alemanha é por acaso. Nem mesmo uma final com um time de vinte e poucos anos de média. Aliás, bom notar que a seleção sub-21 está na final europeia contra a Espanha. A Alemanha agregou talento, conhecimento, paixão a sua já conhecida mentalidade competitiva.

Sabem qual a imagem mais bacana da goleada sobre o México? Não, não são os gols de Goretzka, as boas defesas de Ter Stegen ou os dribles de Draxler. A imagem é o pênalti que Werner sofre ao ser empurrado por trás. Mas ele se recusa a cair, tenta fazer o gol e depois xinga o árbitro. A mentalidade é se dar bem por méritos próprios, não depender dos outros.

O futebol é muito dinâmico. Copas do Mundo são torneios curtíssimos, qualquer um pode ganhar ano que vem (meu favorito é o Brasil). Em pouco tempo, muitos países podem alcançar a Alemanha. Mas, hoje, eles estão dando um banho na concorrência, inclusive europeia.

A Alemanha segue dando aulas. Só não aprende quem não quer.


Corinthians é a primeira força (até que se prove o contrário)
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juliogomes

O Corinthians não perde. E times que não perdem, adivinhem só, ganham campeonatos. Se o Corinthians não perdeu do belíssimo time do Grêmio, com 50 mil pessoas empurrando, vai perder de quem?

Próximos jogos? Botafogo e Ponte Preta em casa. Depois disso, dérbi com o Palmeiras no Allianz Parque. E atenção! A Ferroviária não está na Série A. Foi o último time a ganhar do Corinthians, três meses atrás.

Aqui em São Paulo, muito se ironizou pelo fato de algumas pessoas colocarem o Corinthians, no começo do ano, como a quarta força do Estado. Era normal considerar Palmeiras e Santos superiores, vinham de um Brasileiro muito bom, times prontos. O Corinthians estava abaixo mesmo desses dois, na teoria.

Na prática, foi lá e ganhou o Campeonato Paulista. Derrotou a Ponte Preta, que havia derrotado Santos e Palmeiras. Chegou ao Brasileiro ainda com desconfiança, inclusive deste blog. Me parecia um time muito bem montado, organizado, mas enxuto e sem grandes fazedores de diferença. Um time para G4, não para título.

Mas, depois da vitória sobre o Grêmio, a primeira na Arena, a primeira em Porto Alegre desde 2011 (ano de título), o Corinthians precisa ser considerado a primeira força do Campeonato Brasileiro. É o time a ser batido.

Já está quatro pontos na frente do Grêmio, dez na frente dos terceiros colocados. Já é campeão? Claro que não. Mas, com um quarto de campeonato transcorrido, o Corinthians se posiciona como favorito maior ao título. Os outros que corram atrás.

O primeiro tempo de Grêmio e Corinthians foi espetacular. Fazia tempo que o futebol brasileiro não nos brindava com um jogo tão bem jogado. Dentro de seus estilos, os dois times fizeram a bola rolar, não bateram, foram leais, não ficaram reclamando com arbitragem, tiveram algumas chances. Até o juiz foi perfeito, ao não dar um pênalti inexistente em Fágner. Só faltou mesmo o gol.

E o gol saiu no começo do segundo tempo. Grande arrancada de Paulo Roberto, um dos melhores em campo, herói improvável. Na defesa, foi um inferno na vida de Luan, não dando o espaço entre linhas que o gremista tanto gosta. No ataque, em um lance parecido ao do gol, ele quase marcou no primeiro tempo. No segundo, serviu Jô, que fez o corta-luz para Jadson marcar.

Falha de Marcelo Grohe. Por mais que o chute tenha sido à queima-roupa, não pode levar gol no meio das canetas.

Se Grohe será criticado, o que dizer de Cássio? Foi o nome de um jogo e faz Luan despencar na lista de melhores do campeonato. Porque, se Luan foi o nome das nove primeiras rodadas, brilhando nas sete vitórias gremistas, foi péssimo no jogo mais importante até agora.

Pelo pênalti perdido, batido de forma displicente? Também, mas não só. Minutos antes, perdeu um gol que não pode perder dentro da pequena área, defendido por Cássio. Tomou decisões erradas, errou bolas importantes, foi francamente mal.

O Corinthians é um time difícil de ser batido porque é extremamente disciplinado taticamente. Não é um time que só se defende. É um time parecido com os de José Mourinho. Defende-se muito bem, fechas os espaços importantes do campo, não comete erros bobos e, quando retoma a bola, se movimenta com velocidade e deslocamentos treinados e pensados. Ninguém corre à toa.

O Grêmio começou o jogo com ímpeto, mas pouco a pouco o jogo vai ficando chato para o adversário. Ele não encontra espaços, começa a tentar coisas que não tentaria novamente, comete erros. Perde o foco. E, neste exato momento, o Corinthians vai lá e mata.

 


Paulinho prefere a Copa ao Barça. Por que não os dois?
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juliogomes

Paulinho tornou pública a conversa entre seus empresários e o Barcelona. Nesta entrevista ao Globo Esporte, diz que está ''difícil decidir'' entre ir para um dos maiores clubes do mundo e ficar na China. Na cabeça dele, o dilema parece ser: a certeza de jogar, manter ritmo e ser titular na Copa do Mundo e a dúvida de esquentar banco no Barcelona e perder espaço.

Paulinho é muito bom jogador de futebol. Funciona muito bem no meio de campo como um volante que fecha espaços e tem bom passe, chegada e finalização. Tem as características do jogador moderno, é um todo-terreno, enfim. Foi importantíssimo no Corinthians de Tite, na Copa das Confederações de 2013 e tem sido peça fundamental no renascimento da seleção brasileira, reencontrando Tite.

Eu não critico Paulinho por escolher ''ser feliz''. Aliás, eu não critico ninguém por buscar a felicidade. Se o cara prefere jogar futebol na China, na várzea ou na praia, em vez de outro lugar, o direito é dele.

Mas me sinto livre para criticar a falta de ambição ou então a incapacidade de se adaptar e buscar espaço.

Paulinho só funcionou plenamente até agora em lugares com condições ideais. Em lugares em que se sentiu confiante (não ameaçado), com treinadores que gostam dele e escalam do melhor jeito possível para seu futebol fluir. Azar dos que não fizeram o mesmo. Mas, convenhamos. É parte da coisa também o jogador atuar em condições que não sejam as ideais.

No Tottenham, Paulinho chegou com André Villas Boas no comando. Mas o português saiu no meio da temporada, assumiu Tim Sherwood. Perdeu ritmo e espaço, foi mal na Copa.

Na segunda temporada, vindo com o 7 a 1 na cabeça, Paulinho caiu nas mãos de Mauricio Pochettino. O argentino está lá desde então e, em três temporadas, está se tornando um dos grandes técnicos da história do Tottenham.

Paulinho ficou só um ano com Pochettino e se mandou para jogar com Felipão na China. Não se deram bem. Só eles sabem exatamente como as coisas ocorreram, mas, de longe, me parece ter havido um problema terrível de falta de comunicação. Convenhamos, poderia estar até agora no Tottenham, vivendo esse grande momento do clube.

E agora está com medo de acontecer a mesma coisa. Na China, joga, é titular, a família está adaptada. É jogador de confiança de Felipão e de Tite. Como será em Barcelona? Será uma temporada complicada para o Barça, com técnico novo (Ernesto Valverde) e um Real Madrid voando. E se Paulinho não agradar e ficar o ano todo sem jogar?

O medo dele é compreensível. Mas onde está a confiança? A determinação? A ambição? Ele tem à sua frente uma raríssima segunda chance no alto nível europeu. Olhando o elenco do Barcelona, Paulinho tem grandes chances de triunfar, ter minutos, agradar o novo técnico, municiar Messi, Neymar e Suárez.

Para isso, terá de batalhar. Não dá para dizer que um cara que foi para a Lituânia com 17 anos de idade não tenha coragem e não seja batalhador.

Mas me parece que o medo de não triunfar seja mais forte do que a genuína felicidade no futebol de menor nível da China.

Se escolher ficar, Paulinho estará escolhendo a estabilidade e a seleção brasileira sobre o desafio de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Sonho de 10 em cada 10 jogadores.

Sinceramente, acho que daria para ter as duas coisas. Só depende dele, de confiar no próprio taco. Não dos outros.

 

 


Brasileiro, ato 10: na rodada da “final”, Grêmio pode ampliar freguesia
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juliogomes

Você sabia que ninguém ganhou mais do Corinthians em Campeonatos Brasileiros do que o Grêmio? Que, em Porto Alegre, o aproveitamento gremista contra o rival de domingo supera os 70%? E que desde a inauguração da Arena do Grêmio o Corinthians só apanhou por lá?

Resultados do passado não garantem os do futuro. Retrospecto não ganha jogo. A não ser que… o retrospecto entre na cabeça dos jogadores que estarão em campo. Aí, pode ser um fator de grande influência.

O Corinthians não vence o Grêmio no Sul desde 2011, na campanha do título, com Tite em um banco e Renato Gaúcho no outro. De lá para cá, foram cinco derrotas e um empate na Copa do Brasil de 2013 – aquele jogo foi para os pênaltis e você se lembra do que Alexandre Pato fez diante de Dida. Foi também contra o Grêmio, no Sul, que o Corinthians foi rebaixado, em 2007. Talvez a única grande lembrança mesmo seja aquela final da Copa do Brasil de 95, a de Marcelinho Carioca.

No Brasileiro unificado, foram 28 vitórias gremistas sobre o Corinthians (23 derrotas). No Brasileiro a partir de 71 (é o que vale, me desculpem os que acompanham a canetada da CBF), são 26 vitórias do Grêmio, 12 empates e 19 corintianas.

O discurso de Fábio Carille é de que o jogão de domingo, disparado o mais relevante da rodada, não é uma final coisa nenhuma. Ou melhor, é tão final como qualquer outro jogo.

É louvável que o Corinthians encare todos os jogos como finais. Mas essa é, digamos, mais final que as outras. É um confronto direto, oras bolas. Imaginem o soco na mesa que não seria o Corinthians ganhar na casa do Grêmio e abrir quatro pontos na tabela? Mas, pelo menos no discurso, o time paulista irá a Porto Alegre buscar um pontinho.

Quem busca empate costuma coletar derrotas. O Corinthians não poderá dar a bola para o Grêmio e viver apenas de contra ataque. Melhor defesa do campeonato, a chave para o Corinthians parar o melhor ataque será bloquear as linhas de passes entre os ótimos volantes gremistas e Luan. Quando recebe com liberdade, Luan, melhor jogador do Brasileiro até agora, é capaz de fazer qualquer coisa. Avançar e finalizar, tabelar, dar passes de gol.

É o típico jogo em que quem marcar primeiro deverá ganhar. E eu acredito que, por futebol e histórico, o Grêmio leva ligeiro favoritismo.

Aqui vão os prognósticos da rodada completa:

SÁBADO

19h Santos 3 x 1 Sport
Desde a saída de Dorival Jr, o Santos simplesmente não toma gol (cinco jogos sem ser vazado). A boa vitória em Salvador foi ofuscada pela possível transferência de Lucas Lima para o Barcelona no final do ano – só se falou nisso. A sequência é boa e é a oportunidade de se aproximar dos líderes, que têm confronto direto. O Sport, que tem o desfalque de Rithely, nunca venceu o Santos na Vila Belmiro (11 derrotas e 5 empates).

DOMINGO

11h Vasco 2 x 0 Atlético-GO
Apesar de toda a tensão política, o time vem dando conta do recado em São Januário. O Atlético-GO passou em branco em cinco das seis derrotas que sofreu, e essa é a chave para o Vasco: a defesa mais vazada do Brasileiro precisar estar mais concentrada e evitar algum gol bobo que deixe o time contra a parede. O Vasco tem vencido os jogos que o deixarão sempre longe da briga contra o rebaixamento e é favorito para ficar com mais três pontos.

16h Grêmio 2 x 0 Corinthians
É uma daquelas “finais” no meio de um campeonato de pontos corridos. Uma hora o Corinthians vai perder, não é mesmo? Acredito que o futebol que o Grêmio tem apresentado e o fator casa irão falar mais alto. É um duelo entre o melhor ataque e a melhor defesa, e a chave para o Corinthians é não deixar o Grêmio confortavelmente com a bola no meio de campo. Precisa anular as ações de Luan, melhor jogador do campeonato até agora.

16h São Paulo 1 x 1 Fluminense
Dois times pouco confiáveis. Um, porque é fraco e simplesmente não se encontra. O outro, por ser muito jovem e alternar grandes e maus momentos. Nos últimos 10 anos, o São Paulo venceu quatro vezes o Flu como mandante, perdeu outras quatro e empatou três.

16h Cruzeiro 1 x 0 Coritiba
Após dois bons jogos contra os líderes, Mano resolveu poupar todo mundo e se deu mal em Campinas. Vamos ver se pelo menos a consequência de abrir mão daquele jogo será vencer o deste domingo em casa, contra um Coritiba que correu muito na quinta à noite contra o Grêmio. O empate do ano passado foi o primeiro jogo do Coxa sem perder no Mineirão em quase dez anos. A última vitória foi em 2004.

16h Atlético-PR 1 x 0 Vitória
O teórico favoritismo é do Atlético-PR, que engatou três vitórias seguidas e joga em casa. Mas cuidado. Foram três 1 a 0 e em todos eles o Furacão passou bem perto de ficar sem o resultado. É um jogo perigoso, onde a zebra pode aparecer. Ao contrário de outros grandes do futebol brasileiro, o Vitória já beliscou bons resultados na Arena da Baixada.

16h Ponte Preta 0 x 1 Palmeiras
A Ponte tem 100% de aproveitamento em casa, mas pode precisar poupar alguns de seus veteranos para evitar lesões. O Palmeiras, que tem jogado melhor fora de casa, tem um elenco com mais recursos, mas precisa combater uma série negativa contra a Ponte. Nos últimos seis jogos entre eles, a Ponte ganhou quatro, empatou no Allianz ano passado pelo Brasileiro e só perdeu a partida de volta da semifinal do Paulista, conseguindo a classificação mesmo com a derrota. Curiosidade: nos últimos 10 anos, houve apenas um empate em 20 jogos entre os clubes.

18h30 Bahia 2 x 2 Flamengo
O Flamengo não consegue engatar duas vitórias seguidas no Brasileiro e tem pela frente um Bahia que joga melhor do que mostram os últimos resultados. A Fonte Nova estará cheia, e acredito em um jogo movimentado, com chances para os dois e muitos gols.

19h Chapecoense 3 x 2 Atlético-MG
Após ceder 1 gol nos primeiros quatro jogos, a Chape levou 17 nos cinco subsequentes. Uma peneira. Os jogos da Chape estão difíceis de prognosticar e eu consideraria o Atlético favorito. Mas o Galo poupará jogadores às vésperas da maratona de Copa do Brasil e Libertadores, com clássico contra o Cruzeiro no meio, e deverá escalar um time reserva.

SEGUNDA

20h Botafogo 2 x 0 Avaí
A rodada acaba com um jogo com claríssimo favorito. O Botafogo vive grande momento, recupera lesionados e deve passar por um Avaí que não consegue levantar a cabeça nem fazer gols.