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Destruição do Liverpool na Premier valoriza ainda mais jogo flamenguista

Julio Gomes

26/12/2019 18h52

Vou passar do debate "jogou sério ou não", "deu o máximo ou não". Se é verdade que os europeus não se preparam para o Mundial com a mesma intensidade e compromisso que os sul-americanos, também é verdade que jogador nenhum no mundo e time nenhum do mundo entram em campo para perder.

O Liverpool entrou em campo para jogar seu jogo contra o Flamengo e para vencer. No primeiro tempo, não conseguiu. No segundo tempo, começou a encontrar os espaços que gosta, foi ajudado pelas más decisões de Jorge Jesus e passou a fazer valer sua superioridade. O gol só saiu na prorrogação e foi suficiente.

O ótimo jogo feito pelo Flamengo em Doha fica ainda mais em evidência quando vemos o Liverpool enfiar 4 a 0 no Leicester, vice-líder da Premier League, na casa do adversário, poucos dias depois.

O tão esperado duelo entre primeiro e segundo acabou em… massacre. O Liverpool cedeu ao Leicester um total de zero finalizações a seu gol ao longo de 90 minutos.

Um massacre que o Flamengo não sofreu, como muitos achavam.

"Ah, então você quer dizer que o Flamengo é melhor que o Leicester?".

Nome por nome, não tenho dúvidas. Outra coisa é o ritmo de jogo. Essa é uma tecla em que sempre bato e sempre baterei. As comparações entre times são apenas teóricas, pouco práticas, pois times se adaptam ao ritmo que lhes é imposto. Podemos ter um devaneio e imaginar o Flamengo jogando a Premier League. Certamente o ritmo, a intensidade do jogo do time de Jesus teria de ser outra. Como isso se transformaria em resultados? Só podemos imaginar, certeza alguma teremos.

Então não sei o que seria de um Flamengo x Leicester ou de um Flamengo x Norwich, o atual lanterna. É inútil perder tempo com isso.

O Liverpool tem 17 vitórias e apenas um empate na Premier, contra o rival Manchester United. É o maior turno de um time na história da Premier e o título, encerrando uma fila de 30 anos, é apenas questão de tempo. Agora são 13 pontos a mais que o Leicester, 14 a mais que o Manchester City, o verdadeiro adversário pelo título.

A fatura está mais do que liquidada. E o domínio é tão assustador que eu só posso, novamente, aplaudir o que fez o Flamengo em campo.

Os três brasileiros que venceram o Mundial neste século (São Paulo, Inter e Corinthians) pegaram times que não passavam nem perto de viver o momento vivido pelo atual Liverpool. O outro Liverpool, o de 2005, era um time meia boca, assim como o Chelsea de 2012. Eram campeões europeus acidentais. E o Barcelona de 2006 já havia vivido seu auge, perderia até o Espanhol 06/07 para um Real Madrid de pouco brilho.

A maioria vai se apegar ao resultado. Eu me apego ao futebol demonstrado pelo Flamengo, contra o time do ano e um dos melhores da década. O Liverpool é uma máquina.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

Julio Gomes