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O que a temporada europeia nos mostra até agora?

Julio Gomes

09/10/2019 13h30

O tempo passa rápido, e estamos chegando ao primeiro quarto da temporada europeia, já com duas rodadas da fase de grupos da Champions disputadas. Estamos em data Fifa, aquela pausa em que os grandes europeus não fazem tanto, pois perdem quase todos os seus jogadores para seleções – resta rezar para ninguém voltar lesionado. E os médios e pequenos trabalham muito para recuperar terreno.

Quais as conclusões ou observações destes primeiros dois meses de temporada? Vamos lá:

– O Liverpool é o time a ser batido no continente – coisa que o Napoli conseguiu na Champions, mas ninguém conseguiu na Inglaterra. As 8 vitórias em 8 jogos, somadas a tropeços do City, deixam o Liverpool em uma posição de luxo para ganhar a Premier League pela primeira vez na história. Precisa continuar na pegada de "cada jogo uma final".

– O Manchester City parece estar em crise, não é? Isso é evidenciado pelo que tem feito o Liverpool. Mas é fato que os problemas defensivos do time de Guardiola são importantes. A perda de jogadores por lesão deixa claro que confiar tua vida em Otamendi é querer brincar com o perigo constantemente. Preparem-se: no ano que vem, vai ter zagueiro saindo a preço de ouro no mercado.

– Os outros não estão no nível destes dois. Está claro que o Tottenham tem um problema de desgaste entre técnico e elenco. E o buraco do Manchester United pós-Ferguson parece não ter fundo.

– Real Madrid e Barcelona não são times confiáveis. Podem até ganhar a Champions League, mas podem também cair nas oitavas de final para um Napoli da vida. Um tem Messi, o outro tem muitas dúvidas e poucas certezas.

– Quem deveria se aproveitar desta instabilidade era o Atlético de Madrid. Montou um belo time, fez uma renovação que, no papel, parece extraordinária. Mas deixou pontos importantes pelo caminho, deveria estar liderando com folga na Espanha. Se um dos dois grandões engatar uma sequência de resultados, "adeus Liga" para o Atleti. Mas o time de Simeone vai melhorar, o tal João Félix é bom mesmo, e o Atlético é candidato a voos altos na Champions.

– Ainda na Espanha, não consigo tirar os olhos do Cádiz, líder disparado da Segunda. A torcida mais legal do mundo está prestes a voltar para a elite!

– Na França, por mais que o PSG tenha deixado pontinhos aqui e ali, esse time parece mais sólido que o dos outros anos. Falo de algumas posições chave, principalmente no meio. Neymar vai ficar em litígio o ano todo com a torcida. E vai resolver o ano todo. Neymar bravinho é melhor ainda que o Neymar paz e amor.

– A Bundesliga segue sendo a Liga mais subestimada pelo público brasileiro. Em números globais, já passou a espanhola, está à caça da Premier. Como não tem muitas estrelas midiáticas, parece um campeonato de perebas, em que apenas o Bayern presta. Pelo contrário. É uma liga forte, ultracompetitiva e saudável financeiramente. A tabela de classificação do momento mostra bem isso, não tem jogo fácil. Quando se deparar com um jogo qualquer do Alemão, pare para ver. Sempre vale à pena.

– O Bayern é logicamente o melhor time. Sabemos que Coutinho vai ter protagonismo, sabemos que Lewandowski seguirá incansável. É a grande (última?) chance para Coutinho.

– A Juventus de Sarri é candidata a tudo. É um técnico genial e genioso, então muita coisa poderia dar errado. Assim como pode dar certo. A Juve recuperou Higuaín, tem em Cristiano Ronaldo uma garantia, tem camisa e tem muita sede de título europeu. É minha favorita do momento, ao lado de Liverpool e City. O perigo, a meu ver, está no gol. Na hora H da temporada, eu recorreria a Buffon.

– A Inter de Conte levou uma ducha de água fria com a derrota para a Juve, em casa, de virada. A Inter eventualmente irá destronar a Juve, se mantiver Conte por longo prazo. Mas não será este ano.

– Não olhe agora, mas o líder em Portugal é o Famalicão, na frente de Porto e Benfica. Time de Jorge Mendes. Dinheiro faz milagres no futebol.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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