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São Paulo dobra a aposta com a escolha de Fernando Diniz

Julio Gomes

27/09/2019 00h12

Não escondo minha admiração por Fernando Diniz. Um cara de grande caráter, transparente, de idéias claras, firmes e honestas. Um cara de coragem, e coragem é algo que falta no nosso dia a dia, regado a covardia e conservadorismo.

Portanto, torço, sim, por seu sucesso. Porque o sucesso dele é o sucesso de ideias com as quais concordo.

Mas não vou negar. Os dois trabalhos de Diniz em 2018 e 2019, em Athletico-PR e Fluminense, não foram bons.

Há vários asteriscos. Vários. Eles não foram completos, para começo de conversa, eles foram interrompidos indevidamente e até injustamente.

Mas, enquanto duraram, foram insatisfatórios, principalmente na parte defensiva. Talvez Diniz precise de tempo, de mais tempo do que outros. Ou talvez ele ainda precise evoluir em alguns aspectos do jogo. Os resultados, de fato, não vieram.

Poderiam vir, poderiam não vir. Os dirigentes da vez não quiseram arriscar.

Possivelmente não haja, no Brasil, um clube grande mais necessitado de resultados do que o São Paulo.

É por isso que a escolha é tão surpreendente. Diniz não é garantia de resultados. Diniz é garantia de outras coisas – muito positivas, a meu ver -, mas não de resultados.

Todos sabem que o São Paulo não vai ganhar nada neste ano. A melhor das hipóteses é beliscar Libertadores.

Fernando Diniz tem uma missão: resistir em dezembro. Fazer um segundo turno digno e que dê aos dirigentes do São Paulo a vontade de mantê-lo para 2020. Ele precisa conquistar muita gente.

Se isso acontecer, aí sim, Diniz finalmente estará em um grande clube, com orçamento, com bons jogadores e com tempo de pré-temporada. É um trabalho em duas etapas: sobreviver primeiro nestes dois meses e pouquinho, para, depois, aí sim, fazer um trabalho "do começo".

Dada a moeção de técnicos que foi o São Paulo, com administração horrorosa nos últimos anos, e dada a exposição que o trabalho de Diniz gera, para ele mesmo e seus comandados, é difícil visualizar Fernando Diniz superar a primeira fase do trabalho.

E é difícil entender a escolha do São Paulo. Difícil imaginar que ela esteja carregada de convicção. Possivelmente seja apenas uma tentativa de quem (acha que) não tem nada a perder.

Eu gosto, mas meu queixo está no chão.

(nota: Encontrei um texto meu sobre o Audax de Diniz de 3 anos e meio atrás. Achei incrivelmente atual. E acho que explica por que, lá atrás, muitos nos apegamos ao trabalho do Diniz. Imediatamente houve a reação. Por isso falo que esse amor e ódio precedem resultados mais recentes: https://blogdojuliogomes.blogosfera.uol.com.br/2016/05/09/por-mais-audax-e-audacia-pelo-fim-das-trevas/)

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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