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Escolha de "melhor" time expõe o furo do Prêmio Fifa

Julio Gomes

24/09/2019 06h00

Eu sou do time "Bola de Ouro". Para mim, a escolha do melhor do mundo que vale é a da Bola de Ouro, não a da Fifa.

Aliás, acho que até a Fifa concorda comigo, tanto que "comprou" a Bola de Ouro uns anos atrás para chancelar, de alguma forma, a escolha dela. Hoje, a parceria com a France Football está desfeita. Para fugir da concorrência, a Fifa mudou a data de seu prêmio para o final da temporada europeia, em vez de final do ano. E faz valer seu poderio econômico, com galas incríveis, cheias de pompa e circunstância.

A gala, por sinal, foi maravilhosa. Especialmente pelas mensagens de inclusão e tolerância. Rapinoe é muito grande.

Quando eu vivia na Europa, o prêmio Fifa era ignorado. O que valia para os jogadores e profissionais envolvidos com o futebol era a Bola de Ouro. Talvez isso mude, talvez já esteja mudando.

Mas a causa da Fifa perdeu um pouquinho mais de força ontem.

Ficou escancarada a grande diferença entre os prêmios. A Bola de Ouro é muito mais técnica, com escolhas feitas por gente que vive e respira o futebol europeu (o que importa). O prêmio Fifa se baseia em votos de gente que passa o ano vendo jogos pela TV, como a maioria do público.

O que me importa o que acham capitão, técnico e jornalista da Tailândia?

O prêmio Fifa acaba sendo um concurso de popularidade. São centenas de votos no piloto automático. No nome mais famoso.

E a prova disso nem é a eleição de Messi. Eu teria dado o prêmio a Van Dijk, e creio que o holandês ficará com a Bola de Ouro. Mas não é absurdo alguém que Messi, o melhor do mundo, tenha sido eleito o melhor do ano após mais uma temporada estratosférica no Barcelona.

A prova disso não é Messi. A prova da esculhambação é o "time do ano", o FIFPro World XI. O time escolhido por "milhares de futebolistas mundo afora" tinha três representantes do Real Madrid, um clube que fez campanha pífia na temporada passada. Marcelo mal jogou. Modric despencou após a Copa. Sergio Ramos fez tanto assim para ainda entrar no time improvisado na lateral direita? Até Mbappé, que faz companhia a Messi e Cristiano Ronaldo no ataque, fez uma temporada abaixo do esperado no PSG após a explosão na Copa do Mundo.

É a prova de que a escolha através de "milhares de jogadores", como seria por "milhares de torcedores", sempre privilegiará os nomes famosos, e não uma análise fria e abrangente.

A escolha deste "time ideal" expõe o grande buraco do sistema Fifa. Não é qualquer um que joga bola e nem mesmo que treina times que entende e acompanha verdadeiramente o futebol.

 

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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