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Odair Hellmann merece críticas, mas não a demissão

Julio Gomes

22/09/2019 13h14

Impossível não especular o que teria acontecido com Odair Hellmann caso o Inter não tivesse vencido a Chapecoense nesta manhã de domingo.

Um jogo que o Inter dominou, o que era natural, não deu chances ao adversário, que veio para empatar, e teve dois gols anulados pelo VAR. Um, no primeiro tempo, que possivelmente teria "aberto a lata", por centímetros impossíveis de serem identificados sem o recurso eletrônico.

E eu não vi nada nem perto de uma falta e não teria invalidado o segundo gol anulado pelo VAR – ou melhor, pelo juiz de campo, que, como o VAR, quis achar pêlo em ovo no lance. Este gol já sairia no abafa dos minutos finais.

Abafa que resultou, por fim, no gol de Lindoso, aos 40min do segundo tempo.

O que teria sido de Odair com um empate hoje? Provavelmente, demissão. Porque assim é no Brasil. Bola que entra, bola que sai, dirigentes agindo como torcedores. O Inter foi aplaudido em campo ao final da partida, mas teria sido vaiado em caso de empate.

O torcedor que vai embora para casa contente com o resultado é o dirigente que vai embora contente com o resultado. O torcedor que aplaudiu, em vez de vaiar, é o dirigente que vai dar um tapinha nas costas, em vez de demitir.

Odair Hellmann não merece tapinha nas costas. E não merece demissão.

Não merece tapinha nas costas porque os jogos do Inter fora de casa contra Palmeiras, Flamengo e Athletico merecem críticas. Perder o título da Copa do Brasil em casa, diante de um time OK (nenhum supertime) e sem criar sufoco sem chances reais é, sim, motivo de críticas.

Odair Hellmann é novo na profissão, muitos grandes treinadores mudam, se adaptam, aprendem, evoluem. Eu, se fosse chefe de Odair, gostaria de saber, sim, se ele está disposto a ser mais ousado e corajoso em alguns momentos. Gostaria de saber se o time criará mais alternativas de jogo em função de diferentes situações.

Demitir Odair seria justificável?

Somente se os dirigentes do Inter entenderem que o time tenha de jogar outro tipo de futebol, mas não em função de resultados. Uma troca filosófica é, a meu ver, sempre aceitável. Se for filosófica de verdade.

Trocar Odair por causa de resultados seria um erro tremendo. Com ele, o Inter voltou a ganhar respeito, voltou a fazer parte do grupo de elite do futebol brasileiro. E, sim, consegue resultados. É um time firme, que não perde ponto bobo.

Dá para conseguir resultados sem conseguir títulos? Sim, dá. Talvez o pessoal não tenha se dado conta, mas tem pouco título grande em jogo para muito time. Ou melhor, nem tantos times, mas times mais ricos e mais fortes que o Inter.

Grêmio, Cruzeiro e Athletico já nos mostraram que, para os clubes de fora do eixo Flamengo-SP, estabilidade de trabalho é fundamental. As chances do Inter aumentam com estabilidade, diminuem com troca-troca. A não ser que esteja completamente insatisfeito com o jeito de jogar do Inter, o Colorado deve manter Odair Hellmann no cargo.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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