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Demitir Felipão? Depende do futebol que o Palmeiras quer jogar

Julio Gomes

28/08/2019 06h00

Após mais uma eliminação em mata-mata, e meio que todas elas passando pelo mesmo problema, o Palmeiras precisa tomar uma decisão.

Seguir ou não seguir com Luiz Felipe Scolari?

A resposta passa pelo que quer o clube.

O Palmeiras, aquele da Academia, morreu. Morreu quando ficou tanto tempo sem vencer, quando deixou de lado sua vocação para focar em resultados, da maneira que fosse.

Depois de anos de rebaixamento e humilhação, o Palmeiras voltou a encontrar um mecenas, fez um extraordinário acordo para ter o estádio mais rentável do Brasil, resgatou a torcida, o orgulho, e voltou a ser campeão.

Mas…

De que jeito?

O Palmeiras de Felipão é um time de uma nota só. Aposta no físico, na velocidade, na defesa firme, nos contra ataques.

Campeonatos de pontos corridos são maratonas, especialmente o do Brasil, com o calendário nefasto que temos. Então, ter mais dinheiro e mais elenco faz muita diferença, sim. Esse jeito único de jogar do Palmeiras serve tranquilamente para a maioria dos jogos do Brasileirão, um campeonato de baixo nível técnico, baixo nível tático.

Mas qual a tradução deste samba de uma nota só nos mata-matas, contra times de nível parecido, no 11 contra 11? A representação gráfica desse sambinha podem ser os laterais cobrados na área por Marcos Rocha.

Esse jeito de jogar pode significar passar de algumas fases, pode até acabar em título. Mas as chances são bem mais remotas do que em uma competição de pontos corridos.

O Palmeiras quer Felipão? A história será essa aí. Se ficar uns 4 anos no clube, vai disputar todos os títulos. Talvez ganhe algum de mata-mata. Talvez, nenhum. E certamente chegará entre os 3 em todos os campeonatos de pontos corridos. Viradas serão raras. Goleadas, idem. Vitórias se empilharão. Derrotas serão ocasionais. Mas o futebol, digamos assim, não apaixonará ninguém e nem ficará eternizado.

O Palmeiras não quer Felipão?

Se a resposta for essa, é inimaginável uma troca para um Mano Menezes da vida. Seria simplesmente mais do mesmo – e em versão menos vencedora.

Se o Palmeiras não quer Felipão, a dedução é que isso se deva por um resgate. A busca pelo futebol moderno, intenso, bem jogado, com variáveis e mais modos de ganhar partidas. O desempenho acima do resultadismo. Uma vida mais emocionante nos mata-matas, mais arriscada nos pontos corridos. A chance de passar um ano sem ganhar nada, mas no outro ganhar tudo e ficar na memória – não só pelos resultados.

Se for este o caso, talvez o Palmeiras tenha de olhar para o mercado internacional. Acho que seria um grande erro a demissão agora – teria muito mais sentido uma troca conceitual no comando lá no fim do ano.

De qualquer forma, a meu ver, dirigente algum do Palmeiras terá coragem de demitir Felipão. Mas, se resolverem fazê-lo, que pelo menos o seja em nome de um plano.

Que seja em nome do futebol, e não de uma derrota.

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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