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Éverton decide contra um Palmeiras sem repertório

Julio Gomes

27/08/2019 23h30

Em uma eliminatória equilibrada, caiu a classificação para o lado do Grêmio. A defesa hiper sólida do Palmeiras no primeiro jogo entregou a paçoca no segundo, e Éverton, um dos melhores jogadores do futebol brasileiro na atualidade, estava lá para aproveitar.

De resto, o que foi possível presenciar durante 75 minutos no Pacaembu? A incapacidade do Palmeiras criar. É um time sem repertório. Quando está atrás no placar, parece ser um estranho a esse troço chamado futebol. Não sabe o que fazer e não consegue fazer. Joga a bola na área e reza. Hoje, como em outros mata-matas, não deu certo.

É curioso que em praticamente nenhum momento o Grêmio jogou seu jogo no Pacaembu.

Nos primeiros 20 minutos, até tentou ter a iniciativa, mas errou passes demais e foi o Palmeiras quem criou boas chances, fazendo, ele sim, o seu jogo de transição.

Martelou com Dudu pela direita, a jogada mais forte do time, chegou três vezes e, numa delas, saiu o escanteio que culminou na falha de Paulo Victor e o gol de Luiz Adriano.

Só que o Grêmio tem Éverton. E, mesmo sem fazer uma eliminatória brilhante, no fim das contas foi ele quem definiu a classificação para a semifinal. Na falta levantada na área, aproveitou a má marcação palmeirense (Marcos Rocha não deveria ter ficado sozinho e acabou indo atrás de Geromel) para empatar. Na hora certa, quando a torcida verde incendiava o Pacaembu pelo 1 a 0.

E, cinco minutinhos depois, saiu driblando todo mundo, aproveitou a bobeada de Luan e criou o gol para Alisson.

Felipe Melo fez muita falta para o Palmeiras, e o lance de Éverton driblando no segundo gol mostra bem isso. O volante também é muito importante na saída de jogo, nas viradas de jogo, lançamentos e bola aérea.

Do outro lado, a saída de Maycon, machucado, logo após o 1-2, atrapalhou demais o Grêmio. O time de Renato não conseguiu mais ter a bola. Dos 75% até o segundo gol, caiu para 40%.

O Grêmio praticamente abdicou do jogo após a virada relâmpago. Ameaçou menos até do que o Palmeiras, que joga desse jeito, conseguiu fazer lá no Sul.

Só que o Palmeiras é um time que se sente claramente desconfortável quando precisa buscar o placar. Já vimos isso diversas vezes na era Felipão. Sabem a musiquinha do "time da virada"? Não pode ser, em hipótese alguma, cantada pelo torcedor palmeirense.

No primeiro tempo, os ataques do Palmeiras resumiam-se a laterais cobrados na área por Marcos Rocha e mais algumas bolas levantadas. Como Paulo Victor mostrou insegurança, Willian ainda teve duas ótimas chances para empatar.

Mas aí, no intervalo, Felipão fez uma substituição que deu errado. Willian estava participando bem do jogo, apesar das duas chances perdidas. Era um jogador que dava mobilidade e opções. Mas Luiz Felipe Scolari é apaixonado por centroavantes e já morreu abraçado a esta ideia algumas vezes. Colocou Deyverson em campo.

O mesmo Deyverson que praticamente sozinho impediu o Palmeiras de ganhar por uma diferença maior do Inter na Copa do Brasil – e ser eliminado posteriormente. Não é surpresa para ninguém que ele tenha feito outro jogo ruim – porque ele é simplesmente ruim.

Deyverson apanhou da bola o segundo tempo inteiro, tomou todas as decisões erradas possíveis e será um dos vilões de mais uma eliminação em mata-mata.

Se no primeiro jogo foram Gustavo Gómez e Luan os dois "perfeitos" em campo, hoje foram Geromel e Kannemann.

As outras alterações de Felipão não mudaram o panorama do jogo. Era só chuveirinho na área, mas contra um Grêmio mais bem postado na defesa. Os contra ataques que levaram problema ao Palmeiras foram pouquíssimos. Mas, os levantamentos na área, também.

É mais um fracasso no mata-mata de um time que tem elenco, mas não tem coragem. Especula demais com resultados mínimos e não apresenta alternativas de jogo. Não é uma eliminação casual. Sobra o Brasileiro, que está bem mais complicado que o do ano passado, pelos adversários e pelas circunstâncias.

O Brasileiro não é pouco. Mas, neste momento, parece.

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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