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Flamengo não ganhou jogo, ganhou briga no Maraca

Julio Gomes

21/08/2019 23h28

O futebol é cada vez mais tático e dependente da organização dos times em campo. Mas, quando a tática gera impasses, serão sempre os duelos individuais que decidirão partidas.

Foi o que aconteceu na "briga" desta quarta à noite no Maracanã. Porque não foi um jogo, foi uma briga. E nem falo isso em tom de crítica, porque há jogos em que metros são disputados como pratos de comida.

O fato é que o Bruno Henrique quebrou o impasse. Ganhou dois duelos individuais contra o ótimo Victor Cuesta, os dois lances resultaram em gols e encaminharam a classificação para o Flamengo. Nos dois lances, Moledo estava fora de posição, diga-se.

Do outro lado, os colorados devem estar felizões da vida com Nico López e sua tomada de decisões nos acréscimos.

O chileno Roberto Tobar foi o segundo melhor em campo – atrás, logicamente, do autor dos gols.

O árbitro foi perfeito na condução da partida. Muito brigada, poderia ter descambado para a violência em vários momentos. Os jogadores assumiram o tal espírito da Libertadores desde o início, entendendo que qualquer metro precisava ser "peleado". E assim fizeram.

Nada foi de graça. Nada. Jogos assim, claro, geram jogadas mais ríspidas, encontrões, carrinhos mútuos. E eles aconteceram aos montes. O árbitro controlou com conversa na medida certa, não distribuiu cartões gratuitos e não permitiu que os jogadores pressionassem a cada lance – nesse sentido, deixo aqui um elogio à maioria dos atletas em campo. Eles brigaram por cada bola, mas deixaram o juiz trabalhar sem mimimi.

O Inter conseguiu "adormecer" a partida até os 30min do segundo tempo. Era um jogo brigado, mas ruim até então. Com uma defesa monstruosa e o trio de volantes muito bem postado, os gaúchos conseguiram empurrar o 0 a 0 quase até o fim, sem deixar o adversário criar ameaças reais.

O Flamengo teve a bola, jogou bem, tentou, mas, assim como o Grêmio na terça, contra o Palmeiras, teve dificuldades para criar chances – foram só alguns chutes de fora, que pararam em Lomba. No primeiro tempo, o quarteto ofensivo tentou demais pelo meio. No segundo, com Gérson, Jorge Jesus abriu mais o campo e trouxe os laterais à frente.

O Inter sofreu o gol justamente no momento em que parecia, com Wellington Silva e Nico López, tentar dar a estocada ofensiva. Ironicamente, sofreu o gol no primeiro lance em que tinha muitos jogadores no ataque e levou um contra ataque.

Bruno Henrique foi "encontrado" no comando do ataque duas vezes, nas duas vezes ganhou o espaço de Cuesta e matou a partida.

E a nação rubro-negra tem que agradecer Nico López pela inacreditável chance perdida aos 46min. Depois, o mesmo Nico ainda teve duas oportunidades para encontrar bons passes e, de novo, foi fominha, tomou decisões erradas.

Como na Libertadores há a regra do gol fora de casa, o resultado é gigantesco para o Flamengo.

Grêmio e Inter muito provavelmente farão a final da Copa do Brasil. Grêmio e Inter muito provavelmente ficarão por aqui na Libertadores. A semifinal está desenhada para ser disputada entre os dois times de mais elenco e dinheiro no Brasil.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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