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Grêmio foi bem, mas Palmeiras beirou a perfeição

Julio Gomes

20/08/2019 23h25

Era fácil cantar o duelo tático entre Grêmio e Palmeiras antes mesmo de o jogo começar. O Grêmio é o time que quer a bola, que empurra o adversário para trás, que usa o campo todo, que agride. O Palmeiras é o time que aceita a agressão, se defende e busca, quase sempre com Dudu, encontrar um jeito de machucar o adversário.

Ambos aceitaram e cumpriram seus papéis.

O Grêmio fez um bom jogo, bastante completo. Teve chances. Mas o Palmeiras foi quase perfeito.

Não foi perfeito porque, no futebol, é muito difícil fazer um jogo perfeito. No primeiro tempo, os erros de passes foram um pouco exagerados. A expulsão (tola, de novo) de Felipe Melo foi o único erro grave palmeirense na Arena nesta noite e transformou os minutos finais em "intermináveis" para o torcedor verde.

Mas o Palmeiras sobreviveu novamente aos excessos de seu pitbull. E leva para São Paulo um resultado que não é definitivo, mas que é considerável. Vai jogar por um empate em casa para ir à semifinal.

Weverton foi muito seguro nas finalizações gremistas, a maioria delas de Everton. Marcos Rocha, que não costuma ser um primor defensivo, fez uma ótima partida contra Cebolinha. Foi superado algumas vezes? Sim. Mas conseguiu evitar que outros tantos lances se transformassem em gol ou lance de gol. A dupla de zaga, Gómez e Luan, é impressionante.

Felipe Melo e Bruno Henrique fecharam tudo à frente da defesa, com Scarpa, Veiga e Willian fazendo um importante trabalho tático. Dudu foi o incômodo de sempre. É a grande válvula de escape palmeirense e teve três chances importantes de gol, que poderiam ter ampliado a vantagem.

O gol saiu dos pés de Scarpa, que havia feito a jogada que resultou na falta. E que puxou vários contra ataques. Um jogador de bola parada e chute de fora, tudo o que Felipão precisa – aliás, foi equivocadamente substituído no segundo tempo, quando Willian pouco produzia.

Só teve vida mais fácil Diogo Barbosa. Porque Alisson é um pontinho fora da curva no time gremista – não está à altura.

O meio de campo gremista, com os jovens Matheus e Jean Pyerre, não teve a moleza que teve contra o Athlético na Copa do Brasil. Ainda assim, funcionou. Mas Maycon não contribuiu, André ficou abaixo, Alisson também e a lesão de Cortez impediu uma terceira alteração ofensiva após a expulsão de Felipe Melo.

O Grêmio tem zagueiros fantásticos, um meio de campo que joga bola, tem Everton, mas faltam peças de qualidade parecida com estas em alguns momentos.

Tem chance de ganhar no Pacaembu? Sem dúvida. Mas vai precisar de mais vitórias nas batalhas individuais. Hoje, o Palmeiras foi mais eficiente.

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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