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O desperdício de uma das melhores gerações argentinas

Julio Gomes

03/07/2019 16h35

Quando você olha a seleção argentina, ouro em Pequim-2008, só pode imaginar grandes coisas.

Messi, 21 anos. Aguero, 20. Lavezzi, 23. Di María, 20. Mascherano, 24. Banega, 20. Gago, 22. Zabaleta, 23. Garay e Fazio, 22.

Jogadores que já ocupavam um lugar no cenário internacional, já tinham nome. Já tinham, a partir daquele mês de agosto, uma medalha de ouro no peito. O céu era o limite.

Mas parece que o limite foi aquela Olimpíada mesmo.

A Argentina não ganha um título com sua seleção adulta desde 1993. Tinha times brilhantes em 98, 2002, 2006, estas últimas Copas com técnicos também brilhantes.

Deveria ter vencido a Copa América de 2004, mas a prepotência e a arrogância em campo deram ao time reserva do Brasil (Adriano!) a chance do título inesperado. Poderia ter vencido a Copa América de 2007, mas aí o time de Dunga vivia ótima fase de encaixe.

Mas e depois de Pequim? Porque estamos, 11 anos depois, três Mundiais e quatro Copas Américas depois, nos perguntando o que aconteceu?

A resposta, a meu ver, não está em Messi. Está na AFA. Os cartolas argentinos estão num patamar ainda mais baixo que os nossos. É uma grande máfia.

A Argentina teve Maradona, Bauza, Scaloni, uma penca de treinadores desde 2008. E treinadores ruins, simples assim. Sampaoli, por exemplo, não foi bancado. Neste período todo, o Uruguai, por exemplo, teve o maestro Tabárez (e só).

Como pode ser que Simeone e Pochettino não tenham sido contratados? Ou que Pekerman tenha feito o trabalho que fez na Colômbia neste período todo? Olhem a quantidade de treinadores TOP argentinos pelo futebol europeu. Ou o próprio Gallardo no River.

Imaginem Simeone desde, sei lá, 2014 no cargo.

Aquela geração comandada por Messi ainda fez três finais, uma de Copa do Mundo e duas Copas Américas. E não ganhou nenhuma delas por detalhes, por essas coisas do futebol. Mas não ganhou. E lá se vão 26 anos de fila.

26 anos!

Quando olharmos para essa fatia da história do futebol argentino, com Messi no topo do mundo por tanto tempo, coçaremos a cabeça. Para sempre.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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