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Zidane dá mais um golpe de mestre ao voltar a um Real destruído

Julio Gomes

11/03/2019 15h13

Zidane mostra-se um gênio a cada decisão tomada. Desde jogador. Quando foi para a Juventus. Quando foi para o Real Madrid. Quando decidiu parar de jogar. Quando decidiu iniciar a carreira de treinador por baixo, independente do nome que carrega. Quando confiou no taco ao pegar a bucha que era o Real Madrid naquele janeiro de 2016. Quando decidiu sair fora, ao ver que o barco afundaria. E agora, quando decide voltar, com o barco já à deriva.

O que pode dar errado?

Tem gente na Espanha que considera este um ato "heroico" de madridismo. Zidane, ao resgate do clube que ama.

Oras, me parece de uma ingenuidade incrível. Zidane não é bobo. Ele sabe o tamanho que tem. Se correu algum risco, correu ao assumir em 2016, quando Florentino Pérez estava contra as cordas e apelou, se escorando no crédito adquirido pelo francês ao longo de anos vestindo a camisa do clube.

Agora? Risco zero. Nada de heroísmo, ele só tem a ganhar. A temporada do Real Madrid já acabou – eliminações na Champions e Copa do Rei, desvantagem irrecuperável no Espanhol. Mesmo que ele não repita os feitos da primeira passagem, não terá queimado crédito. O crédito dele é infinito com o madridismo.

Como já disse algumas vezes, apesar do inacreditável feito de ter conquistado três Champions seguidas, nunca considerei Zidane um técnico genial. Me parece um cidadão que tem pleno conhecimento do clube e que sabe exatamente como lidar com um vestiário de estrelas. Nunca inventou a roda taticamente, pelo contrário.

Ele sabia, no meio do ano, que aquele Real Madrid – este Real Madrid – estava esgotado. Ganharam a Champions 2018 com uma gigantesca dose de sorte, coragem e personalidade, não tanto com futebol. Ele sabia que Cristiano Ronaldo sairia, que esta temporada seria trágica. E vazou.

Algo mais incomodava Zidane internamente? Provável que sim. Esse "algo" deve ter sido a exigência dele para voltar. Não muito diferente do que fez Carille ao sair e voltar para o Corinthians.

O barco afundaria na temporada nas mãos de alguém. Não foi com ele. Agora, Zidane chega com status de intocável e inatingível. Muito difícil imaginar que o Real Madrid não traga alguém de impacto, tipo Neymar ou Hazard.

Muito melhor reconstruir um barco sem ter afundado junto com ele.

Zidane volta ao Real

AFP

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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