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Clássico mineiro: duas horas de tudo de ruim

Julio Gomes

2027-01-20T19:13:05

27/01/2019 13h05

Cruzeiro e Atlético empataram por 1 a 1, em um clássico que não vale nada, exceto pela rivalidade, dados os formatos esdrúxulos dos Estaduais e com o fato adicional de os dois gigantes mineiros estarem na Libertadores em 2019. O placar, portanto, pouco importa.

O clássico do Mineirão foi interessante por agregar, em pouco mais de duas horas do nosso domingo, tudo o que existe de ruim no Brasil e no futebol brasileiro.

A própria falta de transcendência de um clássico como este já é uma lástima.

Começa pelo horário, 11h. Times ainda em pré-temporada, verão e os caras metem um jogo de futebol às 11h da matina. Como esperar alguma coisa?

Aí somos obrigado a chorar, no minuto de silêncio, pelo crime ambiental e humano repetido pela empresa privatizada que certamente se sairá com a dela. Não tinha aquela história de "errar é humano, persistir é burrice"? No Brasil, os erros se repetem em um eterno looping. Ah, é lógico que o minuto de silêncio do Mineirão não teve aquele silêncio sepulcral, que vemos em outros lugares do mundo. Aqui, sempre tem aquele burburinho de fundo, aqueles assobios. Tristeza de sobra, respeito em falta.

Pelo menos Fábio Santos, no gol do Galo, lembrou-se de Brumadinho. Porque Fred, o rei das stories do Instagram, estava mais preocupado em comandar dancinhas. Deixemos o luto para lá, a vida é para ser curtida.

O jogo? Que jogo?

Praticamente não teve jogo. Só reclamação. Virou tradição no Brasil: jogadores valentões, querendo mostrar para suas torcidas que jogam com "raça", que não afinam para o adversário. E, claro, a grande história é pressionar, pressionar, pressionar e, depois, pressionar um pouco mais a arbitragem.

Ainda mais um árbitro patético como o que apitou a partida – até se lesionar. Economizou cartão desde o começo, deixando o bicho pegar, anulou um gol do Cruzeiro em que nada houve e, já machucado e fora de sua melhor forma, apitou um pênalti inexistente para o Cruzeiro. Já que ninguém quis jogar, o árbitro decidiu o resultado até sua saída. O quarto árbitro teve menos trabalho para apitar o pênalti do empate do Atlético, que saiu de uma lambança de Dedé.

As arbitragens são um capítulo à parte no Brasil. O problema eterno da falta de profissionalização, da falta de critérios e da falta de personalidade para não deixar as partidas serem a espécie de feira livre que são.

Ah sim, não podemos nos esquecer da arquibancada, com a torcida do Galo confinada em um cantinho do Mineirão. Não é torcida única, que é o maior atestado de incompetência das autoridades nacionais, mas tampouco torcida dividida, uma marca histórica do nosso futebol. Fora do estádio, possivelmente um enorme contingente policial, que poderia estar fazendo outra coisa, precisa ser usado para evitar que meia dúzia de energúmenos aprontem – e raramente evita, por sinal.

Dois gols de pênalti, duas expulsões, nível abaixo da crítica, erros de arbitragem, sol a pino, reclamações, reclamações e mais reclamações.

Quem queria começar o domingo com alto astral, pode tirar o cavalinho da chuva. Depois desse clássico mineiro, dá vontade de sair na rua e começar a xingar alguém de forma aleatória. Esse é o verdadeiro futebol brasileiro.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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