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Sonho na Copa América não é título, é ser invadido de novo

Julio Gomes

2025-01-20T19:07:00

25/01/2019 07h00

Enquanto o Brasil se joga de cabeça na confusão diplomática em que se transforma a situação na Venezuela, quis o sorteio da Copa América que os dois países se enfrentassem na primeira fase da competição. Será pela segunda rodada do grupo A, em Salvador, no dia 18 de junho.

Dificilmente teremos uma "invasão" de torcedores venezuelanos no meio do ano – com o fetiche bélico dos que hoje ocupam o poder, mais fácil vermos o oposto, com outro tipo de uniforme (bate na madeira).

Mas, venezuelanos, japoneses e catarianos à parte, vimos na Copa do Mundo de 2014 uma incrível e surpreendente invasão de povos vizinhos para curtir o futebol no Brasil, e a tendência é que isso se repita em junho.

Uma das marcas da Copa da Rússia foram justamente as invasões latinas: dezenas de milhares de peruanos, colombianos, argentinos, brasileiros, mexicanos – aliás, por que mesmo o Catar está na Copa América? Já que é para ter convidado, por que não teremos o México? Por que não junta tudo, Conmebol e Concacaf, para uma Copa das Américas? Enfim.

O fato é que desde 2014 o sul-americano pegou gosto por viajar para ver futebol, e há gente rica ou maluca suficiente nesses países próximos para que o Brasil sofra uma invasão.

Falaremos de Tite, falaremos de Neymar, talvez falemos de Messi. Mas o que mais espero nessa Copa América é uma nova invasão, por todos os lados!

Quero ver colombianos, uruguaios, chilenos, peruanos, gente de todas as partes frequentando nossos bares, restaurantes, aeroportos, praias.

O grupo do Brasil é uma baba, mas todos são. Afinal, 8 das 12 seleções passam de fase. Na primeira fase, não há desafio esportivo, apenas gestão de ansiedade. É das quartas de final para frente que o bicho pega. Passando em primeiro, o Brasil enfrenta um terceiro colocado de um dos outros grupos.

O confronto mais bacana das quartas deve ser o da Arena Corinthians (28 de junho), entre o primeiro colocado do grupo B (que tem Argentina e Colômbia) contra o segundo do grupo C (que tem Uruguai e Chile). Qualquer combinação entre essas seleções resultará em um jogão de quartas.

O Equador joga duas vezes em BH, Argentina e Uruguai têm partidas em Porto Alegre na primeira fase, o Maracanã receberá um delicioso Uruguai x Chile, e Salvador, assim como já tinha acontecido na Copa do Mundo de 2014, foi agraciada com os jogos mais bacanas. Na Fonte Nova, jogarão Argentina x Colômbia, Brasil x Venezuela, Chile x Equador e Paraguai x Colômbia – dois jogos dos colombianos, pois.

Sempre é bom lembrar que o Brasil só atuará no Maracanã se ficar em segundo no grupo ou, passando em primeiro, se chegar à final. Mais um excesso de genialidade da cartolagem, que não cansa de surpreender.

Mesmo com os cartolas, mesmo com as tensões políticas, mesmo com um favoritismo exacerbado do Brasil, certamente será uma Copa América divertida, fechando esse capítulo de cinco anos da nossa história recebendo grandes eventos esportivos.

O que o Brasil aprendeu com Copa, Olimpíada, agora Copa América? Acho que nada, ou quase nada. O legado não é nem próximo do que deveria ser. Mas pelo menos alguns milhares de indivíduos, por acaso ou não, enriquecerão suas vidas por esse contato com o estrangeiro viajante.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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