Blog do Júlio Gomes

VAR vai virar a maior muleta do Brasil

Julio Gomes

Antes de mais nada, preciso deixar claro. Sou totalmente favorável ao uso do recurso de vídeo no futebol. Ele é mais do que necessário. Dito isso, por ser uma coisa nova e por se tratar do esporte com maior número de variáveis e interpretações para um árbitro, é necessário aprimorar e padronizar o uso.

A Copa do Brasil nos dá um cheiro do que será o VAR no Brasil. A maior muleta da história do país.

Culpa do VAR? Não. Culpa dos péssimos árbitros que temos. Ou, para não personalizar tanto, culpa das péssimas condições dadas aos árbitros.

No Brasil, há duas coisas que matam o nível das arbitragens – ambas passam pelo (não) comando. Um é a falta de critério. Cada juiz apita do jeito que quer, o que é falta para um não é para outro, o que é amarelo para um não é para outro e assim vai. O segundo problema é que árbitros que erram contra os maiores clubes do país estão fritos. Vão para a geladeira, são expostos na mídia por dias, têm as famílias ameaçadas e por aí vai. Ficam desamparados. Isso criou uma classe que vive como medo. São medrosos, falando o português claro. Inseguros, para usar uma forma mais delicada.

O VAR não existe para árbitros de campo reafirmarem suas interpretações. Isso só vai gerar confusão, parar os jogos por muitos minutos, será o caos em cima do caos.

O recurso eletrônico existe para, caso algum erro grave e claro seja identificado por outro árbitro (que assiste às partidas com replays, câmera lenta, etc), o árbitro de campo seja avisado.

Exemplos claros do mau uso ocorreram em Flamengo x Grêmio e Chapecoense x Corinthians, nesta noite de quarta-feira.

No primeiro tempo, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro foi muito bem e não deu dois pênaltis pedidos, um pelo Flamengo (sobre Paquetá), outro pelo Grêmio (sobre Cortez, que simulou pateticamente). Ele viu os lances de perto e tomou a decisão certa. Interpretou com perfeição.

Maaaaaaaas. Bastou aquela tradicional gritaria dos jogadores em campo (isso só vai acabar quando não tiver mais efeito) para que o árbitro ficasse com a falta de convicção estampada no rosto. O medo. E automaticamente ele levou a mão ao ouvido e indicou que queria escutar a opinião do colega árbitro de vídeo.

Oras, não é assim que tem que funcionar. Ele não pode pedir o recurso de vídeo para ter uma segunda opinião reafirmando a interpretação que ele teve no campo. O jogo tem que seguir. E, caso o árbitro de vídeo veja algo muito nítido e que vá contra a decisão de campo, é ele quem chama a atenção pelo intercomunicador.

Em Chapecó, um gol da Chape foi anulado no campo por impedimento. E aí Leandro Vuaden ficou 2 minutos esperando a confirmação do VAR, de um lance de impedimento claríssimo, de mais de metro. Ainda fez aquele sinal da TVzinha para confirmar a decisão. Oras bolas. A decisão em campo está tomada. Segue o jogo. Se o ''bandeirinha de vídeo'' vir algo diferente, que avise. E rápido, de preferência.

No fim, os árbitros não interferiram nas classificações de Flamengo e Corinthians para uma das semifinais da Copa do Brasil. Mas a insegurança ficou estampada na cara. Está claro que árbitros deixarão de marcar muitas coisas e jogarão a casca de banana para o ''pessoal do vídeo'' decidir. Vão tirar o corpo fora. É mais fácil não dar nada do que ''des-dar'' depois.

O VAR vai ser uma grande confusão se os árbitros apitarem pensando nele.