Blog do Júlio Gomes

Diário da Copa: Foram os peixinhos do mar…

Julio Gomes


Quantos quilômetros devo ter caminhado nessa viagem? Difícil fazer essa conta. Pelos calos e pelas inéditas bolhas nos calcanhares, souvenirs de Rostov on Don, acredito que já devo ter feito uns três caminhos de Santiago de Compostela.

Meu tênis, coitado, está sem sola e com a palmilha gasta. Eu até trouxe outros para a viagem, mas me machucariam ainda mais.

Lá estava eu me arrastando por Sochi, na bela margem do Mar Negro, uma parte do centro da cidade cheia de lojas e restaurantes, quando vi o sinal luminoso. ''Spa Doctor Fish''. Hein?? Spa. Doutor. Peixe. Esfreguei os olhos em frente à vitrine.

O que estavam lá fazendo aquelas pessoas com os pés dentro de aquários, sendo “atacadas” por peixinhos esfomeados?

Seis poltronas. Seis aquários. E uns seis milhões de peixinhos te esperando. Loucos para… comer teus pés – e tornozelo, canela, o que mais você quiser colocar à disposição deles.

Havia lá na parece uma explicação de como aquilo ajudaria meus pés, mas tudo em russo. A outra plaquinha tinha os preços: 12 reais por 5 minutos, 18 reais por 15 minutos, 30 reais por 30 minutos. Não achei tão caro. Será que aqueles peixinhos iriam trazer algum alívio?

Olhei atentamente para as pessoas que já haviam criado coragem. Não eram faces de terror. Um ou outro até sorria. Tinha uma criança de uns seis anos com os pezinhos em um dos tanques. Uma criança!

Na recepção, estão Irina e Granika. Elas se divertem com o meu receio. ''Pode ir! Não dói!''. OK, OK. Já que estamos aqui…

Sento em uma das poltronas. Quando olho para baixo, os milhões de peixinhos já estão lá, ouriçados, reunidos no meu aquário, só esperando. Safados.

Chegou a hora. Pés para dentro… Ataque de riso.

Isso mesmo. Não conseguia parar de rir. Faz um pouco de cócega, uma sensação engraçada demais. São centenas de peixinhos que vão lá, segundo o pessoal do Spa, comer tua carne morta, ''limpar e massagear'' teus pés.

Mando vídeo para minha mulher. “Fazendo pedicure, é?”. Ela me diz que isso é caro pra burro no Brasil. Para mim, é coisa de russo.

Depois das risadas – pude perceber que o mesmo acontece com todo mundo -, tentei relaxar. Me acomodei na almofada, deixei os peixinhos do Mar Negro se divertirem com meus pés por 15 minutos. Bom apetite!