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Diário da Copa: 11 cidades

Julio Gomes

2009-07-20T18:10:00

09/07/2018 10h00

Vocês nem imaginam a alegria que sinto. Sério mesmo. Nem eu imaginava que me sentiria assim.

Quando comecei meu planejamento de Copa, nem mesmo cliente eu tinha. Eu não sabia nem para quem iria trabalhar. Foram meses de batalha. E de planejamento. Pensar, imaginar, tentar, pesquisar, arriscar, pagar, telefonar.

Um aprendizado imenso. O UOL Esporte, velho parceiro, foi um dos que confiaram em mim. As peças foram encaixando. E, aí, tomei a grande decisão. Passar pelas 11 sedes. Pelos 12 estádios.

Ousado. Dado o tamanho do país e o meu orçamento, parecia missão impossível. Mas deu certo! Deu muito certo. Sem roubadas, sem grandes gastos, sem mordomias, com muita disposição… cheguei lá. Ou melhor, aqui.

E o melhor de tudo? Poder dividir tudo o que vivi com vocês. Minha vida é contar histórias. Nada mais satisfatório que poder dividir a experiência maluca e intensa vivida em 30 dias de Rússia com vocês.

Mal completei as 11 cidades e começaram as perguntas. Qual a mais legal? De qual você gostou mais? Que perguntas difíceis!

Como não amar a minúscula Saransk, com sua simpática praça e onde se faz tudo a pé? Ou Samara, com a linda praia no Volga? Kaliningrado, a terra do âmbar e da cerveja. Volgogrado, onde a história se respira e te faz sentir tão pequeno aos pés daquela estátua.

Como não gostar de Ekaterimburgo e Rostov, onde as pessoas te param na rua para saber do que você precisa? Da animação de Kazan. De Nijny Novgorod, com a maravilhosa vista do Volga. Da beleza natural de Sochi, onde praia e montanha se encontram, onde o Sol se põe no Mar Negro.

Isso tudo sem falar de Moscou e São Petersburgo. Cosmopolitas, imponentes, maravilhosas.

Escolher o que eu mais gostei é que nem escolher entre papai e mamãe. Entre Messi e Cristiano Ronaldo. Entre Tom e Vinicius.

Há certas escolhas que não podem ser feitas. Não é justo que sejam.

A grande história é que a Rússia conseguiu mostrar a mim e ao mundo ser um país aberto ao desconhecido. Essa faceta da hospitalidade é uma que nem os russos conheciam. Que coisa maravilhosa é o autoconhecimento.

Com todos os seus males, que existem, Copas do Mundo servem para isso. Intercâmbio, novas amizades, aprendizado, evolução.

Eu sou outra pessoa depois do meu périplo pelas 11 cidades-sede. A Rússia, tenho certeza, também é outro país.

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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