Blog do Júlio Gomes

Diário da Copa: Sorrir e chorar como os peruanos

Julio Gomes

Poucos acreditaram quando Saransk, uma pequena e pouco importante cidade de 300 mil habitantes, foi escolhida como sede da Copa do Mundo. Assim como poucos moradores de Saransk, ontem, acreditaram no mar de peruanos que se espalhava pelas belas ruas da cidadezinha.

Nós, brasileiros, até que nos acostumamos rapidamente às marés sul-americanas, que marcaram nossa Copa do Mundo. Mas na Rússia?? Peruanos??

Quando decidi vir a esse jogo, imaginei uma cidade dividida e uma grande confraternização entre alguns milhares de sul-americanos e escandinavos. Nunca imaginei um punhado de dinamarqueses e quase 40 mil peruanos.

Logo na chegada a Saransk, algumas vans, do tipo lotação, começaram a transportar peruanos e mais peruanos para o centro da cidadezinha, que tem uma bela praça, uma linda igreja ortodoxa e não muito mais. Foi quando conheci Dmitri, loiro, olhos azuis, cabelo desarrumado e camisa da Dinamarca. Comecei logo a falar inglês, ele respondeu, conversamos. E não é que o Dmitri de dinamarquês não tinha nada?

Virou fã quando aquele time de Laudrup fez o que fez na metade dos anos 80. Lembram da Dinamáquina?

Pois bem. Três horas depois, Dmitri me perguntava. Será que algum peruano topa trocar a camisa comigo?? Estava absolutamente encantado com o que estava vendo nas ruas de Saransk.

Esta é minha quinta Copa do Mundo. Eu não me lembro de ter visto um jogo com um ambiente como este. Nem os da Alemanha em 2006 nem os da África em 2010 e muito menos os do Brasil em 2014. Os peruanos não estavam apenas torcendo. Foi uma comoção. Um êxtase total e absoluto.

“Como no te voy a querer, como no te voy a querer, si eres mi Peru querido, mi país bendito, que me vió nascer”.

Durante o hino peruano, me arrepio só de escrever, o estádio cantou. A ótima acústica ajudou. Um peruano a poucos metros de mim chorava como um bebê. Aos prantos. Chorei também. O futebol segue me emocionando e é por essas coisas que eu pego 200 trens, fico sem comer nem dormir, ando horas para chegar aos estádios.

No fim, tudo se resume a isso. As pessoas. A emoção de cada um. Nem Cueva conseguiu estragar esse dia. O Peru mudou Saransk para sempre.