Blog do Júlio Gomes

Clubes que votaram contra o VAR desvalorizam o próprio produto

Julio Gomes

Sete clubes votaram pela implementação do VAR (árbitro auxiliar de vídeo) no Brasileirão 2018: Palmeiras, Flamengo, Inter, Grêmio, Bahia, Botafogo e Chapecoense. Os outros votaram contra – o São Paulo se absteve, o que, na prática, é a mesma coisa. A justificativa comum? Dinheiro. É muito caro. Se o campeonato é da CBF, ela que pague.

(Como se a Chapecoense, que recebe seis vezes menos que o Corinthians pelos direitos de transmissão, estivesse nadando na grana).

Não estou aqui para defender a CBF, que é quase indefensável por qualquer ângulo que se olhe. Apenas não consigo dissociar a qualidade administrativa e a ética da CBF da dos dirigentes médios brasileiros.

O Brasileiro deveria estar nas mãos dos clubes, como acontece em qualquer liga séria do mundo, já há muito tempo. E isso não acontece por culpa deles mesmos, incapazes de se sentarem à mesa e pensarem no bem comum. Então, tome Brasileirão administrado pela CBF.

A CBF não quer pagar pelo VAR? OK. Nem sei se deveria ou não. O fato é que são os clubes os protagonistas da competição. A arbitragem de vídeo seria benéfica a eles, ao produto deles, à credibilidade do torneio jogado por eles. São eles, pois, que deveriam tomar a dianteira do assunto.

É muito fácil se escorar na CBF. Nenhum cartola será criticado pelos seus torcedores por se opor a uma decisão da CBF, não é verdade?

Alguns dirigentes, quero crer, estão realmente preocupados com as finanças. Outros apenas querem empurrar responsabilidades. É muito mais fácil colocar na arbitragem a culpa de uma derrota, de um rebaixamento, de uma não classificação para a Libertadores.

Arbitragens ruins, e elas não são raras no Brasil, são a muleta para muitos dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e até mesmo comentaristas esportivos. Aliás, alguns torcedores mais fanáticos correram para abraçar a decisão de seus dirigentes, elencando a mesma série de desculpas faladas aos microfones. Não canso de me surpreender com o senso de ''defesa'' do clube.

Mas após a decisão de ontem só resta uma pergunta. O que, afinal, queremos para o futebol brasileiro?

Se por um lado é verdade que o VAR custa caro (pelos valores ditos ontem, R$ 50 mil por jogo), por outro lado não estamos falando de um valor impagável.

O Vitória, por exemplo, foi o time mais prejudicado por erros de arbitragem no Brasileiro do ano passado (pelo levantamento deste blog, quem mais teve pontos ''tirados''). Acabou se livrando do rebaixamento na última rodada, mesmo perdendo, com uma boa dose de sorte. Quanto custaria aos cofres do Vitória ser rebaixado? O VAR, um investimento que parece alto, teria saído baratinho.

E mais. Será que o VAR custa mesmo tudo isso? Se o valor apresentado pela CBF é muito alto, e parece ser mesmo, comparando aos custos do VAR, por exemplo, em Portugal, por que os clubes não se mexem para encontrar um outro modelo?

O VAR, além de ser extremamente benéfico ao jogo, apresenta uma gama de oportunidades comerciais. No momento em que ele é acionado, há inúmeras oportunidades de exposição de marca. A própria geradora de imagens, a Globo, poderia estar envolvida. Se bobear, com um pouco de esforço e criatividade, ainda ganhariam dinheiro com isso.

 

O que vemos é a maioria dos clubes fazerem esforço zero pela arbitragem de vídeo. Não se juntaram para viabilizar a coisa, com ou sem CBF.

E aqui deixo um spoiler do Brasileirão. Haverá erros. E essa turma vai reclamar adoidado…