Blog do Júlio Gomes

Vinte polêmicas que o árbitro de vídeo poderia ter evitado (ou criado)

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Depois do famoso gol de braço de Jô no fim de semana, agora a CBF quer implementar o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro. Sofre críticas, logicamente. Afinal, é uma novidade, uma mudança cultural e temos visto muita polêmica na Alemanha e na Itália, onde os campeonatos locais já utilizam o recurso da tecnologia.

Só com o tempo os critérios serão acertados, árbitros serão treinados e se acostumarão. Portanto, colocar a coisa em prática de um dia para o outro é pedir para ter problemas. Isso sem contar a isonomia da competição, muito afetada, já que durante 24 rodadas clubes que foram prejudicados não puderam contar com tal auxílio.

O blog separou alguns lances que, se analisados em vídeo, possivelmente teriam mudado a história de jogos do Campeonato Brasileiro. Claro que não falo abaixo de todos os erros de arbitragem. Mas de algumas polêmicas que marcaram a competição até agora. E também de lances em que, talvez, o árbitro de vídeo vai servir mais para atrapalhar do que ajudar.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Rodada 1

Avaí 0 x 0 Vitória
Começamos logo com um lance em que não tenho opinião formada sobre como o processo deve ocorrer. O Avaí foi prejudicado, e a CBF admitiu, ao não ter um pênalti claríssimo marcado aos 36min do segundo tempo. É lógico que, pelo vídeo, o árbitro seria avisado do erro. Mas clique e perceba que o árbitro vê o lance perfeitamente e escolhe não dar pênalti. O que fazer? Inicialmente, em casos assim, tendo a achar que deve valer a interpretação do árbitro ali no campo. Se ele não tiver visto o lance, aí sim, manda a opinião de quem vir pelo vídeo. Felipe Gomes da Silva foi o árbitro que conseguiu não apitar esse pênalti.

Corinthians 1 x 1 Chapecoense
Também na primeira rodada, o árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha (sim! o mesmo Elmo que validou o gol de Jô no domingo) deixou de dar pênalti para a Chape quando o jogo estava 0 a 0 em Itaquera. Gabriel bloqueia o chute com os braços abertos, pênalti claro. De novo, o árbitro vê e resolve não apitar. Mas neste caso, ao contrário do lance acima, a velocidade pode trair os olhos do árbitro. Ele pode não notar o bloqueio com o braço e ser auxiliado pelo vídeo. É o que, imagino, aconteceria.

Grêmio 2 x 0 Botafogo
Este é o típico lance que seria invalidado. O segundo gol do Grêmio é irregular, Luan toca com a mão na bola. O árbitro Braulio Machado está encoberto pelo corpo do gremista. E, com a infeliz incompetência dos auxiliares, sobraria para o vídeo apontar a infração.

Rodada 2

Vasco 2 x 1 Bahia
Mais um lance super complexo, em que critérios precisariam ser definidos com antecedência. Jean, do Vasco, deveria ter sido expulso aos 21min de jogo por essa falta. O árbitro Leandro Marinho vê a falta e escolhe dar o amarelo. Ele erra. Será que seria corrigido pelo vídeo? Acredito que não, pois ele simplesmente interpretou de maneira errada. Uma expulsão na metade do primeiro tempo, ainda com 0 a 0, poderia ter mudado o jogo.

 

Rodada 7

Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR
Aqui temos o típico lance que seria corrigido pelo vídeo e alteraria o destino do jogo. O Galo teve um gol de Rafael Moura mal anulado por impedimento de Marlone (que não existia). Já era metade do segundo tempo. O jogo, que deveria estar 1 a 0 para o time da casa, seria vencido no finalzinho pelo Furacão. Mais uma derrota no Horto. Algumas rodadas depois, Roger seria demitido do Atlético-MG. Percebam aqui o quanto a arbitragem de vídeo poderia ter mudado o destino das coisas.

Coritiba 0 x 0 Bahia
Na mesma rodada, Kleber Gladiador deu um soco na cara de Edson, do Bahia. Deveria ter sido expulso e deveria ter sido marcado pênalti para o Bahia. Kleber seria expulso mais tarde neste mesmo jogo por Wagner Reway que, imagino, não viu o soco anterior e, por isso, não marcou nada. Com o vídeo, a CBF posteriormente puniu disciplinarmente o jogador do Coritiba. Mas, nos 90 minutos, a ausência de vídeo prejudicou o Bahia.

 

Rodada 8

Coritiba 0 x 0 Corinthians
Um lance muito falado na época. Jô faria o gol da vitória do Corinthians no finalzinho, mas um impedimento inexistente foi assinalado.

 

Rodada 11

Sport 1 x 0 Atlético-PR
Outro erro grotesco, agora de Grazianni Maciel Rocha, que viu toque de mão de Wanderson, do Atlético-PR. A bola nunca tocou na mão do jogador, o árbitro se equivocou e teria sido corrigido pelo vídeo. O pênalti mal marcado, já aos 28min do segundo tempo, acabou dando a vitória ao Sport. Eduardo Baptista seria demitido do Atlético-PR após a rodada seguinte.

Rodada 14

Chapecoense 2 x 0 São Paulo
Separei este lance porque, creio, será um exemplo de polêmica recorrente com o árbitro de vídeo. O juiz Wagner Magalhães não marca o suposto pênalti de Grolli em Pratto. Eu também não marcaria. Mas a CBF considerou um erro. Esse agarra-agarra na área acontece sempre e é difícil saber se o zagueiro realmente imprimiu carga suficiente para derrubar o adversário. Pelo vídeo, em câmera lenta, tudo parece falta. Qual será o critério de marcação? Tenho certeza que haverá inconsistências, às vezes dentro do mesmo jogo.

Rodada 15

Flamengo 2 x 2 Palmeiras
Muita reclamação do Flamengo com o árbitro Jailson Freitas por duas faltas de Mina em Guerrero, em lances que originaram os gols palmeirenses. A segunda foi dentro da área, seria pênalti pro Flamengo. Imaginem só. Com o vídeo, o juiz anularia o gol do Palmeiras e daria pênalti para o Flamengo. Não dá para mudar muito mais o destino de um jogo.

Rodada 16

Vitória 1 x 2 Chapecoense
Marcelo de Lima Henrique apitou o que talvez tenha sido o jogo com maior número de erros. Anulou um gol do Vitória por impedimento por não ver que o próprio jogador da Chape havia tocado a bola para trás. Depois, marca corretamente pênalti para a Chape, mas erra ao não expulsar goleiro do Vitória. Ainda deu um pênalti inexistente pro Vitória, mas, já com 1 a 2, aos 37min do segundo, deixa de dar um pênalti para o time baiano. Todos estes lances que poderiam ter sido corrigidos pelo vídeo. Ou seja, o jogo teria uma história completamente diferente desde o início

Atlético-GO 1 x 1 Botafogo
Paulinho empatou para o time da casa, a 15min do final do jogo, em posição irregular. Um gol que teria sido anulado pelo árbitro de vídeo, e possivelmente o Botafogo teria saído com a vitória.

Rodada 17

Corinthians 1 x 1 Flamengo
Uma das grandes polêmicas do campeonato, já que foi o jogo entre os dois times mais populares do país. Jô teve outro gol mal anulado, pois não estava em posição de impedimento. Lance que teria sido facilmente validado com o uso do vídeo. Ricardo Marques era o árbitro.

Cruzeiro 0 x 0 Vitória
Um pênalti não dado para o Vitória no meio do segundo tempo (mão de Ariel Cabral, que salta para bloquear um cruzamento com os braços abertos) marcou a arbitragem de Dewson Fernando Freitas da Silva. Não é possível, pela imagem, saber onde estava o juiz, se ele viu ou não viu. Mas seria facilmente marcado com o auxílio do vídeo.

 

Rodada 19

Bahia 2 x 1 São Paulo
Dois lances no mesmo jogo que prejudicaram o São Paulo. No primeiro gol do Bahia, há impedimento na origem da jogada. E, já com 2 a 1, há um pênalti não dado pro São Paulo (camisa puxada na área). Dorival reclamou muito, mas a CBF ignorou os erros em seu site.

Rodada 20

Sport 0 x 0 Ponte Preta
Leandro Vuaden decidiu não marcar pênalti para o Sport neste lance. A meu ver, o jogador da Ponte claramente leva a mão até a bola, talvez por reflexo, mas não importa. A CBF, no entanto, considera que Vuaden acertou ao não marcar nada. Como seria com a arbitragem de vídeo? Valeria a interpretação de Vuaden na hora? Ou haveria o risco de alguém que estivesse de olho nas imagens durante o jogo tivesse a mesma opinião que a minha?

São Paulo 3 x 2 Cruzeiro
Rafael Traci foi muito criticado por um pênalti dado sobre Gilberto, que significaria o terceiro gol e a vitória do São Paulo. A CBF concordou com a marcação. Mas foi contra a maré, pois todos os analistas de arbitragem e a maioria dos jornalistas consideraram que não houve infração alguma no lance. O que teria dito o árbitro de vídeo em sua comunicação com o juiz de campo?

Rodada 23

Atlético-PR 1 x 1 Coritiba
Outro lance em que o árbitro de vídeo poderia simplesmente ter uma interpretação diferente do árbitro de campo. Anderson Daronco não marca pênalti em Rildo e tem o apoio da CBF em sua decisão. Tem o meu também. Rildo é o maior piscineiro do futebol brasileiro e busca o contato com o zagueiro do Atlético para ludibriar o árbitro. Mas Salvio Spinola, por exemplo, e muitas outras pessoas acharam que era lance de pênalti. E se o árbitro de vídeo também achasse ali na hora? Bom lembrar que, na continuação do lance, saiu o pênalti que resultou no empate do Atlético-PR.

 

Rodada 24

Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Ainda com o jogo empatado, houve um puxão de Hudson na área e o árbitro Wagner Reway deixou de marcar pênalti para o Bahia no fim do primeiro tempo. O vídeo poderia ter alterado a história do jogo.

Corinthians 1 x 0 Vasco
E, claro, como não poderia deixar de ser, o jogo da polêmica mais recente. O Corinthians venceu com um gol irregular de Jô, mas reclamou de três pênaltis não marcados para ele antes disso – dois sobre Jô, um sobre Balbuena em lance de escanteio. Qualquer um destes poderia ser apontado pelo árbitro de vídeo, dependendo da interpretação. E, claro, o gol de Jô teria sido rapidamente invalidado.