Blog do Júlio Gomes

Palmeiras mereceu eliminação e já precisa pensar em 2018

Julio Gomes

Foi um ano todo torto para o Palmeiras, que acabou em uma tragédia anunciada e merecida – o Barcelona de Guayaquil foi melhor e mereceu levar a vaga nos pênaltis. Escolheu um técnico em quem nunca confiou. O tempo todo, esperava a volta de Cuca. Só que não combinou com o próprio a montagem do elenco.

Errou ao trazer Felipe Melo. Bom jogador, mas com características de jogo muito específicas e longe do futebol brasileiro havia muito tempo. Jogador que só trouxe desgaste ao clube, que precisou ficar defendendo coisas indefensáveis, tipo o soco na cara de Montevidéu. Errou feio ao contratar Borja – pagou demais por um jogador de histórico duvidoso (uma boa Libertadores e nada mais). Foi no nome e na carteira.

Guerra foi um acerto, por exemplo. Mas o fato é que o planejamento não foi o ideal e a impressão, neste momento da temporada, é que o time ainda está sendo montado. Com Bruno Henrique, Deyverson, etc.

É difícil que anos assim acabem bem.

O Palmeiras ainda tem um Brasileiro pela frente, para se garantir na Libertadores e, de repente, sonhar em dar algum calor no Corinthians. Não é (ainda) um mico como o Galo, por exemplo.

O Atlético Mineiro começou o ano com um técnico promissor e um time com Elias, Robinho e Fred. Prometia. Deu tudo errado. O Galo tem virado especialista em decepcionar, deve estar faltando leitura para construção de elenco.

Em agosto, o time está fora da Copa do Brasil, da Libertadores e sem chance alguma no Brasileiro. Até o G6 parece um sonho distante para um time que passou 180 minutos sem conseguir fazer gol no ''poderoso'' Jorge Wilstermann, da Bolívia.

Mas, claro, o Atlético não teve o investimento que teve o Palmeiras.

O jogo de Guayaquil foi aquele em que Borja não dava três passos. O jogo em que Cuca expôs as razões de não confiar no atacante colombiano.

O Palmeiras nada fez. O Barcelona pouco fez. Acabou achando um gol no final.

Mas, nesta quarta, em São Paulo, o Barcelona foi muito mais perigoso que o Palmeiras o tempo todo. Cuca apostou em um 4-2-4 de eficácia zero no primeiro tempo.

Keno e Róger Guedes pouco pegaram na bola. Não havia conexão com o meio de campo. Aliás, que meio de campo? E, na já cantada velocidade, o time de Guayaquil contra atacava, ameaçava, mostrava que não vinha só para se defender.

No segundo tempo, Cuca colocou Moisés e o jogo mudou. Não foi com criação que o Palmeiras chegou ao gol, foi em um contra ataque após escanteio para o time equatoriano.

Mas um contra ataque que começa com um belo lançamento de três dedos de Moisés para Dudu, que devolveu o passe para a ótima finalização do próprio Moisés – que seria o herói da noite, não acabasse em eliminação. Além de Moisés, que saiu dolorido de campo, o Palmeiras perdeu Mina e Dudu, machucados. Trágico.

Mais tarde, entrou Guerra. O Palmeiras é muito melhor com Moisés, Guerra e Dudu. Mas não é o jogo preferido de Cuca. Seus times costumam ser menos de meio de campo e mais de intensidade, exploram bolas aéreas, lançamentos e velocidade.

O fato é que o Palmeiras parecia um time com medo. Medo de sofrer um gol que seria fatal.

Ao longo do segundo tempo, o Barcelona teve bola na trave, furada na pequena área, gol perdido também na pequena área após cruzamento, chance clara nos acréscimos e ainda pode reclamar da arbitragem.

Edu Dracena, tão experiente, poderia ter virado vilão. Deu uma tesoura totalmente desnecessária no meio de campo e deveria ter recebido vermelho – se saiu com o amarelo. E pouco depois, já aos 40 e tantos, puxou a camisa de um jogador do Barcelona dentro da área. O árbitro preferiu não dar pênalti.

Os vilões acabaram sendo Bruno Henrique e Egídio.

Será um longo segundo semestre. O Palmeiras mereceu ser eliminado. E precisa pensar mais cedo no ano que vem. Não basta ter dinheiro, é preciso planejar, pensar cuidadosamente em cada posição e na composição do elenco.

Com o investimento que tem, se chegar sempre na Libertadores, uma hora acabará ganhando. Mas precisa fazer um trabalho melhor do que o feito para 2017. Com a palavra, Alexandre Mattos.