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Julio Gomes

Neymar fora não é tão má notícia quanto parece

Julio Gomes

17/01/2014 12h48

Neymar se machucou. Coisa rara, raríssima. Foi sozinho. Nem culpa de um adversário carniceiro nem de um gramado tosco, ele apenas torceu o tornozelo no movimento de fazer um cruzamento.

A imagem é feia, horrorosa. Se ele tivesse rompido tendões, poderia ficar até fora da Copa. Mas não rompeu nada. Foi uma forte torção. Tempo estimado: três a quatro semanas de baixa.

Parece uma notícia horrorosa, perturbadora. Mas não é. Bom, eu não queria que o tornozelo fosse meu, logicamente, mas, à parte as dores sentidas por Neymar e a frustração de ficar fora, só vejo boas notícias. Será um mês de descanso importante para Neymar.

É importante entender que a seleção brasileira não tem a menor chance de ganhar a Copa do Mundo sem Neymar. Qualquer outro jogador é substituível, menos Neymar. A Copa passa por ele. E passa por tê-lo bem fisicamente. As Copas vêm sendo, cada vez mais, torneios curtos vencidos pela seleção que, além de jogar bem, consegue ter seus principais jogadores saudáveis.

Vejam o Brasil na Copa de 2010, por exemplo. Tinha Kaká com uma perna só e perdeu, no meio da competição, um Elano que era fundamental para o sistema. Perdeu por isso? Talvez sim, talvez não. Mas são fatores importantíssimos para uma competição tão curta. Não é fácil remontar sistema, nenhuma troca nesse nível é um seis por meia dúzia.

Não à toa, os três grandes jogadores da Copa das Confederações do ano passado foram atletas que estavam em meio, não final de temporada. Porque atuavam no Brasil: Neymar, Paulinho e Fred.

Neymar voou na Copa das Confederações, teve pouco descanso depois disso (tanto que ganhou folga ampliada de Natal/Reveillon) e tinha toda a pinta de chegar "detonado" ao Mundial, no fim da temporada europeia. Agora, ganhou um descanso. Forçado, é verdade. Mas um descanso. Um mês parado e de recuperação que pode se provar essencial quando chegar o mês de junho.

Para o Barcelona, a notícia tampouco é tão ruim. Messi acaba de voltar. É claro que seria ideal fazê-los ganhar ritmo juntos, mas esse é um problema menor. Neymar ficará fora de jogos contra Levante, Málaga, Valencia, Sevilla e Rayo Vallecano, pela Liga, as quartas de final da Copa do Rei (contra o Levante) e a hipotética semifinal. Nada que o Barcelona não esteja acostumado a ganhar sem Neymar.

Ele volta a tempo do confronto realmente revelante em que Neymar pode fazer muita falta. Contra o Manchester City, pela Champions League.

Esse mês vai passar voando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.