PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

Porque não são só os 4 pontos. É por justiça

Julio Gomes

16/12/2013 02h05

"Teu dever é lutar pelo Direito. Mas no dia em que encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça."

A frase é do jurista uruguaio Eduardo Couture.

A frase resume o embate de hoje. O direito contra a justiça. Acho que já estamos todos cansados de saber o que aconteceu.

A Portuguesa não deveria ter inscrito Héverton para o último jogo do campeonato. A Portuguesa não foi avisada de seu absurdo gancho de dois jogos, definido na calada da noite de sexta-feira. Ou foi avisada e bobeou em seu próprio amadorismo, que se confunde com o de todo nosso futebol.

Não houve dolo. A Portuguesa poderia perder o jogo que ainda assim cumpriria seu objetivo único no campeonato. Não houve má fé. Não houve benefício técnico. Não houve desequilíbrio à tabela final de classificação do campeonato. O mesmo serve para o Flamengo, que escalou André Santos no inútil jogo contra o Cruzeiro.

O Fluminense vai perder a chance de uma história de mostrar grandeza. De respeitar o que pensa uma parte significante de sua torcida. Não deveria participar do julgamento. Não deveria se mexer nos bastidores. O Fluminense perderia pouquíssimo dinheiro e ganharia muitíssima dignidade jogando e ganhando a Série B. Prefere, no entanto, um carimbo na testa. Mais um.

Grandes clubes do futebol brasileiro aderiram à causa portuguesa. Porque sabem que só existe um lado ético e moral nesta história e porque sabem que manter a integridade, a pouca credibilidade adquirida pelo campeonato nos últimos 7 anos, é fundamental. Para o Fluminense, para os outros clubes, para os patrocinadores, para absolutamente todos, será péssimo que o direito fale mais alto que a justiça.

Se os engravatados do STJD obedecerem seu suspeitíssimo procurador, que pensava uma coisa em 2010 e pensa outra em 2013, o resultado da bola terá sido jogado no lixo. O choro, o sorriso, a tensão, tudo terá sido em vão pela decisão de um tribunal que nem mesmo deveria existir.

Se a Portuguesa for rebaixada na marra, estará sendo decretada a pena de morte para um ladrão de galinhas. Será a falência definitiva do que insistimos chamar de "esporte do povo".

Vozes importantes de nossa sociedade já se manifestaram. Gente que vive e entende o futebol muito mais do que o engravatado que quer aparecer no fim do ano e sonha com momentos como este para alçar voos mais altos lá na frente. Tentei encontrar vozes de peso clamando pela permanência do Fluminense na primeira divisão. Não encontrei nenhuma. Apenas juridiquês, nada além disso.

Este país mudou nos últimos 6 meses. Não aceitamos mais as injustiças tão facilmente, calados, sentados, escondidos. Quem ama o futebol, vista a camisa de seu clube e vá à Rua da Ajuda, número 35, Rio de Janeiro, hoje à tarde. Sim, ironicamente, este é o endereço do local em que a Portuguesa chega condenada, mas de onde podemos sair todos salvos.

Eu não tenho muito mais a dizer. Essa turma aqui abaixo fala por mim. Que vença a justiça.

 

"Os donos da justiça", por Ugo Giorgetti

O "mercado" não suporta a Portuguesa, não entende a sua existência, porque ignora o valor de noções como honra, altivez, brio e orgulho próprio. Na realidade, a Portuguesa é o único time no futebol brasileiro que não se enquadra, ou, se preferirem, que não se curva. Todos os outros enchem estádios, compram os produtos e são comportados. Os que são grandes são grandes, os pequenos são pequenos, e cada um fica em seu devido lugar pacificamente. Só a Portuguesa não se enquadra nesse esquema. O problema dela á que é grande apenas no campo, e isso é uma verdadeira sentença de morte. Nada deve se esperar da justiça esportiva. Os burocratas, linha de frente dos donos do futebol, não perdoam. Estão sempre vigilantes, Código Penal em punho, buscando alternativas para a eventualidade de o time não perder em campo.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,os-donos-da-justica-,1108764,0.htm

 

"De mesas virantes e tapetes", por Gustavo Poli

O problema é que essa injustiça é tão grande que afeta os fundamentos do mesmo jeito. Esporte precisa de credibilidade – e até os vitrais das Laranjeiras sabem que o Fluminense mereceu cair no campo. O clube, que convive há onze anos com o fantasma do salto em altura divisional de 2000, pode virar símbolo de tudo-aquilo-que-é-no-futebol-brasileiro. Será que vale a pena? Entre tapetes aéreos e mesas virantes, a primeira partida decisiva da 39a rodada será disputada na próxima segunda-feira. Ironias desta terra: o futebol brasileiro sairá pior da sala do STJD se as regras forem cumpridas.

http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/coluna-dois/post/de-mesas-virantes-e-tapetes.html

 

"O calor das vitórias se impõe à frieza das leis", por João Máximo

Se a Portuguesa cair, ele (o Fluminense) sobe. Ou melhor, fica onde, pelo futebol que jogou, não merece ficar. Por mais doloroso que pareça ao coração de seus torcedores, permanecer na segunda divisão — assumi-la de cabeça erguida, partir para reerguer-se, lutar digna e legitimamente por um 2014 melhor — será gesto mais à altura de um grande clube do que voltar novamente pela janela.

http://oglobo.globo.com/esportes/campeonato-brasileiro-2013/o-calor-das-vitorias-se-impoe-frieza-das-leis-11075574?fb_action_ids=671171826238224&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B1379809668939048%5D&action_type_map=%5B%22og.recommends%22%5D&action_ref_map=%5B%5D

 

"Carta para Peter Siemsen", por Erich Beting

O senhor pode escrever uma grande história nessa segunda-feira, caro Peter Siemsen. E o resultado de uma atitude de grandeza pode ser muito maior do que um oportunismo que mascara os erros de um ano ruim. Espero, caro Peter, que o sentimento de Justiça exista em seu íntimo. O egoísmo, quase sempre, só traz problemas mais à frente. Somos seres que vivemos em sociedade. E, por isso mesmo, em alguns instantes estamos por cima e em outros, por baixo. Afinal, feio não é cair. É não fazer nada e deixar o outro cair para se safar.

http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2013/12/14/carta-para-peter-siemsen/

 

"Garfando a Portuguesa", por Hélio Schwartsman

Na verdade, para defender que a Lusa deva ser rebaixada é preciso recorrer a um formalismo jurídico rigoroso que, se já é difícil de sustentar no direito comum, torna-se risível no futebol. É óbvio que normas são importantes. Mas não se pode esquecer que elas são um meio para promover a paz social e outros objetivos relevantes, não um fim em si mesmo.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2013/12/1384870-garfando-a-portuguesa.shtml

 

"Tapetão não é preciso", por Xico Sá

Qualquer outra decisão da sala da justiça da CBF será desmoralização. Essa história de letra fria da lei é cascata. Nem a nossa suprema corte usa mais. Ser justo é diferente de ser friamente legal e etc.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/xicosa/2013/12/1385610-tapetao-nao-e-preciso.shtml

 

"Vem aí a 39ª rodada", por Juca Kfouri

Na ordem do dia está o julgamento que será feito por quem jamais chutou uma bola, com pompa e circunstância e sem temor do ridículo, num tribunal que mais parece a capitania hereditária dos Zveiter. De tudo, resta dizer que a toga é inimiga de quem joga e que amanhã será mais uma data a ser lembrada como vergonhosa no dito país do futebol.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/2013/12/1385822-vem-ai-a-39-rodada.shtml

 

"A justiça da bola ou um pôster do Paulo Schmitt?", por Márvio dos Anjos

Não entendo gostar mais de regulamento que de futebol. É claro que toda competição precisa de regulamentos. Não sejamos simplórios, não precisamos recuar até esse estágio primitivo do debate. Só que o regulamento tem de preservar o resultado que se consumou no campo, e não lhe roubar os holofotes.

http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2013/12/15/a-justica-da-bola-ou-um-poster-do-paulo-schmitt/

 

"Mesmo quem mata pode ser absolvido. A Portuguesa deve ser absolvida. Até porque não "matou" ninguém", por Mauro Cezar Pereira

Uma coisa é escalar um atleta e se beneficiar nitidamente disso. Outra é cometer um deslize, por mais ridículo que possa ser, mas tal erro em nada alterar o andamento do jogo e da competição. A simples argumentação de que essa é a regra e ponto final soa pobre, rasa e conveniente. Seu defensores, em muitos casos, advogam em causa própria.

http://www.espn.com.br/post/376438_mesmo-quem-mata-pode-ser-absolvido-a-portuguesa-deve-ser-absolvida-ate-porque-nao-matou-ninguem

 

"Gol de advogado", por Paulo Vinícius Coelho

No mundo inteiro, se um time escala jogador irregular perde os pontos que conquistou em campo. No caso de Héverton, a Portuguesa perderia o ponto que conquistou em campo. Só!

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pvc/2013/12/1385823-gol-de-advogado.shtml

 

"Agora somos todos da Portuguesa desde criancinhas", por Ricardo Kotscho

Se eu fosse torcedor do Fluminense, teria vergonha de ver meu time ganhar assim. Juro que eu preferiria ver o meu São Paulo na Segunda Divisão, de onde foi salvo pelo Muricy e não por qualquer togado, do que passar o vexame de torcer por um time que não consegue se manter em pé com as próprias pernas.

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2013/12/15/agora-somos-todos-da-portuguesa-desde-criancinhas/

 

"O futebol e o mundo mudaram", por Tostão

Mesmo se for clara, a regra não pode estar acima do bom senso e da justiça, pois existe uma certeza, a de que a Lusa não agiu por má fé nem se beneficiou pelo provável erro. Deveria ser punida de outra forma, e não com a perda dos pontos.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2013/12/1385824-o-futebol-e-o-mundo-mudaram.shtml

 

"Coluna dominical", por André Kfouri

É inaceitável que em uma era em que telefones celulares inteligentes fazem leitura de códigos de barras para transações financeiras, um clube dependa de um telefonema, na noite de sexta-feira, para saber quais jogadores estão impedidos de atuar no fim de semana. De fato, a questão central vai um pouco além: é inaceitável que um clube corra o risco de escalar um atleta suspenso em um jogo do principal campeonato do país que vai receber a Copa do Mundo. É algo que não acontece em torneios escolares.

http://blogs.lancenet.com.br/andrekfouri/2013/12/15/coluna-dominical-234/

 

"Em 2013, o futebol brasileiro foi massacrado", por Menon

O futebol brasileiro foi massacrado em 2013. Foi motivo de chacota. A grande emoção do Brasileiro, após 380 jogos, é saber se o Vasco vai conseguir escapar no Tribunal. Não foi. É saber se o milionário Fluminennse, que caiu no campo, vai voltar no Tribunal. Hoje, o que vale é ter um bom advogado.

http://blogdomenon.blogosfera.uol.com.br/2013/12/15/em-2013-o-futebol-brasileiro-foi-massacrado/

 

"Clássico dos tribunais decidirá o Brasileirão", por Eduardo Tironi

O artigo "Cães, ursos e a burocratização do futebol" (está na internet) fala sobre o perigo de se cumprir uma Lei apenas pelo que está escrito sem levar em conta a intenção da regra. Nele, o autor André Castro Carvalho, bacharel, mestre e doutor em Direito pela USP, dá o seguinte exemplo: em uma cidade da Polônia, uma Lei impedia a entrada de cachorros em trens. Um cidadão que chegasse com um urso entraria no vagão. Um cego com um cão guia, não.

http://blogs.lancenet.com.br/tironi/2013/12/15/classico-dos-tribunais-decidira-o-brasileirao/

 

Ives Gandra Martins, jurista

O STJD poderia apenas aplicar uma multa em cima da Portuguesa. Eu não tenho nada contra esse procurador (Paulo Schmitt), mas tudo que acontece com ele é extremamente estranho. Todos acham que a Portuguesa tenha que ficar. Esse sujeito está se mostrando um inimigo do futebol brasileiro. Não acredito que ele seja desonesto, mas tem uma nítida preferencia pelo Fluminense.

http://esporte.band.uol.com.br/futebol/brasileirao-serie-a/2013/noticia/Default.asp?id=100000651381&t=ives-gandra-questiona-feudo-familiar-do-stjd-e-ataca-schmitt.html

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.