Blog do Júlio Gomes

As três derrotas de Cristiano Ronaldo
Comentários 11

Julio Gomes

Eu não teria dado o prêmio de melhor do mundo a Luka Modric.

Veja, isso não é dizer que o croata não mereça. É um jogador espetacular, destes raros, que são ao mesmo tempo carregadores de piano, talentosíssimos, corajosos. Pode ser um 5, um 8, um 10, pode ser o que o treinador precisar. Um jogador coletivo e, não se enganem, fundamental para o Real Madrid ter quebrado um jejum grande (para o tamanho do clube) e ter vencido quatro das últimas cinco Champions League.

O Real não teria feito nada disso sem Cristiano Ronaldo? Verdade. Mas também não sei se teria feito sem Modric.

Modric é fantástico. Fez uma Copa do Mundo enorme. E aí chegamos ao X da questão. Em prêmios de votação popular, como este da Fifa, uma competição como a Copa do Mundo ganha um peso grande demais. É como se todo o resto da temporada servisse, no máximo, de desempate.

Por isso sempre defendi que a grande chance de Neymar ser eleito melhor do mundo seria na Copa, com a seleção. Não era necessário deixar o Barcelona e sair da sombra de Messi, mas, sim, fazer algo grande com a camisa amarela. Veja, Modric nem mesmo precisou ser campeão do mundo para levar.

Zidane, em 98, Ronaldo, em 2002, Cannavaro, em 2006, não foram os melhores do mundo naqueles anos. Mas foram os melhores daquelas Copas. As exceções foram 2010 e 2014, quando a popularidade de Messi e Cristiano Ronaldo era tão grande que não deu para um espanhol ou para um alemão.

O prêmio Fifa, com votação de técnicos e capitães de todos os países do mundo, ou seja, votos de um monte de gente que não acompanha de perto, não atua, não vive e não conhece o futebol de alto nível, acaba sendo mais ou menos uma enquete popular. Famosos sempre vão sobressair. E, em anos de Copa, o peso do Mundial será absoluto.

Modric perdeu um pênalti na prorrogação das oitavas de final da Copa contra a Dinamarca. A decisão foi para os pênaltis, e o goleiro Subasic salvou a pele da Croácia. E se a Dinamarca tivesse passado? Modric seria melhor do mundo? Claro que não. OK, o ''se'' não joga. Vieram os jogos contra Rússia, Inglaterra e França. Modric fez tanto assim nesses três jogos para ser o ''the best''? Na minha opinião, não.

Eu votaria em Salah, porque creio que a temporada do egípcio foi a mais fora da curva, a mais difícil de ser realizada, dados o time em que atua, o campeonato onde joga e suas próprias limitações técnicas. Salah acabou, de forma bizarra, com o prêmio de gol do ano. Convenhamos, um gol tão belo quanto comum.

O natural seria Cristiano Ronaldo ganhar os dois prêmios. O Puskas, pela bicicleta perfeita que arrancou aplausos da torcida adversária em Turim, em um dos maiores clássicos do futebol mundial. E o prêmio de melhor do mundo também.

A impressão é que o mundo da bola não quis dar a Cristiano um título de melhor do mundo a mais do que Messi. Não quis desequilibrar o equilíbrio histórico entre eles.

Cristiano, competitivo como é, deve estar P da vida. Não deve estar considerando justas as duas derrotas.

Mas, mesmo que ele ache tudo isso, ele nunca poderia ter deixado de comparecer à premiação. Ele era uma finalista, oras bolas. Ele é o Cristiano Ronaldo. O cara jogava ao lado de Modric até outro dia, ganharam tudo juntos. É muito conversinha para boi dormir não ir ao prêmio porque tem jogo quarta-feira (um ''gigante'' Juventus x Bologna pela sexta rodada da Série A). Acredite nessa quem quiser acreditar.

Cristiano não foi porque quis boicotar o prêmio. Acabou desrespeitando os próprios companheiros de profissão. Boicotando a própria imagem.


Onde está o espírito guerreiro do São Paulo?
Comentários 42

Julio Gomes

Mesmo que tivesse vencido por 1 a 0, seria difícil elogiar o São Paulo neste sábado. Contra o América, o time não mostrou o sangue nos olhos que estava sendo a marca tricolor no campeonato. Teve certa arrogância, até, em alguns momentos. Achou que venceria quando quisesse.

Acabou levando o empate de um time que pouco se aventurou ao ataque, em uma falha tremenda de Rodrigo Caio no lance, habilitando o atacante do América – que deveria ter sido deixado em impedimento. Nos 10 minutos finais (mais acréscimos), os mineiros ficaram mais próximos da virada do que o São Paulo do 2 a 1.

O time de Aguirre vem sofrendo com seguidos desfalques, é verdade, sejam lesões, suspensões ou convocações. Está difícil repetir o time. A baixa de Éverton é especialmente sensível.

Mas o problema parece ir além disso.

O São Paulo forjou sua liderança com muita guerra, muita briga, muita humildade. Era um time que parecia se sentir inferior a todos, consequentemente precisava lutar por cada bola como se fosse um prato de comida.

Mesmo nos dois primeiros tropeços da série, empate com o Flu e derrota para o Galo, o time brigou e até jogou bem. Mas, contra Bahia, Santos e América, o espírito foi diferente. O time agora se sente líder.

Nos últimos cinco jogos, foi apenas uma vitória e três gols marcados. Não faz mais de um gol em um jogo desde 19 de agosto, contra a Chape, há mais de um mês – foram sete partidas desde então.

Faltam gols. E está faltando guerra. O São Paulo está líder. Para continuar, tem que fazer por merecer.


Juve supera expulsão exagerada de CR7 e mostra a que veio
Comentários 1

Julio Gomes

A Juventus chegou a duas finais de Champions nas últimas quatro temporadas. É multicampeã italiana, uma camisa pesadíssima. Não é novidade considerá-la uma das favoritas ao título europeu.

Mas é lógico que a chegada de Cristiano Ronaldo mudou o status do clube.

Pois bem. Eis que na estreia de CR7 pela Juve na Champions, ele é expulso com 29min de jogo pelo árbitro alemão Felix Brych. Considero exagerado o vermelho direto. Cristiano se enrosca na área com Murillo e depois dá uma espécie de puxada de cabelo no adversário, que estava caído. Agressão? O árbitro auxiliar de linha de fundo considerou que sim. Eu achei um exagero completo.

Foi tipo Diego Souza expulso outro dia, no Brasileiro, contra o Fluminense. Deu margem para o juiz expulsar? Deu. Foi infantil? Foi. Mas merecia o vermelho? Não. Cristiano até chorou em campo de tanta raiva, algo raro de ver. É a imagem mais forte desta primeira rodada da fase de grupos da Champions.

E como a Juventus iria reagir a essa expulsão, jogando em Valência, contra um bom time?

Não há jeito melhor de reagir do que dando um murro na mesa. O Valencia fez dois pênaltis bestas (bem marcados), Pjanic cobrou bem os dois e, de resto, foi se defender com aquela concentração típica dos times italianos. Ainda teve pênalti defendido pela Juve nos acréscimos.

O fato é que a Juventus tem um senhor time de futebol e passou com louvor do teste. Com um a menos por dois terços da partida e sem Cristiano Ronaldo, foi lá e ganhou do Valencia.

O Real Madrid ganhou bem da Roma, assim como o fizeram Bayern de Munique e Manchester United, fora de casa, contra Benfica e Young Boys.

A grande zebra da primeira rodada foi a derrota do Manchester City para o Lyon, na Inglaterra.

Os ''novos ricos'' City e PSG foram os dois favoritões que perderam na estreia. Vão ter de remar para fazer história.


Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
Comentários 11

Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Neymar teve seus melhores anos após Copas. Será a Champions da redenção?
Comentários 8

Julio Gomes

Era o dia 22 de junho de 2011. Pacaembu. Final de Libertadores da América. Neymar fez um gol, o Santos ganhou do Peñarol e voltou a conquistar o título que não via desde os tempos de Pelé. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo da África. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final e para a qual Neymar possivelmente devesse ter sido convocado por Dunga.

Vamos agora a 6 de junho de 2015. Berlim. Final de Champions League. Neymar fez um, o Barcelona ganhou da Juventus e voltou a conquistar a Europa. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo do Brasil. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas semifinais, naquele 7 a 1 contra a Alemanha que não teve participação de Neymar, pois ele se machucara nas quartas, contra a Colômbia.

Finalmente, chegamos a 2018. O Brasil acaba de cair na Copa da Rússia nas quartas de final, e Neymar saiu do Mundial como piada, por seus exageros e simulações. Daqui a menos de um ano, em junho de 2019, será disputada, em Madrid, a final da Champions, que dá o pontapé para sua fase de grupos nesta terça-feira.

Começa o torneio de futebol mais importante do mundo. E Neymar busca, pela enésima vez na carreira, a redenção. O tempo, para quem busca glória e conquistas pessoais, está passando rápido.

Para o Paris Saint-Germain, clube que contratou o jogador na maior transação da história e que virou um protagonista no mercado com o dinheiro do Catar, não estar nessa final de 2019 será nada menos do que uma enorme frustração. Um fracasso.

Em 2010, logo após a frustração de não ir à Copa, Neymar levou o Santos ao título da Copa do Brasil e começou com tudo sua história na seleção (chamado por Mano). No primeiro semestre de 2011, foi artilheiro do Santos e terceiro goleador da Libertadores na campanha do título. Em 2014, logo após a frustração da Copa em casa e de um ano de adaptação ao Barcelona, Neymar voou, fez 10 gols na campanha do título europeu, dividiu a artilharia com Messi e Cristiano Ronaldo e se colocou como postulante a melhor do mundo.

Neymar vem de nova frustração em uma Copa. E de um ano de adaptação ao PSG. Ele pode se agarrar a vários paralelos. Indiscutivelmente, os 11 meses que se seguiram aos Mundiais de 2010 e, depois, 2014, foram os melhores de sua carreira. Em 2011, se reivindicou como uma realidade nacional. Em 2015, internacional.

E em 2018/19, o padrão de sucesso pós-Mundial será mantido?

Não importam os gols e as vitórias fáceis na França. O que importa para o Paris é a Champions. E o time é um dos favoritaços a levantar a taça.

Nas casas de apostas, o principal favorito é o Manchester City, de Guardiola. Depois, vêm o Barcelona, de Messi, a Juventus, de Cristiano Ronaldo, e o PSG, de Neymar (ou de Mbappé?). Atrás deles todos, o tricampeão Real Madrid. Ou seja, os algoritmos consideram que a mudança de CR7 para a Itália é suficiente para catapultar a Juve e jogar o Real para a condição de quinta força. Logo atrás, vêm o Bayern de Munique e o Liverpool.

O Liverpool, algoz do City e finalista da Champions na temporada passada, se reforçou, ganhou os cinco jogos que fez até agora na Premier League (lidera com o Chelsea) e é o primeiro adversário do Paris, no grande jogo desta terça.

Sabemos que a fase de grupos da Champions tem reservado poucas surpresas. Ser primeiro do grupo é sempre uma vantagem, pois aumenta as chances de enfrentar um rival mais fácil nas oitavas ou, pelo menos, decidir em casa contra um rival de mesmo porte.

Na temporada passada, o Paris, primeiro de um grupo que tinha o Bayern, acabou emparelhado com o Real Madrid nas oitavas e dançou. Entre um jogo e outro, Neymar se machucou, escapando da eliminação em casa – assim como escapara do 7 a 1, em 2014.

Ser primeiro do grupo, pois, não é obsessão de quase ninguém na Champions. Mas jogos como este Liverpool x PSG desta tarde servem para medir forças logo no início da temporada. É o grande duelo do dia e da primeira rodada.

Depois do papelão na Rússia e da frustrante primeira temporada com o PSG, Neymar começa mais uma caminhada de redenção. Desta vez, não só esportiva, mas a redenção de sua imagem perante o mundo e os fãs. O ano em que Neymar precisa, de todas as formas, aparecer no noticiário somente pela enorme bola que joga.

Será que ele cumprirá a missão que lhe foi dada a peso de ouro pelos donos do clube? Será que, menos de um ano após uma Copa, ele estará, pela terceira vez, com as mãos em um troféu de relevância gigantesca?

Meu palpite é que sim. Mas a caminhada é longa. E é grande o desafio de controlar a fogueira das vaidades dentro de um clube que tem menos peso do que o vestiário. É arriscado o palpite. Mas é um bom palpite. Neymar já fez isso antes.

 


Queridinha do Brasil faz a alegria de três das maiores torcidas
Comentários 11

Julio Gomes

A vitória da Chapecoense sobre o Internacional, nesta segunda à noite, representou um suspiro de alívio para as torcidas de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, três das maiores do Brasil.

Time que já tinha a simpatia geral por ser o patinho feio na elite, ganhou o coração de todos após a tragédia de Medellín e, agora, deixa tanta gente feliz. A Chape, de quebra, sai da zona do rebaixamento.

O Inter poderia assumir a liderança isolada e ganhar ainda mais moral para o resto do Brasileiro. Pelo contrário. Em uma rodada que parecia favorável ao Colorado, enfrentando um time da zona de rebaixamento, todos os seus adversários fizeram um ponto a mais e em jogos mais complicados (Flamengo e São Paulo, em clássicos locais, o Palmeiras jogando em Salvador contra o bom time do Bahia).

Ainda teve vitória do rival Grêmio, que, no entanto, eu descarto da briga pelo título por causa da Libertadores – não pela diferença de pontos.

O Inter ainda perdeu um pênalti aos 49min do segundo tempo, com Jandrei parando Damião – aliás, eu não teria marcado a penalidade. Jandrei, cria colorada, ainda fez um milagre aos 51min, em um lance de bola parada onde, aí sim, me pareceu haver pênalti não marcado para o Inter sobre Moledo.

O Colorado não pode falar de arbitragem. A real é que nunca foi superior à Chape e só jogou bem depois de sofrer a virada e ficar com um homem a menos. Não jogou como líder. Mais um típico jogo que mostra o equilíbrio absurdo do nosso campeonato. Ninguém é favorito contra ninguém.

O Brasileiro é cada vez mais um campeonato ''caseiro''. Nas primeiras 20 rodadas, só uma (a sexta) acabou sem vitória alguma dos visitantes. Nas últimas cinco rodadas, isso aconteceu três vezes. O Inter perde o posto de melhor visitante e também a liderança para o São Paulo.

Os empates conseguidos pelo São Paulo, em Santos, e pelo Palmeiras, em Salvador, contra adversários superiores ao longo dos dois jogos, hoje parecem valer ouro.


Inter desafia tendência de Brasileiro ‘caseiro’ para ganhar rodada
Comentários 4

Julio Gomes

O Flamengo empatou. O São Paulo empatou. O Palmeiras empatou. Os três principais adversários do Internacional na luta pelo título brasileiro deixaram pontos pelo caminho neste fim de semana. Para saber se essa rodada será ótima, regular ou péssima para o Inter, teremos de esperar a resposta do próprio Inter.

Antes desta rodada começar, ela já pintava como uma rodada boa para o Colorado. Afinal, o jogo de hoje à noite contra a Chapecoense fora de casa, apesar de não poder ser chamado de fácil, é, em teoria, menos complicado do que os jogos que tinham os outros concorrentes. Flamengo e São Paulo fizeram clássicos, o Palmeiras foi com o time reserva à Fonte Nova.

Se o Inter vencer, terá sido uma rodada maravilhosa, com liderança isolada e tropeços alheios. Se o Inter perder, terá sido uma rodada horrorosa. Se empatar, terá sido uma rodada apenas regular – afinal, tudo seguirá igual e ficará o gostinho de chance perdida.

Para vencer em Chapecó, o Inter terá de derrubar o que parece ser uma tendência no Brasileirão.

No primeiro turno, os visitantes ganharam 36 jogos em 19 rodadas – 19% dos confrontos, o que fica bem perto da média de qualquer campeonato do mundo, em que os times que jogam fora costumam vencer entre 20 e 25% das partidas. Somente uma rodada, a sexta, foi encerrada sem vitória alguma dos visitantes.

No segundo turno, apenas 10% dos jogos acabaram com derrota do time da casa. Ou seja, isso acontecia em 1 a cada 5 jogos no turno. Está acontecendo em 1 a cada 10 jogos no returno. O campeonato, nesta fase de mais equilíbrio e de elencos consolidados, virou uma competição ''caseira''.

Nas 20 primeiras rodadas do campeonato, só uma delas ficou sem visitante ganhar jogo. Se o Inter não vencer em Chapecó, isso acontecerá pela terceira vez nas últimas cinco rodadas. É contra essa tendência que o Colorado joga hoje à noite.

A boa notícia? O Inter é o time de melhor aproveitamento fora de casa (boa notícia para a metade vermelha do Sul, logicamente).

O time de Odair Hellmann ganhou 52,78% dos pontos disputados fora, com cinco vitórias, quatro empates e três derrotas. Além de ter, também, um aproveitamento fantástico contra os times da parte baixa da tabela.

O único outro que ganhou mais da metade dos pontos que jogou fora de casa foi o São Paulo, com 20 pontos em 13 partidas. Caiu para 51,3% de aproveitamento após o bom empate na Vila Belmiro.

 


Quem não está dopado no esporte?
Comentários 1

Julio Gomes

Assisti, com certo atraso, ao documentário Icarus – disponível no Netflix e vencedor de Oscar de melhor documentário neste ano.

Para quem gosta de esporte, como eu, um apaixonado, que guarda jornais e faz tabelas, reais ou fictícias, desde os 5 ou 6 anos de idade, é um soco no estômago.

Uma visão mais curta deste documentário fará o espectador se prender ao escândalo russo. Se olharmos de uma forma ampla e pegando tudo que é falado clara ou não tão claramente pelos entrevistados, não dá para fugir da seguinte pergunta: quem NÃO se dopa?

O que exatamente vimos a vida toda, sofrendo, torcendo, narrando, conversando sobre, sem termos sido enganados?

É claro que há atletas limpos no mundo. Sim. Quero crer que sim. E, para eles, isso deve ser mais difícil do que para mim e para você. Porque esses atletas limpos não só competem em desvantagem como ainda levam a má fama da categoria.

Mas Icarus mostra, na voz de cientistas, de gente envolvida com doping e antidoping, que se dopar e escapar de ser pego é fácil. Simples assim. Não é a coisa mais complicada do mundo. Complicado, sim, é ganhar sem se dopar, especialmente em modalidades tão físicas quanto ciclismo, natação, atletismo, por exemplo.

O filme sai de um golpe de sorte. O documentarista Bryan Fogel, ciclista amador, queria documentar, em primeira pessoa, como o doping mudaria seu próprio desempenho. Foi buscar formas de fazê-lo e é nesta primeira parte que fica claro como é simples e fácil se dopar e driblar os controles.

Quem quiser ver o copo meio cheio, irá identificar o momento em que Fogel fracassa em sua primeira competição dopado e tem desempenho pior do que quando havia corrido limpo. ''Posso me dopar a vida inteira que nunca vencerei o Tour de France'', fala, em determinado momento. Ou seja, em uma visão otimista, pelo menos podemos pensar que, já que se dopam todos, está constantemente ganhando provas e medalhas quem é, de fato, melhor.

É neste momento que se cruzam os caminhos de Fogel e Grigory Rodchenkov, diretor da agência antidoping russa. Era ele quem orientava o doping forçado de Fogel. No meio de tudo isso, Rodchenkov aparece no centro das acusações de um esquema de doping para favorecer atletas russos.

Rodchenkov foge do país e conta tudo a Fogel – é quando Icarus se transforma e ganha vida. O esquema era gigantesco e envolveu uma surreal troca de frascos durante a Olimpíada de Inverno de Sochi, quando a Rússia surpreendentemente liderou o quadro de medalhas – tudo foi provado, e o país acabaria sendo banido dos Jogos de Inverno de 2018, disputados na Coreia do Sul. Rodchenkov está sob programa de proteção de testemunhas, em algum lugar dos EUA.

Acho que, se eu tivesse visto o documentário antes de passar os 40 dias que passei na Rússia por causa da Copa do Mundo, teria olhado para o país com outros olhos – especialmente para a seleção local, que chegou às quartas de final e só caiu nos pênaltis. Fico pensando em todos os enormes atletas russos que acompanhamos na vida. Popov, Isinbayeva, Sharapova. Tanta gente. Quem era limpo? Quem me enganou?

O discurso do governo russo, acusando Rodchenkov de ter agido sozinho, é patético. Os Jogos de Sochi catapultaram a popularidade de Putin e está muito claro como a mídia consegue facilmente destruir a reputação de qualquer um e manipular a opinião pública.

Tudo aquilo que vi ao vivo em Pequim-2008. Pela TV desde Seúl. Quem era limpo? Quem me enganou? Depois da cara de pau de Lance Armstrong, como acreditar em qualquer atleta? Depois de Marion Jones. Dos recordes de países da Cortina de Ferro que nunca caíram e nunca cairão. Quantos outros países não doparam ou dopam seus atletas sistematicamente? Quantos não fecham os olhos, como foi feito com Carl Lewis nos anos 80?

Como eu disse lá no início, Icarus me faz mais do que desprezar o esporte russo. Icarus me faz pensar mais além. Quanto tempo na vida eu perdi em frente à TV?

Eu sei que posso parecer leviano com esta pergunta e com a pergunta no título deste post. Sei que, ao generalizar, podemos cometer algumas tremendas injustiças. Me desculpo de antemão com atletas que podem estar lendo isso aqui e se sentindo ofendidos. Mas é isso. Hoje, está difícil acreditar em qualquer coisa.

Tags : Doping


Richarlison veio para ficar
Comentários 13

UOL Esporte

Pedro Martins / MoWA Press

Jogos como esses importam para pouco. Resultado? De forma alguma. Serve essencialmente para alguém ganhar espaço se for muito bem. Ou se queimar se fizer uma bobagem homérica.

Olhando pelo lado negativo, os 5 a 0 sobre El Salvador serviram para torcedores se afastarem um pouquinho mais da seleção. O calendário nefasto patrocinado por CBF e clubes faz com que a seleção seja um engodo.

O positivo tem nome próprio: Richarlison.

O rapaz já deveria, no meu ponto de vista, ter sido testado antes da Copa. Quem viu a bola dele no Fluminense e a rapidíssima adaptação à Premier League percebeu que era um caso especial.

Tite buscava um 9. Por que não testá-lo? Ficou para depois.

Surpreendente foi, após a transferência para o Everton e o ótimo início de ano na Premier, vê-lo preterido na primeira convocação de Tite.

Foi necessária a infeliz lesão de Pedro para Richarlison ser chamado. Dizer que o garoto “aproveitou a oportunidade” é subestimar o que aconteceu em Washington.

Fez dois belos gols e sofreu um pênalti. “Ah, mas foi contra El Salvador”, dirão alguns.

Que se dane. É jogo de seleção, está todo mundo vendo, camisa e momento pesam. Não é fácil lidar com tudo isso. Mas Richarlison parece, desde o começo da curta carreira, imune a essas pressões.

Esse garoto veio para ficar.


Espanha, o desperdício do ano, voa pós-Copa
Comentários 5

Julio Gomes

A Europa resolveu transformar seus sonolentos amistosos na tal Liga das Nações. Já parece ser uma boa ideia. Quer queira quer não, é uma competição. É possível treinar, testar e ao mesmo tempo competir. Sem a pressão absurda da Copa do Mundo ou da Euro.

Por ser jogo ''para valer'', torna mais interessante a goleada de 6 a 0 que a Espanha enfiou na Croácia nesta terça. É verdade que havia desfalques, que a intensidade é diferente e tudo mais, mas foi 6 a 0 na vice-campeã do mundo. Com Modric.

No fim de semana, a Espanha já havia vencido a Inglaterra, em Wembley, por 2 a 1.

Croácia e Inglaterra fizeram uma semifinal de Copa do Mundo dois meses atrás, avançaram em uma chave que havia ficado toda aberta para a Espanha (enquanto França, Brasil, Bélgica, Argentina, Uruguai e Portugal estavam todos do outro lado). Só que a seleção espanhola caiu nos pênaltis para a Rússia antes de poder enfrentar croatas e ingleses.

É impossível não pensar no que teria sido a Copa da Espanha, não fosse o ''caso Lopetegui''. A demissão do treinador na véspera do Mundial.

Lopetegui negociou sua ida ao Real Madrid achando que ninguém ia ficar sabendo. E o presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, transformou a dor de corno em uma reação desmedida. Por mais absurda que tenha sido a negociação Madrid-Lopetegui e a forma como ocorreu, demitir o treinador só prejudicaria a própria seleção seleção.

Não tinha como dar certo. Apesar de ter sido eliminada de forma invicta, a Espanha nunca engrenou no Mundial. Sem técnico, não se ganha o mundo.

Com a quantidade de jogadores bons, gente como Asensio, Isco, etc, jogadores prontos para explodir, a Espanha jogou no lixo uma chance relativamente fácil de chegar a outra final de Copa do Mundo.

Vamos lembrar que antes, nos amistosos do primeiro semestre, havia enfiado 6 também na Argentina. Na Liga das Nações, agora sob comando de Luís Enrique, já está virtualmente classificada para o ''final four'' do ano que vem, após as duas vitórias em dois jogos.

A Espanha foi o grande desperdício da Copa. Talvez da década.