Blog do Júlio Gomes

Guardiola leva primeiro título da temporada europeia. Levará o último?
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Julio Gomes

Pouco mais de um ano e meio após chegar ao Manchester City, Pep Guardiola levantou neste domingo seu primeiro troféu pelo clube. Com os fáceis e contundentes 3 a 0 sobre o Arsenal, em Wembley, o City conquistou a Copa da Liga Inglesa.

Não é o título mais importante da temporada. Pelo contrário, é o menos importante. Na Inglaterra, assim como na França ou em Portugal, os clubes jogam também a tal Copa da Liga, além da Copa do país. Nestes países, são três as competições domésticas – na Espanha, Itália ou Alemanha são apenas duas.

É uma competição em que são utilizados muitos reservas nas fases iniciais. Mas, na hora em que grandes clubes se encontram ou quando chega a decisão, aí ninguém quer perder. Guardiola mandou tudo o que tinha de bom para cima do Arsenal. E tudo o que o City tem de bom é muito melhor do que o que o Arsenal tem de bom.

Foi um passeio. Um massacre. O Arsenal praticamente não teve chances contra um City jogando o fino da bola. Gol de Aguero, Kompany e David Silva mataram a final.

Boa notícia também a volta de Gabriel Jesus, que entrou em campo pela primeira vez em 2018 nos minutos finais. Má notícia a lesão de Fernandinho, que saiu de campo machucado. Talvez seja desfalque para Tite nos amistosos de março contra Rússia e Alemanha.

Vamos esquecer as Supercopas, que apenas abrem oficialmente as temporadas no verão europeu. E levar em conta os cinco países mais importantes da Uefa. Com este filtro, este foi o primeiro título da temporada.

O Manchester City é o primeiro clube das grandes ligas europeias a levantar um troféu.

O último clube campeão da temporada sairá em 26 de maio, em Kiev, Ucrânia, quando será disputada a final da Liga dos Campeões da Europa.

Neste momento, pelas cotações das casas de apostas, o City, de Guardiola, é o principal favorito a levantar este troféu também. Troféu que Guardiola levantou pela segunda e última vez em 2011, no mesmo Wembley em que levantou a Copa da Liga hoje.

O homem ganhou sete das oito finais que disputou como técnico. Dez anos após o início dos investimentos gigantescos com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos, o clube se acostumou a chegar e ganhar. O time está voando em todos os setores, jogando o futebol mais ofensivo e bacana de se ver na Europa. A comunhão entre treinador e comandados é nítida. O título da Premier League, que será o segundo da temporada, é só questão de tempo.

Alguém duvida que o City de Guardiola fechará a temporada do mesmo jeito que fechou hoje a Copa da Liga?

 

 

 


Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
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Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Centroavante no Corinthians? Para quê?
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Julio Gomes

Se você tem um baita meia criativo, que se associa, dá assistências, tem chegada e brilha, você escala. E se não tiver esse jogador? Se vira de outro jeito, ora pois.

Se você tem um atacante como Jô, que faz boas paredes, faz gols, se movimenta, incomoda a saída de bola rival, você escala. E se não tiver? Se vira de outro jeito, ora pois.

Carille tentou Kazim, Júnior Dutra, o Corinthians está no mercado, agora trouxe Alex Teixeira. Mas talvez a solução seja um pouco mais evidente: jogar de outro jeito. Nenhum desses caras se assemelha a Jô.

Aliás, cada vez mais é difícil encontrar jogadores como Jô. Porque centroavantes mais pesados podem limitar times taticamente, tanto na fase ofensiva quanto, talvez principalmente, na defensiva. Se o cara não faz tudo o que Jô fez no ano passado, o time é prejudicado.

Centroavante não é goleiro. Não é figura obrigatória em campo. Dá para jogar com, dá para jogar sem. Dá para ganhar com, dá para ganhar sem.

Quer um exemplo de time que deveria ter jogado sem centroavante? O Brasil da Copa de 2014.

Jogando de outro jeito, sem um 9 fixo e nem falso 9, o Corinthians foi superior ao Palmeiras. Neste 4-2- de Carille, Rodriguinho brilhou muito, maiorias foram criadas no meio de campo, os zagueiros rivais ficaram sem referência. Não é necessário ter um homem-gol, se vários homens podem fazer gols.

E Rodriguinho hoje não fez um gol. Fez um golaço.

As polêmicas de arbitragens eu deixo para vocês. Mas, no domingo, Carille se saiu melhor que Roger. E o Corinthians mostra que está mais vivo do que nunca. Mesmo sem Jô.


Técnicos brasileiros e o dilema: dinheiro ou profissionalismo?
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Julio Gomes

Dorival Júnior começou o ano com cara de demitido. Ainda não foi. Mas quem duvida que será? Oswaldo de Oliveira começou o ano da mesma forma. E já foi.

E essas demissões ocorrem por causa da imprensa, que fica repetindo esse tipo de coisa? (''está por um fio'', ''é questionado'', ''sofre pressão'', etc…).

Não, estas demissões ocorrem porque o amadorismo é a marca registrada do futebol brasileiro. O amadorismo deveria estar apenas na arquibancada. O torcedor médio, ainda que ache que saiba muito de futebol, porque ele assiste a um monte de jogos e bate suas peladas, sabe pouco do todo que envolve o esporte. E não tem obrigação de saber, não!

O público que vai a um show de qualquer tipo de música não precisa entender de equipamentos, composições, melodias, performances, etc, etc, etc, para gostar ou não de um show. O público não tem que ser profissional. Ele é amador, consumidor, apaixonado.

Então que torcedores estejam o tempo inteiro pedindo demissões de técnicos, chamando de burros, opinando sobre quem tem que jogar, isso é para lá de normal. Até mesmo os organizados são-paulinos irem ao CT na madrugada pedir Luxemburgo pode ser visto como normal.

O que é anormal é que se dê ouvidos.

E aí entramos no amadorismo que permeia o futebol brasileiro. Amadorismo que está na imprensa, sim, na forma de muitos ''jornalistas'' que estudam pouco o jogo, que nunca foram a treinos, nunca fizeram cursos, que acham que entendem de futebol com a mesma base dos torcedores que acham que entendem de futebol. E amadorismo que está nos corpos diretivos dos clubes, que também enxergam futebol como torcedores e que têm pouca ou nenhuma base para tomar as decisões que tomam.

E este amadorismo dos dirigentes é o mais grave de todos.

Talvez o profissionalismo do futebol brasileiro esteja mesmo apenas no campo e nas exceções (entre dirigentes e mídia). O que é muito pouco. E que deixa verdadeiros profissionais à mercê de decisões zero profissionais.

Percebemos a agonia de gente séria, como Dorival Jr, quando percebe que seu trabalho será julgado por quem não tem condições de julgá-lo.

Porééééém, existe um outro lado, certo? Treinadores de futebol aqui no Brasil ganham muito dinheiro. Muito mesmo. E, uma vez que entrem no tal círculo de técnicos de Série A, nunca ficam desempregados. Muitos deles se acomodam nessa situação (que, convenhamos, é bastante cômoda). Treina um time aqui, perde uns jogos, culpa o calendário e a falta de tempo, é demitido, leva uma grana da multa rescisória, vai esquiar em Bariloche, toca o telefone, assume outro time, segue o jogo.

Vimos, ao longo de décadas, treinadores brasileiros irem mundo afora destilar conhecimento e ganhar muito dinheiro. Isso também já acabou. Porque o conhecimento de futebol não é mais exclusividade de brasileiros.

O que não vemos é treinadores brasileiros saírem do Brasil para desbravar os principais mercados do futebol mundial.

Não vemos treinadores, entre os ''consagrados'' daqui, entre os que fazem parte do tal círculo de Série A, saírem do Brasil para pegar times pequenos e médios da Europa. Investir na carreira, fazer cursos de treinamentos, idiomas, de psicologia, aprender culturas.

Não vemos esses caras dispostos a ganhar quatro, cinco, dez vezes menos e irem assumir um Braga, um Belenenses, um Freiburg, um Bologna, um Alavés.

Nestes clubes, não há fama. Não há holofotes. Não há tanto dinheiro. Mas há profissionalismo. O profissionalismo que os técnicos brasileiros tanto cobram aqui. E quem sabe um trabalho de sucesso em um clube menor não pode alçá-los a voos muito maiores? Isso acontece corriqueiramente com treinadores sul-americanos. Pochettino, Pellegrini, Sampaoli e por aí vai.

''Ah, Julio, então os treinadores brasileiros devem desistir de melhorar o futebol brasileiro e apontar os erros?''.

Não estou falando exatamente isso, ainda que este discurso (honesto e real, diga-se) esteja cansando a beleza de todos nós. Mas os treinadores brasileiros mostram-se incapazes de sentar na mesa e chegar, ENTRE ELES, a uma série de regras e códigos que ajude a fomentar o profissionalismo do futebol brasileiro. Porque, como eu já disse mais acima, tem gente que se beneficia muito da dança das cadeiras.

Os treinadores poderiam, como classe, exigir uma série de coisas da CBF e dos clubes. Mas algumas dessas regras significariam um corte na própria carne. E aí ninguém quer…

Então, sim. Vamos considerar que o círculo vicioso do futebol brasileiro é inquebrável. E, neste cenário, os treinadores daqui precisam tomar uma decisão. Fama, dinheiro, possibilidade de títulos, arroz e feijão e camisas pesadas de um lado. Profissionalismo, estabilidade, morar em um apê menor e evolução do outro.

Me espanta como quase 100% da turma prefere a primeira opção. E, se é assim, que seja assim.

Se Dorival for mesmo demitido pelo São Paulo, um clube que virou triturador de técnicos, eu criticarei. Como critico sempre que vejo dirigentes agindo como amadores ou jogando para a torcida. Mas, ao mesmo tempo, direi.

''Vai nessa, Dorival. Mostre para a gente como se faz. Onde te deixarem fazer''.

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos ''folga'' para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Messi precisa de uma bola para afundar plano (quase) perfeito do Chelsea
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Julio Gomes

Não foram poucas as retrancas que o Barcelona enfrentou em sua fase dourada, nos últimos 13 anos. Nenhum time conseguiu ''anestesiar'' tanto o jogo catalão como o Chelsea.

A história foi a mesma nesta terça. A mesma de 2005, 2009, 2012. O Chelsea, com uma quarta leva diferente de jogadores, conseguiu fazer o Barça ficar o tempo inteiro longe de seu gol. Menos, claro, quando Christensen atravessou um péssimo passe em frente a sua área e deu de presente a bola para Iniesta, que deu de bandeja o gol a Messi.

E Messi, que nunca havia feito gol em Buffon na Champions (e fez na primeira fase), agora quebra outro tabu incômodo. Não havia marcado contra o Chelsea nas oito partidas anteriores, com direito a pênalti perdido em semifinal. De hoje, não passou. Uma bola limpa. Era tudo o que ele precisava.

Messi foi quem mais tentou, mas sempre que pegava a bola tinha a ótima marcação de dois, três, às vezes até quatro adversários. Kanté, incansável, não saía de perto um segundo sequer. Faltou ao Barcelona movimentação, que outros jogadores abrissem linhas de passe a Messi.

Foi um time estático, com Rakitic muito recuado, Paulinho enfiado, Iniesta sumido. Courtois fez só uma boa defesa, em um chute cruzado de Suárez. Um jogo ruim, talvez o pior do Barça na temporada inteira – em que ele perdeu apenas uma vez.

E, mesmo assim, mesmo com o Chelsea fazendo o jogo acontecer exatamente da forma como Conte queria, o resultado final foi de 1 a 1. O que deixa o Barcelona muito mais perto das quartas de final do que o time azul londrino.

Além de Kanté, destaque para Willian. Na proposta de jogo de Conte, sem centroavante e com três jogadores agudos à frente, Willian conseguiu ser mais perigoso até que Hazard, que é quem tinha mais liberdade. Chutou duas bolas na trave e fez um gol, foi o principal jogador da partida.

O plano tático de Conte funcionou à perfeição. Mas o futebol é coisa de seres humanos. E seres humanos erram. Não basta estar concentrado 99,999% do tempo, porque Messi só precisa de 0,001 para estragar teus planos.

 

 


Iniesta volta ao campo em que mudou de patamar
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Julio Gomes

Nunca me esquecerei de uma conversa com Tostão, na pequenina cidade suíça de Weggis, durante aqueles famosos treinamentos da seleção brasileira antes da Copa de 2006. Eu já morava na Espanha e tinha acompanhado muito de perto aquele renascimento do Barcelona, que conquistava a Europa pela primeira vez em 14 anos. Falávamos de Ronaldinho, de Deco, de Eto'o, de Xavi. Quando Tostão comentou. ''Quem é um craque é o Iniesta''.

Eu tomei um susto. Iniesta não era um titular daquele Barça. Ele começava os jogos menores do Espanhol, quando Rijkaard preferia um time mais leve e ofensivo em campo. Na Champions, era banco. Jogavam Edmilson, Van Bommel, Rafa Márquez… caras mais pesados, literalmente. Iniesta não me chamava tanta atenção ainda em 2006. Mas, se Tostão falou, estava falado.

Aquela conversa me veio à cabeça imediatamente quando ocorreram os dois grandes momentos da carreira de Iniesta – e, por sorte, eu estava no campo nas duas vezes. Uma, claro, todos se lembrarão, foi a final da Copa de 2010 e aquele gol na prorrogação contra a Holanda. O gol do título mundial da Espanha – desde então, ele é aplaudido em todos os estádio espanhóis.

Mas, um ano antes, no dia 6 de maio de 2009, Andrés Iniesta pulou para outro patamar em sua carreira.

O estádio era Stamford Bridge, em Londres, o mesmo estádio que receberá amanhã o jogo de ida entre Chelsea e Barcelona, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. E Iniesta fez isso aqui.

Para muitos, aquele foi o jogo dos cinco pênaltis não marcados para o Chelsea. Era a semifinal da Champions, o jogo de ida, no Camp Nou, havia acabado no 0 a 0. Entre um jogo e outro, o Barcelona, que vivia o primeiro ano de Guardiola no comando técnico, enfiou 6 a 2 no Real Madrid, em pleno Bernabéu – o famoso jogo em que Guardiola inventou Messi como falso 9.

Quatro dias depois dos 6 a 2, vinha o duelo de Stamford Bridge. Um duelo em que o Chelsea foi muito superior e que teve, sim, vários pênaltis não marcados.

Meu testemunho, de quem estava no campo, é que nenhum dos lances, na hora, pareceram tão claros assim. Mas, depois, vendo no vídeo, dava para entender a revolta dos jogadores do Chelsea. O jogo poderia estar resolvido antes. Mas não estava. E veio o golaço de Iniesta no primeiro chute a gol do Barça. E que chute.

Eu estava atrás do gol, ali de colete laranja de imprensa. Estava no meio da torcida do Barcelona, Stamford Bridge é um estádio apertado para trabalhar. Lembro do barulho da bola estufando a rede. O mundo parou naquele momento.

O Barcelona chegaria à final, venceria o United e aquele time, no primeiro ano de Guardiola, ganharia tudo o que havia para ser disputado. Sem Champions, não haveria Mundial, Supercopa, etc. Aquele gol de Iniesta foi o gol que elevou o jogador à categoria de ídolo enorme do clube e foi o gol mais importante do Barcelona naquela temporada, a temporada do ''sextete''.

Iniesta já não é mais menino. Tem 33 anos.

Mas já fez nesta temporada mais jogos como titular do que na temporada passada inteira. Está melhor fisicamente, fugindo de lesões, pronto para os jogos principais do Barcelona.

O duelo contra o Chelsea nunca foi moleza para o Barça. Desde que o Chelsea foi comprado por Abramovich, os clubes se encontraram 10 vezes, com 3 vitórias do Chelsea, 5 empates e 2 do Barça – a última delas em 2006.

O Chelsea de Mourinho eliminou o Barcelona nas oitavas em 2005, mas o troco foi dado na mesma fase no ano seguinte – ali nascia a grande rivalidade Mou-Barça. Em 2009, com o gol de Iniesta, o Barcelona passou à final, mas em 2012 o Chelsea daria o troco também na semi – na última temporada de Guardiola no clube catalão. Em eliminatórias, portanto, está 2 a 2.

Quando saiu o sorteio, no fim do ano, este duelo parecia mais equilibrado.

Agora, o favoritismo do Barcelona é claro. O Chelsea vive grande instabilidade, com apenas duas vitórias em seis jogos pela Premier League em 2018. Já o Barcelona, após a perda de Neymar e o atropelamento sofrido na Supercopa espanhola, se levantou rapidamente e faz uma temporada impecável. Perdeu apenas um jogo (em 38) – para o Espanyol, na Copa do Rey, mas mesmo assim está na final do torneio.

Messi e Suárez estão voando, o time está firme em todas as linhas e, claro, tem um certo Iniesta.

 

 


Panelinha de brasileiros em clube europeu é uma faca de dois gumes
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Julio Gomes

Eu trabalhava como correspondente na Europa, bem perto de Real Madrid e Barcelona, acompanhando os dois gigantes quase diariamente. Coincidentemente (ou não), ambos eram recheados de brasileiros.

No Real Madrid, no meio do entra-e-sai, estavam Luxemburgo (e comissão técnica), Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio Baptista, Emerson, Robinho, Marcelo. No Barcelona, estavam Ronaldinho, Deco, Edmilson, Belletti, Sylvinho, Thiago Motta.

Tínhamos ali dois exemplos opostos de como ter muitos brasileiros no elenco de um gigante europeu pode dar muito certo ou muito errado.

No Real Madrid, formou-se a panelinha. Só que havia outras panelinhas dentro do clube, essencialmente um núcleo duro de jogadores espanhóis e profissionais do clube (médicos, diretores, etc). O conflito estava desenhado antes mesmo de Luxemburgo colocar os pés na capital.

No Barcelona, não parecia haver uma separação do tipo ''brasileiros aqui, catalães para lá''. Eles se mesclaram, se fundiram. Não dava para chamar de panelinha.

Talvez os momentos e personagens explicassem ter dado errado no Real, certo no Barça. O Real vinha de títulos grandes, os jogadores já eram consagrados e parte da história do clube. Então que palhaçada era aquela de chegarem esses brasileiros querendo fazer e acontecer por aqui? Roberto Carlos era o elo entre o passado e o então presente, mas talvez não tenha sido capaz de fazer dar liga entre os grupos.

Foi a era dos Galácticos. Os fracassos não vieram só por causa dos brasileiros, claro que não. Mas o fato de não ter havido química certamente não ajudou.

Quando alguns deles saíram e poucos ficaram, obrigados a ''entrar na linha'', o clube foi bicampeão espanhol (2007 e 2008).

Já o Barcelona era um clube em depressão em 2003, em um momento esportivo terrível, e tudo mudou com a chegada de Ronaldinho. Outros brasileiros já haviam feito sucesso no clube, havia e há uma química interessante entre Catalunha e Brasil. Existia boa vontade, uma boa vontade que não havia em Madri. Puxado por Ronaldinho, Barcelona começou a sorrir e a ganhar, então o próprio grupo de jogadores do clube via a turma brasilina com ótimos olhos.

Uma panelinha de brasileiros em clube grande europeu só dá certo se houver química e condescendência por parte dos outros jogadores e do técnico da vez. Até porque a maioria dos brasileiros (estou generalizando, falando de ''maioria'', não de totalidade) não faz tanta questão de se misturar e de se adaptar. Gostam de levar o Brasil para a Europa, na forma de ''parças'', comida, CDs de música.

Aí, chegamos ao Paris Saint-Germain da atualidade (ler essa notícia do UOL Esporte).

Não parecia haver tanto problema quando estavam lá veteranos como Thiago Motta, Maxwell (que parou), Thiago Silva, um jovem Marquinhos, outro jovem, Lucas.

Mas, quando chegam Neymar e vem um cara como Daniel Alves, um veterano e que foi a Paris apenas e tão somente para acompanhar Neymar e ''ganharem tudo juntos'', o cenário muda. Ainda mais porque, com as contratações de Neymar e Mbappé, o resto do elenco todo passou a estar automaticamente à venda. E ninguém fica feliz ao ser oferecido por aí, jogado ao mercado.

Não havia muitas dúvidas de que a turma de brasileiros não estaria no topo da lista de ''vendáveis'', exatamente para não incomodar o grupo. E, quando isso aconteceu com Lucas, os outros não gostaram muito.

Para piorar a situação, o resto do elenco tem uma quantidade considerável grande de argentinos e uruguaios, que formam outro tipo de panelinha. E um técnico que não tem o estilo ''paizão''.

Foi interessante quando Muricy Ramalho disse, recentemente, em meio à polêmica Neymar-Casagrande, que o fato de o treinador espanhol Unai Emery não ser muito ''amigão'' dos jogadores estar atrapalhando as coisas.

De fato, Emery e a grande maioria dos treinadores europeus não precisam ser ''paizões''. Luiz Felipe Scolari não deu certo no Chelsea, entre outras coisas, porque o estilo ''paizão'' era visto por outros jogadores com desdém. O jogador de futebol europeu, com bases educacionais e familiares mais sólidas (por serem provenientes de países mais desenvolvidos), não fazem muita questão desse tipo de relacionamento.

Mas os brasileiros, sim. O fato de a relação Emery-brasileiros ter ido para o vinagre fala mais (mal) sobre os brasileiros do que o técnico, no meu ponto de vista. Agora, sabedor do que viria pela frente e do que cairia em seu colo, o técnico também deveria ter tido mais jogo de cintura. Viver em enfrentamento com uma panelinha de jogadores brasileiros bons e caros era e é uma burrice. O lado fraco da corda é ele, o treinador. E, ao barrar Thiago Silva do jogo de quarta, ele declarou guerra.

Jogadores brasileiros são bons. Em regra, acima da média. Não à toa são maioria da Liga dos Campeões.

Mas juntá-los é uma faca de dois gumes. Pode dar muito certo, como já deu em vários lugares. Pode dar muito errado, como parece que vai dando no PSG.

Talvez o ideal seja ter alguns brasileiros, mas com parcimônia. Um ou dois ''craques'' ou titulares, mais um ou dois jogadores de grupo, para fazer companhia. Um modelo que já deu muito certo em muitos lugares.

Emery parece condenado no PSG. Qual a solução? Certamente não é desfazer a panelinha de brasileiros, agora que já está formada. Muito mais fácil mandar o cara embora, até porque ele não é unanimidade em Paris.

Um Carlo Ancelotti, que está dando sopa no mercado, um Tite. Enfim, alguém que seja capaz de falar a linguagem dos brasileiros, sempre sedentos por um carinho, uma palavra amiga.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
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Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de ''pertinentes''. E a resposta de Neymar pai de ''patética''. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia ''persegue'' o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia ''passa a mão na cabeça'' dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de ''cheirador'' acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de ''abutre'' me parece extremamente agressivo e desproporcional.

''Em uma ''guerra'' há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas ''presas''. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que ''vive do brilho dos outros''? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. ''Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão''.

Muricy deu a dica no Sportv. ''Ele gosta de ser contrariado, confrontado''. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que ''staff'' Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


Com vitória, São Paulo afasta crise monstra (por enquanto)
Comentários 13

Julio Gomes

O São Paulo fez um primeiro tempo horroroso em Maceió. Um tipo de jogo que parece que está virando marca do clube. Lento, devagar, quase parando. Sem aproximações, sem ideias, sem nada. O aguerrido CSA foi mais perigoso. E a impressão era de que se confirmariam as previsões catastróficas.

O São Paulo poderia ser eliminado logo na segunda fase da Copa do Brasil, o que geraria uma crise monstra e prematura na temporada. Não podemos nos esquecer que 2018 não começou zerado. Ele veio logo depois de 2017. Aquele 2017.

Difícil imaginar, por exemplo, que Dorival Jr conseguiria se segurar no cargo. Gosto do trabalho dele e gosto dele pessoalmente. Aliás, Dorival é dos poucos que verbaliza todas as semanas e expõe o absurdo que é o calendário do futebol brasileiro. Mas Dorival era, junto com Oswaldo de Oliveira, o técnico de time grande que parecia começar o ano já pendurado. Oswaldo já foi.

Tudo se resolveu. Por enquanto.

O ótimo passe de Cueva para Marcos Guilherme, que deu o gol para Nenê, tranquilizou tudo no comecinho do segundo tempo. Nem deu tempo de virar drama. Logo veio o pênalti em Diego Souza, o gol de Cueva e pronto, eliminatória resolvida.

Era uma eliminatória-armadilha. Porque o São Paulo deveria estar jogando contra o Ituano pelo Paulista, não pela Copa do Brasil. CSA é um time com bom entrosamento, que acaba de subir para a Série B e tem um início de temporada honesto. Além de ser uma camisa histórica do futebol brasileiro, um clube que leva torcida para o estádio. Em jogo único, empate e pênaltis eram uma possibilidade real.

Era um jogo que poderia ter detonado o primeiro semestre são-paulino. Mas o gol cedo no segundo tempo abriu a defesa rival e deu a tranquilidade necessária. O time jogou mais solto, acelerou em vários momentos e foi bem melhor do que o marasmo do primeiro tempo, quando a bola parecia grudada nos pés de Jucilei, que não tinha para quem passá-la.

Falei ''por enquanto'' no título deste post e também no texto. Porque é isso mesmo, se o São Paulo continuar jogando de forma tão lenta e pouco dinâmica, ele vai ganhar algumas partidas e fugir de crises apenas… ''por enquanto''.