Blog do Júlio Gomes

Petraglia diz que Atlético-PR não aceita convite da CBF para ir à Copa
Comentários 4

Julio Gomes

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR (e homem forte do clube), Mário Celso Petraglia, disse que o Atlético Paranaense não vai aceitar o convite da CBF, que irá custear a viagem de alguns dirigentes para acompanhar de perto a primeira fase da Copa do Mundo.

''Não aceitamos por princípio. Não aceitamos favor deles nem de ninguém. Eles que deem (a viagem) para outro. Se eu quiser ir à Copa do Mundo, tenho dinheiro de comprar a minha passagem'', falou Petraglia ao blog.

Este blogueiro viajou a Curitiba a convite do Atlético-PR para conhecer a estrutura do clube e fazer uma entrevista com Petraglia. O conteúdo gerado pela conversa e as observações feitas no CT do Caju será publicado neste mesmo espaço, nos próximos dias.

A CBF convidou dirigentes das 27 federações estaduais e realizou um sorteio entre clubes das Séries A e B. O Atlético-PR foi um dos contemplados para o ''voo da alegria'', assim como Atlético-MG, Bahia, Ceará, São Paulo, Avaí, Guarani, CRB, Brasil-RS e Paysandu. Segundo o jornal O Tempo, o Atlético de Minas também declinou o convite.

''Existe um distanciamento (entre clube e CBF). Nós não fomos nem na eleição (de Rogério Caboclo, atual presidente da CBF). Aparecer lá para quê?, questionou Petraglia.

 

 


Time de Champions, Atlético de Madrid cumpre papel na Liga Europa
Comentários Comente

Julio Gomes

O Atlético de Madrid, na era Simeone, se transformou em um clube top da Europa – tanto que chegou a duas finais de Liga dos Campeões, depois de já ter vencido duas Ligas Europa. Não era esperada a eliminação ainda na fase de grupos da Champions 17/18.

O Atlético estava em um grupo duro, com Chelsea, Roma e Qarabag, do Azerbaijão. Foram dois tropeços contra o patinho feio da chave que atrapalharam a vida do Atlético, que teve uma primeira metade de temporada esquisita, alternando bons e péssimos jogos. Acabaram passando Chelsea e Roma – esta, chegou à semifinal.

O fato é que o Atlético acabou ''caindo'' para a Liga Europa, onde foi imediatamente considerado principal favorito ao título pelas casas de apostas. E confirmou o favoritismo. Tudo bem que estavam lá Arsenal, Borussia Dortmund, algumas outras camisas importantes do continente.

Mas o fato é que, na era Simeone, o Atlético ganhou novo status. Era quase obrigação ganhar o torneio, após a primeira fase da Champions decepcionante. Eu não gosto muito do termo ''obrigação'', porque o que jogador tem a obrigação de fazer é atuar com vontade e dedicação. Mas, digamos, o Atlético cumpriu seu papel de favorito – como fizera o Manchester United no ano passado.

O Olympique de Marselha até teve uma chance clara com 0 a 0 (Germain perdeu cara a cara), antes de entregar de presente o gol para Griezmann fazer o primeiro. No segundo tempo, já depois do segundo gol de Griezmann, o Olympique acertou a trave – botaria fogo no jogo. No fim, Gabi fez o 3 a 0.

Foi um time bravo, o Olympique, como brava é sua torcida. O choro sentido dos jogadores ainda no campo mostra como o título seria importante para a região de Marselha, cheia de imigrantes, pessoas que estão sentindo na pele o ambiente de segregação que se espalha como um câncer na Europa.

Mas não tem jeito. O Atlético é simplesmente muito mais time. É time de Champions. Mesmo sem Griezmann (que deve ir ao Barcelona), a permanência de Simeone nos garante: na próxima temporada, eles voltarão a incomodar.

Em 2010, ainda antes de Simeone, quando o Atlético ganhou sua primeira Europa League, aquilo parecia o teto para o clube. Aquele título foi comemora em êxtase absoluto. Mas aí chegou o argentino. Vieram finais de Champions, título da Liga doméstica, da Copa do Rei, mais duas, com essa, Europa Leagues, Supercopas da Europa e da Espanha. Os tempos mudaram nestes quase sete anos.

O Atlético de hoje é grande como nunca.


Torcedor do Grêmio tem mais é que celebrar ausências de Arthur e Luan
Comentários 3

Julio Gomes

A convocação de Tite para a Copa do Mundo vai mexer bem pouco com o Campeonato Brasileiro. Ainda faltam sete rodadas até a pausa para o Mundial, são 21 pontos em jogo. E tem mais: a competição é reiniciada assim que a bola parar de rolar na Rússia.

Tite chamou apenas três que atuam no Brasil: Cássio, Fágner e Geromel. São jogadores importantes para Corinthians e Grêmio, mas substituíveis – Fágner está lesionado, de qualquer maneira. Cássio e Geromel se despedem no fim de semana, ainda atuam mais uma vez na Libertadores e uma no Brasileiro.

Muita gente está brava porque Arthur e Luan, jogadores do time que melhor joga no Brasil, ficaram fora da lista de Tite. Mas o torcedor gremista deveria estar com um sorrisão deste tamanho no rosto.

O Grêmio não ganha o Campeonato Brasileiro desde 1996. Será que Renato Gaúcho irá escolher Libertadores e Copa do Brasil, como fez ano passado? Neste ano, parece que o treinador pode fazer uma aposta maior na competição de pontos corridos.

O Grêmio ainda tem a vaga nas oitavas para garantir na Libertadores, o que pode acontecer já nesta terça. No Brasileiro, daqui até a Copa, enfrenta Paraná (f), Ceará (f), Fluminense (c), Bahia (f), Palmeiras (c), América-MG (c) e Sport (f). Convenhamos, uma tabela bem interessante, com um adversário direto em casa e os três jogos no Nordeste longe do verão.

Com a bola que está jogando, o Grêmio tem tudo para fazer um altíssimo percentual de pontos nestas rodadas e

O Brasil pode até lamentar Arthur e Luan fora. A metade azul do Sul, no entanto, tem mais é que celebrar.

 


Tite deixa claro que a 9 é de Jesus e Danilo está à frente de Fágner
Comentários 5

Julio Gomes

Tite deu uma entrevista de uma hora após convocar a seleção brasileira para a Copa do Mundo. Não são todas as perguntas que geram respostas importantes – ou que extraiam informações.

Mas é possível pinçar algumas coisas relevantes do que disse Tite.

Na lateral-direita, a disputa está aberta. ''Hoje, a vantagem é do Danilo'', disse Tite. Uma indicação de que, não fosse a lesão de Daniel Alves, talvez Fágner não estivesse entre os convocados.

Aliás, Fágner foi o único nome lido fora da ordem alfabética em sua posição. Possivelmente, Rafinha, do Bayern, esteve na lista até os 45min do segundo tempo.

Na zaga, não está claro quem será titular. A briga está aberta entre Marquinhos e Thiago Silva para jogar ao lado de Miranda. Marquinhos foi muito elogiado pelo treinador, e Tite claramente pode contar com ele tanto para a lateral-direita quanto para o meio de campo, se por acaso Casemiro e Fernandinho se machucarem ou forem suspensos simultaneamente.

Por que não levar uma camisa 10? Um armador clássico? Porque, na cabeça de Tite, Coutinho pode jogar por ali, Willian, Taison, até Firmino.

Taison, além de obviamente ser um jogador de confiança, traz uma versatilidade que Tite considera importante. É um jogador mais agudo que Giuliano, de quem ele possivelmente ''roubou'' a vaga.

Por que não levar um camisa 9 típico? Aí, possivelmente porque faltou um jogador de peso, de altíssimo nível, para entrar na lista. Pelas respostas de Tite, ele pode contar com Firmino para isso, caso algum jogo apresente esta necessidade.

Firmino, aliás, é o claro reserva do ataque. Apesar da temporada monstruosa, muito superior à de Gabriel Jesus. Tite foi claro, esta não é uma vaga aberta. Gabriel é titular, ''pelo que fez na seleção'', entre outras razões.

Eu deixaria a vaga de camisa 9 mais aberta do que efetivamente está. E você?


Fred e Taison na Copa. Que soem as cornetas!
Comentários 1

Julio Gomes

Tite anunciou os 23 da Copa do Mundo. Nenhuma surpresa.

Havia dúvidas sobre algumas posições. Tite escolheu Cássio, Filipe Luís, Geromel, Fred e Taison. Estes dois últimos, ambos jogadores do Shakhtar Donetsk, serão os mais falados nos próximos dias. As cornetas soarão por eles.

Com a convocação de Filipe Luís, Alex Sandro fica fora. Era pau a pau. Com Geromel, Rodrigo Caio fica fora – justo e quase unânime. Aliás, por falar em zaga, Tite anunciou apenas um nome da lista dos 12 ''reservas'', que ficam em stand by: Dedé, do Cruzeiro.

Com Fred e Taison, Tite preteriu Arthur e Luan, do Grêmio. No lugar de Taison também poderia estar Giuliano ou então um número 9 mais puro, tipo Willian José ou Jô, ou então um meio-campista ofensivo, tipo Rodriguinho (cornetas soariam do mesmo jeito, em todos os casos).

Com tantos jogadores de lado de campo, Taison é um que sobra nesta lista, a meu ver. Se a porca apertar, tem Douglas Costa, tem Willian. Será que Taison será usado para mudar um jogo na hora H?

O pepino maior, que gerará mais cornetas, é a ausência de Arthur, um jogador que tem pinta de ter futuro longo na seleção brasileira.

Boa notícia para o Grêmio na sequência do Brasileiro, por poder contar com ele antes e imediatamente depois da Copa.

Eu entendo o clamor popular, porque Arthur está aqui do nosso lado, jogando toda hora – e bem. Já Fred está na Ucrânia, longe dos holofotes – o que não faz dele um jogador ruim, pelo contrário. Ninguém, ou quase ninguém, está vendo Fred e Taison no Shakhtar.

Mas se prepare, Tite!

 


Sem Dani Alves, Tite deveria transformar Marcelo em protagonista
Comentários 9

Julio Gomes

A lesão que tira Daniel Alves da Copa do Mundo pode ser um sinal. Está na hora de Marcelo ser protagonista da seleção brasileira.

Marcelo e Firmino foram os dois melhores jogadores brasileiros na temporada 2017/2018, que se encerrará na Europa justamente com a final entre eles, Real Madrid x Liverpool na Champions League. Firmino não é nem titular da seleção, disputa posição com Gabriel Jesus.

Marcelo só não era titular na cabeça de Dunga. Com Tite, voltou a ganhar a posição. No Real Madrid, Marcelo pegou o bastão das mãos de Roberto Carlos para não soltar mais. São duas décadas com um brasileiro tomando conta da lateral esquerda do clube mais importante do mundo.

Como é característica dos laterais brasileiros, criados para atacar, não para defender, Marcelo sofreu muito e ainda sofre nesta fase do jogo. Em muitos momentos, foi preterido no Real, com Mourinho ou Ancelotti, justamente por isso. Mas, com Zidane, tomou conta de vez e passou a ser peça fundamental do fluxo de jogo do Real Madrid.

Assim como Daniel Alves sempre foi muito mais do que um lateral nos anos dourados do Barcelona. Daniel era mais um atacante pela direita, um jogador crucial para o fluxo de jogo do time e a saída para o ataque. Dani e Xavi. Marcelo e Kroos. Parcerias históricas.

Daniel Alves manteve a característica em sua vida pós-Barça, mas perdeu fôlego e, neste ano na França, tesão e competitividade. Mas estava claro, pelo menos para mim, que veríamos outro cara na Copa do Mundo. A seleção motiva esses jogadores, ao contrário do que muita gente pensa. Eles querem MUITO ganhar pelo Brasil.

Com Daniel Alves de um lado e Marcelo do outro, o treinador tem muitas opções de saída de bola, mas muitos problemas de cobertura. Nenhum dos dois é bom defensor.

Sem Daniel Alves, Tite ganha a luz verde para fazer o mesmo que Zidane. Focar o jogo ofensivo do Brasil, a transição, em Marcelo.

Pode jogar com três zagueiros, com Marquinhos pela direita, ou pode jogar com um lateral mais defensivo, tipo Fágner. Pode até, em determinado momento do jogo, abrir pela direita um meia.

Pode também fazer uma convocação diferente, com cinco zagueiros ou com algum jogador que se sinta bem aberto pela direita, mas que não seja lateral de ofício. Pode levar ou Fágner ou Danilo, não necessariamente os dois. Tudo isso é coisa para o treinador pensar, e pensar rápido. Não descarto que ele comece a preparação com uns 24 ou 25 e deixe para cortar alguns perto da Copa.

Mas o mais importante é a oportunidade para montar um time que machuque o adversário essencialmente com Marcelo e Neymar, da esquerda para dentro. Sem dó, sem preocupações, com foco nos dois melhores jogadores do país.

Claro que um time campeão do mundo não terá só uma opção de ataque ou saída de bola. Estou falando do foco, da característica predominante, da marca registrada, do protagonismo a quem merece.

Sempre dá para olhar o copo meio cheio.


Só Neymar é mais importante do que Daniel Alves na seleção
Comentários 25

Julio Gomes

A dúvida está no ar. Na segunda-feira, Tite convocará a seleção brasileira para a Copa do Mundo, e a grande interrogação é Daniel Alves.

Após a lesão da última terça, ainda não há um diagnóstico claro. Terá de operar? Basta tratar? Volta em quanto tempo?

Depois de Neymar (não há hexa sem ele), ninguém é mais importante para a seleção do que Daniel Alves. Não estou, com isso, dizendo que ele é o segundo melhor jogador do Brasil de Tite. Aliás, na minha visão Daniel errou ao escolher o PSG em detrimento do Manchester City. Perdeu nível. Perdeu competitividade e fez uma temporada média – como médio é o futebol francês. Quis se divertir com Neymar e as coisas não deram muito certo.

Mesmo assim, não há desnível maior em qualquer posição do que na lateral direita. Fágner, Danilo, Rafinha… nenhum desses caras se aproxima da capacidade técnica de Daniel Alves. Esta já era a posição mais crítica da seleção, exatamente porque Dani não vive seu melhor momento, mas não tem sombra. Agora, então, a coisa só piora.

Além deste problema, a ausência de um reserva à altura, estamos falando de um jogador altamente competitivo, importante no vestiário, multicampeão, experiente e que já viveu derrotas em Copas do Mundo. Minha aposta é que Daniel seria o capitão de Tite no Mundial.

Se não for necessária cirurgia e o diagnóstico apontar que Daniel Alves poderá voltar em algum momento da Copa, acredito que Tite será obrigado a levá-lo. Terá de arriscar. Pela liderança e pela possibilidade de voltar no mata-mata.

O mais provável é que o treinador comece o período de treinos na Granja Comary com 24 atletas. Leve dois laterais e espere até o fim para saber se poderá contar com Daniel Alves.

Claro que dá para ser campeão do mundo sem ele (sem Neymar, repito, não dá). Mas será ainda mais difícil do que já seria normalmente.

 


Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos no mesmo dia
Comentários 17

Julio Gomes

Já tivemos muitos e muitos clássicos mais importantes do que o Barcelona-Real Madrid deste domingo. Não só na história toda, mas mesmo nos últimos anos. O de hoje foi dos menos importantes. O Espanhol está decidido para o Barcelona, o Real Madrid não joga mais nada nesse campeonato, não vivemos o auge da tensão política Espanha-Catalunha…

Então, com licença aos gols de Cristiano Ronaldo e Messi, um em cada tempo, e também com licença ao fato de o Barcelona ter mantido a invencibilidade no campeonato, se aproximando de um feito histórico, o clássico do Camp Nou foi vergonhoso.

Não havia razão para tanta pancada, tantas entradas, tanta provocação, tanta picuinha. Não há rivalidade que justifique.

Tem gente que adora. Muita gente, aliás. ''Isso é futebol''. ''Os caras não têm sangue de barata''. ''Vai lá assistir vôlei''. Esses são os (profundos) argumentos prediletos da turma.

Não é como eu vejo o jogo, não é o que me apaixona no jogo. Sou um crítico frequente deste ''futebol machão'' que vemos na América Latina, não tem por que poupar o maior clássico do mundo de críticas.

Todos sabemos perfeitamente que existe tensão dentro do campo de futebol, não precisam estar jogando Barcelona e Real Madrid para termos conhecimento disso. O problema é quando descamba. E ainda mais em um jogo assim, assistido no mundo inteiro, por zilhões de pessoas.

Que exemplo dá Messi para o mundo ao dar uma entrada maldosa em Sergio Ramos, como uma forma de vingança após um cotovelo deixado por Ramos no peito de Luis Suárez?

O juiz deu amarelo a Ramos (justo) e a Suárez (também justo, pela reclamação ostensiva, aquele show de sempre). O que mais queria Messi?

Vamos dar um pequeno desconto a Messi, porque em tantos anos de carreira nunca o vimos fazer esse tipo de coisa?

Até podemos. Mas imaginem se fosse Neymar a fazer o que Messi fez? Teria perdão? Messi é grande quando faz o golaço que fez no segundo tempo, é pequeno quando resolve fazer justiça com as próprias mãos (ou pés).

Aliás, em nosso país estamos vivendo a era dos justiceiros. Todo mundo quer e acha que pode fazer justiça com as próprias mãos. O pequeno microcosmo do futebol nos mostra o quanto isso é a barbárie.

Messi deu a senha. No minuto seguinte, Bale deixou a sola na panturrilha de Umtiti, de forma igualmente maldosa. No mínimo, amarelo. Outro minuto, e Sergi Roberto dá um soco em Marcelo (recebeu o vermelho). Não dá nem para chamar o fraco juiz de justiceiro seletivo, porque no segundo tempo Suárez fez falta clara em Varane no lance do gol de Messi. E depois, já com 2 a 2, o árbitro ainda deixou de dar pênalti claro de Alba sobre Marcelo.

O árbitro se perdeu e cometeu erro atrás de erro. Mas a confusão toda começa antes disso e é exclusivamente culpa dos jogadores. Gente que, hoje, perdeu a noção do que representa. De como são copiados no mundo inteiro.

Nos minutos finais ainda teve a briguinha pelo tal fair play. Suárez cai, Busquets não joga a bola para fora, depois o Real Madrid tampouco e vira bate boca. Após o apito final, claro, sorrisinhos de Ramos, Piqué e os outros jogadores da seleção espanhola. Do tipo ''os bobocas aí devem ter se divertido com nossas briguinhas''. Foi um ''El Clássico'' deprimente.

Vamos lembrar que a vergonha já havia começado antes da partida. Na Espanha, existe uma tradição de muitas décadas. Depois de um time ser campeão, ele é homenageado em sua partida seguinte. O adversário da vez faz um corredor (o ''pasillo'') para render homenagem aos jogadores campeões, que entram em campo sob aplausos.

Em dezembro, o primeiro jogo do Real Madrid após a conquista do Mundial de Clubes foi o clássico contra o Barcelona. Alegando que não havia disputado o mesmo torneio, o Barça resolveu não fazer o tal pasillo. Um argumento discutível, pois o Barça havia disputado a Champions, vencida pelo Real e que deu o direito ao time de Madri jogar o ''Mundialito''. Picuinha pura.

O Real Madrid, que se orgulha de ser um clube ''señor'', acima do bem e do mal, classudo, devolveu como? Não fazendo o pasillo neste domingo, apesar de o Barça ter sido campeão espanhol na rodada passada. Ou seja, uma atitude pequena, mesquinha. Picuinha pura.

Faltou classe a todo mundo. Menos ao pobre Iniesta, que se despediu dos clássicos em um jogo para ser esquecido.

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos, juntos, no mesmo dia.


Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
Comentários 102

Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Moisés pede passagem entre os titulares do Palmeiras
Comentários 5

Julio Gomes

O Palmeiras fez um jogaço nesta quinta à noite em Lima, na vitória por 3 a 1 sobre o Alianza, pela Libertadores. Poderia ter vencido até por mais e só tomou um golzinho em um pênalti bobo, quando já vencia com folga.

Foi um jogo com os reservas em campo, e Roger ganhou algumas certezas. O grupo é bom mesmo, e praticamente qualquer titular tem substituto à altura.

Willian, que começou o ano como titular e perdeu espaço para Keno, jogou muito. Mas o grande nome mesmo foi Moisés, especialmente no primeiro tempo. Com chegada, movimentação pelos lados, associação com os atacantes, dois passes lindos para gol. Um jogo para lá de completo.

Vamos lembrar que Moisés foi um dos grandes nomes do Palmeiras no título brasileiro de 2016 e só perdeu espaço pela grave lesão que sofreu. É uma sombra gigantesca para Lucas Lima, que não vem agradando tanto.

Difícil imaginar que Moisés será preterido por Lucas Lima nos grandes jogos daqui para frente.

(Ainda que, depois do jogo, Moisés tenha dado a entender que concorre por uma vaga com Bruno Henrique, não Lucas Lima. Ele concorre com todo mundo, na real, pois pode jogar em muitas funções e funciona muito bem no meio ao lado de Bruno Henrique).

Com 13 pontos, o Palmeiras já se garantiu em primeiro no grupo 8 e tem a melhor campanha da Libertadores. Tem gente insinuando que o Palmeiras poderia perder para Junior Barranquilla na última rodada, para eliminar o Boca Juniors.

Me parece daquelas especulações sem fundamento algum. Se ganhar, o Palmeiras garante a vantagem de decidir em casa em todas as fases do mata-mata da Libertadores. Se perder o último jogo, pode virar o quinto ou sexto de melhor campanha. Seria um prejuízo imenso.