Blog do Júlio Gomes

Corinthians é a primeira força (até que se prove o contrário)
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juliogomes

O Corinthians não perde. E times que não perdem, adivinhem só, ganham campeonatos. Se o Corinthians não perdeu do belíssimo time do Grêmio, com 50 mil pessoas empurrando, vai perder de quem?

Próximos jogos? Botafogo e Ponte Preta em casa. Depois disso, dérbi com o Palmeiras no Allianz Parque. E atenção! A Ferroviária não está na Série A. Foi o último time a ganhar do Corinthians, três meses atrás.

Aqui em São Paulo, muito se ironizou pelo fato de algumas pessoas colocarem o Corinthians, no começo do ano, como a quarta força do Estado. Era normal considerar Palmeiras e Santos superiores, vinham de um Brasileiro muito bom, times prontos. O Corinthians estava abaixo mesmo desses dois, na teoria.

Na prática, foi lá e ganhou o Campeonato Paulista. Derrotou a Ponte Preta, que havia derrotado Santos e Palmeiras. Chegou ao Brasileiro ainda com desconfiança, inclusive deste blog. Me parecia um time muito bem montado, organizado, mas enxuto e sem grandes fazedores de diferença. Um time para G4, não para título.

Mas, depois da vitória sobre o Grêmio, a primeira na Arena, a primeira em Porto Alegre desde 2011 (ano de título), o Corinthians precisa ser considerado a primeira força do Campeonato Brasileiro. É o time a ser batido.

Já está quatro pontos na frente do Grêmio, dez na frente dos terceiros colocados. Já é campeão? Claro que não. Mas, com um quarto de campeonato transcorrido, o Corinthians se posiciona como favorito maior ao título. Os outros que corram atrás.

O primeiro tempo de Grêmio e Corinthians foi espetacular. Fazia tempo que o futebol brasileiro não nos brindava com um jogo tão bem jogado. Dentro de seus estilos, os dois times fizeram a bola rolar, não bateram, foram leais, não ficaram reclamando com arbitragem, tiveram algumas chances. Até o juiz foi perfeito, ao não dar um pênalti inexistente em Fágner. Só faltou mesmo o gol.

E o gol saiu no começo do segundo tempo. Grande arrancada de Paulo Roberto, um dos melhores em campo, herói improvável. Na defesa, foi um inferno na vida de Luan, não dando o espaço entre linhas que o gremista tanto gosta. No ataque, em um lance parecido ao do gol, ele quase marcou no primeiro tempo. No segundo, serviu Jô, que fez o corta-luz para Jadson marcar.

Falha de Marcelo Grohe. Por mais que o chute tenha sido à queima-roupa, não pode levar gol no meio das canetas.

Se Grohe será criticado, o que dizer de Cássio? Foi o nome de um jogo e faz Luan despencar na lista de melhores do campeonato. Porque, se Luan foi o nome das nove primeiras rodadas, brilhando nas sete vitórias gremistas, foi péssimo no jogo mais importante até agora.

Pelo pênalti perdido, batido de forma displicente? Também, mas não só. Minutos antes, perdeu um gol que não pode perder dentro da pequena área, defendido por Cássio. Tomou decisões erradas, errou bolas importantes, foi francamente mal.

O Corinthians é um time difícil de ser batido porque é extremamente disciplinado taticamente. Não é um time que só se defende. É um time parecido com os de José Mourinho. Defende-se muito bem, fechas os espaços importantes do campo, não comete erros bobos e, quando retoma a bola, se movimenta com velocidade e deslocamentos treinados e pensados. Ninguém corre à toa.

O Grêmio começou o jogo com ímpeto, mas pouco a pouco o jogo vai ficando chato para o adversário. Ele não encontra espaços, começa a tentar coisas que não tentaria novamente, comete erros. Perde o foco. E, neste exato momento, o Corinthians vai lá e mata.

 


Paulinho prefere a Copa ao Barça. Por que não os dois?
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juliogomes

Paulinho tornou pública a conversa entre seus empresários e o Barcelona. Nesta entrevista ao Globo Esporte, diz que está ''difícil decidir'' entre ir para um dos maiores clubes do mundo e ficar na China. Na cabeça dele, o dilema parece ser: a certeza de jogar, manter ritmo e ser titular na Copa do Mundo e a dúvida de esquentar banco no Barcelona e perder espaço.

Paulinho é muito bom jogador de futebol. Funciona muito bem no meio de campo como um volante que fecha espaços e tem bom passe, chegada e finalização. Tem as características do jogador moderno, é um todo-terreno, enfim. Foi importantíssimo no Corinthians de Tite, na Copa das Confederações de 2013 e tem sido peça fundamental no renascimento da seleção brasileira, reencontrando Tite.

Eu não critico Paulinho por escolher ''ser feliz''. Aliás, eu não critico ninguém por buscar a felicidade. Se o cara prefere jogar futebol na China, na várzea ou na praia, em vez de outro lugar, o direito é dele.

Mas me sinto livre para criticar a falta de ambição ou então a incapacidade de se adaptar e buscar espaço.

Paulinho só funcionou plenamente até agora em lugares com condições ideais. Em lugares em que se sentiu confiante (não ameaçado), com treinadores que gostam dele e escalam do melhor jeito possível para seu futebol fluir. Azar dos que não fizeram o mesmo. Mas, convenhamos. É parte da coisa também o jogador atuar em condições que não sejam as ideais.

No Tottenham, Paulinho chegou com André Villas Boas no comando. Mas o português saiu no meio da temporada, assumiu Tim Sherwood. Perdeu ritmo e espaço, foi mal na Copa.

Na segunda temporada, vindo com o 7 a 1 na cabeça, Paulinho caiu nas mãos de Mauricio Pochettino. O argentino está lá desde então e, em três temporadas, está se tornando um dos grandes técnicos da história do Tottenham.

Paulinho ficou só um ano com Pochettino e se mandou para jogar com Felipão na China. Não se deram bem. Só eles sabem exatamente como as coisas ocorreram, mas, de longe, me parece ter havido um problema terrível de falta de comunicação. Convenhamos, poderia estar até agora no Tottenham, vivendo esse grande momento do clube.

E agora está com medo de acontecer a mesma coisa. Na China, joga, é titular, a família está adaptada. É jogador de confiança de Felipão e de Tite. Como será em Barcelona? Será uma temporada complicada para o Barça, com técnico novo (Ernesto Valverde) e um Real Madrid voando. E se Paulinho não agradar e ficar o ano todo sem jogar?

O medo dele é compreensível. Mas onde está a confiança? A determinação? A ambição? Ele tem à sua frente uma raríssima segunda chance no alto nível europeu. Olhando o elenco do Barcelona, Paulinho tem grandes chances de triunfar, ter minutos, agradar o novo técnico, municiar Messi, Neymar e Suárez.

Para isso, terá de batalhar. Não dá para dizer que um cara que foi para a Lituânia com 17 anos de idade não tenha coragem e não seja batalhador.

Mas me parece que o medo de não triunfar seja mais forte do que a genuína felicidade no futebol de menor nível da China.

Se escolher ficar, Paulinho estará escolhendo a estabilidade e a seleção brasileira sobre o desafio de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Sonho de 10 em cada 10 jogadores.

Sinceramente, acho que daria para ter as duas coisas. Só depende dele, de confiar no próprio taco. Não dos outros.

 

 


Brasileiro, ato 10: na rodada da “final”, Grêmio pode ampliar freguesia
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juliogomes

Você sabia que ninguém ganhou mais do Corinthians em Campeonatos Brasileiros do que o Grêmio? Que, em Porto Alegre, o aproveitamento gremista contra o rival de domingo supera os 70%? E que desde a inauguração da Arena do Grêmio o Corinthians só apanhou por lá?

Resultados do passado não garantem os do futuro. Retrospecto não ganha jogo. A não ser que… o retrospecto entre na cabeça dos jogadores que estarão em campo. Aí, pode ser um fator de grande influência.

O Corinthians não vence o Grêmio no Sul desde 2011, na campanha do título, com Tite em um banco e Renato Gaúcho no outro. De lá para cá, foram cinco derrotas e um empate na Copa do Brasil de 2013 – aquele jogo foi para os pênaltis e você se lembra do que Alexandre Pato fez diante de Dida. Foi também contra o Grêmio, no Sul, que o Corinthians foi rebaixado, em 2007. Talvez a única grande lembrança mesmo seja aquela final da Copa do Brasil de 95, a de Marcelinho Carioca.

No Brasileiro unificado, foram 28 vitórias gremistas sobre o Corinthians (23 derrotas). No Brasileiro a partir de 71 (é o que vale, me desculpem os que acompanham a canetada da CBF), são 26 vitórias do Grêmio, 12 empates e 19 corintianas.

O discurso de Fábio Carille é de que o jogão de domingo, disparado o mais relevante da rodada, não é uma final coisa nenhuma. Ou melhor, é tão final como qualquer outro jogo.

É louvável que o Corinthians encare todos os jogos como finais. Mas essa é, digamos, mais final que as outras. É um confronto direto, oras bolas. Imaginem o soco na mesa que não seria o Corinthians ganhar na casa do Grêmio e abrir quatro pontos na tabela? Mas, pelo menos no discurso, o time paulista irá a Porto Alegre buscar um pontinho.

Quem busca empate costuma coletar derrotas. O Corinthians não poderá dar a bola para o Grêmio e viver apenas de contra ataque. Melhor defesa do campeonato, a chave para o Corinthians parar o melhor ataque será bloquear as linhas de passes entre os ótimos volantes gremistas e Luan. Quando recebe com liberdade, Luan, melhor jogador do Brasileiro até agora, é capaz de fazer qualquer coisa. Avançar e finalizar, tabelar, dar passes de gol.

É o típico jogo em que quem marcar primeiro deverá ganhar. E eu acredito que, por futebol e histórico, o Grêmio leva ligeiro favoritismo.

Aqui vão os prognósticos da rodada completa:

SÁBADO

19h Santos 3 x 1 Sport
Desde a saída de Dorival Jr, o Santos simplesmente não toma gol (cinco jogos sem ser vazado). A boa vitória em Salvador foi ofuscada pela possível transferência de Lucas Lima para o Barcelona no final do ano – só se falou nisso. A sequência é boa e é a oportunidade de se aproximar dos líderes, que têm confronto direto. O Sport, que tem o desfalque de Rithely, nunca venceu o Santos na Vila Belmiro (11 derrotas e 5 empates).

DOMINGO

11h Vasco 2 x 0 Atlético-GO
Apesar de toda a tensão política, o time vem dando conta do recado em São Januário. O Atlético-GO passou em branco em cinco das seis derrotas que sofreu, e essa é a chave para o Vasco: a defesa mais vazada do Brasileiro precisar estar mais concentrada e evitar algum gol bobo que deixe o time contra a parede. O Vasco tem vencido os jogos que o deixarão sempre longe da briga contra o rebaixamento e é favorito para ficar com mais três pontos.

16h Grêmio 2 x 0 Corinthians
É uma daquelas “finais” no meio de um campeonato de pontos corridos. Uma hora o Corinthians vai perder, não é mesmo? Acredito que o futebol que o Grêmio tem apresentado e o fator casa irão falar mais alto. É um duelo entre o melhor ataque e a melhor defesa, e a chave para o Corinthians é não deixar o Grêmio confortavelmente com a bola no meio de campo. Precisa anular as ações de Luan, melhor jogador do campeonato até agora.

16h São Paulo 1 x 1 Fluminense
Dois times pouco confiáveis. Um, porque é fraco e simplesmente não se encontra. O outro, por ser muito jovem e alternar grandes e maus momentos. Nos últimos 10 anos, o São Paulo venceu quatro vezes o Flu como mandante, perdeu outras quatro e empatou três.

16h Cruzeiro 1 x 0 Coritiba
Após dois bons jogos contra os líderes, Mano resolveu poupar todo mundo e se deu mal em Campinas. Vamos ver se pelo menos a consequência de abrir mão daquele jogo será vencer o deste domingo em casa, contra um Coritiba que correu muito na quinta à noite contra o Grêmio. O empate do ano passado foi o primeiro jogo do Coxa sem perder no Mineirão em quase dez anos. A última vitória foi em 2004.

16h Atlético-PR 1 x 0 Vitória
O teórico favoritismo é do Atlético-PR, que engatou três vitórias seguidas e joga em casa. Mas cuidado. Foram três 1 a 0 e em todos eles o Furacão passou bem perto de ficar sem o resultado. É um jogo perigoso, onde a zebra pode aparecer. Ao contrário de outros grandes do futebol brasileiro, o Vitória já beliscou bons resultados na Arena da Baixada.

16h Ponte Preta 0 x 1 Palmeiras
A Ponte tem 100% de aproveitamento em casa, mas pode precisar poupar alguns de seus veteranos para evitar lesões. O Palmeiras, que tem jogado melhor fora de casa, tem um elenco com mais recursos, mas precisa combater uma série negativa contra a Ponte. Nos últimos seis jogos entre eles, a Ponte ganhou quatro, empatou no Allianz ano passado pelo Brasileiro e só perdeu a partida de volta da semifinal do Paulista, conseguindo a classificação mesmo com a derrota. Curiosidade: nos últimos 10 anos, houve apenas um empate em 20 jogos entre os clubes.

18h30 Bahia 2 x 2 Flamengo
O Flamengo não consegue engatar duas vitórias seguidas no Brasileiro e tem pela frente um Bahia que joga melhor do que mostram os últimos resultados. A Fonte Nova estará cheia, e acredito em um jogo movimentado, com chances para os dois e muitos gols.

19h Chapecoense 3 x 2 Atlético-MG
Após ceder 1 gol nos primeiros quatro jogos, a Chape levou 17 nos cinco subsequentes. Uma peneira. Os jogos da Chape estão difíceis de prognosticar e eu consideraria o Atlético favorito. Mas o Galo poupará jogadores às vésperas da maratona de Copa do Brasil e Libertadores, com clássico contra o Cruzeiro no meio, e deverá escalar um time reserva.

SEGUNDA

20h Botafogo 2 x 0 Avaí
A rodada acaba com um jogo com claríssimo favorito. O Botafogo vive grande momento, recupera lesionados e deve passar por um Avaí que não consegue levantar a cabeça nem fazer gols.


Na rodada dos favoritos, líderes não se distraem antes de “final”
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juliogomes

A história de que em campeonato de pontos corridos ''todos os jogos têm o mesmo valor'' é uma grande cascata. É claro que há jogos maiores do que outros. Em momentos chave, duelos diretos, última rodada. Os pontos podem ser os mesmos, mas as consequências são maiores.

Grêmio e Corinthians farão a segunda ''final'' do Brasileirão. A primeira, a meu ver, era o Flamengo x Atlético Mineiro logo na primeira rodada. Como já sabemos, aquela ''final'' passa longe de ter o tamanho que imaginávamos. O Flamengo ainda ganha alguns jogos e tem reforços para estrear. O Galo é a grande decepção deste primeiro quarto de campeonato.

Agora, temos uma primeira final ''de verdade''. E lá no fim da disputa veremos se vamos (ou não) nos lembrar do clássico de domingo.

Corinthians, com 23 pontos, e Grêmio, com 22, abriram vantagem considerável na tabela. O Santos, terceiro, tem 16. O Flamengo chegou a 14, o Palmeiras tem 13. Isso para falar dos três primeiros do campeonato passado e possíveis perseguidores.

A coisa mais fácil do mundo era que os líderes se distraíssem nos jogos desta quinta-feira, talvez com a cabeça já no fim de semana. Não foi o que aconteceu.

O Corinthians fez 3 a 0 no Bahia, em Itaquera. A única má notícia foi a expulsão de Gabriel, que desfalcará a equipe em Porto Alegre. Gabriel já estava pendurado, levou um justo amarelo e deveria ter sido expulso ainda no primeiro tempo. Acabou sendo no segundo, em um lance em que nem falta fez.

Já o Grêmio sofreu bem mais para ganhar do Coritiba por 2 a 0. Fez um gol no começo com Pedro Rocha, exigiu várias grandes defesas de Wilson, mas também foi pressionado e correu riscos em boa parte do segundo tempo. No fim, Fernandinho matou a partida. O Coritiba, agora quinto colocado, não vai passar nem perto do Z4. É um time bom, muito organizado e temos de ficar de olho nesse Galdezani – ótimo jogador.

Como destacamos aqui no blog, esta era uma rara rodada com favoritos claros em metade dos jogos.

Corinthians e Grêmio, líderes, não desapontaram. O Flamengo também não, fazendo 5 a 1 na Chapecoense, com dois de Diego e três de Guerrero. Um resultado de impacto, logo antes dos reforços estrearem.

Na quarta, o Palmeiras já havia vencido o Atlético-GO por 1 a 0. É verdade que Prass salvou no finalzinho e o Palmeiras não jogou muita bola, mas ganhou a terceira em quatro. Até o Atlético-PR podemos dizer que confirmou o favoritismo, já que o São Paulo é freguês de carteirinha quando joga na Arena da Baixada.

Só quem decepcionou mesmo e não confirmou o favoritismo foi o Atlético Mineiro, que ficou no 2 a 2 com o Sport. E não só isso. Não jogou nada e ficou mais perto de levar do que de fazer o terceiro.

A próxima rodada tem jogos interessantes. Rogério Ceni e Roger pressionados, desafios fora de casa para Palmeiras e Flamengo, a chance de o Santos se aproximar. Mas nada se compara ao Grêmio x Corinthians de domingo.


Brasileiro, ato 9: uma rara rodada cheia de claros favoritos
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juliogomes

Se tem uma coisa que marca o Brasileirão é o equilíbrio. Raros são os jogos em que se pode apontar um time com o claro favoritismo sobre o outro. É o caso da nona rodada.

Palmeiras contra Atlético-GO, no Allianz Parque. Atlético-MG contra o Sport, no Independência. O líder Corinthians sobre o Bahia, em Itaquera. Flamengo contra a Chapecoense, na Ilha do Urubu. E o Grêmio em casa, na Arena, contra o Coritiba.

Metade dos jogos da rodada tem um favorito claro. São os dois líderes do campeonato e os três times considerados maiores candidatos antes do início da competição. Flamengo e Grêmio, na quinta, são os favoritos que correm mais risco, a meu ver, enfrentam adversários ''chatos''.

Destaque da rodada também para o clássico carioca entre Botafogo e Vasco, no estádio Nilton Santos. O Vasco não perde há 11 jogos do Botafogo, e quem ganhar dará um salto importante na tabela, chegando a 15 pontos. É o jogo mais interessante da rodada.

Aqui vão os prognósticos:

QUARTA

19h30 Vitória 2 x 1 Santos
O Vitória está há três partidas sem perder, e o Santos há quatro sem tomar gols. São dois times em um bom momento no campeonato com seus novos treinadores. Destaco ligeiro favoritismo para o Vitória porque o time recuperou jogadores importantes, como o zagueiro Kanu e os atacantes Kieza e André Lima. Já o Santos segue com muitos desfalques, e Lucas Lima e Thiago Maia, importantes no meio de campo, estão fora.

21h Botafogo 1 x 1 Vasco
Após dois meses sem vencer fora de casa, o Botafogo conseguiu ótimo resultado em Chapecó. O Vasco, como visitante, só perdeu até agora, mas este é um clássico da cidade. Existe um tabu, já que o Vasco não perde do Botafogo há 11 jogos (seis vitórias, cinco empates, maioria dos jogos pelo Carioca). Última vitória do Fogão foi em agosto de 2013, no Maracanã. Jair Ventura vai recuperando jogadores e pode repetir o time, algo raro. O Vasco manterá a dupla Nenê-Luis Fabiano. Jogo sem favoritos, empate é uma possibilidade grande.

21h Palmeiras 3 x 0 Atlético-GO
Jogo com claro favorito. O Palmeiras não perde há quase um ano em casa e pode chegar à terceira vitória em quatro partidas. Com Willian suspenso, Borja ganha nova chance entre os titulares. A curiosidade é que, em seis jogos pelo Brasileiro até hoje, o Palmeiras venceu uma e perdeu quatro para o Dragão.

21h45 Atlético-MG 2 x 0 Sport
Mais um jogo com claro favorito. É verdade que o Galo está devendo em casa, encontra defesas bem montadas e fica só no chuveirinho. Mas Fred está de volta, o Sport só ganhou uma em cinco com Luxemburgo e perdeu todas até agora fora de casa – um desconto para o “pofexô”, a falta de tempo para treinar é dureza. O Sport não vence o Galo em BH desde o ano 2000 (nove derrotas e um empate desde então).

21h45 Atlético-PR 1 x 0 São Paulo
Uma das freguesias mais conhecidas do futebol brasileiro, o São Paulo nunca venceu na Arena da Baixada. Outrora fortaleza atleticana, a Arena não tem dado sorte neste campeonato, mas o Atlético desencantou e tenta a terceira vitória seguida. Eduardo Baptista não tem problemas para escalar o time. O São Paulo ainda tem muitos problemas e não contará com Lucão e Maicon, que devem deixar o clube.

21h45 Avaí 1 x 2 Fluminense
Em busca da recuperação, o lanterna Avaí se segura em um bom retrospecto contra cariocas na Ressacada – não perde há quase seis anos (oito jogos). Se o Avaí tem o pior ataque, o Fluminense tem a segunda pior defesa e sofreu gols em todos os jogos (são 14 partidas oficiais sendo vazado). São dois times em mau momento, com quatro jogos sem vitória e difícil prognóstico para o duelo. O Avaí estreia o veterano Maicon, o Flu não terá o bom Wendel no meio.
QUINTA

19h30 Corinthians 1 x 0 Bahia
Outro jogo da rodada com favorito, o líder Corinthians. Carille poderá escalar seu time ideal, com a volta de Jadson no meio de campo.

19h30 Ponte Preta 0 x 2 Cruzeiro
É verdade que o Cruzeiro só venceu um de seus últimos cinco jogos, mas teve boas atuações contra os líderes Corinthians e Grêmio e saiu fortalecido desses confrontos. A Ponte ganhou as três em casa até agora, mas costuma se dar mal quando recebe o Cruzeiro – perdeu cinco das últimas seis. Kleina poderá escalar seu time ideal, é um jogo em que qualquer resultado é normal.

21h Flamengo 2 x 1 Chapecoense
O Flamengo joga na Ilha do Urubu e tenta engatar uma boa série de vitórias. Apesar de a Chapecoense ser uma adversária perigosa, o time da casa é o favorito. Vai ser um jogo de paciência.

21h Grêmio 1 x 0 Coritiba
Dos favoritos, o Grêmio é quem eu acho que terá mais dificuldades na rodada. É o melhor ataque contra a melhor defesa. O Coritiba está apresentando um futebol sólido, sofre poucos gols e pode ameaçar. Não à toa, está em terceiro. Além do mais, historicamente o Coxa costuma dar trabalho, mesmo quando joga na casa do Grêmio. Aposto no favorito, mas com os dois pés atrás.


Alemanha aprendeu ‘lição brasileira’ e acerta ao poupar nas Confederações
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juliogomes

A Copa do Mundo, já faz algum tempo, não é mais a baba de outrora para os países tradicionais da bola. Nunca foi uma baba ganhar a Copa – mas quase nunca foi complicado para os grandes passar de primeira fase e chegar até o momento agudo da competição.

Isso foi mudando ao longo dos anos. E, hoje, em um futebol globalizado, em que as informações (táticas, técnicas e de treinamentos) correm muito rapidamente, a história de ''não ter bobo'' virou uma realidade. Portanto, em uma competição curta, como são Copas entre seleções, o condicionamento físico não só é uma virtude. É obrigação. É mandatório estar com todo mundo a 100%.

Neste contexto, a Alemanha acerta ao deixar tantos jogadores importantes fora da Copa das Confederações. A estreia será nesta segunda, contra a Austrália.

A Alemanha é a atual campeã do mundo. A Alemanha joga para ganhar Copa e Eurocopa. Claro que não entra para perder a Copa das Confederações, mas entra com limitações em nome de algo maior.

Não é o caso, por exemplo, de Chile, Portugal e México. Para estas três seleções, que têm tradição no futebol, mas não o peso da Alemanha, ganhar uma Copa das Confederações seria um feito. Seria bizarro deixar Alexis Sánchez ou Cristiano Ronaldo ou qualquer outro jogador fora de um momento importante na história do futebol destes países. Os olhos do mundo estão voltados para a Rússia.

Sim, é verdade que esses caras correm o risco de chegar com a língua de fora na Copa-2018, após vários anos sem férias ou sem pré-temporada bem feita. Mas… e daí? Para chilenos, mexicanos e portugueses, essa Copa das Confederações é histórica. E ganhá-la é uma possibilidade. A Alemanha escolheu compartilhar o favoritismo com os outros.

O que trouxe para o Brasil os títulos das Copas das Confederações de 2005, 2009 e 2013?

Será que foi a melhor estratégia expor suas qualidades e defeitos para o mundo inteiro ver? A de 2013 é até compreensível, pois a seleção tinha técnico novo, precisava montar time e jogava a competição em casa. Mas as outras…

Em 2005, Parreira até que deixou alguns poucos nomes fora daquela Copa das Confederações. Em 2009, Dunga foi com tudo. O fato é que o Brasil ganhou todas elas e perdeu todas as Copas do Mundo subsequentes. Já quando mandou o time Z, aquele do Leão, em 2001, se deu bem no ano seguinte.

A Alemanha tenta não cometer o erro do Brasil. Não quer se expor e não quer massacrar fisicamente seus jogadores mais importantes. Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Khedira, Ozil, Muller… ficam todos em casa. É a hora dos Kimmich, Brandt, Sule, Werner, Draxler.

Há países que vivem o dia a dia, a obrigação da vitória sempre a qualquer custo. E há países que planejam, entendem que derrotas fazem parte do jogo, mantêm estilo, base e vão fazendo transições pouco dramáticas. Alguns vivem da ruptura (e às vezes se dão bem com ela). Outros prezam pela estabilidade. Extrapole o futebol e muita coisa será explicada.

 


Depois das cenas horrorosas de Curitiba, por que temos futebol hoje?
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juliogomes

A cena da agressão de alguns ''torcedores'' do Coritiba a um homem caído no chão é de dar dor de barriga. Quer dizer, tem gente que gosta. Eu não. Não há nada mais horroroso que a violência humana. O que leva uma pessoa a dar seguidos pisões e chutes na cabeça de outro caído?

Não há briga de torcida ou ódio que se justifique. E está longe, muito longe de ser uma cena inédita.

Independente do que aconteça com o torcedor corintiano agredido. Ou quem começou. Independente de qualquer argumento. A pergunta que fica é: por que raios teve um jogo de futebol depois disso?

''Ah, Julio, não podem ser punidas milhares de pessoas por causa da imbecilidade de alguns''.

E eu respondo: sim, podem sim. Enquanto a sociedade continuar sendo conivente, seguiremos vendo cenas de violência em dias de futebol.

Porque as torcidas organizadas são (ou viraram ou sempre foram, sei lá) apenas instituições que encobrem crimes e criminosos.

Lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, vendas ilegais. Quem quiser cutucar, encontra de tudo. E pessoas violentas usam as torcidas para fazer o que gostam: machucar outros. Se uma pessoa resolver chutar a cabeça de outra na rua, possivelmente ela será presa e arcará com as consequências. Em um jogo de futebol, ou escondidos dentro de manadas, elas podem fazer o que querem sem consequência alguma. Tudo é colocado sob o guarda-chuva ''briga de torcidas''.

Como se fosse a paixão por um clube (ou o suposto ódio ao outro) que gerasse esse tipo de cena que vimos no domingo. Ou esta imagem clicada abaixo pelo amigo Leonardo Bessa.

Quantos dos animais de hoje estavam naquela batalha épica no gramado do Couto Pereira naquele Coritiba x Fluminense? E quantos dos corintianos dentro daqueles ônibus não estiveram envolvidos em algo parecido? Estamos falando de todos os clubes, de todas as torcidas-facções. Uma cena que se repete em looping.

É inacreditável que Coritiba e Corinthians tenham entrado em campo. Aliás, nada mais justo que um 0 a 0, porque não é possível que alguém pudesse comemorar alguma coisa hoje em Curitiba.

E é inacreditável que o resto da rodada seja realizado neste domingo.

Ah, mas tem o calendário. Ah, mas tem ingressos vendidos. Ah, mas pessoas viajaram para ver os jogos. Não importa. NÃO IMPORTA.

A sociedade precisa dar um basta. Os clubes, em sua maioria coniventes, parceiros ou, no mínimo, omissos em relações às facções autodenominadas torcidas organizadas, precisam criar vergonha na cara.

Jogos com torcida única, proibição de sinalizadores… estamos cansados de medidas paliativas e que nada resolvem. O poder público tem a obrigação de desmantelar as torcidas organizadas, inclusive cortar na carne, porque deve ter muito mais gente envolvida aí do que imaginamos – estou falando até de esferas públicas.

Em dias como hoje, não é possível ter futebol. Só medidas radicais, que incomodem muita gente, farão com que o problema seja realmente resolvido.


Brasileiro, ato 8: Santos e Flamengo podem virar “os perseguidores”
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juliogomes

É uma pena que o ciclismo não seja admirado aqui no Brasil, como é na Europa. É um esporte bacana, estratégico e de equipe. Não, não vence apenas o que pedalar mais forte. Quem já viu etapas do Tour de France entenderá o paralelo: Corinthians e Grêmio escaparam. E agora o pelotão que se vire.

Em algumas etapas, os ciclistas que escapam conseguem se manter na frente até o fim e disputam a vitória entre eles. Em outras, são alcançados (e atropelados) pelo pelotão.

Quem, do pelotão, pode alcançar a escapada?

Pelo desenho da tabela, o que fizeram ano passado e os jogadores que têm, Santos e Flamengo são os candidatos da vez.

O Santos claramente identificou problemas que acabaram na demissão de Dorival Jr. Depois disso, foram três vitórias seguidas. Com 12 pontos, o Santos é, dos candidatos reais a título, o mais próximo de Corinthians e Grêmio. Próximas quatro rodadas para o time de Levir Culpi: Ponte Preta (c), Vitória (f), Sport (c) e Atlético-GO (f).

Convenhamos, não dá para ser muito melhor do que isso. O Santos tem a chance de ganhar esses quatro jogos e somar sete vitórias seguidas.

Já o Flamengo, que está no pelotão dos 10 pontos, pode ter começado sua arrancada com a vitória ''sai zica'' sobre a Ponte Preta. E agora tem uma enorme quantidade de jogos sem ter de sair do Rio de Janeiro. A sequência nos próximos 35 dias: Fla-Flu, Chapecoense (c), Bahia (f), São Paulo (c), Vasco (f), Grêmio (c), Cruzeiro (f), Palmeiras (c), Coritiba (c). Uma viagem para Salvador e uma para BH.

Éverton Ribeiro e Rhodolfo logo podem estrear, Conca está de volta, Vinícius Jr está esquentando. Ou engrena agora ou não engrena mais.

Portanto, olho no jogo de sábado à noite no Pacaembu, onde o Santos soma 20 vitórias seguidas. E no Fla-Flu de domingo, um clássico que tem se inclinado para o Flamengo nos últimos dois anos. Vitórias necessárias para os dois se colocarem como desafiadores de Corinthians e Grêmio (ambos, por sinal, com jogos complicados na rodada).

Na rodada passada, acertei apenas 3 de 10 jogos. Mas não foram 6 por causa das arbitragens! Vejam que não são os clubes os únicos prejudicados pelos apitadores :-) Aqui vão os prognósticos e informações da oitava rodada.

SÁBADO

16h Atlético-GO 1 x 2 Atlético-PR
Após a vitória heróica em BH e a “zica” tirada, acredito que o Atlético Paranaense irá se impor sobre o Goiano. Até hoje, ganhou todos os cinco jogos entre eles em Brasileiros. Weverton volta da seleção, e Carlos Alberto pode atuar no segundo tempo.

19h Vasco 2 x 0 Avaí
Contra o pior ataque do campeonato, a defesa do Vasco, mais vazada até aqui, tem uma ótima chance de ficar sem levar gols pela primeira vez. Luis Fabiano volta ao time e é sempre promessa de gols. Nenê segue entre os titulares. Pela Série B, São Januário já viu um 0-0 (2016) e o Vasco levar um histórico 0-5 contra o Avaí (2014). Mas desta vez o jogo é de Série A, e o Vasco tem cumprido sua missão em casa.

21h Santos 2 x 0 Ponte Preta
O Santos não perde há três anos e ganhou os últimos 20 jogos que fez no Pacaembu – inclusive contra a Ponte nas quartas de final do Paulista, mas acabaria sendo eliminado nos pênaltis. Como mandante, o Santos não perde da Ponte há 12 anos (12 jogos, 9 vitorias). Depois da saída de Dorival Jr e com Vanderlei em grande momento, o Santos venceu as três e não levou um gol sequer. Kayke segue no ataque, no lugar de Ricardo Oliveira. Já a Ponte não mostra, fora de casa, a mesma consistência dos jogos em Campinas. Kleina conta com os retornos de Emerson Sheik, Fernando Bob e Rodrigo e vai mudar meio time em relação ao jogo contra o Flamengo. Santos é favorito.

DOMINGO

11h Coritiba 0 x 1 Corinthians
De 2004 para cá, o Coxa só ganhou 1 de 18 jogos contra o Corinthians – em casa, quatro empates e quatro derrotas nas últimas nove. A tal vitória única veio em 2011. Freguesia à parte, estamos falando do líder do campeonato, em grande fase e com os reforços de Fágner e Rodriguinho, que estavam com a seleção. Jadson é o desfalque, assim Marquinhos Gabriel segue no time. O Coritiba não terá Kléber, o Gladiador-Socador-Cuspidor. Difícil não apostar no Corinthians, ainda que um empate seja também um resultado plausível.

16h Fluminense 1 x 3 Flamengo
Lá se vão dois anos desde a última vitória do Flu sobre o Fla no Rio de Janeiro (a do ano passado foi em Natal). O Flamengo tem se dado melhor no clássico mais famoso do Brasil e conta com Guerrero e Trauco de volta. É o jogo para provar que a crise é passado e embalar no campeonato.

16h São Paulo 1 x 0 Atlético-MG
Apenas 1 empate nos últimos 22 jogos entre eles. Nos últimos 10 anos, o São Paulo ganhou nove e perdeu quatro em casa contra o Galo. Cazares e Fred voltam ao time mineiro. Já Rogério Ceni conta com reforços: Rodrigo Caio e Cueva voltam de suas seleções e vários lesionados estão recuperados, como Bruno, Buffarini e Thiago Mendes. São Paulo tem sido forte em casa, Galo pode ver crise aprofundada.

16h Bahia 0 x 1 Palmeiras
Palmeiras perdeu os quatro jogos que fez como visitante, sem marcar um gol sequer. Time que quer ser campeão precisa ganhar pontos fora de casa. Última vitória do Bahia sobre o Palmeiras em Salvador foi em 1988. É um confronto curioso, em que raramente o mandante sai vencedor.

16h Chapecoense 2 x 1 Botafogo
Eu me rendo! Chega de apostar contra a Chape. Ainda mais contra um Botafogo desgastado, que não vence há cinco jogos e que, fora do Rio de Janeiro, não ganha há dois meses. E que perdeu nas duas visitas que fez à Arena Condá.

19h Sport 2 x 0 Vitória
O Sport tem a volta de Diego Souza, animado com os dois gols com a camisa da seleção e a possibilidade de ir à Copa do Mundo. Típico confronto em que geralmente o mandante prevalece.

SEGUNDA

20h Cruzeiro 1 x 1 Grêmio
Uma vitória em cinco jogos, com apenas dois gols marcados, um deles de pênalti. É um Cruzeiro em má fase de resultados contra um Grêmio voando no campeonato. O desenho do jogo será possivelmente do Grêmio com a posse de bola e o Cruzeiro, mesmo em casa, tentando fazer o que fez contra o Corinthians. Defender e contra atacar. No ano passado, pela Copa do Brasil, o Grêmio quebrou um jejum de 18 anos sem vencer o Cruzeiro no Mineirão.

 


Grêmio e Corinthians viram, de vez, os times a serem batidos
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juliogomes

Grêmio e Corinthians superaram com louvor a rodada mais complicada para ambos no Brasileiro até agora. Nas duas primeiras colocações, apresentando muita consistência, bom futebol e já com gordura para o resto da turma, viraram definitivamente os times a serem batidos no campeonato.

Nesta noite de quinta, o Grêmio venceu o Fluminense por 2 a 0, no Maracanã. Jogava melhor quando fez o primeiro, um golaço de falta de Edílson. Foi ameaçado no resto do primeiro tempo, quando o Flu poderia ter conseguido o empate. Mas, no segundo, dominou completamente a partida. Não teve a vitória ameaçada em momento algum e chegou ao segundo com Luan. Ficou até barato para o time de Abelão Braga.

Mesmo sem Barrios, o time funciona muito bem com a movimentação de Luan e Pedro Rocha e o alto volume de jogo no meio de campo com Arthur, Maicon, Michel e Ramiro. Muita aproximação e organização.

O Grêmio ganhou seis jogos e perdeu um, quando mandou o time reserva para a Ilha do Retiro. Se considerarmos as circunstâncias, momento dos adversários e outros fatores, o jogo desta quinta era o mais complicado até agora. O Fluminense tem desfalques, é verdade, mas jogava em casa e não havia passado em branco em nenhum jogo do Brasileiro até agora.

Agora, o Grêmio começa a enfrentar adversários duros em sequência: Cruzeiro (fora), Coritiba (casa), Corinthians (casa) e Palmeiras (fora). Depois destes quatro jogos, vem o duelo de ida contra o Godoy Cruz pela Libertadores.

Essa sequência mostrará o tamanho da chance gremista de conquistar um título brasileiro que não vem desde 1996.

O Corinthians enfrentou adversários, na teoria, mais complicados que o Grêmio. Mas é preciso contextualizar: os clássicos contra Santos e São Paulo foram disputados em Itaquera – até agora, todos os clássicos paulistas de torcida única tiveram vitórias do mandante; o Santos estava em crise e demitiu Dorival Jr após a partida; e o São Paulo não é um time de topo de tabela, não está pronto.

O grande desafio foi mesmo contra o Cruzeiro, e o próprio técnico Fábio Carille admitiu isso. O Corinthians passou perto de sofrer o empate do time de Mano Menezes, e talvez esse fosse mesmo o resultado mais justo. Mano soube dificultar a vida do Corinthians, foi um duelo por cada metro do gramado.

Mas o fato é que a equipe ganhou a sexta seguida e é líder isolada do Brasileiro. E agora enfrenta Coritiba (fora) e Bahia (casa), podendo chegar até com gordura para o duelo direto contra o Grêmio, em Porto Alegre, daqui a 10 dias.

Quem poderá disputar o título com Corinthians e Grêmio?

Não dá para imaginar que Coritiba (terceiro) e Chapecoense (quarta) farão isso. O Santos, em quinto (12 pontos), tem sete pontos a menos que o líder e seis que o Grêmio. Na turma de 10 pontos, quem desponta com chances reais de título é o Flamengo. O Palmeiras é o 15o, com 7 pontos – 12 a menos que o Corinthians. E do Atlético Mineiro nem vale mais falar, porque faltam pontos e também futebol.

O Corinthians está definitivamente na briga pelo título. O Grêmio, veremos nas próximas quatro rodadas. E a coisa já vai afunilando. Não olhe agora, mas quase 20% do campeonato já é passado.

 

 


Palmeiras e Eduardo Baptista podem se reencontrar na Libertadores
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juliogomes

O sorteio da fase de mata-mata da Copa Libertadores da América colocou frente a frente Santos e Atlético Paranaense, no único confronto doméstico da fase de oitavas de final. Outros duelos entre brasileiros podem ocorrer nas quartas e nas semifinais. Um deles entre Palmeiras e Eduardo Baptista.

Para que ocorra o reencontro, o Palmeiras precisa passar pelo Barcelona de Guayaquil e o Atlético-PR, hoje treinado por Baptista, pelo Santos.

Após o título brasileiro e a decisão de Cuca de dar um tempo com o futebol para resolver problemas familiares, o Palmeiras anunciou a contratação de Baptista, um técnico novo e ainda sem conquistas de peso no cenário nacional. O casamento durou menos de seis meses.

O anúncio pareceu ter menos a ver com desempenho ou com a derrota para o Jorge Wilstermann, na Bolívia, pela Libertadores, e mais com a informação de que Cuca estava novamente disponível no mercado. Ficou claro que Baptista era um técnico tampão, até que Cuca voltasse.

Com ele, o Palmeiras foi eliminado do Paulistão pela Ponte Preta, na semifinal, e ficou praticamente classificado na Libertadores – apesar de os resultados terem vindo de forma dramática. Foram 14 vitórias, 4 empates e 5 derrotas (aproveitamento de 66,7%).

Desde o retorno de Cuca, o clube soma 4 vitórias, 1 empate e as mesmas 5 derrotas em um período de pouco mais de um mês (43,3% de aproveitamento). Já o Atlético-PR, desde a chegada de Baptista, 20 dias atrás, ganhou 2, empatou 2 e perdeu 2 (44,4%).

Os dois times também estão vivos na Copa do Brasil. E podem se enfrentar nas semifinais, caso o Atlético-PR passe pelo Grêmio e o Palmeiras elimine o Cruzeiro nas quartas.

Histórico

Antes de pensar em um possível reencontro com o Palmeiras, Eduardo Baptista precisará levar o Atlético-PR a uma classificação diante do Santos nas oitavas da Libertadores.

Os dois times se enfrentaram no último fim de semana, pelo Brasileiro, e o Santos ganhou por 2 a 0 na Arena da Baixada – onde, por sinal, só perdeu uma vez nas últimas quatro visitas. O Santos venceu os últimos 10 jogos que fez como mandante contra o Atlético-PR.

A última derrota para o adversário na Vila Belmiro veio justamente em um jogo de Libertadores, em 2005. Naquela ocasião, os times se enfrentaram nas quartas de final. O Atlético-PR venceu a partida de ida por 3 a 2. Sem Robinho e Léo, convocados pela seleção para a Copa das Confederações, o Santos perdeu o jogo de volta por 2 a 0, na Vila – o Atlético-PR seguiria até a final, onde perderia para o São Paulo.

Contra o Palmeiras, o Atlético-PR tem a lembrança de ter passado pelo rival no mata-mata da Copa do Brasil de 2013, mas foi eliminado em 2010 e 2012. Em casa, o time paranaense ganhou só um dos últimos seis jogos que fez com o Palmeiras. Nos últimos dez anos, foram dez jogos e sete empates entre eles em Curitiba. No mesmo período, em dez jogos com mando palmeirense, foram oito vitórias dos paulistas.

Caso o Santos passe pelo Atlético-PR e enfrente o Palmeiras na Libertadores nas quartas de final, seria mais um duelo decisivo entre dois clubes que sempre tiveram a rivalidade menos quente entre os grandes de São Paulo. Mas que, após décadas sem se enfrentarem em finais, passaram a protagonizar desde 2015 duelos emocionantes pelo Paulistão e Copa do Brasil.

Nesta quarta à noite, o Santos estreou o técnico Levir Culpi ganhando por 1 a 0 do Palmeiras pelo Brasileirão, na Vila. Foi a terceira vitória seguida desde a demissão de Dorival Júnior.

Sempre é bom lembrar que as oitavas de final da Libertadores só serão disputadas em julho e, antes de pensar em enfrentar Santos ou Atlético-PR, o Palmeiras terá de passar pelo duro duelo contra o Barcelona equatoriano.

Outro possível duelo brasileiro

Do mesmo lado da chave, estão outros dois clubes brasileiros: Grêmio e Botafogo. Ou seja, são cinco brasileiros entre oito times, o que torna a presença de um deles na final algo bem provável.

O Grêmio, devido à campanha na primeira fase, decide em casa todos os duelos nesta chave até a decisão. Nas oitavas de final, terá um duelo complicado contra o argentino Godoy Cruz, melhor segundo colocado da fase de grupos. Será outro confronto inédito entre os clubes, com primeiro jogo em Mendoza e volta em Porto Alegre.

Quem passar, irá enfrentar nas quartas de final o classificado do confronto entre Botafogo e Nacional do Uruguai, mais um confronto inédito. O Nacional não vive o melhor momento de sua história, mas já ganhou a Libertadores três vezes – a última, em 1988.

Grêmio e Botafogo já se enfrentaram na atual edição do Brasileiro, logo na primeira rodada, com vitória gremista por 2 a 0.

A única possibilidade de haver uma final brasileira na Libertadores depende do Atlético Mineiro sair vencedor de seus confrontos de oitavas, quartas e semi no outro lado da chave.

O Galo, que vive péssimo momento na temporada e perdeu mais uma no Brasileiro, ocupando a zona de rebaixamento, pelo menos foi o que acabou sorteado contra o rival menos duro na competição sul-americana. Enfrenta o Jorge Wilstermann, da Bolívia.

Se passar, nas quartas de final o Atlético Mineiro enfrentará ou o temido River Plate ou o Guaraní paraguaio. Em qualquer caso, o confronto também seria inédito, assim como contra o Wilstermann.

Se chegar à semifinal, o Galo enfrentará quem sair do quadrante que tem San Lorenzo-ARG, Emelec-EQU, Lanús-ARG e The Strongest-BOL.