Blog do Júlio Gomes

Real Madrid é segundo, e megaconfronto está quase garantido na Champions
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O Real Madrid fez a parte dele. Foi ao Chipre e meteu 6 a 0 no APOEL, um desses figurantes da Liga dos Campeões da Europa. Só que o Tottenham, que no ano passado foi uma das decepções na Champions, não está para brincadeira. Virou e ganhou por 2 a 1 do Borussia, em Dortmund, e garantiu a primeira posição do grupo H com uma rodada de antecipação.

A diferença entre Tottenham e Real é de três pontos, mas os ingleses têm a vantagem do desempate no confronto direto contra o espanhóis (uma vitória e um empate). O Real, como segundo colocado, dificilmente fugirá de um megaconfronto nas oitavas de final. O sorteio será realizado ao final da fase de grupos.

O Real não poderá enfrentar nem Tottenham nem algum time espanhol (Barcelona ou Sevilla). Quem sobra? Atenção:

Manchester United. PSG. Liverpool. Manchester City. Chelsea ou Roma. Besiktas.

United e PSG não garantiram ainda a primeira posição, devem fazê-lo nesta quarta. O Liverpool depende de uma vitória na última rodada para ser primeiro. Chelsea e Roma ainda decidem a primeira posição do grupo C, com favoritismo para o Chelsea. Manchester City e Besiktas são primeiros matematicamente.

 

Imaginem só. Real x PSG? Real x City? Real x United? Logo nas oitavas? Uau.

Pode ser um Real x Liverpool também. Mas antes o Liverpool vai precisar levantar a cabeça. Os Reds venciam o Sevilla por 3 a 0 no intervalo, fora de casa, e cederam o 3 a 3. Lembram daquela final de Istambul, contra o Milan, em 2005? Pois é. Há raios que caem no mesmo lugar, se o lugar for o Liverpool Football Club.

O Liverpool lidera o grupo E com 9 pontos, o Sevilla tem 8 e o Spartak Moscou tem 6. Sorte de Liverpool e Sevilla que o Spartak só empatou em casa com o fraco Maribor, levando gol nos acréscimos.

Na última rodada, jogam Liverpool x Spartak e Maribor x Sevilla. É verdade que uma vitória garante o Liverpool em primeiro, mas uma derrota irá eliminar o time inglês – ao Spartak, basta uma vitória simples para entrar.

Se Chelsea e Liverpool mantiverem o favoritismo, a chance será de 66,7% de o Real Madrid enfrentar um gigante inglês nas oitavas. Se for um deles, vai ser o PSG. Ou o Besiktas.

Sensação turca

Pepe, Medel, Adriano (ex-Barça), Quaresma, Negredo, Babel. Todos jogadores rodados, experientes, de quem você já ouviu falar, já viu algumas partidas. Eles estão todos nos mesmo time, o Besiktas, bicampeão turco. Um time com experiência e bola, comandado por um dos grandes treinadores turcos da história, Senol Gunes, que levou seu país ao terceiro lugar na Copa-2002. O toque de talento vem dos pés de Talisca.

O Besiktas garantiu nesta terça, com uma rodada de antecipação, a primeira colocação no grupo G, possivelmente o mais encardido desta fase da Liga dos Campeões da Europa. Um grupo com o Porto, líder em Portugal e com muita história no torneio, com o Monaco, campeão francês e semifinalista europeu, e com o RB Leipzig, vice-campeão alemão e atual vice-líder da Bundesliga.

Sim, todos vão querer pegar o Besiktas nas oitavas de final. Vai ser o rival predileto dos segundos colocados no dia do sorteio. É plausível querer enfrentar o Besiktas. Mas daí a achar que vai ser fácil…

Não sabemos como o campeão turco estará em fevereiro. Mas ele ameaça ser o Monaco dessa temporada. A sensação, aquele time em quem ninguém apostava uma ficha sequer.

Por falar em Monaco…

A decepção total foi consumada com a goleada sofrida nesta terça, em casa. 4 a 1 para o Leipzig. Foi uma noite trágica para o ótimo zagueiro Jemerson, convocado por Tite para os últimos amistoso da seleção. O primeiro gol foi dele, contra. E o segundo foi uma entregada monumental de Jemerson para o ataque do Leipzig resolver.

O Monaco está eliminado da Champions e até da Europa League. Só sobra o Campeonato Francês. Se quiser ter qualquer chance de bicampeonato, precisa ganhar o clássico contra o PSG, domingo, e diminuir a diferença para três pontos.

Quem também decepcionou na Champions foi o Borussia Dortmund, que está desabando na Bundesliga e hoje levou a virada do Tottenham. O que prometia ser o ''grupo da morte'' foi um passeio para Tottenham e Real Madrid. O Borussia fez apenas dois pontos em cinco jogos.

Napoli depende de Guardiola

O Napoli, líder da Série A italiana e um dos times mais legais da temporada, fez sua parte. Meteu 3 a 0 no Shakhtar Donetsk. O problema é que a ordem dos jogos faz o Napoli depender do Manchester City em uma hora, digamos, não ideal.

Para entrar, o Napoli terá de vencer o Feyenoord – que perdeu todas -, na Holanda, e torcer para que o City vença o Shakhtar na Ucrânia. O problema é que o City já está garantido e em primeiro lugar, e o jogo na Ucrânia será sob muito frio e já perto da tradicional maratona de jogos a que os times são submetidos na Inglaterra, no fim do ano.

Guardiola vai levar o que tem de melhor ajudar o Napoli, que ele tanto elogiou? Veremos.

 


Rhodolfo e Vizeu precisam ser punidos exemplarmente
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Aqui no Brasil, estamos acostumados a achar que no futebol vale tudo. Não é nem só no profissional, não. É no próprio futsal ou society semanal entre amigos.

A frase que consagra o ''vale tudo'' é essa aqui: ''o que acontece no campo, fica no campo''. A historinha do ''código de ética'' próprio do esporte. Podemos nos agredir à vontade dentro das quatro linhas, depois vamos tomar uma cerveja, como amigos que somos.

Claro que tais ''convenções'' não levam em conta pessoas que não gostam de passar por agressões morais constantes ou crianças que não querem lidar com tal nível de agressividade para poder praticar o esporte. Claro que quem tenta lutar contra as convenções é acusado de estar de mimimi.

Há uma tentativa, por parte de técnico, torcedores e dos envolvidos, de ressaltar o ''lado bom'' do atrito entre Rhodolfo e Vizeu na vitória do Flamengo sobre o Corinthians, ontem. OK, é compreensível.

Mas não é aceitável.

O lado bom seria a demonstração de um time com caráter e fome de ganhar.

Um jogo de futebol não pode ser uma bolha dissociada da sociedade. Uma espécie de jaula da morte, no melhor estilo Mad Max. Não podemos nos esquecer que um jogo de futebol é visto por parcela importante da sociedade. Que jogadores são copiados por crianças. Todas as atitudes, as boas e as más.

O futebol é tão poderoso que ele não é apenas reflexo da sociedade em que está inserido, mas também influencia e é copiado pela própria sociedade.

A quantidade de ofensas proferidas entre atletas, entre atletas e árbitros e das arquibancadas para o campo é completamente desproporcional. Xinga-se e ofende-se com a mesma naturalidade que se toma água. Isso sem contar a contestação ostensiva a cada decisão dos árbitros.

Que lições o futebol brasileiro tem passado à nossa já combalida sociedade?

OK, não irei mudar o mundo, infelizmente. Jogadores, profissionais ou amadores, continuarão se xingando, como Rhodolfo e Vizeu se xingaram neste domingo.

Só que é importante ressaltar que eles foram além. Uma cobrança normal de Rhodolfo por um erro de posicionamento de Vizeu virou um bate boca entre eles. Ato seguido, o zagueiro desferiu um soco no jovem atacante. Parecia transtornado, companheiros tiveram dificuldades para segurá-lo. Segundos depois, Vizeu fez o terceiro gol do Flamengo e mandou um dedo do meio para Rhodolfo que atravessou o campo inteiro e que certamente atravessará todos os oceanos e será mostrado em todos os programas esportivos do mundo.

Afinal, não é todo dia que vemos um atacante comemorar seu gol mandando um dedo do meio para um colega de equipe. Ainda mais no clube mais popular do ''país do futebol''.

Transfiram a cena para o escritório de uma financeira ultracompetitiva. Pode ser normal ver dois profissionais se cobrarem em um momento tenso da vida profissional. Mas e se xingarem? E se agredirem verbalmente e fisicamente? Você acharia normal?

Depois do jogo, os dois apareceram juntos para uma entrevista no estilo paz e amor. Rhodolfo não parecia entender o tamanho de seu erro (o soco) e não parecia ter engolido muito o tal dedo do meio. Foi impressão minha e de outros colegas que acompanharam a entrevista. Vizeu assumiu o discurso do ''jovem impetuoso'', ''ainda estou aprendendo'', etc. Quase assumiu a culpa. Uma culpa que ele tem, sem dúvida, mas que não se compara à culpa de quem desfere um soco em um companheiro de trabalho – e de time.

De qualquer forma, Vizeu só aprendeu aos 20 anos de idade que não se faz o que ele fez. E quantos meninos e meninas terão ''aprendido'' a ver agressões e xingamentos e considerar tudo isso normal? Ainda mais se eles ligarem a TV de noite e verem tanta gente minimizando o acontecido. ''É tudo do jogo, só exageraram um pouquinho''. Oras.

Sei que muito torcedores gostaram de ver jogadores do seu time se pegando, principalmente por ser, o Flamengo, um time acusado de ''falta de raça'' e também porque deu certo – ninguém foi expulso e o jogo foi ganho.

Não quero posar de falso moralista e sei que a tensão faz parte do jogo. Mas não dá para aceitar o que aconteceu na Ilha do Urubu, que acabe em um abraço e fique tudo para trás.

Diretoria do Flamengo e tribunais esportivos precisam tomar medidas duras, duríssimas, para o que aconteceu não se repita mais e sirva de exemplo. Mesmo que eles, os cartolas e juízes, não acreditem no que estiverem fazendo.


Sábado perfeito para Barcelona, PSG e outros líderes das ligas europeias
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A rodada da Liga dos Campeões da Europa, semana que vem, gerou um super sábado no retorno dos campeonatos europeus, com praticamente todas as grandes forças do continente em ação.

O dia começou com um dérbi londrino, teve um romano durante a tarde e acabou com um dérbi madrilenho. Nenhuma zebra apareceu, o que é raro após as paradas para jogos de seleções (que geram perda de ritmo, lesionados, etc). Manchester City, Barcelona, Bayern de Munique, PSG e Napoli tiveram vitórias importantes e estão mais do que consolidados na liderança das cinco principais ligas.

City e Barcelona ganharam 11 de 12 jogos, enquanto PSG e Napoli ganharam 11 de 13. Estão invictos.

Espanha

O Barça, sem muitos problemas, passou pelo fraco Leganés, com dois gols de Suárez, quebrando uma seca incômoda, e um de Paulinho, que havia entrado no segundo tempo. A impressão é que o titular da seleção faz gol em todos os jogos do Barça! Já são quatro na Liga.

O Barcelona é, na visão deste blog e de acordo com as previsões feitas antes do início da temporada, a grande surpresa. São 11 vitórias e 1 empate em 12 jogos, uma campanha impressionante que nem os melhores Barças de anos atrás conseguiram.

Com 34 pontos, o Barça tem como perseguidor mais próximo o surpreendente Valencia, que tem 27 pontos e pode chegar a 30 se vencer o Espanyol, neste domingo. No fim de semana que vem tem Valencia x Barcelona, e Piqué desfalcará o time catalão.

Real Madrid e Atlético de Madri fizeram um dérbi muito intenso, bem jogado, mas não saíram do 0 a 0 no lindo estádio Wanda Metropolitano, que recebeu o primeiro clássico da cidade. Os dois já estão dez pontos atrás do líder.

Desde a inauguração do estádio, o Atlético ganhou as duas primeiras e depois colecionou uma derrota e, agora, quatro empates seguidos. Os resultados na nova casa estão sendo tão ruins que o time já está virtualmente eliminado na Champions League e ficou para trás no Espanhol. Está invicto na Liga, mas são seis vitórias e sete (muitos) empates.

O Real Madrid, bicampeão europeu, é inegavelmente uma das decepções da temporada. O time não demonstra a mesma fome e muito menos a mesma bola, fala-se em uma crise de relacionamento entre Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo e parece claro que o elenco está mais fraco – o que permite menos alternativas a Zidane.

O Real teve algumas chances contra o Atlético, até poderia ter vencido pelo segundo tempo que fez. Mas não foi um time com a urgência da vitória, como se esperava. Como tirar dez pontos de desvantagem para o Barcelona, em uma liga desequilibrada como a espanhola?

Itália

O Napoli parece decidido a ganhar seu primeiro título desde 1990, quando era o time de Maradona. No clássico que fechou o sábado, fez 2 a 0 em cima do Milan.

Ao contrário do Barcelona, do City, do PSG e do Bayern, no entanto, ainda não tem grande vantagem, pois a Série A está muito equilibrada. São 35 pontos, contra 31 da Juventus e 30 de Roma e Inter, todos estes com um jogo a menos. Juve e Inter entram em campo no domingo.

Já a Roma venceu bem o dérbi da capital contra a Lazio, 2 a 1. Fez um grande primeiro tempo, abriu 2 a 0 no segundo e depois sofreu, mas garantiu a vitória. A Roma, de técnico novo, é uma das surpresas da temporada, mantendo altíssimo nível dos tempos de Spalletti – hoje técnico da Inter.

Inglaterra

Na Premier League, o Manchester City deu mais uma demonstração de força ao fazer 2 a 0 no Leicester, fora de casa. O time voltou a jogar bem, dominar completamente as ações. O City é um ''vendaval'' para cima dos adversários. Ataca por todos os lados, de todos os jeitos, com muita gente chegando de trás e muita qualidade.

Guardiola gerou interrogações em algumas cabeças incrédulas depois de um primeiro ano meia boca no City e de três anos sem chegar à final europeia com o Bayern. Parece que muitas das dúvidas estarão dissipadas antes mesmo no Natal.

O City faz uma campanha histórica, com 11 vitórias em 12 jogos, 40 gols marcados. Um escândalo. São 8 pontos de vantagem para o United, 9 para o Chelsea, 11 para o Tottenham, 12 para Arsenal e Liverpool.

Na rodada inglesa, Manchester United, Chelsea e Liverpool ganharam bem, e o Arsenal fez uma grandíssima partida contra o rival Tottenham, vencendo por 2 a 0. O Tottenham, naturalmente, foi o grande derrotado do super sábado. É verdade que o primeiro gol do Arsenal saiu de uma jogada que deveria ter sido invalidada, mas tal foi o domínio que parece uma bobagem falar de arbitragem.

Gabriel Jesus fez o primeiro do City, Philippe Coutinho fez o terceiro dos 3 a 0 do Liverpool sobre o Southampton, e, no jogo do United, duas grandes notícias. Pogba voltou ao time e fez a jogada do empate, quando o time perdia para o Newcastle, e ainda marcou o terceiro gol, que praticamente matou o jogo – seria 4 a 1. A outra grande notícia foi a volta de Ibrahimovic, após mais de seis meses longe dos gramados.

Bundesliga e Ligue 1

Na Alemanha, o Bayern chegou à sétima vitória em oito jogos desde o retorno de Jupp Heynckes ao banco de reservas. O reencontro é sucesso absoluto, e o Bayern volta a ganhar corpo como uma das forças da Europa.

Com a derrota – mais uma – do Borussia Dortmund, sexta, e o empate do RB Leipzig em Leverkusen, neste sábado, o Bayern já abre seis pontos para o Leipzig na liderança. O caminho para o inédito hexacampeonato já está bem pavimentado.

Na França, Neymar fez um jogo sem muita graça. Ficou apagado na goleada de 4 a 1 do PSG sobre o Nantes, um adversário perigoso e bem treinador por Claudio Ranieri.

Cavani abriu o placar aos 37min, quando o PSG nada tinha feito em campo. Os outro gols saíram todas de lambanças bizarras do adversário, o que mostra o desnível entre a liga francesa e outras mais potentes. Com mais um tropeço do Monaco, na sexta-feira, agora a distância entre eles é de seis pontos.

No domingo que vem, haverá o aguardado duelo entre Monaco e PSG. Além de estar jogando mal, o Monaco enfrentará um time que ganhou 11 e empatou 2 até agora, campanha inferior somente à do City na Inglaterra.

 

 


Sete momentos que definiram o sétimo título brasileiro do Corinthians
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juliogomes

O Corinthians chegou ao heptacampeonato brasileiro com a vitória sobre o Fluminense, nesta quarta-feira. Abaixo, o blog preparou uma lista com o que considera os sete momentos-chave do título corintiano, que chega com três rodadas de antecipação.

1. Rodada 5: Vasco 2-5 Corinthians

Corinthians assume a liderança para não mais perder. Mesmo após o título paulista, o time ainda não inspirava confiança. Havia jogado mal nas rodadas iniciais, com vitórias magras, e chegava a São Januário (onde o Vasco tinha vencido seus dois jogos e mostrava força) sem três titulares por causa da data Fifa. Abriu 2 a 0, levou o 2 a 2 e ainda assim buscou a goleada. Marquinhos Gabriel, um reserva, brilhou. O Corinthians mostrava que não era fogo de palha.

2. Rodada 10: Grêmio 0-1 Corinthians

Os dois times já estavam bem na frente da concorrência, ganhando todos os jogos, e o Grêmio atuava em casa, podendo assumir a ponta. Contra o clube que mais venceu o Corinthians na história dos Brasileiros e diante de 54 mil pessoas, o time de Carille fez uma ótima partida. Anulou o Grêmio, fez 1-0 e Cássio defendeu um pênalti de Luan no final. O Corinthians abria vantagem de quatro pontos (nunca mais baixou disso).

3. Rodada 13: Palmeiras 0-2 Corinthians

O grande jogo de Guilherme Arana no campeonato, quebrando uma invencibilidade do Palmeiras de um ano no Allianz Parque. Corinthians acabava a rodada a 10 pontos do Grêmio, a 12 de Santos e Flamengo e a 16 do Palmeiras.

4. Rodada 17: Corinthians 1-1 Flamengo

Time já começava a dar alguns sinais da perda de rendimento que ocorreria no segundo turno. O Flamengo crescia e ainda parecia ser um time capaz de caçar o líder. Corinthians foi bem melhor no primeiro tempo, acabou fazendo o 1 a 0 com  Jô – após um gol mal anulado dele mesmo por impedimento. No segundo tempo, Flamengo foi superior, empatou e Diego perdeu um gol feito, que seria o da virada e poderia ter mexido com o campeonato.

5. Rodada 25: São Paulo 1-1 Corinthians

O Corinthians começou o segundo turno com três derrotas (encerrando uma série invicta inacreditável de 34 partidas), uma vitória em Chapecó aos 45 do segundo tempo e uma vitória sobre o Vasco com gol de mão de Jô. Foi, então, eliminado da Sul-Americana pelo Racing. A crise técnica já estava clara e chegou o clássico contra o São Paulo, que estava afundado na zona de rebaixamento e precisava da vitória. O jogo foi importante porque marcou o surgimento de Clayson, que fez o gol de empate, ganhou muito espaço, foi fundamental no returno e assumiria a titularidade na reta final do campeonato.

6. Rodada 31: Ponte Preta 1-0 Corinthians

A derrota em Campinas marcou o pior momento do Corinthians no ano. O time completava quatro jogos sem vitórias e somava 12 pontos em 12 jogos no returno. O medo de perder um campeonato ganho tomava conta do clube. O jogo teve um momento crucial: às vésperas do dérbi com o Palmeiras e com muitos pendurados, o Corinthians podia ter perdido Jô, que agrediu o zagueiro Rodrigo, da Ponte. O juiz não mostrou amarelo nem vermelho, e Jô pôde jogar e ser decisivo contra o Palmeiras (só seria suspenso duas rodadas depois). Outro fato importante gerado pela derrota em Campinas: Carille entendeu que precisava mudar o time, e Clayson e Camacho ganharam a titularidade, substituindo Jadson e Maycon.

7. Rodada 32: Corinthians 3-2 Palmeiras

O jogo do título – e da selfie de Romero, claro. Depois de tantas derrotas, o Corinthians tinha sua enorme vantagem reduzida a apenas 5 pontinhos. Mas o time respondeu na hora certa, da melhor forma possível e contra o melhor rival possível. Fez seu melhor jogo no campeonato, ganhou do Palmeiras, reconquistou toda a confiança perdida em apenas 90 minutos, voltou a abrir vantagem e ganhou todos os jogos depois daquele, consumando o hepta. Os jogos seguintes tiveram o pênalti defendido por Walter e o gol de Giovanni Augusto, contra o Atlético-PR, o improvável gol de Kazim sobre o Avaí e a virada, a única em todo o campeonato, sobre o Fluminense. Mas tudo isso foi decorrência da vitória no dérbi, que recolocou as coisas nos trilhos.

 


Brasileiro, ato 35: jogos cruciais ofuscados pela festa corintiana
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juliogomes

O Corinthians tem, nesta quarta, o primeiro match point, para consumar o heptacampeonato nacional. Basta ganhar do Fluminense e será campeão com três rodadas de antecipação.

O jogo não é nenhuma barbada, até porque o Corinthians não ganhou fácil de ninguém ao longo do campeonato. O Fluminense, muito instável, é capaz de tudo e de nada e ainda não está totalmente livre da ameaça de rebaixamento. A festa que está sendo preparada em Itaquera ofusca jogos importantíssimos desta quarta-feira.

Ponte Preta e Avaí jogam a vida. Se não vencerem Atlético-PR e Cruzeiro, respectivamente, estarão virtualmente rebaixados para a segunda divisão.

O Grêmio mandará os titulares a campo para um teste final antes da Libertadores contra um São Paulo que ainda sonha estar na competição continental do ano que vem. Mesmo caso de Vasco e Atlético, que se enfrentam em São Januário.

Os olhos estarão voltados para Itaquera, mas muita coisa estará em jogo neste feriado em outros quatro campos do país.

Aqui vão informações, prognósticos e dicas de aposta dos jogos de quarta-feira:

17h Ponte Preta x Atlético-PR (Moisés Lucarelli)
Turno: 0-2 Ponte
Colocação: 18-Ponte (36), 12-CAP (45)
Prognóstico: 0-2 Atlético
Aposta: alguém passa em branco
A vitória sobre o Botafogo, fora, afastou de vez o Atlético-PR da luta contra o rebaixamento – e, como consequência, reacendeu esperança de Libertadores. A Ponte também saiu relativamente feliz da última rodada, pois perder para o Coritiba teria sido o caos. Mas o campeonato vai chegando ao fim e, se não vencer os últimos dois jogos que fizer em casa (este contra o Atlético e na penúltima rodada, contra o Vitória, a Ponte fatalmente cairá). O time só tem três gol marcados nos últimos seis jogos e ganhou duas de dez partidas com Eduardo Baptista. O técnico vai repetir o time, novamente sem Sheik e agora com Cajá no banco. Curiosamente, um duelo com pouquíssimos empates até hoje – só 2 nos últimos 23 confrontos. O jogo do primeiro turno marcou a única vitória da Ponte fora de Campinas neste campeonato.

19h30 Cruzeiro x Avaí (Mineirão)
Turno: Avaí 1-0
Colocação: 5-Cruzeiro (54), 19-Avaí (35)
Prognóstico: Cruzeiro 1-0
Aposta: alguém passa em branco
O Avaí enfrenta três dos cinco primeiros colocados nas últimas quatro rodadas e, apesar do belo esforço da diretoria e de ter mantido o técnico durante o campeonato todo, parece condenado. O time que menos fez gols no campeonato precisa vencer praticamente todos os jogos restantes para se salvar, começando pelo Cruzeiro, a quem venceu pela primeira vez na história no jogo do turno. O Cruzeiro, que vendeu Diogo Barbosa ao Palmeiras e tem quatro mudanças em relação ao time que venceu o Flu, é o líder do returno.

19h30 Grêmio x São Paulo (Arena)
Turno: 1-1
Colocação: 2-Grêmio (58), 11-SPFC (45)
Prognóstico: Grêmio 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
É o último jogo do Grêmio com o time titular, um teste final a uma semana da primeira partida decisiva da Libertadores, contra o Lanús. O São Paulo vai de Araruna na lateral e Maicosuel no meio – Cueva segue com o Peru e, sem o meia, o São Paulo só empatou os últimos dois jogos. Apesar da grande arrancada no segundo turno e sonhar com boa posição, para quem sabe beliscar uma Libertadores, o tricolor paulista segue sendo o segundo pior visitante do campeonato.

21h45 Vasco x Atlético-MG (São Januário)
Turno: 1-2 Vasco
Colocação: 8-Vasco (49), 10-CAM (46)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir
Historicamente, um duelo em que mandantes costumam vencer – mas não foi o que aconteceu no turno. Este é um jogo de prognóstico complicadíssimo, qualquer coisa pode acontecer. Os jogos do Vasco costumam ter poucos gols, mas o do Galo, pelo contrário. O Vasco não perde com Zé Ricardo (os dez jogos são a maior invencibilidade vigente no campeonato), mas vem empatando muito (quatro das últimas cinco). O time tem muitos desfalques, mas conta com os retornos de Breno e Wellington. O jovem Evander será titular. O Galo, ótimo visitante, tem os retornos de Leonardo Silva, Marcos Rocha, Adilson e Fred – Luan é desfalque.

21h45 Corinthians x Fluminense (Itaquera)
Turno: 0-1 Corinthians
Colocação: 1-SCCP (68), 14-Flu (43)
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
É o jogo do título e a torcida prepara uma grande festa em Itaquera. Só falta combinar com o Fluminense, que ainda precisa de alguns pontinhos para se livrar do rebaixamento – depois deste jogo, o Flu recebe os ameaçados Ponte e Sport em casa, ou seja, situação está sob controle, mas não pode bobear, pois serão duelos diretos. O time de Abelão não terá Marlon e Renato Chaves, mas voltam Sornoza e Henrique Dourado. O Corinthians não terá Cássio e Balbuena, que serão substituídos por Caíque e Pedro Henrique. Jô volta ao time – ele tem um gol a menos que Henrique Dourado na briga pela artilharia do campeonato (16 a 17).


Sem Itália e Holanda, Copa será a mais ‘desfalcada’ desde 94
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juliogomes

Com as eliminações de Itália e Holanda, ambas protagonizadas pela Suécia nas eliminatórias europeias, a Copa do Mundo de 2018 será a mais desfalcada do grupo de ''potências'' do futebol mundial desde a edição de 1994.

Na última vez que a Itália ficou fora de uma Copa, em 58, o Brasil ganhou seu primeiro título. Na última vez que a Holanda não se classificou para um Mundial, em 2002, o Brasil conquistou o penta. E na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra.

Naquela ocasião, Inglaterra, Uruguai e França ficaram de fora da Copa organizada pelos EUA. A França ainda não era campeã do mundo, mas já tinha um time forte. Foi eliminada em casa, assim como a Itália nesta semana, de forma dramática, levando gol no último minuto. A alma só seria lavada quatro anos mais tarde.

Também não jogou a Copa de 94 a Dinamarca, então campeã europeia (92) – uma raridade, pois só três vezes na história o campeão europeu não se classificou para o Mundial seguinte. Esta é outra coincidência com a desfalcada Copa da Rússia. Além de Itália e Holanda, tampouco estará o Chile, campeão continental no ano passado. Foi apenas a segunda vez que um campeão de Copa América disputada a dois anos ou menos do Mundial acabou não se classificando.

Desde 98, quando o Mundial foi ampliado e passou de 24 para 32 seleções, tivemos três Copas com todos os campeões presentes: 2002 (mas sem a Holanda), 2010 e 2014 (estas, as únicas até hoje com as nove ''grandes'' presentes). Em 98 e 2006, o Uruguai foi o ausente após sucumbir nas eliminatórias.

Copas ''desfalcadas'' costumam trazer boas lembranças para o torcedor brasileiro.

No tricampeonato da seleção, em 70, não estiveram no Mundial do México quatro das nove seleções que formam o grupo de países com melhores resultados da história das Copas (o G9). Isso nunca mais aconteceu desde então – vale ressaltar também que, na época, nenhum dos quatro havia levantado o caneco, como veremos mais abaixo neste post.

Dos cinco títulos brasileiros, dois deles vieram em Copas em que algo raro aconteceu: dois países que já haviam sido campeões mundiais no passado acabaram não disputando a competição (58 e 94).

Devido ao desastre italiano, a Copa da Rússia, no ano que vem, será a décima da história em que alguma seleção que já levantou a taça um dia não disputará a competição (metade das vezes).

Quem forma o G9?

A seleção brasileira, todos sabemos, jogou todas as 20 Copas disputadas até hoje. Alemanha e Itália vêm em seguida, com 18 participações. A Alemanha, seja como Ocidental ou, depois, unificada, não perde um Mundial desde 1950. A Itália não ficava fora desde 58. A Argentina, com 16 participações, esteve ausente pela última vez em 70. Espanha, Inglaterra e França jogaram 14 Mundiais. A última Copa sem a Espanha foi a de 74, enquanto ingleses e franceses ''faltaram'' pela última vez em 94.

São oito países campeões de Copas. Mas este blog considera importante acrescentar a Holanda no G9 de potências. Afinal, a Holanda, que ''existe no futebol'' desde a década de 70, chegou a três finais (só menos do que as quatro seleções gigantes) e acabou entre as quatro primeiras colocadas em menos ocasiões somente que Brasil, Alemanha e Itália. Além, claro, de ter uma influência histórica no esporte moderno.

A Holanda jogou 10 de 20 Copas e chegou pelo menos à semifinal em metade de suas participações. Além das campeãs, outras nove seleções apareceram em mais Mundiais que a Oranje, mas sem a mesma relevância em teremos de resultados. O México, por exemplo, é o quinto país com mais participações (15), mas nunca passou das quartas de final.

Veja a lista das potências que faltaram em cada Copa:

1930 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Holanda;
1934 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1938 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra, Espanha, Argentina e Uruguai;
1950 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, França, Holanda e Argentina;
1954 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Espanha, Holanda e Argentina;
1958 – Campeão: Brasil. Faltaram: Itália, Espanha, Holanda e Uruguai;
1962 – Campeão: Brasil. Faltaram: França e Holanda;
1966 – Campeã: Inglaterra. Faltou: Holanda;
1970 – Campeão: Brasil. Faltaram: França, Espanha, Holanda e Argentina;
1974 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Inglaterra, França e Espanha;
1978 – Campeã: Argentina. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1982 – Campeã: Itália. Faltaram: Holanda e Uruguai;
1986 – Campeã: Argentina. Faltou: Holanda;
1990 – Campeã: Alemanha. Faltou: França;
1994 – Campeão: Brasil. Faltaram: Inglaterra, França e Uruguai;
1998 – Campeã: França. Faltou: Uruguai;
2002 – Campeão: Brasil. Faltou: Holanda;
2006 – Campeã: Itália. Faltou: Uruguai;
2010 – Campeã: Espanha. Não faltou ninguém;
2014 – Campeã: Alemanha. Não faltou ninguém;
2018 – Campeão: ? Faltarão: Itália e Holanda.

Portanto, na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra. E, antes disso, a Copa com mais integrantes do G9 ausentes havia sido a de 1970, que não teve Argentina, França, Espanha e Holanda – vale ressaltar que elas não eram exatamente potências, como hoje.

Considerando o momento da realização de cada Copa do Mundo, houve dez Mundiais (metade) com a presença de todos os países que já haviam sido campeões de alguma edição anterior. Houve três Mundiais em que dois campeões estavam ausentes. Em 1958, quando não jogaram Itália e Uruguai, e em 1978 e 1994, quando ficaram fora Inglaterra e Uruguai.

A Copa do ano que vem será a sétima da história em que um único campeão ficará assistindo em casa (no caso, a Itália). Nos outros Mundiais em que isso ocorreu, cinco vezes o ausente foi o Uruguai – 34, 38, 82, 98 e 2006 – e uma vez foi  a Inglaterra (74).

Alemanha, Argentina, França, Espanha e, logicamente, o Brasil, jamais ficaram fora de uma Copa depois de terem conquistado a taça pela primeira vez.

 


Inglaterra mostra uma encrenca tática que será comum na Copa
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juliogomes

O jogo do Brasil contra a Inglaterra não foi bom. Mas não é preocupante. É um toque de atenção, porque Tite nunca havia enfrentado uma seleção europeia e logo pegou uma que joga no 3-4-3 cheio de variáveis, que virou moda no futebol mundial.

Na Inglaterra, está todo mundo jogando assim, até mesmo Mourinho, no United, e Guardiola, no City, copiaram a fórmula de sucesso que Conte implementou no Chelsea. A Juventus, às vezes o Barcelona, enfim, tem muita gente jogando assim no futebol de alto nível. E no mundo global, em que todo mundo vê tudo e tem acesso a tudo, copiar é moleza.

São muitas variáveis. É muito diferente ter três zagueiros flanqueados por laterais que sobem pouco ou que sobem muito. Alguns técnicos usam meias ou atacantes para ser o ''ala''. É um sistema que demanda muito treino e sincronia e que aposta em uma defesa firme com saídas rápidas na transição (a exceção, claro, é o Manchester City). Ele vira um 5-4-1 ou um 5-3-2 na fase defensiva, vira um 3-6-1 e até um 3-3-4 na ofensiva. Numerinhos apenas para tentar ilustrar.

O fato é que o Brasil não conseguiu sair do emaranhado inglês.

O jeito que a Inglaterra jogou é bastante prejudicial aos laterais adversários, especialmente se o time adversário, como é o que caso do Brasil, tem laterais tão ofensivos e tão importantes na criação de jogadas. Pelos lados, os laterais brasileiros são armadores, não apenas metedores de bolas na área.

Como furar um bloqueio desses? Mais difícil ainda seria sem laterais bons como Daniel Alves e Marcelo. Mas o fato é que eles precisarão ser usados mais taticamente do que tecnicamente. Precisam subir, espalhar a defesa rival, prender e incomodar os alas/laterais do adversário. Desta forma, é possível criar maiorias pelo meio com os meias e atacantes.

O Brasil não conseguiu fazer isso hoje. Nem na primeira versão de meio de campo e nem depois que Willian e Fernandinho substituíram Coutinho e Renato Augusto (ainda que tenha melhorado na reta final).

Faltou velocidade na troca de passes, para confundir e deslocar a defesa adversária. E faltaram bons chutes de fora da área.

A melhor chance no segundo tempo veio em uma jogada de velocidade puxada por Neymar, que abriu para a boa finalização de Paulinho. Foi praticamente a única grande infiltração de Paulinho no jogo.

É bom ter jogadores que quebrem defesas, como Neymar e Coutinho. Mas contra adversários bem fechados eles terão poucas chances de jogar como gostam, com velocidade e espaço.

O amistoso contra a Inglaterra serviu demais para ver um tipo de encrenca que será possivelmente frequente na Copa do Mundo. Agora, Tite que se vire para encontrar soluções. Tem alguns meses para isso.

 


A Itália buscou a tragédia. E ela veio
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juliogomes

Parece incrível. Mas uma Copa com 32 seleções não terá a Itália, tetracampeã, que não ficava fora desde 1958. Triste? Sem dúvida. Justo? Sim. Surpreendente? Nem tanto.

O sufoco italiano, que acabou em tragédia, não foi exclusivo nessas eliminatórias, o que diz muito do que é o futebol hoje em dia.

O Brasil começou as eliminatórias sul-americanas mal como nunca antes. Corria risco real de ficar fora da Copa, até que chegou Tite e tudo mudou. A Argentina, então, passou a ficar em zona de risco devido aos maus resultados. Trocou de técnico, não adiantou – o futebol continuou péssimo – e só foi à Copa porque Messi resgatou os argentinos em um jogo estranho no Equador, na última rodada.

Por fim, mais uma campeã mundial em risco. A Itália. Como já era lógico, foi segunda colocada no grupo da Espanha e precisou jogar na repescagem. Enfrentou a Suécia, uma seleção com certa tradição e que deixou de fora a Holanda.

Holanda, por sinal, que, depois de ser finalista da Copa-2010 e terceira na Copa-2014, acabou fora da Euro-2016 e da Copa do ano que vem.

O drama italiano aumentou com a derrota por 1 a 0 no jogo de ida. E foi se acentuando em San Siro. Posse de bola de 75% (será que a Itália já teve tanto a bola assim antes?), mas só seis finalizações a gol, pouca criatividade. Alguma pressão, lógico, até pelo desespero. Alguma sorte, porque o árbitro espanhol Mateu Lahoz resolveu perdoar duas mãos de italianos na área no primeiro tempo. Esse juiz é péssimo, mas teve lá algum mérito ao decidir não decidir a partida com penaltizinhos reclamados pelos dois lados.

No fim, o 0 a 0 foi o que o jogo mereceu. A Itália não joga bom futebol, a Suécia se defendeu bem. Arrivederci.

A Itália já vem há muitos anos alternando boas e horrorosas competições. Em Copas do Mundo, a eliminação vexatória para a Coreia em 2002 (não sei de onde tiraram tanto choro sobre aquela arbitragem) foi seguida pelo tetra em 2006, mas depois vieram eliminações na fase de grupos em 2010 e 2014. No meio disso, no entanto, veio uma final de Euro-2012.

Será que a Itália faria um papel tão melhor assim que a Suécia ano que vem?

É um país com estádios caindo aos pedaços, clubes com estruturas muito distantes dos outros grandes europeus, nenhum planejamento de base, conceitos antigos de futebol. Charme e hino bonito não ganham mais jogo.

Aliás, antes do início do jogo, quando a torcida italiana em Milão vaiou o hino sueco, algo muito raro de se ver na Europa, ainda mais entre países sem rusga histórica, já se imaginava que a noite não seria das melhores. Buffon aplaudiu o hino sueco efusivamente, mostrando como era errada a atitude dos tifosi.

Ainda que muitos tenham se acostumado a sempre considerar a Itália favorita (até porque ''analisar'' peso de camisa e lista de títulos é sempre mais fácil), já há muito tempo ela não faz jus a esse status. Não é uma seleção consistente. Joga um futebol pobre, parado no tempo. Defender-se bem não é mais exclusividade de italianos, por sinal. A Suécia mostrou isso hoje.

No futebol de clubes, a Juventus renasceu e o Napoli joga bom futebol. Há técnicos italianos bons, nova geração, há algum renascimento. Mas a seleção paga o preço dos anos passados de estagnação do calcio.

Vamos acrescentar ao drama argentino e à tragédia italiana algumas coisas que não chamam tanta a atenção, mas merecem nota.

O Chile, campeão de duas Copas Américas seguidas, ficou atrás do Peru nas eliminatórias – e fora da Copa. Os Estados Unidos, que sempre entraram com facilidade via Concacaf, foram eliminados. Japão e Coreia sofreram como não costumavam sofrer na Ásia. Na África, só a Nigéria, entre os classificados, havia jogado em 2014. Marrocos, Tunísia, Egito e Senegal são novidades, e seleções frequentes, como Gana, Camarões e Costa do Marfim, ficaram de fora.

O que tudo isso mostra?

Mostra que o futebol global é, hoje, muito equilibrado. Que não tem mais bobo no futebol, já sabemos faz tempo. Que as seleções médias e algumas pequenas subiram de nível e alcançaram as grandes, isso é novidade.

Não há mais margem para negligência. Não é mais possível colocar uma seleção já não tão brilhante nas mãos de um técnico ultrapassado, sem curriculum, sem nada, como Gian Piero Ventura. O futebol de alto nível não perdoa mais.

Claro que há algumas seleções acima de outras, como o Brasil, a Alemanha, a França. São mais bem treinadas, tem mais poderio. Mas qualquer um pode ganhar de qualquer uma dessas em qualquer fase na Copa, até mesmo nas eliminatórias. Vamos lembrar que a mesma Alemanha que ganhou de 7 do Brasil alguns dias antes quase sucumbiu diante da Argélia.

O fato de a Copa do Mundo ter sido aumentada de 32 para 48 seleções, a partir de 2026, parece ser (e deve ser) uma medida politiqueira da Fifa, para agradar confederações marginais – sob o discurso de expandir o futebol.

Mas o real efeito desta Copa inchada será salvar a pele das seleções mais tradicionais.


Quando os clubes tomarão atitudes sérias em relação aos organizados?
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juliogomes

Há quem diga que torcidas organizadas são um braço importante de organizações criminosas no Brasil. São parte de operações de transporte, armazenamento, etc, e contam com a ''boa vontade'', digamos, tanto de elementos da polícia quanto da justiça. É um vespeiro em que ninguém quer mexer.

Os que vivemos de e para o futebol, temos um discurso muito difuso sobre os organizados. Na mídia, ouvimos críticas duras quando há atos de violência. Mas, de forma diluída, há muitos posicionamentos que nada mais fazem legitimar esses grupos. O mesmo acontece entre pessoas que trabalham nos clubes profissionais.

''São os que torcem de verdade e apoiam o time''. ''Eles têm direito de xingar, porque pagam ingresso''. ''É bom que os jogadores sintam um calor de vez em quando''. E por aí vai.

Eu entendo que dirigentes de futebol tenham medo de encarar esse problema de frente. Afinal, estamos falando de pessoas de carne e osso, que recebem ameaças pesadas e não querem ter suas famílias afetadas por marginais. É complicado mesmo.

Mas quem assume uma posição de liderança em um clube de futebol quer o quê? Só as benesses do cargo? Quer poder e projeção, mas quer empurrar problemas para baixo do tapete?

No caso do Palmeiras, as notícias que chegaram (como esta aqui, publicada em janeiro pela Folha), são de um rompimento do ex-presidente, Paulo Nobre, com a Mancha, principal organizada. A relação com a Mancha teria sido também o pivô do afastamento entre Nobre e o atual presidente, Maurício Galiotte. A Crefisa, principal financiadora do clube, bancou também o Carnaval da Mancha, como se noticiou na época.

Depois da lamentável ação da torcida antes do jogo entre Palmeiras e Flamengo, Galiotte soltou uma nota oficial dizendo que ''manterá a política de não conceder privilégio às torcidas organizadas''.

Só neste ano, tivemos o Corinthians recebendo torcedores organizados para uma ''reunião'' com os jogadores quando o time afundava na crise de resultados no segundo turno. O São Paulo fez o mesmo, recebeu organizados quando ocupava a zona de rebaixamento. No Santos, no Inter, no Vasco, na Ponte Preta e até na Chapecoense vimos e vemos este tipo de torcedor agir com violência e intimidação em 2017. Vimos aquela cena horripilante antes do Coritiba x Corinthians, no primeiro turno.

Eles se consideram (e parece que são mesmo) donos dos clubes. Legítimos e únicos representantes. O resto é torcedor de sofá, que não tem voz nem importância. E é assim em todos os clubes profissionais do Brasil, do maior ao menor.

Vamos lembrar que as torcidas organizadas usam nomes e símbolos que só deveriam ser explorados comercialmente pelas entidades. Estrangular as torcidas financeiramente seria algo relativamente fácil. Basta clubes e autoridades quererem.

Mas querem?

Haveria algum tipo de problema nos estádios durante os clássicos se o espaço da torcida visitante fosse ocupado por torcedores não organizados? Por famílias, vamos. E se na torcida mandante não estivessem os organizados do time anfitrião? Será que não há medidas mais dolorosas, mas também mais eficazes e democráticas do que a tal ''torcida única''?

Alguém já notou como os organizados são majoritariamente os torcedores presentes quando qualquer time grande joga fora de casa? Seja pelo Brasileiro seja pela Libertadores. Seja em um campo a 100km de distância da cidade do clube, seja no México, seja no Japão.

Quem paga por isso? Quem financia essas viagens? E o que é levado e trazido nessas viagens? O que acontece nas estradas durante essas rotas?

Será que, se houvesse menos subsidio oficial a esse tipo de gente, não seria possível baratear os ingressos para o ''torcedor comum''?

Eu me permito não acreditar na nota do Palmeiras, assim como não acredito em quase nada do que dizem os dirigentes do futebol brasileiro. Acreditarei quando não vir mais organizados nos estádios, quando os ingressos para os setores destinados a eles estiverem nas mãos, por exemplo, de instituições de caridade ou de pessoas de baixa renda, por exemplo, das escolas públicas da região.

Acreditarei quando clubes não admitirem mais essas ''visitas'' e passarem a atuar financeiramente contra essas instituições.

Por enquanto, aos meus ouvidos, as palavras do presidente do Palmeiras são tão sólidas quanto as pipocas que voaram em direção ao ônibus do time.

Espero que o tempo me desminta.


Brasileiro, ato 34: mini Rio-SP mostrará caminhos para a Libertadores
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juliogomes

Com a disputa pelo título encerrada – basta saber quando o Corinthians será campeão matematicamente -, as cinco rodadas finais do Brasileiro terão jogos valendo Libertadores e fuga do rebaixamento. E dois clássicos entre cariocas e paulistas dirão muito sobre o futuro dos clubes envolvidos na competição.

No domingo, o Palmeiras recebe o Flamengo no Allianz Parque e, se não se recuperar após as derrotas para Corinthians e Vitória, estará colocando a posição no G4 em risco. Se vencer, o Flamengo ficará a um ponto do Palmeiras. E o Botafogo, que neste sábado abre a rodada contra o Atlético-PR, é outro que pode se aproximar ainda mais.

Jogarão também Vasco e São Paulo no Maracanã, dois dos quatro melhores times do returno – o melhor, por enquanto, é o Botafogo. Vasco e São Paulo não olham para o G4, mas olham para uma vaga na pré-Libertadores. É bom lembrar que o G6 vai virar G7 se o Cruzeiro estiver entre os seis primeiros, e pode virar G8 se o Grêmio for campeão da Libertadores ou até G9, se o Flamengo vencer a Sul-Americana e estiver entre os primeiros do Brasileiro.

Como há essa indefinição, e ela vai perdurar até as duas rodadas finais do campeonato, é importante estar bem posicionado. O Vasco, que só perdeu 1 de 11 jogos com Zé Ricardo, estará consolidado entre os oito primeiros se vencer o São Paulo. Já o time paulista, que perdeu a chance de ganhar a quarta seguida ao tropeçar na Chape, no Pacaembu, já se afastou do rebaixamento e precisa ganhar no Maracanã para sair da ''zona morta'' da tabela e entrar na briga pela Libertadores. O jogo é um divisor de águas nesse sentido.

Outro confronto direto de Libertadores reúne Bahia e Atlético-MG. Na parte de baixo da tabela, o duelo que mais chama a atenção reúne Coritiba e Ponte Preta. É um confronto direto e, se o Coxa vencer, fica muito tranquilo na luta contra o rebaixamento, afundando a Ponte de vez.

Aqui vão os prognósticos da rodada.

SÁBADO

17h Botafogo x Atlético-PR (Engenhão)
Turno: 0-0
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Botafogo é líder do returno porque começou ganhando cinco de seis jogos. Desde setembro, não encaixa duas vitórias seguidas e precisa quebrar essa escrita para buscar o Palmeiras e entrar no G4. O Atlético-PR não faz gol há três jogos e não terá Gedoz nem Nikão, mas Guilherme volta ao time. Parece que vai acabar o campeonato na zona morta, mas se continuar perdendo muito o Z4 pode virar um fantasma, pois ainda jogará fora de casa contra Ponte e Avaí.

19h Corinthians x Avaí (Itaquera)
Turno: 0-0
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Sem Cássio e com a lesão de Walter, o Corinthians terá no gol o jovem Caíque, terceiro goleiro. Jô, suspenso, também está fora. Basicamente, portanto, o Corinthians não terá seus dois jogadores mais importantes no campeonato e enfrenta um adversário para quem um pontinho será um espetáculo. Jogo deve ser amarrado e duro de ver em Itaquera.

DOMINGO

17h Vasco x São Paulo (Arena da Baixada)
Turno: SPFC 1-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: melhor fugir!
São dois dos times mais consistentes do returno. Um dia, chegaram a estar ameaçados de rebaixamento, principalmente o São Paulo, mas este é um pesadelo distante e agora a hora é de pensar em Libertadores. Com Zé Ricardo, o Vasco só perdeu um jogo e nunca tomou mais de um gol na mesma partida. A questão é: como estarão as arquibancadas de São Januário? Torcedores unidos para apoiar o time ou um clima de guerra pela divisão política do clube? O Vasco não vence o São Paulo em casa desde maio de 2005. Desde então, foram 20 jogos entre eles, com 12 vitórias são-paulinas e 2 vascaínas (mas ambas como visitante). Jogo de difícil prognóstico.

17h Palmeiras x Flamengo (Allianz Parque)
Turno: 2-2
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Quem olhasse a tabela antes do início do campeonato poderia usar uma caneta marca-texto e marcar este clássico na 34a rodada como um possível jogo de implicações de título. Ledo engano. Os dois elencos milionários do futebol brasileiro não fizeram um campeonato nem perto de suas possibilidades e agora jogam por uma vaga no G4 – e olhe lá, porque do jeito que vão as coisas ficarão abraçados com vagas de pré-Libertadores. Desde 2010, o Flamengo só venceu 1 de 12 jogos contra o Palmeiras, que leva vantagem no retrospecto histórico. Ainda sem Borja e Mina, o Palmeiras deve ter William de volta ao ataque, enquanto o Flamengo terá a defesa reforçada por Juan. Paquetá, que jogou muito bem pelo meio contra o Cruzeiro, segue no time substituindo Diego.

17h Grêmio x Vitória (Alfredo Jaconi, Caxias do Sul)
Turno: 1-3 Grêmio
Prognóstico: Grêmio 2-1
Aposta: coluna 1
Depois de seis jogos sem vencer, o Vitória finalmente ganhou uma – e em casa. O que já foi suficiente para sair da zona de rebaixamento. O jogo será em Caxias do Sul porque a Arena Grêmio irá receber um show, o que deixou Renato Gaúcho indignado. Com as duas últimas vitórias, o Grêmio está mais do que consolidado no G4, uma garantia, pois nunca se sabe o que acontecerá na final da Libertadores. Se ganhar mais essa (Grohe, Cortez e Edilson são os desfalques, do meio para frente joga todo mundo), o Grêmio pode usar reservas a vida toda no Brasileiro, com a certeza de que estará na fase de grupos da próxima Libertadores. O Vitória ganhou em Porto Alegre ano passado, o que não acontecia desde 2005.

17h Atlético-GO x Sport (Olímpico)
Turno: Sport 4-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Pior time do returno, com apenas uma vitória, o Sport tanto fez que entrou na zona de rebaixamento e em um momento para lá de crítico do campeonato. Agora, contra o lanterna Atlético-GO, mesmo jogando fora e sem Diego Souza, é vencer ou vencer. Não adianta mais somar de um em um. O Dragão perdeu as últimas quatro em casa e ganhou só uma das últimas 12 partidas, já sabe que será rebaixado.

18h Bahia x Atlético-MG (Fonte Nova)
Turno: 0-2 Bahia
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
Assim como os clássicos entre paulistas e cariocas, este é também um jogo com implicações de Libertadores. Para o Bahia, já livre do rebaixamento muito antes do que o mais otimista torcedor imaginava, seria um prêmio e tanto. O time encaixou com Carpegiani e vai fazer estragos nas rodadas finais. Para o Atlético, dadas as expectativas antes do início do campeonato, seria um prêmio de consolação para lá de aceitável. Enquanto o Bahia, que é bom mandante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu só uma com Carpegiani, o Galo, que é otimo visitante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu duas com Oswaldo de Oliveira. Os últimos quatro duelos entre eles acabaram em empate em Salvador, e o Bahia não vence o Galo em casa desde 2002.

19h Cruzeiro x Fluminense (Mineirão)
Turno: 1-1
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
O Cruzeiro ganhou só um dos últimos cinco jogos, era normal que o time caísse de rendimento após o título da Copa do Brasil. O Fluminense ganhou um de quatro e parece claro o destino: acabar na zona morta da tabela. Nem cai nem briga por nada lá em cima. O Flu joga sem Henrique Dourado, artilheiro do campeonato.

19h Coritiba x Ponte Preta (Couto Pereira)
Turno: Ponte 4-0
Prognóstico: Coxa 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com Eduardo Baptista, a Ponte conseguiu duas vitórias por 1 a 0, empatou um jogo e perdeu seis. O péssimo momento contrasta com o do Coritiba, que não perde há cinco jogos e, se vencer a rival direta, fica em situação muito confortável para evitar o rebaixamento. Para o Coxa, é a chance de respirar de vez. Para a Ponte, é final de campeonato. Típico confronto em que, historicamente, quem joga em casa, vence. Última vitória da Ponte em Curitiba foi 16 anos atrás. Com dois gols marcados nos últimos cinco jogos, Baptista promete escalação ofensiva.

SEGUNDA

20h Chapecoense x Santos (Arena Condá)
Turno: Santos 1-0
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
Com Gilson Kleina, a Chape ganhou uma e empatou três. De pontinho em pontinho, vai ficando longe do rebaixamento – o que seria praticamente um título após a tragédia de um ano atrás. O Santos é um dos times mais difíceis de prever neste campeonato. Vive em litígio com a torcida e joga sem Bruno Henrique, mas está em terceiro na tabela e quer se garantir com vaga direta na Libertadores. Jogo tem cheiro de empate.