Blog do Júlio Gomes

Brasileiro, ato 28: rodada sem favoritos expõe equilíbrio do campeonato
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Nas casas de apostas, Santos e Fluminense, que recebem Vitória e Avaí, são os únicos favoritos destacados na rodada 28 do Brasileiro. Mas me diga: você se atreveria a apostar contra Vitória e Avaí, que conseguiram resultados surreais fora de casa ao longo do campeonato? Pois é.

Esta é uma rodada em que qualquer resultado pode ser considerado normal em qualquer jogo. Um pequeno retrato do equilíbrio inacreditável que é a principal marca do Brasileiro.

A briga é boa lá na parte de baixo. Em cima, está tudo para lá de resolvido. Aqui vão os prognósticos:

SÁBADO

19h Vasco x Botafogo (Maracanã)
Turno: Fogo 3-1
Colocação: 6-Fogo (43), 9-Vasco (36)
Prognóstico: 1-1
Aposta: menos de 2,5 gols
Clássico de prognóstico complicado. São dois times que vivem bom momento, o Botafogo mais dentro do que nunca da briga pela Libertadores, o Vasco querendo entrar nela e se afastar de vez do bolo de baixo. O Vasco, com Zé Ricardo, estancou a sangria de gols. E o Botafogo também não é um time que se expõe demais. Probabilidade grande de um jogo bem disputado e decidido nos detalhes, em algum erro.

21h São Paulo x Atlético-PR (Pacaembu)
Turno: CAP 1-0
Colocação: 17-SPFC (31), 10-CAP (35)
Prognóstico: SPFC 1-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com apenas uma vitória nos últimos sete jogos, o Atlético-PR, que chegou a sonhar com Libertadores, hoje precisa ficar esperto para não ser trazido para o bolo do rebaixamento – o que acontecerá em caso de derrota no Pacaembu (o São Paulo ficará afastado do Morumbi por cinco jogos). O Atlético ganhou quatro dos últimos cinco duelos entre eles, incluindo uma raríssima vitória no Morumbi no ano passado – é um confronto em que o mandante costuma prevalecer historicamente. Dorival tem Cueva e Arboleda de volta, já o Atlético não terá Paulo André, Fabrício e Lucho. Ligeiro favoritismo do São Paulo.

DOMINGO

17h Fluminense x Avaí (Maracanã)
Turno: 0-3 Flu
Colocação: 16-Flu (32), 18-Avaí (30)
Prognóstico: Flu 2-0
Aposta: melhor fugir
Depois de um grande início de segundo turno, o Avaí amargou maus resultados e voltou à zona de rebaixamento. Normal, é um time limitado, como quase todos, e que se dá melhor contra atacando fora de casa, como quase todos. O Flu não vence no Brasileiro há seis jogos, quase dois meses, mas mostrou sinais de vida no Fla-Flu. Venceu sete dos últimos oito jogos que fez contra o Avaí e precisa do resultado em casa para respirar. Se não vencer, possivelmente acabará a rodada no Z4. Mas já sabem. Um monte de gente já achou que os três pontos em casa contra o Avaí eram favas contadas…

17h Sport x Atlético-MG (Ilha do Retiro)
Turno: 2-2
Colocação: 11-Sport (33), 8-CAM (37)
Prognóstico: 1-2 Galo
Aposta: ambos marcam
Confronto entre Luxemburgo e Oswaldo de Oliveira, que já trabalharam juntos na era dos dinossauros. Um duelo da velha geração, podemos chamar assim. Oswaldo trouxe de volta a paz ao Galo, com bons resultados e esperança de buscar a Libertadores. O Sport, que vive em altos e baixos, conseguiu importante vitória em Salvador no meio de semana. O Galo não terá Robinho, o Sport não terá André. O Atlético, terceiro melhor visitante, pode surpreender. Promessa de jogo com gols e alternativas no marcador.

17h Atlético-GO x Palmeiras (Olímpico)
Turno: Palmeiras 1-0
Colocação: 20-Atlético (26), 5-Palmeiras (44)
Prognóstico: 1-1
Aposta: duplo, Atlético ou empate
O Palmeiras vai com técnico interino, é uma incógnita. O Atlético-GO tem jogado bem e está firme na busca pela permanência. Difícil, mas ainda dá.

17h Chapecoense x Flamengo (Arena Condá)
Turno: Fla 5-1
Colocação: 13-Chape (32), 7-Fla (40)
Prognóstico: 1-1
Aposta: menos de 2,5 gols
Contra a Chape, no turno ou na Sul-Americana, o Flamengo teve suas vitórias mais folgadas. Se o time de Rueda não acordar, acabará fora da Libertadores. Jogo de prognóstico muito difícil em Chapecó.

19h Coritiba x Grêmio (Couto Pereira)
Turno: Grêmio 2-0
Colocação: 19-Coxa (28), 4-Grêmio (46)
Prognóstico: 0-2 Grêmio
Aposta: coluna 2 paga bem
O Coritiba é o time com mais pinta de rebaixado do campeonato neste momento. Mas todos sabemos que uma vitória já lhe coloca de novo no bolo. O Grêmio está com a cabeça em outro lugar, mas pode sair de Curitiba com uma vitória, dados o desespero e mau jogo do adversário.

19h Bahia x Corinthians (Fonte Nova)
Turno: Corinthians 3-0
Colocação: 14-Bahia (32), 1-Corinthians (58)
Prognóstico: 1-1
Aposta: menos de 2,5 gols
Carpegiani começou bem no Bahia, e o Corinthians vive um mar de tranquilidade. A taça é só questão de tempo. Empate deixará todo mundo feliz da vida.

SEGUNDA

20h Santos x Vitória (Pacaembu)
Turno: 0-2 Santos
Colocação: 2-Santos (48), 12-Vitória (32)
Prognóstico: Santos 1-0
Aposta: melhor fugir
Nas casas de apostas, o Santos é o principal favorito da rodada. É o mandante com melhor percentual de aproveitamento no campeonato. Mas o Vitória, adivinhem, é o segundo melhor visitante. Não me atrevo a apostar contra o time de Mancini, ainda que o Santos tenha o favoritismo.

* Cruzeiro e Ponte Preta fizeram o jogo adiantado da rodada, com vitória cruzeirense por 2 a 1. A classificação dos times aí acima já leva em conta esse jogo.


Vaias, pancadão e trânsito: uma tarde de sol em um jogo da NFL
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''Bring one more!''

''Bring one more!''

Enquanto Jay Cutler fazia um passe patético atrás do outro, tomava uma decisão errada atrás da outra, a torcida do Miami Dolphins vaiava. Vaiava em alto e bom som, ajudada pela acústica do estádio, que melhorou muito quando foi construída uma belíssima cobertura, no ano passado.

''Tragam mais um, tragam mais um''.

O que eles querem é um novo quarterback.

Se você não é nem um pouquinho familiar com o futebol americano e a NFL, algumas coisas que escreverei aqui parecerão sem sentido. Se você é tão fanático que já foi a vários jogos da NFL, não verá muitas novidades. Mas o futebol americano só cresce no Brasil e este escriba está passando duas semanas de férias com a família aqui na terra de Trump. No checklist da vida, faltava riscar ''um jogo da NFL''. E o risquinho veio no domingo.

O jogo era entre Miami Dolphins e Tennessee Titans. Dois times médios, que podem fazer uma boa temporada se tudo der certo ou uma péssima se der errado. Por enquanto, está dando errado.

O quarterback é o lançador, o cérebro do time, o comandante ofensivo. O Miami tem um titular chamado Ryan Tannehill, que precisou operar o joelho antes de começar a temporada e só volta no ano que vem. Não que Tannehill seja essa coca-cola toda, mas é um quarterback decente, até.

Sem ele, a franquia foi atrás de Jay Cutler (este com a bola nas mãos, no lado direito da foto acima). Ex-quarterback do Chicago Bears, 34 anos, que já havia anunciado a aposentadoria. Está recebendo 10 milhões de dólares para jogar por um ano.

Por que ir atrás de um grossão como Cutler (me perdoem os defensores, Cutler é indefensável)? Estava livre no mercado, por exemplo, Colin Kaepernick, ex-jogador do San Francisco 49ers e que iniciou a onda de protestos durante o hino nacional americano, para denunciar as injustiças e desigualdades da América atual. Kaepernick está nitidamente sendo boicotado pela liga. Está sem emprego por se posicionar. É um país dividido, fraturado, e isso é visível para onde quer que você olhe aqui nos Estados Unidos.

No aeroporto de Washington, cidade linda que eu não conhecia, uma lojinha vendia camisas com o rosto do ex-presidente Barack Obama. ''Miss me now?'', pergunta o Obama da camiseta. ''E aí, já está com saudades?''. Quase comprei a camiseta. O mundo inteiro está com saudades de Obama, exceto alguns fanáticos de verdade ou políticos de internet.

A pergunta ''miss me now?'' poderia vir acompanhada de uma camiseta com o rosto de Tannehill aqui em Miami. Antes contestado, agora o quarterback dos Dolphins virou craque. Nada como um tempo sem atuar, com alguém pior do que você te substituindo.

''Bring one more'', clamava a torcida. Tragam mais um quarterback. Com Cutler, não dá.

O jogo foi tecnicamente horroroso. O Tennessee Titans também jogava sem seu quarterback titular, Marcus Mariota, que está lesionado. Mais um time que poderia assinar com Kaepernick, mas prefere usar um reserva fraco e inexpressivo.

No total, Miami conseguiu 178 jardas ofensivas. Tennessee somou 188. Os dois times juntos ganharam 366 jardas. Geralmente, essa marca é superada por apenas um dos times em um jogo qualquer da NFL. Foi um duelo dominado pelas duas defesas, especialmente pela fragilidade dos ataques.

Quando as vaias a Cutler se intensificaram, já na parte final, ele conseguiu liderar uma campanha e dar um passe para touchdown de Jarvis Landry, que acabou definindo o jogo e a vitória dos Dolphins por 16 a 10.

Eu comecei a procurar ingressos para o jogo semanas antes de viajar para os Estados Unidos. Eles rondavam na casa de 60 dólares para a arquibancada superior, na casa de 120 para a inferior. Acabei comprando o ingresso, de fato, três horas antes do jogo. Já estavam na casa de 20 dólares para ficar lá em cima. Paguei 45 para ficar na parte de baixo, mais perto do campo. Como está fazendo muito calor (ninguém merece ficar sob o sol da 1 da tarde), os Dolphins começaram mal, e a torcida de Miami já não é muito conhecida por lotar o estádio, a proximidade com a hora do jogo me ajudou.

Infelizmente, ignorei a venda de ingressos pela internet para estacionar o carro. Custava 26 dólares, achei caro. Não sabia que pagando na hora sairia por 40 dólares. Meu irmão, que mora aqui há mais de duas décadas, mas nunca havia ido a um jogo dos Dolphins (prefere o Miami Heat e a NBA), brincou com a moça que vendia a entrada para o estacionamento. ''É um assalto legalizado''. Ela sorriu e concordou.

Como assim, 40 dólares para parar o carro? É um escândalo. Mas um escândalo inevitável. Não há transporte público (aliás, o trânsito para chegar e, principalmente, sair, é um negócio surreal. Organização zero por parte das autoridades). Não há outra maneira de chegar ao estádio que não seja de carro. E há o monopólio do estádio para vagas de estacionamento. O capitalismo tem vantagens e desvantagens. Mas o capitalismo de monopólios é uma tragédia. Se fosse no Brasil, haveria um monte de gente oferecendo vagas de garagem na vizinhança. Aqui, ou se paga 40 dólares para o dono do estádio para parar o carro ou não tem como ir ao jogo.

O estacionamento é um capítulo à parte. As pessoas se reúnem antes dos jogos para as tais ''tail gate parties''. Fazem churrasco, enchem a cara, se divertem. O som fica no talo e se mistura, pois cada um ouve um tipo de música com poucos metros de separação. São pancadões mesmo. Comprei um hot dog e comprei uma cerveja ali em uma barraca maiorzinha. Foi bem mais barato do que seria dentro do estádio, onde os preços são abusivos. Mas me senti meio otário. Depois reparei que estavam todos se servindo ali à vontade. Claro, eu era apenas um bicão passando por ali. Justo. O clique abaixo é de quando a festa já havia acabado, nos instantes finais da partida. Algumas pessoas vão mesmo sem ingresso e ficam acompanhando pela TV.

Perdi o começo do jogo, pois não sabia que era proibido entrar com mochila. Medo do terrorismo. Não pude levar minha máquina fotográfica, era necessário deixar a mochila em um trailler ali no estacionamento.

De fato, ver o jogo mais perto do campo é interessante. Você tem uma noção bacana da velocidade e da intensidade das trombadas. Fica perto também dos reservas e staff de treinadores, que ficam na lateral do campo. O elenco de um time de futebol americano tem 53 jogadores.

Pude perceber quando Landry, que acabaria sendo o herói da vitória, pegou um bom passe e logo foi tirado de campo antes da jogada seguinte dos Dolphins. Isso é recorrente na NFL, jogadores são trocados aos montes entre uma jogada e outra. Flagrei Landry saindo de campo cuspindo marimbondos para o coordenador ofensivo dos Dolphins. Precisou ser tranquilizado por outros três companheiros. Na jogada seguinte, voltou a campo ainda xingando o técnico. Não sei se isso acontece toda hora, mas a TV não mostra.

No jogo de futebol americano, a principal importância da torcida é fazer barulho quando o time adversário está no ataque. Atrapalha a comunicação. E isso a torcida dos Dolphins fez. Basta gritar, bater a mão no banco ou então ficar balançando um sininho, como fazia minha vizinha de arquibancada. Eu sabia sobre a barulheira. Mas foi legal ter a noção de que o barulho é alto de verdade. É impossível para os jogadores se comunicarem no campo. É isso que faz jogar em casa ser mais importante na NFL do que em outras ligas e esportes.

 

Mas a maior manifestação da arquibancada mesmo veio quando, em uma das milhões de pausas do jogo, o telão mostrou uma mãe com dois filhos, recebendo uma mensagem em vídeo do pai, que estava com o exército em algum lugar do mundo. De repente, o rapaz apareceu no campo de surpresa, abraçou os filhos, a mãe desatou a chorar. Eu, como pai, me emocionei. Difícil imaginar a dor de se separar dos filhos sem saber se vai voltar para casa.

O estádio aplaudiu de pé e começarem os gritos de USA, USA, USA. Esse sentimento de patriotismo e de serem responsáveis por salvar o mundo de homens maus é o (único) laço que une americanos hoje em dia. Eu acho que patriotismo é outra coisa. E que homens são bons ou maus dependendo do ponto de vista. Mas isso é papo para outro dia.

Os Dolphins ganharam seu primeiro jogo em Miami na temporada – o da rodada inicial foi adiado, pela passagem do furacão Irma. Todo mundo saiu feliz do estádio. Mas, com Jay Cutler na área, a felicidade do meu amigo Paulo Antunes, o torcedor número 1 dos Dolphins no Brasil, não vai longe.

O blog seguirá intermitente por mais uma semana. Vou lá fritar um pouquinho na praia e já volto.

 

Tags : NFL


O inacreditável e inexplicável Santos de Levir Culpi
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Levir Culpi já completou um turno inteiro com o Santos no Campeonato Brasileiro. Estreou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, lá no dia 14 de junho. Mesmo placar do clássico deste sábado chuvoso, em São Paulo.

O Santos de Levir ganhou dez partidas, empatou oito e perdeu só duas (para o Sport na Vila e, com reservas, para o Botafogo no Rio) pelo Brasileiro. Fez somente 21 gols nestes 20 jogos. Mas sofreu 10. Isso mesmo. D-E-Z.

Não é novidade alguma termos times de grande solidez defensiva fazendo estragos. Mas o Santos não é um time de grande solidez defensiva. Cede espaços, finalizações, vive encurralado. Joga no bumba meu boi, trocando golpes (mas muito mais levando do que batendo).

Não tem volantes ou zagueiros de seleção. Mas tem Vanderlei. O fato de o Santos levar 0,5 gol por jogo tem mais a ver com o goleiro do que o técnico ou o sistema, e isso por si só é um fato incrível.

Com Lucas Lima, o time ainda tem mais qualidade com a bola nos pés. Mas Lucas Lima, convenhamos, não teve um bom ano de 2017. Seu grande jogo foi contra o Corinthians, que talvez tenha sido o único grande jogo do Santos de Levir.

Sem Lucas Lima, o que foi uma constante devido a lesões, o time tem jogado do mesmo jeito. Mal. E conseguido o mesmo tipo de resultados. Ótimos.

Ricardo Oliveira, autor do gol da vitória, a primeira do Santos no Allianz Parque, não é o mesmo de antigamente, o que é normal. E tem Bruno Henrique, este sim, um jogador que faz os gols que Ricardo Oliveira deveria estar fazendo e dá os passes de gol que Lucas Lima deveria estar dando.

O Santos não é brilhante no ataque. Não é no meio. Não é na defesa. Não é taticamente. Não tem sido sistematicamente ajudado por arbitragens ou pela sorte.

O Santos de Levir não tem nada a ver com o DNA histórico do clube. O Santos de Levir não tem nada a ver com os outros times de Levir. O Santos de Levir não agrada ninguém. O Santos de Levir tem 47 pontos, só 7 a menos que o Corinthians, e pode sonhar com o título.

Me desculpem. Não me sinto capaz de explicar o Santos de Levir.

 


Brasileiro, ato 26: clássico paulista define o “anti-Corinthians”
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juliogomes

A 26a rodada do Brasileiro terá três jogos neste sábado. O último deles, marcado para as 19h, reúne Palmeiras e Santos e vai definir o ''anti-Corinthians''. Já que o Grêmio não topou a missão, sobrará para o vencedor deste jogo o rótulo de ''único'' ainda capaz de buscar o líder. Um empate, claro, será ótimo para o Corinthians, que tem um jogo duro (ou não) contra o Cruzeiro, domingo.

O Palmeiras não vem enchendo os olhos de ninguém, mas fez uma boa partida contra o Fluminense e já acumula três vitórias nos últimos quatro jogos. Parece ser um time mais firme, além de ter melhores jogadores que o Santos.

O Santos, de Levir, segue sem Lucas Lima e baseará seu jogo nos milagres de Vanderlei com a velocidade de Bruno Henrique no ataque. Ele ou Copete tentarão se aproveitar do fato de Zé Roberto, um veterano e já não tão rápido como outrora, ocupar a lateral esquerda.

É um clássico de torcida única em que a tendência é o Palmeiras dominar e o Santos contra atacar. É o duelo do segundo melhor ataque contra a segunda melhor defesa. O empate, como eu disse, meio que mata as esperanças dos dois. Este fato é o que nos anima na expectativa de ver um bom jogo.

O Palmeiras faz quatro dos próximos seis jogos em casa e aí enfrenta o Corinthians. Se vencer o clássico contra o Santos, jogará toda a responsabilidade do mundo para o líder, que enfrenta um Cruzeiro que vem de título – talvez de ressaca, mas certamente sem pressão alguma e levinho, levinho em campo.
SÁBADO

16h Vasco x Chapecoense (São Januário)
Turno: Chape 2-1
Colocação: 9-Vasco (32), 10-Chape (31)
Prognóstico: 1-1
Aposta: Menos de 2,5 gols
Último jogo com portões fechados em São Januário, fundamental para o Vasco se firmar na tabela e ficar longe do Z4. A Chape, que nunca perdeu para o Vasco, melhorou com Emerson Cris no comando e é uma rival perigosa. Os dois já tiveram as piores defesas do campeonato, mas estancaram a sangria nas últimas rodadas. Ligeiro favoritismo para o mandante, mas se fosse na Loteca um triplo seria indicado.

16h Bahia x Coritiba (Fonte Nova)
Turno: 0-0
Colocação: 13-Bahia (30), 19-Coxa (27)
Prognóstico: Bahia 2-0
Aposta: coluna 1
A esta altura do campeonato, no primeiro turno, o Coritiba era o terceiro colocado. Justamente contra o Bahia, Kleber deu aquele “show”, pegou um enorme gancho e as coisas começaram a ir ladeira abaixo para para o Coxa. O Bahia tem uma grande chance de vencer o Coritiba pela primeira vez desde 1985, vários tabus como este já caíram neste campeonato. O Coxa é um dos times que ainda não venceram no returno – o outro é o Sport.

19h Palmeiras x Santos (Allianz)
Turno: Santos 1-0
Colocação: 4-Palmeiras (43), 2-Santos (44)
Prognóstico: Palmeiras 1-0
Aposta: melhor fugir
Uma rivalidade que esquentou nos últimos anos. No jogo do turno, o Santos venceu com Vanderlei brilhando e alguns lances polêmicos de arbitragem, que geraram muita reclamação do Palmeiras. Além de jogar em casa, com torcida única, o Palmeiras mostra-se um time mais firme do que o Santos, que não cansa de jogar mal. A velocidade de Copete e Bruno Henrique, principalmente pelo lado esquerdo da defesa palmeirense, pode ser um fator no jogo.

DOMINGO

16h Cruzeiro x Corinthians (Mineirão)
Turno: SCCP 1-0
Colocação: 5-Cruzeiro (40), 1-SCCP (54)
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Cruzeiro vive seu melhor momento no ano, com o título da Copa do Brasil e cinco jogos sem perder no Brasileiro. Como vai encarar o campeonato a partir de agora? A Libertadores está garantida, não será campeão nem rebaixado. Começaremos a ter a resposta no domingo. Acredito que um time de ressaca sempre terá problemas contra um time que precisa do resultado, e essa interrogação faz deste um jogo de prognóstico complicado. Como o desfalque de Jô é considerável, vou apostar em um empate sem gols. O Cruzeiro é o mandante com menos derrotas (uma), e o Corinthians é o visitante com menos derrotas (uma também) na competição.

16h Grêmio x Fluminense (Arena)
Turno: 0-2 Grêmio
Colocação: 3-Grêmio (43), 12-Flu (31)
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Novamente, o Grêmio vai a campo com um time misto, quase inteiro reserva, devido a lesões e cartões. O Fluminense, que tem sofrido no setor defensivo e que só apanhou do Grêmio nesta temporada, tem o sinal de alerta ligado. Está se aproximando da zona de rebaixamento e todos sabem que o elenco que Abel tem em mãos está longe de ser farto. O Grêmio só venceu um dos seis jogos que fez e estaria no Z4 do returno, mesma situação do Flu, que terá Diego Cavalieri de volta ao gol. Pelas casas de apostas, a vitória do Fluminense é simplesmente o resultado mais improvável da rodada. Será tão impossível assim?

16h Botafogo x Vitória (Engenhão)
Turno: 2-2
Colocação: 6-Fogo (40), 16-Vitória (29)
Prognóstico: 2-1
Aposta: coluna 1
Desde o começo do campeonato, esta é a primeira vez que o Botafogo teve uma semana inteira de descanso (à parte a semana em que o Brasileiro parou pelas datas Fifa). Líder do returno, vindo de quatro vitórias e com três jogos seguidos para serem disputados no Rio, o Botafogo está com as baterias recarregadas, focado em buscar o G4 e é favorito contra o Vitória – apesar de o time baiano ser o segundo melhor visitante do campeonato. O Vitória tem desfalques na defesa.

16h São Paulo x Sport (Morumbi)
Turno: 0-0
Colocação: 17-SPFC (28), 14-Sport (30)
Prognóstico: SPFC 3-1
Aposta: mais de 2,5 gols
Se o São Paulo tivesse vencido o Corinthians, este jogo teria tudo para ser um passeio. Como não venceu e continua no Z4, a pressão, que é a maior inimiga do time são-paulino, segue forte. É um jogo crucial, contra adversário direto e pior time do returno. E tem mais: o Sport não tem Diego Souza e é um velho freguês no Morumbi – havia perdido sempre, até o empate do ano passado. Não dava para escolher adversário melhor. Agora cabe ao São Paulo, que tem marcado primeiro e seguidamente desperdiçado a vantagem construída, fazer o dever de casa. São duas das piores defesas do campeonato, só o Atlético-GO sofreu mais gols.

16h Avaí x Atlético-GO (Ressacada)
Turno: Atlético 3-1
Colocação: 15-Avaí (30), 20-Atlético (22)
Prognóstico: 1-1
Aposta: Duplo, empate e Atlético-GO
Se por um lado o Avaí é a “sensação” do campeonato no momento, ainda invicto no returno, precisamos lembrar que este é o pior ataque do campeonato (disparado) e não faz dois gols no mesmo jogo desde aquela surreal vitória sobre o Grêmio, quase três meses atrás. Walter volta ao Dragão, que ainda pode sonhar com a salvação se vencer.

19h Atlético-PR x Atlético-MG (Baixada)
Turno: 0-1 CAP
Colocação: 8-CAP (34), 11-CAM (31)
Prognóstico: CAP 1-0
Aposta: melhor fugir
O Atlético-MG estreia Oswaldo de Oliveira, e Robinho volta ao time titular. O Galo, apesar das trocas de técnicos e do mau campeonato, é o visitante de terceiro melhor aproveitamento. E o Furacão, sem Nikão e Paulo André, não está tão firme na Arena como em outros tempos. Jogo de difícil prognóstico em que quem marcar primeiro leva imensa vantagem.

SEGUNDA

20h Ponte Preta x Flamengo (Moisés Lucarelli)
Turno: Fla 2-0
Colocação: 18-Ponte (28), 7-Fla (39)
Prognóstico: 1-1
Aposta: vale arriscar uma coluna 2, com empate anula
Assim, de repente, a Ponte está afundada na zona de rebaixamento. Com a queda de rendimento de Lucca, Eduardo Baptista precisa encontrar soluções para o time se reencontrar no Brasileiro. Após a derrota na Copa do Brasil, o Flamengo precisa estar entre os primeiros para se garantir na Libertadores.


No meio da guerrinha, quem mostra mais bola e maturidade é Mbappé
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juliogomes

Engana-se quem pensa que o mais importante na tarde desta quarta era analisar o futebol jogado por Paris Saint-Germain e Bayern de Munique. Tudo estava e está em segundo plano. Entender a relação entre Neymar e Cavani, compreender o que ela pode significar, é a coisa mais importante do momento.

''Ah, mas isso é fofoquinha'', dirão alguns. Não, não, mil vezes não. Isso é observar e analisar a relação entre o principal artilheiro do time e o jogador mais caro da história do futebol. É óbvio que o sucesso do PSG na temporada depende de um bom relacionamento entre eles – mesmo que tal relacionamento seja restrito ao campo.

Se houver qualquer tipo de boicote ou má vontade, estará indo por água abaixo o projeto de maior investimento já visto no futebol.

Os números mostraram que, desde a estreia de Neymar com a camisa do PSG até o ''jogo da discórdia'', contra o Lyon, dez dias atrás, ele e Cavani foram trocando menos e menos passes entre eles. Não é fofoca. É estatística. É análise de dados.

O que se viu nesta quarta, contra o Bayern, é que Mbappé não assumiu a camisa do ''time Neymar'' ou do ''time Cavani''. Foi o garoto de apenas 18 anos quem melhor e mais democraticamente se apresentou em campo. Foi o grande nome da vitória.

Vitória construída logo a um minuto e meio. Neymar fez grande jogada pela esquerda e deu passe açucarado para Daniel Alves, que entrou muito mais livre do que deveria pela direita para finalizar. A partir daí, o Bayern de Munique tomou as rédeas do jogo e abusou das bolas aéreas. Levou vantagem quase sempre, o que deve acender um sinal de alerta na defesa do PSG.

No entanto, é perceptível que será muito difícil para qualquer time jogar contra o PSG estando atrás no placar. Ceder espaços é simplesmente fatal. Neymar e Mbappé são muito rápidos e muito bons. E Cavani é um atacante de mobilidade, que se desloca bem. Os três farão barulho durante a temporada toda, especialmente quando tiverem buracos para contra atacar.

Vieram, então, os gols de Cavani e Neymar. E as comemorações. Que precisam, sim, ser observadas.

No segundo gol, Mbappé costurou pela direita, fez grande jogada e passou para Cavani acertar um chutaço. Neymar, que no primeiro gol comemorou efusivamente com Daniel Alves, no segundo gol correu em direção a Mbappé, enquanto o time celebrava com Cavani. Depois, só depois, Neymar fez lá um carinho em Cavani. Frio. Mais para as câmeras do que qualquer coisa.

Claramente existe algo ali. Só não vê quem não quer. Está bem longe de estar resolvida a questão entre eles.

No segundo tempo, o Bayern continuou em cima. Literalmente. Todas as tentativas eram por cima. Mas podiam ficar jogando uns três dias que não sairia o gol do Bayern.

E logo começaram a aparecer mais chances de contra ataque para o PSG. Em uma delas, após jogada iniciada por Dani Alves, Mbappé penteou a bola, só não fez chover dentro da área e cruzou. No rebote, Neymar deixou o dele.

O time inteiro correu para celebrar com Mbappé. Quando substituído, foi aplaudido em pé pelo Parque dos Príncipes.

Deu para notar que tanto Neymar quanto Cavani se sentem muito mais à vontade buscando se associar a Mbappé. E este mostra incrível maturidade e capacidade de fazer as melhores escolhas. Dar o passe para quem realmente tem que receber o passe, sem fanfarronices ou querer jogar para a torcida. Esse garoto vai longe.

Com 3 a 0, Neymar bateu uma falta. Cavani bateu outra. Se cumprimentaram. Não teve o pênalti que todo mundo queria. A relação está fria mas, em uma noite ótima para o Paris, o clube não foi afetado negativamente. Lógico, teremos que ver como a coisa evolui ao longo da temporada e, o principal, teremos de ver o que acontecerá com os pênaltis e o que acontecerá em jogos em que as coisas não estiverem dando certo.

Tanto a coisa está pegando que, em um lance parecido com o do primeiro gol, Neymar habilitou Daniel Alves para finalizar e fazer o quarto. Mas Daniel preferiu cruzar para Cavani fazer mais um. Foi nítida a intenção do lateral brasileiro.

O jogo não sela a paz entre Neymar e Cavani. Mas mostra que eles podem conviver em campo sem prejudicar o time. Só não podem querer disputar a amizade e os passes de Mbappé da maneira infantil como disputaram as cobranças de pênalti e falta dez dias atrás.

O Bayern de Munique tem problemas. Falta criatividade no ataque e sobram espaços para os adversários contra golpearem. Vai ficar em segundo neste grupo, e vamos ver que peças Carlo Ancelotti vai mover para o gigante alemão ser forte no mata-mata, no ano que vem.

 


Cristiano Ronaldo, melhor “9” do mundo, encaminha vaga do Real
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juliogomes

Cristiano Ronaldo usa a 7. Já jogou pelos lados. Era usado eventualmente como centroavante, até nos tempos de Manchester United e seleção portuguesa de Felipão isso acontecia. Mas era esporádico. O tempo passa. Diminuem a velocidade e a capacidade de driblar, o gajo virou um '' camisa 9″ de vez no Real Madrid. E adivinhem só? É o melhor 9 do mundo.

Atacantes de área que sejam matadores, sejam altos, façam pivô e também saibam cair para os lados, abrir espaços e jogar para time estão virando coisa rara. Tem Suárez, Cavani, Lewandowski, Benzema, Kane… cada vez mais outro tipo de jogador é usado no comando de ataque. Gente com mais mobilidade, como Gabriel Jesus, por exemplo.

Muitos times jogam sem o tradicional 9 ou com um falso 9.

Com a lesão de Bale, na temporada passada, e a de Benzema, nessa, Zidane resolveu deixar Cristiano Ronaldo ali no comando do ataque mesmo. Oficializou. A posição dele agora é essa. Assim como Romário, um dia velocista (e já goleador), virou o rei da área a seu tempo.

Com os dois gols em Dortmund nesta terça-feira, Cristiano Ronaldo chegou a 411 gols em 400 partidas oficiais com a camisa do Real Madrid. Qua-tro-cen-tos-e-on-ze. Isso aí.

O jogo acabou 3 a 1, e foi a primeira vitória do Real em Dortmund, um campo historicamente difícil. Um jogo muito aberto desde o início, com os dois times trocando golpes e chances. E já sabe, quando se joga assim contra o Real Madrid, geralmente se paga um preço.

É verdade que teve o possível pênalti de Sergio Ramos, salvando o que seria o 1 a 0 do Borussia com o braço. Me parece que Navas toca na bola e ela espirra em Ramos, o que não significaria penalidade (bola na mão). Polêmica à parte, o Borussia desperdiçou várias chances ao longo do jogo. E o Real foi muito mais eficiente, em uma grande partida de Bale (fez um golaço, o primeiro, e deu o passe para o segundo).

O grupo H, chamado de ''grupo da morte'' desde o sorteio, vai pintando como grupo da morte… do Borussia.

Real e Tottenham têm seis pontos, Borussia e o saco de pancadas Apoel têm zero. O Borussia precisará ganhar os dois jogos contra o time cipriota e, de preferência, torcer para o Tottenham perder as duas do Real. Assim, decide tudo no confronto direto contra os ingleses.

Outros grupos

No grupo E, o Sevilla venceu o Maribor, como esperado, e o Liverpool só empatou em Moscou contra o Spartak. São dois empates do Liverpool, que agora precisa fazer o lógico e vencer as duas contra o Maribor para respirar. A boa notícia foi o ótimo gol marcado por Philippe Coutinho, que parece estar de volta.

No grupo F, o Manchester City, que está pegando fogo e talvez seja o melhor time da temporada até agora, fez 2 a 0 no Shakhtar Donetsk. O Napoli fez 3 a 1 no Feyenoord. O City têm 6, Shakhtar e Napoli têm 3. Os napolitanos precisam somar algum ponto nos jogos contra o City e torcer pelo Feyenoord contra o Shakhtar.

No equilibradíssimo grupo G, o Besiktas chegou à segunda vitória ao bater o Leipzig, com um belo gol de Talisca. E a surpresa ficou para os 3 a 0 que o Monaco levou em casa do Porto. O Besiktas está bem posicionado no grupo, com 6 pontos, e o Monaco, com apenas 1 ponto, terá de se virar para não ser eliminado. Os dois se enfrentam duas vezes, e o mesmo farão Porto e Leipzig.

 


Sandro Meira Ricci e o autoritarismo
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juliogomes

Somos os campeões mundiais de jogadores chiliquentos. Eu não nego este fato e sou um combatente deste bom combate. Acredito que deve haver menos pressão sobre os árbitros para que eles possam fazer o seu trabalho. Aqui no Brasil, o país do mimimi, somos muito condescendentes com o… mimimi.

Mas o que Sandro Meira Ricci fez na noite desta segunda, na Ilha do Retiro, extrapola completamente o que um árbitro deve fazer em campo. É confundir autoridade com autoritarismo.

Árbitros não são meros aplicadores de regras. Para isso, bastaria um robô. Em um esporte tão sujeito a interpretações, árbitros precisam ser mediadores. Eles não são e não podem ser o espetáculo. O ideal é que ninguém nem perceba que eles estejam por ali.

Uma coisa é errar. São muitos lances rápidos, muitos lances milimétricos, árbitros são humanos e podem errar. O que não podem é querer o protagonismo. Não podem querer ser a principal figura em campo. É o que muitos querem.

Assim como tantos policiais extrapolam suas funções. Assim como muitos juízes e desembargadores se acham seres superiores. O mesmo ocorre com árbitros de futebol. Alguns corações simplesmente não comportam tanto poder. Como bem definiu o jornalista Pedro Galindo, alguns árbitros brasileiros têm um ''fetiche militaresco''.

Diego Souza é seguro pela camisa seguidas vezes no mesmo lance. Dá um chilique. Sandro Meira Ricci dá cartão amarelo ao vascaíno que cometeu a falta. E logo para Diego Souza. Que já estava p da vida. E solta um sonoro ''vai tomar no c…''. Não para o árbitro. Para o mundo. Um termo para lá de consagrado nos campos de futebol.

Imaginem se todos os ''vai tomar no c…'' fossem premiados com cartão vermelho?

Sandro Meira Ricci poderia ter chamado Diego de lado, poderia ter fingido que não ouviu, poderia ter batido um papo e ainda assim dado amarelo pelo chilique, poderia ter agido de várias maneiras para mediar um momento de extremo nervosismo do jogador que acabara de sofrer cinco puxões de camisa e abraços de urso.

Mas não. O que ele quer é provar que é o suprasumo master da face da Terra. E, em 5 segundos, mostra amarelo e vermelho.

Dar um cartão vermelho com 20min de jogo para mim equivale a um pênalti aos 40min do segundo tempo. É muito determinante para o resultado. O árbitro só pode fazer isso em casos extremos. Repito: árbitros não estão lá para intervir tanto e definir partidas mas, sim, para mediá-las.

Vanderlei Luxemburgo criticou Ricci por ter demorado tanto para marcar a falta sobre Diego Souza e ''irritar o jogador''. Mas depois considerou a expulsão correta, o que mostra bem como está a relação entre técnico e comandado em um Sport que é um dos times em pior estado de forma no campeonato.

Não quero passar a mão na cabeça de Diego Souza. Apenas não gosto de justiça seletiva.

O Sport ainda fez um grande jogo mesmo assim e buscou o empate. Superando um pênalti mal marcado e depois desmarcado, em lance que nos faz desconfiar de novo da ajuda seletiva do tal árbitro de vídeo.

A arbitragem brasileira beira o caos. Mas, muito mais do que erros técnicos e as polêmicas de vídeo, o que mais irrita são a falta de critério e o excesso de autoritarismo de alguns.

Precisamos de menos mimimi dos jogadores. E menos autoritarismo dos árbitros. Um pacto nacional. Com Supremo, com tudo, como diria certo senador.

 


O São Paulo parece ter mais medo de ganhar do que de perder
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juliogomes

O São Paulo foi muito melhor do que o Corinthians no primeiro tempo. Mais intenso. Era, como esperado, o time mais a fim de jogo. Afinal, uma vitória tiraria o São Paulo da zona de rebaixamento para, provavelmente, não mais voltar para ela.

Não foi ''uma aula de futebol'', como definiu Petros. Mas foi uma boa atuação. No segundo tempo, se defendia bem e criava problemas no contra ataque. Um raro jogo ruim de Cássio, que falhou no gol de Petros e não inspirava confiança alguma quando exigido (até salvar no finalzinho). Uma chance de ouro para fazer o 2 a 0 em uma espetada fatal e passar um belo domingo com a família.

Mas aí Cueva, que estava muito bem, cansa (tinha mesmo que sair?). Aí Dorival resolve fechar a casinha (excesso de cautela com muito relógio para correr). Aí o Júnior Tavares resolve ganhar um tiro de meta. Aí o Denilson passa voando como uma borboleta no rebote. E…

O São Paulo parece ser um time com mais medo de ganhar do que de perder. Joga bem, cria jogo, abre vantagem e, ato seguido, se encolhe, se acanha, se perde.

O empate é ruim? Não. Basta pensar friamente. É um empate contra o líder do campeonato, um time de quase 80% de aproveitamento quando joga fora de casa – que é como se sente mais confortável.

Um erro de grandes que lutam para não cair é desprezar esses pontinhos e querer ganhar sempre. O erro do próprio São Paulo contra o Palmeiras, no Allianz. Não cair é somar, somar e somar. Mesmo que de um em um. É diferente da luta pelo título, em que somar de um em um costuma não servir.

A priori, pois, o empate não pode ser desprezado. Mas era uma chance gigante de acabar com o drama do rebaixamento. Se o São Paulo ganha do rival mais detestado pela torcida, ganha do líder e sai do Z4… a confiança volta de vez. Não cairia mais.

Volta à estaca zero? Não. Mas o São Paulo ainda pode acabar a rodada no Z4. O próximo jogo, contra o Sport, pior time do returno, se transforma em um daqueles do tipo ''ou ganha ou ganha'' – e jogos assim são extremamente perigosos.

Já o Corinthians dá mais um passinho para o cantado título. Cresceu no segundo tempo, Carille mexeu bem, encontrou o empate e, com um pouco de sorte, poderia até ter vencido. Romero foi muito mal, Jadson abaixo, de novo, mas Rodriguinho, que vinha de uma expulsão besta na Argentina, fez um ótimo segundo tempo e foi decisivo para o empate.

A nota triste fica para a comemoração de Gabriel, do Corinthians, que já havia sido substituído e estava no banco quando saiu o gol de empate. Virou-se para a torcida do São Paulo e fez gestos obscenos. Podemos nos lembrar também das abobrinhas que falou do Palmeiras no começo do ano. Estou para ver jogador mais burrinho e inconsequente.

 


Brasileiro, ato 25: clássico é mais determinante para o São Paulo
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juliogomes

Pouca coisa importa mais daqui até o final do ano do que o clássico entre São Paulo e Corinthians, pela 25a rodada do Brasileiro.

O título está definido faz tempo, no meu ponto de vista. Os tropeços do Corinthians são normais, o anormal foi o aproveitamento do primeiro turno. Seu adversário mais próximo abandonou o campeonato, e os que vêm atrás não dão a menor pinta de ganhar quase todos os jogos daqui até o final.

Se o Corinthians perder, portanto, é pior por levantar o rival do que pelo risco de perder o título. Uma vitória sobre o líder possivelmente tire o São Paulo da zona de rebaixamento para não mais voltar. Esse é o jogo que significará o fim da agonia tricolor em caso de vitória.

Já a vitória corintiana não significa o rebaixamento do São Paulo, claro que não. Ainda faltam muitos jogos. Mas seria uma paulada na cabeça, justo quando as coisas parecem tomar um rumo certo.

O jogo é muito mais transcendental para o São Paulo. E com estádio lotado. E com torcida única. É uma pressão enorme e que um time como o Corinthians tem tudo para aproveitar. Todos sabemos como o Corinthians se defende bem, gosta de dar a bola para o adversário e se aproveitar dos erros alheios.

Além do mais, não é à toa que a torcida corintiana chama o Morumbi de ''salão de festas''. Além dos muitos títulos conquistados, há uma significativa vantagem do Corinthians no retrospecto contra o rival. E há os absurdos 80% de aproveitamento fora de casa neste campeonato.

A chave para o São Paulo é não cometer erros em setores fundamentais do campo. Para o Corinthians, melhorar a pontaria e aproveitar esses erros.

Esta é uma rodada com quase nenhum favorito claro, são jogos muito parelhos. Este é mais um deles. As casas de apostas dão ligeiro favoritismo para o São Paulo. Este blogueiro, para o Corinthians.

Na semana passada, tivemos 70% de aproveitamento nas dicas de apostas. Vamos aos prognósticos.

DOMINGO

11h São Paulo x Corinthians (Morumbi)
Turno: SCCP 3-2
Colocação: 17-SPFC (27), 1-SCCP (53)
Prognóstico: 0-2 Corinthians
Aposta: duplo, empate ou Corinthians
A última vez que o São Paulo venceu dois jogos seguidos foi quatro meses atrás (segunda e terceira rodadas do Brasileiro). O Corinthians venceu só um de seus últimos cinco jogos, fez só três gols nos últimos sete. Histórico: nos últimos 20 jogos entre eles no Brasileiro, o Corinthians ganhou 8 contra só 3 do São Paulo. Nos últimos 20 jogos entre eles no Morumbi (10 anos), foram 4 vitórias são-paulinas. O Corinthians entra em campo sem desfalques, com o time que Carille considera ideal.

16h Fluminense x Palmeiras (Maracanã)
Turno: Palmeiras 3-1
Colocação: 4-Palmeiras (40), 11-Flu (31)
Prognóstico: 0-2 Palmeiras
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Entre 2010 e 2014, o Flu ganhou sete seguidas contra o Palmeiras. Desde 2015, no entanto, o Palmeiras engatou cinco vitória seguidas. Cuca insiste em falar em título e, se o Palmeiras quiser se posicionar como adversário do Corinthians nesta briga, tem que ganhar, ganhar e ganhar. O Flu chega ao jogo após desgastante viagem a Quito pela Sul-Americana.

16h Coritiba x Botafogo (Couto Pereira)
Turno: 2-2
Colocação: 18-Coxa (27), 7-Fogo (37)
Prognóstico: 1-1
Aposta: menos de 2,5 gols
O Coritiba é um novo integrante da zona de rebaixamento, após cinco jogos sem vitória (e apenas um gol marcado). Já o Botafogo, após a triste (mas digna) eliminação na Libertadores, volta suas atenções para o Brasileiro, na tentativa de se classificar de novo para a competição sul-americana. Pimpão será o único poupado após a derrota em Porto Alegre. É um jogo que promete ter poucos gols e com ligeiro favoritismo para o Botafogo, que é mais time.

16h Atlético-GO x Cruzeiro (Olímpico-GO)
Turno: Cruzeiro 2-0
Colocação: 20-Atlético (22), 6-Cruzeiro (37)
Prognóstico: Atlético 1-0
Aposta: Alguém ficará no zero
Se o Atlético-GO vencer, estará oficialmente na briga para não cair – passou o campeonato todo como um virtual rebaixado, mas é um dos melhores do returno e respira. O Cruzeiro também vem bem e ganhou 10 dos 12 pontos possíveis no returno, mas tem muitos desfalques por cartões e mandará um time reserva, de olho na final da Copa do Brasil. É, portanto, uma chance de ouro para o Dragão.

16h Chapecoense x Ponte Preta (Arena Condá)
Turno: Ponte 3-2
Colocação: 14-Chape (28), 15-Ponte (28)
Prognóstico: Chape 2-0
Aposta: melhor fugir!
Jogo de difícil prognóstico e de muita importância. Os dois estão fora da zona de rebaixamento por apenas um ponto e foram os mais recentes a demitir técnicos. A Chape vai dando tempo para o interino Emerson Cris, enquanto a Ponte reestreia Eduardo Baptista (com muitos desfalques). Aposto na Chape somente pelo fator casa.

19h Atlético-MG x Vitória (Independência)
Turno: Vitória 2-0
Colocação: 10-CAM (31), 19-Vitória (26)
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
O Atlético não perdia para o Vitória desde 2010 até jogo o turno (que foi uma das duas vitórias em casa do pior mandante do campeonato). O segundo pior mandante é justamente o Galo, enquanto o Vitória é o quarto melhor visitante, joga muito melhor fora de casa. Nas casas de apostas, o Atlético é o maior favorito da rodada, mas não consigo ver isso de forma tão clara, apesar de o time inspirar um pouco mais de confiança.

19h Bahia x Grêmio (Fonte Nova)
Turno: Grêmio 1-0
Colocação: 16-Bahia (27), 2-Grêmio (43)
Prognóstico: Bahia 3-1
Aposta: coluna 1
E lá vai o Grêmio reserva, que não ganhou de ninguém até agora, para mais uma partida. Renato poupa antes e também depois dos jogos da Libertadores. Quanto desperdício. Chance para o Bahia, que não costuma se dar bem contra o Grêmio, mas precisa vencer essa para respirar.

SEGUNDA

20h Sport x Vasco (Ilha do Retiro)
Turno: Vasco 2-1
Colocação: 12-Sport (29), 9-Vasco (31)
Prognóstico: 1-2 Vasco
Aposta: vale arriscar uma coluna 2, com empate anula
O Sport é o lanterna do returno e também o pior time do campeonato se fizermos um recorte das últimas dez rodadas. É perceptível o momento do time pela entrevistas de Luxemburgo, cada vez mais tensas. Apesar de avançar na Sul-Americana, pelo Brasileiro são sete jogos sem vítória, a última já há dois meses. O Vasco, por outro lado, é um time melhor desde a chegada de Zé Ricardo.

* os prognósticos dos jogos de sábado foram de 2 a 1 para o Flamengo e 2 a 0 para o Atlético-PR. Dois erros, pois.


O grande injustiçado na lista de finalistas do prêmio da Fifa
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juliogomes

A Bola de Ouro voltou a ser o que era. Então, sinceramente, o prêmio Fifa volta, para mim, a ser o que era. Um prêmio secundário. Sei que serei minoria no Brasil, um país obcecado por chancelas oficiais de títulos, prêmios e por aí vai.

Independente disso, saltou aos olhos uma gigantesca injustiça. E que, aliás, mostra bem por que o prêmio da Fifa não deve ser levado tão a sério. Os votantes, em sua esmagadora maioria, são pessoas à margem, muito à margem, de onde o futebol é jogado, estudado, conversado. São pessoas que veem jogos pela TV e acabam influenciados pela própria mídia local. Até pelo marketing mundial imposto por grandes marcas.

Não é possível que uma lista dos três melhores técnicos da temporada não tenha Leonardo Jardim, o português de 43 anos de idade que levou o Monaco ao título francês e à semifinal da Champions League (passando, no caminho, pelo time de Guardiola).

São feitos inacreditavelmente mais difíceis de serem atingidos do que, por exemplo, os de Antonio Conte e Massimiliano Allegri, os outros finalistas ao lado de quem será o óbvio vencedor, Zinedine Zidane (e com justiça).

Allegri levou a Juventus a mais um doblete na Itália e à final da Champions. Conte levou o Chelsea ao título da Premier inglesa, tendo a devida folga no calendário por não ter disputado competições europeias. Grandes feitos, grandes trabalhos, palmas para eles.

Mas e o que fez Jardim no Monaco?

Nascido na Venezuela, mas filho de pais portugueses, voltou cedo à terrinha e é um desses exemplos de como o conhecimento teórico do futebol está aprofundado e rendendo grandes frutos em Portugal. Leonardo Jardim não foi jogador de futebol, como tantos outros portugueses de sucesso. Começou como assistente técnico aos 27 anos.

Depois de duas ótimas temporadas no Sporting, foi pescado pelo Monaco em 2014. E, em sua terceira temporada, o time explodiu. A ponto de conquistar um campeonato amplamente dominado pelo Paris Saint-Germain nos últimos quatro anos.

Chegar entre os quatro semifinalistas da Champions pode ser algo fortuito, dependendo da trajetória, dos sorteios, mas as chancelas foram o título francês e o fato de o Monaco ter apresentado uma quantidade de gols absurda na temporada, próxima de Real Madrid e Barcelona.

Mas, mais do que conquistas, já que evito ser um resultadista, o que mais chama a atenção são os frutos que o trabalho de Leonardo Jardim trouxe ao Monaco.

O Monaco vendeu o lateral Mendy e o meia Bernardo Silva ao Manchester City por 107 milhões de euros, o volante Bakayoko ao Chelsea por 40 e, claro, a cereja do bolo, emprestou Mbappé, de 18 anos, ao PSG e receberá 180 milhões de euros por ele no ano que vem.

Mendy, de 23 anos, havia sido comprado por 13 milhões um ano antes, foi embora por 57,5 – mais de 300% de lucro. Bernardo Silva chegara junto com Jardim, por empréstimo. Em janeiro de 2015, o Monaco pagou ao Benfica 15 milhões de euros por ele. Foi vendido por três vezes mais – e o valor pode chegar a 75 milhões com bônus de desempenho. E Bakayoko, que tem a mesma idade que os dois jogadores do City, foi comprado por 8 milhões junto ao Rennes, também chegou junto com Jardim. Foi vendido por cinco vezes mais.

Tem Mbappé, claro, pinçado da base do Monaco e trabalhado dentro do próprio clube. Isso sem contar outros tantos jovens que ainda estão no elenco do Monaco ou que o clube trouxe por preços baixos no mercado. Gente como Lemar, Tielemans…

Esse é o trabalho que mais valorizo em um treinador de futebol: a construção de jogadores. Ainda mais um cara que não tem o respeito imediato da boleirada, por não ter sido jogador. Ninguém passou nem perto de mudar o mapa do futebol europeu como Leonardo Jardim. Seu trabalho pode ter repercussão até mesmo na Copa do Mundo do ano que vem – se a França for campeã, será porque essa turma toda do Monaco foi aproveitada e jogou bem.

Neymar entrou na lista dos três melhores pelo nome que tem. Foi uma temporada de um jogo só. Mas até aí, tudo bem. Cristiano Ronaldo ganhará o prêmio Fifa, a Bola de Ouro, nos votos dos outros jogadores, nos votos entre quem fala português, entre quem não fala, entre homens, entre mulheres, entre quem não viu um jogo sequer, entre quem viu todos. Enfim.