Blog do Júlio Gomes

Vinte polêmicas que o árbitro de vídeo poderia ter evitado (ou criado)
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juliogomes

Depois do famoso gol de braço de Jô no fim de semana, agora a CBF quer implementar o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro. Sofre críticas, logicamente. Afinal, é uma novidade, uma mudança cultural e temos visto muita polêmica na Alemanha e na Itália, onde os campeonatos locais já utilizam o recurso da tecnologia.

Só com o tempo os critérios serão acertados, árbitros serão treinados e se acostumarão. Portanto, colocar a coisa em prática de um dia para o outro é pedir para ter problemas. Isso sem contar a isonomia da competição, muito afetada, já que durante 24 rodadas clubes que foram prejudicados não puderam contar com tal auxílio.

O blog separou alguns lances que, se analisados em vídeo, possivelmente teriam mudado a história de jogos do Campeonato Brasileiro. Claro que não falo abaixo de todos os erros de arbitragem. Mas de algumas polêmicas que marcaram a competição até agora. E também de lances em que, talvez, o árbitro de vídeo vai servir mais para atrapalhar do que ajudar.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Rodada 1

Avaí 0 x 0 Vitória
Começamos logo com um lance em que não tenho opinião formada sobre como o processo deve ocorrer. O Avaí foi prejudicado, e a CBF admitiu, ao não ter um pênalti claríssimo marcado aos 36min do segundo tempo. É lógico que, pelo vídeo, o árbitro seria avisado do erro. Mas clique e perceba que o árbitro vê o lance perfeitamente e escolhe não dar pênalti. O que fazer? Inicialmente, em casos assim, tendo a achar que deve valer a interpretação do árbitro ali no campo. Se ele não tiver visto o lance, aí sim, manda a opinião de quem vir pelo vídeo. Felipe Gomes da Silva foi o árbitro que conseguiu não apitar esse pênalti.

Corinthians 1 x 1 Chapecoense
Também na primeira rodada, o árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha (sim! o mesmo Elmo que validou o gol de Jô no domingo) deixou de dar pênalti para a Chape quando o jogo estava 0 a 0 em Itaquera. Gabriel bloqueia o chute com os braços abertos, pênalti claro. De novo, o árbitro vê e resolve não apitar. Mas neste caso, ao contrário do lance acima, a velocidade pode trair os olhos do árbitro. Ele pode não notar o bloqueio com o braço e ser auxiliado pelo vídeo. É o que, imagino, aconteceria.

Grêmio 2 x 0 Botafogo
Este é o típico lance que seria invalidado. O segundo gol do Grêmio é irregular, Luan toca com a mão na bola. O árbitro Braulio Machado está encoberto pelo corpo do gremista. E, com a infeliz incompetência dos auxiliares, sobraria para o vídeo apontar a infração.

Rodada 2

Vasco 2 x 1 Bahia
Mais um lance super complexo, em que critérios precisariam ser definidos com antecedência. Jean, do Vasco, deveria ter sido expulso aos 21min de jogo por essa falta. O árbitro Leandro Marinho vê a falta e escolhe dar o amarelo. Ele erra. Será que seria corrigido pelo vídeo? Acredito que não, pois ele simplesmente interpretou de maneira errada. Uma expulsão na metade do primeiro tempo, ainda com 0 a 0, poderia ter mudado o jogo.

 

Rodada 7

Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR
Aqui temos o típico lance que seria corrigido pelo vídeo e alteraria o destino do jogo. O Galo teve um gol de Rafael Moura mal anulado por impedimento de Marlone (que não existia). Já era metade do segundo tempo. O jogo, que deveria estar 1 a 0 para o time da casa, seria vencido no finalzinho pelo Furacão. Mais uma derrota no Horto. Algumas rodadas depois, Roger seria demitido do Atlético-MG. Percebam aqui o quanto a arbitragem de vídeo poderia ter mudado o destino das coisas.

Coritiba 0 x 0 Bahia
Na mesma rodada, Kleber Gladiador deu um soco na cara de Edson, do Bahia. Deveria ter sido expulso e deveria ter sido marcado pênalti para o Bahia. Kleber seria expulso mais tarde neste mesmo jogo por Wagner Reway que, imagino, não viu o soco anterior e, por isso, não marcou nada. Com o vídeo, a CBF posteriormente puniu disciplinarmente o jogador do Coritiba. Mas, nos 90 minutos, a ausência de vídeo prejudicou o Bahia.

 

Rodada 8

Coritiba 0 x 0 Corinthians
Um lance muito falado na época. Jô faria o gol da vitória do Corinthians no finalzinho, mas um impedimento inexistente foi assinalado.

 

Rodada 11

Sport 1 x 0 Atlético-PR
Outro erro grotesco, agora de Grazianni Maciel Rocha, que viu toque de mão de Wanderson, do Atlético-PR. A bola nunca tocou na mão do jogador, o árbitro se equivocou e teria sido corrigido pelo vídeo. O pênalti mal marcado, já aos 28min do segundo tempo, acabou dando a vitória ao Sport. Eduardo Baptista seria demitido do Atlético-PR após a rodada seguinte.

Rodada 14

Chapecoense 2 x 0 São Paulo
Separei este lance porque, creio, será um exemplo de polêmica recorrente com o árbitro de vídeo. O juiz Wagner Magalhães não marca o suposto pênalti de Grolli em Pratto. Eu também não marcaria. Mas a CBF considerou um erro. Esse agarra-agarra na área acontece sempre e é difícil saber se o zagueiro realmente imprimiu carga suficiente para derrubar o adversário. Pelo vídeo, em câmera lenta, tudo parece falta. Qual será o critério de marcação? Tenho certeza que haverá inconsistências, às vezes dentro do mesmo jogo.

Rodada 15

Flamengo 2 x 2 Palmeiras
Muita reclamação do Flamengo com o árbitro Jailson Freitas por duas faltas de Mina em Guerrero, em lances que originaram os gols palmeirenses. A segunda foi dentro da área, seria pênalti pro Flamengo. Imaginem só. Com o vídeo, o juiz anularia o gol do Palmeiras e daria pênalti para o Flamengo. Não dá para mudar muito mais o destino de um jogo.

Rodada 16

Vitória 1 x 2 Chapecoense
Marcelo de Lima Henrique apitou o que talvez tenha sido o jogo com maior número de erros. Anulou um gol do Vitória por impedimento por não ver que o próprio jogador da Chape havia tocado a bola para trás. Depois, marca corretamente pênalti para a Chape, mas erra ao não expulsar goleiro do Vitória. Ainda deu um pênalti inexistente pro Vitória, mas, já com 1 a 2, aos 37min do segundo, deixa de dar um pênalti para o time baiano. Todos estes lances que poderiam ter sido corrigidos pelo vídeo. Ou seja, o jogo teria uma história completamente diferente desde o início

Atlético-GO 1 x 1 Botafogo
Paulinho empatou para o time da casa, a 15min do final do jogo, em posição irregular. Um gol que teria sido anulado pelo árbitro de vídeo, e possivelmente o Botafogo teria saído com a vitória.

Rodada 17

Corinthians 1 x 1 Flamengo
Uma das grandes polêmicas do campeonato, já que foi o jogo entre os dois times mais populares do país. Jô teve outro gol mal anulado, pois não estava em posição de impedimento. Lance que teria sido facilmente validado com o uso do vídeo. Ricardo Marques era o árbitro.

Cruzeiro 0 x 0 Vitória
Um pênalti não dado para o Vitória no meio do segundo tempo (mão de Ariel Cabral, que salta para bloquear um cruzamento com os braços abertos) marcou a arbitragem de Dewson Fernando Freitas da Silva. Não é possível, pela imagem, saber onde estava o juiz, se ele viu ou não viu. Mas seria facilmente marcado com o auxílio do vídeo.

 

Rodada 19

Bahia 2 x 1 São Paulo
Dois lances no mesmo jogo que prejudicaram o São Paulo. No primeiro gol do Bahia, há impedimento na origem da jogada. E, já com 2 a 1, há um pênalti não dado pro São Paulo (camisa puxada na área). Dorival reclamou muito, mas a CBF ignorou os erros em seu site.

Rodada 20

Sport 0 x 0 Ponte Preta
Leandro Vuaden decidiu não marcar pênalti para o Sport neste lance. A meu ver, o jogador da Ponte claramente leva a mão até a bola, talvez por reflexo, mas não importa. A CBF, no entanto, considera que Vuaden acertou ao não marcar nada. Como seria com a arbitragem de vídeo? Valeria a interpretação de Vuaden na hora? Ou haveria o risco de alguém que estivesse de olho nas imagens durante o jogo tivesse a mesma opinião que a minha?

São Paulo 3 x 2 Cruzeiro
Rafael Traci foi muito criticado por um pênalti dado sobre Gilberto, que significaria o terceiro gol e a vitória do São Paulo. A CBF concordou com a marcação. Mas foi contra a maré, pois todos os analistas de arbitragem e a maioria dos jornalistas consideraram que não houve infração alguma no lance. O que teria dito o árbitro de vídeo em sua comunicação com o juiz de campo?

Rodada 23

Atlético-PR 1 x 1 Coritiba
Outro lance em que o árbitro de vídeo poderia simplesmente ter uma interpretação diferente do árbitro de campo. Anderson Daronco não marca pênalti em Rildo e tem o apoio da CBF em sua decisão. Tem o meu também. Rildo é o maior piscineiro do futebol brasileiro e busca o contato com o zagueiro do Atlético para ludibriar o árbitro. Mas Salvio Spinola, por exemplo, e muitas outras pessoas acharam que era lance de pênalti. E se o árbitro de vídeo também achasse ali na hora? Bom lembrar que, na continuação do lance, saiu o pênalti que resultou no empate do Atlético-PR.

 

Rodada 24

Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Ainda com o jogo empatado, houve um puxão de Hudson na área e o árbitro Wagner Reway deixou de marcar pênalti para o Bahia no fim do primeiro tempo. O vídeo poderia ter alterado a história do jogo.

Corinthians 1 x 0 Vasco
E, claro, como não poderia deixar de ser, o jogo da polêmica mais recente. O Corinthians venceu com um gol irregular de Jô, mas reclamou de três pênaltis não marcados para ele antes disso – dois sobre Jô, um sobre Balbuena em lance de escanteio. Qualquer um destes poderia ser apontado pelo árbitro de vídeo, dependendo da interpretação. E, claro, o gol de Jô teria sido rapidamente invalidado.

 


Árbitro de vídeo é necessário, mas cria risco de tapetão no Brasileiro
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juliogomes

A notícia do dia é essa aqui, assinada pelos ótimos Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos. A CBF resolveu antecipar o uso de árbitro de vídeo no Brasileiro, após o gol de Jô no domingo, que deu a vitória ao Corinthians sobre o Vasco. O lance foi irregular e seria facilmente anulado por vídeo.

Eu sou um grande defensor do uso do vídeo no futebol. Mas coisa ainda está engatinhando e há inconsistências.

Não há debate sobre lances de bola entrar ou não e de impedimento. São lances que são ou não são, sem margem de interpretação. Não tem meio gol ou meio impedimento. Se, com o posicionamento de câmeras e tecnologia, for possível cravar o lance, nem precisamos de árbitros para checar o vídeo. É preciso ter a confiabilidade do olho do falcão, do tênis.

Há outros lances bem mais complexos. Há pênaltis claros que árbitros simplesmente não viram e apitariam se tivessem visto. Mas há outros lances que o árbitro viu no campo e tomou uma decisão (de falta ou não falta, vermelho ou não vermelho). E aí? Por que deixar nas mãos de outros dois ou três árbitros, no ar condicionado, vendo o lance em câmera lenta?

Há erros de direito, tipo o cartão equivocadamente dado a Gabriel, do Corinthians, no famoso dérbi do Paulistão. Esses seriam corrigidos com vídeo.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Enfim, há muito debate sobre o uso. Quando ele é correto e justo? É preciso de tempo. De dinheiro. De testes. De preferência em campeonatos menores.

Implementar o árbitro de vídeo no meio do Campeonato Brasileiro cria uma inconsistência impressionante. E, possivelmente, jurídica.

Em vários lances, teremos ''justiça'' daqui para frente. Mas e os que ficaram para trás na mesma competição?

O gol irregular de Jô contra o Vasco. Os dois impedimentos mal marcados de Jô, que prejudicaram o Corinthians contra Coritiba e Flamengo. O pênalti escandaloso não dado para o Avaí contra o Vitória, lá na primeira rodada. Bolas que não sabemos se entraram ou não entraram em um par de jogos, como Fluminense x Chapecoense. Tem para todos os gostos, 24 rodadas já foram disputadas, 239 jogos.

Este blog tem feito um levantamento desde o início do campeonato de erros de arbitragem – com a ajuda de especialistas de diversos canais de TV e as próprias análises da CBF. Até agora, foram 46 pênaltis que deveriam ter sido marcados e não foram. Houve 13 pênaltis mal marcados. Gols mal anulados? 9. E outros 13 gols irregulares que acabaram sendo validados.

São muitos erros que ficaram para trás e que poderiam, se houvesse árbitro de vídeo, ter construído uma história diferente do campeonato. Tudo seria diferente.

Nem mesmo na Alemanha, um país ultraorganizado em tudo, o árbitro de vídeo passa ileso. O Colônia quer a anulação do jogo deste fim de semana, em que perdeu por 5 a 0 do Borussia Dortmund.

Imaginem aqui, no país do tapetão, o que acontecerá com uma implementação desse tipo em pleno voo? Haverá argumento jurídico de sobra para quem se sentir prejudicado. Apertem os cintos. Vem bagunça por aí.

Adendo: o Regulamento Geral do Brasileiro meio que cria uma proteção para isso, como podemos ver abaixo. Mas, sinceramente, acho que é uma proteção bastante frouxa.

Art. 77 – O uso de ''AV'' deve ocorrer, a partir do momento em que a Comissão de Arbitragem da CBF apresente condições técnicas e materiais – o que poderá se dar no curso de qualquer das competições que coordena, independentemente de fase.
§ 1º – A CBF não está obrigada a utilizar a tecnologia da arbitragem em todos os jogos da
mesma competição ou da mesma rodada, na medida que depende de condições técnicas e
materiais para fazê-lo.

 


E agora, Jô? Por que não fez o mesmo que Rodrigo Caio?
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juliogomes

O Corinthians já foi prejudicado duas vezes neste campeonato em lances capitais. Gols mal anulados contra Coritiba e Flamengo. Já teve dois pênaltis mal marcados contra ele, mas quatro não marcados que seriam contra ele. Como todo time, é vítima e beneficiado da péssima arbitragem que marca o futebol brasileiro.

Neste domingo, contra o Vasco, em Itaquera, foi beneficiado. Ganhou por 1 a 0, com gol de mão de Jô. No cruzamento de Marquinhos Gabriel, possivelmente a bola entraria. Mas, quando ela estava em cima da linha, foi empurrada para dentro do gol pelo braço de Jô. Se houvesse árbitro de vídeo no Brasil, o lance seria anulado. Não há margem para outra interpretação.

Não é um lance de falta, por exemplo, em que ambos os envolvidos acham que têm razão. Não há qualquer tipo de dúvida. O jogador sabe o que fez. E o que fez resultou em um gol ilegal.

Jô, é bom lembrar, esteve envolvido em um dos lances mais polêmicos do ano. Em jogo do Campeonato Paulista, receberia cartão amarelo por um suposto choque no goleiro Renan Ribeiro, do São Paulo. Ficaria fora da partida seguinte entre os clubes. Mas Rodrigo Caio avisou o árbitro que havia sido ele, e não Jô, que havia se chocado com o goleiro. O amarelo foi retirado.

Rodrigo Caio foi elogiado por muitos, inclusive Jô. Virou uma espécie de estandarte do fair play.

“Aqui a gente procura ser o mais sincero possível. Em uma situação desta, eu ia sair em defesa, ia elogiar meu companheiro, como o Rodrigo. Essa situação nos traz responsabilidade de fazer igual se acontecer o contrário”, disse Jô, na época.

Alguns criticaram Rodrigo. Houve mal estar no vestiário são-paulino. O fizeram veladamente, como Rogério Ceni ou Maicon. Ou abertamente, como muitos torcedores. O principal argumento? Se fosse um lance decisivo ou se fosse algum jogador do outro time, não haveria a confissão. Caio, portanto, seria um hipócrita.

Estas pessoas, que atacaram a inatacável atitude de Rodrigo Caio, irão gritar forte hoje. ''Está vendo? Não avisei que se fosse o contrário o Jô não teria falado nada?''.

E agora, Jô?

O lance deste domingo não deixa margem para dúvidas. Jô fez o gol com a mão. Sim, o auxiliar que estava a poucos metros do lance deveria ter apontado a falta. Mas não o fez. Jô tampouco. Saiu comemorando.

Aposto que dirá que foi involuntário ou que achava que a bola já estava dentro. Mas comemorou o gol como se fosse dele. E foi.

Rodrigo Caio segue merecendo elogios. A errada atitude de Jô não faz a dele um milímetro equivocada. Jô, que vive um grande ano, o ano da redenção, será campeão e é, na visão deste blog, o jogador mais valioso desta edição do Brasileiro.

Mas deu uma bola fora daquelas. Sim, eu sei que é difícil, com a bola dentro e a torcida comemorando, avisar o juiz da ilegalidade. Mais fácil teria sido não esticar o braço. E, mais fácil ainda, seria termos o árbitro de vídeo. Chega de picaretagem e de horas debatendo tudo, menos futebol.

Atualização: Jô piorou MUITO as coisas após o jogo, com suas declarações. Dizendo que não teve convicção de que a bola havia batido no braço e, se tivesse, avisaria o juiz. Ainda se disse um homem de Deus, coisas do tipo. Era muito melhor ter ficado quieto. Ou dito que não falou nada com o juiz porque a bola já estava dentro. Enfim, qualquer coisa. Decepção total do domingo. E sinto muito por torcedores tão cegos que não percebam a gravidade disso. A malandragem NÃO PODE SER ELOGIADA.

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Brasileiro, ato 24: todos os olhos no jogo do São Paulo
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juliogomes

Sim, é verdade. O Corinthians não está mais inspirando confiança. Mas mesmo que tropece contra o Vasco, domingo, no que promete ser um jogo duro, e mesmo que o Grêmio vença a Chapecoense, a vantagem ainda estará bem confortável para o líder.

Dois detalhes: o Corinthians não perde do Vasco desde 2010, e o Grêmio não venceu uma partida sequer com seu time reserva.

Não adianta. O grande jogo da rodada está mesmo lá na parte de baixo. Um confronto direto entre Vitória e São Paulo. Dois times que não empatam nunca (no retrospecto histórico). O Vitória, pior mandante, ganhou só 2 de 12 jogos em casa. O São Paulo, pior visitante, ganhou só 1 de 12 fora. O que esperar? Tudo. Ou nada.

Deve ser um jogo para lá de tenso, quem perder sabe que estará encaminhando a queda.

É uma rodada com alguns favoritos claros: Ponte Preta, Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras jogam em casa e contra adversários que assustam pouco. Mas já estamos cansados de saber que favoritismo, no Brasileirão, conta para muito pouco.

SÁBADO

19h Botafogo x Santos (Engenhão)
Turno: Santos 1-0
Colocação: 7-Fogo (34), 3-Santos (41)
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Clássico esvaziado. O Santos, invicto há 17 jogos, vai com reservas (só Vanderlei e David Braz foram relacionados) após a viagem desgastante para o Equador. Vecchio volta após dois meses afastado. O Botafogo, outro time com a cabeça na Libertadores, deve mandar um mistão a campo. O Santos venceu os últimos seis jogos contra o Botafogo. São times que fazem e sofrem poucos gols.

21h Ponte Preta x Atlético-GO (Moisés Lucarelli)
Turno: Atlético 3-0
Colocação: 13-Ponte (28), 20-Atlético-GO (19)
Prognóstico: Ponte 2-0
Aposta: coluna 1
A Ponte só venceu uma das últimas sete partidas no campeonato, enquanto o lanterna Dragão perdeu só uma das últimas quatro e esboça reação. Jogo fundamental para a Ponte e Kleina na luta contra o Z4.

DOMINGO

11h Avaí x Atlético-MG (Ressacada)
Turno: CAM 1-0
Colocação: 14-Avaí (28), 11-CAM (30)
Prognóstico: 0-2
Aposta: duplo, empate ou Galo
Um desses jogos para mostrar o quer o Atlético daqui para frente. Brigar no alto e lá embaixo. O Avaí é o líder do returno, não perde há mais de um mês e começa, no discurso, a pensar alto (erro, o objetivo deve ser apenas somar e não cair). Segue sendo um time limitado que consegue pontos fora de casa por ter um ótimo goleiro, se defender bem e ter contado com um pouco de sorte. O Atlético, que nunca perdeu do Avaí na Série A (só caiu uma vez na Série B, em 2006), é o terceiro melhor visitante do Brasileiro e tem força máxima à disposição de Micale. Jogo de difícil prognóstico, mas vou de Galo. O fundamental neste confronto é o primeiro gol.

16h Flamengo x Sport (Ilha do Urubu)
Turno: Sport 2-0
Colocação: 5-Fla (35), 12-Sport (29)
Prognóstico: Fla 2-1
Aposta: coluna 1
O Flamengo de Rueda entra em uma semana fundamental. São três jogos em casa, contra Sport e Avaí no Brasileiro e contra a Chape pela Sul-Americana. Se vencer os três, chegará com confiança elevada para a final contra o Cruzeiro, terá avançado na continental  e se consolidado no G6. O jogo do turno marcou a primeira vitória de Luxemburgo no Sport, que não terá Diego Souza, suspenso. Flamengo é o claro favorito.

16h Corinthians x Vasco (Itaquera)
Turno: 2-5 Corinthians
Colocação: 1-Corinthians (50), 8-Vasco (31)
Prognóstico: Corinthians 1-0
Aposta: alguém ficará no zero
Não será um jogo fácil para o Corinthians. O Vasco melhorou com Zé Ricardo, está motivado e conteve a sangria defensiva. Mas eu não me engano pelos maus resultados corintianos. O desempenho continua bom e logo logo o time voltará a coletar bons resultados. Camacho substituirá Gabriel no meio, e Arana, fundamental, volta ao time. O Corinthians não perde do Vasco desde 2010 (12 jogos) e acredito que a série aumentará.

16h Atlético-PR x Fluminense (Baixada)
Turno: 1-1
Colocação: 9-CAP (31), 10-Flu (31)
Prognóstico: 1-1
Aposta: ambos farão gol
Dois times com a mesma pontuação e que oscilam demais, o que torna o prognóstico mais complicado. Depois de quatro vitórias seguidas e escalada na tabela, o Furacão fez só um gol nos últimos três jogos. O Flu jogou pela Sul-Americana na quinta e a melhor notícia é que Scarpa parece estar se reencontrando. Historicamente, o Flu não é daqueles fregueses do CAP na Baixada, já beliscou vitórias e muitos empates. Jogo pode ir para qualquer lado, seria aquele triplo na Loteca.

16h Grêmio x Chapecoense (Arena)
Turno: 3-6 Grêmio
Colocação: 2-Grêmio (43), 18-Chape (25)
Prognóstico: Grêmio 2-0
Aposta: coluna 1
O jogo do turno foi um dos mais animados do campeonato, com o Grêmio fazendo 6 na então líder Chape. Muita coisa rolou depois daquilo, a Chape já mandou dois técnicos embora, está com um interino (Emerson Cris). Renato, para variar, mandará reservas a campo. Será que finalmente o time B do Grêmio ganhará uma e ajudará o clube no campeonato?

16h Vitória x São Paulo (Barradão)
Turno: SPFC 2-0
Colocação: 17-Vitória (26), 19-SPFC (24)
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos farão gol
Talvez seja o jogo mais importante da rodada, pelas implicações de rebaixamento. Um jogo incrivelmente imprevisível. O pior mandante, o Vitória, recebe o pior visitante, o São Paulo. Se deixassem, capaz que os dois perdessem…  Curiosidade: o último empate entre eles foi registrado em 1994, 23 anos atrás. De lá para cá, foram 25 jogos com um time saindo vitorioso. Quando o mando é do Vitória, foram sete do time da casa e seis vitórias são-paulinas. O São Paulo viveu uma semana conturbada, com''visita'' dos organizados e silêncio do time – nada de entrevistas. Quem perder, dará um passo significativo rumo à Série B.

19h Cruzeiro x Bahia (Mineirão)
Turno: Bahia 1-0
Colocação: 6-Cruzeiro (34), 15-Bahia (27)
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1
O Cruzeiro tem retrospecto amplamente favorável contra o Bahia e jogará com os titulares. Raniel deve ser o substituto de Sassá.

SEGUNDA

20h Palmeiras x Coritiba (Pacaembu)
Turno: Coxa 1-0
Colocação: 4-Palmeiras (37), 16-Coxa (27)
Prognóstico: Palmeiras 3-1
Aposta: Palmeiras vence, mas sofre gol
Dudu volta ao Palmeiras, que teve a semana toda para treinar. Cuca quer uma arrancada para ainda sonhar com o título, o que é muito difícil. Mas passa por vencer jogos como este do Pacaembu, mesmo contra um adversário que costuma ser ''chato'' para o Palmeiras. Se fizermos um recorte das últimas 10 rodadas, o Palmeiras seria líder ao lado de Grêmio e Santos. E o Coxa, que volta a jogar sem Kléber, seria o lanterna.


Arthur é o nome mais importante da convocação de Tite
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juliogomes

Quando Tite convocou a seleção brasileira para os jogos contra Equador e Colômbia, um mês atrás, eu escrevi aqui no blog que o grupo parecia ter 17 nomes certos para a Copa-2018.

As vagas abertas, a meu ver, eram ocupadas por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison. Na convocação desta sexta-feira, para os jogos derradeiros nas eliminatórias, contra Bolívia e Chile, foram convocados os 17 ''fixos'' e Cássio. Os outros cinco citados acima ficaram de fora.

Para os testes, Tite chamou Danilo (Manchester City), Jemerson (Monaco), Arthur (Grêmio), Diego (Flamengo), Fred (Shakhtar) e Tardelli (Shandong). A lista desta vez tem 24 nomes.

Danilo e Jemerson parecem ter chances reais de estar no Mundial. Diego, Fred e Tardelli serão contestados – o primeiro porque não tem jogado bem, os outros dois porque não são vistos por ninguém (e, sei lá por qual razão, as pessoas pressupõem que não merecem, porque estão na Ucrânia e China. A meu ver, o que eles não merecem é a avaliação de quem não os assiste).

Mas quero me ater a Arthur.

Este é o nome mais importante desta convocação. Arthur é um jovem, com potencial para estar na seleção por muitos anos e muitas Copas. Na quarta, contra o Botafogo, sob os olhares de Tite, fez uma partida monstruosa. E, justamente com a ausência de Luan, um dos preteridos da lista, virou uma espécie de armador principal do Grêmio naquela partida. Mostrou, portanto, versatilidade e capacidade de fazer mais do que o que faz em sua posição original.

O time titular de Tite na Copa (salvo lesões) terá Casemiro como primeiro volante, Paulinho e Renato Augusto mais à frente. Estes dois são jogadores raros e que encaixam no que o técnico quer, jogadores ''box to box'', com capacidade defensiva, de leitura de jogo e chegada forte ao ataque.

É muito difícil e tem sido muito difícil encontrar quem possa substituir Paulinho ou Renato Augusto caso um destes se machuque ou seja suspenso. Alguns são volantes demais, outros são meias demais. É difícil achar meio-campistas completos no futebol brasileiro.

Arthur tem mostrado potencial para ser um deles. Pode virar o primeiro reserva para posições chave.

Philippe Coutinho pode ser uma opção ali. Mas seria uma opção ofensiva. E não é sempre assim que a seleção poderá/precisará jogar na Copa.


Botafogo x Grêmio e a arbitragem anti mimimi
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juliogomes

Botafogo e Grêmio vão reclamar da arbitragem do venezuelano José Ramón Argote Vega. Claro que vão. Reclamar é esporte nacional. Somos o país do mimimi nos mais diversos campos. A culpa nunca é nossa. É sempre dos outros.

O señor Argote Vega não marcou uma falta clara sobre Arthur no primeiro tempo, bem perto da área. E o Botafogo vai falar de um suposto pênalti de Edilson em Gilson no segundo. No lance, a impressão que tenho é que os dois estão buscando espaço e as pernas se encontram – e não que o jogador do Grêmio deliberadamente derruba o adversário.

Enfim, é uma questão de interpretação e não quero me debruçar sobre esse lance.

O fato é que ''faltas'' como essa não foram marcadas pelo árbitro desde o primeiro minuto de jogo. Profissionais do futebol deveriam ter percebido isso depois de 5 minutos. E, mesmo assim, o que vimos foi um festival de quedas e pedidos de faltas e de cartões durante o jogo todo.

O venezuelano economizou nos cartões? Sem dúvida. Mas foi coerente. Não mostrou para ninguém, exceto Pimpão, após a enésima falta do botafoguense. Claro que a tática de não mostrar cartões faz com que o árbitro corra riscos. Mas entre isso e os shows que vemos no Brasil…

Gostei da coerência. E um jogo que já não foi dos mais bonitos, ainda que bem jogado, teria sido uma verdadeira porcaria, tivesse o árbitro marcado todas as faltas reclamadas.

Mas o que mais gostei mesmo foi o fato de o árbitro não ter ouvido e nem falado com os jogadores. Entrou mudo e saiu calado. Pouco a pouco, as reclamações foram diminuindo. E os atletas foram se preocupando mais em jogar, menos em reclamar.

Já vi outras arbitragens de José Argote? Devo ter visto, mas não me lembro. Não estou falando de toda a carreira do homem e, sim, de sua atuação nesta quarta à noite.

Sinto muito a falta de juízes assim no Brasil. Os árbitros simplesmente dão corda demais aos jogadores. É preciso começar a ignorar tanto mimimi. Nossos jogos seriam muito melhores.


Barça atropela a Juve. Quem tem Messi nunca está morto
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juliogomes

O Barcelona, após a dramática janela de transferências, é quem deveria ser o time desfigurado em campo. Mas não foi o que vimos no Camp Nou, na noite de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Foi a Juventus, vice-campeã na temporada passada, que estava irreconhecível.

A Juve entrou em campo nesta terça sem cinco jogadores que começaram a final contra o Real Madrid e sem seis dos que fizeram aquele 3 a 0 em cima do Barcelona nas quartas de final da última Champions, em abril. Sem Daniel Alves, Bonucci e Chiellini, a intensidade defensiva caiu demais.

E tudo o que Messi precisa nessa vida é de um time desarrumado atrás.

Messi é cada vez mais um meio-campista. Está mais paradão. Não se movimenta como antes, não marca mais a saída de bola do rival e não fica buscando deslocamentos. Recebe a bola no pé. Às vezes, apenas devolve. Às vezes, resolve acelerar. E, quando acelera, sai de baixo.

Ernesto Valverde escalou o Barcelona de forma inteligente. Abriu Alba pela esquerda e jogou Dembélé lá para a ponta direita. O efeito foi nítido: Alex Sandro, uma das principais armas para a saída de bola da Juventus, ficou preso na marcação. Messi e Iniesta se encontraram pelo meio do campo, e Suárez caiu por todos os lados. Busquets ficou mais recuado.

Ainda assim, o Barça trocou muitos passes e chegou pouco no primeiro tempo. A grande chance veio no rebote de uma falta cobrada por Messi, Suárez chutou e obrigou Buffon a fazer grande defesa. Pouco a pouco, a Juventus foi avançando a marcação e conseguiu roubar bolas e ameaçar. O 0 a 0 do primeiro tempo era condizente com o jogo.

Mas, por mais que o Barcelona não pareça mais ou mesmo, alterne momentos de chatice pura com velocidade, mesmo que não tenha mais Neymar, o fato é que o time que tenha Messi, qualquer que seja ele, nunca pode ser considerado morto.

No último lance do primeiro tempo, Messi acelerou. Fez linda tabela com Suárez e bateu com precisão, no canto, sem chances para Buffon. Foi a primeira vez na carreira que Messi conseguiu fazer um gol em Buffon.

Na carreira de Buffon, só faltava ganhar a Champions e tomar gol do Messi. Agora só falta ganhar a Champions. E vai ser difícil. Porque a Juventus, além de menos intensa e coesa defensivamente, vai sentir falta da opção ofensiva que Daniel Alves dava na temporada passada (além do espírito competitivo). Claro que há muita temporada pela frente e Allegri tem tempo para encontrar alternativas. Mas, neste momento, a Juve não passa a segurança de outros anos. Foi um time apático no Camp Nou.

No começo do segundo tempo, Alex Sandro subiu pela esquerda (uma raridade) e Dybala teve a chance de empatar. Mas chutou por cima. Alguns minutos depois, Messi acertou a trave. Depois, em uma troca de posições com Dembélé, arrancou pela direita e cruzou, Rakitic completou na sobra. Ali, o jogo morreu.

A Juve tentou adiantar a marcação para buscar o renascimento no jogo. Resultado? Deu espaços. Com espaço, Messi fez um golaço, 3 a 0. A partir daí, até a Juve achou que estava de bom tamanho.

Coloquei o Barcelona na terceira prateleira de favoritos para a Champions e o mantenho por aí. Mas, para um clube que parecia despedaçado um mês atrás, Valverde está conseguindo encontrar soluções rapidamente. E, claro, quem tem Messi tem sempre esperanças.

Favoritos vencem com facilidade

Todos os favoritos ganharam bem, sem sustos, neste primeiro dia de fase de grupos. Nenhum deles sofreu um gol sequer.

No grupo A, o Manchester United fez 3 a 0 no Basel. O Benfica levou a virada em casa e perdeu para o CSKA Moscou por 2 a 1. Resultado péssimo para os portugueses nessa briga pela segunda vaga.

No grupo B, O PSG foi à Escócia e meteu 5 a 0 no Celtic. Neymar fez um, Mbappé fez outro, Cavani fez dois. É um ataque absurdo. O Bayern de Munique também passeou, 3 a 0 no Anderlecht. Na próxima rodada, tem o primeiro confronto entre PSG e Bayern. Entre eles, decidirão quem fica em primeiro e quem fica em segundo.

No grupo C, o Chelsea fez o dever de casa e enfiou 6 a 0 no debutante Qarabag. Roma e Atlético de Madri ficaram no 0 a 0 no Olímpico, um resultado melhor para o Atlético, logicamente.

E, no grupo D, além dos 3 a 0 do Barça sobre a Juve, o Sporting, fora de casa, abriu 3 a 0 sobre o Olympiacos. O multicampeão grego ainda fez dois gols no finalzinho, mas não conseguiu buscar o milagre. O Sporting está com 100% de aproveitamento na temporada e não pode ser descartado como uma ameaça à Juve neste grupo.

 


Real nunca foi tão favorito, mas nunca teve tanta concorrência na Champions
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juliogomes

O Real Madrid é o bicampeão da Liga dos Campeões da Europa. Tem o melhor jogador do mundo. Um técnico com time e diretoria nas mãos. Jogadores ótimos em todas as linhas. Banco de reservas jovem e fortíssimo. Tem camisa, tradição e o medo dos adversários.

Não há ninguém mais pronto que o Real na disputa da Champions League 2017/2018, que começa nesta terça-feira. E o reflexo disso é o favoritismo apontado pelas casas de apostas.

Durante os meses que antecederam a competição, um eventual título do Real Madrid tinha o mesmo retorno para os apostadores que uma eventual conquista do Barcelona ou do Bayern de Munique. E é assim há anos. Os três gigantes dominaram a competição, sempre entrando como favoritos, ao longo dos últimos dez anos. O Real foi campeão em 14, 16 e 17, o Barcelona em 09, 11 e 15, o Bayern em 13 (perdeu finais de 10 e 12).

As semifinais da última Champions foram as primeiras desde 2009 sem que pelo menos dois deles estivessem presentes.

Agora, as coisas mudaram. O Real Madrid se descolou dos dois concorrentes. É claro que o Barcelona, mesmo sem Neymar, mas ainda com Messi e Suárez, e o Bayern de Munique, de elenco milionário e técnico multicampeão, não podem ser descartados. Mas não estão na mesma prateleira que o Real Madrid.

Quem aparece como segundo favorito na competição é o Paris Saint-Germain, que ganha o status após as chegadas de Neymar e Mbappé. No final deste post, encontre o retorno das casas de apostas.

O PSG tem batido na trave desde que ganhou o aporte financeiro do Qatar. Precisa superar a barreira das quartas de final para, depois, pensar em título. No último mata-mata, todos se lembrarão, foi eliminado de forma surreal nas oitavas pelo Barcelona após fazer 4-0 na ida e levar 6-1 na volta. Agora, deu um murro na mesa. E acrescentou dois craques ao que já era um timaço. Qualquer coisa que não seja chegar à final será considerado um fracasso.

O PSG tenta se posicionar com o anti-Real. Mas não está sozinho.

Se, por um lado, o Real Madrid entra com um status de ''maior favorito'' que ninguém tinha desde o Barcelona dos anos de Guardiola, por outro vai ter de encarar uma competição incomum.

Devido ao título do Manchester United na última Europa League, a Inglaterra chega com cinco representantes. Que são, de fato, os cinco melhores times da Premier League, fortalecidos por altíssimos gastos em seguidas janelas de transferências e com técnicos badalados. Nada de Leicester e Arsenal, que todos sabiam que não chegariam a lugar algum.

O Chelsea, de Conte, o Manchester City, de Guardiola, o Manchester United, de Mourinho, e até mesmo o Liverpool, de Klopp, e o Tottenham, de Pocchetino, têm bola suficiente para eliminar qualquer time da Champions League quando chegar o mata-mata, no ano que vem. Os ingleses chegam com sede para recuperar o domínio da década passada.

E há uma leva de times que também são fortes o suficiente e com características interessantes para derrubar gigantes no mata-mata. O Atlético de Madri, de Simeone, foi finalista em 14 e 16, é um time ultracompetitivo e que já não surpreende mais. A Juventus chegou às finais de 15 e 17, perdeu Bonucci e Dani Alves, mas trouxe bons reforços e segurou Dybala.

O Napoli incomodou o Real Madrid na temporada passada e está roçando uma campanha mais longa. A Roma e o Sevilla podem encarar algum gigante em dois jogos. O Monaco, sensação da última Champions, perdeu muita gente, mas segue em alto nível. E não podemos descartar os alemães: o tradicionalíssimo Borussia Dortmund e o debutante RB Leipzig, que tem um ótimo time.

Não seria nenhum absurdo que qualquer um dos times citados acima neste post eliminasse o Real Madrid ou o PSG em algum momento. Pode até ser uma zebra, mas não um absurdo.

É uma Champions rara. Com um inegável favorito. Mas também recheada de times que podem derrotá-lo. Uma concorrência mais forte que a de outros anos.

Dessa turma toda, quem pode ficar pelo caminho já na fase de grupos?

Na próprio grupo do Real Madrid estão Borussia Dortmund e Tottenham, um deles vai sobrar. O grupo C reúne Chelsea, Atlético de Madri e Roma, que é favorita a ficar de fora. De resto, deverão estar todos no mata-mata, que promete ser o mais parelho e imprevisível da história. Por enquanto, ficamos com alguns jogaços e alguns joguinhos da fase de grupos.

Ranking de força do blog:

Prateleira 1:
Real Madrid – time pronto, bicampeão e com Cristiano Ronaldo

Prateleira 2:
Bayern de Munique – nunca é bom desprezar Ancelotti
Manchester United – nunca é bom desprezar Mourinho
Manchester City – nunca é bom desprezar Guardiola
Paris Saint-Germain – nenhum trio de ataque é mais poderoso. Tem fome

Prateleira 3:
Barcelona – Messi-Suárez podem desequilibrar, mas tem algo muito errado fora de campo
Atlético – parece em queda, mas tem coração, experiência, classe, técnico…
Juventus – forte, mas abaixo da temporada passada
Chelsea – a forma reativa de jogar pode machucar no mata-mata

Prateleira 4:
Tottenham – fez uma péssima Champions passada, mas o time está pronto
Liverpool – como será a reintegração de Coutinho após a crise?
Monaco – perdeu titulares, mas repôs bem (na medida do possível) e segue com talento e gols
Borussia Dortmund – foi primeiro no grupo do Real e chegou às quartas em 16/17
Napoli – tem um ataque muito rápido e está a ponto de beliscar algo maior se tiver sorte

Prateleira 5:
Leipzig – é vice alemão, segurou o time todo e pode incomodar
Sevilla – ainda não sabemos como será a vida pós-Sampaoli
Roma – ainda não sabemos como será a vida pós-Spalletti

Nas casas de apostas (retorno por valor apostado):
Real Madrid – entre 3,5 e 4
PSG – entre 6 e 7
Bayern – entre 7 e 8
Barcelona – entre 7 e 8
City – entre 10 e 12
United – entre 10 e 12
Juventus – entre 14 e 16
Chelsea – entre 14 e 18
Atlético – entre 18 e 22
Liverpool – entre 18 e 22


Brasileiro, ato 23: a rodada que pode reabrir (ou não) o campeonato
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juliogomes

A rodada quatro do returno do Brasileiro tem tudo para ser divisora de águas. Depois de duas derrotas para lá de surpreendentes em casa, para dois times da zona de rebaixamento, o Corinthians tem um confronto teoricamente mais duro: o Santos, na Vila Belmiro.

Por que teoricamente, apenas? Como enfrentar o terceiro colocado fora de casa só é mais difícil ''na teoria'' do que pegar dois times da parte baixa e em casa?

Bem, para responder a este questionamento precisamos nos lembrar do estilo de jogo corintiano. Um time sólido na defesa, muito bem organizado taticamente, eficiente demais nas transições (contra ataques), mas que apresentou problemas (como quase todos os outros times) quando enfrentou adversários fechadinhos e dispostos a se dar bem com a mesma tática. Ou seja, o Corinthians se sente menos cômodo precisando buscar vitórias em casa, contra times bem postados e buscando o empate, do que quando sai de casa e pode deixar a responsabilidade para o adversário.

O jogo de domingo, na Vila Belmiro, tem tudo para ser um duelo de poucos gols. São, disparado, os times menos vazados do campeonato, ancorados em dois goleiros em grande fase. Um 0 a 0 ou ou 1 a 0 para alguém é um ótimo palpite.

O detalhe é que o Grêmio, vice-líder, joga no sábado contra o Vasco, que volta a São Januário depois daqueles episódios lamentáveis vistos no clássico contra o Flamengo. Apesar de ser um jogo com portões fechados e mais uma ótima oportunidade se apresentar, não se sabe se o Grêmio irá com força máxima. Se vencer, jogará toda a pressão do mundo nas costas do Corinthians. E logicamente o inverso ocorrerá em caso de derrota gremista.

É plausível acreditar que a diferença atual, se sete pontos, não se manterá. Se o Grêmio vencer, deverá diminuir a diferença. Mas, se perder, deve ocorrer o contrário. Apenas uma leitura da situação.

A rodada quatro do turno foi a que teve menos gols no campeonato até agora: 15 gols em 10 jogos. A rodada quatro do returno chega após uma necessária (e rara) pausa pelas datas Fifa. Técnicos tiveram tempo de trabalhar e recuperar jogadores. Não há desculpas para mau futebol.

SÁBADO

16h Atlético-MG x Palmeiras (Independência)
Turno: 0-0
Colocação: 10-CAM (29), 4-Palmeiras (36)
Prognóstico: 2-2
Um duelo entre times que começaram o campeonato como candidatos ao título e que hoje jogam apenas para estar no grupo de classificados para a Libertadores. Ambos tiveram semanas relativamente tranquilas após vitórias na última rodada – o único ''tumulto'' no ambiente palmeirense foi a reintegração de Felipe Melo. Dudu pode voltar ao time após um mês lesionado. No Galo, Fred estará entre os titulares, à frente da linha com Cazares, Luan e Valdívia (sem Robinho). O Atlético tem conseguido bons resultados contra o Palmeiras nos últimos anos (não perde desde 2011), mas não é bom mandante neste campeonato e sinto cheiro de empate.

18h Vasco x Grêmio (São Januário)
Turno: Grêmio 2-0
Colocação: 12-Vasco (28), 2-Grêmio (43)
Prognóstico: 1-1
O Vasco volta a São Januário, onde conseguiu a maior parte dos seus pontos no campeonato e tem retrospecto amplamente favorável quando recebe o Grêmio. Mas o jogo terá portões fechados na estreia de Zé Ricardo no comando técnico. O Grêmio jogará duas finais no Rio. Sábado, contra o Vasco, busca uma vitória que pode colocar muita pressão no líder Corinthians (que, por sinal, foi um dos poucos a ganhar em São Januário). E depois na quarta, contra o Botafogo, pela Libertadores. Renato priorizou sempre as Copas, então deve mandar um time misto a campo e sem Luan, que se machucou no treino. Quando o Grêmio poupou seus titulares, se deu mal no Brasileiro. Depois de duas semanas de folga, será mesmo que os titulares do Grêmio não podem fazer dois jogos seguidos, na mesma cidade? Se a resposta for ''sim'', o Grêmio pode conseguir uma importante vitória. Se for ''não'', fica difícil.

19h São Paulo x Ponte Preta (Morumbi)
Turno: Ponte 1-0
Colocação: 19-SPFC (23), 13-Ponte (27)
Prognóstico: SPFC 2-0
Jogo com enormes implicações na luta contra o rebaixamento. Nos últimos sete jogos entre eles, o mandante ganhou. O São Paulo precisa desesperadamente da vitória e é isso que a Ponte tentará usar para vencer. É um jogo muito perigoso, mas com ligeiro favoritismo são-paulino.

DOMINGO

11h Atlético-PR x Coritiba (Arena da Baixada)
Turno: Coxa 1-0
Colocação: 8-CAP (30), 15-Coritiba (26)
Prognóstico: CAP 2-1
O clássico paranaense costuma ter vitória do mandante em jogos pelo Brasileiro. Kléber está de volta ao ataque do Coritiba após a longa (e justa) punição no STJD e é a esperança de gols. Mas o Atlético-PR vem jogando um futebol muito superior e tem aspirações de Libertadores. Deve ganhar.

16h Santos x Corinthians (Vila Belmiro)
Turno: Corinthians 2-0
Colocação: 3-Santos (38), 1-Corinthians (50)
Prognóstico: 0-1 Corinthians
Apesar de ter um jogo no Equador pela Libertadores, quarta, o Santos deve ir com força máxima para tentar bater o rival e diminuir a desvantagem para 9 pontos. O Corinthians só tem a dúvida de Arana e precisa sair com um bom resultado da Vila para não começar a ver sua liderança e o título ameaçados. A promessa é de um jogo chato e com poucas chances.

16h Sport x Avaí (Moisés Lucarelli)
Turno: Avaí 1-0
Colocação: 11-Sport (29), 18-Avaí (25)
Prognóstico: Sport 2-0
Depois da goleada sofrida em Porto Alegre, o Sport precisar dar uma resposta a sua torcida. Apesar de ser o favorito mais destacado da rodada, o time de Luxemburgo tem um duelo complicado, contra um Avaí que joga muito melhor fora de casa.

16h Vitória x Fluminense (Barradão)
Turno: Flu 2-1
Colocação: 16-Vitória (25), 9-Flu (30)
Prognóstico: 1-2 Flu
O Vitória é péssimo mandante e saiu da zona de rebaixamento pelos resultados obtidos longe de sua torcida. O Fluminense tem um time melhor, o que precisa é de um Scarpa mais eficiente em campo.

19h Botafogo x Flamengo (Engenhão)
Turno: 0-0
Colocação: 7-Botafogo (31), 5-Flamengo (35)
Prognóstico: 1-1
O Botafogo vai com força máxima pensando em ajustes para o jogo de quarta, contra o Grêmio, pela Libertadores. O Flamengo tem os retornos dos jogadores que não puderam participar da final da Copa do Brasil. Minha aposta é de um jogo brigado, fechado e com poucos gols. O Botafogo não vence o Flamengo há mais de dois anos (cinco empates e três derrotas desde então).

19h Chapecoense x Cruzeiro (Arena Condá)
Turno: 0-2 Chape
Colocação: 17-Chape (25), 6-Cruzeiro (31)
Prognóstico: 1-1
Um dos jogos mais difíceis de analisar na rodada. A Chape volta de seu amistoso emocionante em Roma, enquanto o Cruzeiro vem de um bom resultado na ida da final da Copa do Brasil e deve mandar time misto a campo. No turno, a Chape surpreendeu no Mineirão e liderava o campeonato, mas a realidade de hoje é tentar sair da zona de rebaixamento. O jogo entre eles pela Copa do Brasil, em Chapecó, teve muita confusão nos vestiários após o apito final.

SEGUNDA

20h Atlético-GO x Bahia (Olímpico-GO)
Turno: Bahia 3-0
Colocação: 20-Atlético-GO (18), 14-Bahia (26)
Prognóstico: Atlético-GO 2-1
Jogo de dois times que demitiram técnicos ao longo do campeonato e acabaram efetivando interinos. Jogo fundamental para o Atlético-GO. Se vencer a terceira (em quatro), começa a sonhar com a salvação.


Neymar e outras boas notícias no empate da seleção na Colômbia
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juliogomes

O Brasil de Tite, finalmente, não venceu nas eliminatórias. O surreal mesmo era ganhar tantos jogos seguidos na que talvez seja a mais dura competição entre seleções. Empatar com o bom time da Colômbia, em Barranquilla, é um resultado para lá de normal.

A seleção não teve de início quatro titulares (Miranda, Marcelo, Casemiro e Gabriel Jesus), mas fez um jogo sólido. Algumas boas notícias podem ser tiradas.

William, de volta aos titulares depois da queimada de filme de Philippe Coutinho no mercado europeu, voltou a jogar bem. Fez um golaço no primeiro tempo.

Thiago Silva e Fernandinho fizeram jogos sólidos. O meio de campo mostrou organização e nunca deixou a Colômbia ter espaço e se sentir confortável. James Rodríguez causou mais danos ao cair para os lados.

Foi assim, com um lindo passe, que ele desmontou a marcação de Filipe Luís e Renato Augusto e habilitou o companheiro para dar o cruzamento que resultou no belo cabeceio de Falcao García. Ninguém falhou no gol, foram muitos méritos do adversário.

No primeiro tempo, a Colômbia bateu demais. O time soube apanhar, não caiu na pilha, não revidou. E ainda teve a maturidade de pedir ao técnico rival, Pekerman (Daniel Alves e Neymar falaram com ele), para que conversasse com seus jogadores. No segundo tempo, o jogo ficou muito mais calmo.

E a melhor das notícias foi Neymar. Depois do jogo ruim, individualista e pouco produtivo, contra o Equador, ele voltou a ser o ''Neymar da seleção'' na Colômbia.

Será que Tite chamou o jogador de lado para uma conversa sobre a atuação de quinta? Seria ótima notícia. Mas duvido que ficaremos sabendo se ela ocorreu e em que termos.

Se Tite não falou nada, média notícia. Pelo menos Neymar caiu em si.

Suas melhores atuações pela seleção são como as de hoje. Pela esquerda, com liberdade de criação e movimentos, mais perto do gol e com menos adversários. Foi de uma jogada dele, por exemplo, que saiu o golaço de William. E também saíram outros lances de perigo.

Neymar não funciona quando joga de forma anárquica, transitando pelo meio de campo, com muitos rivais pela frente e se preocupando com carretilhas. Este Neymar não passará nem perto de ganhar uma Bola de Ouro.

Já o Neymar maduro, consciente taticamente, letal em velocidade e fazendo gols, este sim, pode ganhar uma logo logo.