Blog do Júlio Gomes

Vinícius Jr já no Real Madrid: ruim para todas as partes
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Julio Gomes

Como não houve muita polêmica, nenhum bafafá, é possível entender que a chegada de Vinícius Jr ao Real Madrid já, logo após completar 18 anos de idade, ocorreu em comum acordo entre os espanhóis, o Flamengo e o jogador.

Por acaso, estou em Madrid, cidade querida, para miniférias após a maratona da Copa do Mundo. Nada a ver com a primeira semana de treinos de Vinícius e a apresentação dele, nesta sexta, com presença de Ronaldo e tudo. Como dizem por aí, aqui na cidade… ''só se fala de outra coisa''.

Vinícius Jr não fez Madrid pulsar nem nada do tipo, ainda que tenha havido público em sua apresentação no Bernabéu. É verdade que, em julho, a cidade se esvazia de madrilenhos, se enche de turistas.

Por mais que todos pareçam felizes, e é natural que o garoto esteja vivendo um sonho, não consigo entender como pode ter sido bom para Vinícius, Real Madrid e Flamengo. Na real, é ruim para todo mundo.

Vinícius Jr acabava de virar titular do Flamengo. Era uma chance de ouro para ter minutos, jogar todo um Campeonato Brasileiro, um torneio difícil, pegado, disputado, que, se taticamente agrega pouco, emocionalmente acrescentaria demais na formação do caráter do atleta.

O Flamengo lidera o campeonato, é um dos candidatos a título, Vinícius Jr, com juventude e agressividade, tinha tudo para ser uma peça fundamental nesta luta. Tem Libertadores e Copa do Brasil também, ou seja, aprendizado em mata-mata, time contra a parede! Jogar grandes partidas, grandes clássicos, isso tudo tem um valor inestimável na carreira de um atleta. É aquilo que não se ensina. É a tal experiência. Ganhar, perder, aprender a ganhar, aprender a perder.

Nem se sabe se Vinícius Jr ficará no primeiro time do Real Madrid na temporada ou se será ''rebaixado'' ao Real Madrid B, o Castilla. Que grande diferença faria que o menino viesse daqui a seis meses, no final do ano?

Que grande aprendizado tático ele terá agora que não teria chegando seis meses depois? É um gigantesco abismo o que separa a responsabilidade que Vinícius Jr teria atuando neste segundo semestre por um gigante como o Flamengo e a (falta de) responsabilidade atuando em jogos menores na Espanha.

Para o Flamengo, é a perda de uma peça que poderia ser chave. Para Vinícius Jr, é a chance perdida de fazer história pelo clube, deixar uma marca. Para o Real Madrid, é jogar no lixo um período de experiência que poderia se mostrar valiosíssimo no futuro.

Não consigo entender.


Diário da Copa: Fim, transformação e recomeço
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Julio Gomes

Foram 14 jogos de futebol em 11 cidades diferentes. 14 voos por 7 companhias aéreas distintas, somando mais um ou menos umas 40 horas dentro de aviões. Também 63 horas dentro de 9 trens para ir de uma cidade ou outra, sem contar o constante entra-e-sai dos metrôs, ônibus e vans dentro das cidades. Dormi em 22 lugares diferentes, entre hotéis, apartamentos, albergues e trens. Sei lá quantos quilômetros percorri.

Conheci Andryis, Sergeis, Ekaterinas, Tatianas, Dmitris, Annas. Encontrei os grandes amigos jornalistas que fiz quando morei na Europa. Os grandes amigos e amigas que tenho no Brasil, mas infelizmente raramente encontro, só nessas ocasiões. Encontrei meninos em quem um dia apostei e hoje são homens que caminham sozinhos nesta mal tratada profissão. Fui ajudado por muita gente – coisa que sempre fiz na vida com prazer.

Cada uma das cinco Copas do Mundo foi diferente para mim, por diversas razões. Esta, a da Rússia, foi a primeira que teve 100% de planejamento meu, sem interferência de terceiros. Portanto, especial. Se algo desse errado, eu só poderia reclamar comigo mesmo. Não deu nada errado.

Sempre gostei de viajar assim. O mundo conectado de hoje nos permite explorar todas as fronteiras. Não há desculpas, nem o idioma – até porque na Internet as páginas podem ser traduzidas. Passagens de avião, acomodação, transporte público e privado, se quiser dá até para já deixar a pedida comida para a hora da tua chegada.

Uma das minhas viagens entre cidades foi feita usando um site de caronas colaborativas. Todos os táxis que peguei foram com aplicativos, o que diminuiu incrivelmente os custos. Monitorando cotações e taxas cobradas pelos bancos, acho que consegui pagar pelos rublos russos o que eles realmente valiam. Quando precisei de um remédio, comprei em uma farmácia qualquer o que precisava usando um aplicativo de tradução.

Com os apps de comunicação instantânea, vi minhas filhas em vídeo sempre que quis. Entrei ao vivo na televisão com boa qualidade de imagem e nenhum delay todos os dias.

Pensem no mundo de 30 anos atrás, de 20, de 10, de 5. O mundo muda, se transforma. Nós devemos fazer o mesmo. Mudar. Nos transformar.

Viajar, conhecer idiomas, vivenciar outras culturas, entender que pessoas pensam e agem de forma diferente é crucial para a evolução de cada um de nós, para a evolução da civilização comum um todo. Essa transformação contrasta com uma incrível resistência.

Não só no Brasil ou na Rússia, mas em vários lugares do mundo, vemos um discurso de medo, de conservadorismo, de confiança cega em páginas que foram escritas há séculos, quando tudo era diferente. É como se milhões de cérebros simplesmente se recusassem a fazer o download da próxima atualização.

Talvez seja apenas uma resistência barulhenta, enquanto outros milhões, mais milhões, estejam fazendo suas atualizações silenciosamente. Não sei. Talvez não seja só barulho, seja uma resistência real, dura e que ainda colocará em risco essa transformação do mundo para melhor. Só o tempo dirá.

Este blog precisa de um pouquinho de descanso após 40 dias de trabalho intenso e diário. Descansar corpo e mente, algo também necessário para sairmos das nossas prisões impostas por uma sociedade que exige cada vez mais suor e que cada vez menos oferece bem-estar e horas de amor e tranquilidade.

Pessoas felizes produzem mais e melhor em menos tempo. Um dia isso será compreendido. Um dia chegaremos lá. Volto em duas semanas para o recomeço.


Título marca o nascimento de Mbappé, um novo fenômeno
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Julio Gomes

Mbappé não ganhou a Copa sozinho, longe disso. Aliás, não ganhou nenhum jogo sozinho. Mesmo contra a Argentina, nas oitavas de final, apesar da atuação monstruosa, o gol decisivo foi o do empate, de Pavard.

Mas Mbappé é o grande nome da Copa do Mundo. Presenciamos em 2018 o possível nascimento de um fenômeno do futebol mundial. Um garoto de 19 anos, repetindo coisas que só Pelé havia atingido com tão pouca idade – fazer dois gols em um jogo de Copa do Mundo, fazer gol em uma final.

Lloris foi importantíssimo contra Uruguai e Bélgica, apesar da bizarrice da final. Os laterais Pavard e Lucas Hernandez foram perfeitos, a grande sacada de Deschamps. Os zagueiros, Varane e Umtiti, seguros atrás e decisivos na bola aérea na frente. Kanté e Matuidi, dois carregadores de piano de luxo. Pogba, um craque de bola, capaz de tudo no meio de campo. Griezmann, criativo, participativo, não falhou quando foi chamado. Giroud, o atacante dos zero gols, que mostra como o futebol é mais que isso.

É um timaço, o da França. Quem lê esse blog sabe que, na opinião do escriba, havia só dois favoritos a título. Brasil e França. É uma seleção pronta em todos os setores.

Mas a grande diferença de 2014 ou mesmo da Euro-2016 para cá foi o surgimento de Mbappé. Voou em um Monaco semifinalista de Champions, virou o segundo jogador mais caro da história ao ir para o PSG e, agora, se transforma em campeão do mundo com quatro gols na Copa.

É o surgimento de algo muito especial, que possivelmente durará muitos anos. A maior história, em outras tantas grandes histórias, da Copa da Rússia.

Passamos muitos anos buscando o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo. Encontramos. Começa a era Mbappé.


Diário da Copa: Adeus, Lenin
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Julio Gomes

A Copa acaba hoje na Rússia. França e Croácia disputam a grande final em Moscou.

Se a França ganhar, falaremos muito de Mbappé, Pogba, Griezmann, Kanté, ficaremos aliviados porque a ordem das coisas no futebol não terá sido assim tão corrompida – ganhará uma das super favoritas antes do início da competição.

Se a Croácia vencer, falaremos muito de Modric, Rakitic e de como o futebol mudou e está tão equilibrado que uma seleção considerada média provou que se pode ser campeã do mundo, contrariando aqueles que só olham para história e peso de camisa para fazer análises.

E, depois de amanhã, já estaremos falando de Corinthians, Flamengo, Brasileirão e tudo isso ficará para trás.

Mas não aqui na Rússia. Quando a final acabar e todos nós sairmos do estádio, estaremos sendo atentamente observados pela enorme estátua de Lenin, que fica logo na entrada do estádio Lujniki.

Lenin é um mito. Onipresente, é o grande idealizador da Revolução de 1917 e, talvez por ter morrido cedo, sem muito tempo para fazer bobagens, ganhou status de santo. Diferente de Stalin, por exemplo, que matou e expurgou milhares – sua figura fica muito mais escondida.

No meio da Praça Vermelha, com horários reduzidos para visitação e gigantescas filas, está o mausoléu com o corpo embalsamado de Lenin. Uma imagem impressionante. Em absolutamente todas as cidades por onde passei, vi Lenin. Em Samara, uma estátua pequena, porque lá ele ainda era pequeno, um estudante. No Lujniki, uma estátua enorme. Por onde vamos, ele está olhando.

Lenin deve ter aprovado a Copa organizada por seus compatriotas. Não se sabe onde Putin enfiou os opositores. E nem o que será feito com alguns estádios. Mas o fato é que foi um Mundial sem protestos, brigas, atentados, tragédias, gafes ou reclamações. Tudo ocorreu bem.

E os russos se autodescobriram. Nem eles sabiam que seriam capazes de ser tão amigáveis e bons anfitriões. Eu já vi esse filme na Alemanha, 12 anos atrás.

Por falar em Alemanha e Lenin, o titulo deste artigo remete a um filme que todas as pessoas precisam ver. Ele trata de transformação, criatividade e amor. Três coisas essenciais para o mundo. A quarta é o futebol.


Diário da Copa: Neymar e as matrioskas
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Julio Gomes

Na feirinha de Izmailovo, famosa em Moscou por ser o lugar ideal para comprar bugigangas típicas russas ou do período soviético, as matrioskas dominam o cenário.

São aquelas bonequinhas russas fofinhas. Você abre uma, aparece outra. E depois outra e outra e outra… tem algumas com três peças, com cinco, até com quinze! Algumas mais bonitas, outras nem tanto. A sacada deles é que fazem matrioskas de gente famosa.

Então tem matrioska do Lenin, do Putin, do John Lennon, do Obama, do Michael Jackson e por aí vai. Claro, tem também dos jogadores mais conhecidos. Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, a turminha de sempre.

Nesta reta final de Copa, a feira é dominada por turistas em busca das lembrancinhas finais para a família toda. Muitos brasileiros e muitos latinos. Os vendedores, espertos como só eles, já sabem todos os números e palavras-chave em espanhol e português.

“É bom que vocês conversam com a gente, eu gosto de negociar!”, me fala Vladimir. “Os europeus parece que têm medo de nós, russos, nem chegam perto”. Vladimir me fala longas frases em russo, como se eu entendesse alguma coisa só porque lhe dei bom dia no idioma local e aprendi uma palavra ou outra.

Nossa negociação acontece em russo, espanhol, inglês e português. Uma loucura! Mas dá certo. Compro minhas matrioskas, consigo um bom desconto, ele me chama de “chorão”, eu digo que aprendi com a minha mulher e ele cai na risada.

Enquanto embala minhas bonequinhas, ele deixa cair uma matrioska de Neymar, que estava no caminho. Foi um strike, Neymar caiu e levou umas dez bonequinhas com ele. Vladimir começa a fazer um som, como se a matrioska de Neymar estivesse se contorcendo de dor. Todos em volta caem na risada.

É com essa imagem que Neymar sai da Copa. Virou piada internacional. Ao abrir as matrioskas de Neymar, os outros bonequinhos Neymarzinhos são iguais – lógico – e cada vez menores. O grande desafio dele é mudar. Senão não será maior do que é hoje nunca.

Já o desafio de Vladimir e do resto dos colegas das outras barracas é arrumar matrioskas de Mbappé e Modric. Não encontrei nenhuma em Izmailovo. Nem de Pogba ou Griezmann, nenhum francês, nenhum croata. Precisam atualizar e variar o estoque. O futebol mudou.


Diário da Copa: A bandeira e o balé
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Julio Gomes

E lá vamos nós ao Museu das Forças Armadas, em Moscou. Não estava nos meus planos e nem no mapa turístico. Mas era um convite do meu irmão.

E, se estou aqui, é também por ele. Meu grande inspirador e influenciador, o cara que eu esperava chegar de madrugada de volta do jornal onde ele trabalhava só para poder pegar a tabela do campeonato sei lá de onde que vinha na revista Placar – ele comprava todas.

O cara que me fez gostar de esportes e de jornalismo. A voz “do contra” que faz a nossa família não ser o trágico uníssono que marca as famílias brasileiras. Que me fez e faz pensar.

Pensar. Como nos custa pensar! O museu das Forças Armadas é, de alguma maneira, uma enorme homenagem ao “não-pensar”. Eu sempre achei os músculos inimigos do cérebro.

A história russa é forjada em guerras, invasões e defesa, como de tantas nações por aí. O museu é fantástico. Apesar de estar todo em russo, é muito visual e apresenta uma incrível coleção de armas, uniformes, documentos, mapas, relíquias, artefatos militares. Tem até um “jardim da guerra”, com aviões, helicópteros, mísseis e tanques.

Fico me perguntando como o ser humano foi capaz de criar tantas coisas destrutivas. Por que fomos incapazes de viver em paz, não em guerra, durante toda a história da civilização?

No centro do museu, a bandeira. A tal bandeira soviética fincada no Reichstag alemão em 1945, quando eles chegaram a Berlim e derrubaram o nazismo.

É um troféu para os russos. Para todos nós, possivelmente. Troféus decorrentes de barbáries.

Não vejo problema em celebrar vitórias, mesmo que em um passado sangrento. Desde que, claro, se aprenda com ele.

Com a Croácia na final da Copa e aquele quente Sérvia x Suíça dos albaneses, nos lembramos que até outro dia havia uma carnificina na Europa. O que dizer da Síria? Ou da violência urbana nas grandes cidades, até mesmo do mundo desenvolvido? Será que estamos aprendendo?

Enquanto escrevo esse texto, estou em um banco em frente ao Teatro Bolshoi, outro orgulho dos russos. Casais se beijam, turistas tiram fotos, estudantes riem, as fontes dão o efeito sonoro.

Entre as bombas e balas e o balé, eu sei bem de que lado prefiro estar.


Seleção da Copa: franceses dominam, estrelas estão fora
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Julio Gomes

Não quero esperar a final. Eu sei que é o jogo mais importante e tudo o mais, mas acho injusto dar um peso tão desproporcional a um jogo só. Portanto, já fiz minha seleção da Copa do Mundo.

E ele é recheada de franceses. França e Bélgica jogaram o melhor futebol da Copa da Rússia. A primeira (e finalista) muito sólida defensivamente e com uma dupla inacreditável no meio de campo, além de Mbappé. Os belgas tiveram grandes momentos ofensivos. Os problemas defensivos foram mascarados por inacreditáveis atuações do melhor goleiro da atualidade.

Não foi fácil escolher o goleiro. Lloris, Subasic, Pickford, Ochoa, Akinfeev, Schmeichel… vários foram muito bem. Mas Courtois foi um escândalo.

Nem Cristiano Ronaldo nem Messi nem Neymar estão na seleção. Quem diria isso antes de começar a Copa?

O melhor jogador do Mundial, a meu ver, é Luka Modric. São 32 anos e três prorrogações nas pernas, sem sair um minuto e dando piques com 115min de jogo contra a Inglaterra. Qualidade impressionante com a bola, inteligência tática sem ela. Estamos diante de um super craque – mas sem mídia.

Aqui vai minha seleção A:

Courtois no gol; Vrsaljko, Mina, Varane e Lucas Hernandez; Kanté, Pogba e Modric; Hazard, Mbappé e Kane.

Eu sei que Mbappé tem só 19 anos, etc e tal, mas o cara já é conhecido, foi a segunda maior transferência da história do futebol. Sendo assim, considero o lateral Lucas Hernandez, da França, a revelação do Mundial.

Timaço!

Minha seleção B teria sistema com três atrás (que foi bastante usado) e um russo/brasileiro improvisado: Schmeichel; Mário Fernandes, Stones e Thiago Silva; Rebic, Casemiro, Cheryshev, De Bruyne e Coutinho; Cristiano Ronaldo e Cavani.

Mande a sua aqui também!

 


CR7 foi só a primeira peça de um mercado que vai pegar fogo
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Julio Gomes

A grande interrogação era Cristiano Ronaldo. Onde ele jogaria? Porque já estava claro que os dias de Real Madrid estavam contados…

PSG e Manchester United pareciam ser as única opções – desconsiderando, claro, os mercados milionários periféricos, como China, EUA ou Oriente Médio. Mas Cristiano escolheu a Juventus.

Por um lado, aumenta o abismo entre Juve e outros no futebol italiano. Por outro, coloca um clube gigante de volta a uma briga que não estava parecendo mais dela, pela coroa europeia. E volta a trazer o calcio ao centro das atenções. Talvez a própria liga italiana se beneficie, com jogadores querendo atuar no mesmo campeonato de CR7.

A partir daqui, teremos semanas frenéticas. Na Premier League inglesa, a janela de contratações será fechada em 9 de agosto, por decisão dos clubes. Nos outros mercados importantes da Europa, a data segue sendo 31 de agosto.

O Real Madrid gastou pouco nas últimas temporadas, vai viver uma reconstrução com o novo técnico, Lopetegui, e sem Cristiano. Já sabemos que é um clube ultra agressivo no mercado. Todos os sinais apontam para Neymar. Mas a coisa não é tão simples.

Por um lado, a ausência de multa rescisória e o orgulho dos homens do Catar não farão fácil essa negociação. Por outro, o PSG vai receber um Neymar menor e um Mbappé muito maior após a Copa. Será o clube de quem? Não seria mais fácil apostar em Mbappé, que é francês, tem só 19 anos e não quer sair do clube? (ao contrário de Neymar).

Mas, pelo prisma do staff Neymar, forçar uma saída agora pode ser uma armadilha. Chegar ao Real Madrid tricampeão europeu e sem Ronaldo… qualquer coisa que não seja ganhar a Champions de novo será um fracasso retumbante. Além de adicionar a imagem de mercenário à já arranhada imagem do jogador pós-Copa.

Talvez tenha mais sentido esperar um ano. Minha aposta é que o casamento Real Madrid-Neymar só será celebrado no próximo mercado, em 2019.

Eu, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma investida fortíssima do Real sobre Hazard, um namoro antigo, e Kane. Ambos nomes importantes da Copa, em clubes ingleses de relevância, mas que não se comparam ao gigante espanhol. Hazard, convenhamos, está fazendo hora-extra no Chelsea.

Pogba, outro que cresce na Copa, não parece feliz no Manchester United de Mourinho. O que será de Dybala e Higuaín na Juventus, com a chegada de Cristiano? São jogadores com alto valor de mercado e que podem sair, contra a vontade deles ou não.

É como um gigante dominó com as peças de pé, formando um desenho de cifrão. A primeira peça era Cristiano Ronaldo. A partir de agora, cairão todas as outras. Vai pegar fogo!


Lukaku não entrou no jogo, solidez francesa fez diferença
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Julio Gomes

Foi o jogo equilibrado que se esperava, decidido no detalhe da bola parada. A Bélgica foi bastante superior à França no primeiro tempo e criou pelo menos três claríssimas de gol, em grande noite de Hazard.

Com uma linha de quatro atrás, com Chadli, um meia, jogando como lateral, a Bélgica conseguiu se manter segura atrás, ter a posse de bola e criar chances.

A bola teimou em não entrar.

O segundo tempo já começa com o gol da França, no escanteio. Foi o grande problema da Bélgica na Copa do Mundo. O Brasil teve, assim, sua chance para abrir o placar e mudar a história das quartas de final. Não aproveitou. A França aproveitou.

E já sabemos que, com este nível de equilíbrio, marcar primeiro é muito mais do que meio caminho andado.

A grande chave do jogo foi Lukaku não ter entrado em campo. Tanto no primeiro quanto no segundo tempos, o gol passou na frente de Lukaku. Mas o centroavante, tão bem contra o Brasil, parecia aéreo nesta terça.

Curiosamente, no dia antes da semifinal, o técnico Roberto Martínez havia dito que tirou Lukaku da posição centralizada contra o Brasil para que ele não sofresse entre os zagueiros. Hoje, voltou a deixar o camisa 9 pelo meio. E ele sumiu entre Varane e Umtiti.

Quando alguns atacantes não vivem sua noite, viram peso morto para o time. Hoje, não foi a noite de Lukaku.

A grande mudança da França promissora de 2014 e derrotada na Euro de 2016 foi a defesa. Da linha de trás, só Umtiti começou a decisão europeia dois anos atrás.

Fora o jogo louco contra a Argentina, a França só levou um gol nas outras cinco partidas. É sólida, cede poucas chances. Kanté é um motor, imparável. O time só cometeu SEIS faltas para ganhar da Bélgica.

Deschamps se livrou de uns trastes, arrumou laterais jovens e bons, ganhou Mbappé de presente e foi corajoso na convocação.

Antes da Copa começar, eu colocava Brasil e França na prateleira de cima. Um, decepcionou. A outra está onde deveria estar. Nos últimos 20 anos, a terceira final francesa em seis Copas do Mundo.


Diário da Copa: Foram os peixinhos do mar…
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Julio Gomes


Quantos quilômetros devo ter caminhado nessa viagem? Difícil fazer essa conta. Pelos calos e pelas inéditas bolhas nos calcanhares, souvenirs de Rostov on Don, acredito que já devo ter feito uns três caminhos de Santiago de Compostela.

Meu tênis, coitado, está sem sola e com a palmilha gasta. Eu até trouxe outros para a viagem, mas me machucariam ainda mais.

Lá estava eu me arrastando por Sochi, na bela margem do Mar Negro, uma parte do centro da cidade cheia de lojas e restaurantes, quando vi o sinal luminoso. ''Spa Doctor Fish''. Hein?? Spa. Doutor. Peixe. Esfreguei os olhos em frente à vitrine.

O que estavam lá fazendo aquelas pessoas com os pés dentro de aquários, sendo “atacadas” por peixinhos esfomeados?

Seis poltronas. Seis aquários. E uns seis milhões de peixinhos te esperando. Loucos para… comer teus pés – e tornozelo, canela, o que mais você quiser colocar à disposição deles.

Havia lá na parece uma explicação de como aquilo ajudaria meus pés, mas tudo em russo. A outra plaquinha tinha os preços: 12 reais por 5 minutos, 18 reais por 15 minutos, 30 reais por 30 minutos. Não achei tão caro. Será que aqueles peixinhos iriam trazer algum alívio?

Olhei atentamente para as pessoas que já haviam criado coragem. Não eram faces de terror. Um ou outro até sorria. Tinha uma criança de uns seis anos com os pezinhos em um dos tanques. Uma criança!

Na recepção, estão Irina e Granika. Elas se divertem com o meu receio. ''Pode ir! Não dói!''. OK, OK. Já que estamos aqui…

Sento em uma das poltronas. Quando olho para baixo, os milhões de peixinhos já estão lá, ouriçados, reunidos no meu aquário, só esperando. Safados.

Chegou a hora. Pés para dentro… Ataque de riso.

Isso mesmo. Não conseguia parar de rir. Faz um pouco de cócega, uma sensação engraçada demais. São centenas de peixinhos que vão lá, segundo o pessoal do Spa, comer tua carne morta, ''limpar e massagear'' teus pés.

Mando vídeo para minha mulher. “Fazendo pedicure, é?”. Ela me diz que isso é caro pra burro no Brasil. Para mim, é coisa de russo.

Depois das risadas – pude perceber que o mesmo acontece com todo mundo -, tentei relaxar. Me acomodei na almofada, deixei os peixinhos do Mar Negro se divertirem com meus pés por 15 minutos. Bom apetite!