Blog do Júlio Gomes

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Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Barcelona reencontra bom e velho freguês na Champions
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Unai Emery chegou ao Paris-Saint Germain no meio do ano passado para elevar o clube a outro nível. Por isso, leia-se: ganhar de algum gigante, superar a barreira das quartas de final na Liga dos Campeões da Europa. O problema para Emery é que o desafio passa por seus dois maiores pesadelos.

Um tal Barcelona. Um tal Lionel Messi.

O técnico basco se destacou já aos 35 anos de idade, com um campanha magnífica pelo minúsculo Almería (Felipe Melo e o goleiro Diego Alves jogavam lá). Foi para o Valencia, onde ficou quatro temporadas. Em tempos de domínio de recordes de Barça e Real (os anos de Guardiola e Mourinho), Emery levou o Valencia a três terceiros lugares na Espanha. Era o que dava para fazer. Depois de uma rápida e frustrada passagem pelo Spartak Moscou, chegou a Sevilha no meio da temporada 12/13. Em três temporadas e meia, levantou três vezes a taça da Europa League. Um feito.

Durante esses anos todos, Emery enfrentou o Barcelona 23 vezes: ganhou uma, empatou seis, perdeu 16 vezes. Saiu derrotado das 11 visitas que fez ao Camp Nou. Caiu nas finais da Supercopa da Europa (2015) e da Copa do Rei (2016) na prorrogação. Foi conseguir a primeira vitória somente na 21a partida, um Sevilla 2 x 1 Barça, no fim de 2015. Nestes anos todos, levou 25 gols de Messi – que, por sinal, não jogou nessa única vitória de Emery, em Sevilha.

Ufa.

Isso que é freguês de carteirinha!

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O que isso quer dizer, no entanto? Adoramos números e identificar quando alguém sempre ganha ou sempre perde em determinada situação. Tendemos a achar que as coisas acontecem sempre da mesma maneira, em looping. No futebol, são assim… até a hora em que não são mais. Como diria o filósofo, tabus estão aí para serem quebrados.

Das quatro eliminações consecutivas do PSG nas quartas, duas foram para o Barça (2013 e 2015). Quando disputaram a final da extinta Recopa, em 97, também deu Barça (Ronaldo, Guardiola, Luis Enrique, Figo, era aquele time contra o de Leonardo e Ricardo Gomes). Chegou a hora de quebrar o tabu?

Emery nunca enfrentou o Barcelona com um time tão bom quanto o que tem em mãos no momento. E, como destacou o próprio técnico rival, Luis Enrique, se toda essa freguesia serviu para algo é o fato de Emery conhecer muito bem o Barça, seus pontos fortes e fracos.

O grande desafio é parar Messi e Suárez. O Barcelona não faz uma temporada brilhante coletivamente. Mas, individualmente, os caras estão resolvendo tudo. Suárez tem 25 gols na temporada, sendo 18 deles em 20 jogos da liga doméstica. A artilharia é dele. Messi fez 17 no Espanhol e nada menos do que 10 gols na fase de grupos da Champions. São 32 gols em 32 jogos na temporada.

Suárez fez gols em 70 dos 128 jogos que fez com a camisa do Barça nestes dois anos e meio. Nestes 70, o time ganhou 65 e empatou 5. Ou seja, se o uruguaio marca, o Barça não perde.

Se não bastassem os dois, ainda tem Neymar. Um coadjuvante de luxo.

O problema do Barça definitivamente não é o ataque. Mas, sim, a dificuldade em fazer a bola chegar lá. Daniel Alves tinha um papel crucial na construção, faz mais falta do que se imaginava. Iniesta ficou machucado a maior parte da temporada e até Busquets perdeu jogos. A fluência foi afetada duramente.

Ainda assim, é difícil imaginar o PSG não levando um gol sequer do Barcelona. Ainda mais com o desfalque de última hora de Thiago Silva.

O que resta fazer? Marcar mais gols.

Para isso, o PSG tem Cavani, 33 gols em 31 jogos na temporada. Um monstro no ataque, que nos faz pensar se o PSG perdeu muito tempo confiando em Ibrahimovic – pode ser craque, gênio, até, mas nunca triunfou na hora da verdade das Champions que disputou.

Com a chegada de Draexler e Lucas Moura se firmando, tem sobrado o banco para Di María. E o argentino tem mostrado poder de reação, se incomodou, vem jogando melhor. O meio de campo é talentoso, apesar da Verrati-dependência.

Unai Emery disse que o jogo será decidido taticamente e nas batalhas individuais.

Ele tem certa razão. Erros grandes demais serão catastróficos para quem cometê-los. E os atacantes do PSG são capazes de expor a defesa do Barça, que não terá Mascherano.

O PSG deve pressionar muito a claudicante saída de bola do Barça, Lucas, Draexler e os meias são ótimos fazendo isso. A chave é não deixar algum lançamento encontrar Messi e/ou Suárez e/ou Neymar em situação de um contra um (ou contra poucos).

O fato é que, com Emery, apesar do início de temporada instável, o PSG é um time mais coeso, mais forte. Mas ainda não mostrou se conseguirá dar o grande salto.

Será que a freguesia vai falar mais alto?

 


Só as eliminatórias sul-americanas são páreo para a Champions League
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A Copa do Mundo é a Copa do Mundo. Mas hoje ela não é muito maior ou mais importante que a Champions League. Antigamente, a Copa era a única possibilidade de ver os grandes jogadores do mundo juntos em um mesmo torneio. Era a única possibilidade de vermos confrontos entre escolas. De tirarmos a teima. Hoje, isso tudo está empacotado dentro da Champions anualmente.

Agora, sem a mesma pompa, sem a mesma organização, sem os estádios e gramados lindos e modernos, restringindo o debate somente à parte técnica, eu digo: as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo são a única competição capaz de rivalizar com o principal torneio de clubes. Não a Libertadores, mas as eliminatórias.

Vejam a rodada desta quinta-feira: Brasil x Argentina (só isso). Colômbia x Chile. Uruguai x Equador. Até Paraguai x Peru tem lá seu charme. E aí Venezuela x Bolívia deixamos de lado.

Agora olhe para a tabela: Brasil (21) e Uruguai (20) deram uma disparada, mas até a chegada de Tite o Brasil estava derrapando. Aí são seis seleções separadas por seis pontos, sendo que duas delas vão pra Copa e uma para a repescagem. Somente os lanternas Venezuela e Bolívia cumprem tabela, e mesmo assim, são adversários chatos quando jogam em casa.

O equilíbrio é total e é muito difícil apontar favoritos nos jogos. A cada rodada, tudo pode acontecer em três ou quatro dos cinco jogos.

Coloquemos agora na receita alguns ingredientes que a Champions League não tem: estádios com ambientaços, torcidas que fervem, condições extra-campo adversas (altitude, frio, calor, rojões na madrugada, polícia escoltando ônibus, vestiários discutíveis, árbitros pressionadíssimos).

Ah, mas isso tudo tem na Libertadores.

Sim. Só que tem um pequeno detalhe que a Libertadores não tem: os grandes jogadores.

Neymar, Coutinho, Thiago Silva, Marcelo, Messi, Di María, Higuaín, Mascherano, Suárez, Cavani, James, Vidal, Sánchez, entre tantos outros… esses caras infelizmente não duram muito tempo jogando em seus países natais. Logo vão para clubes europeus. Mas voltam para defender suas seleções – e, acreditem, amam fazê-lo.

Quem tem assistido somente aos jogos da seleção brasileira está perdendo. As partidas das Sul-Americanas têm muito bom nível técnico e de competitividade, são bem jogadas, dinâmicas, táticas, não devem para o futebol jogado na Europa. Aliás, são bem melhores que as das eliminatórias europeias – essas sim, com algumas ótimas seleções, mas um número muito grande de seleções médias, fracas ou péssimas. Isso, aliado ao sistema de grupos, faz com 70% dos jogos sejam desinteressantes a cada rodada.

A Argentina enfrenta o Brasil no Mineirão contra a parede. Neste momento, estaria fora da Copa. E arrumou um técnico, Patón Bauza, que historicamente fracassa fora de casa. Se perder do Brasil de Tite, que está voando, a Argentina precisa rezar para o Uruguai bater o Equador e, de preferência, que Colômbia x Chile acabe empatado.

Como são as coisas. De um mega crise, o Brasil saiu para virtual classificado. E, de finalista seguidamente em Copa do Mundo e duas Copas Américas, a Argentina vira uma seleção contra a parede para ir à Rússia. Vai precisar de muito Messi nesta noite no Mineirão. Senão estará à beira do seu 7 a 1 particular.

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Suárez e Leicester, os nomes de um ano estranho das ligas europeias
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E acabaram as grandes ligas europeias.

Nenhuma história, nem de perto, se compara à do Leicester – aliás, nenhuma história em 30 anos se compara à do Leicester. Não parecia possível que um clube minúsculo, que sempre jogou para não cair, pudesse ser campeão nos pontos corridos, ainda por cima em uma liga tão rica e competitiva como a inglesa.

É o conto de fadas. Acontece em Olimpíada, em mata-mata, mas não acontece nunca em competições estilo “maratona”. As estrelas se alinharam. Todos os grandes tiveram problemas profundos ao mesmo tempo, os que sobraram para concorrer com o Leicester, apesar das camisas históricas, parece que desaprenderam a ganhar (me refiro a Arsenal e Tottenham). As coisas foram se sucedendo e, quando viram, o impossível aconteceu.

Fora a já tão falada e maravilhosa história do Leicester, as outras ligas europeias não tiveram surpresa no resultado final, mas nenhuma delas transcorreu de forma, digamos, normal. Todas tiveram algo diferente neste ano.

Neste fim de semana, Barcelona e Benfica confirmaram as taças na Espanha e em Portugal. Até aí, tudo certo.

O Barça ganha o sexto título espanhol em oito anos, um domínio que o clube catalão nunca havia tido no país. São 8 títulos em 12 anos, se puxarmos desde o início da “era Ronaldinho”, passando então o bastão a Messi, a era Guardiola, etc.

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Mas é a primeira vez desde aquele primeiro título com Guardiola, em 2009, que o protagonista do campeonato não é Messi. Por sinal, foi o primeiro destes seis títulos do Barça em que a diferença final para o vice-campeão foi somente de um ponto, e o primeiro em que, se os catalães não ganhassem o jogo final, ficariam sem a taça – quatro dos troféus vieram por antecipação.

Não dá para tirar o peso de Messi na conquista consumada no sábado, na linda cidade de Granada. Mas tampouco é possível negar que Luis Suárez foi o nome do campeonato. O grande protagonista.

Na hora H do campeonato, quando o Barça fraquejou por três rodadas seguidas e reabriu a disputa, Suárez apareceu. Nas cinco rodadas derradeiras, fez 13 gols. Isso mesmo, 13 gols em cinco jogos. No total, foram 40 jogos em 35 partidas. Só dois caras na história haviam conseguido pelo menos 40 gols em uma mesma edição do Espanhol. Sim, você adivinhou: Messi e Cristiano Ronaldo. Não é pouca coisa.

Vamos lembrar que foi Neymar que apareceu ali ao lado dos dois mitos no pódio da Bola de Ouro. Hoje, Suárez já aparece não um, mas alguns degraus acima de Neymar.

Um título do Barça em que Messi foi o segundo melhor jogador do time. Coisa que nunca havíamos visto.

No final, foi um título justo para o melhor time. Mas se eu fosse apostar agora, antes de pré-temporada, contratações, etc, colocaria minhas fichas no Real Madrid para o próximo título espanhol. O Barça só ganhou três títulos seguidos uma vez (os três primeiros anos de Guardiola). E só ganhou quatro seguidas uma outra vez (a era de ouro de Cruyff, Romário, Stoichkov, Guardiola em campo, entre 91 e 94).

No ano da morte de Cruyff, menos mal que o Barcelona não tenha entregado a rapadura no final. Já bastavam a Holanda fora da Eurocopa e o papelão do Ajax.

Que o PSV Eindhoven tenha sido campeão holandês, nenhum mistério. Mas que o tenha sido porque o Ajax foi incapaz de vencer um time rebaixado na última rodada… é de entrar para a história.

Assim como na Espanha e na Holanda, o título ficou para a última rodada também em Portugal.

E foi para o Benfica, que precisou ganhar as últimas 12 partidas do campeonato para ficar na frente do Sporting – que ganhou as últimas 9. O problema para o Sporting, que não levanta o troféu desde 2002, é que seu último tropeço foi no duelo em casa contra o Benfica – derrota por 1 a 0.

O Sporting foi líder por boa parte do campeonato, deu umas bobeadas, mas só precisava de um empate no clássico, disputado em março, para não perder a ponta. Dominou o Benfica, foi superior o jogo inteiro. Mas como dizer que não merecia ser derrotado? Este gol perdido pelo costarriquenho Bryan Ruiz foi, além de bizarro, o que teve mais implicações na temporada europeia. Definiu o título.

Clique aqui para ver e segure o queixo, para ele não cair.

 

Na Alemanha e na Itália, títulos para Bayern de Munique e Juventus. Sem novidades. Mas sem tranquilidade.

O Borussia Dortmund vendeu caro para o Bayern de Guardiola, e o título só foi consumado na penúltima rodada. No ano passado, o título veio com quatro rodadas de antecedência. No retrasado, com sete – primeira vez na história que a Bundesliga acabara no mês de março. Por sinal, é a primeira vez na história que o Bayern ganha quatro títulos seguidos. A tendência é o domínio continuar com Carlo Ancelotti no comando, mas o Dortmund mostrou que não será galinha morta na era pós-Klopp.

A Juventus ganhou o quinto Italiano seguido. Mas foi o mais esquisito deles todos. Normal que, após ser finalista da Champions, mas perder Tevez, Pirlo e Vidal, o time sofresse uma queda. Anormal foi ganhar três, empatar três e perder quatro no primeiro quarto do campeonato. Após 10 rodadas, a Juve era a 12a colocada, com 12 pontos – 11 a menos que a Roma, 9 a menos que Napoli, Fiorentina e Inter.

Mais anormal ainda foi depois ganhar 26 dos 28 jogos restantes, só perdendo uma, com título garantido, para o lanterna e rebaixado Verona (aquele placar que cheira mal). No segundo turno, foram 17 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Só isso.

Na França, mais um campeão “natural”. O PSG. Mas foi com oito rodadas de antecipação, quase invicto (se não tivesse desviado a atenção com a Champions, teria sido invicto). Foi quase um não-campeonato. O que não é normal.

Um ano em que coisas estranhas aconteceram em todas as grandes ligas. E a mais estranha de todas, logicamente, o conto de fadas do Leicester.

Agora restam as finais europeias e as finais das Copas nacionais. As europeias dispensam comentários por enquanto. As Copas têm finais bem bacanas.

Um “showdown” entre Bayern e Dortmund na Alemanha. Man United em busca de salvar o ano na FA Cup, Porto em busca do mesmo após um ano de papelões em Portugal. Juventus e PSG, favoritíssimos, mas diante de dois rivais históricos: Milan e Olympique. E um Barça-Sevilla interessante na Espanha.

Aqui vai o calendário das finais neste fim de temporada:

Quarta, 18 de maio

15h45 Liverpool x Sevilla (Europa League)

Sábado, 21 de maio

13h30 Crystal Palace x Manchester United

15h Bayern de Munique x Borussia Dortmund

15h45 Milan x Juventus

16h Olympique de Marselha x Paris Saint-Germain

Domingo, 22 de maio

13h15 Porto x Braga

16h30 Barcelona x Sevilla

Sábado, 28 de maio

15h45 Real Madrid x Atlético de Madri (Champions League)


Barça volta a encaminhar título (para evitar vexame)
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juliogomes

Sim, se o Barcelona não for campeão espanhol será um vexame. Dos maiores da história do clube, o maior da história recente ultravitoriosa.

A vantagem aberta para Atlético e Real era simplesmente grande demais, logo antes daquela parada para as seleções nacionais, um mês atrás. Eram 8 pontos para o Atlético, 12 pontos para o Real. Com a vantagem no desempate para ambos.

Com a diferença tão grande de orçamentos e elencos no campeonato, não é aceitável perder uma vantagem assim. Ainda mais sem jogadores importantes machucados nem nada do tipo.

Se o Barça não tivesse vencido hoje o La Coruña, em um estádio que costuma ser bom para ele, o campeonato estaria perdido. Seria ultrapassado pelos rivais e dificilmente voltaria a estar na frente. Não por ele, mas pela tabela tranquila que os madrilenhos têm pela frente.

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Suárez meteu 4 gols, distribuiu assistências e o 8 a 0 é o típico placar que afasta crise. Não só mantém a liderança, mas é um golpe de autoridade. É a recuperação mental.

Fisicamente, a eliminação da Champions League ajuda os catalães. E, por outro lado, atrapalha Real e Atlético. Mas sabemos também que a essa altura do campeonato vontade, disposição, luta, aplicação falam muito alto. Muito mais que cansaço.

O 1 a 0 do Atlético de Simeone em Bilbao, em um mega esforço físico, vale os mesmos três pontos que os 8 a 0 do Barça em La Coruña. O saldo não importa, já que o desempate é o confronto direto e já está definido para o Barça contra ambos os rivais.

O Barcelona recebe o Gijón, que luta para não cair, no fim de semana. Depois visita o Bétis, que não assusta, recebe o Espanyol no dérbi e acaba contra o Granada, outro time lá de baixo.

São quatro partidas para lá de ganháveis. O favoritismo volta a ser do atual campeão, só que sem margem para erro.

Porque as quatro restantes de Atlético e Real Madrid também são ganháveis. O Atlético recebe Málaga, Rayo Vallecano e Celta e visita o Levante. O Real visita Rayo, Real Sociedad e La Coruña e recebe o Valencia, trajeto um pouquinho mais difícil.

Em 2007, o Barça de Ronaldinho e cia disputava pau a pau o campeonato contra o Real Madrid. Perdeu o título ao empatar contra o Espanyol, no dérbi, na penúltima rodada. Levando gol no fim de um sujeito chamado Tamudo, que era bom atacante, até.

A história pode até se repetir. Mas que a coisa voltou a estar encaminhada, isso é inegável.

 


Quem pode parar o Barcelona?
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juliogomes

Desde que a Copa dos Campeões da Europa virou a Champions que conhecemos hoje, com não apenas um, mas vários times fortes das ligas europeias, ninguém ganhou o torneio duas vezes seguidas. Isso nos dá o tom do equilíbrio e de como é difícil ser campeão europeu.

Mas está difícil visualizar este Barcelona sendo eliminado por alguém, não está não? Será que cai o tabu?

Sobraram oito postulantes ao título. Além do Barça, temos, no que eu considero a ordem de força dos restantes: Bayern de Munique, Paris Saint-Germain, Real Madrid, Atlético de Madri, Manchester City, Benfica e Wolfsburg.

Coloco o Bayern no mesmo nível de favoritismo do Barcelona. A classificação épica contra a Juventus mostrou que são muitas as fraquezas do time de Guardiola. Preguiçoso para defender os inevitáveis contra ataques a que estará submetido (por proposta de jogo), chuta pouco a gol, tenta pouco jogadas individuais (só Robben mesmo?). Ao mesmo tempo, uma classificação como esta eleva a confiança de todos.

O Bayern joga bem. Não rifa a bola, é agressivo, busca a vitória. Mas muitas vezes me passa a impressão que a verdadeira diferença na tal revolução de Guardiola era Messi. Não quero nem por um milímetro tirar méritos do treinador. Mas sem um jogador que rompa defesas sozinho… o sistema não parece ser eficiente nos jogos gigantes.

Em um hipotético duelo Bayern x Barcelona, o “novo” Barça não disputaria a posse de bola e, sim, teria todo o espaço do mundo para contra atacar com Messi, Suárez e Neymar.

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Acredito que o desenho seria parecido contra o PSG, um time que gosta de ter a posse e controlar o jogo. Contra o Real Madrid e o Atlético, talvez o Barça tenha de propor mais jogo e ele, Barça, é quem poderia ficar exposto a contra ataques.

Pelas características, pelo encaixe, acredito que o Atlético seja o time mais “chato” dos oito para o Barcelona – ser mais chato não significa ter mais chances de vitórias mas, sim, ter uma proposta de jogo que deixe o Barça desconfortável em campo.

Não sabemos como o Real de Zidane encararia o Barça – o de Benítez levou ferro. Mas eu apostaria minhas fichas em um time tentando marcar muito o trio de frente e fazendo transição em altíssima velocidade com Cristiano Ronaldo e Bale.

Contra o Atlético e o Real, portanto, o Barça teria confrontos de maior exigência mental. Qualquer erro de passe pode ser fatal. Contra Bayern e PSG, fortíssimos, o Barça teria mais chances de encaixar o jogo que ele gosta de fazer, saindo em velocidade com os três caras lá na frente. E contra City, Wolfsburg e Benfica acho que nem vale à pena fazer análise de encaixe. Não vejo nenhum dos três com chances contra o Barça.

O futebol é um jogo de encaixe, além de talento, técnica, etc. Para ganhar do Barcelona, não basta ser melhor que ele. É preciso ter um jogo que encaixe no dele.

Por enquanto, os técnicos dos outros sete times estão mesmo só pensando em outro encaixe. Que a bolinha do sorteio não encaixe o time dele contra o time de Luís Enrique…


Arsenal morreu nas mãos do ‘novo’ Barça
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juliogomes

Falar que um time campeão de tudo é “novo” talvez pareça equivocado. Mas o contexto é maior. O Barcelona foi se transformando ao longo dos últimos 12 anos. O que não mudou foi a veia vitoriosa e o jeito de encarar o futebol, a filosofia. Mas o estilo em campo e o jeito de ganhar partidas foram sendo modificados. Era um com Rijkaard, outro com Guardiola e, agora, é diferente com Luís Enrique.

O Barça de Neymar e Suárez ao lado de Messi tem mais dificuldades para criar jogo no meio de campo – foi-se Xavi. Por outro lado, tem muito mais facilidade para contra atacar. Não tem vergonha alguma de fazer ligação direta e buscar o trio de frente. Não era assim antes.

E foi assim que o Arsenal morreu, de novo, para o Barça nas oitavas da Champions League.

Jogou bem, o time de Wenger. Pressionou no primeiro tempo, fechou linhas, deixou o Barça desconfortável em campo. Os catalães tinham a esmagadora posse de bola, mas não chegavam nem perto da área. As ajudas, marcações duplicadas e triplicadas, inviabilizavam o fluxo de jogo.

No segundo tempo, porém, o Arsenal cometeu um erro grave. Tentou ganhar de forma mais agressiva. E tudo o que o novo Barça gosta é de times agressivos, que abrem buracos entre as linhas. Logo no início da etapa final, foi possível flagrar um sem número de ocasiões de 5 contra 5, 4 contra 6… onde estava o 4-4-2 defensivo do Arsenal? O time perdeu a crucial compactação.

triomsnE aí, em um escanteio para o Arsenal, pum. Bola afastada, Iniesta se joga para tirar a bola da intermediária e ela cai nos pés de Neymar. Marcado, ele clareou a jogada, achou Suárez e correu para receber. O passe deu certo, e Neymar e Messi rapidamente estavam em um 2 contra 2. Tchau. 1 a 0.

O contra ataque do Barcelona é o mais letal de todos os tempos. Porque Messi, Suárez e Neymar são bons finalizadores, bons passadores, bons dribladores, são rápidos e se posicionam bem. E o melhor: parece não haver nenhuma invejinha ali. Se cair no pé de qualquer um deles, com espaço, não há como evitar o gol.

Essa é a marca principal deste Barcelona.

O Arsenal do primeiro tempo e o Atlético de Madri, umas semanas atrás, mostraram que marcar o Barcelona na frente e rapidamente se ajustar atrás, com todos os 11 atletas, complica muito a criação catalã. Obriga Messi a voltar 15 metros e buscar jogo, o que logicamente deixa o gênio mais longe da área e de Suárez e Neymar. Este parece ser o caminho.

Real Madrid e Bayern de Munique, que também estão muito perto das quartas de final, são logicamente os times com mais potencial para derrotar o Barcelona em dois jogos. Mas o Real não parece ter jogadores com perfil de comprometimento defensivo/tático. E o Bayern tem problemas sérios na defesa. Ficou exposto contra a Juventus, imaginem contra Messi, Suárez e Neymar. Vai precisar de 99% de posse de bola, e o 1% restante ainda representará extremo perigo.

A Juventus deu uma demonstração de orgulho, coragem e jogo tático. É incrível como faz muito com pouco. Mas ganhar em Munique já me parece missão impossível.


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