Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Seleção brasileira

Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja “momento”, como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles “à prova de momento”. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.


Gabriel Jesus na Europa estará mais para Neymar ou Gabigol?
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Em uma análise do respeitado jornal inglês “The Guardian”, ainda em agosto, a contratação de Gabriel Jesus pelo Manchester City foi comparada à chegada de Mirandinha ao Newcastle, em 1987. Lembram dele?

Dez anos antes de Gabriel Jesus NASCER, chegava o primeiro jogador brasileiro ao futebol inglês. A comparação, claro, só se deu porque Mirandinha vinha do Palmeiras, assim como Gabriel.

Mais vale especular se o novo garoto prodígio do futebol brasileiro terá um impacto parecido com o de Neymar ou com o de Gabigol na Europa. Ambos talentosos, jovens, que despertaram muito interesse e verdadeiras batalhas extra-campo de grandes clubes europeus por eles.

Neymar não chegou para ser o salvador da pátria. Chegou ao Barcelona de Messi. Um clube que tentava se acertar após a era Guardiola e a infelicidade de Tito Vilanova, que vivia a transição para um futebol mais “comum”, como o que joga hoje. Ainda assim, um clube campioníssimo, forte.

Quando Messi faltou, Neymar não deixou a peteca cair – é verdade que ter Suárez ao lado ajuda um tanto. Se nunca ameaçou o reinado do argentino, Neymar ganhou protagonismo, foi importante em temporadas vitoriosas e é claramente o futuro do clube. Ninguém duvida de Neymar em Barcelona.

Gabigol, por outro lado, vive situação inversa. Foi para a Inter de Milão (péssima escolha), ganhou poucos minutos até agora e vai ter de ganhar a vida em uma liga, a italiana, difícil demais para atacantes. Ainda mais para jogadores com as características que ele tem.

Talvez alguém tenha comprado o discurso de “novo Neymar”, discurso que eu nunca engoli. Dá para perdoar. As fornadas costumam ser boas na Baixada Santista.

Os “Gabrieis” acabaram tendo a chance de, ao lado de Neymar, conquistar a sonhada medalha de ouro olímpica. Mas aí chegou Tite na seleção principal e os destinos foram traçados de forma distinta: enquanto um virou titular, o outro perdeu espaço.

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Gabigol tem uma carreira de respeito na base, tem dois títulos paulistas no curriculum, chegou ao time principal do Santos aos 16 anos. Mas parece, à distância, ter aquela mentalidade comum entre os jovens jogadores brasileiros com mídia em excesso. Achar que tem um futebol muito maior do que verdadeiramente tem. Há campo para evolução, sem dúvida. Batalhar para triunfar em um clube difícil, em território hostil, como a Itália, talvez fosse mais louvável do que voltar logo para o Brasil (infelizmente, já começam a surgir especulações plantadas por empresários).

Gabriel Jesus, por outro lado, mostra muita maturidade. Chega à Europa com um título brasileiro no bolso, destaque em um clube que não ganhava o campeonato havia 22 anos. Não teve uma trajetória tão longa aqui como a de Neymar, poderia ter passado mais alguns anos em um clube grande como o Palmeiras, sendo elogiado e criticado, louvado e xingado. Poderia ter criado mais casca. Perdido e ganhado. Ainda assim, não saiu “sem jogar”, como aconteceu com muitos jovens que fizeram a transição sem escalas por nossa combalida elite.

Chega a um Manchester City com muitas interrogações no ar. Guardiola reclama das arbitragens, é criticado nas mesas redondas, começa a ser tratado na Inglaterra com um “bebê chorão”. Seu time perdeu tanto terreno para o Chelsea que o título inglês parece missão impossível.

Como Conte também chegou ao Chelsea no meio do ano, fica meio difícil justificar pela “falta de tempo de trabalho” o início claudicante do técnico mais badalado do mundo.

O que fará Guardiola com Gabriel Jesus? Vai jogar logo o menino na fogueira da Premier League ou vai dar tempo ao tempo? Como justificar um hipotético “pouco uso” do atacante diante da crise de resultados? Como ele será usado? Competindo com Aguero para jogar no comando do ataque ou com os “pontas”, transformando-se em Douglas Costa-2, “A Missão”?

O grande problema do City de Guardiola não tem sido a falta de gols – nos últimos 14 jogos oficiais, só não marcou em um. Mas, sim, o excesso de cartões vermelhos, erros de saída de bola e gols sofridos – nos últimos 22 jogos, só passou três sem levar pelo menos um gol. O jovem atacante brasileiro não é a solução para o principal buraco de Guardiola no momento.

Gabriel desembarcou nesta terça em Manchester e já se especula que ele possa jogar sexta-feira, pela Copa da Inglaterra. É um jogo secundário para o City. Se ele jogar, já teremos uma ideia do que pretende Guardiola.

Nunca é fácil chegar no meio da temporada, sem dominar o idioma, na liga doméstica mais competitiva do mundo, onde árbitros não protegem talentos e jornalistas preferem gastar tinta criticando atacantes que se jogam do que elogiando os que driblam.

Talvez, para este restante de temporada, a resposta à pergunta proposta por este post seja “nem Neymar, nem Gabigol”. Possivelmente Gabriel Jesus tenha muitos minutos, mas sem um impacto imediato. Nem vai ficar encostado, como Gabigol, nem “chegar chegando”, como Neymar.

Para os próximos anos, eu apostaria algumas fichas em Jesus como o Gabriel mais importante pelas bandas de lá.

Após uma curta pausa de fim de ano, aqui estamos de volta para debater futebol e esporte em alto nível. Sem histeria, sem interesses escusos ocultos, sem bordões, sem preconceitos. Queremos cada vez mais tratar o futebol como ele merece. E queremos uma sociedade menos agressiva e violenta, física ou verbalmente.

Agradeço muito aos que deixaram comentários construtivos (a maioria!) ao longo do ano passado e sejam todos e todas bem vindos para participar também em 2017. Sempre com educação e respeito à opinião do próximo. Não deixem de opinar, concordar, discordar, compartilhar o que vocês leem por aqui. Não deixem de acompanhar o melhor noticiário aqui nas páginas do UOL Esporte.

Aproveitem para me seguir também no Twitter e no Facebook. É só clicar nos links. E um feliz ano novo para todos nós!


Brasil de Tite é, no momento, a melhor seleção do mundo
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juliogomes

Como o futebol é dinâmico, não? Quem imaginaria, seis meses atrás, que eu estaria falando que a seleção brasileira é a melhor do mundo? Ou pelo menos que “está” a melhor do mundo.

Depois dos 7 a 1, de Dunga, dos jogos com o Haiti, Peru, as Copas Américas… A seleção brasileira vivia a maior depressão de sua história. E, de repente, tudo mudou com a chegada de Tite. Que deveria estar lá, no mínimo, no mínimo, desde 2014.

O melhor técnico do Brasil, atualizado, moderno, que domina todas as facetas da profissão. Tática, física, análise dos adversários, comportamento, alterações ao longo do jogo. Tite é bom em tudo. E faz um trabalho incrível em tão pouco tempo – ele não quer os louros e destaque o trabalho coletivo. Sem dúvida, é um trabalho coletivo. Mas liderado por você mesmo, Tite.

A seleção brasileira é recheada de grandes jogadores em todos os setores, ainda que tenha rolado o papinho de “geração ruim”. Não necessariamente melhores do mundo em suas posições, mas suficientemente bons. Bastou que se parasse de olhar para o indivíduo e que começasse a ser priorizado o coletivo, que é o que o esporte é. E tudo mudou.

A seleção do Brasil não É a melhor do mundo, mas ESTÁ.

Nenhuma seleção europeia mostra, hoje, o futebol que o Brasil mostrou nos últimos meses com Tite (e não mostrou tal futebol em amistosos patéticos mas, sim, em jogos de alta competitividade. Contra Argentina, Colômbia, na altitude do Equador, enfim).

Alemanha e Espanha, as mais fortes das últimas competições, vivem transição. Testam novos jogadores, buscam opções. Serão fortes na Copa-2018, sem dúvida. Mas, hoje, não mostram a bola que o Brasil mostra. E vimos isso na Eurocopa. A França, que parecia a melhor da Europa no meio do ano, tampouco empolga nas eliminatórias. Sofre. Assim como Itália e Inglaterra. A Bélgica sofre por falta de competitividade nos jogos grandes.

Chile e Portugal, os campeões de meio de ano, não têm essa bola toda. A Argentina, melhor seleção sul-americana dos últimos anos, caiu. Por Bauza, pela defesa ruim, por problemas extra-campo, pela solidão de Messi, crise jogadores-imprensa, enfim.

Com 27 pontos, o Brasil está a um ponto (em seis jogos) da Copa da Rússia. E pensar que correria sério risco se Dunga continuasse. É incrível como, com trabalho bem feito e resultados aparecendo, a tranquilidade transforma a seleção brasileira em um timaço. Basta ver a finalização de Gabriel Jesus no primeiro gol contra o Peru. Sem medo de errar, basta aos jogadores fazer o que sabem muito bem fazer desde crianças.

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Se a Copa começasse amanhã, o Brasil seria o favorito, sim senhor. Hoje, nenhum time joga mais bola ou está mais azeitado.

Outra coisa é o que acontecerá daqui a um ano e meio. Assim como em seis meses tudo mudou para o Brasil, em pouco tempo tudo pode mudar para todo mundo. Faltam muitos testes ainda, muitas situações. Mas o caminho está claramente certo.

Não é euforia gratuita. É apenas constatação de momento. MO-MEN-TO.


Brasil voa e expõe uma Argentina deprimida
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juliogomes

A Argentina só ficou fora de quatro Copas do Mundo até hoje. Não jogou os Mundiais de 38, 50 e 54 por motivos extra-campo. Ficar sem jogar por não conseguir vaga mesmo só aconteceu em 1970, eliminada pelo Peru.

Depois disso, a Argentina deu dois papelões e ficou contra a parede para se classificar para os Mundiais de 94 e 2010. Nas eliminatórias de 94, levou aqueles 5 a 0 para a Colômbia em casa, o que a obrigou a jogar a repescagem contra a Austrália, ganhando com um magro 1 a 0 em Buenos Aires.

A partir de 98, as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, todo mundo contra todo mundo, e a Argentina se classificou sem problemas em quase todas as vezes. Menos para a Copa de 2010. Naquela campanha, ficou cinco jogos sem ganhar, trocou de técnico, assumiu Maradona (medida desesperada), levou 6 da Bolívia (lembram?), levou sacolada do Brasil de Dunga em casa em uma série de três derrotas seguidas e acabou chegando à última rodada contra as cordas.

Em outubro de 2009, quando a Argentina chegou para jogar contra o Uruguai, em Montevidéu, uma derrota poderia deixá-la fora até da repescagem. Acabou ganhando por 1 a 0, com um gol no fim de um herói improvável, Bolatti. Foi a senha para Maradona mandar todos os jornalistas para a p* que pariu.

O tempo passou, Messi se consolidou como um dos maiores jogadores da história e a Argentina chegou a três finais consecutivas. Copa do Mundo-2014 e Copas Américas de 2015 e 2016. Perdeu uma na prorrogação, duas nos pênaltis. Bateu na trave para quebrar o jejum de títulos da absoluta, que vem desde 93.

E agora a coisa desandou. A seleção argentina parece uma seleção deprimida e cabisbaixa em campo.

Messi ameaçou se aposentar da seleção após a nova final contra o Chile, mas se arrependeu. Tata Martino saiu em circunstâncias estranhas. Tentaram Simeone, não deu certo. Sampaoli já havia ido para o Sevilla. Com tanto treinador argentino bom por aí, o cargo caiu no colo de Patón Bauza, que está muito longe de ser gênio. Seus times historicamente caminharam aos trancos e barrancos, com números pífios atuando fora de casa. Será que chega ao ano que vem?

Bauza ganhou do Uruguai na estreia. Depois disso, empates com Venezuela e Peru, derrota em casa para o Paraguai e os 3 a 0 desta quinta, que poderiam ter sido mais, para o Brasil no Mineirão.

Antes da Copa América, era o Brasil quem estava contra a parede. A decisão (atrasada, mas correta) de trazer Tite para o comando colocou as coisas nos eixos. Jogando bem, um futebol moderno e que ressalta as (muitas) qualidades de seus melhores jogadores, a seleção ganhou cinco seguidas. É lider das eliminatórias com 24 pontos e já está virtualmente classificada para a Copa-2018.

O jogo do Mineirão foi um passeio. Por mais que a Argentina tivesse mais posse no primeiro tempo, estava claro que o Brasil chegaria ao gol pela movimentação do time inteiro e pela leveza de espírito em campo. O golaço de Coutinho faz o rival desabar. A defesa é segura, o meio de campo é dinâmico (Paulinho fez mais um bom jogo) e o atacante é rápido, insinuante, com três velocistas e grandes finalizadores. Podia ter sido uma goleada histórica se a seleção apertasse mais no segundo tempo.

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Enquanto o Brasil se encontrou, a Argentina tomou as decisões erradas. Pela segunda vez na história, fica quatro jogos seguidos sem ganhar nas eliminatórias. Está fora da zona de classificação até para a repescagem e só não vive situação francamente dramática porque a rodada foi perfeita (evidentemente, exceto a derrota acachapante da própria Argentina). O Equador perdeu, o Paraguai perdeu em casa do Peru e Colômbia e Chile só empataram.

Brasil, com 24, e Uruguai, com 23, já estão garantidos. Aí são seis seleções separados por apenas quatro pontos. Duas vão para a Copa, uma para a repescagem e três vão sobrar. A Colômbia tem 18, Equador e Chile com 17, Argentina com 16, Paraguai com 15 e Peru com 14. No papel, Argentina, Chile e Colômbia são os favoritos para as três vagas. Mas como ignorar a altitude do Equador? A tradição do Paraguai? E até o Peru, de Cueva e Guerrero?

A última rodada das eliminatórias neste ano, terça-feira, tem Argentina x Colômbia, Chile x Uruguai, Equador x Venezuela, Bolívia x Paraguai, Peru x Brasil. O jogo contra os colombianos (treinados por Pekerman, um argentino) é decisivo para a vida de Bauza e da albiceleste nas eliminatórias.

No ano que vem, a Argentina pega Chile (casa, fantasmas), Bolívia (fora, fantasmas) e Uruguai (fora, casca de banana) antes de, finalmente, ter dois jogos supostamente fáceis: Venezuela e Peru em casa. Encerra na altitude equatoriana. Não é uma tabela tranquila, não.

Com uma defesa ridícula e um sistema ofensivo que parece cansado de bater na trave, desmotivado, abalado, a Argentina corre risco real de ficar fora da Copa.

E o Brasil está voando.

Como o futebol é dinâmico…


Só as eliminatórias sul-americanas são páreo para a Champions League
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juliogomes

A Copa do Mundo é a Copa do Mundo. Mas hoje ela não é muito maior ou mais importante que a Champions League. Antigamente, a Copa era a única possibilidade de ver os grandes jogadores do mundo juntos em um mesmo torneio. Era a única possibilidade de vermos confrontos entre escolas. De tirarmos a teima. Hoje, isso tudo está empacotado dentro da Champions anualmente.

Agora, sem a mesma pompa, sem a mesma organização, sem os estádios e gramados lindos e modernos, restringindo o debate somente à parte técnica, eu digo: as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo são a única competição capaz de rivalizar com o principal torneio de clubes. Não a Libertadores, mas as eliminatórias.

Vejam a rodada desta quinta-feira: Brasil x Argentina (só isso). Colômbia x Chile. Uruguai x Equador. Até Paraguai x Peru tem lá seu charme. E aí Venezuela x Bolívia deixamos de lado.

Agora olhe para a tabela: Brasil (21) e Uruguai (20) deram uma disparada, mas até a chegada de Tite o Brasil estava derrapando. Aí são seis seleções separadas por seis pontos, sendo que duas delas vão pra Copa e uma para a repescagem. Somente os lanternas Venezuela e Bolívia cumprem tabela, e mesmo assim, são adversários chatos quando jogam em casa.

O equilíbrio é total e é muito difícil apontar favoritos nos jogos. A cada rodada, tudo pode acontecer em três ou quatro dos cinco jogos.

Coloquemos agora na receita alguns ingredientes que a Champions League não tem: estádios com ambientaços, torcidas que fervem, condições extra-campo adversas (altitude, frio, calor, rojões na madrugada, polícia escoltando ônibus, vestiários discutíveis, árbitros pressionadíssimos).

Ah, mas isso tudo tem na Libertadores.

Sim. Só que tem um pequeno detalhe que a Libertadores não tem: os grandes jogadores.

Neymar, Coutinho, Thiago Silva, Marcelo, Messi, Di María, Higuaín, Mascherano, Suárez, Cavani, James, Vidal, Sánchez, entre tantos outros… esses caras infelizmente não duram muito tempo jogando em seus países natais. Logo vão para clubes europeus. Mas voltam para defender suas seleções – e, acreditem, amam fazê-lo.

Quem tem assistido somente aos jogos da seleção brasileira está perdendo. As partidas das Sul-Americanas têm muito bom nível técnico e de competitividade, são bem jogadas, dinâmicas, táticas, não devem para o futebol jogado na Europa. Aliás, são bem melhores que as das eliminatórias europeias – essas sim, com algumas ótimas seleções, mas um número muito grande de seleções médias, fracas ou péssimas. Isso, aliado ao sistema de grupos, faz com 70% dos jogos sejam desinteressantes a cada rodada.

A Argentina enfrenta o Brasil no Mineirão contra a parede. Neste momento, estaria fora da Copa. E arrumou um técnico, Patón Bauza, que historicamente fracassa fora de casa. Se perder do Brasil de Tite, que está voando, a Argentina precisa rezar para o Uruguai bater o Equador e, de preferência, que Colômbia x Chile acabe empatado.

Como são as coisas. De um mega crise, o Brasil saiu para virtual classificado. E, de finalista seguidamente em Copa do Mundo e duas Copas Américas, a Argentina vira uma seleção contra a parede para ir à Rússia. Vai precisar de muito Messi nesta noite no Mineirão. Senão estará à beira do seu 7 a 1 particular.

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Por que, afinal, Neymar apanha tanto?
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O jogo de quinta, contra a Bolívia, foi daqueles em que o árbitro nem deveria ser notado. Diferença brutal entre as seleções, sem rivalidade, goleada rapidamente construída. Mesmo assim, o jogo descambou para a violência em vários momentos. No olho do furacão, Neymar. De novo.

Por que será?

Por que jogadores bolivianos desconhecidos perdem tempo e energia descendo a lenha em Neymar? E deram nele, heim…. foram pelos menos duas entradas bem duras, um cotovelaço no rosto e alguns empurra-empurras. Isso tudo já com 2, 3, 4 gols no placar, quando não havia mais disputa.

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Tite até demorou para tirar Neymar de campo. Considerando, como o próprio Tite disse, que ele estava “arrebentado” fisicamente, considerando que não parava de apanhar, considerando que já tinha o amarelo, considerando que o jogo estava definido.

Amarelo este que foi tratado como “forçado” – para supostamente não pegar a Venezuela e estar pronto contra a Argentina.

Sinceramente, não vejo por que haver tanto risco assim de um atacante tomar um amarelo contra a Venezuela. E não consigo ver Tite pedindo esse tipo de coisa ao jogador. Ou seja, tenho lá minhas dúvidas sobre o cartão ter sido “forçado”. Mas tenho também muitas dúvidas se Neymar, hoje em dia, conseguiria passar ileso de cartões contra a Venezuela.

Será que ele pensou nisso? Porque, se pensou, o teatro foi muito bem feito. Ele realmente parecia bem irritadinho (de novo) em campo. Incompreensível, dado o grande jogo técnico e tático que fez, com roubos de bola, gol e assistências.

Apesar do título olímpico, do reencontro da seleção com o bom e moderno futebol, apesar dos 300 gols na carreira (que marca impressionante essa de Neymar), o garoto parece continuar vivendo em uma vibe “eu contra o mundo”.

Não dá para entender tanto nervosismo em campo, tanto stress.

Por que apanha, afinal?

Alguns fãs dirão que apanha porque joga o jogo bonito, vai para o drible, encara, e rivais não gostam disso. Alguns críticos dirão que apanha porque provoca além da conta.

Tendo a ficar com os críticos.

Porque cansamos de ver jogadores melhores, ou pelo menos com carreira mais consistente que Neymar, que não são caçados em campo nem por um minuto. Messi, Cristiano Ronaldo, até mesmo o “maluco mordedor” Suárez. Iniesta, Thomas Muller, Lewandovski, Bale, Griezmann. Por que esses caras não apanham?

Sabem quem apanha? Diego Costa. O que faz Diego Costa em campo? Provoca, provoca, provoca.

Neymar, em termos de atitude em campo, me parece estar mais para Diego Costa do que para Messi. Não é normal que tantos jogadores, de tantos países diferentes, de tantos clubes e seleções diferentes, tenham tanta vontade de bater em Neymar assim de graça.

Não acredito que seja apenas o “desrespeito do drible”. Isso me parece conversa para boi dormir. Deve ter muito fala-fala ali no campo. Deve ter muita “humilhação” que faz, no fim das contas, um sujeito resolver dar uma patada no outro. Isso não exime de culpa, de forma alguma, o brucutu da patada. Mas o mundo não é feito de bons e maus, heróis e vilões, como querem nos fazer crer. Há muito cinza no meio desse preto e branco.

Sabem quem é o maior prejudicado? O próprio Neymar. Bobo dele se não perceber.

 


Com Thiago Silva, Tite corrige erro bizarro de Dunga
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juliogomes

A ausência de Thiago Silva da seleção brasileira foi ridícula. Infantil. Inacreditável. Convocando um dos melhores zagueiros do mundo, senão o melhor, Tite corrige um erro bizarro de Dunga.

A antipatia de Dunga por Marcelo era antiga, vinha desde a Olimpíada de Pequim, da primeira passagem. Era compreensível, até. Mas Thiago Silva estava fora da seleção por que mesmo? Um pênalti bobo cometido? Quem nunca… Porque chorou em um jogo de Copa do Mundo? Em casa, com essa pressão de leve que se faz aqui? Quem nunca…

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Não saberemos, porque nunca foi dada uma explicação plausível e transparente.

O Brasil tem bons zagueiros. Nenhum como Thiago Silva. Técnico, com grande senso de posicionamento, inteligente taticamente, líder. Simplesmente não dá para abrir mão.

Mais um gol de Tite. Esse até minha vó faria, como se diz por aí. Mas Dunga, não.


Brasil ganha jogo duríssimo e tranquilidade nas eliminatórias
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juliogomes

O Brasil sofreu para vencer a Colômbia, nesta quarta, em Manaus. Talvez até o empate fosse o resultado mais justo, pelo que fizeram os dois times. Regressão em relação ao jogo de Quito? Nada disso.

Nesta rodada específica, não haveria rival mais duro para o Brasil nas eliminatórias. A Colômbia é o time mais em forma do continente, mais do que uma Argentina sem Messi e com técnico novo, mais do que um Chile desencontrado.

Finalmente, vimos um Brasil x Colômbia de futebol, não de pancadaria. Foi um belíssimo jogo. Intenso, bem disputado e com chances. Os colombianos tiveram uma claríssima chance para virar o jogo, mas foi o Brasil quem matou.

O que mais gostei na seleção: troca de posições e infiltrações. Daniel Alves e Marcelo fazem parte da construção das jogadas, não ficam presos às laterais e, quando afunilam, são outros que ocupam as pontas para espalhar o campo. Com a proteção de Casemiro, Paulinho e Renato Augusto conseguem avançar e receberam passes importantes de Neymar e William. Bobearam em finalizações que poderiam ter sido limpas.

Talvez outros meias conseguissem participar melhor do que Paulinho e Renato Augusto neste tipo de lance. Mas talvez não façam o mesmo trabalho de marcação e coberturas que estes dois. É uma equação para o técnico.

Philippe Coutinho entrou bem novamente. Mas, também novamente, se beneficiou por ter minutos com o time vencendo o jogo e o contra ataque à disposição.

O que não gostei: Gabriel Jesus não foi envolvido nessas jogadas, não conseguiu fazer as paredes ou receber o passe de gol.

Neymar não precisa mais ser o “faz tudo”, o que é ótimo. Porque ele não é um faz tudo. Não é um armador, um criador. Sua grande qualidade é finalizar, assim como fez no gol da vitória. Quanto mais à frente receber a bola, com menos marcadores, melhor. Seu grande defeito atualmente é cair demais, reclamar demais da arbitragem, se mostrar tão irritado com o mundo. Precisa acalmar e jogar mais alheio aos árbitros.

O que detestei: ver que o estádio não estava lotado, pois o ingresso médio custava 160 reais. Um escândalo. Se é culpa de quem quer que mande no estádio, a milionária CBF que subsidiasse ingressos mais baratos. É a desconexão total da corja com a realidade. A seleção não é da CBF, é do Brasil.

O fato é que, com 15 pontos e na vice-liderança, o Brasil ganha muita tranquilidade para se classificar para a Copa de 2018. Em outubro, fecha o turno contra a Bolívia em casa (dia 6, em Natal) e abre o returno na Venezuela (dia 11). São as seleções mais fracas do continente. Com duas vitórias, a seleção chegaria a 21 pontos.

Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, 28 pontos sempre foram suficientes para qualquer seleção ficar entre as quatro primeiras. Se fizer o dever de casa em outubro, faltariam sete pontos em oito jogos para atingir a marca. Ou seja, situação bastante controlada.

Tite começou com o pé direito, e a seleção brasileira sai das cordas.

O fato é que a rodada dupla de setembro foi praticamente perfeita. Além de ganhar os dois jogos (foi o único país a fazê-lo), ambos muito complicados, o Brasil viu a Argentina perder pontos contra a Venezuela, o Chile tropeçar em casa com a Bolívia.

O Chile, campeão das últimas duas Copas Américas, é quem está contra as cordas agora. Com 11 pontos, está em sétimo lugar e começa a ficar longe de Uruguai, Brasil e Argentina. Vai ter de disputar ponto a ponto contra a Colômbia, o Equador e o Paraguai. Situação difícil após a saída de Sampaoli. Se perder no Equador na próxima rodada, resultado que seria para lá de normal, o Chile se complica demais.

 


Um círculo virtuoso começa na seleção. Tomara que se espalhe
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juliogomes

O ideal seria que fosse de cima para baixo. Mas não há problema algum se for de baixo para cima.

O fato é que, vitória sobre o Equador à parte, está claro que um círculo virtuoso começa na seleção brasileira. O país entra no caminho certo em relação ao comando técnico da seleção. Agora falta espalhar para cima. Que o círculo vicioso de décadas e dirigentes nefastos seja quebrado.

Não é uma vitória qualquer a da estreia de Tite. Eram décadas sem ganhar em Quito – 33 anos. Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, o Equador tem uma campanha em casa, na altitude, que somente Brasil e Argentina conseguem repetir em seus jogos como locais.

Não é uma vitória circunstancial. Foi uma vitória construída por um time que jogou melhor que o outro, que se adaptou ao adversário durante a partida e jogou de forma coletiva. Quando o jogo coletivo funciona, o individual desponta. Digo sempre, mas nunca é mau repetir. Não se deve confiar no individualismo para resolver as partidas. O individualismo aparece, e é importantíssimo, quando a engrenagem funciona.

A engrenagem funcionou, com um meio de campo dinâmico, ótimas partidas de Paulinho e Renato Augusto e movimentação no ataque. Sobrou para Gabriel Jesus ser o rosto da vitória em Quito, com o pênalti sofrido e dois golaços. Um garoto de 19 anos! Ainda bem que essa geração é “ruim”, como dizem alguns. Imaginem se fosse boa.

O problema da seleção nunca foi falta de talento. Foi falta de percepção de que o futebol é outro. Mudou. Com Tite, afinal, estamos atualizados.

gabrieljesus