Blog do Júlio Gomes

Arquivo : São Paulo

Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
Comentários Comente

juliogomes

A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
Comentários Comente

juliogomes

É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
Comentários Comente

juliogomes

Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Humildade em falta nas análises de Rogério e sobre o Palmeiras
Comentários Comente

juliogomes

No domingo, São Paulo e Palmeiras levaram chacoalhadas importantes. A classificação de ambos para a final do Paulistão ficou muito, muito difícil. Por mais que se fale que o Paulistão não vale nada, o fato é que o torcedor adora ganhar de seus maiores rivais. O São Paulo está na fila desde 2005, o Palmeiras só ganhou um dos 20 últimos estaduais que jogou, e o Paulista acaba sendo uma prova importante para técnicos “novatos”.

Rogério Ceni nunca se notabilizou na carreira de goleiro pelo excesso de humildade. Foram raras as falhas admitidas. Como treinador, apesar de ainda ser um estágio muito inicial, o caminho vai sendo parecido.

Mano Menezes, após a vitória cruzeirense no Morumbi na última quinta-feira, disse que “o futebol nos dá lições de humildade a cada dia”.

O jogo de quinta foi horrível. O resultado mais justo seria o 0 a 0, mas o Cruzeiro teve lá seus méritos ao achar dois gols de bola parada. No domingo, o São Paulo voltou a enfrentar um rival bem postado defensivamente. O mundo sabia que o Corinthians faria o que fez. E o time de Ceni voltou a levar um 0 a 2 na tampa.

Assistindo às coletivas de Ceni após o jogo, percebe-se uma dificuldade para admitir os problemas importantes do São Paulo. O discurso de quinta foi repetido no domingo.

As declarações do técnico sobre a postura de Cruzeiro e, depois, Corinthians, passam para alguns um tom de menosprezo. A impressão que muitos têm, ouvindo Rogério, é de que o São Paulo dominou ambos os jogos, massacrou e perdeu por puro azar, por lances fortuitos dos adversários.

Não foi bem assim. O São Paulo foi bem marcado por ambos e ofereceu pouca dificuldades para os sistemas defensivos bem postados de Mano e Carille. Apresentou futebol pobre. Foi um time de pouca movimentação, pouca velocidade, poucas associações, poucas jogadas, muito chuveirinho. Cássio ainda fez boas defesas para o Corinthians, já o Cruzeiro só precisou afastar cruzamentos.

O que Rogério Ceni quer implantar no São Paulo é louvável. Não é fácil! O Real Madrid, com o elenco que tem, vive sérios problemas de criação de jogo e é ultradependente de bolas paradas. Construir é dificílimo, ganhar com um estilo próprio é algo que requer tempo.

É muito bom que um técnico novo e inegavelmente influente e inteligente queira implementar um futebol ofensivo, de posse e qualidade. O Brasil precisa disso.

Os que acompanhamos mais de perto o futebol de altíssimo nível técnico e tático jogado na Europa estamos sedentos por algo assim no Brasil. Chega de resultadismo. Times precisam buscar identidade e desempenho, e é isso que Rogério tenta.

Mas não funcionou contra o Cruzeiro nem contra o Corinthians. É normal que não funcione. Falta tempo, faltam peças, faltou até sorte nos jogos. E faltou Rogério reconhecer, pelo menos de forma mais contundente, os méritos e virtudes das propostas adversárias, os erros e falhas da proposta dele. O discurso transparece certa arrogância, pouca humildade.

Como pouco humildes são os que colocam esse elenco do Palmeiras na estratosfera.

E aqui quero deixar claro que não vejo ninguém do próprio Palmeiras, nem técnico nem jogadores, adotar postura de arrogância e superioridade.

Mas é incrível como muitos colegas jornalistas e torcedores estão falando do Palmeiras como se fosse um Real Madrid ou um Barcelona. Calma lá!

Sim, é verdade que o elenco do Palmeiras é mais farto que outros. Fartura e quantidade não significam que haja esse abismo todo de qualidade. Eu não me espanto pelo Palmeiras ter sofrido tanto para vencer seus dois jogos em casa pela Libertadores e nem que tenha levado três da Ponte Preta.

Será que o 11 do Palmeiras é tãããão melhor assim que o da Ponte? Calma lá! Nada que um bom sistema defensivo, com contra ataques bem armados, não possa resolver. Já faz muito tempo que o futebol sul-americano está nivelado, sem um time dominante.

“Se o Barcelona conseguiu reverter contra o PSG, por que o Palmeiras não pode reverter contra a Ponte?”

Vocês duvidam que ouviremos a frase acima ao longo da semana?

Pois é.

Parece que querem criar um Palmeiras dominador que ainda está muito distante da realidade.

O risco é o torcedor acreditar mesmo que haja tal superioridade. E cobrar de time e técnico o que eles não poderão entregar. Talvez a sova de Campinas venha em boa hora para o futuro do Palmeiras no ano.

 


Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
Comentários Comente

juliogomes

O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


São Paulo impressionou pela personalidade na Vila
Comentários Comente

juliogomes

Eram 16 clássicos paulistas seguidos sem vencer fora do Morumbi. Eram mais de sete anos sem vencer o Santos na Vila Belmiro, 11 jogos.

O São Paulo de Rogério Ceni já quebra tabus.

Mais do que isso ou até mesmo que os três pontos, o mais interessante para o torcedor são-paulino foi ver tanta personalidade em campo.

O São Paulo só se acuou quando já vencia por 2 a 1, Dorival fez uma substituição ofensiva (e arriscada) e o Santos pressionou bastante por alguns minutos.

Sidão fez uma grande defesa. Evitou o empate, logo depois ligou o contra ataque e, no primeiro que encaixou, o São Paulo matou o clássico.

Luiz Araújo, que entrou no intervalo, foi muito mais eficiente que Neílton. Fez dois gols e ameaçou o tempo todo. Está claro que vai se firmar como titular.

No primeiro tempo, após levar o 1 a 0, o São Paulo não sentiu o golpe. Colocou a bola no chão, trocou passes, rodou, rodou, rodou. É raro ver o Santos ser empurrado para trás na Vila. Faltava ao São Paulo o passe mais agudo.

O empate saiu em um pênalti infantil de Zeca sobre o Gilberto, anotado por Cueva. O Santos melhorou depois do empate, criou uma chance e chegamos ao intervalo.

No segundo tempo, a tônica foi a mesma. O São Paulo controlou a posse de bola. Mesmo longe da área, era quem ditava o ritmo do jogo. Mas foi em outro lance que nada teve a ver com isso que chegou à virada.

Lucas Lima perdeu bola no meio do campo, Gilberto deu rápido passe para Luiz Araújo, que avançou e marcou. Depois da pressão do Santos em busca do empate, vieram o 3 a 1 e chances para fazer até o quarto.

Ainda é início de temporada. Mas é daqueles jogos importantíssimos para a sequência de um trabalho inicial. O mito já é cada vez mais mito no coração do torcedor.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
Comentários Comente

juliogomes

Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

psg_reforcos

O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

jorge_monaco

Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Ganso cai no lugar ideal. Agora saberemos o real tamanho dele
Comentários Comente

juliogomes

Paulo Henrique Ganso sempre me pareceu um jogador fora de seu tempo.

Seria craque anos atrás. Porque tem talento, tem passe, tem aquela jogada tirada da cartola, consegue pensar fora da caixa. Tem, como muitos técnicos gostam de dizer, “inteligência futebolística”.

Mas o futebol mudou. Jogadores como Ganso são raros, porque os defeitos de seu jogo comprometem as virtudes. Os que passam bem e dão fluência ao jogo hoje atuam mais atrás, como volantes ou até zagueiros. Mas cumprem funções defensivas que Ganso não cumpre. Os que, além do passe, tem o instinto matador, se transformam em meia-atacantes ou até atacantes. Ganso não faz tantos gols.

Ganso seria um número 10 das antigas. Mas hoje o número 10 praticamente não existe mais. Existem 5s, 8s e 11s. Ficou em um limbo que me impede de considerá-lo um craque.

As lesões tampouco ajudaram. Nem as negociações e exigências em excesso nos tempos de Santos, em que ele (além de tanta gente) realmente se achava tão ou mais importante que Neymar.

Mas o fato é que a carreira de Ganso foi ficando pelo caminho. Em vez de ir do Santos para um, digamos, Real Madrid, o máximo que deu foi para o São Paulo mesmo. Teve seus momentos. Mas nada do que se projetava seis anos atrás.

As portas da seleção brasileira pareciam fechadas para Ganso. Ele até esteve na Copa América após tantas lesões, mas não parece ser nada mais que um repique. Sem seleção e sem dinamismo, a consequência eram portas fechadas também no grande nível europeu.

Claro que dava para imaginar Ganso em uma Ucrânia da vida. Uma Turquia, até. Sem falar no “mundo chinês”, “mundo árabe”. Mas não em um clube importante de alguma das quatro grandes ligas domésticas. E nem as secundárias.

De repente, Ganso vai para o Sevilla. Atual tricampeão da Liga Europa. Um clube capaz de incomodar os grandes na Espanha. Um frequente nas ligas continentais. Clube importante, de torcida, de mídia. Um raro médio-médio. Médio em seu país, médio na Europa.

E mais. Para um Sevilla começando um projeto muito promissor, com o ótimo Jorge Sampaoli no comando. Ganso chega como um pedido do novo chefe. E que chefe! Um técnico campeão da América com o Chile. Que por onde passou implementou bom futebol, de posse e passe, com técnica e qualidade como condições essenciais de jogo.

Para mim, o argentino poderia tranquilamente ser técnico de uma seleção de peso. A brasileira ou a espanhola, por exemplo. Mas resolveu tentar a sorte na Europa. E está fadado ao sucesso, pois é muito bom no que faz.

É verdade que Sampaoli gosta também de dinamismo e intensidade. E é aqui a grande interrogação sobre o que Paulo Henrique consegue entregar.

O futebol na Espanha é incomparavelmente mais veloz e intenso que no Brasil. Mas bem menos que na Inglaterra ou Alemanha. É uma liga, a espanhola, que privilegia o talento, a ofensividade.

Além disso, Sevilha é uma cidade quente e acolhedora. Que gosta de brasileiros, até porque nos últimos anos muitos passaram por lá e só deixaram boas lembranças (Daniel Alves, Renato, Júlio Baptista, Ricardo Oliveira, Marcos Assunção, Edu, etc, etc, etc).

Time bom. Técnico ótimo. Cidade maravilhosa. Salário para lá de decente. Liga boa para se adaptar e de alta competitividade.

O que mais Ganso poderia pedir?

Muito se falou, muito falei, que Ganso era um bom jogador mas que, por características, não havia lugar na Europa para ele com o futebol jogado hoje em dia. O cara ainda tem 26 anos. E tem cabeça, além de talento. É claro que dá. Adoraria queimar a língua.

Agora veremos o verdadeiro tamanho de Ganso. Ou triunfa ou volta reclamando da sorte. Só depende dele.

ganso_sevilla


São Paulo fez Libertadores ‘guerreira’, sai de cabeça erguida
Comentários Comente

juliogomes

Não seria fácil acreditar se alguém dissesse no começo do ano que o São Paulo estaria na semifinal da Libertadores. Menos ainda depois daquela derrota para o Strongest no Pacaembu.

Mas o fato é que chegou. E, se ficou bem clara a inferioridade no duelo contra o Atlético Nacional, o São Paulo se despede com um álibi. A discutível expulsão de Maicon selou o destino do primeiro jogo. O indiscutível pênalti não marcado sobre Hudson no final do primeiro tempo minou as possibilidades (já remotas) de classificação no segundo jogo.

O São Paulo tem uma relação interessante com a Libertadores, que me lembra muito a do Real Madrid com a Champions (guardadas as devidíssimas proporções). É como se clube e torcida “se apropriassem” da competição. Como se fosse dono dela, como se fosse o único vencedor apto.

É claro que há uma linha fina entre o tamanho (enorme) e a soberba. Aí vai da ação e da interpretação de cada um.

O são-paulino pôde ter novamente o gostinho de ser protagonista na Libertadores. Mas deve ter cuidado para não se empolgar demais. É uma semifinal bem diferente daquelas dos anos 90 e da “era Ceni” no meio da década passada. Difícil até ver o São Paulo se classificando para a próxima Libertadores, mas não dá para desprezar essa hipótese – a provável saída de Ganso certamente não ajuda.

Ganso foi um dos fatores de crescimento do time na competição e, sem dúvidas, a ausência dele foi um dos fatores que prejudicaram o São Paulo na semifinal.

Foi uma campanha que teve jogos grandes contra o River Plate. Que teve a sorte de o Strongest perder do Trujillanos. A partida heróica da classificação na Bolívia, com o surgimento do “xerife” Maicon. O ótimo jogo de oitavas contra o Toluca no Morumbi. E as partidas feias contra o Atlético Mineiro.

Resumindo, o São Paulo não mostrou tanta bola. Mas mostrou organização (mérito de Bauza) e, o principal, mostrou muito coração nessa Libertadores. Fazendo jus ao que pedem os torcedores. Foi aos trancos e barrancos. Mas foi até onde deu. Mais que isso, seria estranho.

O Atlético Nacional é um justo finalista. Pela campanha que fez e por ter mostrado, nos dois jogos, ser um time melhor e mais organizado que o São Paulo.

Vamos ouvir muito sobre arbitragem. O perigo disso é esquecer de olhar para os próprios erros. Aquela entrada inútil de Ganso em um jogo do Brasileiro. A infantilidade de Maicon, logo após um valor deveras exorbitante desembolsado para manter o zagueiro. Um Lugano que realmente não dá mais pra jogar. Enfim.

O grande grande erro de arbitragem foi o pênalti não marcado em Hudson no último minuto do primeiro tempo na Colômbia. Erro gigante. Mas nada garante que o pênalti seria convertido e nem que o São Paulo buscaria o terceiro gol no segundo tempo. Aliás, não teve chance alguma na etapa final contra o bom time colombiano.

Foi uma Libertadores guerreira. De resgate, de mostrar que a camisa tem peso, de mostrar que o trabalho de Bauza merece crédito para anos. O São Paulo merece palmas, caiu de cabeça erguida.

maicon_vermelho


Em um jogo horroroso, 1 a 0 é goleada para o São Paulo
Comentários Comente

juliogomes

Cada vez sou mais crítico da regra do gol qualificado. Seja aqui, seja na Europa, cada vez mais os técnicos se apaixonam pelo 0 a 0 no jogo de ida de eliminatórias com a regra do gol fora de casa como critério de desempate.

É bom para todo mundo!

Pelo menos no papel. Para quem joga em casa, dá o direito de empatar o jogo de volta, fora de casa. Outro 0 a 0 leva a pênaltis, empate com gols classifica. E para o visitante também é bom, lógico. Empata fora e depois “só” precisa ganhar em casa.

Assim sendo, os jogos de ida estão mais e mais chatos.

O 0 a 0 no Morumbi, entre São Paulo e Atlético, estava escrito. E seria o resultado mais condizente para a partida.

Mas o Atlético Mineiro deu mostras de ter problemas na bola parada. O São Paulo só levou perigo assim no jogo inteiro. Na terceira bola perigosa alçada à área na etapa final, chegou ao gol.

Uma verdadeira goleada, dado o péssimo nível técnico apresentado no Morumbi.

Michel Bastos fez o gol. Ele, que entrara na etapa final e tinha o nome gritado pela torcida – como o tempo passa rápido, não é mesmo? Ah, o torcedor.

Com 15 minutos de jogo, cinco cartões amarelos. Foram sete no primeiro tempo. Carrinhos que não acabavam mais, tabefes, empurrões, entradas feias. O primeiro tempo foi de pancadaria, intensidade, bola sendo disputada como se fosse um pedaço de carne. Mas bola mesmo… nada.

Já não é de hoje que os times brasileiros jogam “ao estilo Libertadores”. Chutão, falta, “garra”… e pouca bola. Alguns vão culpar o fato de os times serem comandados por um técnico argentino e outro uruguaio. Acho que o buraco é mais embaixo.

Do jeito que dava para ouvir torcedor comemorando aquelas rachadas de bola para o mato. E que jogadores batem no peito gritando para comemorar lateral… é, acho que o buraco é mesmo bem mais embaixo.

No segundo tempo, os times voltaram menos pilhados. O que evitou que acabassem com vários expulsos. O Atlético teve alguns contra ataques, o São Paulo ameaçou em bolas paradas – e marcou na terceira. Mas o fato é que as limitações de Atlético e São Paulo ficaram para lá de expostas.

O Atlético não terá Rafael Carioca, Junior Urso e possivelmente Robinho para a volta. Desfalques sensíveis. O principal: não terá o gol fora levado para o Independência. Vai ter de construir uma boa vitória, contra um São Paulo que certamente irá a BH para se defender e tentar um golzinho qualificado.

Bauza, de novo aos trancos e barrancos, vai ficando perto de outra semifinal de Libertadores. Sair com um 1 a 0 de um jogo horroroso como este… é de se levantar a mão para o céu.