Blog do Júlio Gomes

Arquivo : PSG

Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Apito amigo leva Barcelona ao milagre na Champions
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E o Barcelona conseguiu o milagre. De forma inédita, um time reverteu o 0-4 da ida e se classificou em uma competição europeia. Foi épico, foi fantástico, foi inesquecível. E foi um roubo.

O juiz alemão Deniz Aytekin roubou do Paris Saint-Germain a chance de se classificar para as quartas de final da Liga dos Campeões. Simples assim.

Com 1 a 0 para o Barça,  não deu pênalti de Mascherano, que saltou para bloquear um cruzamento de braços abertos. Correu o risco ao dar o carrinho, expandiu sua área de bloqueio. Pênalti não dado que já teria mudado completamente a cara da eliminatória.

É verdade que o PSG contribuiu com erros individuais. Os zagueiros praticamente deram os dois gols ao Barça no primeiro tempo. Thiago Silva perdidaço no lance do primeiro, Marquinhos passivo no segundo – permitiu a Iniesta brigar na jogada, cruzar de calcanhar e forçar o gol contra de Kurzawa.

Taticamente, o PSG fez o jogo que podia. Marcou bem, fechou espaços, obrigou o Barça a chutar de fora da área e deu algumas espetadas no contra ataque. O primeiro tempo acabou 2 a 0 para o Barça, mas não era um placar condizente com o volume de jogo em campo.

Depois, com 2 a 0, o árbitro Aytekin inventou um pênalti absurdo cavado por Neymar no início do segundo tempo. O jogador do PSG se desequilibra, cai no chão e Neymar é quem busca o contato e cai – sua enésima queda na área.

O script era o dos sonhos de Luís Enrique, dos torcedores e jogadores: 3 a 0 logo no início do segundo tempo. Mas o gol de Cavani, aos 17min do segundo tempo, “matou” a eliminatória para o PSG.

Depois dos 4 a 0 de Paris, o PSG sabia que para avançar no Camp nou bastaria isso: um gol. No início, no meio ou no fim, não importa. Com 0 a 0 ou 3 a 0 contra. Um gol mataria o Barcelona. E foi o que aconteceu (só que não).

Dos 17min aos 43min do segundo tempo, o Barcelona nada fez. A torcida se calou, Luís Enrique tirou Iniesta de campo (já pensando no futuro na Liga espanhola). O PSG teve dois contra ataques que seriam a pá de cal. Cavani perde um gol cara a cara com Ter Stegen, Di María perde o outro – fiquei em dúvida se houve pênalti de Mascherano no lance, mas infelizmente a geração de imagens da Uefa não mostrou o replay desta jogada uma vez sequer.

(atualização: rara honestidade no futebol, o próprio Mascherano admitiu que fez pênalti em Di María. O segundo, portanto, não dado para o PSG).

Aos 43min, Neymar faz um golaço de falta. Uma cobrança magistral. 4 a 1. Ainda faltavam dois gols para a classificação.

E aí o árbitro, aquele mesmo que não tinha dado um pênalti para o PSG no primeiro tempo e outro no segundo, inventou um segundo pênalti para o Barcelona. Marquinhos encosta em Luís Suárez, que desaba na área. Uma cavada de livro. Uma vergonha. Eram 46min do segundo tempo.

Neymar bateu o pênalti, 5 a 1. Aí virou aquele pega para capar, bola na área e, em uma delas, aos 50min, Sergi Roberto, vilão em Paris, virou o herói no Camp Nou. Fez o sexto gol.

Não acho que o PSG mereça ser tão criticado assim. Foi a Barcelona para conseguir a classificação. E estava conseguindo o objetivo até o derretimento dos minutos finais. É muito difícil jogar contra um Barça ligado na tomada e uma arbitragem tão nefasta.

O Barcelona mostrou raça, coragem e fé. Não desistiu até levar o gol. Com 3 a 1 no placar, todos já haviam desistido. Mas aí Neymar e o juiz resolveram dar outro destino à eliminatória.


Vitórias no sábado fazem Barça e Napoli sonharem com milagre europeu
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Terça-feira, Napoli x Real Madrid e Arsenal x Bayern de Munique. Quarta-feira, Barcelona x PSG e Borussia Dortmund x Benfica. Esta é a agenda da semana na Liga dos Campeões da Europa, que vai definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final. E os jogos de ontem, pelas ligas domésticas, nos dão algumas pistas do que vêm pela frente. Sete dos oito envolvidos venceram.

O Barcelona e o Arsenal são os que têm aquela que é considerada por quase todos uma missão impossível. O Barça levou 4 a 0 do PSG em Paris, enquanto o Arsenal foi atropelado pelo Bayern em Munique, 5 a 1. De três semanas para cá, a esperança de  em um confronto, aumentou em outro.

Da goleada de Paris para cá, muita coisa aconteceu pelos lados do Barcelona. Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do clube na próxima temporada e aproveitou para mudar o sistema de jogo, alterado para uma espécie de 3-1-5-1 que fez o time criar mais volume de jogo – mas que ainda não foi verdadeiramente testado atrás.

O fato é que o Barcelona ganhou quatro jogos seguidos e assumiu a liderança na Espanha – apesar de ainda ter um jogo a mais que o Real Madrid. De alguma forma, o Barça faz parecer que a virada na Champions é possível.

O PSG, por sua vez, tropeçou em casa contra o Toulouse e sofreu para avançar na Copa da França e para ganhar, ontem, do modesto Nancy – precisou de um gol de pênalti no final. Mas, no meio de tudo isso, meteu 5 a 1 no Olympique, em Marselha.

Como o Barça não está mais animicamente destroçado e o novo sistema parece ter feito o time melhor, é plausível considerar que a diferença exposta em Paris não exista no Camp Nou.

O mesmo não se pode dizer do duelo entre Arsenal e Bayern. Não parece haver a menor chance de reversão de placar neste duelo.

No sábado, o Arsenal levou 3 a 1 do Liverpool, após um primeiro tempo patético e com o time pessimamente escalado por Arsène Wenger, que deixou Alexis Sánchez no banco. O Arsenal só ganhou um jogo grande na temporada, no primeiro turno do Inglês contra o Chelsea. Fora isso, foi só desastre.

Já o Bayern, que chegou a dar algumas derrapadas no começo da temporada e era mais econômico com Ancelotti do que foi com Guardiola, de repente engatou uma quinta marcha impressionante. Empatou com o Hertha, em Berlim, e depois ganhou três jogos seguidos fazendo 14 gols e sofrendo nenhum – ontem, foram 3 a 0 no Colônia, fora de casa, sem maiores problemas.

Parece mais provável uma nova goleada do Bayern em Londres do que qualquer tipo de drama.

Drama é o que podemos ver em Nápoles. O Real Madrid venceu a partida de ida por 3 a 1. Naquele momento, já começava a receber críticas por seu jogo, mas deu um murro na mesa fazendo uma boa apresentação contra o Napoli.

Depois disso, perdeu para o Valencia um jogo atrasado pelo Espanhol. Ganhou do Villarreal virando o jogo com dois gols nos minutos finais – um deles com um pênalti bisonhamente marcado – e, por fim, arrancou um empate em casa com o Las Palmas também com dois gols no fim. Perdeu a liderança do campeonato e passou a gerar mais dúvidas que certezas.

Ontem, com um time misto, sem Cristiano Ronaldo, Bale, Kroos, Marcelo, Carvajal e Varane, respondeu fazendo 4 a 1 no Eibar, em um campo difícil, fora de casa. Mas o time que jogou era bem diferente do que entrará em campo no quentíssimo estádio San Paolo terça-feira.

O Napoli é um time goleador. Foi corajoso no Bernabéu, conseguiu o gol que queria e por pouco não saiu com uma derrota por 3 a 2. Depois daquela partida, perdeu para a Juventus por 3 a 1 na Copa da Itália, em um jogo com polêmicas de arbitragem, perdeu em casa para a Atalanta no Italiano e parecia rumar ladeira abaixo.

Mas a vitória de sábado sobre a Roma, em pleno estádio Olímpico, enche a torcida de esperanças. Foi um jogaço do Napoli, completo e contra um rival direto pelo vice-campeonato. Jogo para mostrar que há vida, que o time tem bola, que o ataque de baixinhos (Mertens, Insigne e Callejón) segue funcionando. É um franco atirador.

O Real Madrid de Zidane não joga bem há tempos, a bola não para no meio de campo e a defesa sofre. A correria napolitana, se resultar em algum gol logo no início, pode fazer a eliminatória ferver.

Por fim, Borussia Dortmund e Benfica, um duelo que teve vitória portuguesa por 1 a 0 na ida, com trocentos gols feitos e um pênalti perdidos pelos alemães.

Desde o jogo de ida, o Borussia espantou a má fase, ganhou três seguidas na Bundesliga, fazendo 12 gols nestes jogos. Ontem, meteu 6 a 2 no Bayer Leverkusen. É um claro favorito contra o Benfica, que lidera em Portugal, mas com vitórias apertadas – ontem, ganhou do Feirense por apenas 1 a 0.

Dos oito times que entram em campo pela Champions, portanto, sete venceram no sábado – sendo cinco delas vitórias maiúsculas. Só o Arsenal perdeu. A semana promete.


Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Barcelona reencontra bom e velho freguês na Champions
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Unai Emery chegou ao Paris-Saint Germain no meio do ano passado para elevar o clube a outro nível. Por isso, leia-se: ganhar de algum gigante, superar a barreira das quartas de final na Liga dos Campeões da Europa. O problema para Emery é que o desafio passa por seus dois maiores pesadelos.

Um tal Barcelona. Um tal Lionel Messi.

O técnico basco se destacou já aos 35 anos de idade, com um campanha magnífica pelo minúsculo Almería (Felipe Melo e o goleiro Diego Alves jogavam lá). Foi para o Valencia, onde ficou quatro temporadas. Em tempos de domínio de recordes de Barça e Real (os anos de Guardiola e Mourinho), Emery levou o Valencia a três terceiros lugares na Espanha. Era o que dava para fazer. Depois de uma rápida e frustrada passagem pelo Spartak Moscou, chegou a Sevilha no meio da temporada 12/13. Em três temporadas e meia, levantou três vezes a taça da Europa League. Um feito.

Durante esses anos todos, Emery enfrentou o Barcelona 23 vezes: ganhou uma, empatou seis, perdeu 16 vezes. Saiu derrotado das 11 visitas que fez ao Camp Nou. Caiu nas finais da Supercopa da Europa (2015) e da Copa do Rei (2016) na prorrogação. Foi conseguir a primeira vitória somente na 21a partida, um Sevilla 2 x 1 Barça, no fim de 2015. Nestes anos todos, levou 25 gols de Messi – que, por sinal, não jogou nessa única vitória de Emery, em Sevilha.

Ufa.

Isso que é freguês de carteirinha!

messi_emery

O que isso quer dizer, no entanto? Adoramos números e identificar quando alguém sempre ganha ou sempre perde em determinada situação. Tendemos a achar que as coisas acontecem sempre da mesma maneira, em looping. No futebol, são assim… até a hora em que não são mais. Como diria o filósofo, tabus estão aí para serem quebrados.

Das quatro eliminações consecutivas do PSG nas quartas, duas foram para o Barça (2013 e 2015). Quando disputaram a final da extinta Recopa, em 97, também deu Barça (Ronaldo, Guardiola, Luis Enrique, Figo, era aquele time contra o de Leonardo e Ricardo Gomes). Chegou a hora de quebrar o tabu?

Emery nunca enfrentou o Barcelona com um time tão bom quanto o que tem em mãos no momento. E, como destacou o próprio técnico rival, Luis Enrique, se toda essa freguesia serviu para algo é o fato de Emery conhecer muito bem o Barça, seus pontos fortes e fracos.

O grande desafio é parar Messi e Suárez. O Barcelona não faz uma temporada brilhante coletivamente. Mas, individualmente, os caras estão resolvendo tudo. Suárez tem 25 gols na temporada, sendo 18 deles em 20 jogos da liga doméstica. A artilharia é dele. Messi fez 17 no Espanhol e nada menos do que 10 gols na fase de grupos da Champions. São 32 gols em 32 jogos na temporada.

Suárez fez gols em 70 dos 128 jogos que fez com a camisa do Barça nestes dois anos e meio. Nestes 70, o time ganhou 65 e empatou 5. Ou seja, se o uruguaio marca, o Barça não perde.

Se não bastassem os dois, ainda tem Neymar. Um coadjuvante de luxo.

O problema do Barça definitivamente não é o ataque. Mas, sim, a dificuldade em fazer a bola chegar lá. Daniel Alves tinha um papel crucial na construção, faz mais falta do que se imaginava. Iniesta ficou machucado a maior parte da temporada e até Busquets perdeu jogos. A fluência foi afetada duramente.

Ainda assim, é difícil imaginar o PSG não levando um gol sequer do Barcelona. Ainda mais com o desfalque de última hora de Thiago Silva.

O que resta fazer? Marcar mais gols.

Para isso, o PSG tem Cavani, 33 gols em 31 jogos na temporada. Um monstro no ataque, que nos faz pensar se o PSG perdeu muito tempo confiando em Ibrahimovic – pode ser craque, gênio, até, mas nunca triunfou na hora da verdade das Champions que disputou.

Com a chegada de Draexler e Lucas Moura se firmando, tem sobrado o banco para Di María. E o argentino tem mostrado poder de reação, se incomodou, vem jogando melhor. O meio de campo é talentoso, apesar da Verrati-dependência.

Unai Emery disse que o jogo será decidido taticamente e nas batalhas individuais.

Ele tem certa razão. Erros grandes demais serão catastróficos para quem cometê-los. E os atacantes do PSG são capazes de expor a defesa do Barça, que não terá Mascherano.

O PSG deve pressionar muito a claudicante saída de bola do Barça, Lucas, Draexler e os meias são ótimos fazendo isso. A chave é não deixar algum lançamento encontrar Messi e/ou Suárez e/ou Neymar em situação de um contra um (ou contra poucos).

O fato é que, com Emery, apesar do início de temporada instável, o PSG é um time mais coeso, mais forte. Mas ainda não mostrou se conseguirá dar o grande salto.

Será que a freguesia vai falar mais alto?

 


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

jorge_monaco

Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

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Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Última rodada da Champions: pouco em jogo e Real atrás de marca histórica
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juliogomes

A Uefa Champions League chega à última rodada da fase de grupos com poucos jogos realmente importantes. Nenhum dos favoritos ao título está contra a parede – pelo contrário, estão todos já classificados para as oitavas de final antecipadamente.

Barcelona e Atlético de Madri (um time finalista de duas das últimas três edições precisa entrar na lista de favoritos) garantiram a primeira posição de seus grupos. Paris Saint-Germain e Juventus precisam apenas de vitórias que devem acontecer sem problemas, sobre Ludogorets (Bulgária) e Dínamo de Zagreb (Croácia), respectivamente.

O Real Madrid é quem ainda depende de uma vitória sobre o bom time do Borussia Dortmund para se garantir em primeiro.

O Manchester City ficou em segundo no grupo do Barça. O Bayern de Munique ficou em segundo no grupo do Atlético. E, se tudo ocorrer normalmente, o Arsenal será o segundo do grupo do PSG.

Para o Real Madrid, portanto, ser primeiro significa uma chance grande de pegar um destes três logo nas oitavas. Já se ficar em segundo, o Real pode pegar Juve ou PSG, é verdade, mas pode também enfrentar Monaco ou Leicester ou o primeiro do grupo de Benfica e Napoli.

Além de decidir o mata-mata das oitavas em casa, ser primeiro muitas vezes é a garantia de fugir de uma pedreira logo na primeira fase eliminatória. Desta vez, não é o caso. Isso se deu pela formatação dos grupos, muitos com duas forças.

Com isso, não quero dizer que o Real poupará jogadores ou atuará com o freio de mão puxado. A história madridista não permite isso. Por falar em história, o Real está a um jogo de chegar a 34 partidas de invencibilidade, igualando a maior marca já estabelecida pelo clube, em 1988-89 (geração de Butragueño e companhia, a “Quinta del Buitre”).

Se não perder na Champions, o Real Madrid terá outro jogo no Santiago Bernabéu, no fim de semana, contra o La Coruña, para chegar a 35 jogos invicto e quebrar o recorde. Este é o assunto principal para a imprensa de Madri nos últimos dias, mais do que a chance de ser primeiro ou segundo no grupo.

Depois do empate na bacia das almas em Barcelona, o Real vive em um mar de rosas. Recupera machucados e Zidane pode ser, em menos de um ano como técnico, campeão europeu e dono de uma marca histórica como esta. Não é qualquer coisa.

Veja o que será jogado em cada grupo da rodada final. Os grupo A, B, C e D têm jogos na terça-feira. Os outros, na quarta.

Grupo A

PSG e Arsenal empatam em pontos, mas o PSG tem a vantagem no critério de desempate (nos confrontos diretos entre eles, fez mais gols fora). Por isso, basta uma vitória sobre os búlgaros. O Arsenal joga na Basileia, e o Basel deve conseguir, com um empate, vaga na Europa League.

Grupo B

Este está embolado. Benfica e Napoli têm 8 pontos, o Besiktas tem 7 e o Dynamo Kiev está eliminado. O Besiktas precisa vencer em Kiev para se classificar. Neste caso, Benfica e Napoli jogam pela vaga em Lisboa – o empate é do Napoli. Quem ganhar, logicamente, fica em primeiro. Empate classifica os dois caso o Besiktas não ganhe. Caso perca ou empate, o Benfica ainda entra se o Besiktas não ganhar. Já o Napoli, se perder, só entra se os turcos também perderem.

Grupo C

Tudo já definido. Barcelona em primeiro, Manchester City em segundo e Borussia Moenchengladbach em terceiro (Europa League). Barça e City (contra o Celtic), em casa, devem ganhar – e também poupar jogadores.

Grupo D

Bayern de Munique x Atlético de Madri, a semifinal do ano passado, tinha tudo para ser um jogaço – só que ele não decide absolutamente nada. O Atlético, mal na Liga espanhola, já garantiu o primeiro lugar do grupo porque ganhou o duelo entre eles em Madri e viu o Bayern tropeçar contra o Rostov, na Rússia. O Bayern de Ancelotti não é firme como o de Guardiola, ainda que o potencial esteja lá. Ganhar é importante para elevar o espírito do clube, dar confiança. PSV Eindhoven e Rostov se enfrentam na Holanda, e os russos jogam pelo empate para ir à Europa League.

Grupo E

Bayer Leverkusen e Monaco se enfrentam na Alemanha, mas já sabemos que o Bayer será segundo e o bom time de Mônaco, o primeiro. O Tottenham, uma decepção desta fase de grupos, recebe o CSKA Moscou e joga pelo empate para pelo menos ir à Europa League – não que clubes ingleses liguem muito para isso.

Grupo F

Real Madrid e Borussia Dortmund, classificados, decidem o primeiro lugar no Bernabéu – o empate é dos alemães. O Sporting de Lisboa precisa de um empate contra o Legia, em Varsóvia, para jogar a Europa League.

Grupo G

O Leicester, mal na Premier, já garantiu o primeiro lugar. O Porto recebe o Leicester precisando ganhar para entrar em segundo. Se não vencer, o Porto será eliminado caso o Copenhagen ganhe do Brugge (que perdeu todas), na Bélgica.

Grupo H

A Juventus depende só de uma vitória contra o eliminado Dínamo de Zagreb para ser primeira. Lyon e Sevilla jogam na França, e o Lyon precisa vencer por dois gols para avançar. Para o Sevilla, voltar para a Europa League não tem muita graça. Seria uma grande decepção ser eliminado pelo Lyon. Se passar, no entanto, é um time que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas.

 

 


Bayern pós-Guardiola sofre; Lucas brilha no PSG e bate na porta da seleção
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juliogomes

Tem gente que cai nesse papinho que nos contam invejosos. “Guardiola é marketing”. “Guardiola só ganhou títulos porque tinha timaços nas mãos”. “Queria ver Guardiola na Série C, no Estadual”. Blá, blá, blá, blá.

Guardiola é um técnico que extrapola o simplismo dos resultados e isso incomoda o status quo. “Ganhou, é gênio. Perdeu, é uma besta”. O simplismo que dita análises e ações em nossa sociedade. O fins justificam os meios de toda nossa vida.

O que me faz (e a muita gente) admirar tanto o trabalho de Guardiola não é o simplismo do tamanho de sua sala de troféus. E, sim, a mensagem que ele manda e que pode ser extrapolada do futebol para a vida: os meios importam. É possível atingir objetivos, chegar lá, sem abrir mão de suas convicções. É importantíssimo fazer as coisas do modo como preferimos, como idealizamos.

É impossível não lembrar de Guardiola quando observamos a semana do Bayern de Munique.

No sábado, perde o clássico para o Borussia Dortmund por 1 a 0. Na quarta, perde do Rostov (!!!) na Rússia por 3 a 2, o que relega o clube à segunda posição no grupo D da Champions League.

Na Bundesliga, o Bayern soma 24 pontos em 11 jogos – ganhou sete, empatou três, perdeu uma. Está em segundo lugar. Na Champions, ganhou três e perdeu duas, está classificado, mas em segundo lugar, atrás do Atlético de Madri, e terá de jogar a partida de volta das oitavas de final fora de casa.

Na temporada 15/16, com Guardiola, o Bayern ganhou as dez primeiras na Bundesliga e só foi tropeçar (empatar) pela primeira vez na rodada 11. Era líder com 31 pontos.Em 14/15, nos 11 primeiros jogos foram oito vitórias e três empates, 27 pontos, 27 gols marcados. Em 13/14, nos 11 primeiros jogos foram nove vitórias e dois empates, 29 pontos. Guardiola foi campeão com 19 pontos de vantagem no primeiro ano, 10 no segundo e 10 no terceiro.

Na Champions League, nos três anos de Guardiola o Bayern ganhou seu grupo com facilidade, sempre com cinco vitórias e uma derrota.

O substituto de Guardiola no Bayern é um dos grandes técnicos da história do futebol europeu, Carlo Ancelotti. Um treinador com três Champions no currículo, incluindo a “Décima” do Real Madrid, quebrando jejum de 12 anos.

O início claudicante do Bayern na temporada, ainda assim com bons números, não fala mal de Ancelotti. Apenas serve para nos lembrar que os feitos de Guardiola no clube bávaro não seriam repetidos “por qualquer um que estivesse ali”, como gostam de falar seus detratores.

Com Pep, o Bayern passou a jogar outro futebol, o futebol que Guardiola considera o mais atraente e eficiente para se chegar à vitória. Uns gostam, outros não gostam. É direto de todos. O que não não para discutir é que o fim não é o único objetivo. O jeito importa. E, do jeito que Pep idealizou, amassou seus adversários na Alemanha, nunca sendo ameaçado. Foi fortíssimo na Champions League e acabou caindo em três semifinais seguidas para times espanhóis.

Contra o Real (14) e o Barça (15), o Bayern de Guardiola foi destruído nos contra ataques. Contra o Atlético (16), o problema foi resolvido. Mas aí Thomas Muller perdeu aquele pênalti…

Guardiola não é perfeito. Ancelotti não é um lixo. Mas o elenco estrelado do Bayern, que está ainda melhor nesta temporada, parece encontrar dificuldades para se des-Guardiolizar e voltar ao “normal”. Acabará se encontrando, sem dúvida. Deve ganhar a Bundesliga. E ainda acho um dos favoritíssimos na Champions League.

Mas o caminho será mais tortuoso. Como Guardiola, tudo foi mais fácil. E mais belo.

O que mais rola na Champions

O grupo do Bayern foi vencido pelo Atlético de Madri, com os 2 a 0 sobre o PSV. O Atlético já ficou para trás na Espanha, mas não se enganem. É um elenco forte, um timaço e com um técnico espetacular. O Atlético, vice em 14 e 16, é candidato novamente. Agora é torcer por um sorteio amigável nas oitavas

No grande jogo da rodada, Arsenal e PSG ficaram no 2 a 2. O gol de empate do PSG, no final, foi de Lucas Moura, que fez uma partida fantástica. Tite deve estar de olho, logo logo Lucas voltará à seleção. Está jogando demais.

Lucas, à priori, joga aberto no PSG. Mas, ao contrário dos tempos de Blanc, se movimenta, cai pelos dois lados, volta para armar, se associar com meio-campistas e municiar Cavani, bate faltas (acertou o travessão antes de fazer o gol de empate), ajuda na marcação. Tem muita concorrência para a seleção, com Philipe Coutinho também brilhando, por exemplo. Mas Lucas faz uma temporada consideravelmente superior às de William (Chelsea) e Douglas Costa (Bayern).

Foi um grande jogo de futebol, destes que só a Champions nos proporciona. Times que tratam bem a bola, buscam a vitória, não praticam antifutebol, não apelam. O PSG pós-Ibra e pós-Blanc parece um time mais solidário, que vai se acertando com Emery e será uma ameaça real a qualquer um no mata-mata. Será que supera a barreira das quartas?

Aos franceses, basta uma vitória por qualquer placar contra o fraco Ludogorets, em casa, para garantir o primeiro lugar do grupo. O Arsenal – novidade – será segundo.

Primeiro lugar que o Barcelona já garantiu com os 2 a 0 sobre o Celtic, na Escócia, com assinatura de Messi. O Manchester City, de Guardiola, empatou com o Borussia Moenchengladbach na Alemanha e está classificado, mas em segundo lugar.

Primeiros colocados já definidos matematicamente: Barcelona, Atlético de Madri, Monaco e Leicester. Serão primeiros também PSG e Juventus.

Segundos colocados já definidos: Manchester City, Bayern de Munique e Bayer Leverkusen. Será segundo também o Arsenal.

O que resta definir na última rodada:

– Real Madrid x Borussia Dortmund. Empate deixa os alemães na primeira posição, Real precisa vencer para não ser segundo.

– Porto precisa vencer em casa o classificado Leicester para entrar em segundo. Se tropeçar, pode perder a vaga para o Copenhagen.

– Lyon x Sevilla decidem em duelo direto a segunda vaga no grupo da Juventus. Franceses precisam vencer por dois ou mais gols de diferença, Sevilla pode empatar ou até perder por um.

– Napoli e Benfica deveriam ter vencido e se classificado nesta quarta, mas ambos bobearam feio. O duelo direto entre eles, na última rodada, em Lisboa, deve definir apenas um classificado. Quem vencer, ganhará o grupo. Empate classifica o Napoli. Ambos podem entrar juntos, caso o Besiktas não vença o eliminado Dynamo, em Kiev. Mas o time turco só depende de uma vitória para entrar.


Novo PSG bobeia, mas é bom ficar de olho nesse time
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juliogomes

Foram três anos com Laurent Blanc. O “novo rico” Paris Saint-Germain consolidou seu domínio no futebol doméstico, chegou às quartas de final da Liga dos Campeões, mas, na hora H, falhou. E falhou porque faltaram elementos básicos para quem quer dar um passo a mais na Europa: intensidade e criatividade – não só dos jogadores, mas do comandante.

Toda troca de técnico é complicada no início. E o espanhol Unai Emery, tricampeão da Europa League com o Sevilla, não chegou ao PSG exatamente para deixar as coisas como estavam, mas, sim, mudar.

E mudou. O PSG estreou na Champions League empatando em casa com o Arsenal, 1 a 1, levando um gol de Alexis Sanchez no final. Mas se tem um placar “mentiroso” dos jogos que vi ultimamente foi esse aí.

Foi um total banho do PSG no Parque dos Príncipes. Emery, que não tem mais Ibrahimovic, montou o time com Cavani no comando de ataque e um meio de campo bastante diferente e dinâmico. Em vez de abrir dois pontas, como sempre fazia Blanc, Emery optou por colocar o polonês Krychowiak na proteção e avançou Rabiot, Verratti, Di María e Matuidi em um 4-1-4-1. Os laterais se incorporaram o tempo todo.

Foi um time ofensivo, com muitas triangulações e infiltrações, campo espalhado, associações e chances criadas. O dinamismo que o jogo exige hoje e que atrapalha a marcação adversária. Na defesa, a entrada de Marquinhos no lugar de David Luiz melhora demais a zaga.

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Cavani fez 1 a 0 logo no primeiro minuto de jogo. E, a partir daí, o PSG cansou de perder gols e boas oportunidades de contra ataque. Poderia ter goleado.

Arsene Wenger corrigiu um erro de escalação no segundo tempo, colocou Giroud e abriu a posição de Sánchez. Mesmo melhor, o Arsenal ainda não era páreo para o PSG. O grande escritor britânico Simon Kuper resumiu o que se via assim: “Di María parece ser quatro vezes melhor do que qualquer jogador do Arsenal”.

Só que o futebol é uma coisa linda por sua eterna capacidade de surpreender. E, em um lance fortuito, na reta final, o Arsenal achou o empate. E ainda quase virou no fim.

O início de temporada do PSG está longe de ser perfeito. Mas foi facilmente perceptível um PSG mais leve em campo, com mais opções, mais criativo e mais intenso. Ganhar ou perder, ainda mais neste estágio da temporada, é menos relevante do que a perspectiva criada.

Coloquei o PSG em uma pequena lista de quatro times que podem (difícil, mas podem) tirar o título do trio que domina a Europa (Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique). O jogo desta terça, apesar do empate, mostra que o PSG tem potencial para fazer algo diferente neste ano – a não ser que perca a paciência com Emery. Nunca se sabe o que se passa na cabeça dos donos do dinheiro.

É importante, claro, garantir a primeira colocação do grupo, que tem os fracos Basel e Ludogorets (empataram por 1 a 1). Assim, fugir de um confronto mais complicado nas oitavas. Há tempo para isso e para buscar os pontos perdidos no duelo de Londres contra o Arsenal.

De resto, a primeira rodada da Champions foi aquela de sempre – algo precisa ser feito para a fase de grupos voltar a ser atraente.

O Barcelona meteu 7 a 0 no Celtic escocês, com vários golaços, assistências de Neymar, enésimo hat trick de Messi. O Bayern de Munique fez 5 a 0 no Rostov russo. E o Atlético de Madri, como não, foi à Holanda e ganhou do PSV por 1 a 0. “A lo suyo”, como dizem na Espanha. Defesa firme, time capaz de ganhar jogos onde for, contra quem for.

No grupo B, um dos únicos equilibrados e imprevisíveis, a “lei do ex” falou alto, e Talisca marcou para o Besiktas no finalzinho, empatando contra o Benfica, em Lisboa. Já o Napoli foi a Kiev e ganhou do Dynamo por 2 a 1, de virada. Vitória grande.