Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Ponte Preta

Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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juliogomes

O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Osorio e Doriva podem ser criticados. Mas os maiores vilões são outros
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juliogomes

Não aprovo, de forma conceitual, o que fizeram Osorio e Doriva.

Um saiu do São Paulo para o México após quatro meses de trabalho, nem na metade de um projeto promissor. O outro levantou a Ponte Preta e abandonou o barco ao receber proposta de um clube maior.

Mas quem pode criticá-los?

Como eu disse na primeira frase deste post, não gosto de forma conceitual, porque acho que as pessoas devem cumprir os ciclos profissionais que assumem. No entanto, de forma prática, todos sabemos que os técnicos não têm razão alguma para acreditar em seus empregadores.

Doriva e Osório fizeram o que consideraram melhor para eles

Doriva e Osorio fizeram o que consideraram melhor para eles

Se Osorio sonhava em treinar uma seleção bacana em uma Copa do Mundo, acho que demorou até demais para deixar o São Paulo, após todas as lambanças e mentiras da diretoria. Percebe-se que o colombiano ficou balançado, mas os acontecimentos dentro do clube devem ter sido definitivos para a tomada de decisão.

Doriva, com uma carreira curta e promissora, já vai ganhar logo logo o rótulo de “treinador que abandona o clube sem dó se aparecer uma oportunidade melhor”. Mas o Vasco não teve dó dele, teve?

E a Ponte Preta, que hoje vai reclamar da saída, não teve dó de Guto Ferreira, teve?

Não há santos nessas histórias de troca-troca. Os treinadores, de uma forma ou outra, são pessoas físicas, com esposa, filhos. São pessoas. São o elo fraco. É mais compreensível que tomem a atitude que considerem melhor no momento, porque sabem, e sabem porque a história nos mostra, que o clube não pensará cinco minutos antes de demiti-los.

A grande culpa dessa cultura degradante é dos dirigentes irresponsáveis, em sua enorme maioria, que passaram pelos clubes brasileiros ou que estão neles até hoje.

O troca-troca de treinadores não tem o menor comprometimento com as finanças das instituições, que, no fim das contas, são grandes devedoras de impostos para a sociedade (nosso dinheiro).

O que me impressiona mais nisso tudo é que não se tem o menor comprometimento com projetos de trabalho, filosofias.

Me lembro bem quando, lá em 2006, a Federação Inglesa resolveu entrevistar Luiz Felipe Scolari para o cargo de treinador da seleção. Na época, pensei. “Como assim entrevistar? Não conhecem os resultados do cara? É um técnico campeão do mundo!”. Hoje percebo como era equivocada minha maneira de pensar.

Oras, é necessário conhecer bem a pessoa que levará teu projeto. Os interesses, visões, métodos, modo de trabalhar e lidar com crises, etc. Sim, é necessário entrevistar treinadores, como qualquer outro profissional!

Mas lógico, só tem sentido entrevistar alguém se você tem ideia do que aquele cargo requer. Se tem ideia do teu próprio projeto. E o que vemos é que dirigentes brasileiros não têm a menor ideia do que querem, do que é um projeto de trabalho com filosofia, visão específica de futebol, começo, meio e fim. O que eles sabem é de resultados. Se ganhou, serve. Se perdeu, não serve.

Se Doriva ganhou cinco jogos com a Ponte Preta, serve para o São Paulo. Se tivesse perdido três, serviria?

O São Paulo contrata Doriva porque conhece a fundo seu trabalho ou porque conhece a fundo seus resultados?

O São Paulo tem um projeto, uma filosofia, uma crença, e acredita que Doriva tenha o perfil para dar continuidade no que foi iniciado por Osorio?

A resposta é simples: não.

E ninguém tem. Ou bem poucos têm. E, mesmo os que têm, sucumbem rapidamente quando chegam os maus resultados e as críticas de torcedores e jornalistas e jornalistas/torcedores.

O que os clubes fazem, via dirigentes, é inaceitável. O que os técnicos fazem não é o ideal e é criticável, mas é compreensível.

A Ponte, que mandou embora Guto, vai reclamar da saída de Doriva? Doriva, que largou a Ponte, cai reclamar quando for demitido pelo São Paulo no ano que vem ou no outro? O São Paulo, que roubou Doriva da Ponte e mandou 200 técnicos embora recentemente, vai reclamar de Osorio?

E a vida segue, com esse ciclo lamentável de instabilidade e busca exclusiva de resultados, não de trabalho consistente e bem feito.

Há maneiras de minimizar isso?

Certamente. Uma é a responsabilização dos dirigentes pelas finanças dos clubes e a cobrança, por parte do Estado, de quem deve os tubos para ele (para nós, portanto). Se a parte financeira fosse tratada de forma séria, como a de qualquer empresa, a bagunça seria menor.

Outra seria proibir treinadores de atuarem em dois clubes no mesmo campeonato.

Se ele deixar um clube, não poderá assumir outro do mesmo campeonato e terá de pagar uma multa grande – por exemplo, devolver o próprio valor de salário acordado até o fim do contrato.

Se um clube demitir um técnico, terá de pagar os salários até o final do contrato na hora, à vista.

Se o mercado fosse menor, clubes não sairiam mandando treinadores embora com a atual facilidade.

É claro que logo o “jeitinho brasileiro” iria entrar em ação. Clubes iriam contratar auxiliares, tendo o treinador fulano por trás de tudo. Mas há maneiras de fazer com que esse esquema seja problemático. Basta exigir transparência nas finanças dessas instituições.

Sinceramente, não acho que nada disso vá acontecer. Porque para dirigentes e mesmo na cabeça de muitos treinadores é conveniente que continue a dança das cadeiras.

Somos uma sociedade em que cada um cuida do seu e ninguém está nem aí para o outro. Por que no futebol seria diferente?

É o 7 a 1 eterno.

 


Brasileirão, rodada 25. Corinthians e Palmeiras são as barbadas
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Na rodada 23, acertei 5 de 10. Lamentável. Na rodada 24, me recuperei. Agora, chegou a 25! Leia, aposte na Loteria Esportiva e depois me conte como foi.

CORITIBA X INTER
Couto Pereira, sábado, 18h30

O Coritiba vive seu melhor momento no campeonato, o que coincide com a chegada de Ney Franco. O Inter está num ganha e perde danado com Argel. Não gostei da postura fora de casa contra Avaí e São Paulo e não vejo por que será diferente desta vez. O Inter ainda não é confiável e especula demais fora. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X FIGUEIRENSE
Allianz Parque, sábado, 21h

Uma das barbadas da rodada. Depois do ótimo jogo contra o Corinthians, não teria como o Palmeiras repetir a dose com 536 desfalques contra o Inter. Muitos titulares voltam, é um jogo em casa e que mantém o time na briga pelo quarto lugar. Pode ser o grande beneficiado da rodada, já que outros concorrentes têm partidas bem mais duras, como veremos abaixo. Previsão: PALMEIRAS.

CORINTHIANS X JOINVILLE
Itaquera, domingo, 11h

Finalmente o Corinthians joga de manhã. E logo contra um adversário que foi obrigado a jogar na quinta-feira à noite. Será ataque contra defesa e, no momento em que “abrir a lata”, o Corinthians dominará com facilidade. Não duvido que o Joinville venda caro, mas é a barbada do domingo. Previsão: CORINTHIANS.

PONTE PRETA X SANTOS
Campinas, domingo, 11h

Como já disse semana passada, esses jogos do domingo cedo, pelo clima, horário pouco usual, etc, costumam ter resultados estranhos. O Santos é o favorito, apesar de castigado pelo calendário. É um time em ótima fase e em busca de uma improvável vaga na Libertadores. Mas a Ponte está à beira do abismo depois da absurda demissão de Guto Ferreira. Vai conseguir um ponto em casa, até porque tem como hábito complicar a vida do Santos em Campinas. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-PR
Maracanã, domingo, 16h

Eu não me deixo levar pela vitória do Vasco em Campinas. Time ruim é time ruim, não sai ganhando duas, três, quatro seguidas em um campeonato em que nem os líderes conseguem fazê-lo. O Atlético Paranaense é franco favorito, ainda mais no Maracanã, onde enfrentará o Vasco pela primeira vez. Em São Januário, nunca venceu. Na história. Eu já disse que acredito em retrospecto, né? Previsão: EMPATE.

GRÊMIO X SÃO PAULO
Arena Grêmio, domingo, 16h

Já apostei contra o Grêmio na semana passada e não repetirei o erro, ainda mais depois da ótima atuação em Itaquera e da debacle são-paulina em Santos. Não vejo o Grêmio na disputa pelo título, ainda que a matemática me desminta. Vejo o Grêmio juntando pontos que serão preciosos lá na frente, quando voltar à mais realista batalha pela Libertadores. Previsão: GRÊMIO.

CRUZEIRO X ATLÉTICO-MG
Mineirão, domingo, 16h

É o jogo da rodada e que pode ter consequências gigantes para a disputa do título. Uma vitória contra o maior rival mantém (provavelmente) o Atlético a três pontos do Corinthians e dá um impulso anímico importante depois de o time passar por uma fase instável no campeonato. Por outro lado, a derrota pode ser decisiva, devastadora. Para o Cruzeiro, vencer é atrapalhar muito a briga do rival e seria um passo gigante (definitivo) na luta pela salvação. O clássico mineiro tem tido poucos empates nos últimos anos e uma pequena superioridade atleticana. Acredito que o campeonato seguirá vivo. Previsão: ATLÉTICO.

CHAPECOENSE X FLAMENGO
Chapecó, domingo, 16h

O Flamengo é quem menos empata no campeonato e vive essa fase tremenda desde a chegada de Oswaldo. Mas tem três desfalques importantes e enfrenta uma Chapecoense precisando de pontos para não cair de vez na briga do rebaixamento. Chapecó é um lugar duro de ganhar. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X GOIÁS
Ressacada, domingo, 18h30

É verdade que o Goiás vive um momento melhor no campeonato. Só que isso aqui é vida ou morte para o Avaí. Está começando a se descolar dentro do Z-4 e é vencer ou vencer em um duelo contra concorrente direto. Fator campo faz a diferença. Previsão: AVAÍ.

SPORT X FLUMINENSE
Arena Pernambuco, domingo, 18h30

Na semana passada eu disse que a previsão racional para Sport e Santos seria o empate, mas que tinha um feeling que o Sport quebraria a série de jogos sem vencer. Pode repetir tudo, só muda o adversário. O racional é o empate. Mas meu palpite é outro. Previsão: SPORT.

E para você? O que vai dar nessa rodada?


Brasileirão, rodada 23. Previsões ousadas e diferença inalterada na ponta
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juliogomes

Seco pra você! Quem ganha, quem perde?

A bola de cristal está limpinha. Quer ver? Isso é o que acredito que vá acontecer na rodada do Brasileirão:

SÃO PAULO X INTERNACIONAL
Morumbi, sábado, 19h30

São Paulo com 557 desfalques, sem seu melhor jogador (Pato). O histórico recente em jogos pelo Brasileiro com mando do São Paulo é extremamente favorável ao Inter (três empates e duas vitórias coloradas). Se o Inter ganhar, entra de vez e com força na briga pelo G-4. Ainda não acho, no entanto, esse time tão confiável assim. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-MG
Maracanã, sábado, 19h30

Lanterna e rebaixado contra vice-líder buscando o título. Palpite fácil, certo? Sei não… O Vasco já caiu, mas alguma satisfação tem de dar a seus milhões de torcedores. E o Galo anda muito nervoso, com certa razão até, mas de tal forma que parece não estar olhando para os problemas no campo. Será que desde quinta-feira os jogadores pensaram e falaram mais de árbitros ou mais do Vasco? Atlético não vence o Vasco no Rio desde 2002 (desde então, seis vitórias vascaínas e três empates). Última vitória no Maracanã foi em 95, pela Copa do Brasil – Levir Culpi era o técnico! Última vitória do Galo sobre o Vasco no Maracanã em Brasileiros foi em 1987, há 28 anos. Eu acredito em histórico e falta de foco. Previsão: EMPATE.

ATLÉTICO-PR X JOINVILLE
Arena da Baixada, sábado, 21h

O Furacão acaba de entrar no G-4 e está jogando com consistência. Na minha visão, a maior barbada da rodada. Previsão: ATLÉTICO-PR.

CRUZEIRO X FIGUEIRENSE
Mineirão, domingo, 11h

O único jogo do Cruzeiro às 11h até agora? Derrota em casa para a Chapecoense. A vitória sobre a Ponte no meio de semana foi importantíssima para dar um alívio ao Cruzeiro, mas teve certo componente de sorte. Acredito que o embalo com técnico novo e o dia a menos de folga que teve o Figueira serão os fatores fundamentais para o magro 1 a 0. Previsão: CRUZEIRO.

CHAPECOENSE X PONTE PRETA
Chapecó, domingo, 11h

Já repararam que os jogos das 11h de domingo sempre têm muito 0 a 0? Salvo algumas exceções, são jogos de poucos gols – e o horário é uma explicação para isso. A Ponte está sofrendo, mas a Chapecoense não vive seu melhor momento. É o “oxo” da rodada. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X CORINTHIANS
Allianz Parque, domingo, 16h

Para mim, o jogo de previsão mais complicada do fim de semana. O Palmeiras entrou em uma fase de instabilidade, o que torna mais difícil prever os acontecimentos. O Corinthians segue com consistência na liderança e tem a volta de Renato Augusto. Não sei por que, mas algo me diz que teremos mais uma arbitragem para dar o que falar – como sempre. Previsão: EMPATE.

FLUMINENSE X FLAMENGO
Maracanã, domingo, 16h

A fase do Flamengo é superior, o rubro-negro está embalado. O Fluminense, além de estar colecionando maus resultados, pode ter a volta de Ronaldinho – o que me parece ser mais má do que boa notícia. Fred, sim, é quem faz falta. Previsão: FLAMENGO.

GRÊMIO X GOIÁS
Arena Grêmio, domingo, 16h

Últimos três jogos entre eles: três empates. Retrospecto em Porto Alegre nos últimos 20 anos: quatro vitórias gremistas, cinco empates e quatro vitórias do Goiás. É inegável que o Grêmio costuma ter uma pedra esmeraldina no sapato. Além disso, são muitos os desfalques (incluindo Luan, o jogador mais brilhante do time) e o fato de ter um dia a menos de descanso, neste momento do campeonato, tem mais relevância do que parece. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X CORITIBA
Ressacada, domingo, 16h

Um dos jogos mais imprevisíveis da rodada e que reúne dois times na zona de rebaixamento, com a famosa água no bumbum. O Coritiba cresceu com a chegada de Ney Franco e passou a apresentar resultados melhores – são cinco jogos sem derrotas, lá se vai um mês. É que são muitos empates, então fica difícil andar para frente. O Avaí só leva mais gols que o Vasco no campeonato. Previsão: CORITIBA.

SPORT X SANTOS
Ilha do Retiro, domingo, 18h30

O Sport não vence há um mês e meio, foram cinco empates e três derrotas no período. É, disparado, quem mais empata no campeonato. Nunca achei que o Sport brigaria por G-4, mas é um time bem armado, com técnico há algum tempo no comando e estas sequências ruins acontecem sempre em um campeonato equilibrado como o Brasileiro. Logo, logo, se mantiver a calma, reencontra o caminho. O Santos é o time mais quente do campeonato. Mas jogou na quinta, antes da longa viagem a Recife, e não tem dois dos “moleques” que mais brilham. O mais óbvio e racional seria prever um empate aqui. Mas algo me diz que a Ilha fará a diferença. Previsão: SPORT.

Sim, sim, sim, podem reclamar, xingar, esbravejar e até… concordar, ora pois! Deixe tuas previsões aqui no blog você também!


Jogos de quarta decidem mais o Brasileirão do que os do fim de semana
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juliogomes

Responda rápido: quais jogos são mais importantes para a definição do campeão brasileiro de 2015? Os jogos da rodada do fim de semana ou os desta quarta-feira?

Oras, a que importa mais é a que vale pontos para o campeonato, certo?

Errado.

O campeonato é diferente. Mas a rodada de quarta-feira, com cinco grandes clubes em campo pela Copa Libertadores da América, tem consequências mais importantes para o Brasileirão do que a primeira rodada do próprio campeonato, disputada neste fim de semana que passou.

Vejam. Não é novidade que campeões da Libertadores “desistam” rapidamente do Brasileiro, guardando (de forma discutível) foco e energia para a disputa do Mundial, no fim do ano. Mas não é só o campeão, não. Um levantamento deste blog mostra que chegar à semifinal da Libertadores já é “distração” suficiente para tirar times da briga doméstica.

Antes do início do Brasileiro, Corinthians e Internacional dividiam a maioria das opiniões dos especialistas sobre quem teriam mais chances de conquistar o título nacional em 2015. São Paulo e Atlético Mineiro correm por fora, mas aparecem entre os favoritos de muitos. E o Cruzeiro, apesar de desconstruído, é o atual bicampeão, fato que não pode ser desconsiderado.

Os cinco jogam a vida na Libertadores nesta quarta-feira. Dois ou três deles passarão para as quartas de final. E, depois, os mesmos dois ou três podem ir para as semifinais. Será que o time que for tão longe assim na competição sul-americana poderá continuar sendo cotado para a disputa nacional?

Aparentemente, debater o favoritismo deste ou daquele neste momento é inútil, enquanto o destino de todos eles não for definido na América.

Desde que o modelo de pontos corridos foi implementado como fórmula de disputa no Brasileiro, em 2003, seis dos doze campeões nacionais nem haviam disputado a Copa Libertadores a partir de sua fase de grupos, no primeiro semestre. Outros cinco campeões brasileiros não haviam passado da fase de quartas de final do torneio continental.

Apenas um time, no longínquo ano de 2006, foi longe na Libertadores (perdeu a decisão) e acabou sendo campeão brasileiro. O São Paulo, então detentor do título mundial (a lista de campeões nos pontos corridos está mais abaixo).

Lá se vão nove anos, portanto, desde que um time chegou pelo menos às semifinais da Libertadores e, na sequência da temporada, disputou efetivamente o título do Brasileirão (ver também lista no fim deste post para lembrar os desempenhos nos anos posteriores).

De 2007 para cá, nenhum time que tenha ficado entre os quatro da América, abdicando da força máxima no quarto inicial do Brasileirão, chegou perto do título nacional no fim do ano.

De forma simplista, podemos rotular como razão principal para isso o fato de jogadores titulares serem poupados nas primeiras rodadas.

Isso costuma acontecer também lá no fim do ano, quando outros times estão envolvidos com retas finais de Copa Sul-Americana e Copa do Brasil – não à toa, além de nunca um time ter sido campeão da Libertadores e do Brasileiro no mesmo, tampouco alguém fez uma dobradinha com Brasileiro e Sul-Americana. E o único campeão nacional e da Copa do Brasil no mesmo ano foi o Cruzeiro, em 2003, quando a Copa do Brasil foi decidida ainda em junho.

Essa coisa de clubes mandarem times reservas a campo é, na minha visão, uma das grandes distorções dos pontos corridos, esquecida pelos defensores deste modelo de campeonato. Que “justiça” tão perfeita é essa quando há tanta variação de estádios e times titulares e reservas?

Vamos a exemplos práticos em função da primeira rodada do Brasileiro.

O Atlético Paranaense é um time que, pelo menos na teoria, vai jogar o campeonato para não ser rebaixado. Ele teve a sorte de enfrentar, na rodada inicial, um time reserva do Internacional. E venceu por 3 a 0.

Será que outros candidatos ao rebaixamento vão enfrentar o Inter reserva em casa? É pura questão de sorte. E, invertendo, falando sobre a disputa pelo título. Será que outros times, ali na hora H do campeonato, vão perder pontos em Curitiba?

Cruzeiro e Corinthians se enfrentaram com times reservas e jogando em Cuiabá, em estádio neutro. Será que outros favoritos ao título terão a sorte de enfrentar o Cruzeiro longe do Mineirão e voltarão para casa com os três pontos?

O que aconteceu na rodada inicial do Brasileirão mostra como a tão falada máxima de que “todas as rodadas valem a mesma coisa” ou não é verdadeira ou não é levada a séria por muitos treinadores e dirigentes.

E esse fato, que é um fato, continuará acontecendo enquanto o Brasileirão tiver rodadas iniciais acontecendo ao mesmo tempo que as fases agudas da Libertadores.

No Brasileiro, o Corinthians ganhou um jogo que, a priori, não ganharia. E o Inter perdeu um que, a priori, não perderia. Será que esses resultados serão decisivos lá no fim?

Pode até ser que sim. Mas, para efeitos de disputa de título, é mais provável que os jogos de quarta-feira, do Corinthians contra o Guaraní do Paraguai e do Inter contra o Atlético Mineiro, sejam mais importantes para o futuro do campeonato.

Ainda que o campeonato seja outro.
Campeões brasileiros nos pontos corridos:
(entre parênteses, o desempenho na Libertadores do mesmo ano)

2003 – Cruzeiro (não jogou)
2004 – Santos (caiu nas quartas)
2005 – Corinthians (não jogou)
2006 – São Paulo (perdeu a final)
2007 – São Paulo (caiu nas oitavas)
2008 – São Paulo (caiu nas quartas)
2009 – Flamengo (não jogou)
2010 – Fluminense (não jogou)
2011 – Corinthians (caiu na fase prévia, não jogou fase de grupos)
2012 – Fluminense (caiu nas quartas)
2013 – Cruzeiro (não jogou)
2014 – Cruzeiro (caiu nas quartas)
Chegar à semi da Libertadores significa que…

2003 – Santos finalista da Libertadores. Foi vice do Brasileiro, longe do campeão;
2004 – São Paulo foi à semi. Foi terceiro no Brasileiro;
2005 – São Paulo venceu Atlético-PR na final. Acabou em 11º no Brasileiro; Atlético-PR em 6º;
2006 – Inter venceu São Paulo na final. Inverteram posições no Brasileiro;
2007 – Grêmio venceu Santos na semi, depois perdeu final. Grêmio foi 6º no Brasileiro; Santos foi vice, mas longe do campeão;
2008 – Fluminense foi finalista. Acabou em 14º no Brasileiro;
2009 – Cruzeiro venceu Grêmio na semi, depois perdeu final. Cruzeiro acabou em 4º no Brasileiro, Grêmio, em 8º;
2010 – Inter venceu São Paulo na semi e foi campeão. Inter foi 7º no Brasileiro, São Paulo foi o 9º;
2011 – Santos campeão. Foi 10º no Brasileiro;
2012 – Corinthians venceu Santos na semi e foi campeão. Acabou em 6º no Brasileiro; Santos em 8º;
2013 – Atlético-MG campeão. Foi 8º no Brasileiro;
2014 – Nenhum brasileiro chegou às semis.


Quem fez mais e quem fez menos do que o esperado no Brasileiro
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juliogomes

O Brasileiro acabou e é hora de avaliar. Quem foi bem? Quem foi mal? Abaixo, as avaliações deste blog.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM O ESPERADO:

Cruzeiro, Grêmio e Botafogo – Três clubes que eram apontados como candidatos à Libertadores da América. Eu não acreditava no Cruzeiro, achava que faria um campeonato tipo “pasmaceira” e já admiti este erro algumas vezes nos últimos meses. Para mim, o Mineiro não era parâmetro. Julguei mal. As contratações vieram e o Cruzeiro aproveitou bem o ano patético dos clubes mais ricos do país, que dominaram nos últimos anos (Corinthians, Fluminense-Unimed e São Paulo).

Credito o título à coragem de Marcelo Oliveira, que o tempo inteiro priorizou o ataque, mesmo em momentos do campeonato em que administrar vantagem seria o caminho natural. Cair cedo na Copa do Brasil também foi ótimo nesse sentido. Foi campeão com sobras.

O Grêmio era um dos meus favoritos e acabou com o vice-campeonato. E o Botafogo, campeão carioca com antecipação, era candidatíssimo à Libertadores. Acabou em quarto lugar, um resultado gigantesco dadas as perdas ao longo do campeonato. Agora é esperar pela Ponte Preta para confirmar a vaga na maior competição continental.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM MAIS DO QUE ESPERADO:

Atlético-PR, Vitória e Goiás – No Brasileiro dos pontos corridos e distribuição absolutamente injusta do dinheiro da TV, clubes como estes três entram para não cair. Entram para ficar na primeira divisão, onde não estavam no ano passado. Portanto, acabar entre os seis primeiros é um resultado para lá de espetacular.

O Atlético deu o pulo do gato ao fazer uma gigante pré-temporada, abrindo mão do Campeonato Paranaense – não tenho dúvidas de que fará escola no ano que vem. Não era time para acabar o Brasileiro em terceiro lugar, mas foi o time que mais voou fisicamente ao longo do ano e acumulou pontos no momento em que todos os outros ficaram de língua de fora.

O Vitória acumulou gordura no início do campeonato e, assim como o Bahia, caminhava para onde se esperava, a briga lá na rabeira. Mas aí a diretoria mandou Caio Júnior embora, o que me pareceu bastante injusto. Só que a chegada de Ney Franco não só tirou o Vitória da rota decadente como fez do time o baiano o melhor do segundo turno, junto com o Cruzeiro. É raro, mas às vezes a troca de técnico dá certo mesmo, e foi o caso do Vitória.

 

A PASMACEIRA VÁLIDA:

Santos, Atlético-MG e Flamengo – O Santos fez o campeonato que eu esperava, sem brigar em cima nem em baixo. Sem Neymar, poderia ter sido muito pior. Para mim, a diretoria do Santos erra feio ao dispensar Claudinei Oliveira. Por que não investir? Por que não mandá-lo para um belo aprendizado de um mês na Europa? Por que gastar os tubos com um técnico “medalhão” quando se tem um ótimo achado dentro de casa, um técnico bom e barato?

O Atlético era time para disputar título e o faria se tivesse sido eliminado da Libertadores, por exemplo, naquelas quartas de final contra o Tijuana. O pênalti defendido por Victor valeria o título lá na frente e valeu um Brasileirão tranquilo para o Cruzeiro, porque o Galo estaria na briga. No fim, foi um Brasileiro honesto, sem sustos, com alguns bons jogos. Tem que tomar cuidado para não cair na armadilha de Fluminense e Corinthians no ano que vem, pensar em renovar elenco e trazer peças novas e motivadas.

O Flamengo era outro que tinha a pasmaceira prevista. Sempre acreditei em um campeonato de meio de tabela e foi lá que o Flamengo ficou o tempo todo. Teve margem para priorizar a Copa do Brasil e saiu com uma vaga na Libertadores que ninguém acreditava. Ano para comemorar.

 

FAVORITOS QUE FORAM AS GRANDES DECEPÇÕES:

Fluminense, Corinthians, São Paulo e Internacional – Antes do início do campeonato, Fluminense e Corinthians estavam na minha lista de favoritos ao título, junto com Atlético-MG e Grêmio. São Paulo e Internacional estavam na minha lista dos que iriam brigar por Libertadores, junto com os quatro citados mais o Botafogo. Falar o que dessa turma??

O Fluminense conseguiu dar um vexame ainda maior do que o Corinthians, porque acabou rebaixado. O Corinthians era, por investimento, estabilidade, elenco, o favorito maior ao título. Errei feio ao prever que ele não só viria, mas viria com facilidade. O Corinthians fez míseros oito gols no segundo turno inteiro, sofreu com um jogo taticamente manjado, defensivo demais, e a saída de Paulinho e lesões de Guerrero e Renato Augusto não ajudaram. Se tivesse mandado Tite embora, talvez tivesse até brigado no rebaixamento, como o Fluminense.

O São Paulo foi o quarto melhor do segundo turno. Clube rico é assim. Se as coisas dão errado, se a instabilidade política e a guerra de egos causam tropeços dentro de campo, você vai lá, abre o talão de cheques e traz o Muricy Ramalho para resolver a parada. Resolveu. É o poder do dinheiro, é a razão pela qual, com o São Paulo afundado no Z-4, eu apostei meu dedo que não cairia. Era elenco para disputar a Libertadores, acabou se livrando do sofrimento e olhe lá.

O Internacional, nem isso. Ainda precisou de um pontinho na última rodada para se livrar do rebaixamento. Uma temporada ridícula do Inter que ou não deveria ter contratado Dunga (se seu perfil não agrada, dava para saber disso antes) ou não deveria tê-lo demitido. Que deixassem trabalhar em um prazo longo, de dois a três anos. Outro clube que tem de repensar muita coisa após montar um elenco caro como esse e fazer uma campanha patética – de novo.

 

GANHARAM A BRIGA DELES, CONTRA A DEGOLA:

Portuguesa, Bahia, Coritiba e Criciúma – Assim como Atlético-PR, Vitória e Goiás, eram quatro clubes que entravam com o único objetivo de não cair. Os três citados fizeram mais do que o esperado e brigaram lá em cima. Já Lusa, Bahia, Coritiba e Criciúma ficaram lá na parte baixa mesmo, mas conseguiram cumprir e são times de primeira divisão. Portuguesa, Bahia e Criciúma eram, ao lado do Náutico, os quatro mais fortes candidatos ao rebaixamento na minha avaliação em maio.

O Coritiba poderia ter feito um campeonato mais “pasmaceira”, era o que eu esperava. Na minha opinião, os pontos acumulados no início serviriam para que este fosse um Brasileiro tranquilo, de meio de tabela. E seria, não tivesse a diretoria tomado a estúpida decisão de mandar embora Marquinhos Santos, que é bom treinador. A queda de rendimento devia-se às lesões e ao campeonato estilo maratona. Mas a diretoria agiu com o fígado, diante do bom momento do rival Atlético, e fez uma bobagem atrás da outra. No fim, ainda deu para se salvar do pior.

O Criciúma também usou e abusou dos erros e trocas de treinadores. Possivelmente teria caído, não fosse o “derretimento” do Fluminense na reta final e aquelas vitórias em Curitiba e contra um São Paulo mortinho, mortinho. A Portuguesa jogou o primeiro quarto de campeonato sem técnico, tirou a sorte grande ao encontrar este ótimo Guto Ferreira e os gols de Gilberto. Abrir mão da Sul-Americana foi um acerto. A Lusa fez 4 (de 36) pontos contra os seis primeiros do campeonato, mas fez 20 (de 30) contra os cinco últimos. Ou seja, perdeu dos bons, ganhou dos ruins, não teve boa gestão, estádio cheio, sorte e nem ponto de graça da arbitragem, mas conseguiu se manter de novo. Um milagre.

Já o Bahia acertou ao manter Cristóvão Borges, também muito bom técnico, mesmo quando a água começou a bater no traseiro. Decisão corajosa e acertada. Cristóvão pegou um clube morto após o Estadual e fez um campeonato para lá de digno.

 

PERDERAM A BRIGA QUE ERA DELES DESDE O INÍCIO:

Vasco, Ponte Preta e Náutico – O Vasco era o único grande (dos 12 de SP, RJ, MG e RS) que eu considerava, desde o começo, candidato forte ao rebaixamento. E não deu outra. Não tem muito o que falar. O Vasco é uma instituição quebrada, mal administrada e que precisaria fazer tudo direitinho ao longo do campeonato. Demitir técnicos não é exatamente o caminho adequado. era time para cair e caiu mesmo. Não acredito em uma Série B tão amena e em comunhão com a torcida, como foi em 2009. O Vasco tem de sacudir a poeira e entrar em uma nova era. Sem Eurico, pelo amor de Deus.

A Ponte poderia até ter se livrado, como fizeram os times do grupo acima, mas errou ao mandar Guto Ferreira embora muito cedo e se complicou fisicamente com a linda aventura na Sul-Americana. Venha ou não venha o título, valeu à pena. Cair e subir fará parte da vida da Ponte ao longo dos anos, mas o que o torcedor viveu e ainda está vivendo, não tem preço. O Náutico entrou rebaixado e caiu no meio do campeonato. Foi mais um que fez o que dele se esperava.

 

2014:

Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio são, a priori, times brasileiros com mais chances na Libertadores do que Flamengo, Atlético-PR e Botafogo ou Ponte. É um torneio de mata-mata, onde tudo pode acontecer, e todos sabemos que o sucesso nesta competição traz consequências ao Brasileirão.

O Corinthians, com Mano, e o São Paulo, com Muricy, serão candidatos ao título nacional. Santos e Palmeiras prometem ficar ali na pasmaceira o ano todo.

Dos que não fazem parte do G12, que será G10 na primeira divisão, o negócio é não cair. Quem souber dar o pulo do gato físico, como fez o Atlético-PR, e controlar os instintos de sair mandando técnico embora, pode fazer um campeonato estável e até sonhar com alguma coisa melhor. Quem cometer os velhos erros e for enganado (para bem ou mal) pelos Estaduais, estará na zona do perrengue sempre.

Vasco e Fluminense, assim como o Palmeiras, têm mais dinheiro da TV do que os outros 18 clubes da Série B juntos. Têm a obrigação de subir e provavelmente o farão. Mas, antes disso, viverão um aninho no inferno. Aqui se faz, aqui se paga.

 


Vasco e Coritiba são apostas seguras para a Série B. Veja raio-X
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juliogomes

Vasco e Coritiba. Não são apenas os percentuais e os pontos. É o futebol, a fase, os protagonistas. É muito difícil que não sejam esses os outros dois rebaixados do Campeonato Brasileiro. Assim como era difícil imaginar que isso ocorreria – não pelo Vasco, que é candidato desde o pontapé inicial, em maio, mas pelo Coritiba, que chegou até a liderar o campeonato.

O Náutico já caiu. A Ponte Preta, considero rebaixada desde a virada do turno, noção confirmada com a derrota para o Náutico e a boa campanha na Sul-Americana. Que deixa o sorriso no rosto do torcedor e o cansaço nas pernas do jogador. Se não ganhar do Grêmio, a matemática deve rebaixar o que a prática já rebaixou. A Ponte tem que esquecer o Brasileiro e fazer os jogos da vida, de sua história, contra o São Paulo na Sul-Americana.

Bom, e aí sobram duas vagas. Internacional, Flamengo e Portuguesa têm situação confortável. Mas, se algum deles perder todas até o fim, acabará rebaixado – com justiça, afinal. O Inter tem uma tabela fácil, mas somou só 15 pontos em 16 jogos e está no Z-4 no segundo turno. Uma vergonha para um time que deveria estar disputando Libertadores. O Flamengo tem uma tabela difícil, não seria absurdo perder as três. E tem a Copa do Brasil no meio. Fosse eu o técnico do Flamengo, focaria na final para, depois, nas últimas duas rodadas, buscar o ponto que eventualmente estiver faltando.

E temos Criciúma, Fluminense e Bahia, com 42, e os dois do Z-4: Coritiba com 41, Vasco com 38. No segundo turno, o Vasco fez 14 pontos e o Coritiba, 13. Só melhores que o Náutico, que fez 7. O Vasco ganhou somente uma das últimas oito, enquanto o Coritiba ganhou duas das últimas oito (incrivelmente, contra Cruzeiro e Grêmio, líder e vice-líder).

Três rodadas atrás, meu raio-X mostrava que o Fluminense tinha a tabela mais fácil e era a chave para ver quantas vagas o Z-4 teria abertas. O Flu fez sua parte, ganhou duas seguidas e tem tudo para chegar tranquilo na última rodada. Criciúma, Bahia e Fluminense têm jogos “ganháveis” nas próximas rodadas. Se fizerem três ou quatro pontos, deixam o Vasco na Série B.

Para o Vasco, não bastará ganhar duas e empatar uma. Tem que ganhar as três, começando pelo Cruzeiro na próxima rodada. Depois tem Náutico, no Rio, e Atlético-PR fora. Será um Atlético campeão da Copa do Brasil? Ou precisando ganhar o jogo para ir à Libertadores via Brasileirão? Enfim. Não adianta pensar no Atlético-PR se não vencer o Cruzeiro. E é aí, na minha opinião, que o Vasco acabará vendo que uma nova segunda divisão virá pela frente.

O Coritiba chegou a liderar. Aí vieram as contusões, veio o drama que muitos times vivem ao longo do campeonato maratona. Ganhou o Estadual, mas derreteu no Brasileiro. Já o Atlético-PR…

A demissão de Marquinhos Santos, no primeiro momento de instabilidade, não teve cabimento algum. É o que digo sempre. Os clubes ricos do Brasil, os que recebem 3, 4, 5 vezes mais dinheiro da TV, terão sempre a capacidade de trazer um técnico caro, um par de jogadores para suprir alguma coisa. Além, claro, da condescendência dos árbitros, que sabem que prejudicar grandões traz muito mais problema do que errar contra os médios e pequenos.

Festa verde, UFC polêmico, astros na Copa; veja como foi o feriado esportivo

  • Reinaldo Canato/UOL

    Quem aproveitou o último feriado prolongado de 2013 dificilmente teve tempo para acompanhar todos os eventos esportivos que aconteceram de sexta a domingo. Enquanto muita gente descansava na praia, na piscina ou sofria no trânsito, astros famosos se classificavam para a Copa, uma lenda do UFC anunciava parada estratégica na carreira após vencer de maneira polêmica sua luta, o Brasil triunfava mais uma vez no vôlei feminino e o Palmeiras perdia o medo e festejava o título da Série B no Pacaembu. Confira esses e outros destaques do feriadão.

Quando o São Paulo estava na draga, buscou Muricy. Quando o Coritiba despencou, foi de Péricles Chamusca. Capisci? O grande rico pode errar. Os times do outro campeonato não podem errar. Errou, caiu.

Não consigo ver o Coritiba se salvando. O Vasco, caso ganhe de Cruzeiro e Náutico, com Maracanã lotado e coração na ponta da chuteira, pode imaginar o seguinte cenário dos sonhos. Que Bahia e Flu ganhem uma e percam uma, chegando ambos com 45 pontos na rodada final. O Vasco, vencendo seus jogos, chegaria com 44. Neste cenário, bastaria vencer o Atlético-PR, pois Bahia e Fluminense se enfrentam no último jogo. O difícil, como eu disse antes, é acreditar neste vitória do Vasco sobre o Cruzeiro. Difícil imaginar que um time que ganhou uma em oito feche a competição ganhando três de três.

Vasco e Coritiba são apostas seguras para a segunda divisão. Mas sabem como é esse tal de futebol… melhor ficar só na aposta. Certeza mesmo, só esperando os próximos domingos.

 

SITUAÇÃO CLUBE A CLUBE

(*confrontos diretos)

– Internacional (45 pontos, 11 vitórias, saldo de -1)
Coritiba (c)
Corinthians (f)
Ponte Preta (c)
Pontos dos adversários: 125
Grau de dificuldade: 6

Chave: Não perder do Coritiba já resolve tudo. Se perder as próximas duas, ainda pega a Ponte, provavelmente rebaixada, na última rodada. Está fácil.

– Flamengo (45 pontos, 11 vitórias, saldo de -2)
Corinthians (c)
Vitória (f)
Cruzeiro (c)
Pontos dos adversários: 178
Grau de dificuldade: 8

Chave: Com a Copa do Brasil no meio, eu arriscaria e pouparia todo mundo contra o Corinthians. Se perder duas, sobraria o jogo contra o Cruzeiro, em casa, na última rodada, para sacramentar a permanência. Não é uma tabela fácil, o dilema é: dá para levar na boa e não comprometer a Copa do Brasil?

– Portuguesa (44 pontos, 11 vitórias, saldo de +3)
Bahia (f) *
Ponte Preta (f) *
Grêmio (c)
Pontos dos adversários: 137
Grau de dificuldade: 8

Chave: Se salva com uma vitória e deve pegar a Ponte já rebaixada matematicamente. Se sair com um ponto desses dois jogos, deve precisar de novo empate com o Grêmio. Se perder as duas, decide a vida em casa na última rodada.

– Criciúma (42 pontos, 12 vitórias, saldo de -12)
Vitória (c)
São Paulo (c)
Botafogo (f)
Pontos dos adversários: 160
Grau de dificuldade: 9

Chave: Três vitórias seguidas tiraram o Criciúma do sufoco. Agora, é fazer a lição de casa e conseguir quatro pontos nos próximos dois jogos. Fez o mais difícil, é só não se complicar no mais fácil.

– Fluminense (42 pontos, 11 vitórias, saldo de -4)
Santos (f)
Atlético-MG (c)
Bahia (f) *
Pontos dos adversários: 142
Grau de dificuldade: 5

Chave: É a tabela mais tranquila, pois pega agora dois rivais desinteressados. Quatro pontos resolvem a vida. Se não chegar a isso, dificilmente evitará o tom de “final” no jogo contra o Bahia e, neste caso, a coisa fica bastante mais complicada.

– Bahia (42 pontos, 10 vitórias, saldo de -9)

Portuguesa (c) *
Cruzeiro (f)
Fluminense (c) *
Pontos dos adversários: 161
Grau de dificuldade: 8

Chave: Faltam quatro pontos e são dois confrontos diretos em casa. Uma vitória contra a Portuguesa é a chave para ter tranquilidade em busca do ponto final. Se precisar do resultado na última rodada, será diante da torcida, contra o Fluminense.

– Coritiba (41 pontos, 10 vitórias, saldo de -5)
Inter (f)
Botafogo (c)
São Paulo (f)
Pontos dos adversários: 151
Grau de dificuldade: 7

Chave: Não resolveu a vida em casa, perdeu duas e mandou o técnico embora. Para se salvar tem que ganhar duas. Ou ganhar uma e empatar duas. Problema é que o Inter corre risco e o Botafogo joga por Libertadores. Situação dramática.

– Vasco (38 pontos, 9 vitórias, saldo de -10)

Cruzeiro (c)
Náutico (c)
Atlético-PR (f)
Pontos dos adversários: 150
Grau de dificuldade: 7

Chave: Pé na cova. Outros podem se salvar com 45, dificilmente o Vasco o fará. Portanto, o cenário de duas vitórias e um empate não serve. Tem que ganhar do Cruzeiro no Maracanã, senão pode ir planejando a Série B. Importante torcer pelo Atlético-PR na Copa do Brasil, o que tiraria a importância do jogo final para os curitibanos.

– Ponte Preta (35 pontos, 9 vitórias, saldo de -16)
Grêmio (c)
Portuguesa (c) *
Inter (f)
Pontos dos adversários: 149
Grau de dificuldade: 7

Chave: Eu considero a Ponte virtual rebaixada desde a virada do turno. O envolvimento na Sul-Americana só atrapalhou a Ponte na briga para não cair e a derrota para o Náutico, em Campinas, foi a pá de cal. Mesmo que ganhe as três, deve cair. Se não vencer o Grêmio, jogo no meio das semis contra o São Paulo, o rebaixamento deverá ser já matemático.

Grau dificuldade (fora de casa)
Grêmio, Goiás, Atlético-PR, Botafogo e Vitória – grau 5
Cruzeiro e Atlético-MG – grau 4
Portuguesa, Criciúma, Fluminense, Bahia, Coritiba e Vasco – grau 3
São Paulo, Corinthians, Santos, Flamengo, Internacional e Ponte Preta – grau 2
Náutico – grau 1

Grau dificuldade (em casa)
Grêmio, Goiás, Atlético-PR, Botafogo e Vitória – grau 3
Cruzeiro, Portuguesa, Criciúma, Fluminense, Bahia, Coritiba e Vasco – grau 2
Atlético-MG, São Paulo, Corinthians, Santos, Flamengo e Internacional- grau 1
Náutico e Ponte Preta – grau 0

Antes do início do campeonato, este blog considerava Náutico, Bahia, Portuguesa, Ponte Preta, Criciúma e Goiás os mais fortes candidatos ao rebaixamento. E o Vasco seria o único dos 11 grandes com chances reais de cair. Logicamente, o Goiás fez uma campanha para lá de surpreendente e está brigando na ponta da tabela em que eu achei que fosse estar o Fluminense. Bahia e Portuguesa, se se salvarem, o farão pelos brilhantes trabalhos de Cristóvão Borges e Guto Ferreira. Já o Coritiba, pelos pontos acumulados no início do campeonato, pelos pés de Alex. Mantendo a lógica de pontuação, futebol apresentado, técnico escolhido para a hora H e dificuldade da tabela, o Vasco parece ser um candidato forte ao rebaixamento. Como eu imaginava em maio. Mas vamos esperar para ver…

 

 


Quem cai? Flu “derrete”, mas tem tabela mais fácil e é a chave para todos
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juliogomes

Veja Álbum de fotos

Quem vai cair para a segunda divisão? Essa pergunta, difícil de responder, foi a mais recorrente desde o início do Campeonato Brasileiro. Mais do que o “quem vai ser campeão?”. Porque isso, o Cruzeiro já é. Desde aqueles 3 a 0 no Botafogo, a coisa ficou encaminhada. Para matar na próxima rodada, basta ganhar do Grêmio e torcer por um tropeço do Atlético-PR. Se não for nessa próxima, será na outra. Faz tempo que ninguém se pergunta quem será o campeão, porque não precisa.

“Quem vai para a Libertadores?”. Essa também foi pouco feita, porque parecia tudo definido entre Grêmio, Botafogo e Atlético-PR. Com o derretimento do Botafogo e a chegada forte do Goiás, além de Vitória e São Paulo, que estão por ali, quem sabe essa briga fique legal nas últimas rodadas. Pela tabela, o Goiás tem tudo para avançar firme rumo à Libertadores. O São Paulo, se quiser sonhar, tem obrigatoriamente que ganhar do Atlético-PR fora, na próxima rodada, logo depois de voltar de Medellín. Ou seja… muito difícil.

Mas e se Grêmio ou Atlético-PR ganharem a Copa do Brasil? Aí de repente abre mais uma vaga e tudo pode mudar.

Santos, Corinthians, Flamengo e Inter já estão na pasmaceira, não vão nem ficam, já pensam em 2014. Acredito que, dentro de duas rodadas, Cruzeiro, Atlético-MG, Vitória e São Paulo também estarão na mesma pasmaceira, cada um por motivos diferentes. E aí, amigos, o que sobra mesmo é a pergunta que já vem sendo falada com força desde antes mesmo de o campeonato começar. “Quem vai cair?”.

Mais abaixo nesse post, eu fiz o seguinte. Peguei os sete ameaçados (quatro vão permanecer, três vão cair) e coloquei ali três informações: 1) Quais são os seis próximos rivais no Brasileiro; 2) Quantos pontos têm esses rivais somados, hoje, na tabela; 3) E criei um grau de dificuldade em função de contra quem vai jogar e onde.

Para determinar o grau de dificuldade, separei os times do Brasileirão em grupos e outorguei pontos para cada duelo e dependendo do jogo ser em casa ou fora. É totalmente subjetivo e já levo em conta, por exemplo, que quem enfrentar o Cruzeiro vai enfrentar um Cruzeiro já campeão. Por isso, seria mais fácil jogar contra o campeão despreocupado do que um time disputando vaga na Libertadores. Os graus de dificuldade estão explicados no final desse post. Podem discordar, claro que podem. É pura opinião minha, vocês estão mais do que convidados para concordar ou cornetar a minha tese, desde que com respeito e sem ofensas. Como sempre.

Em função de tabela e grau de dificuldade, eu digo. Ponte Preta e Criciúma já eram. A Ponte, eu acho que já era desde o final do primeiro turno e, apesar do esboço de reação, a coisa só vai afundando conforme aparecem viagens e jogos pela Sul-Americana. O Criciúma poderia chegar aos tais 45 pontos ganhando do Náutico e as três que tem a fazer em casa. Mas, primeiro, será que 45 pontos serão suficientes? Segundo: não é que o “caldeirão” de Criciúma tenha sido assim tão eficiente. Os dois têm jogos complicados, só um confronto direto contra rivais, não vejo como conseguirão ganhar quatro de seis. Podem ter um suspiro daqui até o fim, mas acabarão caindo.

Se isso se consumar, sobrará uma vaga. Eu acredito que Bahia e Coritiba escapem já nas próximas rodadas. Se não o fizerem, aí sim, se complicam no final. Mas ainda têm margem de erro. A Portuguesa é a candidata mais forte a brigar com os dois gigantes do Rio e tem uma tabela mais difícil que a do Vasco e bem mais difícil que a do Fluminense. Além de ter jogadores sem receber salários, jogar para estádios vazios e raramente contar com uma ajuda decisiva da arbitragem (nesse Brasileiro, não ocorreu uma vez sequer. Não será na reta final).

A Portuguesa, se quiser se salvar, tem de ganhar de Coritiba e Atlético Mineiro, dois jogos no Canindé nos próximos dois finais de semana. Se não ganhar um deles, vira favorita ao rebaixamento. Se ganhar as duas e com o bom saldo de gols que tem, aí sim a casca de banana fica mesmo para Fluminense e Vasco.

O Fluminense, dos sete, é quem tem, disparado, a tabela mais amigável. Pega o Corinthians fora, o que é perigoso porque o Corinthians está jogando melhor e precisa provar algo na reta final. Mas depois pega Náutico em casa e, na sequência, São Paulo, Santos e Atlético-MG, todos eles muito menos interessados do que um time que joga pela salvação.

Só que, à parte a tabela fácil, o Flu é também o clube mais afundado na crise, com três empates e cinco derrotas nos últimos oito jogos. Luxemburgo fica ou sai? É melhor que fique ou que saia? Quem manda realmente, o presidente do clube ou a Unimed? Será que o campeão brasileiro vai ser rebaixado na primeira oportunidade em que a torneirinha do patrocinador terá se fechado? Seria catastrófico para a parceria e, claro, para os tricolores.

O Flu, para mim, é o mais imprevisível dos sete que estão na luta para não cair. Pode arrumar sete pontos nos próximos três jogos e se tranquilizar para a reta final. Ou pode nem ganhar do Náutico e fazer o contrário de 2009. Naquele ano, ficou quando ninguém mais esperava. Neste ano, pode cair sem que ninguém tenha pensado nisso até a hora H.

E o Vasco não vai conseguir escapar só fazendo seu trabalho de casa, apesar da tabela mais complicada que a do Fluminense, mas menos do que a da Portuguesa. Porque, logicamente, não ganhará cinco ou seis jogos. Três vitórias seria um número realista, levaria a 45 pontos. Para se salvar com 45, vai precisar ou do derretimento completo do Flu ou então que um dos três acima (Portuguesa, principalmente) entre naquela coisa de ganhar só uma das últimas seis.

Olhando para a tabela, Criciúma e Ponte caem, Bahia e Coritiba se salvam, Vasco e Portuguesa lutam pela última vaga dentro da elite. E o Fluminense? Para mim, é a chave do destino de todo mundo. Tem tudo para ficar. Mas está fazendo de tudo para pagar aquela Série B. Vocês sabem, aquela da Copa João Havelange…

SITUAÇÃO CLUBE A CLUBE
(*confrontos diretos)

– Coritiba (40 pontos, 10 vitórias, saldo de -3)
Portuguesa (f) *
Corinthians (c)
Criciúma (c) *
Inter (f)
Botafogo (c)
São Paulo (f)
Pontos dos adversários: 255
Grau de dificuldade: 15

Chave: Mesmo que perca para a Portuguesa o confronto direto, depois resolve a vida se ganhar em casa de Corinthians e Criciúma. Se se enrolar nesses próximos três jogos, passa a estar bastante ameaçado na reta final.

– Portuguesa (39 pontos, 10 vitórias, saldo de +1)
Coritiba (c) *
Botafogo (f)
Atlético-MG (c)
Bahia (f) *
Ponte Preta (f) *
Grêmio (c)
Pontos dos adversários: 267
Grau de dificuldade: 17

Chave: Ganhar de Coritiba e Atlético-MG em casa dará tranquilidade para buscar somente um empate nos três jogos finais. Começou bem o segundo turno, mas só ganhou uma das últimas seis. Se não fizer a lição de casa, terá de buscar a salvação em confrontos diretos fora de casa contra Bahia e Ponte.

– Bahia (38 pontos, 9 vitórias, saldo de -7)
Atlético-MG (c)
Santos (f)
Náutico (f)
Portuguesa (c) *
Cruzeiro (f)
Fluminense (c) *
Pontos dos adversários: 252
Grau de dificuldade: 12

Chave: Nos próximos quatro jogos, ganhar pelo menos uma em casa, bater o Náutico e voltar de Santos sem perder. Se faltarem pontos aí, poderá decidir a vida em casa contra o Fluminense, que talvez esteja livre, talvez esteja também lutando pela salvação.

– Fluminense (36 pontos, 9 vitórias, saldo de -6)
Corinthians (f)
Náutico (c)
São Paulo (c)
Santos (f)
Atlético-MG (c)
Bahia (f) *
Pontos dos adversários: 235
Grau de dificuldade: 10

Chave: Dos ameaçados, é quem tem a tabela menos complicada. Bastariam três vitórias no Maracanã e um resultado em Santos. Se não fizer os resultados em casa, terá de buscar a salvação em Salvador na última rodada.

– Vasco (36 pontos, 9 vitórias, saldo de -9)
Santos (c)
Grêmio (f)
Corinthians (f)
Cruzeiro (c)
Náutico (c)
Atlético-PR (f)
Pontos dos adversários: 280
Grau de dificuldade: 15

Chave: Cenário mais realista é ganhar os três jogos no Maracanã, um deles contra um Cruzeiro já campeão, e torcer para que o Fluminense derrape ou um dos três mais acima tenha um daqueles colapsos de ficar sem vencer na reta final. Se não vencer a próxima, contra o Santos, fica com o pé na cova.

– Ponte Preta (34 pontos, 9 vitórias, saldo de -11)
Vitória (c)
Goiás (f)
Cruzeiro (f)
Grêmio (c)
Portuguesa (c) *
Inter (f)
Pontos dos adversários: 303
Grau de dificuldade: 18

Chave: Tem de ganhar quatro dos seis jogos e, no meio disso, vai à Argentina tentar a vida na Sul-Americana. A Ponte deve cair e vai ficar lembrando daquela derrota para o Náutico, em Campinas. O milagre da salvação passa por ganhar do Vitória, bater o Cruzeiro de ressaca e, depois, vencer mais duas em casa.

– Criciúma (33 pontos, 9 vitórias, saldo de -15)
Náutico (f)
Atlético-PR (c)
Coritiba (f) *
Vitória (c)
São Paulo (c)
Botafogo (f)
Pontos dos adversários: 259
Grau de dificuldade: 16

Chave: Na reta final, não venceu em casa nem a Portuguesa nem a Ponte Preta. Se ganhar do Náutico e as três em casa, se salva. O problema é que vai receber três times em ótima fase e com aspirações de Libertadores, além de sair para um duelo direto em Curitiba.

Grau dificuldade (fora de casa)
Atlético-PR, Grêmio, Botafogo, Goiás – grau 5
Cruzeiro, Atlético-MG, Vitória e São Paulo – grau 4
Coritiba, Portuguesa, Bahia, Fluminense, Vasco, Ponte Preta e Criciúma – grau 3
Santos, Flamengo, Internacional, Corinthians – grau 2
Náutico – grau 1

Grau dificuldade (em casa)
Atlético-PR, Grêmio, Botafogo, Goiás – grau 3
Cruzeiro, Vitória, São Paulo, Coritiba, Portuguesa, Bahia, Fluminense, Vasco, Ponte Preta e Criciúma – grau 2
Atlético-MG, Santos, Flamengo, Internacional, Corinthians – grau 1
Náutico – grau 0

Antes do início do campeonato, este blog considerava Náutico, Bahia, Portuguesa, Ponte Preta, Criciúma e Goiás os mais fortes candidatos ao rebaixamento. E o Vasco seria o único dos 11 grandes com chances reais de cair. Logicamente, o Goiás fez uma campanha para lá de surpreendente e está brigando na ponta da tabela em que eu achei que fosse estar o Fluminense. Bahia e Portuguesa, se se salvarem, o farão pelos brilhantes trabalhos de Cristóvão Borges e Guto Ferreira. Já o Coritiba, pelos pontos acumulados no início do campeonato, pelos pés de Alex. Mantendo a lógica de pontuação, futebol apresentado, técnico escolhido para a hora H e dificuldade da tabela, o Vasco parece ser um candidato forte ao rebaixamento. Como eu imaginava em maio. Mas vamos esperar para ver…

 


São Paulo de Muricy, sem brilho, mas com pontos. E as verdades de Ceni
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juliogomes

O São Paulo não foi empolgante nesta quinta festiva, no Morumbi. Não acelerou o jogo, não envolveu a Ponte Preta, não construiu seguidas chances de gol. O que ele fez, que não vinha fazendo, foi chutar mais a gol. Encontrou Luis Fabiano algumas vezes, decorrência também da péssima marcação de um time que perdeu o sétimo jogo seguido e está virtualmente rebaixado no campeonato.

(Aqui, vale o curto parênteses. Para se salvar no Brasileirão, tem que fazer 45 pontos. Se a Ponte fez 15 em um turno, não vejo razão alguma para acreditar que fará 30 no outro, dobrando o rendimento. Está quase tão condenada quanto o Náutico.)

Luis Fabiano foi errático no primeiro tempo, mas resolveu no segundo. Batendo de primeira, coisa que sempre fez, mas não ultimamente. Ganso jogou bem, Muricy ajudou liberando os laterais e abrindo buracos para ele no meio de campo. Considero Jadson um jogador mais completo que Ganso, mas não sou eu quem decide alguma coisa no São Paulo.

Depois do 1 a 0, o time recuou, deu campo para a Ponte Preta, passou ali por um sufoco desnecessário por 10 minutos. Correu risco, porque está claramente com medo e precisa se segurar aos resultados, por mais mínimos que sejam. Depois, com Jadson e Negueba, desafogando no contra ataque, a coisa melhorou.

Foi sofrido. Teve uma bola da Ponte Preta que tocou no travessão. Duas semanas atrás teria entrado, diria aquele que acredita nessas coisas. Mas, a essa altura, o que importa mesmo para o São Paulo é conseguir pontos. Muricy não podia ter estreado de forma melhor, com a enorme pressão minimizada pela vitória e, claro, com o apoio da arquibancada cheia.

Mas o que eu gostei mesmo, já que o futebol não foi nada disso, foi de ouvir a entrevista de Rogério Ceni após a partida. Com palavras lindas a esse grande profissional que é Paulo Autuori, mais uma vítima desse regime amador de gestão que impera no futebol brasileiro.

“Muricy e Paulo são caras especiais, não são caras para ficarem dois meses no São Paulo. A vinda do Paulo foi o resgate de coisas que haviam sido deixadas para trás. O resgate moral da instituição. São caras como o Muricy, como o Paulo, que temos que respeitar. Telê morreu, Paulo nós matamos. Temos que cuidar dele (Muricy).”

Mudar técnico é o recurso fácil para um dirigente de futebol. Ele não é penalizado por seus erros, tanto na má contratação quanto na má demissão. Está claro que o buraco do São Paulo é mais em baixo, é político e institucional, mas sobra para um técnico, depois para o outro, depois para o outro.

Paulo Autuori, segundo contou Rogério Ceni, não pôde nem mesmo se despedir do elenco. Uma tristeza. Depois que esse furacão passar, será a hora de o São Paulo calçar as sandálias da humildade, talvez pela primeira vez na história, e repensar muita coisa. Porque o São Paulo agiu e tem agido, ao longo do ano, como todos os outros coirmãos, a quem sempre olhou de cima para baixo.


Copa da Marmelada do Brasil. Olho em Santos, Ponte e Botafogo
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juliogomes

Um ano atrás, este país estava indignado. A Espanha havia perdido para o Brasil de propósito na fase de grupos da Olimpíada, no basquete masculino, em Londres. Havia perdido para abrir o caminho no mata-mata e fugir do “Dream Team” dos americanos, que acabariam pegando só na decisão. Eram antiéticos, antidesportistas, haviam pisado no espírito olímpico, faltava caráter. Era daí para baixo.

Lógico, vivemos no país dos dois pesos, duas medidas. Quando a seleção masculina de vôlei havia feito o mesmo para ganhar caminho livre na tabela do Campeonato Mundial, dois anos antes, não havia problema… Afinal, “os italianos haviam feito uma tabela boa para eles”. Era o que diziam os que justificavam o injustificável. A lógica do “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Como se ladrão que roubasse ladrão não fosse… ladrão!

A Espanha perdeu no basquete porque era melhor para ela. O Brasil perdeu no vôlei porque era melhor para ele. Não concordo com nenhum dos dois, ainda que entenda os dois. Em nosso futebol, debaixo de nossos narizes, neste exato momento, está ocorrendo a mesma coisa. Estamos vendo na atual edição da Copa do Brasil uma das maiores marmeladas jamais vistas na história do futebol brasileiro. E parece que ninguém está nem aí! A CBF não se pronuncia, os clubes dão de João sem braço, e a mídia, claro, está preocupada com outros assuntos (muuuuuito) mais importantes.

Nunca, na história da competição, tantos times de primeira divisão foram eliminados por tantos times de divisões inferiores. Ainda na primeira fase, a Portuguesa foi eliminada pelo Naviraiense, no Mato Grosso do Sul, e o Náutico caiu para o Crac, de Goiás. Na segunda fase, foi a vez de o Vitória cair para o Salgueiro, de Pernambuco, o Coritiba para o Nacional, de Manaus, e o Bahia diante do Luverdense.

Agora estamos na terceira fase. O Criciúma já foi eliminado pelo Salgueiro, esse exterminador incrível de times da primeira divisão. Mas não mais incrível que o Nacional, que está a ponto de tirar também a Ponte Preta. E meus olhos estarão voltados hoje para a cidade de Catalão, onde esse fenomenal time do Crac, que é lanterna de seu grupo na TERCEIRA divisão nacional, com um empate e quatro derrotas em cinco partidas, pode eliminar o Santos.

O Santos. Para o Crac.

Eu não vi esses jogos todos que acabaram nas eliminações dos times da primeira divisão. Certamente alguns deles perderam porque são ruins mesmo. Mas não todos. E veja bem. Não é preciso entregar e fazer corpo mole em campo para perder uma partida. No momento em que os dirigentes do Coritiba liberam a festa pelo título Estadual e Alex não viaja para um duelo lá em Manaus, as chances de derrota para o Nacional aumentam consideravelmente.

A CBF tinha tudo para transformar a Copa do Brasil na competição mais legal desse país. Poderia botar todos os times federados para jogá-la, com partidas únicas e sorteio puro para definir os confrontos. Se desse Corinthians x Flamengo na primeira fase, azar deles. Um modelo ultrademocrático, como o da Copa da Inglaterra, em que até o menor dos times poderia sonhar com a glória de disputar um título ou uma fase avançada em algum estádio mítico do nosso país.

Mas não. Ela resolveu fazer o regulamento mais esdrúxulo de que se tem conhecimento, e olha que de regulamento esdrúxulo nossos dirigentes entendem, com mestrado e doutorado.

Percebi, pelas redes sociais, que muitos amigos não entenderam ainda o que está acontecendo. E não culpo ninguém, porque é difícil mesmo de entender. A CBF determinou que os seis times que disputaram a Copa Libertadores entrassem diretamente nas oitavas de final da Copa do Brasil, sem disputar a Copa Sul-Americana: Corinthians, Palmeiras, Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio e Vasco.

O Vasco entrou nessa como substituto do São Paulo que, como campeão vigente da Copa Sul-Americana, é obrigado a defender seu título. Então o São Paulo torna-se o único a disputar os dois torneios sul-americanos, enquanto o Vasco torna-se o único fora dos dois, obrigatoriamente.

Pois bem. Oito clubes subsequentes na classificação do Brasileirão de 2012 conquistaram seu direito de disputar a Copa Sul-Americana. Na ordem: Botafogo, Santos, Cruzeiro, Internacional, Flamengo, Náutico, Coritiba e Ponte Preta. No entanto, para “exercer” o direito de jogar a Sul-Americana, era imperativo que eles não estivessem vivos na fase de oitavas de final da Copa do Brasil.

E é aí que está a bizarrice. Quem está nas oitavas da Copa do Brasil, não pode jogar a Copa Sul-Americana. O “prêmio” destes dois torneios é idêntico: o campeão se classifica para a próxima Copa Libertadores. Coloque-se, agora, no lugar do Náutico, que não disputa uma competição internacional há décadas, ou do próprio Coritiba. De qualquer clube do país que não seja um dos 12 agraciados pelas maiores cotas de TV do Brasileirão.

O que é mais fácil (ou menos difícil)?? Ir longe em uma Copa do Brasil em que será necessário enfrentar Corinthians, Grêmio, Fluminense, etc, etc, etc? Ou ir longe em uma Copa Sul-Americana, em que os confrontos serão contra times nacionais de mesmo “status” e outros times sul-americanos que não são os melhores e mais importantes de seus países??

A resposta é fácil, é óbvia. É muito mais interessante para Portuguesa, Náutico, Bahia, Vitória, Coritiba e Criciuma jogar a Copa Sul-Americana do que a Copa do Brasil. E também para a Ponte Preta, que escancaradamente botou um time reserva para jogar com o Nacional, em Campinas, e fará o mesmo na volta. E também para o Santos!

Para este jovem time do Santos, me respondam. Qual a maior probabilidade de chegar à próxima Libertadores? Ficar entre os quatro primeiros na maratona do Brasileiro? Ganhar a Copa do Brasil? Ou ganhar a Copa Sul-americana?? A resposta é óbvia.

O Santos, que vive ótima fase com sua nova geração no Brasileiro, empatou em casa com o Crac no jogo de ida. E nesta noite de quarta joga em Catalão sem seus titulares de peso: Edu Dracena, Léo, Montillo, Cícero. Essa é uma maneira sutil, não é verdade? Não manda titulares e fala que eles precisam ser poupados…

Voltando ao regulamento, para que tudo fique esclarecido. Cruzeiro, Internacional e Flamengo não pensaram em marmelada, fizeram valer seu favoritismo e estão nas oitavas da Copa do Brasil. Consequentemente, abriram três vagas para os times seguintes na Série A e na classificação da Série B do ano passado. Bahia e Portuguesa, que já fizeram seu papel (de perder), estão na Sul-Americana. O Goiás, campeão da Série B, estaria… mas acabou passando para as oitavas da Copa do Brasil. Então é o Criciúma que está garantido.

Botafogo, Santos e Ponte Preta, na noite desta quarta, definem seus próprios destinos e os de Atlético Paranaense, Vitória e Sport (que entra na fila, mesmo rebaixado para a Série B e que também já fez sua parte sendo eliminado pelo ABC na Copa do Brasil. O Sport, terceiro colocado na atual Série B, foi eliminado pelo ABC, lanterna do mesmo torneio e sem uma vitória sequer).

O Atlético-PR está em uma sinuca de bico. Joga mais cedo, nesta quarta, contra o Paysandu. Se for eliminado da Copa do Brasil e Botafogo, Santos e Ponte também forem eliminados por Figueirense, Crac e Nacional, respectivamente, o Atlético-PR sai da Copa do Brasil e fica também fora da Sul-Americana. Pode ser um mico gigante.

O Botafogo até que tem um álibi, um jogo mais difícil, contra o Figueirense, no frio de Florianópolis. Se for eliminado, ninguém poderá falar nada. A Ponte Preta não faz questão de esconder a que joga.

O Santos não tem álibi. Contra um time, repito, que não ganhou de ninguém nem mesmo na Série C do Brasileiro. Espero que o Santos mostre toda sua grandeza, dê uma cacetada no Crac e um cala a boca em minha desconfiança. Mas, se perder, talvez algum olho se abra, finalmente, para a grande marmelada que foi a Copa do Brasil até agora.

Clube a clube, a escadinha da Sul-Americana:

Botafogo – se for eliminado da Copa do Brasil pelo Figueirense, disputa a Sul-Americana;

Santos – se for eliminado da Copa do Brasil pelo Crac, disputa a Sul-Americana;

Cruzeiro, Internacional e Flamengo – avançaram às oitavas da Copa do Brasil e abriram três vagas na Sul-Americana;

Náutico – eliminado da Copa do Brasil na primeira fase pelo Crac, que é lanterna de seu grupo na Série C sem uma vitória sequer. Consequentemente, Náutico vai disputar a Sul-Americana;

Coritiba – invicto no Brasileirão, foi eliminado da Copa do Brasil ao levar 4 do Nacional, em Manaus (sem Alex, logicamente). Foi eliminado e, consequentemente, vai disputar a Sul-Americana;

Ponte Preta – botou time reserva e perdeu do Nacional-AM em Campinas. Nesta quarta, foi com time reserva a Manaus. Se for eliminada da Copa do Brasil, se garante na Sul-Americana;

Bahia – eliminado pelo Luverdense na segunda fase da Copa do Brasil, ganhou vaga na Sul-Americana porque o Cruzeiro já avançou na Copa do Brasil;

Portuguesa – eliminada pelo Naviraiense na primeira fase da Copa do Brasil, ganhou vaga na Sul-Americana com o avanço do Internacional na competição nacional;

Goiás – campeão da Série B passada, fez sua parte na Copa do Brasil e está nas oitavas de final. Consequentemente, fora da Sul-Americana. Palmas para o Goiás;

Criciúma – vice da Série B passada, foi eliminado na terceira fase da Copa do Brasil levando gol no último minuto do Salgueiro, em Pernambuco. Prêmio? Está na Sul-Americana, já que o Flamengo foi às oitavas da Copa do Brasil;

Atlético-PR – terceiro da Série B passada, enfrenta o Paysandu na Copa do Brasil. Se avançar, vai às oitavas do torneio. Se for eliminado, no entanto, ganhará uma vaga na Sul-Americana caso ou Botafogo ou Santos ou Ponte Preta (basta somente um deles) passe para as oitavas da Copa do Brasil;

Vitória – quarto na Série B passada, campeão baiano com sobras, com ótima campanha no Brasileiro e… eliminado da Copa do Brasil na segunda fase pelo Salgueiro, de Pernambuco. Para ganhar uma vaga na Sul-Americana precisa que, entre Botafogo, Santos, Ponte Preta e Atlético-PR, dois deles passem para as oitavas de final da Copa do Brasil. Se somente um passar e três forem eliminados, o Vitória dança e a estratégia terá sido um tiro n’água;

Sport – rebaixado da Série A com a maior pontuação, foi eliminado na segunda fase da Copa do Brasil pelo ABC, time que não ganhou um jogo sequer na edição atual da Série B. Para entrar na Sul-Americana, o Sport precisa que, entre Botafogo, Santos, Ponte Preta e Atlético-PR, no máximo um deles seja eliminado na terceira fase da Copa do Brasil. Ou seja, três destes quatro têm que passar às oitavas, senão o Sport não entra na competição continental;

Atlético-GO – eliminado pelo Cruzeiro na terceira fase da Copa do Brasil, o Atlético ainda ganha uma vaga na Sul-Americana caso Botafogo, Santos, Ponte e Atlético-PR, todos eles, passem para as oitavas de final da Copa do Brasil. Esse, convenhamos, é o único eliminado da Copa do Brasil que não gera uma desconfiança sequer.

PS – no meu código de ética do esporte, perder de propósito é errado e ponto. Torna-se um grande estelionato, porque as pessoas pagam e assistem acreditando que, em uma competição esportiva, ambos entram para ganhar, para dar o máximo. Eu entendo a estratégia de todos estes clubes, escolhendo um campeonato, em vez de outro. É um direito que lhes foi concedido por gente que não entende nada de esporte, tabelas e regulamentos. Da próxima vez, no entanto, espero que combatam esse tipo de coisa fora de campo, em vez de “jogar o jogo”. Ou não jogar. Enfim, vocês entenderam…