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Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
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A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
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É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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juliogomes

Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Corinthians nunca levou 4 gols em Itaquera. Título está na mão
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Rodriguinho levou um cartão amarelo bobo. Levou as mãos à cabeça. Sabia que ficaria fora da partida decisiva do Campeonato Paulista, pois estava pendurado.

Mas ele se engana. A partida decisiva já foi. E ele decidiu.

O Corinthians ganhou por 3 a 0 da Ponte Preta em Campinas e já está com o título nas mãos. Rodriguinho fez dois gols e toda a jogada do anotado por Jadson. Foi, disparado, o melhor em campo. Pode descansar tranquilo no domingo que vem.

Até agora, o Corinthians de Fábio Carille não sofreu três gols em um jogo sequer na temporada. Nos últimos 16 jogos, nem dois gols levou – no máximo, um.

A última vez que o Corinthians sofreu três gols foi na última rodada do Brasileiro do ano passado – perdeu de 3 a 2 do Cruzeiro. Em Itaquera, são 56 jogos sem sofrer três gols – a última vez foi em agosto de 2015, vitória por 4 a 3 sobre o Sport pelo Brasileirão.

E desde quando o Corinthians não leva quatro gols em Itaquera?

Desde o dia de são nunca. O Corinthians nunca sofreu quatro gols em seu estádio. O jogo de domingo que vem será o centésimo do clube em Itaquera (foram 97 oficiais e dois amistosos).

Se a Ponte ganhar por três gols de diferença, levará a decisão para os pênaltis. Precisa vencer por quatro para ser campeã.

A Ponte Preta, em busca do primeiro título, fez um jogo muito abaixo da média. Gilson Kleina parecia mais preocupado com os tantos corintianos pendurados em campo – só Rodriguinho e Gabriel levaram amarelo e ficarão fora da partida de volta.

A Ponte só teve chances no final, quando já perdia por 3 a 0. Foi um placar para lá de justo em Campinas, dada a superioridade do Corinthians.

 


Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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juliogomes

O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Osorio e Doriva podem ser criticados. Mas os maiores vilões são outros
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juliogomes

Não aprovo, de forma conceitual, o que fizeram Osorio e Doriva.

Um saiu do São Paulo para o México após quatro meses de trabalho, nem na metade de um projeto promissor. O outro levantou a Ponte Preta e abandonou o barco ao receber proposta de um clube maior.

Mas quem pode criticá-los?

Como eu disse na primeira frase deste post, não gosto de forma conceitual, porque acho que as pessoas devem cumprir os ciclos profissionais que assumem. No entanto, de forma prática, todos sabemos que os técnicos não têm razão alguma para acreditar em seus empregadores.

Doriva e Osório fizeram o que consideraram melhor para eles

Doriva e Osorio fizeram o que consideraram melhor para eles

Se Osorio sonhava em treinar uma seleção bacana em uma Copa do Mundo, acho que demorou até demais para deixar o São Paulo, após todas as lambanças e mentiras da diretoria. Percebe-se que o colombiano ficou balançado, mas os acontecimentos dentro do clube devem ter sido definitivos para a tomada de decisão.

Doriva, com uma carreira curta e promissora, já vai ganhar logo logo o rótulo de “treinador que abandona o clube sem dó se aparecer uma oportunidade melhor”. Mas o Vasco não teve dó dele, teve?

E a Ponte Preta, que hoje vai reclamar da saída, não teve dó de Guto Ferreira, teve?

Não há santos nessas histórias de troca-troca. Os treinadores, de uma forma ou outra, são pessoas físicas, com esposa, filhos. São pessoas. São o elo fraco. É mais compreensível que tomem a atitude que considerem melhor no momento, porque sabem, e sabem porque a história nos mostra, que o clube não pensará cinco minutos antes de demiti-los.

A grande culpa dessa cultura degradante é dos dirigentes irresponsáveis, em sua enorme maioria, que passaram pelos clubes brasileiros ou que estão neles até hoje.

O troca-troca de treinadores não tem o menor comprometimento com as finanças das instituições, que, no fim das contas, são grandes devedoras de impostos para a sociedade (nosso dinheiro).

O que me impressiona mais nisso tudo é que não se tem o menor comprometimento com projetos de trabalho, filosofias.

Me lembro bem quando, lá em 2006, a Federação Inglesa resolveu entrevistar Luiz Felipe Scolari para o cargo de treinador da seleção. Na época, pensei. “Como assim entrevistar? Não conhecem os resultados do cara? É um técnico campeão do mundo!”. Hoje percebo como era equivocada minha maneira de pensar.

Oras, é necessário conhecer bem a pessoa que levará teu projeto. Os interesses, visões, métodos, modo de trabalhar e lidar com crises, etc. Sim, é necessário entrevistar treinadores, como qualquer outro profissional!

Mas lógico, só tem sentido entrevistar alguém se você tem ideia do que aquele cargo requer. Se tem ideia do teu próprio projeto. E o que vemos é que dirigentes brasileiros não têm a menor ideia do que querem, do que é um projeto de trabalho com filosofia, visão específica de futebol, começo, meio e fim. O que eles sabem é de resultados. Se ganhou, serve. Se perdeu, não serve.

Se Doriva ganhou cinco jogos com a Ponte Preta, serve para o São Paulo. Se tivesse perdido três, serviria?

O São Paulo contrata Doriva porque conhece a fundo seu trabalho ou porque conhece a fundo seus resultados?

O São Paulo tem um projeto, uma filosofia, uma crença, e acredita que Doriva tenha o perfil para dar continuidade no que foi iniciado por Osorio?

A resposta é simples: não.

E ninguém tem. Ou bem poucos têm. E, mesmo os que têm, sucumbem rapidamente quando chegam os maus resultados e as críticas de torcedores e jornalistas e jornalistas/torcedores.

O que os clubes fazem, via dirigentes, é inaceitável. O que os técnicos fazem não é o ideal e é criticável, mas é compreensível.

A Ponte, que mandou embora Guto, vai reclamar da saída de Doriva? Doriva, que largou a Ponte, cai reclamar quando for demitido pelo São Paulo no ano que vem ou no outro? O São Paulo, que roubou Doriva da Ponte e mandou 200 técnicos embora recentemente, vai reclamar de Osorio?

E a vida segue, com esse ciclo lamentável de instabilidade e busca exclusiva de resultados, não de trabalho consistente e bem feito.

Há maneiras de minimizar isso?

Certamente. Uma é a responsabilização dos dirigentes pelas finanças dos clubes e a cobrança, por parte do Estado, de quem deve os tubos para ele (para nós, portanto). Se a parte financeira fosse tratada de forma séria, como a de qualquer empresa, a bagunça seria menor.

Outra seria proibir treinadores de atuarem em dois clubes no mesmo campeonato.

Se ele deixar um clube, não poderá assumir outro do mesmo campeonato e terá de pagar uma multa grande – por exemplo, devolver o próprio valor de salário acordado até o fim do contrato.

Se um clube demitir um técnico, terá de pagar os salários até o final do contrato na hora, à vista.

Se o mercado fosse menor, clubes não sairiam mandando treinadores embora com a atual facilidade.

É claro que logo o “jeitinho brasileiro” iria entrar em ação. Clubes iriam contratar auxiliares, tendo o treinador fulano por trás de tudo. Mas há maneiras de fazer com que esse esquema seja problemático. Basta exigir transparência nas finanças dessas instituições.

Sinceramente, não acho que nada disso vá acontecer. Porque para dirigentes e mesmo na cabeça de muitos treinadores é conveniente que continue a dança das cadeiras.

Somos uma sociedade em que cada um cuida do seu e ninguém está nem aí para o outro. Por que no futebol seria diferente?

É o 7 a 1 eterno.

 


Brasileirão, rodada 25. Corinthians e Palmeiras são as barbadas
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juliogomes

Na rodada 23, acertei 5 de 10. Lamentável. Na rodada 24, me recuperei. Agora, chegou a 25! Leia, aposte na Loteria Esportiva e depois me conte como foi.

CORITIBA X INTER
Couto Pereira, sábado, 18h30

O Coritiba vive seu melhor momento no campeonato, o que coincide com a chegada de Ney Franco. O Inter está num ganha e perde danado com Argel. Não gostei da postura fora de casa contra Avaí e São Paulo e não vejo por que será diferente desta vez. O Inter ainda não é confiável e especula demais fora. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X FIGUEIRENSE
Allianz Parque, sábado, 21h

Uma das barbadas da rodada. Depois do ótimo jogo contra o Corinthians, não teria como o Palmeiras repetir a dose com 536 desfalques contra o Inter. Muitos titulares voltam, é um jogo em casa e que mantém o time na briga pelo quarto lugar. Pode ser o grande beneficiado da rodada, já que outros concorrentes têm partidas bem mais duras, como veremos abaixo. Previsão: PALMEIRAS.

CORINTHIANS X JOINVILLE
Itaquera, domingo, 11h

Finalmente o Corinthians joga de manhã. E logo contra um adversário que foi obrigado a jogar na quinta-feira à noite. Será ataque contra defesa e, no momento em que “abrir a lata”, o Corinthians dominará com facilidade. Não duvido que o Joinville venda caro, mas é a barbada do domingo. Previsão: CORINTHIANS.

PONTE PRETA X SANTOS
Campinas, domingo, 11h

Como já disse semana passada, esses jogos do domingo cedo, pelo clima, horário pouco usual, etc, costumam ter resultados estranhos. O Santos é o favorito, apesar de castigado pelo calendário. É um time em ótima fase e em busca de uma improvável vaga na Libertadores. Mas a Ponte está à beira do abismo depois da absurda demissão de Guto Ferreira. Vai conseguir um ponto em casa, até porque tem como hábito complicar a vida do Santos em Campinas. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-PR
Maracanã, domingo, 16h

Eu não me deixo levar pela vitória do Vasco em Campinas. Time ruim é time ruim, não sai ganhando duas, três, quatro seguidas em um campeonato em que nem os líderes conseguem fazê-lo. O Atlético Paranaense é franco favorito, ainda mais no Maracanã, onde enfrentará o Vasco pela primeira vez. Em São Januário, nunca venceu. Na história. Eu já disse que acredito em retrospecto, né? Previsão: EMPATE.

GRÊMIO X SÃO PAULO
Arena Grêmio, domingo, 16h

Já apostei contra o Grêmio na semana passada e não repetirei o erro, ainda mais depois da ótima atuação em Itaquera e da debacle são-paulina em Santos. Não vejo o Grêmio na disputa pelo título, ainda que a matemática me desminta. Vejo o Grêmio juntando pontos que serão preciosos lá na frente, quando voltar à mais realista batalha pela Libertadores. Previsão: GRÊMIO.

CRUZEIRO X ATLÉTICO-MG
Mineirão, domingo, 16h

É o jogo da rodada e que pode ter consequências gigantes para a disputa do título. Uma vitória contra o maior rival mantém (provavelmente) o Atlético a três pontos do Corinthians e dá um impulso anímico importante depois de o time passar por uma fase instável no campeonato. Por outro lado, a derrota pode ser decisiva, devastadora. Para o Cruzeiro, vencer é atrapalhar muito a briga do rival e seria um passo gigante (definitivo) na luta pela salvação. O clássico mineiro tem tido poucos empates nos últimos anos e uma pequena superioridade atleticana. Acredito que o campeonato seguirá vivo. Previsão: ATLÉTICO.

CHAPECOENSE X FLAMENGO
Chapecó, domingo, 16h

O Flamengo é quem menos empata no campeonato e vive essa fase tremenda desde a chegada de Oswaldo. Mas tem três desfalques importantes e enfrenta uma Chapecoense precisando de pontos para não cair de vez na briga do rebaixamento. Chapecó é um lugar duro de ganhar. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X GOIÁS
Ressacada, domingo, 18h30

É verdade que o Goiás vive um momento melhor no campeonato. Só que isso aqui é vida ou morte para o Avaí. Está começando a se descolar dentro do Z-4 e é vencer ou vencer em um duelo contra concorrente direto. Fator campo faz a diferença. Previsão: AVAÍ.

SPORT X FLUMINENSE
Arena Pernambuco, domingo, 18h30

Na semana passada eu disse que a previsão racional para Sport e Santos seria o empate, mas que tinha um feeling que o Sport quebraria a série de jogos sem vencer. Pode repetir tudo, só muda o adversário. O racional é o empate. Mas meu palpite é outro. Previsão: SPORT.

E para você? O que vai dar nessa rodada?


Brasileirão, rodada 23. Previsões ousadas e diferença inalterada na ponta
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juliogomes

Seco pra você! Quem ganha, quem perde?

A bola de cristal está limpinha. Quer ver? Isso é o que acredito que vá acontecer na rodada do Brasileirão:

SÃO PAULO X INTERNACIONAL
Morumbi, sábado, 19h30

São Paulo com 557 desfalques, sem seu melhor jogador (Pato). O histórico recente em jogos pelo Brasileiro com mando do São Paulo é extremamente favorável ao Inter (três empates e duas vitórias coloradas). Se o Inter ganhar, entra de vez e com força na briga pelo G-4. Ainda não acho, no entanto, esse time tão confiável assim. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-MG
Maracanã, sábado, 19h30

Lanterna e rebaixado contra vice-líder buscando o título. Palpite fácil, certo? Sei não… O Vasco já caiu, mas alguma satisfação tem de dar a seus milhões de torcedores. E o Galo anda muito nervoso, com certa razão até, mas de tal forma que parece não estar olhando para os problemas no campo. Será que desde quinta-feira os jogadores pensaram e falaram mais de árbitros ou mais do Vasco? Atlético não vence o Vasco no Rio desde 2002 (desde então, seis vitórias vascaínas e três empates). Última vitória no Maracanã foi em 95, pela Copa do Brasil – Levir Culpi era o técnico! Última vitória do Galo sobre o Vasco no Maracanã em Brasileiros foi em 1987, há 28 anos. Eu acredito em histórico e falta de foco. Previsão: EMPATE.

ATLÉTICO-PR X JOINVILLE
Arena da Baixada, sábado, 21h

O Furacão acaba de entrar no G-4 e está jogando com consistência. Na minha visão, a maior barbada da rodada. Previsão: ATLÉTICO-PR.

CRUZEIRO X FIGUEIRENSE
Mineirão, domingo, 11h

O único jogo do Cruzeiro às 11h até agora? Derrota em casa para a Chapecoense. A vitória sobre a Ponte no meio de semana foi importantíssima para dar um alívio ao Cruzeiro, mas teve certo componente de sorte. Acredito que o embalo com técnico novo e o dia a menos de folga que teve o Figueira serão os fatores fundamentais para o magro 1 a 0. Previsão: CRUZEIRO.

CHAPECOENSE X PONTE PRETA
Chapecó, domingo, 11h

Já repararam que os jogos das 11h de domingo sempre têm muito 0 a 0? Salvo algumas exceções, são jogos de poucos gols – e o horário é uma explicação para isso. A Ponte está sofrendo, mas a Chapecoense não vive seu melhor momento. É o “oxo” da rodada. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X CORINTHIANS
Allianz Parque, domingo, 16h

Para mim, o jogo de previsão mais complicada do fim de semana. O Palmeiras entrou em uma fase de instabilidade, o que torna mais difícil prever os acontecimentos. O Corinthians segue com consistência na liderança e tem a volta de Renato Augusto. Não sei por que, mas algo me diz que teremos mais uma arbitragem para dar o que falar – como sempre. Previsão: EMPATE.

FLUMINENSE X FLAMENGO
Maracanã, domingo, 16h

A fase do Flamengo é superior, o rubro-negro está embalado. O Fluminense, além de estar colecionando maus resultados, pode ter a volta de Ronaldinho – o que me parece ser mais má do que boa notícia. Fred, sim, é quem faz falta. Previsão: FLAMENGO.

GRÊMIO X GOIÁS
Arena Grêmio, domingo, 16h

Últimos três jogos entre eles: três empates. Retrospecto em Porto Alegre nos últimos 20 anos: quatro vitórias gremistas, cinco empates e quatro vitórias do Goiás. É inegável que o Grêmio costuma ter uma pedra esmeraldina no sapato. Além disso, são muitos os desfalques (incluindo Luan, o jogador mais brilhante do time) e o fato de ter um dia a menos de descanso, neste momento do campeonato, tem mais relevância do que parece. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X CORITIBA
Ressacada, domingo, 16h

Um dos jogos mais imprevisíveis da rodada e que reúne dois times na zona de rebaixamento, com a famosa água no bumbum. O Coritiba cresceu com a chegada de Ney Franco e passou a apresentar resultados melhores – são cinco jogos sem derrotas, lá se vai um mês. É que são muitos empates, então fica difícil andar para frente. O Avaí só leva mais gols que o Vasco no campeonato. Previsão: CORITIBA.

SPORT X SANTOS
Ilha do Retiro, domingo, 18h30

O Sport não vence há um mês e meio, foram cinco empates e três derrotas no período. É, disparado, quem mais empata no campeonato. Nunca achei que o Sport brigaria por G-4, mas é um time bem armado, com técnico há algum tempo no comando e estas sequências ruins acontecem sempre em um campeonato equilibrado como o Brasileiro. Logo, logo, se mantiver a calma, reencontra o caminho. O Santos é o time mais quente do campeonato. Mas jogou na quinta, antes da longa viagem a Recife, e não tem dois dos “moleques” que mais brilham. O mais óbvio e racional seria prever um empate aqui. Mas algo me diz que a Ilha fará a diferença. Previsão: SPORT.

Sim, sim, sim, podem reclamar, xingar, esbravejar e até… concordar, ora pois! Deixe tuas previsões aqui no blog você também!


Jogos de quarta decidem mais o Brasileirão do que os do fim de semana
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juliogomes

Responda rápido: quais jogos são mais importantes para a definição do campeão brasileiro de 2015? Os jogos da rodada do fim de semana ou os desta quarta-feira?

Oras, a que importa mais é a que vale pontos para o campeonato, certo?

Errado.

O campeonato é diferente. Mas a rodada de quarta-feira, com cinco grandes clubes em campo pela Copa Libertadores da América, tem consequências mais importantes para o Brasileirão do que a primeira rodada do próprio campeonato, disputada neste fim de semana que passou.

Vejam. Não é novidade que campeões da Libertadores “desistam” rapidamente do Brasileiro, guardando (de forma discutível) foco e energia para a disputa do Mundial, no fim do ano. Mas não é só o campeão, não. Um levantamento deste blog mostra que chegar à semifinal da Libertadores já é “distração” suficiente para tirar times da briga doméstica.

Antes do início do Brasileiro, Corinthians e Internacional dividiam a maioria das opiniões dos especialistas sobre quem teriam mais chances de conquistar o título nacional em 2015. São Paulo e Atlético Mineiro correm por fora, mas aparecem entre os favoritos de muitos. E o Cruzeiro, apesar de desconstruído, é o atual bicampeão, fato que não pode ser desconsiderado.

Os cinco jogam a vida na Libertadores nesta quarta-feira. Dois ou três deles passarão para as quartas de final. E, depois, os mesmos dois ou três podem ir para as semifinais. Será que o time que for tão longe assim na competição sul-americana poderá continuar sendo cotado para a disputa nacional?

Aparentemente, debater o favoritismo deste ou daquele neste momento é inútil, enquanto o destino de todos eles não for definido na América.

Desde que o modelo de pontos corridos foi implementado como fórmula de disputa no Brasileiro, em 2003, seis dos doze campeões nacionais nem haviam disputado a Copa Libertadores a partir de sua fase de grupos, no primeiro semestre. Outros cinco campeões brasileiros não haviam passado da fase de quartas de final do torneio continental.

Apenas um time, no longínquo ano de 2006, foi longe na Libertadores (perdeu a decisão) e acabou sendo campeão brasileiro. O São Paulo, então detentor do título mundial (a lista de campeões nos pontos corridos está mais abaixo).

Lá se vão nove anos, portanto, desde que um time chegou pelo menos às semifinais da Libertadores e, na sequência da temporada, disputou efetivamente o título do Brasileirão (ver também lista no fim deste post para lembrar os desempenhos nos anos posteriores).

De 2007 para cá, nenhum time que tenha ficado entre os quatro da América, abdicando da força máxima no quarto inicial do Brasileirão, chegou perto do título nacional no fim do ano.

De forma simplista, podemos rotular como razão principal para isso o fato de jogadores titulares serem poupados nas primeiras rodadas.

Isso costuma acontecer também lá no fim do ano, quando outros times estão envolvidos com retas finais de Copa Sul-Americana e Copa do Brasil – não à toa, além de nunca um time ter sido campeão da Libertadores e do Brasileiro no mesmo, tampouco alguém fez uma dobradinha com Brasileiro e Sul-Americana. E o único campeão nacional e da Copa do Brasil no mesmo ano foi o Cruzeiro, em 2003, quando a Copa do Brasil foi decidida ainda em junho.

Essa coisa de clubes mandarem times reservas a campo é, na minha visão, uma das grandes distorções dos pontos corridos, esquecida pelos defensores deste modelo de campeonato. Que “justiça” tão perfeita é essa quando há tanta variação de estádios e times titulares e reservas?

Vamos a exemplos práticos em função da primeira rodada do Brasileiro.

O Atlético Paranaense é um time que, pelo menos na teoria, vai jogar o campeonato para não ser rebaixado. Ele teve a sorte de enfrentar, na rodada inicial, um time reserva do Internacional. E venceu por 3 a 0.

Será que outros candidatos ao rebaixamento vão enfrentar o Inter reserva em casa? É pura questão de sorte. E, invertendo, falando sobre a disputa pelo título. Será que outros times, ali na hora H do campeonato, vão perder pontos em Curitiba?

Cruzeiro e Corinthians se enfrentaram com times reservas e jogando em Cuiabá, em estádio neutro. Será que outros favoritos ao título terão a sorte de enfrentar o Cruzeiro longe do Mineirão e voltarão para casa com os três pontos?

O que aconteceu na rodada inicial do Brasileirão mostra como a tão falada máxima de que “todas as rodadas valem a mesma coisa” ou não é verdadeira ou não é levada a séria por muitos treinadores e dirigentes.

E esse fato, que é um fato, continuará acontecendo enquanto o Brasileirão tiver rodadas iniciais acontecendo ao mesmo tempo que as fases agudas da Libertadores.

No Brasileiro, o Corinthians ganhou um jogo que, a priori, não ganharia. E o Inter perdeu um que, a priori, não perderia. Será que esses resultados serão decisivos lá no fim?

Pode até ser que sim. Mas, para efeitos de disputa de título, é mais provável que os jogos de quarta-feira, do Corinthians contra o Guaraní do Paraguai e do Inter contra o Atlético Mineiro, sejam mais importantes para o futuro do campeonato.

Ainda que o campeonato seja outro.
Campeões brasileiros nos pontos corridos:
(entre parênteses, o desempenho na Libertadores do mesmo ano)

2003 – Cruzeiro (não jogou)
2004 – Santos (caiu nas quartas)
2005 – Corinthians (não jogou)
2006 – São Paulo (perdeu a final)
2007 – São Paulo (caiu nas oitavas)
2008 – São Paulo (caiu nas quartas)
2009 – Flamengo (não jogou)
2010 – Fluminense (não jogou)
2011 – Corinthians (caiu na fase prévia, não jogou fase de grupos)
2012 – Fluminense (caiu nas quartas)
2013 – Cruzeiro (não jogou)
2014 – Cruzeiro (caiu nas quartas)
Chegar à semi da Libertadores significa que…

2003 – Santos finalista da Libertadores. Foi vice do Brasileiro, longe do campeão;
2004 – São Paulo foi à semi. Foi terceiro no Brasileiro;
2005 – São Paulo venceu Atlético-PR na final. Acabou em 11º no Brasileiro; Atlético-PR em 6º;
2006 – Inter venceu São Paulo na final. Inverteram posições no Brasileiro;
2007 – Grêmio venceu Santos na semi, depois perdeu final. Grêmio foi 6º no Brasileiro; Santos foi vice, mas longe do campeão;
2008 – Fluminense foi finalista. Acabou em 14º no Brasileiro;
2009 – Cruzeiro venceu Grêmio na semi, depois perdeu final. Cruzeiro acabou em 4º no Brasileiro, Grêmio, em 8º;
2010 – Inter venceu São Paulo na semi e foi campeão. Inter foi 7º no Brasileiro, São Paulo foi o 9º;
2011 – Santos campeão. Foi 10º no Brasileiro;
2012 – Corinthians venceu Santos na semi e foi campeão. Acabou em 6º no Brasileiro; Santos em 8º;
2013 – Atlético-MG campeão. Foi 8º no Brasileiro;
2014 – Nenhum brasileiro chegou às semis.


Quem fez mais e quem fez menos do que o esperado no Brasileiro
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juliogomes

O Brasileiro acabou e é hora de avaliar. Quem foi bem? Quem foi mal? Abaixo, as avaliações deste blog.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM O ESPERADO:

Cruzeiro, Grêmio e Botafogo – Três clubes que eram apontados como candidatos à Libertadores da América. Eu não acreditava no Cruzeiro, achava que faria um campeonato tipo “pasmaceira” e já admiti este erro algumas vezes nos últimos meses. Para mim, o Mineiro não era parâmetro. Julguei mal. As contratações vieram e o Cruzeiro aproveitou bem o ano patético dos clubes mais ricos do país, que dominaram nos últimos anos (Corinthians, Fluminense-Unimed e São Paulo).

Credito o título à coragem de Marcelo Oliveira, que o tempo inteiro priorizou o ataque, mesmo em momentos do campeonato em que administrar vantagem seria o caminho natural. Cair cedo na Copa do Brasil também foi ótimo nesse sentido. Foi campeão com sobras.

O Grêmio era um dos meus favoritos e acabou com o vice-campeonato. E o Botafogo, campeão carioca com antecipação, era candidatíssimo à Libertadores. Acabou em quarto lugar, um resultado gigantesco dadas as perdas ao longo do campeonato. Agora é esperar pela Ponte Preta para confirmar a vaga na maior competição continental.

 

DESTAQUES QUE FIZERAM MAIS DO QUE ESPERADO:

Atlético-PR, Vitória e Goiás – No Brasileiro dos pontos corridos e distribuição absolutamente injusta do dinheiro da TV, clubes como estes três entram para não cair. Entram para ficar na primeira divisão, onde não estavam no ano passado. Portanto, acabar entre os seis primeiros é um resultado para lá de espetacular.

O Atlético deu o pulo do gato ao fazer uma gigante pré-temporada, abrindo mão do Campeonato Paranaense – não tenho dúvidas de que fará escola no ano que vem. Não era time para acabar o Brasileiro em terceiro lugar, mas foi o time que mais voou fisicamente ao longo do ano e acumulou pontos no momento em que todos os outros ficaram de língua de fora.

O Vitória acumulou gordura no início do campeonato e, assim como o Bahia, caminhava para onde se esperava, a briga lá na rabeira. Mas aí a diretoria mandou Caio Júnior embora, o que me pareceu bastante injusto. Só que a chegada de Ney Franco não só tirou o Vitória da rota decadente como fez do time o baiano o melhor do segundo turno, junto com o Cruzeiro. É raro, mas às vezes a troca de técnico dá certo mesmo, e foi o caso do Vitória.

 

A PASMACEIRA VÁLIDA:

Santos, Atlético-MG e Flamengo – O Santos fez o campeonato que eu esperava, sem brigar em cima nem em baixo. Sem Neymar, poderia ter sido muito pior. Para mim, a diretoria do Santos erra feio ao dispensar Claudinei Oliveira. Por que não investir? Por que não mandá-lo para um belo aprendizado de um mês na Europa? Por que gastar os tubos com um técnico “medalhão” quando se tem um ótimo achado dentro de casa, um técnico bom e barato?

O Atlético era time para disputar título e o faria se tivesse sido eliminado da Libertadores, por exemplo, naquelas quartas de final contra o Tijuana. O pênalti defendido por Victor valeria o título lá na frente e valeu um Brasileirão tranquilo para o Cruzeiro, porque o Galo estaria na briga. No fim, foi um Brasileiro honesto, sem sustos, com alguns bons jogos. Tem que tomar cuidado para não cair na armadilha de Fluminense e Corinthians no ano que vem, pensar em renovar elenco e trazer peças novas e motivadas.

O Flamengo era outro que tinha a pasmaceira prevista. Sempre acreditei em um campeonato de meio de tabela e foi lá que o Flamengo ficou o tempo todo. Teve margem para priorizar a Copa do Brasil e saiu com uma vaga na Libertadores que ninguém acreditava. Ano para comemorar.

 

FAVORITOS QUE FORAM AS GRANDES DECEPÇÕES:

Fluminense, Corinthians, São Paulo e Internacional – Antes do início do campeonato, Fluminense e Corinthians estavam na minha lista de favoritos ao título, junto com Atlético-MG e Grêmio. São Paulo e Internacional estavam na minha lista dos que iriam brigar por Libertadores, junto com os quatro citados mais o Botafogo. Falar o que dessa turma??

O Fluminense conseguiu dar um vexame ainda maior do que o Corinthians, porque acabou rebaixado. O Corinthians era, por investimento, estabilidade, elenco, o favorito maior ao título. Errei feio ao prever que ele não só viria, mas viria com facilidade. O Corinthians fez míseros oito gols no segundo turno inteiro, sofreu com um jogo taticamente manjado, defensivo demais, e a saída de Paulinho e lesões de Guerrero e Renato Augusto não ajudaram. Se tivesse mandado Tite embora, talvez tivesse até brigado no rebaixamento, como o Fluminense.

O São Paulo foi o quarto melhor do segundo turno. Clube rico é assim. Se as coisas dão errado, se a instabilidade política e a guerra de egos causam tropeços dentro de campo, você vai lá, abre o talão de cheques e traz o Muricy Ramalho para resolver a parada. Resolveu. É o poder do dinheiro, é a razão pela qual, com o São Paulo afundado no Z-4, eu apostei meu dedo que não cairia. Era elenco para disputar a Libertadores, acabou se livrando do sofrimento e olhe lá.

O Internacional, nem isso. Ainda precisou de um pontinho na última rodada para se livrar do rebaixamento. Uma temporada ridícula do Inter que ou não deveria ter contratado Dunga (se seu perfil não agrada, dava para saber disso antes) ou não deveria tê-lo demitido. Que deixassem trabalhar em um prazo longo, de dois a três anos. Outro clube que tem de repensar muita coisa após montar um elenco caro como esse e fazer uma campanha patética – de novo.

 

GANHARAM A BRIGA DELES, CONTRA A DEGOLA:

Portuguesa, Bahia, Coritiba e Criciúma – Assim como Atlético-PR, Vitória e Goiás, eram quatro clubes que entravam com o único objetivo de não cair. Os três citados fizeram mais do que o esperado e brigaram lá em cima. Já Lusa, Bahia, Coritiba e Criciúma ficaram lá na parte baixa mesmo, mas conseguiram cumprir e são times de primeira divisão. Portuguesa, Bahia e Criciúma eram, ao lado do Náutico, os quatro mais fortes candidatos ao rebaixamento na minha avaliação em maio.

O Coritiba poderia ter feito um campeonato mais “pasmaceira”, era o que eu esperava. Na minha opinião, os pontos acumulados no início serviriam para que este fosse um Brasileiro tranquilo, de meio de tabela. E seria, não tivesse a diretoria tomado a estúpida decisão de mandar embora Marquinhos Santos, que é bom treinador. A queda de rendimento devia-se às lesões e ao campeonato estilo maratona. Mas a diretoria agiu com o fígado, diante do bom momento do rival Atlético, e fez uma bobagem atrás da outra. No fim, ainda deu para se salvar do pior.

O Criciúma também usou e abusou dos erros e trocas de treinadores. Possivelmente teria caído, não fosse o “derretimento” do Fluminense na reta final e aquelas vitórias em Curitiba e contra um São Paulo mortinho, mortinho. A Portuguesa jogou o primeiro quarto de campeonato sem técnico, tirou a sorte grande ao encontrar este ótimo Guto Ferreira e os gols de Gilberto. Abrir mão da Sul-Americana foi um acerto. A Lusa fez 4 (de 36) pontos contra os seis primeiros do campeonato, mas fez 20 (de 30) contra os cinco últimos. Ou seja, perdeu dos bons, ganhou dos ruins, não teve boa gestão, estádio cheio, sorte e nem ponto de graça da arbitragem, mas conseguiu se manter de novo. Um milagre.

Já o Bahia acertou ao manter Cristóvão Borges, também muito bom técnico, mesmo quando a água começou a bater no traseiro. Decisão corajosa e acertada. Cristóvão pegou um clube morto após o Estadual e fez um campeonato para lá de digno.

 

PERDERAM A BRIGA QUE ERA DELES DESDE O INÍCIO:

Vasco, Ponte Preta e Náutico – O Vasco era o único grande (dos 12 de SP, RJ, MG e RS) que eu considerava, desde o começo, candidato forte ao rebaixamento. E não deu outra. Não tem muito o que falar. O Vasco é uma instituição quebrada, mal administrada e que precisaria fazer tudo direitinho ao longo do campeonato. Demitir técnicos não é exatamente o caminho adequado. era time para cair e caiu mesmo. Não acredito em uma Série B tão amena e em comunhão com a torcida, como foi em 2009. O Vasco tem de sacudir a poeira e entrar em uma nova era. Sem Eurico, pelo amor de Deus.

A Ponte poderia até ter se livrado, como fizeram os times do grupo acima, mas errou ao mandar Guto Ferreira embora muito cedo e se complicou fisicamente com a linda aventura na Sul-Americana. Venha ou não venha o título, valeu à pena. Cair e subir fará parte da vida da Ponte ao longo dos anos, mas o que o torcedor viveu e ainda está vivendo, não tem preço. O Náutico entrou rebaixado e caiu no meio do campeonato. Foi mais um que fez o que dele se esperava.

 

2014:

Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio são, a priori, times brasileiros com mais chances na Libertadores do que Flamengo, Atlético-PR e Botafogo ou Ponte. É um torneio de mata-mata, onde tudo pode acontecer, e todos sabemos que o sucesso nesta competição traz consequências ao Brasileirão.

O Corinthians, com Mano, e o São Paulo, com Muricy, serão candidatos ao título nacional. Santos e Palmeiras prometem ficar ali na pasmaceira o ano todo.

Dos que não fazem parte do G12, que será G10 na primeira divisão, o negócio é não cair. Quem souber dar o pulo do gato físico, como fez o Atlético-PR, e controlar os instintos de sair mandando técnico embora, pode fazer um campeonato estável e até sonhar com alguma coisa melhor. Quem cometer os velhos erros e for enganado (para bem ou mal) pelos Estaduais, estará na zona do perrengue sempre.

Vasco e Fluminense, assim como o Palmeiras, têm mais dinheiro da TV do que os outros 18 clubes da Série B juntos. Têm a obrigação de subir e provavelmente o farão. Mas, antes disso, viverão um aninho no inferno. Aqui se faz, aqui se paga.