Blog do Júlio Gomes

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Humildade em falta nas análises de Rogério e sobre o Palmeiras
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No domingo, São Paulo e Palmeiras levaram chacoalhadas importantes. A classificação de ambos para a final do Paulistão ficou muito, muito difícil. Por mais que se fale que o Paulistão não vale nada, o fato é que o torcedor adora ganhar de seus maiores rivais. O São Paulo está na fila desde 2005, o Palmeiras só ganhou um dos 20 últimos estaduais que jogou, e o Paulista acaba sendo uma prova importante para técnicos “novatos”.

Rogério Ceni nunca se notabilizou na carreira de goleiro pelo excesso de humildade. Foram raras as falhas admitidas. Como treinador, apesar de ainda ser um estágio muito inicial, o caminho vai sendo parecido.

Mano Menezes, após a vitória cruzeirense no Morumbi na última quinta-feira, disse que “o futebol nos dá lições de humildade a cada dia”.

O jogo de quinta foi horrível. O resultado mais justo seria o 0 a 0, mas o Cruzeiro teve lá seus méritos ao achar dois gols de bola parada. No domingo, o São Paulo voltou a enfrentar um rival bem postado defensivamente. O mundo sabia que o Corinthians faria o que fez. E o time de Ceni voltou a levar um 0 a 2 na tampa.

Assistindo às coletivas de Ceni após o jogo, percebe-se uma dificuldade para admitir os problemas importantes do São Paulo. O discurso de quinta foi repetido no domingo.

As declarações do técnico sobre a postura de Cruzeiro e, depois, Corinthians, passam para alguns um tom de menosprezo. A impressão que muitos têm, ouvindo Rogério, é de que o São Paulo dominou ambos os jogos, massacrou e perdeu por puro azar, por lances fortuitos dos adversários.

Não foi bem assim. O São Paulo foi bem marcado por ambos e ofereceu pouca dificuldades para os sistemas defensivos bem postados de Mano e Carille. Apresentou futebol pobre. Foi um time de pouca movimentação, pouca velocidade, poucas associações, poucas jogadas, muito chuveirinho. Cássio ainda fez boas defesas para o Corinthians, já o Cruzeiro só precisou afastar cruzamentos.

O que Rogério Ceni quer implantar no São Paulo é louvável. Não é fácil! O Real Madrid, com o elenco que tem, vive sérios problemas de criação de jogo e é ultradependente de bolas paradas. Construir é dificílimo, ganhar com um estilo próprio é algo que requer tempo.

É muito bom que um técnico novo e inegavelmente influente e inteligente queira implementar um futebol ofensivo, de posse e qualidade. O Brasil precisa disso.

Os que acompanhamos mais de perto o futebol de altíssimo nível técnico e tático jogado na Europa estamos sedentos por algo assim no Brasil. Chega de resultadismo. Times precisam buscar identidade e desempenho, e é isso que Rogério tenta.

Mas não funcionou contra o Cruzeiro nem contra o Corinthians. É normal que não funcione. Falta tempo, faltam peças, faltou até sorte nos jogos. E faltou Rogério reconhecer, pelo menos de forma mais contundente, os méritos e virtudes das propostas adversárias, os erros e falhas da proposta dele. O discurso transparece certa arrogância, pouca humildade.

Como pouco humildes são os que colocam esse elenco do Palmeiras na estratosfera.

E aqui quero deixar claro que não vejo ninguém do próprio Palmeiras, nem técnico nem jogadores, adotar postura de arrogância e superioridade.

Mas é incrível como muitos colegas jornalistas e torcedores estão falando do Palmeiras como se fosse um Real Madrid ou um Barcelona. Calma lá!

Sim, é verdade que o elenco do Palmeiras é mais farto que outros. Fartura e quantidade não significam que haja esse abismo todo de qualidade. Eu não me espanto pelo Palmeiras ter sofrido tanto para vencer seus dois jogos em casa pela Libertadores e nem que tenha levado três da Ponte Preta.

Será que o 11 do Palmeiras é tãããão melhor assim que o da Ponte? Calma lá! Nada que um bom sistema defensivo, com contra ataques bem armados, não possa resolver. Já faz muito tempo que o futebol sul-americano está nivelado, sem um time dominante.

“Se o Barcelona conseguiu reverter contra o PSG, por que o Palmeiras não pode reverter contra a Ponte?”

Vocês duvidam que ouviremos a frase acima ao longo da semana?

Pois é.

Parece que querem criar um Palmeiras dominador que ainda está muito distante da realidade.

O risco é o torcedor acreditar mesmo que haja tal superioridade. E cobrar de time e técnico o que eles não poderão entregar. Talvez a sova de Campinas venha em boa hora para o futuro do Palmeiras no ano.

 


Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Palmeirenses tinham obrigação de avisar o juiz do erro ao expulsar Gabriel
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O árbitro Thiago Duarte Peixoto fazia uma bela partida em Itaquera. Era o melhor em campo, até. Em um horroroso Corinthians x Palmeiras, que não honrou toda a ação que os clubes fizeram antes da partida, com vídeos bonitos, times perfilados de forma intercalada para o hino nacional, etc.

O jogo começou violento. Com atletas pouco preocupados em jogar bola, mais preocupados em jogar para a torcida (única). Carrinhos e mais carrinhos. Incrível a necessidade de mostrar “raça” hoje em dia.

E o árbitro conseguiu controlar o ímpeto violento inicial. Não contemporizou. Amarelo para Felipe Melo, amarelo para Raphael Veiga, amarelo para Gabriel (com uma jogada de atraso, mas OK, foi dado). Segurou o jogo. A partir daí, a violência diminuiu. Continuamos sem ver bola, porque aí já é pedir demais no nosso futebol. Mas o árbitro controlou a coisa.

Infelizmente, no finalzinho do primeiro tempo, cometeu um erro. Um erro que certamente terá grandes consequências para ele na carreira.

Quando Keno avançou no campo de ataque palmeirense, foi seguro por Maycon. Era amarelo para Maycon e segue o jogo.

Mas, no momento em que apita a falta, o árbitro Thiago Duarte Peixoto olha para o lado esquerdo. Quando olha para a jogada de novo, Maycon havia saído de cena e Gabriel estava no lugar em que Maycon estaria, não tivesse continuado correndo.

Não quero aqui minimizar o erro. Mas os caras são até parecidos no porte físico, tem uma barbicha parecida. O juiz obviamente não olhou o número 30 às costas de Maycon no momento da falta. Ele se confundiu, nada mais do que isso. E expulsou Gabriel.

Os jogadores do Corinthians tentaram desesperadamente avisá-lo do erro.

O que mais me incomodou no lance foi ver todo o banco palmeirense e também alguns jogadores tentando evitar que alguém passasse a informação correta para o árbitro ou para o quarto árbitro. Tentando evitar a tal “interferência externa”.

O que é pior? A irregularidade da interferência externa para ajudar o árbitro em um lance em que não há margem para dúvida? Ou a irregularidade de expulsar um jogador que não merecia ser expulso?

Oras.

Na boa? Podem me chamar de exagerado. Mas é por essas coisas que temos a sociedade que temos.

O que é certo é certo, oras. Keno até pode ser perdoado, estava de costas no momento em que sofre a falta. Mas ninguém mais viu que foi Maycon, e não Gabriel, até outro dia companheiro desses palmeirenses todos, que fez a falta? Dudu, por exemplo, estava de frente para o lance.

Será sonhar demais esperar pelo dia em que o banco do Palmeiras será o primeiro a avisar o juiz de seu erro?

A lisura não é mais importante do que a vitória? O que é certo não é certo e ponto final?

Não, não estou dizendo que “se fosse ao contrário” o banco do Corinthians faria de outra forma. Acho até que não. Mas isso pouco importa. É infantil ficar usando o argumento do “se fosse ao contrário”. Assim como é infantil comparar com um lance de pênalti em que o árbitro é “enganado” pelo atacante. São naturezas bem diversas. O futebol é um jogo de engano mesmo, mas não esse tipo de engano.

Será que nunca vamos entender que fazer as coisas certas é o mais importante nessa vida? Que ganhar não é tudo?

O juiz errou feio. Por mais que seja “ao vivo”, tudo muito rápido, etc, ele é treinado e tem técnicas para não cometer esse tipo de erro. Mas errou, oras. Como todos nós erramos. Uma imagem da Globo que permitiu leitura labial mostrou que o quarto árbitro avisou: “não foi o Gabriel!”. Errou de novo ao não confiar no colega (se é que ouviu o colega).

No fim, foi salvo pelo resultado. O Palmeiras achou que ganharia a qualquer momento, perdeu chances no segundo tempo e, no único bom contra ataque do Corinthians, após um erro grotesco de Guerra, Jô fez o gol da vitória. O Corinthians mereceu por ter mostrado mais vontade em campo.

Mas, pior que o erro do árbitro, foi o erro de quem não ajudou a consertar.

Em um jogo sem a menor importância para o campeonato, convenhamos.

Imaginem que linda seria a cena de alguém do Palmeiras avisando o árbitro do erro? Iria rodar o mundo, seria um exemplo de fair play. Quem estava vestido de verde, percebeu o erro e não falou nada perdeu uma grande chance na vida.


Palmeiras, Argentina, 2016: o ano das conquistas “impossíveis”
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Muitos gostaram de 2016, algumas milhões de pessoas. Outros tantos milhões detestaram e não veem a hora de o ano acabar. O que é quase unânime, no entanto, é que 2016 foi o ano das conquistas que não achávamos que veríamos na vida.

No futebol europeu, tivemos a história mais surreal desde a lei Bosman, a União Europeia e o futebol globalizado: Leicester campeão inglês. No meio do futebol milionário dos elencos estrelados, o pequenino Leicester chegou lá.

O Atlético de Madri bateu na trave na Champions League, perdeu nos pênaltis para o Real Madrid a grande decisão.

Entre as seleções, em uma Eurocopa com a campeã do mundo Alemanha, a anfitriã França e as camisas pesadas da Itália e da Espanha, o título acabou com Portugal. O primeiro título da história da seleção portuguesa e ainda por cima sem Cristiano Ronaldo durante quase toda a partida final.

O título chileno na Copa América só não foi daqueles “impossíveis” porque repetiu o que ocorrera em 2015. Mas o futebol sul-americano teve a seleção brasileira conquistando a medalha de ouro olímpica pela primeira vez na história, em pleno Maracanã. O título que faltava.

A Copa Libertadores da América teve uma final sem um brasileiro ou um argentino pela primeira vez em 25 anos. O Atlético Nacional deu o primeiro título e um clube da Colômbia desde 2004, batendo o incrível Independiente del Valle, do Equador, na decisão. O Atlético Nacional de Medellín ainda pode ganhar a Sul-Americana e ser o primeiro clube a fazer o doblete no continente.

Se não for campeão, terá sido a Chapecoense, um título não menos “impossível”.

No futebol brasileiro, o domingo consagra o Palmeiras, campeão brasileiro pela primeira vez desde 1994. Eram 22 anos de fila e, com rebaixamentos no caminho, eliminações humilhantes para times minúsculos e até goleadas para clubes do naipe do Mirassol, parecia que o Palmeiras não voltaria a ser o gigante que é.

Mas voltou.

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Além do Palmeiras, o domingo nos reservou também o título da Argentina na Copa Davis. Inédito. Na Croácia, fora de casa, com 2 jogos a 1 contra e 2 sets a 0 para o croata Cilic contra o argentino Del Potro no jogo 4. Del Potro virou seu jogo para 3 a 2, Delbonis ganhou o quinto ponto e o milagre foi consumado diante dos olhos de Maradona e milhares de argentinos em plena Croácia.

Não foi só no tênis, entre os outros esportes, que milagres aconteceram.

Na NBA, o Cleveland Cavaliers, de Lebron James, foi campeão com uma virada inacreditável na série final contra o Golden State Warriors. Cleveland era a cidade americana havia mais tempo sem um título das grandes ligas do país: 52 anos. Lebron fez o impossível para sua cidade.

No beisebol, o maior tabu da história dos esportes caiu. O Chicago Cubs, após 108 anos, rebateu para longe todas as maldições escritas ao longo de mais de um século. Quantas gerações nasceram e morreram sem ver os Cubs campeões?

Felizes ou tristes, os fãs de esportes, dos mais variados esportes, não podem negar: 2016 foi o ano mais surreal de todos até hoje.


Palmeiras liquida a fatura com outra vitória na marra
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A matemática pode falar o que ela quiser. Mas também é bem fácil só “cravar” alguma coisa no esporte quando a matemática comprovar a tese, certo? Então, mesmo que a matemática me desminta, o fato é que o Palmeiras, com a vitória sobre o Inter neste domingo, liquidou a fatura no Brasileirão na visão deste blog. Pá de cal na concorrência.

Foi um jogo duro, debaixo de chuva, contra um adversário moralmente recuperado, que joga melhor do que jogava mês e pouco atrás e que estava disposto a conseguir um empate no Allianz. Vitória de campeão, na marra.

Desempenho ruim? Sim. Já faz tempo que é assim. Mas isso é natural, em um campeonato nivelado. E, convenhamos, o Palmeiras não é esse timaço todo. Teve ótimo desempenho quando Gabriel Jesus fazia a diferença e no momento crucial do campeonato, o início do returno, com uma sequência duríssima. A partir daí, vira o resultado como quer que seja.

E o resultado tem sido conseguido nos jogos obrigatórios (Inter, Sport e Coritiba em casa, Figueirense, América-MG e Santa Cruz fora, tudo isso depois da sequência brava na tabela, tudo isso “na marra”). Cuca chamou de “jogo de gauchão” e mostrou muito alívio na entrevista pós-jogo. Ele sabe o tamanho da vitória.

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Vamos imaginar que dê tudo errado de agora até quinta-feira para o Palmeiras, quando o campeonato para por causa das eliminatórias. Que o Galo vença seus dois jogos (contra Coritiba e o próprio Palmeiras), Flamengo vença o América-MG na quarta e o Santos bata o Vitória na quinta. Neste cenário, que é até o mais provável, o campeonato ficaria assim: Palmeiras 70, Santos 67, Atlético-MG e Flamengo 66. Faltando somente três rodadas.

(Atualizando: o Galo perdeu do Coritiba e deu adeus ao título definitivamente, o que torna o jogo entre eles menor do que muitos pensavam que seria. Mesmo que vença o Palmeiras na quinta, o Atlético, com a cabeça na final da Copa do Brasil, ficaria 7 pontos atrás com três rodadas para o final)

Mesmo que perca em Minas, o Palmeiras teria direito a um empate nos três jogos finais, que são contra Botafogo em casa, contra Chapecoense em casa e contra o Vitória fora. Em relação ao Flamengo, o Palmeiras tem direito até a perder uma ou empatar duas.

O Santos tem Cruzeiro (fora), Flamengo (fora) e América-MG (casa). O Flamengo tem Coritiba (casa), Santos (casa) e Atlético-PR (fora). O Atlético-MG tem Santa Cruz (fora), São Paulo (casa) e Chapecoense (fora). A briga pelo segundo e terceiro lugares, que dão vaga direta à Libertadores, será fantástica. Mas será isso, briga por segundo e terceiro lugares.

A tabela do Palmeiras é melhor que a do Santos, que parece ser o único concorrente verdadeiro no momento e que pode ficar empatado com o Verde na tabela por ter mais vitórias.

Claro que o discurso será o do “não tem nada ganho”. Justo que seja assim. O discurso dos concorrentes será o do “ainda dá”. Justo que seja assim. A imprensa especializada em vender emoção venderá emoção. Justo que seja assim. A comemoração em São Paulo foi de título. E também é justo que seja assim.

O Palmeiras está na regressiva, não tem a menor pinta de que vá entregar o sonhado título de bandeja.


Atlético e Santos têm tudo para fazer semi na Copa do Brasil
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Foram definidas as quartas de final da Copa do Brasil. Todos queriam pegar o Juventude. Com todo respeito ao time que eliminou o São Paulo, segue sendo de terceira divisão (pode subir para segunda se passar do mata-mata que tem contra o Fortaleza na Série C).

E quem se deu bem foi o Galo. Apesar de decidir a vaga em Caxias, o Atlético Mineiro tem tudo para abrir boa vantagem na ida, semana que vem, e encaminhar a classificação para as semifinais. Marcelo Oliveira chegou a quatro das últimas cinco finais de Copa do Brasil – ganhou ano passado com o Palmeiras, perdeu com o Cruzeiro (2014) e duas vezes com o Coritiba (11 e 12).

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É um técnico com histórico muito bom na competição, pois. O sorteio ajudou. O Galo pode até estar ficando para trás no Brasileiro, mas está claro que vai para as cabeças na Copa do Brasil.

Uma semifinal está super desenhada entre Atlético e Santos.

O Santos enfrenta o Internacional. É verdade que o jogo de volta em Porto Alegre, mas isso, na verdade, me parece ser uma boa notícia para o Santos. O Inter vive um momento horroroso, mais um técnico balança, a preocupação é para evitar um rebaixamento que seria inédito. O Santos tem tudo para encaminhar o confronto semana que vem, se ganhar bem na Vila.

Atlético e Santos, pois, têm a faca e o queijo nas mãos para deixar quase garantida a vaga nas semis e poderem focar em buscar os líderes do Brasileiro no próximo mês (os jogos de volta são somente no fim de outubro).

Do outro lado da chave, tudo mais nebuloso. Grêmio e Palmeiras fazem primeiro jogo em Porto Alegre, volta em São Paulo. Corinthians e Cruzeiro abrem as quartas em Itaquera, decidem no Mineirão.

A tabela do Brasileiro, se servir como indicativo, aponta para Palmeiras e Corinthians como favoritos. Mas são duelos muito abertos. O Grêmio, apesar da grande crise, tem técnico novo, faz um jogo em casa meio que para “salvar o ano” semana que vem e, quando chegar a partida de volta, o Palmeiras pode estar totalmente focado em conquistar um Brasileiro que não ganha há 22 anos.

Já o Cruzeiro melhorou com Mano Menezes e, daqui a um mês, já deverá ter se afastado da briga contra o rebaixamento. O Corinthians nem saberemos se estará de técnico novo, disputando título ou G4, enfim.

A distância entre os duelos de ida e volta dilui – e muito – o suposto favoritismo de Palmeiras e Corinthians nestes dois duelos.

Palpite do blog: Atlético x Santos. Palmeiras x Cruzeiro. Final mineira. Calma. É apenas palpite. Deixe o teu aqui também.


Todos acertam na ida de Gabriel Jesus para o Manchester City
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Gabriel Jesus poderia ficar muitos anos no Palmeiras, como Neymar ficou no Santos. Ou poderia ter ido embora antes mesmo de se firmar no time titular. O primeiro caso foi exceção (e sabemos que muita gente se deu bem nessa exce$$$$$ção). O segundo caso, tem virado regra.

No caso de Gabriel, temos quase um meio termo. Ele terá um ano completo na elite do futebol brasileiro. Veste uma camisa grande, que tem uma rara chance real de ganhar o campeonato nacional após 22 anos. É o principal nome do time. Tem um peso grande nas costas. Ao final do ano, irá conviver com o sucesso ou o fracasso.

Muitos clubes europeus acabam não se dando conta disso. A importância desta vivência na carreira de um jogador. Muitos saem daqui muito jovens, vão sendo integrados tão aos poucos por lá que acabam sucumbindo no primeiro momento de grande pressão.

É claro que apostar quando o garoto ainda é muito novo representa gastar menos. E é claro que integrar um jogador mais novo pode ajudar taticamente. O garoto ainda não tem tantos vícios e pode ser mais bem moldado para o futebol moderno. Não são motivos pequenos. São revelantes. Mas considero inestimável o ganho de pegar um jogador com mais “casca”. Que já tenha sido elogiado e xingado, foco das atenções, testado técnica e emocionalmente.

Com a bagagem de uma Olimpíada em casa e se o Palmeiras conseguir se manter na briga pelo título até o final, Gabriel Jesus chegará ao City com uma bagagem interessante. Não tanto quanto a de Neymar. Mas interessante.

Para ele, será ruim chegar ao clube no meio da temporada? Se a expectativa for “chegar jogando”, sim. Se a cabeça for “se adaptar a tudo nos primeiros seis meses e começar a todo vapor a temporada 2017/2018, para arrebentar e ir à Copa do Mundo”, chegar em janeiro não é problema.

A Premier League é uma liga muito intensa, pegada e que não protege jogadores como Gabriel Jesus. Esse é um lado ruim. Na Inglaterra, a imprensa tem pouco acesso, não há a mesma “invasão” e a intensidade de elogios/críticas que vemos na Espanha, por exemplo. Esse é um lado bom.

Mas bom mesmo, o melhor de tudo para Gabriel Jesus, é trabalhar com Pep Guardiola.

Esse é o homem mais à frente de seu tempo no futebol. Guardiola cria tendências, não copia e segue a boiada. É um gênio. Se um gênio te liga para trabalhar com ele, você vai.

Com o que fez em Barcelona, Guardiola mudou a cara do futebol. Pressão de todos os jogadores na frente, posse de bola como melhor forma de se defender, tudo aquilo que já sabemos. Foi alcançado, a coisa é dinâmica. E vimos uma Eurocopa em que as equipes estão simplesmente se anulando além da conta. Guardiola já viu, pois, a necessidade de priorizar a presença de jogadores que desequilibrem a mesmice. Gerar certa anarquia dentro da organização.

Tentou com Douglas Costa no Bayern. Foi bom. Não espetacular, mas bom. “Deu” um jogador para a seleção brasileira com a evolução rápida em Munique. E agora quer fazer o mesmo com Gabriel Jesus. Ele não é um ponta, mas pode jogar assim. É um projeto de atacante moderníssimo, de velocidade e ótima finalização. Mete gols. No City, há poucos que metam gols.

Para o Palmeiras, seria melhor segurar Gabriel Jesus por muitos anos. Esta simplesmente não é a realidade. Portanto, contar com ele por seis meses para tentar o Brasileiro e ainda ganhar uma belíssima grana não parece mau negócio.

Bom para o Palmeiras, ótimo para o City, espetacular para Gabriel Jesus. Um raro negócio em que todos se dão bem.

gabrieljesus


Vive um drama, o Palmeiras!
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juliogomes

Futebol com Galvão Bueno é outra história, né? Podem gostar ou não gostar dele, mas o cara é fera. E há uma frase que resuma melhor a situação do que essa? “Vive um drama, o Palmeiras!”.

E é um drama real. No grupo da Libertadores, o Nacional tem 5 pontos, Palmeiras e Rosario têm 4, o River Plate uruguaio tem 2. Em termos de pontuação, está tudo aberto. Mas o River é o pior time e o Palmeiras vai jogar contra Nacional e Rosario fora de casa.

O Nacional, que tem camisa pesada, joga agora três partidas em Montevidéu, e o Rosario é o melhor time do grupo.

Na semana passada, em pleno Allianz Parque, o Palmeiras foi completamente dominado pelo Rosario. E ganhou por pura sorte. Nesta quarta, perdeu por 2 a 1 para o Nacional jogando o segundo tempo inteiro com um homem a mais.

Foi a história da semana passada às avessas? Não, não foi.

Comparem o domínio do Rosario na semana passada com o “domínio”, assim mesmo, entre aspas, do Palmeiras contra o Nacional.

Nada de nada de nada. O Palmeiras não criou nada no segundo tempo. Teve duas bolas aéreas perigosas com Victor Hugo e, no finalzinho, um chute de Lucas na trave. Bola alçada e abafa, nada de construção.

O time não é um primor tático, não isento Marcelo de Oliveira de culpa. Mas será que o elenco não é supervalorizado, não?

É incrível como ninguém tenta nada, ninguém chama a responsabilidade, como o número de passes errados é enorme e, o principal, como não há deslocamentos e aproximações. É um time que joga longe, distante. Sendo assim, o único recurso é girar o jogo e buscar o cruzamento. Não há penetração, aproximações, chutes de fora, triangulações.

As substituições foram corretas, mas ainda assim nada mudou.

Creio que a história do “ótimo elenco do Palmeiras” está virando uma verdade absoluta para lá de contestável. Um pouco simplista apontar o dedo para o técnico, ainda que esta seja a história de toda vida.

No pós-jogo, aquela leitura equivocada de sempre. “Eles não quiseram jogar”, disse Dudu. “Tem noite que a bola não entra”, falou Lucas.

Oras, o Nacional resistiu aos primeiros minutos de jogo e depois colocou seu plano em ação. Contra atacou bem e fez dois gols. No segundo tempo, se defendeu com qualidade e ganhou o tempo que precisava ganhar.

Não é que o Palmeiras tenha dado um azar danado, bola não entrou, goleiro foi o destaque… nada disso. Goleiro do Nacional não fez uma defesa difícil sequer. Foram 34 cruzamentos para a área, uma pressão “de mentira” no segundo tempo.

Não é pela tabela, é pelo futebol. Vive um drama, o Palmeiras.

SÃO PAULO, SP - 25.04.2015 - PALMEIRAS X SANTOS: A torcida da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Santos FC, durante partida válida pela final (ida) do Campeonato Paulista, Série A1, na Arena Allianz Parque. (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)


Trio-de-ferro começa a Libertadores do jeito que acabou o ano
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O trio-de-ferro paulista começou a Libertadores da América do jeito que acabou o ano passado.

O Corinthians sabe o que quer e acha resultados até quando não merece. O Palmeiras, no vai-não vai, cheio de incertezas. E o São Paulo, com rumo para lá de duvidoso.

O Corinthians fez um primeiro tempo horroroso no deserto de Atacama, Chile, no estádio em que cabe três vezes a população da cidade (!!). O Cobresal pressionou lá no alto a saída de bola corintiana. Resultado: chutão atrás de chutão. No segundo tempo, com André e Giovanni Augusto, o Corinthians melhorou – logicamente ambos terão de ser titulares.

Passou a rondar mais a área adversária, ameaçar minimamente. Ainda assim, não assustou. Pouco finalizou. Não mereceu ganhar. Mas ganhou. Foi um jogo horroroso, para 0 a 0, mas times campeões encontram maneiras de vencer – mesmo que a maneira seja um gol contra nos acréscimos. É o prêmio pela organização e o esforço coletivo.

O resultado é ótimo em um grupo complicado. O Cobresal não acabará sem pontos. Cerro Porteño e, principalmente, o Santa Fé são times de tradição em seus países e até no futebol sul-americano. É claro que 9 pontos em Itaquera resolvem tudo.

Preocupa a dificuldade incrível para jogar quando pressionado. Mas o Corinthians tem uma base de jogo, um treinador ótimo e só vai melhorar ao longo das semanas.

O Palmeiras empatou com o pior time do grupo, mas fora de casa. No entanto, não transmite a mesma segurança em relação a ganhar 9 pontos em casa. O técnico parece ameaçado, pelo menos de acordo com quem acompanha o clube de perto. E o time continua sem padrão de jogo.

O Palmeiras esteve duas vezes à frente, cedeu o empate e perdeu a chance de respirar e ganhar tranquilidade para trabalhar com menos pressão. Não foi pressionado como o Corinthians, não enfrentou a altitude. E não ganhou.

E o São Paulo, esse sim, precisa se preocupar.

Continua o mesmo time instável de 2015, capaz do melhor e do pior em pequeno espaço de tempo. Na pré-Libertadores, faz um ótimo jogo fora e um péssimo em casa. Tem a chance de começar a fase de grupos com tudo. E…. derrota, vaias, crise.

O The Strongest é o típico time forte em casa (altitude) e que literalmente não ganha de ninguém fora. Mas… ganhou. No Pacaembu.

O grupo do São Paulo tem um desenho nítido. Duas supostas forças, River Plate e São Paulo. Um time que “poderia” complicar, o Strongest. E uma baba, o Trujillanos. Ganhar do Strongest era um resultado básico. A consequência agora? Vai ter de ganhar na Argentina do River ou na altitude boliviana. O São Paulo coloca, sobre as próprias costas, uma pressão monstra para o resto da fase de grupos.

Na Libertadores, os prognósticos são mais complicados. A imprevisibilidade é maior. É apenas uma rodada, mas uma rodada de jogos com peso grande no papel.

O Corinthians ganhou onde talvez os outros não ganhem. Encaminhou a classificação. O São Paulo perdeu o jogo que não podia perder. Já coloca em risco a classificação. E o Palmeiras volta do Uruguai deixando no ar as mesmas interrogações que levou para lá.


No papel, sorteio bom para São Paulo e Galo, ruim para Palmeiras e Grêmio
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juliogomes

Finalmente, a Copa Libertadores teve um sorteio decente, bacana. Nada de Peru 3, Argentina 4, Venezuela 2. Times com nome, alguns até com sobrenome, e já sabemos os grupos da competição no ano que vem. Foi um pouco arrastado, o sorteio, com muita falação até a hora da definição dos grupos. Mas avançou, ficou mais legal.

Pelo menos no papel, o sorteio foi péssimo para Palmeiras e Grêmio. Ótimo para o São Paulo e para o Atlético Mineiro. E regular para o Corinthians.

Por que “no papel”?

copalibertadoresPorque a real é que conhecemos pouco da maioria dos times da Libertadores. É muito difícil ter acesso aos jogos dos campeonatos da Colômbia, Equador, mesmo do Uruguai. Aliás, é por isso que costumamos ter essa relação de medo e soberba ao mesmo tempo com a Libertadores.

Por um lado, todo mundo é “perigoso”. Por causa da camisa, da altitude, da viagem, do que seja. Por outro lado, poucos são verdadeiramente temidos e respeitados, porque brasileiro é assim mesmo com futebol. O desconhecimento costuma gerar petulância e às vezes medo exagerado.

Teoricamente, pois, Palmeiras e Grêmio estão em grupos complicadíssimos.

O Palmeiras, no grupo 2, encara um uruguaio de tradição, o Nacional, um argentino, o Rosario Central, e provavelmente a Universidad de Chile. O Nacional deu papelão na pré-Libertadores do ano passado, mas depois ganhou o campeonato nacional. O Rosario foi terceiro na Argentina, deve ser respeitado. E “La U” já mostrou força nos últimos anos – tem de passar do River Plate uruguaio no mata-mata de fevereiro antes.

Já o Grêmio, no grupo 6, também terá uma missão difícil. O San Lorenzo, vice-campeão argentino e campeão da América no ano passado, é o cabeça-de-chave. A LDU joga em Quito, tem a altitude a seu lado. E o quarto time é o Toluca, obrigando o Grêmio a fazer a longa viagem ao México.

Palmeiras e Grêmio não terão um jogo sequer para respirar. É batalha jogo sim, jogo também, para ficar entre os dois primeiros e sobreviver para o mata-mata.

O São Paulo encara o Cesar Vallejo, do Peru, na eliminatória. No papel, não terá problemas, e a eliminação, dado o tamanho dos clubes, seria vexaminosa. Passando, o São Paulo cai em um grupo com River Plate, o atual campeão, The Strongest, da Bolívia, e Trujillanos, da Venezuela.

O River, é bom lembrar, assusta no nome e na camisa, mas só se classificou da fase de grupos da última Libertadores na bacia das almas. Acabaria sendo campeão do torneio, já sabemos. Tem de ser respeitado, mas não temido, pois além de tudo perdeu jogadores importantes. Aliás, bom lembrar que todos os times sul-americanos ficam expostos na janela de transferências de janeiro e podem sofrer com a perda de peças-chave.

O Strongest tem a altitude a seu lado, o Trujillanos não mete medo. É um grupo, no papel, que deve ser tranquilo para o São Paulo. Tudo dependerá da adaptação rápido do novo técnico e um bom planejamento, daqui 40 dias já tem jogo decisivo.

O mesmo serve para o Atlético Mineiro, que encara Colo Colo, do Chile, o Melgar, campeão peruano, e ou o Independiente del Valle, do Equador, ou o Guaraní, do Paraguai, que surpreendeu ao eliminar o Corinthians e ir à semifinal da última Libertadores.

Com Javier Aguirre no comando, o Atlético não terá o problema de desconhecimento dos adversários. É um treinador sul-americano, experiente, estudioso e que não deixará a soberba tomar conta. Grupo bom para o Atlético ficar em primeiro e fazer uma das melhores campanhas da primeira fase, para depois ganhar o direito de decidir em casa nos mata-matas.

O Corinthians caiu em uma chave nem tão dura quanto as de Grêmio e Palmeiras, nem tão fácil (na teoria) como as de São Paulo e Atlético.

Favorito destacado do torneio ao lado do Boca Juniors – foram os dois melhores times do continente em 2015 -, o Corinthians encara Cerro Porteño, sempre um rival chato lá no Paraguai, o desconhecido Cobresal, que, no entanto, ganhou título no Chile, e possivelmente o Independiente Santa Fé, da Colômbia, se este passar da fase prévia.

Se fizer a lição de casa no alçapão de Itaquera, o Corinthians não terá problemas para passar.