Blog do Júlio Gomes

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Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


Faltou equilíbrio, e não Jesus, para o City de Guardiola
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É claro que Pep Guardiola eliminado nas oitavas de final da Champions pela primeira vez é um prato cheio para quem não gosta dele. Tem muito técnico brasileiro dando risada. “Está vendo? Sem estar no Barça ou no Bayern, o buraco é mais embaixo”.

Acho desnecessário defender Guardiola. O homem é um idealista, um revolucionário, alguém que faz bem para o esporte e que comandou o melhor time que já vi (o Barcelona de 2009 a 2011). Ele mesmo sabe, até porque sempre disse, que os desafios no City serão outros. A liga inglesa é mais competitiva, tem mais times do mesmo nível e o elenco do City tem, de fato, buracos a serem preenchidos.

Na atual temporada, o City está fora da Champions, praticamente sem chances na Premier, sobra a Copa da Inglaterra (semi contra o Arsenal, eventual final contra Chelsea ou Tottenham). Seria importante para Guardiola ganhar um título no primeiro ano? Sem dúvida. Mas tampouco essencial. Não será mandado embora. Está lá para comandar um projeto de anos.

Leonardo Jardim, o ótimo português que comanda o Monaco, está há três anos no clube mesclando juventude, veteranos, encontrando fórmulas. A chave para Guardiola será atacar bem o mercado no meio do ano, principalmente para ampliar opções de banco e resolver os buracos defensivos.

No gol, Bravo não deu certo. Kolarov ou Fernandinho jogando na zaga? Não parecem grandes opções. Stones e Otamendi? Hummmm. Suspeitos. O erro de Kolarov no terceiro gol, em uma bola parada, determinou a classificação do Monaco.

O grande desafio de Guardiola daqui para frente é ser um técnico que encontre soluções defensivas. Na parte criativa do jogo, ele já mostrou seu valor. Se defender com a posse de bola, como fazia no Barça e no Bayern, não parece ser viável no futebol inglês, mais dinâmico e com menos faltas marcadas pelos árbitros. Times de Guardiola se darão bem quando defenderem melhor. Quando forem mais equilibrados.

Aguero perdeu dois gols contra o Monaco que Gabriel Jesus não perderia? Não sei. Tem que ver também se Jesus faria os gols que Aguero fez na ida, certo? O City fez seis gols na eliminatória contra o Monaco. Não foi um problema de falta de gols que eliminou o time de Guardiola. E, sim, um problema de excesso de gols sofridos.

O City não perdeu para qualquer um. O Monaco é o melhor ataque da Europa. Mesmo sem seu grande artilheiro, Falcao García, foi capaz de virar a eliminatória contra um forte rival. Fez os três gols que são sua média. Porque não é um ataque de indivíduos e, sim, um time que joga inteiro voltado ao ataque.

Os laterais sobem, os volantes sobem (foram deles o segundo e terceiro gols na volta), os meias afunilam, triangulam, abrem o jogo. Há muita movimentação, muito volume.

Quem vai segurar o ataque do Monaco? Barcelona e Real Madrid, por exemplo, são candidatíssimos a tomar um caminhão de gols desse time. Porque defendem mal. Assim como o City de Guardiola.

Por camisa, tradição, nomes e pelo que fizeram nas últimas Champions, Bayern, Barça e Real são os óbvios favoritos. Mas Juventus e Atlético de Madri seguem fortes, como nos últimos anos, e podem tranquilamente chegar à final de novo. Para Juve e Atlético, é melhor enfrentar um dos três em ida e volta do que em um jogo só.

O Monaco me parece a zebra que pode ser a grande surpresa da temporada. Borussia Dortmund e Leicester só chegam à semifinal se forem sorteados para um confronto entre eles nas quartas.

 


Jogo épico expõe ataques maravilhosos e defesas pífias de City e Monaco
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juliogomes

Sim, épico é um adjetivo justo. Manchester City e Monaco fizeram o melhor jogo da temporada europeia até agora, em um 5 a 3 inesquecível.

Um jogo em que ficaram claros os atributos ofensivos brilhantes dos dois times, mas também ficou clara a falta de consistência defensiva de ambos. Já sabem, para ser campeão de um torneio como a Champions League, equilíbrio é a palavra chave. Portanto, quem passar daí para as quartas de final terá de fazer ajustes.

Enquanto isso, podemos nos divertir falando do jogo de ida e aguardando o da volta.

O Monaco tem 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. É o melhor ataque da Europa e mostrou toda essa vocação agredindo o City durante 90 minutos, mesmo fora de casa. Em nenhum momento recuou suas linhas. Mostrou coragem, alternativas de jogo e um atacante em momento especial. Radamel Falcao tem 15 gols nos últimos 15 jogos oficiais. Sua carreira em competições europeias aponta o estratosférico número de 44 gols em 48 partidas.

Durante todo o jogo, City e Monaco marcaram pressão e conseguiram sair facilmente da pressão rival. Isso fez com o que o jogo tivesse ritmo alucinante, com pouco meio de campo e muitas chegadas de perigo ao ataque. Defensivamente, ambos fizeram um péssimo trabalho.

O City saiu ganhando em um lindo lance de Sané, concluído por Sterling. Na primeira saída de bola errada de Caballero, o Monaco empatou em lindo cruzamento de Fabinho e cabeceio mais lindo ainda de Falcao.

Aí, houve o lance de pênalti sobre Aguero. Para muitos, não foi. Para mim, foi claríssimo. Ato seguido, o Monaco fez 2 a 1 em uma cobrança de falta para Mbappe, com falha clamorosa da estática dupla de zaga.

O Monaco começa o segundo tempo em cima, apertando, empurrando, com muita coragem. E aí ocorre o segundo pênalti decisivo do jogo. Desta vez marcado pelo árbitro e perdido por Falcao. Caballero começava a se redimir.

Do outro lado, Subasic tomou um frangaço no chute de Aguero – o melhor em campo, mostrando que ficou mordido com a reserva e fazendo a torcida esquecer Gabriel Jesus, pelo menos por enquanto.

Quando parecia que o City iria crescer, bola esticada, Falcao ganha de Stones como quer e dá uma cavadinha. Uma pintura. O Monaco, naquele momento, tinha a classificação nas mãos.

Aí começa o vendaval do City. Foi para o tudo ou nada. Foi tudo. Aguero, Stones e Sané (após assistência de Aguero) viram o jogo para 5 a 3 contra um Monaco atônito.

A eliminatória está para lá de aberta. O Monaco já fez 4 ou mais gols 11 vezes na temporada. Se tem um ataque hoje capaz de furar a defesa (fraca) do City, é a do Monaco. Por isso, acredito que Guardiola montará um meio de campo mais firme e consistente para a volta.

No outro jogo da terça, em Leverkusen, o Atlético de Madri fez 4 a 2 no Bayer. É um time que sofre mais gols na temporada, mas mostra muita criatividade, muito volume, muita capacidade ofensiva. O Atlético é candidatíssimo a chegar à sua terceira final em quatro anos.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

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Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


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