Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Messi

Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


O papo de Neymar melhor do mundo era precipitado e evaporou-se
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juliogomes

O futebol é muito dinâmico, e as pessoas (aqui incluindo jornalistas, torcedores e apreciadores do esporte) costumam se precipitar bastante e “cravar” verdades absolutas após um ou dois jogos de futebol, no calor das emoções.

Depois de anos ouvindo que Neymar seria o melhor do mundo (talvez essa hora chegue, talvez não, não seria absurdo não chegar), muitos disseram que havia chegado o momento. Tal certeza devia-se aos extraordinários minutos finais de Neymar naquele 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG e aos bons jogos com a seleção brasileira.

Neymar foi, de fato, o jogador de futebol de melhor desempenho no mês de março. Daí a SER o melhor do mundo…

O fato é que em poucos dias evaporou-se qualquer chance de Neymar passar perto da Bola de Ouro 2017. Observe a sequência de fatos:

No sábado retrasado, o Barcelona perdeu por 2 a 0 para o Málaga e ficou em situação difícil na Liga espanhola. Neymar foi expulso por uma entrada infantil, desnecessária, quando o time corria atrás do empate. Ainda aplaudiu o quarto árbitro ironicamente e pegou três jogos de gancho, ficando fora do clássico de domingo contra o Real Madrid.

Dias depois da derrota em Málaga, o Barça perdeu por 3 a 0 para a Juventus, em Turim. No jogo de volta, ontem, só empatou sem gols no Camp Nou, sendo eliminado da principal competição interclubes do ano. No final do primeiro tempo, após uma falta de Pjanic em Messi, Neymar resolve tomar as dores do companheiro e dá uma espécie de voadora no juventino. Levou amarelo, que o deixaria fora da semifinal, caso o Barça se classificasse – mas não seria absurdo se o árbitro mostrasse vermelho direto.

Bom lembrar que, na partida épica contra o PSG, minutos depois de o Barcelona sofrer o gol que parecia ser o da eliminação (vencia por 3 a 1), Neymar deu um chute por trás em Marquinhos, sem bola. Recebeu amarelo que também poderia ter sido vermelho.

A atitude de Neymar melhorou ultimamente, parece ser um jogador mais maduro dentro e fora de campo.

Nas vitórias.

Antes, Neymar era mau vencedor e mau perdedor. Hoje, parece ter se transformado em um bom vencedor, diminuindo os lances de humilhação a adversários em campo, adotando um discurso sóbrio, etc.

Mas, nas derrotas, nos momentos de frustração, a atitude continua precisando melhorar. Poderia ter sido expulso contra o PSG, poderia ter sido expulso contra a Juventus, foi expulso contra o Málaga e, de quebra, ainda pegou um gancho que o deixará fora do último jogo gigante do Barcelona na temporada.

O choro copioso após a eliminação de quarta-feira significa o quê?

A impressão é que Neymar considerava que esse era seu momento. O ano dele. A hora de colocar uma Champions nas costas, tomar o protagonismo para si, resolver. Contra o PSG, ele parecia ser o único que verdadeiramente acreditava na virada e, assim sendo, acabou se transformando no símbolo daquela vitória.

Contra a Juventus, ele também parecia ser o único que acreditava. Excesso de fé ou falta de doses de realidade?

Neymar chorou pelo Barça ou por ele mesmo?

O choro não combinou tanto com o clima no Camp Nou. A torcida apoiou o time, todos ali já esperavam a eliminação. O Barcelona não vive um momento trágico, vive um momento de interrogações.

O choro realmente parece a frustração de quem deve estar ouvindo há tempos que esse seria o “seu ano”.

A temporada de Neymar foi ruim no início, chegou a ficar três meses sem fazer um gol sequer. Em janeiro, começou a virar, em março teve um pico, em abril foi mal. Taticamente, a evolução dele é nítida. Tanto na seleção quanto no Barcelona, está assumindo mais funções, dando assistências, tomando decisões melhores.

Em 2017, ano natural iniciado em janeiro, Neymar está em qualquer lista dos cinco melhores jogadores do planeta. Mas, se pensarmos na temporada como um todo, a temporada 2016/2017, será que ele figuraria entre os dez melhores?

Messi fez 45 gols em 45 jogos na temporada. Verdade, não foi o protagonista dos 6 a 1. Desperdiçou as chances que teve contra a Juventus. Ainda assim, não dá para comparar a temporada de Neymar com a de Messi. Suárez, com 24 gols, foi mais importante que Neymar até agora para o Barça ainda se manter vivo no Espanhol.

Lewandowski tem 39 gols em 41 jogos e será campeão alemão – sua importância para o Bayern ficou nítida após não jogar a ida e atuar baleado na volta contra o Real Madrid pela Champions.  Cavani fez 43 gols em 43 jogos do PSG. Griezmann, com 24 gols, é o grande nome do Atlético de Madri, novamente na semifinal europeia. Falcao, com 27 gols em 36 jogos, e o jovem Mbappé, de 18 anos, com 22 gols em 36 jogos, muitos deles no mata-mata da Champions, estão nas semis com o Monaco.

Hazard faz uma temporada brilhante pelo Chelsea, com quem será campeão inglês. Philippe Coutinho, no Liverpool, faz uma temporada melhor que a de Neymar. Dybala está a ponto de explodir e foi o homem mais decisivo da eliminatória que classificou a Juventus. Higuaín, com 23 gols em uma liga dura como a Italiana, não cansa de marcar. Aubameyang fez 26 gols para o Borussia Dortmund em 27 jogos na Bundesliga.

Opa, não estou esquecendo não. Deixei Cristiano Ronaldo para o fim. São 31 gols em 39 jogos na temporada, cinco deles marcados para cima de Neuer. Justamente quando Neymar caiu, Cristiano Ronaldo apareceu para lembrar todo mundo que a Bola de Ouro está lá na estante da casa dele.

E olha que nem estou falando dos defensores. Neymar faz uma temporada melhor que a de Sergio Ramos? Que a de Buffon? Que a de Kanté? Que a de Marcelo?

Pois é. Se analisarmos com olho clínico, sem emoções, esquecendo as patriotadas, possivelmente não colocaremos Neymar entre os dez jogadores de melhor desempenho na temporada. Em 2017, sim, na temporada inteira, não.

O que realmente incomoda é essa forçação de barra para colocar Neymar como o terceiro melhor do mundo isolado, pertinho de Messi e Cristiano Ronaldo, quase no nível deles, a ponto de ultrapassá-los. É uma grande ilusão.

Neymar é o melhor “do resto” para alguns. Não é para outros. Está longe de ser unanimidade. Atrás dos dois gênios, ele está ali num bolo que tem gente como Griezmann, Suárez, Lewandowski, Hazard.

A grande desvantagem em relação a essa turma é que parece que ser o melhor se torna uma obsessão de brasileiros. Antes seu “staff” falasse menos disso e mais sobre as regras disciplinares na Espanha, que não permitem aplausos irônicos a árbitros.

Outra má notícia é que os anos vão passando, Cristiano e Messi não largam o osso, não parecem perto de passar o bastão. Seguem em altíssimo nível. Quando eles caírem de verdade, quantos anos terá Neymar? Será que não é mais fácil vermos Gabriel Jesus ou Mbappé estarem ali prontos para pegar o bastão?

A grande vantagem de Neymar, por outro lado, é jogar em uma seleção azeitada e com chances para lá de reais de ser campeã do mundo em 2018. É com o Brasil, na Rússia, que Neymar tem sua chance mais realista de ser coroado melhor do mundo.

Mas isso só acontecerá se não for o objetivo. Sempre é bom lembrar. O futebol é um esporte coletivo, cada vez mais coletivo, em que o individual se destaca. E não o contrário.

Blogueiros do UOL: Com choro de Neymar, Juventus se classifica na Liga


Argentina, com Bauza e sem Messi, dá mais um vexame. Tem salvação?
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Ganhar em La Paz não é fácil. Nas eliminatórias de pontos corridos, a Argentina só conseguiu uma vez em seis jogos. Por pior que esteja a Bolívia, ela costuma complicar muita gente por lá nas eliminatórias sul-americanas. São 3600 metros de altitude e isso não é desculpa, é um fator que beneficia – e muito – o time da casa. A Argentina levou 2 a 0 em La Paz nesta terça-feira. Só que o resultado não é o maior dos problemas.

Com a derrota, a Argentina deve acabar o dia na quinta colocação, que a levaria para a repescagem. Mas, mais do que a matemática da classificação, o problema argentino é a falta de jogo.

Os times de Edgardo “Patón” Bauza nunca primaram pela ofensividade. Sempre foi um técnico de empatar ou perder fora, vitórias magras em casa, sufoco. E isso nos clubes, com tempo de treino.

Talvez algum gênio da combalida Federação Argentina tenha achado que a seleção, com tantos talentos na frente, precisava de alguém para arrumar a casa atrás. Não só não aconteceu isso como há um nítido descompasso entre as ideias futebolísticas de Bauza e dos jogadores.

Beira o inacreditável a Argentina, que tem Simeone, Sampaoli e Pochettino, não conseguir encontrar um nome melhor que o de Bauza, à altura dos jogadores que tem.

Como uma seleção que pode convocar Messi, Higuaín, Aguero, Dybala, Pratto e Di María tem o terceiro pior ataque das eliminatórias, com 15 gols marcados em 14 jogos?

Talvez a explicação seja a escalação conservadora de Bauza em La Paz. Deixar Aguero no banco??

A Argentina não era uma coisa maravilhosa com Sabella ou com Tata Martino. Mas, quer queira quer não, chegou a três finais em três anos, perdeu uma na prorrogação (Alemanha), outras duas nos pênaltis (as Copas Américas para o Chile). Em todos esses jogos teve claras ocasiões de gol perdidas por Higuaín que poderiam ter mudado tudo.

Com Bauza, tudo piorou. Nas eliminatórias, foram três vitórias em casa (1-0 sobre Uruguai e Chile, este último de forma injusta, e 3-0 na Colômbia); uma derrota em casa contra o Paraguai; fora, um sacode levado para o Brasil; empates contra Peru e Venezuela, agora a derrota para a Bolívia. A Argentina fez dois pontos em nove possíveis contra as três piores seleções do continente fora de casa.

O time não joga nada, não cria nada, não há jogo coletivo, linhas de passe. Nada de nada de nada. E não terá Messi em três das últimas quatro partidas das eliminatórias, se a exagerada suspensão de quatro jogos não for revista.

A Argentina enfrenta em agosto/setembro: Uruguai em Montevidéu, é plausível imaginar uma derrota, e Venezuela em casa. Depois, em outubro, Peru em casa e Equador na altitude de Quito.

Se a Argentina ganhar da Venezuela e do Peru em casa, chega a 28 pontos. Até hoje, nas eliminatórias de pontos corridos com dez seleções, 28 pontos sempre foram suficientes para a classificação. Mas no limite. E desta vez as eliminatórias estão diferentes, pois o Brasil disparou, Bolívia e Venezuela fazem poucos pontos, há muito equilíbrio entre as seleções que ocuparão da segunda à sexta colocações.

Essa distribuição indica que segundo e terceiro colocados possam fazer menos pontos do que as seleções que ocuparam essas posições nos últimos anos. No entanto, quarto e quinto devem fazer mais pontos do que sempre fizeram. Talvez os 28 pontos não sejam suficientes.

A única boa notícia para a Argentina é o derretimento do Equador, a seleção que sempre se aproveitou tão bem da altitude e conseguiu vaga em três dos últimos quatro Mundiais. Depois de vencer os quatro primeiros jogos e disparar na liderança, o Equador ganhou só dois dos nove jogos subsequentes.

A Argentina deve acabar o dia em quinto, com 22 pontos, e o Equador em sexto, com 20. Se vencer Venezuela e Peru em casa, a Argentina chega a 28. Teria de torcer para o Equador fazer no máximo quatro pontos nos seus jogos seguintes: Brasil e Chile fora, com o Peru em casa no meio. Como o Brasil está impossível, o Equador deve fazer três ou quatro pontos contra Peru e Chile. Neste cenário, a Argentina chegaria ao jogo de Quito, na rodada derradeira, sem poder ser alcançada pelo Equador.

Nas três próximas rodadas, precisa tratar de fazer dois pontos a mais que o Equador – para evitar um jogo de vida ou morte na altitude.

Tratar de conseguir os pontos com ou sem Bauza?

Na minha visão, já é tempo e ainda é tempo de trocar.

Com Bauza e sem Messi tudo fica mais difícil.

 

 


Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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juliogomes

O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Encontrar logo novo técnico é chave para renovação de Messi
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juliogomes

O anúncio da saída de Luís Enrique do comando técnico do Barcelona ao final da temporada foi surpreendente pela forma e pelo momento, logo após uma goleada e logo antes de tentar a difícil tarefa de sobreviver na Liga dos Campeões da Europa. Mas não foi surpreendente pela saída em si.

O clima estava ficando cada vez mais pesado, com críticas dos jogadores nas entrelinhas às formações táticas, entrevistas coletivas curtas e pouco amigáveis, imprensa catalã detonando o treinador. Era difícil imaginar que Luís Enrique renovasse.

Como o próprio presidente Josep Maria Bartomeu disse, a notícia acaba com as especulações sobre “se renova ou não”. E ajuda o time a estar totalmente focado, sem distrações, no campeonato.

Agora resta a imprensa e torcedores especularem quem será o novo técnico. De cara, dois nomes parecem ter mais força: Jorge Sampaoli, atualmente no Sevilla, e Ernesto Valverde, no Athletic Bilbao. Mas esse debate, a priori, não invadirá nem atrapalhará o vestiário.

Exceto para um tal Messi.

O gênio argentino tem contrato com o Barcelona até o meio de 2018 e ainda não assinou a renovação. Segundo a imprensa local, Messi aguarda para saber qual será o projeto esportivo do Barça a partir do ano que vem – leia-se, influenciar ou decidir.

Só que, a cada dia que passa, ele se aproxima do fim do contrato atual. Imaginem Messi livre para negociar com outro clube. Saindo de graça!

Pensando na temporada atual, não haveria razão para pressa na escolha de um novo técnico. Mas, pensando na renovação de Messi, essa escolha é para ontem. Ele quer saber como serão os próximos anos antes de assinar um novo contrato.

A atual diretoria do Barça já se mostrou pouco competente para contratar jogadores. Vamos aguardar para saber se acertará a mão na hora de trazer um novo técnico, que saiba não só explorar o magnífico trio de frente, mas construir uma equipe equilibrada em todas as linhas.

Messi também está esperando. O relógio é o inimigo.

 


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Chegou a hora de o Barcelona vender Messi?
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juliogomes

Foi um tablóide inglês, em novembro, que “noticiou” que o Manchester City estaria disposto a pagar 100 milhões de libras ao Barcelona por Messi – mais ou menos 385 milhões de reais. Este, por sua vez, receberia um salário de 100 milhões de reais por cada uma das quatro temporadas de contrato.

Messi passaria a ter um salário parecido com o de Tevez, que foi para a China ganhar um pouco mais de 100 milhões por duas temporadas e ser o jogador mais bem pago do mundo.

Eu usei aspas ali acima no primeiro parágrafo porque esse tipo de notícia sempre aparece em tempos de renovação de contrato. Empresários passam para frente o que quiserem e jornais publicam sem checar. É o jeito de pressionar, através, da mídia, para conseguir melhores contratos. É o jeito também de mandar recados.

O contrato de Messi com o Barcelona acaba no meio de 2018, ao final da próxima temporada. No fim de 2017, qualquer clube pode negociar com Messi sem nem perguntar ao Barça. Imaginem o maior jogador da história do clube, talvez de todos os clubes, saindo de graça? Ou seja, já passou da hora de renovar, o risco aumenta a cada dia.

Mas será que este é o movimento correto para o clube?

Ou será que chegou a hora de vender Messi?

O Barcelona vive uma crise esportiva importante. Aposentadorias (como a de Xavi), saídas (como a de Daniel Alves), lesões (como a de Mascherano), envelhecimento (como o de Iniesta), más contratações (como a de André Gomes). Vários fatores fizeram com que, de repente, o time se visse com o melhor ataque do mundo e… nada mais.

Em seu primeiro ano como técnico do Barcelona, Luís Enrique ganhou tudo – Champions League, Mundial, Liga, Copa do Rei. No segundo ano, doblete com a Liga e a Copa. Mas a eliminação para o Atlético de Madri na Champions 15/16 e o derretimento na reta final que quase jogou no lixo o título espanhol geraram interrogações. Tudo isso ocorreu de um ano para cá.

Vieram, então, as más contratações. Muito dinheiro gasto em jogadores de nível médio. E uma terceira temporada em que o Barcelona não consegue jogar bem. Ainda está na disputa pelo título espanhol e na final de outra Copa do Rei, mas os humilhantes 4 a 0 sofridos diante do PSG não só devem significar a eliminação na Champions, mas também um marco.

Luís Enrique só tem contrato até o fim da atual temporada e cada vez fica mais difícil imaginar a continuidade do treinador. Explosivo, está em litígio com parte da imprensa catalã. E, o principal, não encontra soluções para os problemas do time.

O Barcelona não cria nada, sofre na defesa e só ganha jogos porque Messi, Suárez e Neymar, alternadamente e não necessariamente nesta ordem, têm conseguido resolver algumas coisas. É um Barça sem identidade, dependendo de contra ataques e genialidades.

Enquanto não é definida a situação de Luís Enrique, Messi não acerta a renovação. Ele não vai assinar enquanto o projeto esportivo do clube para os próximos anos não estiver claro. Enquanto isso não acontece, fica mais perto do fim do contrato e o mundo do futebol fica mais e mais ouriçado.

Quem teria bala para contratar Messi? Possivelmente, apenas Real Madrid, Manchester City, Manchester United, Chelsea, Bayern de Munique e PSG. Quem, realisticamente, pagaria mais de 100 milhões de euros por Messi: City e PSG seriam os candidatos únicos.

Neymar e Suárez já renovaram até 2021. O Barça tem problemas em todos os setores, exceto o ataque. Nas laterais, na zaga, no meio de campo, no banco de reservas.

E se vender Messi significasse conseguir um time novo?

Será que o City e Guardiola não aceitariam colocar na mesa nomes de jovens como De Bruyne, Sané, Gabriel Jesus…? Será que o PSG não aceitaria colocar na mesa nomes como Thiago Silva, Marquinhos, Verratti…?

Além, logicamente, de muita grana, que poderia ser bem usada nas mãos de alguém que saiba mais de mercado do que Luís Enrique e os diretores atuais.

Messi é o maior jogador da história do Barcelona. Pegou o bastão de Ronaldinho e entrou para o olimpo do esporte. É um cara de 500 gols com a camisa do clube, quatro Champions, três Mundiais, oito Ligas, cinco prêmios de melhor do mundo.

Mas é inegável que o auge já passou. Messi já está em declínio. Já faz jogos ruins com alguma frequência, como foi no 4 a 0 de Paris. Já mostra, às vezes, falta de ambição em campo. Já deixou de ser decisivo em todos os jogos grandes da temporada.

Na atual, por exemplo, os poucos jogos em que passou em branco foram justamente os mais importantes: o de Paris, o clássico contra o Real, duelos contra o Atlético…

Claro, estamos falando de um dos três maiores da história, senão o maior. O declínio dele significa 34 gols em 34 jogos na temporada atual. Mas quem viu Messi na plenitude, entre 2008 e 2015, consegue notar que ele não é o mesmo. Quanto tempo vai demorar para aparecerem lesões que o afastem por mais tempo? Quantos anos mais Messi manterá uma média de um gol por jogo? Dois? Será?

Por outro lado, Messi não parece respeitar as regras “naturais” escritas ao longo de décadas. É capaz que se motive com novos desafios, que fique aí mais cinco anos em nível estratosférico, que leve o Barça a muitos mais títulos. Vai saber.

Por mais que o futebol seja cada vez mais um negócio, existe um componente intangível. O significado de Messi para o clube, para os torcedores, para a cidade, para a região. Isso não se mede em dinheiro. O coração de todas as pessoas envolvidas dirá: que se dane se Messi cair de produção nos próximos anos. Que se dane o resto do time. Esse cara não pode vestir outra camisa na vida.

Mas, racionalmente, será que tem sentido renovar seu contrato e gastar milhões em vez de ganhar milhões e construir um novo time, agora com Neymar e Suárez como protagonistas?

Aliás, quanto tempo mais Neymar aguentará ser coadjuvante? Não estaria o clube correndo o risco de perder os dois ao mesmo tempo? Neymar, que é cinco anos mais jovem, para algum rival. Messi, para o tempo.

O tempo chega para todos.

Eu duvido que algum dirigente tenha coragem de tomar essa atitude. Duvido que algum cartola tope vender Messi e assuma a bronca. Na prática, creio que isso só acontecerá se ele, Messi, quiser sair. Talvez nunca exista a hora para vender Messi.

Mas e0 você? Teria coragem? O que acha que o Barcelona deveria fazer? Renovar ou vender?


Barcelona reencontra bom e velho freguês na Champions
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juliogomes

Unai Emery chegou ao Paris-Saint Germain no meio do ano passado para elevar o clube a outro nível. Por isso, leia-se: ganhar de algum gigante, superar a barreira das quartas de final na Liga dos Campeões da Europa. O problema para Emery é que o desafio passa por seus dois maiores pesadelos.

Um tal Barcelona. Um tal Lionel Messi.

O técnico basco se destacou já aos 35 anos de idade, com um campanha magnífica pelo minúsculo Almería (Felipe Melo e o goleiro Diego Alves jogavam lá). Foi para o Valencia, onde ficou quatro temporadas. Em tempos de domínio de recordes de Barça e Real (os anos de Guardiola e Mourinho), Emery levou o Valencia a três terceiros lugares na Espanha. Era o que dava para fazer. Depois de uma rápida e frustrada passagem pelo Spartak Moscou, chegou a Sevilha no meio da temporada 12/13. Em três temporadas e meia, levantou três vezes a taça da Europa League. Um feito.

Durante esses anos todos, Emery enfrentou o Barcelona 23 vezes: ganhou uma, empatou seis, perdeu 16 vezes. Saiu derrotado das 11 visitas que fez ao Camp Nou. Caiu nas finais da Supercopa da Europa (2015) e da Copa do Rei (2016) na prorrogação. Foi conseguir a primeira vitória somente na 21a partida, um Sevilla 2 x 1 Barça, no fim de 2015. Nestes anos todos, levou 25 gols de Messi – que, por sinal, não jogou nessa única vitória de Emery, em Sevilha.

Ufa.

Isso que é freguês de carteirinha!

messi_emery

O que isso quer dizer, no entanto? Adoramos números e identificar quando alguém sempre ganha ou sempre perde em determinada situação. Tendemos a achar que as coisas acontecem sempre da mesma maneira, em looping. No futebol, são assim… até a hora em que não são mais. Como diria o filósofo, tabus estão aí para serem quebrados.

Das quatro eliminações consecutivas do PSG nas quartas, duas foram para o Barça (2013 e 2015). Quando disputaram a final da extinta Recopa, em 97, também deu Barça (Ronaldo, Guardiola, Luis Enrique, Figo, era aquele time contra o de Leonardo e Ricardo Gomes). Chegou a hora de quebrar o tabu?

Emery nunca enfrentou o Barcelona com um time tão bom quanto o que tem em mãos no momento. E, como destacou o próprio técnico rival, Luis Enrique, se toda essa freguesia serviu para algo é o fato de Emery conhecer muito bem o Barça, seus pontos fortes e fracos.

O grande desafio é parar Messi e Suárez. O Barcelona não faz uma temporada brilhante coletivamente. Mas, individualmente, os caras estão resolvendo tudo. Suárez tem 25 gols na temporada, sendo 18 deles em 20 jogos da liga doméstica. A artilharia é dele. Messi fez 17 no Espanhol e nada menos do que 10 gols na fase de grupos da Champions. São 32 gols em 32 jogos na temporada.

Suárez fez gols em 70 dos 128 jogos que fez com a camisa do Barça nestes dois anos e meio. Nestes 70, o time ganhou 65 e empatou 5. Ou seja, se o uruguaio marca, o Barça não perde.

Se não bastassem os dois, ainda tem Neymar. Um coadjuvante de luxo.

O problema do Barça definitivamente não é o ataque. Mas, sim, a dificuldade em fazer a bola chegar lá. Daniel Alves tinha um papel crucial na construção, faz mais falta do que se imaginava. Iniesta ficou machucado a maior parte da temporada e até Busquets perdeu jogos. A fluência foi afetada duramente.

Ainda assim, é difícil imaginar o PSG não levando um gol sequer do Barcelona. Ainda mais com o desfalque de última hora de Thiago Silva.

O que resta fazer? Marcar mais gols.

Para isso, o PSG tem Cavani, 33 gols em 31 jogos na temporada. Um monstro no ataque, que nos faz pensar se o PSG perdeu muito tempo confiando em Ibrahimovic – pode ser craque, gênio, até, mas nunca triunfou na hora da verdade das Champions que disputou.

Com a chegada de Draexler e Lucas Moura se firmando, tem sobrado o banco para Di María. E o argentino tem mostrado poder de reação, se incomodou, vem jogando melhor. O meio de campo é talentoso, apesar da Verrati-dependência.

Unai Emery disse que o jogo será decidido taticamente e nas batalhas individuais.

Ele tem certa razão. Erros grandes demais serão catastróficos para quem cometê-los. E os atacantes do PSG são capazes de expor a defesa do Barça, que não terá Mascherano.

O PSG deve pressionar muito a claudicante saída de bola do Barça, Lucas, Draexler e os meias são ótimos fazendo isso. A chave é não deixar algum lançamento encontrar Messi e/ou Suárez e/ou Neymar em situação de um contra um (ou contra poucos).

O fato é que, com Emery, apesar do início de temporada instável, o PSG é um time mais coeso, mais forte. Mas ainda não mostrou se conseguirá dar o grande salto.

Será que a freguesia vai falar mais alto?

 


Iniesta e Modric, gênios do clássico e do futebol total
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juliogomes

Quem esperava ver Messi e Cristiano Ronaldo no superclássico deste sábado, em Barcelona, viu mesmo Andrés Iniesta e Luka Modric. Dois jogadores exemplares, símbolos do futebol total que se joga hoje em dia nos quatro cantos do mundo.

Não, não quero aqui tirar os méritos de Messi, Suárez e Neymar, três gênios da bola. Apenas colocar um asterisco. Como funciona melhor o badalado trio de ataque do Barcelona quando Iniesta está em campo!

Iniesta não é um jogador subestimado, eu diria. Sim, ele é valorizado. Mas talvez mais por aquele gol de Johanesburgo, da final da Copa de 2010, do que pela bola que joga há mais de dez anos, semana sim, semana também.

Uma lesão no joelho deixou Iniesta fora dos gramados desde 22 de outubro. No período, coincidência ou não, o Barcelona viveu seu pior momento em dois anos e meio de Luís Enrique. Tropeços em casa na Liga, derrota na Champions, seis pontos abaixo do líder na tabela. Em 12 anos, desde o início da “era Ronaldinho” e a subsequente fase de títulos, a maior da história do Barça, nunca o clube catalão chegou para um clássico contra o Real Madrid tão contra a parede.

Se perdesse hoje, adeus Liga. Em dezembro?? Sim, em dezembro. Nove pontos abaixo… esqueçam. Até mesmo o empate é horroroso para o Barça, principalmente com um gol sofrido aos 44min do segundo tempo. Gol de Sergio Ramos que fez justiça ao que foi o jogo todo, o 1 a 1 ficou de bom tamanho no Camp Nou.

E o fato é que o primeiro tempo e o início do segundo refletiram exatamente o momento dos clubes.

O Real Madrid foi bastante melhor que o Barcelona, tinha as ideias claras em campo, sabia melhor o que fazer para seu plano de jogo triunfar. O Real marcou atrás, com linhas bem juntas e sem deixar o trio de ataque do Barça receber bolas com espaço ou sem ajudas de marcação.

Aos 2min de jogo, a arbitragem prejudicou o Real ao não marcar pênalti tão claro como bobo de Mascherano em Lucas Vázquez. O erro não abalou o líder. Modric só não fez chover no meio de campo. Futebol total, essa talvez seja a melhor definição. Box to box. Cortando as linhas de passes de Messi, infernizando o argentino sem dar um carrinho sequer, se associando com todos os setores, participando de tudo. Modric é o Iniesta do Real, o motorzinho. Não tão absurdamente genial com a bola nos pés, mas incrivelmente eficiente de área a área, com ou sem a posse.

O domínio não foi traduzido em chances claríssimas de gol, mas o Real teve finalizações perigosas com Cristiano Ronaldo e Varane, de cabeça. O Barça nada fazia. Aos 40min, um cruzamento de Alba foi cortado com o braço por Carvajal. Outro pênalti não marcado. Claro que a história do jogo teria sido totalmente outra se o Real abrisse o placar aos 2min de jogo, mas ficou uma sensação de “elas por elas”, com um pênalti não marcado para cada lado.

No segundo tempo, a história era a mesma. Até que saiu o gol. Como sempre, o gol muda tudo. Não foi uma grande partida de Neymar, mas ele sofre a falta e cruza para Suárez marcar de cabeça. Na construção de jogo, nada funcionava para o Barça. Na bola parada, tudo se resolveu.

Logo depois, entrou Iniesta. E aí virou um desfile em campo de um jogador que tem tudo. Classe, inteligência, velocidade, visão, noção de espaço.

Tivemos então um gol perdido por Neymar e outro por Messi (após passe genial de Iniesta, tipo tacada de bilhar, quebrando todas as linhas de marcação possíveis). Messi, maior artilheiro da história dos clássicos, está há seis jogos sem marcar contra o Real. Devia ter feito o 2 a 0, o empate vai para a conta dele.

Ficou aquela sensação de que o Barça havia perdido a chance de matar o jogo. E foi exatamente isso. Zidane colocou Casemiro em campo, ausente da Liga por dois meses. Entrou um volante por um meia. Em um time que estava perdendo. A substituição foi perfeita. Casemiro conseguiu dar mais equilíbrio ao meio de campo, e Modric se aproximou mais do ataque.

Nos dez minutos finais, o Real foi para cima do Barcelona e chegou ao empate também na bola parada. Cruzamento perfeito de Modric, quem mais seria? Com Sergio Ramos em campo, amigos, é melhor nunca fazer uma falta perto da área nos minutos finais. Ele está sempre lá para ser herói. O Atlético de Madri sabe bem disso.

Para o Barcelona, fica o gosto da derrota. Em vez de colocar fogo na Liga, segue seis pontos atrás com quatro empates em seus últimos cinco jogos. Por outro lado, a melhor notícia é a volta deste gênio chamado Iniesta. Um sopro de esperança.

Paremos de falar do trio MSN. É justo começar a citar sempre o quarteto MSNI.

Para o Real Madrid, é um empate com gosto de vitória e título. Placar justo, dada a atuação do primeiro tempo e o pênalti não marcado no início. Recuperando machucados e com esta vantagem, o Real de Zidane, invicto há 33 partidas, está cada vez mais forte. A maior invencibilidade da história do Real? 34 jogos. Tem algo grande acontecendo no Bernabéu.


Clássico com Barça tão atrás do Real? É preciso voltar 12 anos no tempo
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juliogomes

Para o Barcelona, o clássico deste sábado contra o Real Madrid é uma espécie de final antecipada na Liga espanhola. Ou ganha o jogo ou o título começa a virar missão quase impossível.

Sim, todo clássico Barça-Madrid é encarado como uma final. Sim, ainda estamos em dezembro. Mas o fato é que os seis pontos que o Real tem de vantagem na tabela geram este ambiente de “ou ganha ou adiós, Barça”. E um cenário como este é raridade no superclássico, pelo menos desde 2004, início dos melhores anos da história do clube catalão.

Com 13 rodadas no Campeonato Espanhol, o Real Madrid soma 33 pontos, contra 27 de Barça e Sevilla, 24 do Atlético de Madri. Se vencer no Camp Nou, abrirá nove pontos para o maior rival e é importante lembrar que  jogará, logicamente, a partida do segundo turno em Madri. Nem o empate serve para o Barça. É vencer ou vencer para acalmar as coisas e se recolocar na briga pelo campeonato.

É preciso voltar 12 anos no tempo para encontrarmos um Barcelona em situação (delicada) parecida antes de um clássico.

Em abril de 2004, no fim do primeiro ano da “era Ronaldinho”, o Barça ganhou no Santiago Bernabéu por 2 a 1, com um gol de Xavi no finalzinho. Faltavam cinco rodadas para o fim do campeonato, e o Barça estava sete pontos atrás dos líderes Real e Valencia. Se não vencesse, estaria fora da briga pelo título. Venceu e cortou para quatro a desvantagem na tabela. O Barça acabaria passando o Real nas rodadas finais, mas o título ficaria com o Valencia.

De todas as maneiras, o Barça fizera um primeiro turno tenebroso naquele campeonato e ficar sem a conquista não havia sido exatamente um fracasso. Não era um Barça “contra a parede”, como neste sábado. Era um time em construção, que seria bicampeão nos anos seguintes e voltaria a brilhar na Europa.

Desde aquele jogo, em 2004, foram realizados 24 superclássicos válidos pela Liga espanhola. Em 16 ocasiões (dois terços dos jogos), o Barça chegou à partida com mais pontos no campeonato do que o Real Madrid.

A maior vantagem que o Real detinha nestes anos todos era a de 2008. Já campeão, o Real tinha 14 pontos de diferença – o jogo (que acabou 4 a 1 para o time de Madri) não tinha importância para o campeonato e ficou marcado pelo “pasillo”, o corredor feito pelos jogadores do Barça para aplaudir o time campeão nacional, uma tradição na Espanha. Portanto, não era um Barça pressionado pela vitória, era um Barça já derrotado e humilhado no campeonato. Humilhação que gerou a aposta em um certo Guardiola e a dispensa de Ronaldinho. Começava de vez a “era Messi”.

Em outras duas ocasiões nestes anos todos, o Barça chegou ao clássico contra a parede. Mas a desvantagem era de quatro pontos, não de seis, como ocorre no momento.

Em março de 2014, o Barça chegou ao Bernabéu quatro pontos atrás e venceu por 4 a 3, mantendo-se na briga. O técnico era o argentino Tata Martino. Depois daquela rodada, o Barça foi a 69 pontos, um a menos que Real e Atlético – que acabaria sendo campeão naquela temporada.

Já dois anos antes, em abril de 2012, o Barça recebeu o rival no Camp Nou precisando ganhar, com quatro pontos a menos e cinco rodadas para o fim. Perdeu por 2 a 1, no jogo em que Cristiano Ronaldo marcou e pediu “calma” para o estádio, em um gesto no estilo “baixem a bolinha”. O Real abriu sete pontos e ganhou, logo depois, seu único título da Liga com Mourinho. Por sinal, o único título nacional do gigante de Madri em oito temporadas.

O fato é que desde a era Ronaldinho, passando depois por Messi-Xavi-Iniesta, Guardiola e, agora, com o trio Messi-Suárez-Neymar, o Barcelona muito mais ganhou do que perdeu contra o Real Madrid.

Desde 2004, foram muitos clássicos com o Real contra a parede. Poucos, como já vimos, com o Barça desesperado pelo resultado. Ainda mais tão cedo na temporada.

Nos últimos dez jogos no Camp Nou pelo Campeonato Espanhol, incluindo a temporada passada, o Barça ganhou cinco, empatou dois e perdeu três. Um desempenho ruim, o estádio não tem sido mais uma fortaleza. Somando todas as competições na atual temporada, são apenas duas vitórias nos últimos seis jogos, uma minicrise.

Pelo menos volta ao time Iniesta e o sistema defensivo se recompõe com Piqué, Umtiti e Alba.

Já o Real Madrid joga sem Casemiro, Kroos e Bale, desfalques importantes para o time de Zidane. Apesar de tantas baixas desde o início da temporada, o clube branco ganhou 10 de seus últimos 11 jogos, marcando 43 gols (quase 4 por jogo) no período. A sangria defensiva foi estancada, com três gols sofridos nos últimos cinco jogos. Casemiro, após dois meses, voltou no meio de semana pela Copa do Rei e pode até ser uma novidade neste sábado.

Em sites que orientam apostadores e analisam as probabilidades dos esportes mundo afora, como o Oddshark, o Barcelona é considerado favorito (1,85 para 1). O Real Madrid (4 para 1), no entanto, está invicto na Liga e tem jogado melhor no campeonato local do que na Champions. Façam suas apostas.

Curiosidades do superclássico:

– Último empate pela Liga foi em 7/10/12. Desde então, quatro vitórias do Barça e três do Real.

– Nos últimos 10 anos de campeonato (20 jogos), foram apenas três empates. Somando todas as competições, foram 8 empates em 38 jogos (período de 13 anos). Empatam pouco!

– Também nestes últimos 13 anos, neste mesmo período, o mandante ganhou 14 clássicos, o visitante ganhou outros 14. Fator casa??

– Nos últimos 20 jogos entre eles, só um destes jogos teve um dos times sem marcar gols. O último 0 a 0 foi em novembro de 2002, há 14 anos. Zidane ainda jogava.

 

messi_cristianoronaldo