Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Messi

Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Encontrar logo novo técnico é chave para renovação de Messi
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juliogomes

O anúncio da saída de Luís Enrique do comando técnico do Barcelona ao final da temporada foi surpreendente pela forma e pelo momento, logo após uma goleada e logo antes de tentar a difícil tarefa de sobreviver na Liga dos Campeões da Europa. Mas não foi surpreendente pela saída em si.

O clima estava ficando cada vez mais pesado, com críticas dos jogadores nas entrelinhas às formações táticas, entrevistas coletivas curtas e pouco amigáveis, imprensa catalã detonando o treinador. Era difícil imaginar que Luís Enrique renovasse.

Como o próprio presidente Josep Maria Bartomeu disse, a notícia acaba com as especulações sobre “se renova ou não”. E ajuda o time a estar totalmente focado, sem distrações, no campeonato.

Agora resta a imprensa e torcedores especularem quem será o novo técnico. De cara, dois nomes parecem ter mais força: Jorge Sampaoli, atualmente no Sevilla, e Ernesto Valverde, no Athletic Bilbao. Mas esse debate, a priori, não invadirá nem atrapalhará o vestiário.

Exceto para um tal Messi.

O gênio argentino tem contrato com o Barcelona até o meio de 2018 e ainda não assinou a renovação. Segundo a imprensa local, Messi aguarda para saber qual será o projeto esportivo do Barça a partir do ano que vem – leia-se, influenciar ou decidir.

Só que, a cada dia que passa, ele se aproxima do fim do contrato atual. Imaginem Messi livre para negociar com outro clube. Saindo de graça!

Pensando na temporada atual, não haveria razão para pressa na escolha de um novo técnico. Mas, pensando na renovação de Messi, essa escolha é para ontem. Ele quer saber como serão os próximos anos antes de assinar um novo contrato.

A atual diretoria do Barça já se mostrou pouco competente para contratar jogadores. Vamos aguardar para saber se acertará a mão na hora de trazer um novo técnico, que saiba não só explorar o magnífico trio de frente, mas construir uma equipe equilibrada em todas as linhas.

Messi também está esperando. O relógio é o inimigo.

 


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Chegou a hora de o Barcelona vender Messi?
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juliogomes

Foi um tablóide inglês, em novembro, que “noticiou” que o Manchester City estaria disposto a pagar 100 milhões de libras ao Barcelona por Messi – mais ou menos 385 milhões de reais. Este, por sua vez, receberia um salário de 100 milhões de reais por cada uma das quatro temporadas de contrato.

Messi passaria a ter um salário parecido com o de Tevez, que foi para a China ganhar um pouco mais de 100 milhões por duas temporadas e ser o jogador mais bem pago do mundo.

Eu usei aspas ali acima no primeiro parágrafo porque esse tipo de notícia sempre aparece em tempos de renovação de contrato. Empresários passam para frente o que quiserem e jornais publicam sem checar. É o jeito de pressionar, através, da mídia, para conseguir melhores contratos. É o jeito também de mandar recados.

O contrato de Messi com o Barcelona acaba no meio de 2018, ao final da próxima temporada. No fim de 2017, qualquer clube pode negociar com Messi sem nem perguntar ao Barça. Imaginem o maior jogador da história do clube, talvez de todos os clubes, saindo de graça? Ou seja, já passou da hora de renovar, o risco aumenta a cada dia.

Mas será que este é o movimento correto para o clube?

Ou será que chegou a hora de vender Messi?

O Barcelona vive uma crise esportiva importante. Aposentadorias (como a de Xavi), saídas (como a de Daniel Alves), lesões (como a de Mascherano), envelhecimento (como o de Iniesta), más contratações (como a de André Gomes). Vários fatores fizeram com que, de repente, o time se visse com o melhor ataque do mundo e… nada mais.

Em seu primeiro ano como técnico do Barcelona, Luís Enrique ganhou tudo – Champions League, Mundial, Liga, Copa do Rei. No segundo ano, doblete com a Liga e a Copa. Mas a eliminação para o Atlético de Madri na Champions 15/16 e o derretimento na reta final que quase jogou no lixo o título espanhol geraram interrogações. Tudo isso ocorreu de um ano para cá.

Vieram, então, as más contratações. Muito dinheiro gasto em jogadores de nível médio. E uma terceira temporada em que o Barcelona não consegue jogar bem. Ainda está na disputa pelo título espanhol e na final de outra Copa do Rei, mas os humilhantes 4 a 0 sofridos diante do PSG não só devem significar a eliminação na Champions, mas também um marco.

Luís Enrique só tem contrato até o fim da atual temporada e cada vez fica mais difícil imaginar a continuidade do treinador. Explosivo, está em litígio com parte da imprensa catalã. E, o principal, não encontra soluções para os problemas do time.

O Barcelona não cria nada, sofre na defesa e só ganha jogos porque Messi, Suárez e Neymar, alternadamente e não necessariamente nesta ordem, têm conseguido resolver algumas coisas. É um Barça sem identidade, dependendo de contra ataques e genialidades.

Enquanto não é definida a situação de Luís Enrique, Messi não acerta a renovação. Ele não vai assinar enquanto o projeto esportivo do clube para os próximos anos não estiver claro. Enquanto isso não acontece, fica mais perto do fim do contrato e o mundo do futebol fica mais e mais ouriçado.

Quem teria bala para contratar Messi? Possivelmente, apenas Real Madrid, Manchester City, Manchester United, Chelsea, Bayern de Munique e PSG. Quem, realisticamente, pagaria mais de 100 milhões de euros por Messi: City e PSG seriam os candidatos únicos.

Neymar e Suárez já renovaram até 2021. O Barça tem problemas em todos os setores, exceto o ataque. Nas laterais, na zaga, no meio de campo, no banco de reservas.

E se vender Messi significasse conseguir um time novo?

Será que o City e Guardiola não aceitariam colocar na mesa nomes de jovens como De Bruyne, Sané, Gabriel Jesus…? Será que o PSG não aceitaria colocar na mesa nomes como Thiago Silva, Marquinhos, Verratti…?

Além, logicamente, de muita grana, que poderia ser bem usada nas mãos de alguém que saiba mais de mercado do que Luís Enrique e os diretores atuais.

Messi é o maior jogador da história do Barcelona. Pegou o bastão de Ronaldinho e entrou para o olimpo do esporte. É um cara de 500 gols com a camisa do clube, quatro Champions, três Mundiais, oito Ligas, cinco prêmios de melhor do mundo.

Mas é inegável que o auge já passou. Messi já está em declínio. Já faz jogos ruins com alguma frequência, como foi no 4 a 0 de Paris. Já mostra, às vezes, falta de ambição em campo. Já deixou de ser decisivo em todos os jogos grandes da temporada.

Na atual, por exemplo, os poucos jogos em que passou em branco foram justamente os mais importantes: o de Paris, o clássico contra o Real, duelos contra o Atlético…

Claro, estamos falando de um dos três maiores da história, senão o maior. O declínio dele significa 34 gols em 34 jogos na temporada atual. Mas quem viu Messi na plenitude, entre 2008 e 2015, consegue notar que ele não é o mesmo. Quanto tempo vai demorar para aparecerem lesões que o afastem por mais tempo? Quantos anos mais Messi manterá uma média de um gol por jogo? Dois? Será?

Por outro lado, Messi não parece respeitar as regras “naturais” escritas ao longo de décadas. É capaz que se motive com novos desafios, que fique aí mais cinco anos em nível estratosférico, que leve o Barça a muitos mais títulos. Vai saber.

Por mais que o futebol seja cada vez mais um negócio, existe um componente intangível. O significado de Messi para o clube, para os torcedores, para a cidade, para a região. Isso não se mede em dinheiro. O coração de todas as pessoas envolvidas dirá: que se dane se Messi cair de produção nos próximos anos. Que se dane o resto do time. Esse cara não pode vestir outra camisa na vida.

Mas, racionalmente, será que tem sentido renovar seu contrato e gastar milhões em vez de ganhar milhões e construir um novo time, agora com Neymar e Suárez como protagonistas?

Aliás, quanto tempo mais Neymar aguentará ser coadjuvante? Não estaria o clube correndo o risco de perder os dois ao mesmo tempo? Neymar, que é cinco anos mais jovem, para algum rival. Messi, para o tempo.

O tempo chega para todos.

Eu duvido que algum dirigente tenha coragem de tomar essa atitude. Duvido que algum cartola tope vender Messi e assuma a bronca. Na prática, creio que isso só acontecerá se ele, Messi, quiser sair. Talvez nunca exista a hora para vender Messi.

Mas e0 você? Teria coragem? O que acha que o Barcelona deveria fazer? Renovar ou vender?


Barcelona reencontra bom e velho freguês na Champions
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juliogomes

Unai Emery chegou ao Paris-Saint Germain no meio do ano passado para elevar o clube a outro nível. Por isso, leia-se: ganhar de algum gigante, superar a barreira das quartas de final na Liga dos Campeões da Europa. O problema para Emery é que o desafio passa por seus dois maiores pesadelos.

Um tal Barcelona. Um tal Lionel Messi.

O técnico basco se destacou já aos 35 anos de idade, com um campanha magnífica pelo minúsculo Almería (Felipe Melo e o goleiro Diego Alves jogavam lá). Foi para o Valencia, onde ficou quatro temporadas. Em tempos de domínio de recordes de Barça e Real (os anos de Guardiola e Mourinho), Emery levou o Valencia a três terceiros lugares na Espanha. Era o que dava para fazer. Depois de uma rápida e frustrada passagem pelo Spartak Moscou, chegou a Sevilha no meio da temporada 12/13. Em três temporadas e meia, levantou três vezes a taça da Europa League. Um feito.

Durante esses anos todos, Emery enfrentou o Barcelona 23 vezes: ganhou uma, empatou seis, perdeu 16 vezes. Saiu derrotado das 11 visitas que fez ao Camp Nou. Caiu nas finais da Supercopa da Europa (2015) e da Copa do Rei (2016) na prorrogação. Foi conseguir a primeira vitória somente na 21a partida, um Sevilla 2 x 1 Barça, no fim de 2015. Nestes anos todos, levou 25 gols de Messi – que, por sinal, não jogou nessa única vitória de Emery, em Sevilha.

Ufa.

Isso que é freguês de carteirinha!

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O que isso quer dizer, no entanto? Adoramos números e identificar quando alguém sempre ganha ou sempre perde em determinada situação. Tendemos a achar que as coisas acontecem sempre da mesma maneira, em looping. No futebol, são assim… até a hora em que não são mais. Como diria o filósofo, tabus estão aí para serem quebrados.

Das quatro eliminações consecutivas do PSG nas quartas, duas foram para o Barça (2013 e 2015). Quando disputaram a final da extinta Recopa, em 97, também deu Barça (Ronaldo, Guardiola, Luis Enrique, Figo, era aquele time contra o de Leonardo e Ricardo Gomes). Chegou a hora de quebrar o tabu?

Emery nunca enfrentou o Barcelona com um time tão bom quanto o que tem em mãos no momento. E, como destacou o próprio técnico rival, Luis Enrique, se toda essa freguesia serviu para algo é o fato de Emery conhecer muito bem o Barça, seus pontos fortes e fracos.

O grande desafio é parar Messi e Suárez. O Barcelona não faz uma temporada brilhante coletivamente. Mas, individualmente, os caras estão resolvendo tudo. Suárez tem 25 gols na temporada, sendo 18 deles em 20 jogos da liga doméstica. A artilharia é dele. Messi fez 17 no Espanhol e nada menos do que 10 gols na fase de grupos da Champions. São 32 gols em 32 jogos na temporada.

Suárez fez gols em 70 dos 128 jogos que fez com a camisa do Barça nestes dois anos e meio. Nestes 70, o time ganhou 65 e empatou 5. Ou seja, se o uruguaio marca, o Barça não perde.

Se não bastassem os dois, ainda tem Neymar. Um coadjuvante de luxo.

O problema do Barça definitivamente não é o ataque. Mas, sim, a dificuldade em fazer a bola chegar lá. Daniel Alves tinha um papel crucial na construção, faz mais falta do que se imaginava. Iniesta ficou machucado a maior parte da temporada e até Busquets perdeu jogos. A fluência foi afetada duramente.

Ainda assim, é difícil imaginar o PSG não levando um gol sequer do Barcelona. Ainda mais com o desfalque de última hora de Thiago Silva.

O que resta fazer? Marcar mais gols.

Para isso, o PSG tem Cavani, 33 gols em 31 jogos na temporada. Um monstro no ataque, que nos faz pensar se o PSG perdeu muito tempo confiando em Ibrahimovic – pode ser craque, gênio, até, mas nunca triunfou na hora da verdade das Champions que disputou.

Com a chegada de Draexler e Lucas Moura se firmando, tem sobrado o banco para Di María. E o argentino tem mostrado poder de reação, se incomodou, vem jogando melhor. O meio de campo é talentoso, apesar da Verrati-dependência.

Unai Emery disse que o jogo será decidido taticamente e nas batalhas individuais.

Ele tem certa razão. Erros grandes demais serão catastróficos para quem cometê-los. E os atacantes do PSG são capazes de expor a defesa do Barça, que não terá Mascherano.

O PSG deve pressionar muito a claudicante saída de bola do Barça, Lucas, Draexler e os meias são ótimos fazendo isso. A chave é não deixar algum lançamento encontrar Messi e/ou Suárez e/ou Neymar em situação de um contra um (ou contra poucos).

O fato é que, com Emery, apesar do início de temporada instável, o PSG é um time mais coeso, mais forte. Mas ainda não mostrou se conseguirá dar o grande salto.

Será que a freguesia vai falar mais alto?

 


Iniesta e Modric, gênios do clássico e do futebol total
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juliogomes

Quem esperava ver Messi e Cristiano Ronaldo no superclássico deste sábado, em Barcelona, viu mesmo Andrés Iniesta e Luka Modric. Dois jogadores exemplares, símbolos do futebol total que se joga hoje em dia nos quatro cantos do mundo.

Não, não quero aqui tirar os méritos de Messi, Suárez e Neymar, três gênios da bola. Apenas colocar um asterisco. Como funciona melhor o badalado trio de ataque do Barcelona quando Iniesta está em campo!

Iniesta não é um jogador subestimado, eu diria. Sim, ele é valorizado. Mas talvez mais por aquele gol de Johanesburgo, da final da Copa de 2010, do que pela bola que joga há mais de dez anos, semana sim, semana também.

Uma lesão no joelho deixou Iniesta fora dos gramados desde 22 de outubro. No período, coincidência ou não, o Barcelona viveu seu pior momento em dois anos e meio de Luís Enrique. Tropeços em casa na Liga, derrota na Champions, seis pontos abaixo do líder na tabela. Em 12 anos, desde o início da “era Ronaldinho” e a subsequente fase de títulos, a maior da história do Barça, nunca o clube catalão chegou para um clássico contra o Real Madrid tão contra a parede.

Se perdesse hoje, adeus Liga. Em dezembro?? Sim, em dezembro. Nove pontos abaixo… esqueçam. Até mesmo o empate é horroroso para o Barça, principalmente com um gol sofrido aos 44min do segundo tempo. Gol de Sergio Ramos que fez justiça ao que foi o jogo todo, o 1 a 1 ficou de bom tamanho no Camp Nou.

E o fato é que o primeiro tempo e o início do segundo refletiram exatamente o momento dos clubes.

O Real Madrid foi bastante melhor que o Barcelona, tinha as ideias claras em campo, sabia melhor o que fazer para seu plano de jogo triunfar. O Real marcou atrás, com linhas bem juntas e sem deixar o trio de ataque do Barça receber bolas com espaço ou sem ajudas de marcação.

Aos 2min de jogo, a arbitragem prejudicou o Real ao não marcar pênalti tão claro como bobo de Mascherano em Lucas Vázquez. O erro não abalou o líder. Modric só não fez chover no meio de campo. Futebol total, essa talvez seja a melhor definição. Box to box. Cortando as linhas de passes de Messi, infernizando o argentino sem dar um carrinho sequer, se associando com todos os setores, participando de tudo. Modric é o Iniesta do Real, o motorzinho. Não tão absurdamente genial com a bola nos pés, mas incrivelmente eficiente de área a área, com ou sem a posse.

O domínio não foi traduzido em chances claríssimas de gol, mas o Real teve finalizações perigosas com Cristiano Ronaldo e Varane, de cabeça. O Barça nada fazia. Aos 40min, um cruzamento de Alba foi cortado com o braço por Carvajal. Outro pênalti não marcado. Claro que a história do jogo teria sido totalmente outra se o Real abrisse o placar aos 2min de jogo, mas ficou uma sensação de “elas por elas”, com um pênalti não marcado para cada lado.

No segundo tempo, a história era a mesma. Até que saiu o gol. Como sempre, o gol muda tudo. Não foi uma grande partida de Neymar, mas ele sofre a falta e cruza para Suárez marcar de cabeça. Na construção de jogo, nada funcionava para o Barça. Na bola parada, tudo se resolveu.

Logo depois, entrou Iniesta. E aí virou um desfile em campo de um jogador que tem tudo. Classe, inteligência, velocidade, visão, noção de espaço.

Tivemos então um gol perdido por Neymar e outro por Messi (após passe genial de Iniesta, tipo tacada de bilhar, quebrando todas as linhas de marcação possíveis). Messi, maior artilheiro da história dos clássicos, está há seis jogos sem marcar contra o Real. Devia ter feito o 2 a 0, o empate vai para a conta dele.

Ficou aquela sensação de que o Barça havia perdido a chance de matar o jogo. E foi exatamente isso. Zidane colocou Casemiro em campo, ausente da Liga por dois meses. Entrou um volante por um meia. Em um time que estava perdendo. A substituição foi perfeita. Casemiro conseguiu dar mais equilíbrio ao meio de campo, e Modric se aproximou mais do ataque.

Nos dez minutos finais, o Real foi para cima do Barcelona e chegou ao empate também na bola parada. Cruzamento perfeito de Modric, quem mais seria? Com Sergio Ramos em campo, amigos, é melhor nunca fazer uma falta perto da área nos minutos finais. Ele está sempre lá para ser herói. O Atlético de Madri sabe bem disso.

Para o Barcelona, fica o gosto da derrota. Em vez de colocar fogo na Liga, segue seis pontos atrás com quatro empates em seus últimos cinco jogos. Por outro lado, a melhor notícia é a volta deste gênio chamado Iniesta. Um sopro de esperança.

Paremos de falar do trio MSN. É justo começar a citar sempre o quarteto MSNI.

Para o Real Madrid, é um empate com gosto de vitória e título. Placar justo, dada a atuação do primeiro tempo e o pênalti não marcado no início. Recuperando machucados e com esta vantagem, o Real de Zidane, invicto há 33 partidas, está cada vez mais forte. A maior invencibilidade da história do Real? 34 jogos. Tem algo grande acontecendo no Bernabéu.


Clássico com Barça tão atrás do Real? É preciso voltar 12 anos no tempo
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juliogomes

Para o Barcelona, o clássico deste sábado contra o Real Madrid é uma espécie de final antecipada na Liga espanhola. Ou ganha o jogo ou o título começa a virar missão quase impossível.

Sim, todo clássico Barça-Madrid é encarado como uma final. Sim, ainda estamos em dezembro. Mas o fato é que os seis pontos que o Real tem de vantagem na tabela geram este ambiente de “ou ganha ou adiós, Barça”. E um cenário como este é raridade no superclássico, pelo menos desde 2004, início dos melhores anos da história do clube catalão.

Com 13 rodadas no Campeonato Espanhol, o Real Madrid soma 33 pontos, contra 27 de Barça e Sevilla, 24 do Atlético de Madri. Se vencer no Camp Nou, abrirá nove pontos para o maior rival e é importante lembrar que  jogará, logicamente, a partida do segundo turno em Madri. Nem o empate serve para o Barça. É vencer ou vencer para acalmar as coisas e se recolocar na briga pelo campeonato.

É preciso voltar 12 anos no tempo para encontrarmos um Barcelona em situação (delicada) parecida antes de um clássico.

Em abril de 2004, no fim do primeiro ano da “era Ronaldinho”, o Barça ganhou no Santiago Bernabéu por 2 a 1, com um gol de Xavi no finalzinho. Faltavam cinco rodadas para o fim do campeonato, e o Barça estava sete pontos atrás dos líderes Real e Valencia. Se não vencesse, estaria fora da briga pelo título. Venceu e cortou para quatro a desvantagem na tabela. O Barça acabaria passando o Real nas rodadas finais, mas o título ficaria com o Valencia.

De todas as maneiras, o Barça fizera um primeiro turno tenebroso naquele campeonato e ficar sem a conquista não havia sido exatamente um fracasso. Não era um Barça “contra a parede”, como neste sábado. Era um time em construção, que seria bicampeão nos anos seguintes e voltaria a brilhar na Europa.

Desde aquele jogo, em 2004, foram realizados 24 superclássicos válidos pela Liga espanhola. Em 16 ocasiões (dois terços dos jogos), o Barça chegou à partida com mais pontos no campeonato do que o Real Madrid.

A maior vantagem que o Real detinha nestes anos todos era a de 2008. Já campeão, o Real tinha 14 pontos de diferença – o jogo (que acabou 4 a 1 para o time de Madri) não tinha importância para o campeonato e ficou marcado pelo “pasillo”, o corredor feito pelos jogadores do Barça para aplaudir o time campeão nacional, uma tradição na Espanha. Portanto, não era um Barça pressionado pela vitória, era um Barça já derrotado e humilhado no campeonato. Humilhação que gerou a aposta em um certo Guardiola e a dispensa de Ronaldinho. Começava de vez a “era Messi”.

Em outras duas ocasiões nestes anos todos, o Barça chegou ao clássico contra a parede. Mas a desvantagem era de quatro pontos, não de seis, como ocorre no momento.

Em março de 2014, o Barça chegou ao Bernabéu quatro pontos atrás e venceu por 4 a 3, mantendo-se na briga. O técnico era o argentino Tata Martino. Depois daquela rodada, o Barça foi a 69 pontos, um a menos que Real e Atlético – que acabaria sendo campeão naquela temporada.

Já dois anos antes, em abril de 2012, o Barça recebeu o rival no Camp Nou precisando ganhar, com quatro pontos a menos e cinco rodadas para o fim. Perdeu por 2 a 1, no jogo em que Cristiano Ronaldo marcou e pediu “calma” para o estádio, em um gesto no estilo “baixem a bolinha”. O Real abriu sete pontos e ganhou, logo depois, seu único título da Liga com Mourinho. Por sinal, o único título nacional do gigante de Madri em oito temporadas.

O fato é que desde a era Ronaldinho, passando depois por Messi-Xavi-Iniesta, Guardiola e, agora, com o trio Messi-Suárez-Neymar, o Barcelona muito mais ganhou do que perdeu contra o Real Madrid.

Desde 2004, foram muitos clássicos com o Real contra a parede. Poucos, como já vimos, com o Barça desesperado pelo resultado. Ainda mais tão cedo na temporada.

Nos últimos dez jogos no Camp Nou pelo Campeonato Espanhol, incluindo a temporada passada, o Barça ganhou cinco, empatou dois e perdeu três. Um desempenho ruim, o estádio não tem sido mais uma fortaleza. Somando todas as competições na atual temporada, são apenas duas vitórias nos últimos seis jogos, uma minicrise.

Pelo menos volta ao time Iniesta e o sistema defensivo se recompõe com Piqué, Umtiti e Alba.

Já o Real Madrid joga sem Casemiro, Kroos e Bale, desfalques importantes para o time de Zidane. Apesar de tantas baixas desde o início da temporada, o clube branco ganhou 10 de seus últimos 11 jogos, marcando 43 gols (quase 4 por jogo) no período. A sangria defensiva foi estancada, com três gols sofridos nos últimos cinco jogos. Casemiro, após dois meses, voltou no meio de semana pela Copa do Rei e pode até ser uma novidade neste sábado.

Em sites que orientam apostadores e analisam as probabilidades dos esportes mundo afora, como o Oddshark, o Barcelona é considerado favorito (1,85 para 1). O Real Madrid (4 para 1), no entanto, está invicto na Liga e tem jogado melhor no campeonato local do que na Champions. Façam suas apostas.

Curiosidades do superclássico:

– Último empate pela Liga foi em 7/10/12. Desde então, quatro vitórias do Barça e três do Real.

– Nos últimos 10 anos de campeonato (20 jogos), foram apenas três empates. Somando todas as competições, foram 8 empates em 38 jogos (período de 13 anos). Empatam pouco!

– Também nestes últimos 13 anos, neste mesmo período, o mandante ganhou 14 clássicos, o visitante ganhou outros 14. Fator casa??

– Nos últimos 20 jogos entre eles, só um destes jogos teve um dos times sem marcar gols. O último 0 a 0 foi em novembro de 2002, há 14 anos. Zidane ainda jogava.

 

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Brasil voa e expõe uma Argentina deprimida
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juliogomes

A Argentina só ficou fora de quatro Copas do Mundo até hoje. Não jogou os Mundiais de 38, 50 e 54 por motivos extra-campo. Ficar sem jogar por não conseguir vaga mesmo só aconteceu em 1970, eliminada pelo Peru.

Depois disso, a Argentina deu dois papelões e ficou contra a parede para se classificar para os Mundiais de 94 e 2010. Nas eliminatórias de 94, levou aqueles 5 a 0 para a Colômbia em casa, o que a obrigou a jogar a repescagem contra a Austrália, ganhando com um magro 1 a 0 em Buenos Aires.

A partir de 98, as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, todo mundo contra todo mundo, e a Argentina se classificou sem problemas em quase todas as vezes. Menos para a Copa de 2010. Naquela campanha, ficou cinco jogos sem ganhar, trocou de técnico, assumiu Maradona (medida desesperada), levou 6 da Bolívia (lembram?), levou sacolada do Brasil de Dunga em casa em uma série de três derrotas seguidas e acabou chegando à última rodada contra as cordas.

Em outubro de 2009, quando a Argentina chegou para jogar contra o Uruguai, em Montevidéu, uma derrota poderia deixá-la fora até da repescagem. Acabou ganhando por 1 a 0, com um gol no fim de um herói improvável, Bolatti. Foi a senha para Maradona mandar todos os jornalistas para a p* que pariu.

O tempo passou, Messi se consolidou como um dos maiores jogadores da história e a Argentina chegou a três finais consecutivas. Copa do Mundo-2014 e Copas Américas de 2015 e 2016. Perdeu uma na prorrogação, duas nos pênaltis. Bateu na trave para quebrar o jejum de títulos da absoluta, que vem desde 93.

E agora a coisa desandou. A seleção argentina parece uma seleção deprimida e cabisbaixa em campo.

Messi ameaçou se aposentar da seleção após a nova final contra o Chile, mas se arrependeu. Tata Martino saiu em circunstâncias estranhas. Tentaram Simeone, não deu certo. Sampaoli já havia ido para o Sevilla. Com tanto treinador argentino bom por aí, o cargo caiu no colo de Patón Bauza, que está muito longe de ser gênio. Seus times historicamente caminharam aos trancos e barrancos, com números pífios atuando fora de casa. Será que chega ao ano que vem?

Bauza ganhou do Uruguai na estreia. Depois disso, empates com Venezuela e Peru, derrota em casa para o Paraguai e os 3 a 0 desta quinta, que poderiam ter sido mais, para o Brasil no Mineirão.

Antes da Copa América, era o Brasil quem estava contra a parede. A decisão (atrasada, mas correta) de trazer Tite para o comando colocou as coisas nos eixos. Jogando bem, um futebol moderno e que ressalta as (muitas) qualidades de seus melhores jogadores, a seleção ganhou cinco seguidas. É lider das eliminatórias com 24 pontos e já está virtualmente classificada para a Copa-2018.

O jogo do Mineirão foi um passeio. Por mais que a Argentina tivesse mais posse no primeiro tempo, estava claro que o Brasil chegaria ao gol pela movimentação do time inteiro e pela leveza de espírito em campo. O golaço de Coutinho faz o rival desabar. A defesa é segura, o meio de campo é dinâmico (Paulinho fez mais um bom jogo) e o atacante é rápido, insinuante, com três velocistas e grandes finalizadores. Podia ter sido uma goleada histórica se a seleção apertasse mais no segundo tempo.

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Enquanto o Brasil se encontrou, a Argentina tomou as decisões erradas. Pela segunda vez na história, fica quatro jogos seguidos sem ganhar nas eliminatórias. Está fora da zona de classificação até para a repescagem e só não vive situação francamente dramática porque a rodada foi perfeita (evidentemente, exceto a derrota acachapante da própria Argentina). O Equador perdeu, o Paraguai perdeu em casa do Peru e Colômbia e Chile só empataram.

Brasil, com 24, e Uruguai, com 23, já estão garantidos. Aí são seis seleções separados por apenas quatro pontos. Duas vão para a Copa, uma para a repescagem e três vão sobrar. A Colômbia tem 18, Equador e Chile com 17, Argentina com 16, Paraguai com 15 e Peru com 14. No papel, Argentina, Chile e Colômbia são os favoritos para as três vagas. Mas como ignorar a altitude do Equador? A tradição do Paraguai? E até o Peru, de Cueva e Guerrero?

A última rodada das eliminatórias neste ano, terça-feira, tem Argentina x Colômbia, Chile x Uruguai, Equador x Venezuela, Bolívia x Paraguai, Peru x Brasil. O jogo contra os colombianos (treinados por Pekerman, um argentino) é decisivo para a vida de Bauza e da albiceleste nas eliminatórias.

No ano que vem, a Argentina pega Chile (casa, fantasmas), Bolívia (fora, fantasmas) e Uruguai (fora, casca de banana) antes de, finalmente, ter dois jogos supostamente fáceis: Venezuela e Peru em casa. Encerra na altitude equatoriana. Não é uma tabela tranquila, não.

Com uma defesa ridícula e um sistema ofensivo que parece cansado de bater na trave, desmotivado, abalado, a Argentina corre risco real de ficar fora da Copa.

E o Brasil está voando.

Como o futebol é dinâmico…


Só as eliminatórias sul-americanas são páreo para a Champions League
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juliogomes

A Copa do Mundo é a Copa do Mundo. Mas hoje ela não é muito maior ou mais importante que a Champions League. Antigamente, a Copa era a única possibilidade de ver os grandes jogadores do mundo juntos em um mesmo torneio. Era a única possibilidade de vermos confrontos entre escolas. De tirarmos a teima. Hoje, isso tudo está empacotado dentro da Champions anualmente.

Agora, sem a mesma pompa, sem a mesma organização, sem os estádios e gramados lindos e modernos, restringindo o debate somente à parte técnica, eu digo: as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo são a única competição capaz de rivalizar com o principal torneio de clubes. Não a Libertadores, mas as eliminatórias.

Vejam a rodada desta quinta-feira: Brasil x Argentina (só isso). Colômbia x Chile. Uruguai x Equador. Até Paraguai x Peru tem lá seu charme. E aí Venezuela x Bolívia deixamos de lado.

Agora olhe para a tabela: Brasil (21) e Uruguai (20) deram uma disparada, mas até a chegada de Tite o Brasil estava derrapando. Aí são seis seleções separadas por seis pontos, sendo que duas delas vão pra Copa e uma para a repescagem. Somente os lanternas Venezuela e Bolívia cumprem tabela, e mesmo assim, são adversários chatos quando jogam em casa.

O equilíbrio é total e é muito difícil apontar favoritos nos jogos. A cada rodada, tudo pode acontecer em três ou quatro dos cinco jogos.

Coloquemos agora na receita alguns ingredientes que a Champions League não tem: estádios com ambientaços, torcidas que fervem, condições extra-campo adversas (altitude, frio, calor, rojões na madrugada, polícia escoltando ônibus, vestiários discutíveis, árbitros pressionadíssimos).

Ah, mas isso tudo tem na Libertadores.

Sim. Só que tem um pequeno detalhe que a Libertadores não tem: os grandes jogadores.

Neymar, Coutinho, Thiago Silva, Marcelo, Messi, Di María, Higuaín, Mascherano, Suárez, Cavani, James, Vidal, Sánchez, entre tantos outros… esses caras infelizmente não duram muito tempo jogando em seus países natais. Logo vão para clubes europeus. Mas voltam para defender suas seleções – e, acreditem, amam fazê-lo.

Quem tem assistido somente aos jogos da seleção brasileira está perdendo. As partidas das Sul-Americanas têm muito bom nível técnico e de competitividade, são bem jogadas, dinâmicas, táticas, não devem para o futebol jogado na Europa. Aliás, são bem melhores que as das eliminatórias europeias – essas sim, com algumas ótimas seleções, mas um número muito grande de seleções médias, fracas ou péssimas. Isso, aliado ao sistema de grupos, faz com 70% dos jogos sejam desinteressantes a cada rodada.

A Argentina enfrenta o Brasil no Mineirão contra a parede. Neste momento, estaria fora da Copa. E arrumou um técnico, Patón Bauza, que historicamente fracassa fora de casa. Se perder do Brasil de Tite, que está voando, a Argentina precisa rezar para o Uruguai bater o Equador e, de preferência, que Colômbia x Chile acabe empatado.

Como são as coisas. De um mega crise, o Brasil saiu para virtual classificado. E, de finalista seguidamente em Copa do Mundo e duas Copas Américas, a Argentina vira uma seleção contra a parede para ir à Rússia. Vai precisar de muito Messi nesta noite no Mineirão. Senão estará à beira do seu 7 a 1 particular.

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Messi mostra que Guardiola ainda tem muito marketing pela frente
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juliogomes

O Barcelona nem precisou jogar muita bola. Ainda perdeu dois jogadores do sistema defensivo no primeiro tempo – lesões de Alba e Piqué. Mesmo assim, construiu um placar elástico contra o Manchester City no Camp Nou, venceu por 4 a 0 e praticamente garantiu a primeira posição no grupo da Liga dos Campeões – o que representa um sorteio mais amigável nas oitavas de final.

Ao City, de Guardiola, resta garantir essa segunda posição e torcer para não pegar um gigantão na próxima fase.

Messi fez três gols e ainda levou um pênalti desperdiçado por Neymar. E o engraçado é que passou longe, mas muito longe, de ser um jogo daqueles inesquecíveis do camisa 10. Bastou a Messi aproveitar, estar no lugar certo, como sempre, e finalizar – bem como poucos fizeram na história.

Os gols do Barça saíram de erros do Manchester City em seu campo de defesa. O time de Pep Guardiola conseguiu impor seu estilo de jogo no Camp Nou em muitos momentos. Disputou a posse de bola, não deu chutão, ocupou o campo de defesa do adversário, criou chances. No primeiro tempo, quando perdia por 1 a 0, teve um pênalti claríssimo não marcado a seu favor. No segundo tempo, quando parecia perto do empate, teve o goleiro expulso.

O primeiro gol sai de um carrinho vencido por Mascherano, depois escorregão de Fernandinho. Ficou fácil para Messi. Aí Bravo, ironicamente contratado por “jogar bem com os pés”, fez uma lambança daquelas. Deu um presente e depois evitou o gol de Suárez pondo a mão na bola fora da área. Com um a menos, o City errou duas saídas de bola que resultaram em gols de Messi. No final, Neymar selou a goleada.

Muito importante ressaltar que o goleiro alemão Ter Stegen fez algumas defesas enormes em momentos críticos do jogo.

Ainda que analisar por apenas uma atuação seja simplista, o futebol funciona assim. E o Barça enterra, pelo menos por enquanto, as críticas por ter escolhido Ter Stegen (e vendido Bravo ao City). Uma das noites mais felizes do alemão no gol do Barça coincidiu com a mais triste de Bravo no time de Manchester.

E aí vêm as críticas a Guardiola, o algoz de Hart, que bancou Bravo e que toma a segunda sacolada em sua segunda visita ao Camp Nou como rival.

Teve gente que teve coragem de dizer que Guardiola era “marketing”. Perdoai-vos, senhor.

Guardiola é um gênio. Nem tanto pelos títulos, que são muitos, mas por conseguir fazer seus times jogarem o futebol que ele entenda que seja o melhor jeito de jogar. Poucos técnicos conseguem isso. Buscam o resultado, não o resultado através de um modo de ver e ser.

Nem todos os gênios são perfeitos. Guardiola, certamente, não é.

Talvez não seja bom negociador, como o próprio caso “Bravo-Hart” mostra. Talvez tenha dificuldades demais para sair de enrascadas, de se adaptar – como no próprio jogo desta quarta, depois de ficar com um a menos. Por que não mudar o estilo, se segurar com 1 a 0 contra e buscar o empate em algum lance fortuito?

Talvez pensar fora da caixa deixe Guardiola trancafiado dentro de um outro tipo de caixa. E pensar fora desta outra caixa é preciso.

O fato é que os gols de Messi e a goleada do Barcelona não mostram o que foi o jogo no Camp Nou. Mas mostram que o Manchester City precisa melhorar muito, amadurecer este novo jeito de jogar terá momentos que merecerão críticas.

São quatro partidas sem vitórias, quase um mês. E Guardiola precisará adaptar alguns de seus conceitos. Os erros de saída de bola do City são muitos, de vários jogadores e estão tendo consequências – que, talvez, não aparecessem nos tempos de Barça e Bayern contra rivais domésticos de nível bem menor.

Cabe agora a Guardiola encontrar as soluções. Fazer um pouco de marketing, enfim.