Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester City

Faltou equilíbrio, e não Jesus, para o City de Guardiola
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É claro que Pep Guardiola eliminado nas oitavas de final da Champions pela primeira vez é um prato cheio para quem não gosta dele. Tem muito técnico brasileiro dando risada. “Está vendo? Sem estar no Barça ou no Bayern, o buraco é mais embaixo”.

Acho desnecessário defender Guardiola. O homem é um idealista, um revolucionário, alguém que faz bem para o esporte e que comandou o melhor time que já vi (o Barcelona de 2009 a 2011). Ele mesmo sabe, até porque sempre disse, que os desafios no City serão outros. A liga inglesa é mais competitiva, tem mais times do mesmo nível e o elenco do City tem, de fato, buracos a serem preenchidos.

Na atual temporada, o City está fora da Champions, praticamente sem chances na Premier, sobra a Copa da Inglaterra (semi contra o Arsenal, eventual final contra Chelsea ou Tottenham). Seria importante para Guardiola ganhar um título no primeiro ano? Sem dúvida. Mas tampouco essencial. Não será mandado embora. Está lá para comandar um projeto de anos.

Leonardo Jardim, o ótimo português que comanda o Monaco, está há três anos no clube mesclando juventude, veteranos, encontrando fórmulas. A chave para Guardiola será atacar bem o mercado no meio do ano, principalmente para ampliar opções de banco e resolver os buracos defensivos.

No gol, Bravo não deu certo. Kolarov ou Fernandinho jogando na zaga? Não parecem grandes opções. Stones e Otamendi? Hummmm. Suspeitos. O erro de Kolarov no terceiro gol, em uma bola parada, determinou a classificação do Monaco.

O grande desafio de Guardiola daqui para frente é ser um técnico que encontre soluções defensivas. Na parte criativa do jogo, ele já mostrou seu valor. Se defender com a posse de bola, como fazia no Barça e no Bayern, não parece ser viável no futebol inglês, mais dinâmico e com menos faltas marcadas pelos árbitros. Times de Guardiola se darão bem quando defenderem melhor. Quando forem mais equilibrados.

Aguero perdeu dois gols contra o Monaco que Gabriel Jesus não perderia? Não sei. Tem que ver também se Jesus faria os gols que Aguero fez na ida, certo? O City fez seis gols na eliminatória contra o Monaco. Não foi um problema de falta de gols que eliminou o time de Guardiola. E, sim, um problema de excesso de gols sofridos.

O City não perdeu para qualquer um. O Monaco é o melhor ataque da Europa. Mesmo sem seu grande artilheiro, Falcao García, foi capaz de virar a eliminatória contra um forte rival. Fez os três gols que são sua média. Porque não é um ataque de indivíduos e, sim, um time que joga inteiro voltado ao ataque.

Os laterais sobem, os volantes sobem (foram deles o segundo e terceiro gols na volta), os meias afunilam, triangulam, abrem o jogo. Há muita movimentação, muito volume.

Quem vai segurar o ataque do Monaco? Barcelona e Real Madrid, por exemplo, são candidatíssimos a tomar um caminhão de gols desse time. Porque defendem mal. Assim como o City de Guardiola.

Por camisa, tradição, nomes e pelo que fizeram nas últimas Champions, Bayern, Barça e Real são os óbvios favoritos. Mas Juventus e Atlético de Madri seguem fortes, como nos últimos anos, e podem tranquilamente chegar à final de novo. Para Juve e Atlético, é melhor enfrentar um dos três em ida e volta do que em um jogo só.

O Monaco me parece a zebra que pode ser a grande surpresa da temporada. Borussia Dortmund e Leicester só chegam à semifinal se forem sorteados para um confronto entre eles nas quartas.

 


Jogo épico expõe ataques maravilhosos e defesas pífias de City e Monaco
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Sim, épico é um adjetivo justo. Manchester City e Monaco fizeram o melhor jogo da temporada europeia até agora, em um 5 a 3 inesquecível.

Um jogo em que ficaram claros os atributos ofensivos brilhantes dos dois times, mas também ficou clara a falta de consistência defensiva de ambos. Já sabem, para ser campeão de um torneio como a Champions League, equilíbrio é a palavra chave. Portanto, quem passar daí para as quartas de final terá de fazer ajustes.

Enquanto isso, podemos nos divertir falando do jogo de ida e aguardando o da volta.

O Monaco tem 76 gols em 26 jogos no Campeonato Francês. É o melhor ataque da Europa e mostrou toda essa vocação agredindo o City durante 90 minutos, mesmo fora de casa. Em nenhum momento recuou suas linhas. Mostrou coragem, alternativas de jogo e um atacante em momento especial. Radamel Falcao tem 15 gols nos últimos 15 jogos oficiais. Sua carreira em competições europeias aponta o estratosférico número de 44 gols em 48 partidas.

Durante todo o jogo, City e Monaco marcaram pressão e conseguiram sair facilmente da pressão rival. Isso fez com o que o jogo tivesse ritmo alucinante, com pouco meio de campo e muitas chegadas de perigo ao ataque. Defensivamente, ambos fizeram um péssimo trabalho.

O City saiu ganhando em um lindo lance de Sané, concluído por Sterling. Na primeira saída de bola errada de Caballero, o Monaco empatou em lindo cruzamento de Fabinho e cabeceio mais lindo ainda de Falcao.

Aí, houve o lance de pênalti sobre Aguero. Para muitos, não foi. Para mim, foi claríssimo. Ato seguido, o Monaco fez 2 a 1 em uma cobrança de falta para Mbappe, com falha clamorosa da estática dupla de zaga.

O Monaco começa o segundo tempo em cima, apertando, empurrando, com muita coragem. E aí ocorre o segundo pênalti decisivo do jogo. Desta vez marcado pelo árbitro e perdido por Falcao. Caballero começava a se redimir.

Do outro lado, Subasic tomou um frangaço no chute de Aguero – o melhor em campo, mostrando que ficou mordido com a reserva e fazendo a torcida esquecer Gabriel Jesus, pelo menos por enquanto.

Quando parecia que o City iria crescer, bola esticada, Falcao ganha de Stones como quer e dá uma cavadinha. Uma pintura. O Monaco, naquele momento, tinha a classificação nas mãos.

Aí começa o vendaval do City. Foi para o tudo ou nada. Foi tudo. Aguero, Stones e Sané (após assistência de Aguero) viram o jogo para 5 a 3 contra um Monaco atônito.

A eliminatória está para lá de aberta. O Monaco já fez 4 ou mais gols 11 vezes na temporada. Se tem um ataque hoje capaz de furar a defesa (fraca) do City, é a do Monaco. Por isso, acredito que Guardiola montará um meio de campo mais firme e consistente para a volta.

No outro jogo da terça, em Leverkusen, o Atlético de Madri fez 4 a 2 no Bayer. É um time que sofre mais gols na temporada, mas mostra muita criatividade, muito volume, muita capacidade ofensiva. O Atlético é candidatíssimo a chegar à sua terceira final em quatro anos.


Gabriel Jesus brilha de novo e supera início de outros badalados
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A estrela de Gabriel Jesus não para de brilhar. Neste domingo, o brasileiro deu a vitória ao Manchester City sobre o Swansea com um gol aos 47 minutos do segundo tempo.

Gabriel já havia feito o primeiro gol e dado passe de calcanhar para David Silva quase marcar, mas o fraco Swansea empatou e parecia que o City tropeçaria de novo. Guardiola colocou Aguero em campo aos 38min da etapa final, logo após sofrer o gol. Foi a segunda vez com Gabriel e Aguero juntos em campo. O argentino, desbancado de sua posição no comando do ataque, iniciou o lance que culminou no gol da vitória.

Está com pinta de que Sterling vai rodar, e Guardiola usará mais vezes a formação com Gabriel Jesus no ataque e Aguero pela direita.

Depois dos ótimos 8 minutos na estreia contra o Tottenham, quando fez um gol anulado e levou perigo em dois lances, Gabriel Jesus foi titular em três jogos seguidos. Deu assistência nos 3 a 0 sobre o Crystal Palace, pela Copa da Inglaterra, fez um gol e deu outra assistência nos 4 a 0 sobre o West Ham. E, agora, mete dois no jogo apertado contra o Swansea.

Se no início ele fazia aquela cara de choro a cada feito, agora já mostra sorrisos e confiança. Nada como um craque começar sua vida no futebol de mais alto nível deste jeito. Fazendo gols e eliminando as interrogações que pairavam sobre ele. Gabriel é um grande jogador, e que não só ele, mas todos a sua volta, saibam disso, é fundamental.

gabriel_swansea

O impacto de Gabriel Jesus é imediato. Ele está se entrosando rapidamente com David Silva e De Bruyne, os jogadores que devem municiá-lo. Faz bem o pivô, se movimenta bem pelos lados, abre espaços, não se intimida com o jogo mais físico da Inglaterra e subiu o nível do City.

Já 10 pontos atrás do imparável Chelsea, as chances de o City retomar o título inglês são remotíssimas. Mas vem Champions League por aí, com o confronto complicado contra o Monaco nas oitavas de final. O time de Guardiola ganha novo status com os gols trazidos por Gabriel.

O grande PVC comparou a chegada dele ao impacto trazido por Kaká ao Milan em 2003. Para mim, lembra mais a chegada de Pato ao mesmo Milan, estreando no meio da temporada 2007/2008. Assim como Gabriel Jesus, entra no time no meio do campeonato, vira titular imediatamente e faz três gols nos quatro primeiros jogos.

Pato tinha 18 anos quando estreou pelo Milan. Gabriel Jesus tem 19. Kaká tinha 21 quando estreou na Europa, assim como Robinho e Neymar.

Os ex-santistas também viraram titulares rapidamente em Barcelona e Real Madrid, respectivamente. Trouxeram empolgação aos torcedores, mas não necessariamente os gols que Gabriel e Pato entregaram de cara. Talvez Neymar, por chegar a um time já com Messi, tenha sido, entre os atacantes, o que menos tenha chegado com a responsabilidade de “salvador da pátria”.

Em comum a Kaká, Robinho, Pato e Neymar: nenhum deles conseguiu levar seu clube às finais da Champions League em suas temporadas de estreia. Kaká foi o único a levantar um troféu – o título italiano de 2003/2004 para o Milan.

Tive a felicidade de cobrir as estreias de Robinho e Pato, na época era correspondente da Band. Foi um frenesi danado. Só se falava neles, eram capas e capas de jornal – e um trabalho danado do meu lado, para conseguir entrevistá-los, mesmo que rapidamente. Experiência inesquecível, de ir a porta de hotel, plantões sem ter a certeza de que o objetivo seria alcançado, dezenas de gravações com torcedores empolgadíssimos. Eu mesmo virei “objeto” de reportagens, como jornalista brasileiro que poderia falar mais sobre aqueles meninos. Mesmo à distância, consigo ver as semelhanças. A história se repete, só que em outra cidade, outro país.

O início de Gabriel Jesus no City é melhor e ainda mais promissor do que o dos outros brasileiros badalados dos últimos 15 anos. Qual será o fim? Kaká virou melhor do mundo, Neymar ganhou tudo no Barça, Robinho conquistou títulos, mas nunca teve o tamanho que se imaginava. E Pato, que fez tanto barulho quanto Gabriel de cara, não virou muita coisa.

A empolgação é lícita, sem dúvida! Mas é sempre bom ter cautela.

Relembre o início dos outros quatro jogadores badalados nos últimos anos.

Neymar: 

Realizou quatro jogos de pré-temporada, fazendo dois gols. Estreia oficialmente em 18/8/2013, após a campanha de sucesso da seleção brasileira de Scolari na Copa das Confederações. Entra aos 19min do segundo tempo em jogo que o Barça venceu por 7 a 0 sobre o Levante. Não fez gols, ganhou um amarelo no finalzinho. O ataque do time foi formado por Messi, Pedro e Alexis Sanchez.

No segundo jogo, disputa da Supercopa da Espanha contra o Atlético de Madri, entrou aos 14min do segundo tempo e, sete minutos depois, fez o primeiro gol oficial no Barça. O jogo acabou empatado em 1 a 1, e o gol seria definitivo para dar o título da Supercopa ao Barça.

Ainda seria reserva no terceiro jogo. A partir daí, ganharia a posição de titular, relegando Pedro ao banco. Mas só foi marcar o segundo gol um mês e seis partidas (sempre como titular) depois daquele marcado no Calderón.

A primeira temporada de Neymar acabou com 15 gols em 41 jogos. O Barcelona acabou sem títulos – na temporada seguinte, no entanto, ganharia tudo.

Alexandre Pato:

Pato chega ao Milan no meio de 2007 e marca logo na estreia, em amistoso do time campeão europeu contra o Dynamo de Kiev. Só que ele só poderia fazer sua estreia oficial na reabertura do mercado de negociações, com 18 anos completos. Isso aconteceu em janeiro de 2008, após seis meses treinando no clube.

Assim como Gabriel Jesus, Pato chegou trazendo impacto imediato. Logo na estreia oficial, marcou na vitória de 5 a 2 sobre o Napoli. Titular do ataque até o fim daquela temporada, fez três gols nos primeiros quatro jogos. Sua primeira temporada acabou com 9 gols em 21 jogos, sem títulos. O Milan nunca mais voltou a ser o que era nos 10 últimos anos. Pato tampouco.

Robinho:

Assim como Neymar, chega “tarde”, após a Copa das Confederações de 2005 com a seleção brasileira. O Real Madrid estreia na temporada em Cádiz, no dia 28/8/05, e Luxemburgo coloca Robinho em campo aos 20min do segundo tempo, no lugar do volante Gravesen. Robinho brilha, com direito a chapéu, põe fogo no jogo, e o Real faz o gol da vitória com Raúl no finalzinho.

Já no segundo jogo, Luxemburgo coloca Raúl no banco, e Robinho vira titular. No quarto jogo com a titularidade, o quinto no Real, Robinho faz seu primeiro gol, contra o Athletic Bilbao. A primeira temporada de Robinho foi tumultuada, no entanto, com vários treinadores, presidente renunciando e o Barcelona ganhando Liga e Champions.

Robinho acabou a primeira temporada com 12 gols em 51 jogos. Seria campeão espanhol nos dois anos seguintes, antes de ir para o Manchester City e perder holofotes na Europa.

Kaká:

Chega ao Milan para ser reserva, mas desbanca Rui Costa e vira titular absoluto do time que havia sido campeão da Europa em 2003, comandado por Carlo Ancelotti. Estreia em 1/9/2003 na vitória por 2 a 0 sobre o Ancona, dando passe para gol. No sexto jogo consecutivo como titular, faz seu primeiro gol: justamente no clássico contra a Inter de Milão, vencido pelo Milan por 3 a 1.

Kaká fez 14 gols em 45 jogos na primeira temporada pelo Milan. O clube foi campeão da Série A italiana, mas ficou fora das semis da Champions, sem conseguir defender o título, e perdeu o Mundial Interclubes para o Boca Juniors nos pênaltis. Kaká levaria o Milan à final europeia em 2005, perdendo nos pênaltis para o Liverpool, mas conquistaria, finalmente, a Champions em 2007 – foi seu auge, quando acabaria eleito melhor do mundo.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

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Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Gabriel Jesus faz estreia promissora pelo City
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juliogomes

Gabriel Jesus jogou apenas 10 minutos. Entrou na fogueira, depois de o placar apontar 2 a 2 em um jogo completamente dominado pelo Manchester City contra o Tottenham. Aquela situação que tantas vezes já vimos. “Vai lá, garoto. Resolve!”

Gabriel não resolveu o jogo para Guardiola. Mas quase. Foi pouco tempo, mas deixou a impressão de estar pronto para trazer algo para um time que sofre para fazer gols – ainda mais nos jogos grandes

Na primeira vez que tocou na bola, ganhou uma boa jogada pela esquerda, invadiu a área e cruzou. A bola atravessou perigosamente, sem que um pé a metesse para dentro. O segundo toque, pouco depois, foi de cabeça. Após um cruzamento da direita, Gabriel se antecipou e tentou colocar na gaveta, com efeito no cabeceio, surpreendendo o goleiro Lloris. Foi por pouco que a bola saiu.

O terceiro toque foi um gol. Novamente cruzamento da direita, Gabriel se posicionou bem no segundo pau, alcançou a bola e meteu para dentro. Mas ele estava meio metro à frente, talvez tenha escapado um pouquinho antes. Impedimento bem marcado.

Foram três toques na bola, sempre em lances de perigo.

Mais do que isso, foi interessante ver que o brasileiro entrou no ritmo do jogo. Com a mesma pilha dos outros jogadores, entendendo o contexto e atuando de acordo.

Foi um jogaço de futebol. O Manchester City dominou completamente o primeiro tempo e o placar de 0 a 0 no intervalo era quase surreal. O francês Lloris era o nome do jogo. Até que, logo no início do segundo tempo, o goleiro cometeu duas falhas tão graves quanto raras e deu dois gols para o City.

Parecia que viria goleada. Mas o ótimo time do Tottenham, praticamente na primeira vez que chegou ao ataque, marcou. O City não sentiu o golpe, continuou melhor e talvez ali, no meio do segundo tempo, fosse o momento de colocar Gabriel Jesus em campo. Sterling e Sané não faziam uma partida do mesmo nível de Aguero, De Bruyne e Silva. Com espaço e vantagem no placar, o brasileiro poderia ter decidido a parada.

Foi Sterling que, então, recebeu um ótimo lançamento e ficou cara a cara com Lloris. Foi empurrado. Era lance de pênalti. Mas Sterling resolveu tentar se equilibrar e fez uma finalização pífia. Gabriel, não tenho dúvidas, ou teria metido para dentro ou caído e cavado o pênalti e a expulsão. Na jogada seguinte, o Tottenham empatou.

Só então entrou Gabriel. Se há uma crítica a Guardiola é essa, demorar para reagir com substituições nas partidas. Mas o catalão deve estar feliz. Com a chegada de Gabriel Jesus, pode ser resolvido um problema crônico do City na temporada: meter a bola para dentro. A Premier já era, mas tem Champions League logo mais.

No campeonato, o Chelsea ri à toa. Empate de concorrentes diretos City e Tottenham, derrota bizarra do Liverpool em casa para o fraquíssimo Swansea, empate do Manchester United. Mais um sábado “tudo de bom” para Conte.

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Gabriel Jesus na Europa estará mais para Neymar ou Gabigol?
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juliogomes

Em uma análise do respeitado jornal inglês “The Guardian”, ainda em agosto, a contratação de Gabriel Jesus pelo Manchester City foi comparada à chegada de Mirandinha ao Newcastle, em 1987. Lembram dele?

Dez anos antes de Gabriel Jesus NASCER, chegava o primeiro jogador brasileiro ao futebol inglês. A comparação, claro, só se deu porque Mirandinha vinha do Palmeiras, assim como Gabriel.

Mais vale especular se o novo garoto prodígio do futebol brasileiro terá um impacto parecido com o de Neymar ou com o de Gabigol na Europa. Ambos talentosos, jovens, que despertaram muito interesse e verdadeiras batalhas extra-campo de grandes clubes europeus por eles.

Neymar não chegou para ser o salvador da pátria. Chegou ao Barcelona de Messi. Um clube que tentava se acertar após a era Guardiola e a infelicidade de Tito Vilanova, que vivia a transição para um futebol mais “comum”, como o que joga hoje. Ainda assim, um clube campioníssimo, forte.

Quando Messi faltou, Neymar não deixou a peteca cair – é verdade que ter Suárez ao lado ajuda um tanto. Se nunca ameaçou o reinado do argentino, Neymar ganhou protagonismo, foi importante em temporadas vitoriosas e é claramente o futuro do clube. Ninguém duvida de Neymar em Barcelona.

Gabigol, por outro lado, vive situação inversa. Foi para a Inter de Milão (péssima escolha), ganhou poucos minutos até agora e vai ter de ganhar a vida em uma liga, a italiana, difícil demais para atacantes. Ainda mais para jogadores com as características que ele tem.

Talvez alguém tenha comprado o discurso de “novo Neymar”, discurso que eu nunca engoli. Dá para perdoar. As fornadas costumam ser boas na Baixada Santista.

Os “Gabrieis” acabaram tendo a chance de, ao lado de Neymar, conquistar a sonhada medalha de ouro olímpica. Mas aí chegou Tite na seleção principal e os destinos foram traçados de forma distinta: enquanto um virou titular, o outro perdeu espaço.

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Gabigol tem uma carreira de respeito na base, tem dois títulos paulistas no curriculum, chegou ao time principal do Santos aos 16 anos. Mas parece, à distância, ter aquela mentalidade comum entre os jovens jogadores brasileiros com mídia em excesso. Achar que tem um futebol muito maior do que verdadeiramente tem. Há campo para evolução, sem dúvida. Batalhar para triunfar em um clube difícil, em território hostil, como a Itália, talvez fosse mais louvável do que voltar logo para o Brasil (infelizmente, já começam a surgir especulações plantadas por empresários).

Gabriel Jesus, por outro lado, mostra muita maturidade. Chega à Europa com um título brasileiro no bolso, destaque em um clube que não ganhava o campeonato havia 22 anos. Não teve uma trajetória tão longa aqui como a de Neymar, poderia ter passado mais alguns anos em um clube grande como o Palmeiras, sendo elogiado e criticado, louvado e xingado. Poderia ter criado mais casca. Perdido e ganhado. Ainda assim, não saiu “sem jogar”, como aconteceu com muitos jovens que fizeram a transição sem escalas por nossa combalida elite.

Chega a um Manchester City com muitas interrogações no ar. Guardiola reclama das arbitragens, é criticado nas mesas redondas, começa a ser tratado na Inglaterra com um “bebê chorão”. Seu time perdeu tanto terreno para o Chelsea que o título inglês parece missão impossível.

Como Conte também chegou ao Chelsea no meio do ano, fica meio difícil justificar pela “falta de tempo de trabalho” o início claudicante do técnico mais badalado do mundo.

O que fará Guardiola com Gabriel Jesus? Vai jogar logo o menino na fogueira da Premier League ou vai dar tempo ao tempo? Como justificar um hipotético “pouco uso” do atacante diante da crise de resultados? Como ele será usado? Competindo com Aguero para jogar no comando do ataque ou com os “pontas”, transformando-se em Douglas Costa-2, “A Missão”?

O grande problema do City de Guardiola não tem sido a falta de gols – nos últimos 14 jogos oficiais, só não marcou em um. Mas, sim, o excesso de cartões vermelhos, erros de saída de bola e gols sofridos – nos últimos 22 jogos, só passou três sem levar pelo menos um gol. O jovem atacante brasileiro não é a solução para o principal buraco de Guardiola no momento.

Gabriel desembarcou nesta terça em Manchester e já se especula que ele possa jogar sexta-feira, pela Copa da Inglaterra. É um jogo secundário para o City. Se ele jogar, já teremos uma ideia do que pretende Guardiola.

Nunca é fácil chegar no meio da temporada, sem dominar o idioma, na liga doméstica mais competitiva do mundo, onde árbitros não protegem talentos e jornalistas preferem gastar tinta criticando atacantes que se jogam do que elogiando os que driblam.

Talvez, para este restante de temporada, a resposta à pergunta proposta por este post seja “nem Neymar, nem Gabigol”. Possivelmente Gabriel Jesus tenha muitos minutos, mas sem um impacto imediato. Nem vai ficar encostado, como Gabigol, nem “chegar chegando”, como Neymar.

Para os próximos anos, eu apostaria algumas fichas em Jesus como o Gabriel mais importante pelas bandas de lá.

Após uma curta pausa de fim de ano, aqui estamos de volta para debater futebol e esporte em alto nível. Sem histeria, sem interesses escusos ocultos, sem bordões, sem preconceitos. Queremos cada vez mais tratar o futebol como ele merece. E queremos uma sociedade menos agressiva e violenta, física ou verbalmente.

Agradeço muito aos que deixaram comentários construtivos (a maioria!) ao longo do ano passado e sejam todos e todas bem vindos para participar também em 2017. Sempre com educação e respeito à opinião do próximo. Não deixem de opinar, concordar, discordar, compartilhar o que vocês leem por aqui. Não deixem de acompanhar o melhor noticiário aqui nas páginas do UOL Esporte.

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Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Última rodada da Champions: pouco em jogo e Real atrás de marca histórica
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juliogomes

A Uefa Champions League chega à última rodada da fase de grupos com poucos jogos realmente importantes. Nenhum dos favoritos ao título está contra a parede – pelo contrário, estão todos já classificados para as oitavas de final antecipadamente.

Barcelona e Atlético de Madri (um time finalista de duas das últimas três edições precisa entrar na lista de favoritos) garantiram a primeira posição de seus grupos. Paris Saint-Germain e Juventus precisam apenas de vitórias que devem acontecer sem problemas, sobre Ludogorets (Bulgária) e Dínamo de Zagreb (Croácia), respectivamente.

O Real Madrid é quem ainda depende de uma vitória sobre o bom time do Borussia Dortmund para se garantir em primeiro.

O Manchester City ficou em segundo no grupo do Barça. O Bayern de Munique ficou em segundo no grupo do Atlético. E, se tudo ocorrer normalmente, o Arsenal será o segundo do grupo do PSG.

Para o Real Madrid, portanto, ser primeiro significa uma chance grande de pegar um destes três logo nas oitavas. Já se ficar em segundo, o Real pode pegar Juve ou PSG, é verdade, mas pode também enfrentar Monaco ou Leicester ou o primeiro do grupo de Benfica e Napoli.

Além de decidir o mata-mata das oitavas em casa, ser primeiro muitas vezes é a garantia de fugir de uma pedreira logo na primeira fase eliminatória. Desta vez, não é o caso. Isso se deu pela formatação dos grupos, muitos com duas forças.

Com isso, não quero dizer que o Real poupará jogadores ou atuará com o freio de mão puxado. A história madridista não permite isso. Por falar em história, o Real está a um jogo de chegar a 34 partidas de invencibilidade, igualando a maior marca já estabelecida pelo clube, em 1988-89 (geração de Butragueño e companhia, a “Quinta del Buitre”).

Se não perder na Champions, o Real Madrid terá outro jogo no Santiago Bernabéu, no fim de semana, contra o La Coruña, para chegar a 35 jogos invicto e quebrar o recorde. Este é o assunto principal para a imprensa de Madri nos últimos dias, mais do que a chance de ser primeiro ou segundo no grupo.

Depois do empate na bacia das almas em Barcelona, o Real vive em um mar de rosas. Recupera machucados e Zidane pode ser, em menos de um ano como técnico, campeão europeu e dono de uma marca histórica como esta. Não é qualquer coisa.

Veja o que será jogado em cada grupo da rodada final. Os grupo A, B, C e D têm jogos na terça-feira. Os outros, na quarta.

Grupo A

PSG e Arsenal empatam em pontos, mas o PSG tem a vantagem no critério de desempate (nos confrontos diretos entre eles, fez mais gols fora). Por isso, basta uma vitória sobre os búlgaros. O Arsenal joga na Basileia, e o Basel deve conseguir, com um empate, vaga na Europa League.

Grupo B

Este está embolado. Benfica e Napoli têm 8 pontos, o Besiktas tem 7 e o Dynamo Kiev está eliminado. O Besiktas precisa vencer em Kiev para se classificar. Neste caso, Benfica e Napoli jogam pela vaga em Lisboa – o empate é do Napoli. Quem ganhar, logicamente, fica em primeiro. Empate classifica os dois caso o Besiktas não ganhe. Caso perca ou empate, o Benfica ainda entra se o Besiktas não ganhar. Já o Napoli, se perder, só entra se os turcos também perderem.

Grupo C

Tudo já definido. Barcelona em primeiro, Manchester City em segundo e Borussia Moenchengladbach em terceiro (Europa League). Barça e City (contra o Celtic), em casa, devem ganhar – e também poupar jogadores.

Grupo D

Bayern de Munique x Atlético de Madri, a semifinal do ano passado, tinha tudo para ser um jogaço – só que ele não decide absolutamente nada. O Atlético, mal na Liga espanhola, já garantiu o primeiro lugar do grupo porque ganhou o duelo entre eles em Madri e viu o Bayern tropeçar contra o Rostov, na Rússia. O Bayern de Ancelotti não é firme como o de Guardiola, ainda que o potencial esteja lá. Ganhar é importante para elevar o espírito do clube, dar confiança. PSV Eindhoven e Rostov se enfrentam na Holanda, e os russos jogam pelo empate para ir à Europa League.

Grupo E

Bayer Leverkusen e Monaco se enfrentam na Alemanha, mas já sabemos que o Bayer será segundo e o bom time de Mônaco, o primeiro. O Tottenham, uma decepção desta fase de grupos, recebe o CSKA Moscou e joga pelo empate para pelo menos ir à Europa League – não que clubes ingleses liguem muito para isso.

Grupo F

Real Madrid e Borussia Dortmund, classificados, decidem o primeiro lugar no Bernabéu – o empate é dos alemães. O Sporting de Lisboa precisa de um empate contra o Legia, em Varsóvia, para jogar a Europa League.

Grupo G

O Leicester, mal na Premier, já garantiu o primeiro lugar. O Porto recebe o Leicester precisando ganhar para entrar em segundo. Se não vencer, o Porto será eliminado caso o Copenhagen ganhe do Brugge (que perdeu todas), na Bélgica.

Grupo H

A Juventus depende só de uma vitória contra o eliminado Dínamo de Zagreb para ser primeira. Lyon e Sevilla jogam na França, e o Lyon precisa vencer por dois gols para avançar. Para o Sevilla, voltar para a Europa League não tem muita graça. Seria uma grande decepção ser eliminado pelo Lyon. Se passar, no entanto, é um time que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas.

 

 


Posse de bola? City vira sobre o Barça em festival de contra golpes
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juliogomes

Guardiola x Barcelona. Jogo fundamentado em posse de bola, passe para o lado, à espera pelo pequeno espaço para chegar ao gol, certo? Errado. A vitória do Manchester City sobre o Barcelona, pela Champions League, foi uma mostra de como o futebol já se re-transformou nos últimos anos.

A posse de bola é objetivo de quase todos os times top de linha. O futebol já mudou, pós-Barça e Guardiola, na busca por jogadores técnicos, que saibam jogar, que busquem qualidade no passe e saída de bola em todas as linhas (não necessariamente fortes, altos e físicos). No entanto, a posse como tática de defesa (se eu tenho a bola, meu adversário não a tem) já está virando coisa do passado antes mesmo de ser a do futuro.

A grande herança da era Barça-Guardiola é, na verdade, a pressão exercida por todos os jogadores e em todas as partes do campo.

Tal pressão tem gerado roubos de bola e tem sido seguida não de “reconstrução de jogo”, mas, sim, de transição rapidíssima para chegar ao gol. É o tal contra ataque, com nomes novos e menos metros a serem percorridos, porque a recuperação de bola é feita mais à frente.

No jogo de duas semanas atrás, os erros de passe do City no campo defensivo geraram um festival de Messi e goleada do Barça no Camp Nou. Guardiola passou seis jogos sem vencer pela primeira vez na carreira. Mas parece ter percebido (lógico que percebeu) que os erros de passe estavam sendo o grande buraco de sua gestão. É difícil mudar culturas futebolísticas, isso não acontece em semanas e, sim, em anos.

Nesta terça, em Manchester, a TV chegou a flagrar Guardiola pedindo para sua defesa se livrar da bola quando pressionada. Oras. Óbvio, não? Melhor um bico para frente do que perder a bola para Messi, Suárez ou Neymar.

Ainda assim, foi em um contra ataque de livro que o Barça chegou ao primeiro gol. Não saiu de um erro de passe do City e, sim, de um escanteio. Messi, Neymar, Messi, gol. O new Barça, de Luis Enrique, dos contra ataques absurdamente mortais, mostrou novamente que ninguém faz isso melhor no mundo.

Quando parecia que o City afundaria, chegou o presente. Sergi Roberto, meia-lateral, errou passe no campo de defesa. E aí o City fez o que o Barça fizera no Camp Nou. Roubou, acelerou, passou rápido e chegou ao empate com Gundogan.

O volante-meia alemão é um desses jogadores totais de hoje em dia, que marcam, ocupam espaços, atacam, finalizam. O City jogou com uma formação diferente da do Camp Nou, com uma linha de quatro, Fernandinho atrás, Aguero à frente. Aguero é quem se aproveita do passe errado de Sergi Roberto, o lance que mudou o duelo. Roubou, abriu para Sterling, cruzamento, Gundogan e gol.

Aguero, barrado no Camp Nou e em outras partidas, foi um dos nomes do jogo. Assim como De Bruyne, outro que andava devendo. No segundo tempo, o City voltou muito mais ligado, sem qualquer ideia de diminuir o ritmo do jogo. Pelo contrário. A ideia era deixar a bola para um Barcelona sem Iniesta e sem alguns de seus iniciadores de jogadas lá da defesa (Piqué e Alba). E o plano deu certo.

Com seguidos roubos de bola e transições rápidas, o City virou um festival para cima do Barcelona. Sabe de marketing, o tal do Guardiola. Virou o jogo e teve chances para mais. O Barça teve chance de empate com 2-1 abaixo em um contra ataque (como não?) puxado por Suárez, mas André Gomes, livre na área, bateu no travessão (Iniesta não tem a mídia dos outros, mas faz falta).

Em algum momento da rodada, o City perdia, ficava com 4 pontos e via o Borussia Moenchengladbach ir a 6. Iria ficar contra a parede no grupo. No fim, o time alemão bobeou e cedeu empate em casa ao Celtic. Então o grupo se normaliza.

Barça com 9, City com 7, Gladbach com 4, Celtic com 2. O Barça, pela vitória maior no confronto direto com o City, pode acabar empatado com o time de Guardiola para ser primeiro do grupo. Então basta um empate e uma vitória, jogando contra o Celtic fora e o Gladbach em casa. Vai ser o primeiro. Para o City, no entanto, se classificar em segundo e tendo vencido o Barcelona nesta terça, é lucro.

Mesmo que perca na Alemanha na próxima rodada (desde que por menos de 4 a 0, que foi o placar entre eles em Manchester), ao City bastará vitória em casa sobre o Celtic para se classificar.

Outro grupos e golaços

Favoritos não tiveram vida fácil. Arsenal, PSG, Bayern de Munique e Atlético de Madri ganharam ou de virada ou com gols nos minutos derradeiros.

A rodada foi marcada por gols espetaculares.

O Atlético achou um gol nos acréscimo de Griezmann para sair com uma vitória suada contra o Rostov. O francês havia feito um golaço acrobático para abrir o placar, mas os russos empataram e venderam caro a derrota. Com o resultado, o Atlético mantém três pontos de vantagem para o Bayern. A primeira colocação do grupo será disputada em Munique na última rodada, e o Atlético jogará por um empate independente do que aconteça na próxima rodada.

O Bayern também suou para vencer o PSV em Eindhoven, de virada, por 2 a 1. É verdade que o gol do PSV saiu em impedimento. A partir daí, foi um show de Lewandovski, que fez dois e ainda quase marcou um golaço, que acertou no travessão. Douglas Costa, que perdeu espaço com Ancelotti, entrou no lugar de Robben e foi importante para o Bayern. Foi dele o ótimo passe que quebrou a defesa e permitiu a Alaba fazer o cruzamento do gol da virada.

Outro brasileiro que jogou bem foi Lucas, em um sistema 4-3-3 do PSG em que Emery volta a atuar como Blanc fazia no time francês. O PSG jogou bem na Suíça, criou chances, mas só venceu o Basel por 2 a 1 com uma pintura do lateral Meunier aos 45 do segundo tempo. Após um cruzamento da esquerda, ele pegou de rosca, sem pulo, de fora da área. Um golaço que permite ao PSG seguir perseguindo o Arsenal no grupo.

Por falar em pintura, Ozil fez o gol da temporada até agora para o Arsenal vencer o Ludogorets, na Bulgária, por 3 a 2. Os ingleses perdiam por 2 a 0 e empataram ainda no primeiro tempo. Aos 43 do segundo, Ozil mostrou toda a calma do mundo em contra ataque para chapelar o goleiro, deixar dois zagueiros no chão e marcar. Um gol antológico do alemão, que certamente será finalista do prêmio Puskas.

Arsenal e PSG já estão classificados com 10 pontos. Na próxima rodada, se enfrentam em Londres. Quem vencer o jogo garantirá a primeira posição do grupo. Empate sem gols deixa o Arsenal dependendo apenas de uma vitória na última rodada (na Basileia). Empate por 1 a 1 (repetindo o de Paris) fará o grupo ser decidido no saldo. O Arsenal tem três gols a mais de saldo, mas o PSG pega o Ludogorets em casa na última rodada. Empate por dois gols ou mais deixa o PSG virtualmente como primeiro colocado. É o grande jogo da próxima rodada.

Finalmente, no grupo B o Benfica ganhou do Dynamo Kiev por 1 a 0, e Besiktas e Napoli ficaram no 1 a 1. Napoli e Benfica têm 7 pontos, o Besiktas tem 6 e o Dynamo, com 1, está fora. O Napoli tem a obrigação de vencer os ucranianos em casa na próxima rodada para ficar perto da vaga.

 


Messi mostra que Guardiola ainda tem muito marketing pela frente
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juliogomes

O Barcelona nem precisou jogar muita bola. Ainda perdeu dois jogadores do sistema defensivo no primeiro tempo – lesões de Alba e Piqué. Mesmo assim, construiu um placar elástico contra o Manchester City no Camp Nou, venceu por 4 a 0 e praticamente garantiu a primeira posição no grupo da Liga dos Campeões – o que representa um sorteio mais amigável nas oitavas de final.

Ao City, de Guardiola, resta garantir essa segunda posição e torcer para não pegar um gigantão na próxima fase.

Messi fez três gols e ainda levou um pênalti desperdiçado por Neymar. E o engraçado é que passou longe, mas muito longe, de ser um jogo daqueles inesquecíveis do camisa 10. Bastou a Messi aproveitar, estar no lugar certo, como sempre, e finalizar – bem como poucos fizeram na história.

Os gols do Barça saíram de erros do Manchester City em seu campo de defesa. O time de Pep Guardiola conseguiu impor seu estilo de jogo no Camp Nou em muitos momentos. Disputou a posse de bola, não deu chutão, ocupou o campo de defesa do adversário, criou chances. No primeiro tempo, quando perdia por 1 a 0, teve um pênalti claríssimo não marcado a seu favor. No segundo tempo, quando parecia perto do empate, teve o goleiro expulso.

O primeiro gol sai de um carrinho vencido por Mascherano, depois escorregão de Fernandinho. Ficou fácil para Messi. Aí Bravo, ironicamente contratado por “jogar bem com os pés”, fez uma lambança daquelas. Deu um presente e depois evitou o gol de Suárez pondo a mão na bola fora da área. Com um a menos, o City errou duas saídas de bola que resultaram em gols de Messi. No final, Neymar selou a goleada.

Muito importante ressaltar que o goleiro alemão Ter Stegen fez algumas defesas enormes em momentos críticos do jogo.

Ainda que analisar por apenas uma atuação seja simplista, o futebol funciona assim. E o Barça enterra, pelo menos por enquanto, as críticas por ter escolhido Ter Stegen (e vendido Bravo ao City). Uma das noites mais felizes do alemão no gol do Barça coincidiu com a mais triste de Bravo no time de Manchester.

E aí vêm as críticas a Guardiola, o algoz de Hart, que bancou Bravo e que toma a segunda sacolada em sua segunda visita ao Camp Nou como rival.

Teve gente que teve coragem de dizer que Guardiola era “marketing”. Perdoai-vos, senhor.

Guardiola é um gênio. Nem tanto pelos títulos, que são muitos, mas por conseguir fazer seus times jogarem o futebol que ele entenda que seja o melhor jeito de jogar. Poucos técnicos conseguem isso. Buscam o resultado, não o resultado através de um modo de ver e ser.

Nem todos os gênios são perfeitos. Guardiola, certamente, não é.

Talvez não seja bom negociador, como o próprio caso “Bravo-Hart” mostra. Talvez tenha dificuldades demais para sair de enrascadas, de se adaptar – como no próprio jogo desta quarta, depois de ficar com um a menos. Por que não mudar o estilo, se segurar com 1 a 0 contra e buscar o empate em algum lance fortuito?

Talvez pensar fora da caixa deixe Guardiola trancafiado dentro de um outro tipo de caixa. E pensar fora desta outra caixa é preciso.

O fato é que os gols de Messi e a goleada do Barcelona não mostram o que foi o jogo no Camp Nou. Mas mostram que o Manchester City precisa melhorar muito, amadurecer este novo jeito de jogar terá momentos que merecerão críticas.

São quatro partidas sem vitórias, quase um mês. E Guardiola precisará adaptar alguns de seus conceitos. Os erros de saída de bola do City são muitos, de vários jogadores e estão tendo consequências – que, talvez, não aparecessem nos tempos de Barça e Bayern contra rivais domésticos de nível bem menor.

Cabe agora a Guardiola encontrar as soluções. Fazer um pouco de marketing, enfim.