Blog do Júlio Gomes

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Sorteio da Champions: dois superclássicos e 40 finais frente a frente
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Bayern de Munique x Real Madrid e Juventus x Barcelona. As bolinhas do sorteio deixaram as quatro camisas mais pesadas frente a frente nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

São dois superclássicos, com 40 finais europeias somados os quatro clubes. São quatro dos cinco que mais chegaram a decisões na história.

O Real Madrid já chegou a 14 finais, com 11 títulos. O Milan, ausente da competição, é o segundo colocado na lista, com 11 finais e 7 títulos. O Bayern de Munique chegou a 10 decisões, com 5 títulos. Mesmos títulos do Barcelona, mas em 8 finais. A Juventus também chegou a 8 decisões, mas com aproveitamento menor de conquistas: 2.

Neste momento da temporada, Bayern de Munique e Juventus são dois times mais equilibrados e consistentes do que Real Madrid e Barcelona. São quatro timaços e quatro camisas pesadas, é impossível apontar qualquer favorito.

A última vez que nem Barcelona nem Real Madrid apareceram nas semifinais da Champions: temporada 2006/2007. A chance disso acontecer de novo dez anos depois é real.

O Barça venceu a Juventus na final de dois anos atrás, em 2015, primeira das três temporadas de Luís Enrique. O time do Barcelona é muito parecido com aquele, o trio Messi-Suárez-Neymar estava em seu primeiro ano junto. Porém, há uma diferença: Daniel Alves, tão importante no sistema tático do Barça ao longo de anos, agora está do outro lado. Veste a camisa da Juve.

Em relação a 2015, a Juventus, que já era treinada por Allegri, tem o mesmo sistema defensivo. Os mesmos nomes, a mesma solidez. Mas, do meio para frente, mudou tudo: saíram Pogba, Pirlo, Vidal, Morata e Tévez. Hoje, a Juve é o time de Dybala, Higuaín e Mandzukic.

Na teoria, são dois times menos fortes hoje do que eram dois anos atrás.

Mas como duvidar do Barcelona depois da virada épica para cima do PSG nas oitavas de final? E como colocar qualquer interrogação na Juventus, invicta há 47 partidas? São 21 jogos de invencibilidade em competições europeias.

Importante: para um time como a Juve, é muito melhor enfrentar o Barcelona em dois jogos do que em um só. Possivelmente adotará um plano de jogo de não sofrer gols em casa. E certamente jogará com muito mais intensidade e inteligência do que o PSG fez no Camp Nou.

O Real Madrid tenta quebrar a escrita de nunca um time ter vencido duas Champions League seguidas. Para isso, o desequilibrado time de Zidane, que sofre muito mais do que deveria nos jogos do Espanhol em 2017 e sobrevive das bolas aéreas e os milagres de Sergio Ramos, enfrenta o elenco mais poderoso e completo da Europa.

O Bayern de Munique é forte demais em todas as linhas e é treinado por Carlo Ancelotti, que foi inexplicavelmente mandado embora pelo Real Madrid ao final da temporada 2014/2015. Ancelotti foi o mentor de Zidane e era o técnico da Décima, quebrando o jejum do Real de 12 anos sem títulos europeus.

Ancelotti conhece de trás para frente as qualidades e defeitos do Real Madrid. Ao contrário do que fez Guardiola com o Bayern na semifinal entre eles, em 2014, não ficará tolamente exposto ao rápido contra ataque madridista.

Se excluirmos os clássicos regionais e nacionais, talvez o duelo Bayern-Real seja o maior da Europa (e do mundo). São duas instituições gigantes, antagônicas e que já se enfrentaram zilhões de vezes em competições europeias.

Eu sempre digo que a grande marca do Real Madrid é acreditar, a autoconfiança monstra, sempre achar que vai ganhar porque é maior que seu rival do outro lado. Só tem um clube europeu que o Real Madrid teme de verdade: o Bayern. O torcedor do Real odeia enfrentar o Bayern e tem motivos para isso.

O Bayern de hoje é mais sólido defensivamente do que nos anos de Guardiola. E o Real Madrid é um time, hoje, que joga pior e mostra menos alternativas de jogo, além de sofrer muitos gols.

Nos outros dois duelos, há dois favoritos claros.

O Atlético de Madri é o grande sortudo ao ficar frente a frente com o Leicester City. Sim, tem o conto de fadas, etc, etc, etc. Mas a diferença entre os times é brutal. E o Leicester é bastante previsível, só tem um jeito de jogar, confia nas bolas aéreas e contra ataques.

Um técnico como Simeone saberá tranquilamente anular as poucas armas do Leicester. Se tem um time que sabe neutralizar bolas aéreas e não fica exposto a contra ataques, porque tem uma incrível sincronia defensiva e joga de forma muito compacta, este é o Atlético de Madri, finalista de duas das últimas três Champions.

E o Monaco também é favorito contra o Borussia Dortmund, em um duelo de times ofensivos e que promete muitos gols. O Monaco é o melhor ataque da Europa, lidera na França e deu uma incrível demonstração de força e personalidade ao reverter a eliminatória contra o Manchester City. O Dortmund é um time instável. Tem tradição, tem um dos estádios mais quentes da Europa, mas terá de decidir a vida fora de casa. Não tem a solidez defensiva para segurar o Monaco, na minha visão.

Meus palpites: passam Bayern, Juventus, Atlético e Monaco. Mas até abril os momentos podem mudar, soluções podem ser encontradas, jogadores podem se machucar. Agora é esperar!


E agora, quem quer enfrentar o Leicester nas quartas?
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E o conto de fadas continua em Leicester. Quando todos davam os foxes como mortos na Champions League, o feitiço mostrou-se mais ativo do que nunca.

O Sevilla pegou um Leicester morto na partida de ida. Era a chance de goleada e classificação definida. E o jogo foi para goleada, mas acabou só em 2 a 1. Os jogadores conseguiram, afinal, derrubar Claudio Ranieri. E começaram a correr de novo.

Com o auxiliar Craig Shakespeare, “amigão” dos jogadores, assumindo o comando, o Leicester voltou a seu 4-4-2 bem britânico. Jogo forte na bola aérea e no contra ataque. Na vitória por 2 a 0, nesta terça, o Leicester teve 32% de posse de bola. Defende-se bem, não se incomoda com a bola nos pés dos outros.

O Sevilla começou o jogo passivo, levou o gol e só depois resolveu jogar. E aí Schmeichel, filho de peixe, que já havia defendido um pênalti na ida, defendeu outro na volta – o primeiro goleiro a fazer isso em uma eliminatória europeia.

Quando perdeu o pênalti, já no fim do jogo, o Sevilla estava com dez homens em campo após Nasri se desentender com Vardy no meio de um lance de ataque. Vardy “brasileirou” e fez um teatro danado após uma não cabeçada. Patético. Ou vermelho para os dois ou nada, pois o amarelo para ambos resultou na expulsão de um só.

Mesmo sem Nasry, que foi burrinho, burrinho, o Sevilla ainda arrumou o pênalti que levaria para a prorrogação. E perdeu de novo. Sampaoli só não perdeu cabelos porque não tem.

Não dá para dizer que o Sevilla mereceu. Teve todas as chances possíveis e imagináveis e fez questão de desperdiçá-las. E assim, a Espanha perde uma chance de ouro de colocar quatro times nas quartas de final pela primeira vez na história da máxima competição europeia.

O Leicester segue iluminado.

Quem quer enfrentá-lo nas quartas de final, após o sorteio de sexta-feira?

A resposta é simples. TODOS. O Leicester é o time mais fraco das quartas de final, mais previsível e mais fácil de ser batido. É o mais simpático também. Mas simpatia não ganha Champions.

Por outro lado, a Juventus ganhou por 1 a 0 do Porto, sem maiores problemas. São 47 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium, um fortim. Está aí um time que, ao contrário do Leicester, ninguém quer enfrentar na Champions.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Real Madrid mantém chances de ser primeiro. Mas será que vale?
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juliogomes

Real Madrid e Borussia Dortmund fizeram o básico nesta noite de terça-feira na Champions League: ganharam. O Real fez 2 a 1 no Sporting, em Lisboa, apesar de nova atuação fraca na Europa. E o Borussia fez 8 a 4 (oi-to-a-qua-tro) no Legia. Os dois agendaram uma disputa direta pela primeira colocação no grupo F, daqui a duas semanas, em Madri.

Ambos estão classificados. O Borussia, com 13 pontos, precisa só de um empate no Bernabéu contra o Real, que tem 11. Ao time de Madri, uma vitória simples basta para ser primeiro. Mas será que vale à pena para o Real Madrid ganhar o grupo?

Ao longo dos anos, muitas vezes vimos times grandes da Europa pagarem o preço por subestimarem a importância de ser primeiro na fase de grupos. Os primeiros colocados cruzam com os segundos nas oitavas de final, ano que vem, e decidem a segunda partida em casa. Times do mesmo país não podem se enfrentar, então o sorteio das oitavas é dirigido.

Na atual edição da Champions, temos cinco grupos com dois claros favoritos a ficarem com as vagas – e, aparentemente, todos passarão sem problemas. E três grupos sem qualquer bicho papão, com times fora da lista de favoritos ao título.

Se o Real Madrid ficar em segundo no grupo, o “risco” seria enfrentar uma espécie de “final fora de hora” contra o primeiro colocado de um dos outros quatro grupos, digamos, mais fortes. No entanto, destes quatro grupos tudo indica que em dois deles um time espanhol ficará em primeiro lugar (Barcelona e Atlético de Madri).

De pedreira para o Real, sobraria um confronto contra a Juventus ou contra o vencedor do grupo que tem Arsenal e PSG (estão empatados em pontos e se enfrentam nesta quarta, em Londres).

A chance seria de 40% de enfrentar Juve ou Arsenal ou PSG nas oitavas. Os outros possíveis rivais seriam o Monaco (já ganhou grupo E), o Leicester (já ganhou grupo G) e o primeiro colocado no grupo ponteado por Benfica e Napoli. Convenhamos, difícil imaginar que um desses quatro traga problemas para o Real Madrid nas oitavas.

Já se for primeiro colocado de sua chave, o Real Madrid aumentaria as possibilidades de enfrentar uma pedreira de verdade. Bayern de Munique e Manchester City, que devem ficar atrás de Atlético e Barça em suas chaves, poderiam ser rivais nas oitavas, além, claro, do segundo colocado entre Arsenal e PSG. Seriam três rivais duríssimos entre seis possíveis (os outros três possíveis rivais seriam Porto, Bayer Leverkusen e Napoli/Benfica/Besiktas).

Já o Borussia Dortmund, se for primeiro no grupo, não poderia pegar nas oitavas nem Real nem Bayern nem Bayer. Sobraria o City como pedreira e outros rivais menos complicados. Já se for segundo, o Dortmund poderia ser emparelhado com Barcelona, Atlético, Juventus, enfim, todos os primeiros colocados fortes (pois nenhum será alemão).

Para o Dortmund, é muito mais importante ser primeiro do grupo do que para o líder do Campeonato Espanhol.

É difícil imaginar um Real Madrid entrando em campo contra o Borussia para não ganhar. No DNA do Real Madrid, na história do clube, está a vitória – e não jogar com o regulamento embaixo do braço, como fazem frequentemente os clubes italianos.

Por outro lado, o duelo será realizado quatro dias depois do clássico contra o Barcelona, um jogo sempre muito desgastante física e psicologicamente. Além de todos os desfalques ao longo da temporada, Bale e Marcelo saíram de campo com problemas. Jogar com o freio de mão puxado é um cenário difícil de imaginar. Mas será que Zidane não irá resolver poupar algumas peças chave do elenco?

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Outros grupos

O grande jogo da terça-feira foi Sevilla 1 x 3 Juventus. O Sevilla abriu o placar e dominava a partida quando teve Vázquez expulso aos 35min de jogo. O árbitro inglês Mark Clattenburg acertou na expulsão, mas mudou o destino do jogo marcando um pênalti ridículo para a Juve no finalzinho do primeiro tempo. Aquele empurra-empurra na área, falta que, na minha visão, não pode ser marcada.

No segundo tempo, com um a mais, a Juventus foi pouco a pouco tomando conta do jogo contra um Sevilla com a cabeça em pressionar a arbitragem para arrumar uma compensação. Sampaoli foi expulso e levou as mãos à cabeça quando Bonucci, com um golaço, decretou a virada. Mandzukic fechou o placar.

Árbitro à parte, vitória enorme da Juve, sem Higuaín e Dybala. Com 11 pontos, a Juve está classificada e será primeira no grupo, pois pega o fraco Dinamo Zagreb em casa na última rodada.

O Sevilla agora joga a classificação contra o Lyon, fora de casa, podendo empatar ou até perder por um gol de diferença. O Lyon só se classifica se vencer por dois ou mais gols de diferença.

O grupo E já está definido. O Monaco, que vive grande temporada, fez 2 a 1 no Tottenham, chegou aos 11 pontos e já ganhou o grupo. O Tottenham, uma das decepções da fase de grupos, está eliminado precocemente. O Bayer Leverkusen já se garantiu em segundo lugar, pois tem três pontos de vantagem para o time inglês e a vantagem no confronto direto.

Se o Tottenham decepcionou, o Leicester venceu o Brugge por 2 a 1 e transferiu seu conto de fadas para a Champions League. Com 13 pontos, já garantiu a primeira posição no grupo F.

Na Premier League, o Leicester fez até agora 12 pontos em 12 jogos. Um ponto a menos do que na Champions em cinco rodadas.

O Porto empatou sem gols em Copenhague e chegou aos oito pontos contra seis dos dinamarqueses. O Porto se classifica caso vença o Leicester, em casa, na última rodada. Se tropeçar, no entanto, o Porto terá de torcer para o Copenhagen não ganhar do Brugge na Bélgica – o Brugge perdeu cinco de cinco, no entanto.

 


Manchester United massacra. Leicester virou abóbora
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juliogomes

E o Leicester já virou abóbora.

Normal, nenhum problema nisso. Um ano atrás (ou dois ou dez), se o Manchester United fizesse quatro gols no primeiro tempo contra o Leicester em um jogo de sexta rodada, poucos queixos ficariam caídos.

Desta vez, alguns ficaram. Afinal, é o atual campeão inglês contra um clube que ainda não acertou o rumo desde a aposentadoria do lendário técnico Alex Ferguson. Foram três anos fora das três primeiras posições na Premier – após 22 anos consecutivos sempre entre os três.

O jogo deste sábado passou aquela impressão de “coisas voltando ao devido lugar”. Com Rooney no banco (vem polêmica aí) e dois volantes que são meias e fazem o jogo fluir (Pogba e Ander Herrera), o United de Mourinho mostrou um jogo dinâmico, veloz. Construiu naturalmente a goleada, com alguma contribuição do Leicester nas bolas paradas.

No segundo tempo, com o jogo resolvido pelos quatro gols no primeiro, o United diminuiu a intensidade.

Na atual temporada, além dos 4 a 1 deste sábado, o Leicester já levou 4 a 1 do Liverpool e foi eliminado pelo Chelsea na Copa da Liga (levando quatro). Na pré-temporada, já havia levado quatro do PSG e do Barcelona. Coisas em seus devidos lugares.

Parece claro que o sistema defensivo está sofrendo. Terá sido pela saída do volante Kanté? Nada é tão simples.

Simples foi para Kanté ir para um clube maior, o Chelsea. Seus ex-colegas Vardy e Mahrez foram sondados por grandes da Europa e resolveram ficar, renovaram até 2020. Na minha visão, erro clássico. As histórias de Cinderela não se repetem. Se a vida financeira deles ficou resolvida, a vida esportiva pode ficar em segundo plano. Cada um sabe onde o calo aperta e a real qualidade que tem, mas eles erraram feio se acharam que o Leicester passaria a ser um clube de elite, a disputar títulos todos os anos. Se ficarem mesmo até 2020, possivelmente jogarão quatro temporadas evitando rebaixamentos.

O Leicester lembra muito aquele São Caetano de outrora. Jogadores que não saíram perderam uma grande chance de defender camisas pesadas do futebol brasileiro. Diferente do que fez o São Caetano em 2002, no entanto, o Leicester não chegará à final de “sua” Libertadores – até que o grupo fácil deixará o Leicester disputar as oitavas da Champions League atual, mas difícil ir além.

De qualquer forma, por mais doloroso que seja cair na real, o torcedor do Leicester deve encarar tudo sempre com o copo meio cheio. Em vez de ficar lamentando os 4 a 1, basta lembrar que foi neste mesmo Old Trafford, em maio, que um empate por 1 a 1 deixou o Leicester com o título inacreditável nas mãos – ele viria no dia seguinte, após um empate do Tottenham (malditos pontos corridos).

Ser campeão inglês um ano e depois passar a vida no meio da tabela, às vezes amargando algum rebaixamento? Ou chegar todo ano em terceiro ou quarto lugar, nunca perto do título, mas sempre ali indo à Champions?

Para os donos de clube, sem dúvida a segunda opção é a melhor. E para o torcedor de um Leicester City da vida? Eu fico com a primeira. Tenho certeza que eles não trocariam 2016 por 20 Champions Leagues.

A carruagem virou abóbora. Mas os tempos de carruagem são simplesmente inesquecíveis. A história esportiva mais linda e surreal que já vimos acabou.

 


Arsenal falha, Leicester e Tottenham se descolam na Premier mais maluca
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juliogomes

Se alguém em agosto falasse assim: “O Chelsea vai fazer uma temporada horrorosa. O United também. O City vai ser muito inconsistente. O Arsenal vai fazer o de sempre. E o título inglês vai ficar entre Leicester e Tottenham… “…. o que você diria?

Maluco. No mínimo.

Pois é. Estamos quase em março. E é assim que se desenha a liga doméstica mais cara do mundo e uma das mais competitivas. Das niveladas por alto, a mais emocionante.

Leicester e Tottenham sofreram demais em casa contra adversários que deveriam ter atropelado neste fim de semana. Um ganhou com um gol no finalzinho, o outro com uma virada no quarto final da partida. Sofreram, mas ganharam!

O Leicester tem 56 pontos na tabela. O Tottenham, 54. O Arsenal parou nos 51. O Manchester City tem 47 e um jogo a menos, poderia ir a 50. Faltam 11 rodadas (12 para o City). Tem ponto pra caramba em jogo. Mas o fato é que hoje, ainda mais com vitórias dramáticas e heróicas como essas, Leicester e Tottenham começam a acreditar no inacreditável.

O Arsenal fazia um bom jogo em Old Trafford contra o Manchester United, que tinha 567 desfalques. Até que um garoto que ninguém conhecia, Marcus Rashford, 18 anos, meteu dois gols. O United ganharia a partida por 3 a 2.

Virtualmente eliminado da Champions pelo Barcelona, sobra ao Arsenal a chance de ouro de conquistar a Premier League, que não ganha há 12 anos. Nas últimas 10 temporadas, o Arsenal viu Chelsea e City se tornarem clubes milionários, acabou quatro vezes em terceiro lugar e seis vezes em quarto lugar.

tottenhamarsenalSe continuar perdendo onde sempre perde (exemplo, Old Trafford) e ficar ganhando só de quem sempre ganha, o Arsenal acabará onde sempre acaba: terceiro ou quarto.

No sábado que vem, tem Tottenham x Arsenal, o dérbi do norte de Londres. O maior clássico da cidade, com todo respeito ao Chelsea. Tem ares de final de campeonato.

Nos próximos 8 jogos, o Leicester joga 3 vezes em casa e 3 vezes fora contra times da metade de baixo da tabela. Outros 2 jogos são em casa, contra West Ham e Southampton, que fazem boas campanhas. Nos últimos jogos, terá de sair para enfrentar United e Chelsea, além de pegar o Everton em casa.

É tabela para ganhar quatro, cinco jogos seguidos, abrir vantagem e ganhar um campeonato que seria épico. Seria a maior zebra das grandes ligas europeias nos últimos 25 anos, com mercado comum europeu, lei Bosman e elencos globalizados. O problema é que, por ser um time de contra ataque, o Leicester tem enfrentado dificuldades contra times piores, jogos em que “adquiriu” a obrigação de ganhar.

Já o Tottenham tem agora dois dérbis locais em sequência: West Ham no meio de semana, fora, e Arsenal no sábado, em casa. Jogos duríssimos. Depois tem dois jogos fáceis e enfrenta Liverpool fora e United em casa. Na reta final, o Chelsea fora. É uma tabela muito mais complicada que a do Leicester, no papel.

O Tottenham não é campeão inglês desde 1961. Não ficou nem entre os três primeiros desde a criação da Premier League, no início dos anos 90. Acredito que o sonhado título depende de vitórias nos dois dérbis dessa semana. Se bater West Ham e Arsenal, acho difícil segurar o Tottenham.

A tabela do Arsenal é a mais fácil dos três. As cascas são justamente o dérbi na casa do Tottenham e um jogo fora de casa com o Manchester City na penúltima rodada.

Ver o Leicester campeão seria um sonho para aqueles que torcem para o mais fraco conseguir o impossível. Mas tem toda a pinta de que o Tottenham e Arsenal do próximo sábado irá apontar o próximo campeão inglês.


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