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Real Madrid e Juventus campeões. Agora só falta saber quem é melhor
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Faz muito tempo que a final da Liga dos Campeões da Europa não é, além da disputa pelo título, um tira-teima. O jogo para determinar quem é, de fato, o melhor do continente. É o caso neste ano.

Neste domingo pela manhã, a Juventus confirmou o hexampeonato italiano com uma vitória sobre o Crotone por 3 a 0. De tarde, o Real Madrid ganhou o Campeonato Espanhol ao fazer 2 a 0 sobre o Málaga.

Quem é melhor? Juventus ou Real Madrid? Para mim, é impossível dizer. Precisamos da final do dia 3 de junho, daqui a dois fins de semana, em Cardiff, para saber. Sinto-me incapaz de apontar um favorito.

Os títulos domésticos deste domingo mostram a força de ambos. A Juventus construiu uma dinastia na Itália. O Real Madrid quebra o incômodo domínio do Barcelona. Pode até ter o melhor ataque do mundo, mas não tem a taça.

Por ser um torneio de mata-mata, nem sempre a Champions League opõe na final os dois melhores times da temporada.

Nos últimos três anos, qualquer final sem o Bayern de Munique não reunia os dois melhores da Europa. Talvez a última vez tenha sido em 2011? Mas o atropelamento do Barcelona de Guardiola na final mostra que aquele Manchester United não estava em um nível tão alto. Possivelmente o segundo melhor time daquele ano era o Real Madrid de Mourinho, eliminado pelo Barça na semi.

Enfim, quanto mais voltamos no tempo, mais vamos chegando a tempos em que equipes não eram super seleções, como hoje. E fica mais difícil achar a situação em que os melhores do ano estavam na final.

No sábado, 20 de maio, foi o aniversário de 19 anos da final de 1998, entre Juve e Real. Aquele Real Madrid acabou em quarto lugar a Liga espanhola, mas venceu por 1 a 0 a decisão contra uma Juve bicampeã italiana e que estava em sua terceira final europeia seguida. Naquela final, havia um favorito. Que perdeu, por sinal.

Mas não falávamos dos dois melhores da Europa, o Real Madrid não era nem o melhor da Espanha.

Hoje, como negar que a final será um tira-teima?

A Juventus construiu um domínio nunca antes visto na Itália. É o primeiro time hexacampeão da história da Série A e o primeiro a ganhar três vezes seguidas a Copa da Itália (conquistada na última quarta, 2 a 0 na final sobre a Lazio). Em casa, a Juve ganhou 18 jogos e empatou 1 no campeonato. Não perde desde setembro de 2015 um jogo em seu estádio.

Tudo isso ancorada com uma base defensiva ultrasólida, jogadores que atuam juntos há muito tempo. Buffon, Chiellini, Bonucci, Barazagli. Ganhou um campeão com Daniel Alves. Outro em Mandzukic. Jogadores de espírito competitivo e história. História que querem construir personagens sedentos e decisivos, como Higuaín e Dybala. É um time equilibrado e que sabe jogar de várias maneiras diferentes.

E o Real Madrid, depois de um título espanhol em oito anos, consegue retomar a hegemonia doméstica. O último título tinha sido em 2012, com Mourinho. É verdade que perdeu para o Barcelona em casa no mês passado. Mas aquilo foi coisa de Messi. Não dá para contestar a campanha madridista.

Zidane teve coragem, colocou times mistos em várias partidas fora de casa e conseguiu ter os titulares inteiros fisicamente para a reta final, quando não havia margem para tropeços. É verdade que em muitos momentos o time parecia não saber bem a que jogava, ganhou muitos pontos na marra, nos minutos finais, nas bolas levantadas na área.

Mas a lesão de Bale e a consequente entrada de Isco no time equilibrou tudo. O Real Madrid passou a depender menos de bolas aéreas, passou a ter mais a bola nos pés, a fazer valer a qualidade de seu meio de campo. O time fez pelo menos um gol em TODOS os jogos da temporada. Já são 64 consecutivos.

A Internazionale, em 2010, foi o único time italiano a conseguir a tríplice coroa na história. A Juventus, campeã da Série A e da Copa, pode repetir o feito. Para isso, precisa quebrar o jejum de 21 anos sem conquistar a Europa.

O Real Madrid nunca conquistou a tríplice coroa. Os 11 títulos europeus só vieram acompanhados de título espanhol duas vezes. Em 1957 e 1958. O time de Zidane tenta quebrar um tabu de 59 anos, portanto. Não é pouca coisa.

Um dos dois fará história com H maiúsculo. Precisamos dessa final para saber quem é o melhor. Chega logo, dia 3!


Juventus x Real Madrid: O um contra um e os duelos-chave
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juliogomes

Ainda falta muito tempo para a final da Liga dos Campeões da Europa, entre Juventus e Real Madrid. O jogo será só no dia 3 de junho. Até lá, algum jogador pode se machucar, alguma ideia pode mudar. A proposta aqui é analisar um a um (ou, em alguns casos, dois a dois) os times de Juventus e Real. E os duelos que podem fazer a diferença tática em campo.

Importante ressaltar que os times jogam com sistemas diferentes. O Real Madrid, com Isco e sem Bale, joga num 4-1-3-2 em que Casemiro é o volante à frente da defesa. A Juventus não tem um volante como Casemiro, mas atua com um jogador aberto pela direita (Cuadrado ou Daniel Alves).

Não há alguém para comparar com Casemiro, então ele não entra na lista abaixo. E não há alguém no Real que possa ser comparado a Daniel Alves ou Cuadrado – a não ser que Bale volte ao time, neste caso seria Dybala, pelo meio, que ficaria sem um jogador para ser comparado a ele. Vou levar em conta que Isco estará no time (e não Bale). Assim, tampouco há um antagonista a Daniel Alves.

Há um duelo entre eles, Daniel Alves x Casemiro. Disso, falo mais abaixo neste post.

GOLEIROS

Buffon x Navas
Aqui não há debate. Navas é ótimo goleiro e mostrou isso contra o Atlético de Madri. Mas Buffon é Buffon. Se vencer a final, pode até ser Bola de Ouro da temporada. Talvez não seja o melhor goleiro da atualidade (porque Neuer está em altíssimo nível), mas certamente é o goleiro mais regular e importante dos últimos 20 anos. Não falha! 1 a 0 Juve.

ZAGUEIROS

Chiellini e Bonucci x Sergio Ramos e Varane (ou Pepe)
A dupla da Juventus é a melhor do mundo no momento, é a defesa mais sólida. Rápida, forte no jogo aéreo, nas antecipações, ocupação de espaços e mantém alto nível de concentração o tempo todo. Não fazem lambança e também são uma arma ofensiva. Sergio Ramos é muito bom e talvez esteja em nível parecido ao dos italianos (para este blog, um pouco abaixo). Mas Varane, provável titular, está alguns degraus abaixo ainda de todos os outros. A zaga do Real é fortíssima na bola aérea e é rápida, mas perde a disputa. Juve 2 a 0.

LATERAL DIREITO

Barzagli x Nacho? Daniel Alves x Carvajal?
Aqui temos uma grande dúvida na escalação de ambos. Carvajal é o titular do Real Madrid, mas se machucou na ida contra o Atlético e não se sabe se chegará à decisão. Danilo é seu reserva imediato, mas voltou a mostrar ser pouco confiável. Se Carvajal não jogar, acredito que Zidane irá priorizar a defesa e escalará Nacho por ali. Já a Juventus teve Daniel Alves contra o Barcelona, mas adiantou o brasileiro contra o Monaco e preferiu Barzagli, um terceiro zagueiro, na lateral. Barzagli é melhor que Nacho. Mas, se jogar Carvajal, não cabe comparação.

LATERAL ESQUERDO

Alex Sandro x Marcelo
Alex Sandro faz uma temporada muito boa, mas aqui a comparação é quase covarde. Marcelo é, de longe, o melhor lateral esquerdo do mundo. Essencial no fluxo do jogo do Real Madrid, um jogador capaz de quebrar sistemas com jogadas individuais ou chegadas inesperadas. Juve 2 a 1.

VOLANTES

Pjanic e Khedira (ou Marchisio) x Kroos e Modric
Khedira é dúvida para a final. Independente disso e do bom funcionamento da dupla da Juve, a do Real Madrid é simplesmente melhor. Até porque, como Kroos e Modric têm o luxo de Casemiro segurando as pontas e fazendo o trabalho sujo atrás, eles têm mais liberdade para chegar à frente. São jogadores que quase não erram. Uma das chaves da final para a Juventus será cortar esse fluxo de passes, criar problemas para Kroos e Modric. 2 a 2.

MEIA

Dybala x Isco
O final de temporada de Isco, seja nos jogos com os reservas seja após a lesão de Bale, tem sido espetacular. Um jogador que está lembrando muito os bons momentos de Iniesta. Bola grudada no pé, raciocínio rápido, movimentação por todo o terço final, o homem perfeito de ligação. E fazendo gols! Mas Dybala está um pouco acima, na minha opinião. Faz a temporada da explosão e provou-se capaz de decidir no jogo de ida contra o Barcelona. Se jogar Bale, e não Isco, Dybala sobra. E Daniel Alves entraria na comparação com Bale. Considero o brasileiro mais desequilibrante nesta temporada. Em qualquer caso, por pouco, Juve 3 a 2.

ATACANTES

Higuaín e Mandzukic x Benzema e Cristiano Ronaldo
Não são exatamente duplas de ataque, mas funcionam assim em muitos momentos. Allegri descobriu uma maneira de colocar Mandzukic no time, com o croata atuando mais pela esquerda. Mas, como vimos no primeiro gol contra o Monaco, ele é capaz de chegar por dentro na área e, claro, machucar no jogo aéreo. Tanto ele quanto Cristiano Ronaldo atuam pela esquerda, mas com muita chegada na área. O debate entre Higuaín e Benzema já foi muito forte no próprio Real Madrid. Apesar de Benzema estar constantemente mostrando seu valor, como na impressionante jogada do gol contra o Atlético, este blog considera Higuaín um pouco superior. Tem mais gol. Mas Cristiano Ronaldo desequilibra a balança para o Real Madrid, e chegamos a um empate de 3 a 3.

BANCO DE RESERVAS 

É uma extensão das forças do time titular. A Juventus tem mais opções de segurança para a defesa e a contenção no meio. Mas o Real Madrid tem muitos jogadores de meio e ataque capazes de mudar o destino do jogo: Morata, James Rodríguez e os jovens (e rápidos) Asensio e Lucas Vázquez. Para a Juve, faltam jogadores para mudar  jogo saindo do banco. Para o Real, faltam jogadores para segurar uma eventual vitória. Dou vantagem para Zidane, tem mais peças. Por outro lado, considero Allegri um treinador melhor que o francês na leitura de jogo. A Juve tem um técnico mais experiente no banco de reservas. 4 a 4.

DUELOS-CHAVE

Daniel Alves x Marcelo (e Casemiro)
Acredito que Allegri repetirá na final o modelo que funcionou contra o Monaco. Daniel Alves tentará explorar os corredores que Marcelo deixa atrás, como já fazia nos clássicos quando estava no Barcelona. Sobrará para Casemiro anular Alves. Um Casemiro que tem tido cartões seguidamente perdoados pelas arbitragens na Champions e precisa tomar cuidado para não deixar o time na mão. Por outro lado, Marcelo é um jogador chave para a saída do Real Madrid, e Daniel Alves precisará atuar defensivamente para evitar que Marcelo e Cristiano façam estragos pela esquerda.

Dybala x Casemiro (ou quem?)
Isso nos traz ao segundo duelo. Quem irá fechar os caminhos para Dybala? A priori, Casemiro. Mas se ele estiver muito ocupado com as costas de Marcelo… Kroos será fundamental no trabalho defensivo. E Ramos e Varane precisarão estar muito atentos ao trabalho de Dybala entre as linhas. A defesa do Real vai precisar de muita sincronia.

Isco/Kroos/Modric x Pjanic/Khedira
É de se imaginar que o Real Madrid terá a bola por mais tempo no jogo. E a Juventus vai precisar encontrar uma forma de cortar as linhas de passe dos meio-campistas do Real. Fiquem com a bola, mas longe de minha área. Pjanic e Khedira (ou Marchisio) ficarão sobrecarregados e precisarão de ajudas dos homens de frente. Se os dois conseguirem se desdobrar na função, a Juve tem meio caminho andado. Se forem atropelados, a balança pende para o Real Madrid.

Cristiano Ronaldo x BBC juventino
Se Allegri escalar Barzagli, ele terá a missão de fechar o setor por onde Cristiano Ronaldo mais gosta de atuar. Se o português cair para o meio, estará no setor de Bonucci e Chiellini. Quem quer que esteja perto dele, vai precisar fechar as opções de finalização de Cristiano, que matou o Bayern e o Atlético com sua incrível capacidade de fazer gols.

 


Juventus para dois dos ataques mais poderosos. Falta o melhor
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O Barcelona fez 160 gols em 56 jogos oficiais na temporada. Zero nos dois jogos contra a Juventus. O Monaco fez 150 gols em 60 partidas. Apenas um contra a Juventus, com a eliminatória já decidida e os jogadores menos concentrados em campo.

Falta, agora, à quase intransponível defesa da Juve parar o melhor dos ataques. O do Real Madrid, dos 158 gols em 55 jogos. Média de 2,87 gols por jogo, o ataque mais positivo da Europa.

Isso, claro, caso o Real Madrid confirme sua classificação para a final da Champions nesta quarta-feira – enfrenta o Atlético de Madri com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 3 a 0. Já a Juventus se garantiu vencendo o Monaco por 2 a 1 – havia vencido por 2 a 0 a partida de ida.

Em 2015, a Juventus chegou à final contra o Barcelona sem ter passado por tantas provas. Neste ano, chega com confiança na estratosfera. Com a bagagem de uma final nas costas e jogadores que dão caráter ao time, como Daniel Alves – o grande nome das semifinais.

É um time que provou a si mesmo e ao mundo que é capaz de parar qualquer ataque. Seja Falcao e Mbappé, seja Messi, Suárez e Neymar, por que não pode parar Cristiano Ronaldo?

É um time capaz de jogar de muitas formas. Tem um goleiro histórico e com os reflexos em dia, uma dupla de zaga que é a melhor do mundo, laterais brasileiros todo-terreno, volantes que fecham linhas e com passe para a transição. E, claro, Dybala, Higuaín e Mandukic, homens com muito gol.

Um time completo, consistente, com camisa. A Juventus chega à nona final europeia. Ganhou pela última vez em 1996. Perdeu as finais de 97, 98, 2003 e 2015. Chegou a hora de sair da fila?


Juventus e Feyenoord podem ser campeões no fim de semana europeu
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juliogomes

O Bayern de Munique já garantiu o título na Alemanha. Neste fim de semana, Juventus, na Itália, e Feyenoord, na Holanda, podem garantir títulos domésticos nesta reta final de campeonatos europeus.

A Juve, virtual finalista da Liga dos Campeões da Europa, tem tudo para conquistar um inédito hexacampeonato italiano. Nunca um clube ganhou a Série A seis vezes seguidas.

A própria Juve conquistou o penta entre 1931 e 35, feito também conseguido pelo super Torino dos anos 40, antes do acidente de avião que vitimou o time inteiro. Mais recentemente, a Inter ganhou cinco títulos seguidos, mas em circunstâncias especiais (o primeiro dos cinco, em 2006, foi herdado após o escândalo extra-campo que tirou o título da Juventus e a mandou para a Série B).

Para ser campeã 2016/2017 com três rodadas de antecipação, a Juventus precisa vencer o dérbi da cidade contra o Torino, no sábado. No domingo, a vice-líder Roma tem um duro clássico fora de casa contra o Milan. Se a Juve ganhar e a Roma tropeçar, o hexa estará decidido. A rodada seguinte, a antepenúltima, tem justamente o duelo entre Roma e Juventus na capital.

Em seu estádio, a Juve ganhou os 17 jogos que fez no campeonato. Se juntarmos com a temporada passada, são 33 vitórias seguidas em partidas de Série A no Juventus Stadium. Em agosto de 2015, a Juve perdeu pela última vez em casa: 0-1 para a Udinese. Em setembro, empatou os dois jogos seguintes, 1-1 com Chievo e Frosinone. De lá para cá, só ganhou.

Se contarmos todas as competições, são 43 vitórias e 6 empates desde aquela derrota para a Udinese. A Juve pode chegar no sábado, portanto, a 50 jogos de invencibilidade em casa. E, ironicamente, comemorar o inédito hexa no sofá, no domingo.

RENASCIMENTO

Na Holanda, o Feyenoord pode quebrar um jejum incômodo de 18 anos sem um título da liga nacional. Para isso, basta vencer o Excelsior (13o colocado) no domingo de manhã. Como tem quatro pontos de vantagem para o Ajax, mesmo que tropece ainda terá a chance de ser campeão jogando em casa na última rodada.

O Feyenoord é o grande time de Roterdã, a segunda cidade do país. Foi o primeiro clube holandês a ganhar a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental (1970). Também foi o primeiro a ganhar a Copa da Uefa, em 1974 (depois repetiria a dose em 2002, o último grande momento do clube, ainda tempos de Van Persie).

Até o meio da década de 70, era o grande rival do Ajax. Enquanto o gigante de Amsterdã tinha 16 títulos nacionais, o Feyenoord tinha 11, e o PSV Eindhoven tinha só 4. Desde então, no entanto, o Ajax ganhou outros 17 campeonatos (soma 33), o PSV ganhou 19 (soma 23) e, o Feyenoord, apenas 3 (está a ponto de ganhar o 15o título no total).

Depois de uma grave crise financeira, o Feyenoord conseguiu acertar as contas nos últimos cinco anos. E, na temporada passada, fez um aposta alçando o ex-lateral Giovanni Van Bronckhorst ao cargo de técnico – seu primeiro como treinador principal de uma equipe.

Gio era titular do Barcelona de Ronaldinho, campeão da Europa em 2006, e chegou a fazer gol em semifinal de Copa do Mundo – 2010, contra o Uruguai. A final daquela Copa, perdida para a Espanha, foi seu último jogo como atleta profissional. Gio foi assistente de Koeman no Feyenoord antes de assumir o cargo principal.

Logo em sua primeira temporada, ano passado, quebrou um jejum de oito anos sem títulos com a conquista da Copa da Holanda. E, agora, está a ponto de quebrar o jejum de 18 anos sem ganhar a competição principal do país.

O Feyenoord foi cirúrgico no mercado do verão europeu, trazendo alguns jogadores de pouco nome e fama, mas que encaixaram bem com os jovens que subiram da base. O melhor exemplo é o atacante dinamarquês Nicolai Jorgensen, de 26 anos. Foi comprado por 3,5 milhões de euros após boas temporadas no Copenhagen e hoje é avaliado em 9 milhões. Ele é o artilheiro do Holandês, com 21 gols em 30 jogos.

OUTROS CAMPEONATOS

Na Inglaterra, o Chelsea tende a dar mais um passo rumo ao título. Na segunda-feira, recebe o penúltimo colocado e virtual rebaixado Middlesbrough. O Tottenham, que está quatro pontos atrás, quer seguir pressionando e enfrenta nesta sexta o West Ham, fora de casa, em um dérbi londrino.

O grande jogo da Premier no fim de semana será o clássico entre Arsenal e Manchester United, domingo, às 12h. Se o Arsenal não vencer, estará praticamente descartado do G4 e da classificação para a Champions League (não fica fora desde 1997/1998, segunda temporada de Wenger no clube). Wenger, por sinal, nunca venceu um jogo de Premier League contra times de José Mourinho (sete empates e cinco derrotas).

Na Espanha, o Barcelona entrará em campo para enfrentar o Villarreal, quinto colocado. Jogo perigoso, já que o Villarreal já ganhou do Atlético e empatou com o Real Madrid e com o Sevilla fora de casa na temporada. É a segunda melhor defesa do campeonato. Logo depois, o Real pega o já rebaixado Granada. O time reserva, que vem se mostrando para lá de confiável, tentará a sexta vitória em seis “missões” fora de casa. Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem viajou a Granada. Após o atropelo diante do Real na Champions, o Atlético de Madri joga por uma vitória contra o Eibar para se garantir, de novo, na Liga dos Campeões da próxima temporada.

Na Alemanha, o Bayern de Munique celebrará o título em casa contra o lanterna e rebaixado Darmstadt. Promessa de uns 10 a 0. O grande jogo do sábado (10h30) é entre o quarto colocado, Borussia Dortmund, e o terceiro, Hoffenheim. Os times estão separados por apenas um ponto, e chegar em terceiro significa não jogar fase prévia da próxima Champions League.

Na França, Monaco e PSG enfrentam penúltimo e último, respectivamente. Mas são jogos complicadinhos, pois a rabeira da tabela está toda embolada e esses times jogam a vida. O PSG deve passar em casa pelo Bastia no primeiro jogo do sábado (12h) e novamente alcançar o Monaco em pontos – mas ainda ficar muito atrás no saldo de gols e com dois jogos a mais. O Monaco precisa esquecer a derrota para a Juventus quando entrar em campo para enfrentar o Nancy (15h), fora de casa.

Por fim, em Portugal faltam três rodadas e o Benfica tem três pontos de vantagem para o Porto – que empatou demais ao longo do campeonato. Os dois times jogam fora de casa: o Porto com o Marítimo (sexto) no sábado, o Benfica com o Rio Ave (sétimo) no domingo. Difícil imaginar que o Benfica fique sem o tetracampeonato.

 


Por que não uma Bola de Ouro para Buffon?
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juliogomes

Goleiros são vilões. Não nos enganemos. Você pode até amar aquele goleiro do teu time. Mas o futebol pertence aos atacantes. Aos mágicos. Futebol é gol. Nada no mundo é mais emocionante do que o gol. E os goleiros, esses estraga-prazeres, estão lá com tão somente um objetivo: evitar o gol. Não dá para gostar desses caras!

Não à toa, Lev Yashin foi o único a ganhar uma Bola de Ouro até hoje, em 1963. E isso em uma época que a Bola de Ouro tinha de ir necessariamente a jogadores europeus. A France Football fez uma reavaliação dos prêmios dados até 95, quando esta regra caiu. E Pelé, lógico, é quem teria vencido a Bola de Ouro em 63.

Bola de Ouro que vai das mãos de Messi para Cristiano Ronaldo para Messi para Cristiano Ronaldo desde 2008. Cinco para um, quatro para outro.

Bola de Ouro que saiu das mãos da Fifa e que voltou para a France Football. Ou seja, voltamos a ter esperanças de que seja premiado o melhor DO ANO, não o melhor jogador, independentemente do que tenha feito no ano.

Ninguém discute que Messi e Cristiano Ronaldo são os melhores jogadores do mundo e há muito tempo. Não necessariamente, porém, eles são os melhores todos os anos. Vota-se muito no nome, no automático, nessas eleições. Em 2010, por exemplo, Iniesta, Xavi e Sneijder jogaram mais que Messi. Em 2013, possivelmente Ribery tenha jogado mais que Cristiano Ronaldo.

Estes eram anos em que a Bola de Ouro estava unificada com a Fifa. Não está mais.

Abre-se, portanto, a possibilidade de vermos um Buffon eleito o melhor jogador do ano. Para isso ser viável, lógico, a Juventus precisa ser campeã da Europa.

A Juve está virtualmente classificada para a final da Champions contra um também virtualmente classificado Real Madrid.

Vamos imaginar que a Juventus seja campeã. Buffon terá parado Messi e Cristiano Ronaldo no mesmo torneio, em poucas semanas.

Claro que não é só por causa de Buffon que a Juve tomou 2 gols em 11 jogos na atual edição da Champions, zero gols nos cinco jogos de mata-mata – três deles contra Barcelona e Monaco, dois dos três melhores ataques da temporada. O time tem um sistema defensivo sólido, coeso, jogadores experientes e muito bons. Tem o DNA italiano. E tem Buffon.

Talvez Buffon não seja mais o melhor goleiro do mundo – no meu ponto de vista, é Manuel Neuer (que, em 2014, ficou em terceiro, apesar do título da Copa). Mas Buffon faz uma temporada mais relevante que a de Neuer.

Quantas pessoas vivas viram algum goleiro melhor do que Buffon?

Aqui estou falando da carreira. Uma carreira de 22 anos entre Parma e Juventus, de 20 anos na seleção italiana, de uma Copa do Mundo, de tantos outros títulos (falta só a Champions).

Quem se lembra de um frangaço de Buffon? Quem se lembra de Buffon deixando seu time ou país na mão?

Quem viu um goleiro melhor?

Opa. Calma. Estou falando ver de verdade. Não um par de jogos em Copa do Mundo. Estou falando de ver semana sim, semana também.

Não acredito, independente do resultado da final da Champions, que ele ganhe na votação da Fifa. Se for campeão europeu, capaz que ganhe na eleição da France Football – que é a Bola de Ouro original, a mais relevante, a mais respeitada (no Brasil, tende-se a respeitar mais o “oficial”, mas a Bola de Ouro tem muito mais credibilidade que o prêmio da Fifa).

A pergunta que lanço no título deste post, no entanto, independe do que vai acontecer na final de Cardiff.

Pela temporada brilhante e pelo conjunto da obra, eu daria o meu voto para a Bola de Ouro a Gianluigi Buffon.

 


Que bom que Daniel Alves escolheu o futebol
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juliogomes

A final da Liga dos Campeões da Europa está mais do que desenhada. Salvo cataclisma, Juventus e Real Madrid se encontrarão novamente na decisão, 19 anos depois daquela final de Amsterdã. Em 98, o Real quebrou um jejum de 32 anos sem ser campeão da Europa. Agora, é a Juventus quem chega amargando uma fila de 21 anos.

A Juve encaminhou a vaga na decisão ao vencer o Monaco por 2 a 0, fora de casa, nesta quarta-feira.

Dois gols de Higuaín. Duas assistências brilhantes de Daniel Alves. Uma de calcanhar, outra em um cruzamento milimétrico no segundo pau.

Daniel foi escalado para jogar como quarto homem do meio de campo pela direita, como já ocorreu em outros momentos de sua carreira – inclusive na Copa de 2010. Vale lembrar que, no Barcelona, ele era um lateral “de mentira”. Jogava como um atacante, um companheiro imprescindível de Messi, Xavi e cia limitada.

Como o Barcelona deixou Daniel Alves sair?

OK, OK, ele quis sair. Mas será que sairia, não fosse uma situação insustentável no clube?

O Barcelona pagou, ao longo da temporada inteira, o preço de perder Daniel Alves. Ficou sem saída de bola pela direita, o desempenho de Rakitic despencou, o time ficou torto e dependente das jogadas individuais dos atacantes. As diagonais de Daniel Alves, as tabelas, os passes de gol foram todos a Turim.

Daniel Alves poderia ter ido para a China. Especulou-se que ganharia o maior salário do futebol mundial. Poderia ter ido para os Estados Unidos. Poderia ter voltado para o Brasil, para sua terra.

Mas não. Ele escolheu o futebol.

Notou que ainda tinha gás. Que ainda podia melhorar como profissional. Foi jogar no futebol mais difícil do mundo, em um campeonato tático, em que movimentos e equilíbrio defensivos são o ar que se respira.

Daniel Alves pode jogar em várias posições do campo. E continua decisivo, como foi em Mônaco nos passes para Higuaín.

“Quando saí do Barcelona, disse que queria novos desafios. A Juventus está há muito tempo sem vencer a Champions. Quero ajudá-los a voltar a vencer esta competição. Venho para cá com este pensamento”, falou Daniel ao chegar ao clube.

Muitos devem ter ignorado. Mas foram declarações quase proféticas. E ele segue trazendo impacto para o jogo na Champions.

O Monaco tem números ofensivos parecidos aos de Barcelona e Real Madrid na temporada. Um ataque magnífico, com o veterano Falcao e o promissor Mbappé lado a lado metendo muitos gols. Ainda assim, a Juventus não levou gol desse time – e cedeu poucas oportunidades.

Foi apenas o quarto jogo da temporada inteira em que o Monaco passou em banco (em 58 oficiais) – sendo que em dois deles atuou o time reserva e não havia necessidade do resultado. Em casa, é o primeiro jogo da temporada sem fazer gols (em 30 partidas).

 

A Juve é capaz que jogar recuada, com linhas fechadas e cedendo pouquíssimas chances. É capaz de jogar com a bola ou contra atacando. É um time de operários, com muita capacidade técnica, muita sincronia e muita vontade. Será uma justa finalista.

Blogueiros do UOL: Higuaín e Dani Alves encaminham vaga da Juventus para final


Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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juliogomes

A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…


Nas casas de apostas, Juventus é tão favorita ao título quanto o Real
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juliogomes

O sorteio das semifinais da Champions League, na manhã desta sexta-feira, colocou a Juventus em uma posição de tão favorita quanto o Real Madrid para ser a campeã europeia. Pelo menos é o que dizem as casas de apostas.

Os “odds” são o retorno oferecido para uma certa aposta, calculados (por computador) em função da probabilidade de certo evento ocorrer. Os odds calculados para título da Juventus caíram após o sorteio, ou seja, a aposta em título da equipe italiana passou a pagar menos do que pagava antes.

No maior site de apostas do mundo (Bet365), o título da Juventus dá um retorno de 2,62 para 1, idêntico ao do Real Madrid. Antes do sorteio, o título da Juve pagava 3 para 1. O mesmo ocorreu em outras casas importantes de apostas.

Na semifinal, a Juventus enfrentará o Monaco, considerado o “azarão” entre os quatro times vivos na competição. Dono de um dos ataques mais positivos da temporada europeia, o Monaco aposta em um futebol ofensivo e revelou neste ano o jovem Mbappé, de 18 anos de idade, que está fazendo uma dupla de ataque mortal com o colombiano Falcao García.

Mas a Juve levou só dois gols em dez jogos na Champions, é um time mais equilibrado nas duas fases e acaba de eliminar o Barcelona sem sofrer um gol sequer. Ainda por cima, a Juventus decide o duelo contra o Monaco em casa, no Juventus Stadium, onde está invicta há um ano e meio (são quatro anos em competições europeias).

O título do Monaco, que antes pagava 7,50 para 1, agora paga 9 paga 1. Ou seja, o time monegasco é considerado mais azarão ainda hoje do que ontem.

Lembrando que o Monaco está em uma disputa ponto a ponto com o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e o técnico português Leonardo Jardim já disse que este é o grande objetivo da temporada.

Uma eventual conquista do Atlético de Madri dá um retorno de 5 para 1 para quem quiser apostar nos colchoneros. Eram 4,50 para 1 antes de ser definida a semifinal contra o Real Madrid.

Os odds para título do Real Madrid (2,62 para 1) são os únicos que ficaram iguais após o sorteio. Se o Real for campeão, será o primeiro clube da história a ganhar duas Champions Leagues seguidas (desde que a Copa dos Campeões foi ampliada e ganhou esse nome), nos anos 90.

Real e Atlético se enfrentaram nas últimas três edições da Champions, sempre com vantagem para o primo rico da capital. O Real Madrid venceu o rival nas finais de 2014 (na prorrogação) e 2016 (nos pênaltis) e nas quartas de final de 2015 (empate por 0 a 0 no campo do Atlético, vitória do Real por 1 a 0 em casa). Desta vez, o jogo de volta será no estádio Vicente Calderón, que será desativado ao final da temporada.

Para saber mais sobre o histórico das duas semifinais, leia aqui:

Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas


Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas
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juliogomes

O sorteio desta sexta-feira definiu os dois duelos de semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O Real Madrid recebe o Atlético de Madri em mais um grande dérbi, o quarto consecutivo na Europa, com a definição no estádio Vicente Calderón. Na outra semi, Monaco e Juventus, com segundo jogo da Itália.

Os dois duelos opõem dois dos ataques mais positivos da temporada europeia (Real Madrid e Monaco) contra os dois times de melhor defesa, os mais bem organizados e capazes de machucar o adversário de várias formas diferentes (Atlético e Juventus).

A Juventus é clara favorita contra o Monaco. Se por um lado o time francês tem a grande sensação da temporada europeia, o francês Mbappé, de 18 anos, a Juve tem apenas dois gols sofridos em dez partidas na competição. É um muro a ser derrubado – até agora, ninguém conseguiu.

O Monaco está em uma luta acirrada contra o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e tem um duelo direto contra o mesmo rival no meio da semana que vem pela semifinal da Copa da França. É uma maratona de jogos pesados, e maratonas costumam deixar “vítimas” pelo caminho (lesionados, jogadores esgotados).

Já a Juventus está com o inédito hexacampeonato italiano em mãos (oito pontos de vantagem para a Roma), e a final da Copa da Itália, contra a Lazio, será só em junho. Pode tranquilamente administrar jogadores e focar totalmente na Champions – o segundo e último título máximo europeu da Juve foi conquistado em 1996, com quatro finais perdidas desde então.

O histórico entre os times tem dois confrontos em mata-mata. A Juventus superou o Monaco nas semifinais de 98 e nas quartas de final de 2015, vencendo em casa e administrando na volta – perderia as duas decisões posteriormente para Real Madrid e Barcelona.

Na temporada inteira, a Juventus tomou 30 gols em 47 jogos oficiais. Com Buffon, Chiellini e Bonucci, tem uma defesa sólida, experiente e entrosada. No ataque, a sensação argentina Dybala e o goleador Higuaín. É um timaço.

O Monaco, por sua vez, sofre muitos gols. Mas marcou 141 em 54 jogos oficiais. Só nas oitavas e quartas da Champions, contra Manchester City e Dortmund, foram 12 gols marcados em 4 jogos (e 9 sofridos). É um time que joga e deixa jogar, completamente diferente da equipe italiana.

A Juventus fará um plano de jogo para conter a agressividade do Monaco e se aproveitar das falhas defensivas. Ela é capaz de fazer isso? Bem, ficou dois jogos sem tomar um gol sequer do Barcelona de Messi, Suárez e Neymar. É plausível acreditar que conseguirá repetir a dose e chegar a mais uma final europeia.

O Real Madrid fez os mesmos 141 gols que o Monaco na temporada, mas em 50 jogos – anotou pelo menos um gol em todos os jogos que fez. O Barcelona fez 143 gols oficiais, 2 a mais que Real e Monaco, mas alternou goleadas com jogos em branco, foi um ataque menos consistente ao longo da temporada.

Curiosamente, o Real Madrid sofreu os mesmos 61 gols que o Monaco – é bastante vazado. Já o Atlético de Madri tem um perfil de gols parecido com o a Juventus, tendo sofrido 38 em 50 jogos.

O Atlético sempre foi o saco de pancadas do Real Madrid. Quando Zidane, hoje técnico, jogava, os dérbis eram favas contadas. Mas tudo mudou com a chegada de Simeone ao Atlético, no final de 2011.

Nos 21 dérbis anteriores a Simeone, foram 16 vitórias do Real e 5 empates. Desde que o argentino assumiu o Atlético, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético e 7 empates. Uma história completamente diferente. No Santiago Bernabéu, onde será o primeiro jogo, Simeone ganhou quatro vezes e perdeu três em dez partidas.

Mas, é bom ressaltar, foi o Real Madrid quem riu por últimos nas últimas três Ligas dos Campeões da Europa. Sempre com equilíbrio e sofrimento.

Na final de 2014, em Lisboa, o Atlético vencia sua primeira Champions até os acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos empatou o jogo de cabeça. Na prorrogação, mais inteiro, o Real passou o carro (4 a 1) e conquistou “La Décima”. No ano seguinte, duelo de quartas de final, com 0 a 0 no Calderón e vitória do Real por 1 a 0 no Bernabéu, gol do mexicano Chicharito Hernández aos 43min do segundo tempo. E, no ano passado, final novamente, empate por 1 a 1 e título do Real nos pênaltis.

Cicatrizes são importantes no futebol. As derrotas costumam trazer mais lições do que as vitórias. O Atlético de Madri está babando por este duelo contra o Real Madrid. Não há favorito neste confronto, é 50 a 50.

O Atlético vai precisar conter as bolas aéreas do Real, grande arma do time de Zidane ao longo da temporada. E o Real Madrid vai precisar superar uma eliminatória em que terá a bola e fatalmente ficará exposto em alguns momentos. Os dérbis têm sido encardidos para o Real porque Simeone sabe explorar bem o desconforto do adversário para jogar assim.

O último deles foi pouco tempo atrás, 1 a 1 pela Liga espanhola. E foi isso aqui o que escrevi no blog sobre o jogo.

 


Juventus faz o que quer contra o Barcelona. Quem segura?
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juliogomes

A Juventus fez o que quis no jogo contra o Barcelona, no Camp Nou. O empate sem gols estava totalmente no script, ainda que o 1 a 1 fosse o resultado mais provável na cabeça do técnico Allegri.

A Juve cedeu chances ao Barça, era óbvio que isso aconteceria. Messi teve uma clara no primeiro tempo, algumas bolas cruzaram a área perigosamente, mas Buffon, de fato, teve pouco trabalho. Do outro lado, também dentro do script, a Juve teve contra ataques que poderia ter aproveitado no segundo tempo.

No fim das contas, foi uma eliminatória fácil para a Juventus, contra um Barcelona que vai acabando de forma deprimente uma temporada ruim. Se perder do Real Madrid, domingo, a Liga espanhola também terá ido para o espaço.

A Juve tem uma chance mais clara de vencer a Liga dos Campeões agora do que em 2015, quando chegou às semifinais após bons sorteios anteriores e tinha uma nítida inferioridade contra aquele Barcelona na decisão.

É um time com a mesma defesa de sempre, boa individualmente, boa coletivamente, boa por baixo, pelo alto, boa marcando atrás, boa marcando na frente. E com ótimos valores individuais na frente. Tem um homem gol em Higuaín, velocidade com Cuadrado, esforço e altura com Mandzukic, drible e gol com Dybala, criação e trabalho com Pjanic e Khedira.

Quem pode parar a Juventus? Será que chegou a hora de levantar a orelhuda pela primeira vez desde 1996?

Um confronto contra o Monaco seria o ideal. O Monaco é um time perigoso, com ótimos valores e um técnico inteligente. Mas está muito envolvido com uma forte disputa pelo título francês contra o PSG, um campeonato que não ganha há tempos. Irá se desgastar e possivelmente irá ser amarrado taticamente em hipotéticos duelos contra a Juve.

O Atlético de Madri é um confronto perigosíssimo. Outro time mordido, tentando a terceira final em quatro anos, que, assim como a Juventus, é capaz de encontrar vários métodos para ganhar uma partida. É o duelo menos interessante para a Juventus.

E contra o Real Madrid seria um superclássico, sem favoritos e, possivelmente, sem tanta influência de arbitragens – muito pelo contrário, a Uefa deve estar envergonhada por ver o Real na semi após o que aconteceu contra o Bayern.

Se em 1998 o Real Madrid quebrou um jejum de mais de três décadas sem título máximo europeu ao vencer a Juve por 1 a 0 na final, depois disso os italianos se deram bem nos três confrontos de mata-mata entre eles. Semifinal em 2003, oitavas em 2005, semifinal de novo em 2015, a única vez que um time conseguiu superar o Real Madrid na Champions nas últimas quatro temporadas (contando a atual).

Não há, portanto, qualquer bloqueio mental para a Juventus enfrentar o Real Madrid. Há respeito mútuo e a certeza de que os dois podem vencer. A Juve, convenhamos, tem mais capacidade de anular a bola aérea, principal fonte de gols do Real de Zidane ao longo da temporada.

O sorteio será sexta-feira, e a certeza é uma só: ninguém quer enfrentar a Juventus.