Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Gabriel Jesus

Gabriel Jesus ajuda Guardiola a salvar a temporada
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Ainda não é matemático. Mas, na prática, o Manchester City garantiu classificação para a próxima Liga dos Campeões da Europa nesta terça-feira, ao vencer o West Bromwich por 3 a 1. O primeiro gol do jogo foi anotado por Gabriel Jesus.
Nestes quatro meses com o City, Gabriel Jesus, com uma lesão no pé no meio do caminho, atuou em nove partidas e fez, com o desta quarta, seis gols. Foram seis vitórias e três empates do time de Guardiola nestes jogos. Dá para concluir que o brasileiro foi importante para salvar a temporada dos Citizens.
Afinal, o City não conseguiu disputar o título inglês, foi eliminado das oitavas da Champions pelo Monaco, na semifinal da Copa da Inglaterra perdeu para o Arsenal e, na Copa da Liga, perdeu para o United de Mourinho. É uma temporada sem título, mas com Champions. Seria trágico para Guardiola acabar seu primeiro ano fora do G4 – o clube esteve no clubinho nas últimas seis temporadas, desde que virou “novo rico”.
Na última rodada (todos os jogos serão às 11h de domingo), o City enfrenta o Watford, 16o colocado e amargando cinco derrotas seguidas. Se vencer, garante o terceiro lugar e a vaga direta na fase de grupos da Champions. Se empatar, será terceiro caso o Liverpool não vença o já rebaixado Middlesbrough por três gols ou mais. Caso contrário, será o quarto e terá de disputar a fase prévia.
A única combinação trágica que deixaria o City fora da Champions: derrota para o Watford, vitórias de Liverpool e Arsenal. E ainda o Arsenal teria de tirar a desvantagem de cinco gols que tem para o City no saldo de gols.
A situação da Premier League:
Já sabemos que Chelsea é campeão e, junto com o Tottenham, estará na fase de grupos da Champions League.
A terceira vaga direta e a quarta (para a fase prévia) estão entre:
 
Manchester City – 75 pontos (saldo +36aq)
Liverpool – 73 pontos (saldo +33)
Arsenal – 72 pontos (saldo +31)
 
Liverpool recebe o Middlesbrough. Penúltimo e já rebaixado. Se vencer, fica pelo menos em quarto. Se tropeçar…
 
Arsenal recebe o Everton, sétimo colocado. Se Liverpool tropeçar, basta ao Arsenal ganhar para ir à Champions. Ou, então ganhar, City perder e tirar esses cinco gols a menos de saldo.
 

Gabriel Jesus brilha de novo e supera início de outros badalados
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A estrela de Gabriel Jesus não para de brilhar. Neste domingo, o brasileiro deu a vitória ao Manchester City sobre o Swansea com um gol aos 47 minutos do segundo tempo.

Gabriel já havia feito o primeiro gol e dado passe de calcanhar para David Silva quase marcar, mas o fraco Swansea empatou e parecia que o City tropeçaria de novo. Guardiola colocou Aguero em campo aos 38min da etapa final, logo após sofrer o gol. Foi a segunda vez com Gabriel e Aguero juntos em campo. O argentino, desbancado de sua posição no comando do ataque, iniciou o lance que culminou no gol da vitória.

Está com pinta de que Sterling vai rodar, e Guardiola usará mais vezes a formação com Gabriel Jesus no ataque e Aguero pela direita.

Depois dos ótimos 8 minutos na estreia contra o Tottenham, quando fez um gol anulado e levou perigo em dois lances, Gabriel Jesus foi titular em três jogos seguidos. Deu assistência nos 3 a 0 sobre o Crystal Palace, pela Copa da Inglaterra, fez um gol e deu outra assistência nos 4 a 0 sobre o West Ham. E, agora, mete dois no jogo apertado contra o Swansea.

Se no início ele fazia aquela cara de choro a cada feito, agora já mostra sorrisos e confiança. Nada como um craque começar sua vida no futebol de mais alto nível deste jeito. Fazendo gols e eliminando as interrogações que pairavam sobre ele. Gabriel é um grande jogador, e que não só ele, mas todos a sua volta, saibam disso, é fundamental.

gabriel_swansea

O impacto de Gabriel Jesus é imediato. Ele está se entrosando rapidamente com David Silva e De Bruyne, os jogadores que devem municiá-lo. Faz bem o pivô, se movimenta bem pelos lados, abre espaços, não se intimida com o jogo mais físico da Inglaterra e subiu o nível do City.

Já 10 pontos atrás do imparável Chelsea, as chances de o City retomar o título inglês são remotíssimas. Mas vem Champions League por aí, com o confronto complicado contra o Monaco nas oitavas de final. O time de Guardiola ganha novo status com os gols trazidos por Gabriel.

O grande PVC comparou a chegada dele ao impacto trazido por Kaká ao Milan em 2003. Para mim, lembra mais a chegada de Pato ao mesmo Milan, estreando no meio da temporada 2007/2008. Assim como Gabriel Jesus, entra no time no meio do campeonato, vira titular imediatamente e faz três gols nos quatro primeiros jogos.

Pato tinha 18 anos quando estreou pelo Milan. Gabriel Jesus tem 19. Kaká tinha 21 quando estreou na Europa, assim como Robinho e Neymar.

Os ex-santistas também viraram titulares rapidamente em Barcelona e Real Madrid, respectivamente. Trouxeram empolgação aos torcedores, mas não necessariamente os gols que Gabriel e Pato entregaram de cara. Talvez Neymar, por chegar a um time já com Messi, tenha sido, entre os atacantes, o que menos tenha chegado com a responsabilidade de “salvador da pátria”.

Em comum a Kaká, Robinho, Pato e Neymar: nenhum deles conseguiu levar seu clube às finais da Champions League em suas temporadas de estreia. Kaká foi o único a levantar um troféu – o título italiano de 2003/2004 para o Milan.

Tive a felicidade de cobrir as estreias de Robinho e Pato, na época era correspondente da Band. Foi um frenesi danado. Só se falava neles, eram capas e capas de jornal – e um trabalho danado do meu lado, para conseguir entrevistá-los, mesmo que rapidamente. Experiência inesquecível, de ir a porta de hotel, plantões sem ter a certeza de que o objetivo seria alcançado, dezenas de gravações com torcedores empolgadíssimos. Eu mesmo virei “objeto” de reportagens, como jornalista brasileiro que poderia falar mais sobre aqueles meninos. Mesmo à distância, consigo ver as semelhanças. A história se repete, só que em outra cidade, outro país.

O início de Gabriel Jesus no City é melhor e ainda mais promissor do que o dos outros brasileiros badalados dos últimos 15 anos. Qual será o fim? Kaká virou melhor do mundo, Neymar ganhou tudo no Barça, Robinho conquistou títulos, mas nunca teve o tamanho que se imaginava. E Pato, que fez tanto barulho quanto Gabriel de cara, não virou muita coisa.

A empolgação é lícita, sem dúvida! Mas é sempre bom ter cautela.

Relembre o início dos outros quatro jogadores badalados nos últimos anos.

Neymar: 

Realizou quatro jogos de pré-temporada, fazendo dois gols. Estreia oficialmente em 18/8/2013, após a campanha de sucesso da seleção brasileira de Scolari na Copa das Confederações. Entra aos 19min do segundo tempo em jogo que o Barça venceu por 7 a 0 sobre o Levante. Não fez gols, ganhou um amarelo no finalzinho. O ataque do time foi formado por Messi, Pedro e Alexis Sanchez.

No segundo jogo, disputa da Supercopa da Espanha contra o Atlético de Madri, entrou aos 14min do segundo tempo e, sete minutos depois, fez o primeiro gol oficial no Barça. O jogo acabou empatado em 1 a 1, e o gol seria definitivo para dar o título da Supercopa ao Barça.

Ainda seria reserva no terceiro jogo. A partir daí, ganharia a posição de titular, relegando Pedro ao banco. Mas só foi marcar o segundo gol um mês e seis partidas (sempre como titular) depois daquele marcado no Calderón.

A primeira temporada de Neymar acabou com 15 gols em 41 jogos. O Barcelona acabou sem títulos – na temporada seguinte, no entanto, ganharia tudo.

Alexandre Pato:

Pato chega ao Milan no meio de 2007 e marca logo na estreia, em amistoso do time campeão europeu contra o Dynamo de Kiev. Só que ele só poderia fazer sua estreia oficial na reabertura do mercado de negociações, com 18 anos completos. Isso aconteceu em janeiro de 2008, após seis meses treinando no clube.

Assim como Gabriel Jesus, Pato chegou trazendo impacto imediato. Logo na estreia oficial, marcou na vitória de 5 a 2 sobre o Napoli. Titular do ataque até o fim daquela temporada, fez três gols nos primeiros quatro jogos. Sua primeira temporada acabou com 9 gols em 21 jogos, sem títulos. O Milan nunca mais voltou a ser o que era nos 10 últimos anos. Pato tampouco.

Robinho:

Assim como Neymar, chega “tarde”, após a Copa das Confederações de 2005 com a seleção brasileira. O Real Madrid estreia na temporada em Cádiz, no dia 28/8/05, e Luxemburgo coloca Robinho em campo aos 20min do segundo tempo, no lugar do volante Gravesen. Robinho brilha, com direito a chapéu, põe fogo no jogo, e o Real faz o gol da vitória com Raúl no finalzinho.

Já no segundo jogo, Luxemburgo coloca Raúl no banco, e Robinho vira titular. No quarto jogo com a titularidade, o quinto no Real, Robinho faz seu primeiro gol, contra o Athletic Bilbao. A primeira temporada de Robinho foi tumultuada, no entanto, com vários treinadores, presidente renunciando e o Barcelona ganhando Liga e Champions.

Robinho acabou a primeira temporada com 12 gols em 51 jogos. Seria campeão espanhol nos dois anos seguintes, antes de ir para o Manchester City e perder holofotes na Europa.

Kaká:

Chega ao Milan para ser reserva, mas desbanca Rui Costa e vira titular absoluto do time que havia sido campeão da Europa em 2003, comandado por Carlo Ancelotti. Estreia em 1/9/2003 na vitória por 2 a 0 sobre o Ancona, dando passe para gol. No sexto jogo consecutivo como titular, faz seu primeiro gol: justamente no clássico contra a Inter de Milão, vencido pelo Milan por 3 a 1.

Kaká fez 14 gols em 45 jogos na primeira temporada pelo Milan. O clube foi campeão da Série A italiana, mas ficou fora das semis da Champions, sem conseguir defender o título, e perdeu o Mundial Interclubes para o Boca Juniors nos pênaltis. Kaká levaria o Milan à final europeia em 2005, perdendo nos pênaltis para o Liverpool, mas conquistaria, finalmente, a Champions em 2007 – foi seu auge, quando acabaria eleito melhor do mundo.


Gabriel Jesus faz estreia promissora pelo City
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Gabriel Jesus jogou apenas 10 minutos. Entrou na fogueira, depois de o placar apontar 2 a 2 em um jogo completamente dominado pelo Manchester City contra o Tottenham. Aquela situação que tantas vezes já vimos. “Vai lá, garoto. Resolve!”

Gabriel não resolveu o jogo para Guardiola. Mas quase. Foi pouco tempo, mas deixou a impressão de estar pronto para trazer algo para um time que sofre para fazer gols – ainda mais nos jogos grandes

Na primeira vez que tocou na bola, ganhou uma boa jogada pela esquerda, invadiu a área e cruzou. A bola atravessou perigosamente, sem que um pé a metesse para dentro. O segundo toque, pouco depois, foi de cabeça. Após um cruzamento da direita, Gabriel se antecipou e tentou colocar na gaveta, com efeito no cabeceio, surpreendendo o goleiro Lloris. Foi por pouco que a bola saiu.

O terceiro toque foi um gol. Novamente cruzamento da direita, Gabriel se posicionou bem no segundo pau, alcançou a bola e meteu para dentro. Mas ele estava meio metro à frente, talvez tenha escapado um pouquinho antes. Impedimento bem marcado.

Foram três toques na bola, sempre em lances de perigo.

Mais do que isso, foi interessante ver que o brasileiro entrou no ritmo do jogo. Com a mesma pilha dos outros jogadores, entendendo o contexto e atuando de acordo.

Foi um jogaço de futebol. O Manchester City dominou completamente o primeiro tempo e o placar de 0 a 0 no intervalo era quase surreal. O francês Lloris era o nome do jogo. Até que, logo no início do segundo tempo, o goleiro cometeu duas falhas tão graves quanto raras e deu dois gols para o City.

Parecia que viria goleada. Mas o ótimo time do Tottenham, praticamente na primeira vez que chegou ao ataque, marcou. O City não sentiu o golpe, continuou melhor e talvez ali, no meio do segundo tempo, fosse o momento de colocar Gabriel Jesus em campo. Sterling e Sané não faziam uma partida do mesmo nível de Aguero, De Bruyne e Silva. Com espaço e vantagem no placar, o brasileiro poderia ter decidido a parada.

Foi Sterling que, então, recebeu um ótimo lançamento e ficou cara a cara com Lloris. Foi empurrado. Era lance de pênalti. Mas Sterling resolveu tentar se equilibrar e fez uma finalização pífia. Gabriel, não tenho dúvidas, ou teria metido para dentro ou caído e cavado o pênalti e a expulsão. Na jogada seguinte, o Tottenham empatou.

Só então entrou Gabriel. Se há uma crítica a Guardiola é essa, demorar para reagir com substituições nas partidas. Mas o catalão deve estar feliz. Com a chegada de Gabriel Jesus, pode ser resolvido um problema crônico do City na temporada: meter a bola para dentro. A Premier já era, mas tem Champions League logo mais.

No campeonato, o Chelsea ri à toa. Empate de concorrentes diretos City e Tottenham, derrota bizarra do Liverpool em casa para o fraquíssimo Swansea, empate do Manchester United. Mais um sábado “tudo de bom” para Conte.

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Gabriel Jesus na Europa estará mais para Neymar ou Gabigol?
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juliogomes

Em uma análise do respeitado jornal inglês “The Guardian”, ainda em agosto, a contratação de Gabriel Jesus pelo Manchester City foi comparada à chegada de Mirandinha ao Newcastle, em 1987. Lembram dele?

Dez anos antes de Gabriel Jesus NASCER, chegava o primeiro jogador brasileiro ao futebol inglês. A comparação, claro, só se deu porque Mirandinha vinha do Palmeiras, assim como Gabriel.

Mais vale especular se o novo garoto prodígio do futebol brasileiro terá um impacto parecido com o de Neymar ou com o de Gabigol na Europa. Ambos talentosos, jovens, que despertaram muito interesse e verdadeiras batalhas extra-campo de grandes clubes europeus por eles.

Neymar não chegou para ser o salvador da pátria. Chegou ao Barcelona de Messi. Um clube que tentava se acertar após a era Guardiola e a infelicidade de Tito Vilanova, que vivia a transição para um futebol mais “comum”, como o que joga hoje. Ainda assim, um clube campioníssimo, forte.

Quando Messi faltou, Neymar não deixou a peteca cair – é verdade que ter Suárez ao lado ajuda um tanto. Se nunca ameaçou o reinado do argentino, Neymar ganhou protagonismo, foi importante em temporadas vitoriosas e é claramente o futuro do clube. Ninguém duvida de Neymar em Barcelona.

Gabigol, por outro lado, vive situação inversa. Foi para a Inter de Milão (péssima escolha), ganhou poucos minutos até agora e vai ter de ganhar a vida em uma liga, a italiana, difícil demais para atacantes. Ainda mais para jogadores com as características que ele tem.

Talvez alguém tenha comprado o discurso de “novo Neymar”, discurso que eu nunca engoli. Dá para perdoar. As fornadas costumam ser boas na Baixada Santista.

Os “Gabrieis” acabaram tendo a chance de, ao lado de Neymar, conquistar a sonhada medalha de ouro olímpica. Mas aí chegou Tite na seleção principal e os destinos foram traçados de forma distinta: enquanto um virou titular, o outro perdeu espaço.

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Gabigol tem uma carreira de respeito na base, tem dois títulos paulistas no curriculum, chegou ao time principal do Santos aos 16 anos. Mas parece, à distância, ter aquela mentalidade comum entre os jovens jogadores brasileiros com mídia em excesso. Achar que tem um futebol muito maior do que verdadeiramente tem. Há campo para evolução, sem dúvida. Batalhar para triunfar em um clube difícil, em território hostil, como a Itália, talvez fosse mais louvável do que voltar logo para o Brasil (infelizmente, já começam a surgir especulações plantadas por empresários).

Gabriel Jesus, por outro lado, mostra muita maturidade. Chega à Europa com um título brasileiro no bolso, destaque em um clube que não ganhava o campeonato havia 22 anos. Não teve uma trajetória tão longa aqui como a de Neymar, poderia ter passado mais alguns anos em um clube grande como o Palmeiras, sendo elogiado e criticado, louvado e xingado. Poderia ter criado mais casca. Perdido e ganhado. Ainda assim, não saiu “sem jogar”, como aconteceu com muitos jovens que fizeram a transição sem escalas por nossa combalida elite.

Chega a um Manchester City com muitas interrogações no ar. Guardiola reclama das arbitragens, é criticado nas mesas redondas, começa a ser tratado na Inglaterra com um “bebê chorão”. Seu time perdeu tanto terreno para o Chelsea que o título inglês parece missão impossível.

Como Conte também chegou ao Chelsea no meio do ano, fica meio difícil justificar pela “falta de tempo de trabalho” o início claudicante do técnico mais badalado do mundo.

O que fará Guardiola com Gabriel Jesus? Vai jogar logo o menino na fogueira da Premier League ou vai dar tempo ao tempo? Como justificar um hipotético “pouco uso” do atacante diante da crise de resultados? Como ele será usado? Competindo com Aguero para jogar no comando do ataque ou com os “pontas”, transformando-se em Douglas Costa-2, “A Missão”?

O grande problema do City de Guardiola não tem sido a falta de gols – nos últimos 14 jogos oficiais, só não marcou em um. Mas, sim, o excesso de cartões vermelhos, erros de saída de bola e gols sofridos – nos últimos 22 jogos, só passou três sem levar pelo menos um gol. O jovem atacante brasileiro não é a solução para o principal buraco de Guardiola no momento.

Gabriel desembarcou nesta terça em Manchester e já se especula que ele possa jogar sexta-feira, pela Copa da Inglaterra. É um jogo secundário para o City. Se ele jogar, já teremos uma ideia do que pretende Guardiola.

Nunca é fácil chegar no meio da temporada, sem dominar o idioma, na liga doméstica mais competitiva do mundo, onde árbitros não protegem talentos e jornalistas preferem gastar tinta criticando atacantes que se jogam do que elogiando os que driblam.

Talvez, para este restante de temporada, a resposta à pergunta proposta por este post seja “nem Neymar, nem Gabigol”. Possivelmente Gabriel Jesus tenha muitos minutos, mas sem um impacto imediato. Nem vai ficar encostado, como Gabigol, nem “chegar chegando”, como Neymar.

Para os próximos anos, eu apostaria algumas fichas em Jesus como o Gabriel mais importante pelas bandas de lá.

Após uma curta pausa de fim de ano, aqui estamos de volta para debater futebol e esporte em alto nível. Sem histeria, sem interesses escusos ocultos, sem bordões, sem preconceitos. Queremos cada vez mais tratar o futebol como ele merece. E queremos uma sociedade menos agressiva e violenta, física ou verbalmente.

Agradeço muito aos que deixaram comentários construtivos (a maioria!) ao longo do ano passado e sejam todos e todas bem vindos para participar também em 2017. Sempre com educação e respeito à opinião do próximo. Não deixem de opinar, concordar, discordar, compartilhar o que vocês leem por aqui. Não deixem de acompanhar o melhor noticiário aqui nas páginas do UOL Esporte.

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Todos acertam na ida de Gabriel Jesus para o Manchester City
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juliogomes

Gabriel Jesus poderia ficar muitos anos no Palmeiras, como Neymar ficou no Santos. Ou poderia ter ido embora antes mesmo de se firmar no time titular. O primeiro caso foi exceção (e sabemos que muita gente se deu bem nessa exce$$$$$ção). O segundo caso, tem virado regra.

No caso de Gabriel, temos quase um meio termo. Ele terá um ano completo na elite do futebol brasileiro. Veste uma camisa grande, que tem uma rara chance real de ganhar o campeonato nacional após 22 anos. É o principal nome do time. Tem um peso grande nas costas. Ao final do ano, irá conviver com o sucesso ou o fracasso.

Muitos clubes europeus acabam não se dando conta disso. A importância desta vivência na carreira de um jogador. Muitos saem daqui muito jovens, vão sendo integrados tão aos poucos por lá que acabam sucumbindo no primeiro momento de grande pressão.

É claro que apostar quando o garoto ainda é muito novo representa gastar menos. E é claro que integrar um jogador mais novo pode ajudar taticamente. O garoto ainda não tem tantos vícios e pode ser mais bem moldado para o futebol moderno. Não são motivos pequenos. São revelantes. Mas considero inestimável o ganho de pegar um jogador com mais “casca”. Que já tenha sido elogiado e xingado, foco das atenções, testado técnica e emocionalmente.

Com a bagagem de uma Olimpíada em casa e se o Palmeiras conseguir se manter na briga pelo título até o final, Gabriel Jesus chegará ao City com uma bagagem interessante. Não tanto quanto a de Neymar. Mas interessante.

Para ele, será ruim chegar ao clube no meio da temporada? Se a expectativa for “chegar jogando”, sim. Se a cabeça for “se adaptar a tudo nos primeiros seis meses e começar a todo vapor a temporada 2017/2018, para arrebentar e ir à Copa do Mundo”, chegar em janeiro não é problema.

A Premier League é uma liga muito intensa, pegada e que não protege jogadores como Gabriel Jesus. Esse é um lado ruim. Na Inglaterra, a imprensa tem pouco acesso, não há a mesma “invasão” e a intensidade de elogios/críticas que vemos na Espanha, por exemplo. Esse é um lado bom.

Mas bom mesmo, o melhor de tudo para Gabriel Jesus, é trabalhar com Pep Guardiola.

Esse é o homem mais à frente de seu tempo no futebol. Guardiola cria tendências, não copia e segue a boiada. É um gênio. Se um gênio te liga para trabalhar com ele, você vai.

Com o que fez em Barcelona, Guardiola mudou a cara do futebol. Pressão de todos os jogadores na frente, posse de bola como melhor forma de se defender, tudo aquilo que já sabemos. Foi alcançado, a coisa é dinâmica. E vimos uma Eurocopa em que as equipes estão simplesmente se anulando além da conta. Guardiola já viu, pois, a necessidade de priorizar a presença de jogadores que desequilibrem a mesmice. Gerar certa anarquia dentro da organização.

Tentou com Douglas Costa no Bayern. Foi bom. Não espetacular, mas bom. “Deu” um jogador para a seleção brasileira com a evolução rápida em Munique. E agora quer fazer o mesmo com Gabriel Jesus. Ele não é um ponta, mas pode jogar assim. É um projeto de atacante moderníssimo, de velocidade e ótima finalização. Mete gols. No City, há poucos que metam gols.

Para o Palmeiras, seria melhor segurar Gabriel Jesus por muitos anos. Esta simplesmente não é a realidade. Portanto, contar com ele por seis meses para tentar o Brasileiro e ainda ganhar uma belíssima grana não parece mau negócio.

Bom para o Palmeiras, ótimo para o City, espetacular para Gabriel Jesus. Um raro negócio em que todos se dão bem.

gabrieljesus


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