Blog do Júlio Gomes

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Futebol europeu vê a quebra de duas hegemonias bizarras
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A Juventus conquistou no último fim de semana o hexacampeonato italiano e muito se ouviu sobre a busca por um “recorde”. Igualar os sete títulos franceses seguidos conquistados pelo Lyon. O problema é que, para essa série ser um “recorde”, é necessário separar subjetivamente as ligas europeias entre “competitivas” e “nem tanto”.

Se considerarmos somente as ligas mais poderosas, o hepta do Lyon de Juninho e cia e o hexa da Juventus de Buffon e cia são feitos máximos.

Mas, se considerarmos todos os campeonatos domésticos da Europa, há times que ganharam mais títulos consecutivos. E duas dessas hegemonias foram quebradas justamente no último fim de semana, enquanto os olhos estavam todos voltados para os títulos de Juventus e Real Madrid – que disputarão também o título europeu, no dia 3 de junho.

As duas maiores sequências de títulos domésticos na Europa são do Skonto Riga, da Letônia, e do Lincoln Red Imps, do minúsculo Gibraltar. Ambos ganharam 14 campeonatos seguidos. O Skonto, entre 1991 e 2004, dominando a liga letã após a independência da União Soviética.

O Lincoln Red Imps ganhou o campeonato de Gibraltar entre 2003 e 2016 e perdeu justamente a chance de conquistar o 15o título consecutivo. Gibraltar, para quem não sabe, é um território britânico localizado no sul da Espanha. É basicamente uma cidade de 30 e poucas mil pessoas (vale conhecer, por sinal, é muito bacana). Só tem um estádio de futebol, onde são disputados todos os jogos do campeonato. Não dá para ser mais “raiz” que isso. Bem, talvez “amador” seja uma definição melhor.

Depois de tropeçar na penúltima rodada contra o corajoso esquadrão do Mons Calpe, o Lincoln perdeu a liderança do campeonato para o bravo Europa Football Club. Que depois venceria seu jogo na última rodada para sagrar-se campeão de Gibraltar pela sétima vez, a primeira desde 1952. Sim, a Liga de Gibraltar existe desde 1895! Tem que respeitar.

Assim, a série de 14 títulos fica igualada entre Lincoln e Skonto. Logo depois, com 13 títulos seguidos, vem o Rosenborg, campeão da Noruega entre 1992 e 2004. Aqui já estamos falando de uma liga maior, de um time que apareceu na Champions League atuando contra os grandes da Europa.

Na sequência, com 11 títulos, vem o Dínamo Zagreb. Desde a independência da Croácia e da criação da liga local (em 1992), sem a competição com outros times da ex-iugoslava, o Dínamo dominou o futebol local. Ganhou 18 títulos contra apenas 6 do Hajduk Split. Vinha sendo campeão desde 2006 e buscava o 12o título seguido.

Mas…..

No último fim de semana, o valente Rijeka conquistou o título croata pela primeira vez em sua história. E com uma rodada de antecipação. Vai receber a taça justamente no próximo sábado, em Zagreb, diante da torcida do Dínamo. Na capital. Com pompa e circunstância.

Rijeka é a terceira maior cidade da linda Croácia, com apenas 130 mil habitantes. O time já havia tido um título literalmente roubado pelo Dínamo em 1999. A festa pela conquista do último fim de semana foi de lavar a alma, como mostram os vídeos nesta notícia do ótimo site Trivela.

Agora, das ligas mais importantes da Europa, temos a Juventus com seis títulos seguidos, o Bayern de Munique, com cinco (também inédito na Alemanha), e o Benfica, com quatro em Portugal.

Das Ligas secundárias, a sequência mais notável é a do Olympiakos, na Grécia, com sete títulos consecutivos (e 19 nos últimos 21 anos). O Basel conquistou o oitavo título seguido na Suíça, também um recorde do país. Na Escócia, o Celtic foi campeão pela sexta vez consecutiva, mas ainda está longe da marca de nove títulos que tanto ele quanto o Rangers conseguiram no passado.

 


José Mourinho, o homem que não perde finais
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José Mourinho disputou 14 finais importantes em jogo único em sua carreira. Ganhou 12. Se finais existem para ser vencidas, como disse o próprio Mourinho, o negócio é chamar o português. O aproveitamento dele chega agora a 85%.

Se considerarmos apenas finais europeias, Mourinho ganhou todas: quatro de quatro (Uefa com o Porto em 2003, Champions em 2004, Champions com a Inter em 2010). É o primeiro título internacional do clube após a era Alex Ferguson.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Ajax, em Estocolmo, o Manchester United conquista o título da Europa League. Um título inédito. E, assim, não apenas salva a temporada, com a classificação direta para a fase de grupos da próxima Liga dos Campeões. Dá para considerar uma temporada de sucesso, a do United.

Foi um jogo que aconteceu do jeito que José Mourinho planejou e queria. O Manchester United fechou o meio de campo com Pogba, Herrera e o contestado Fellaini, que fez ótima partida. Tirou a velocidade do jogo, não permitiu que o jovem time do Ajax imprimisse o ritmo que gostaria. Foi um baile tático.

Jogou melhor no primeiro tempo, fez o gol com Pogba e depois foi só controlando. O gol no comecinho do segundo tempo, com Mkhitaryan, a outra grande contratação para a temporada, praticamente selou a decisão. O Ajax tentou, foi guerreiro, mas não passou nem perto de ameaçar a vitória do Manchester. Uma alegria para a cidade inglesa, após o terrível atentado desta semana.

Claro que ninguém quer perder finais. Mas, para o Ajax, é importante voltar a uma decisão continental após 21 anos, ainda mais com um time jovem e promissor, que trará alegrias ou, pelo menos, dinheiro.

Dinheiro que tanto custou Pogba. Um craque, que fez uma temporada bem mais ou menos pelo valor desembolsado. Mas acaba com gol de título. O melhor Pogba ainda vai aparecer em Manchester.

Em seu primeiro ano com Mourinho, o United foi campeão da Community Shield (a Supercopa da Inglaterra), a Copa da Liga Inglesa e a Europa League. É verdade que acabou a Premier League em sexto lugar (na lanterna entre os seis mais poderosos). Mas, por causa do título de hoje, atingiu o objetivo maior, estar na próxima Champions e ajudar as finanças do clube.

Se o segundo ano de Mourinho costuma ser o melhor, por todos os clubes que passou, é bom ficar de olho neste United na próxima temporada.

A lista de 14 finais disputadas por Mourinho tem jogos de competições longas, domésticas ou europeias. As únicas derrotas vieram em maio de 2004 (Benfica 2 x 1 Porto na prorrogação, Taça de Portugal) e maio de 2013 (Atlético de Madri 2 x 1 Real Madrid, gol de Miranda na prorrogação, Copa do Rei da Espanha). Ou seja, nos 90 minutos, Mourinho nunca perdeu uma decisão.

A lista exclui as Supercopas, aqueles jogos de menor relevância, de pré-temporada praticamente, que abrem as competições oficiais na Europa – entre Supercopas em Portugal, Itália e Inglaterra, Mou ganhou quatro e perdeu quatro (sempre considerando apenas jogos únicos).

Já o Manchester United, por incrível que pareça, conquista um título inédito. Nunca havia conquistado a Copa de Feiras, da Uefa ou a Europa League (tudo a mesma coisa). Torna-se o quinto clube a ganhar, além da Uefa/Europa League, a Copa dos Campeões/Champions e a extinta Recopa (os outros são o próprio Ajax, Juventus, Bayern e Chelsea).


Isco, melhor do Real Madrid, é solução e problema para Zidane
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Cristiano Ronaldo fez 25 gols. Sergio Ramos arrancou muitos pontos nos “seus” acréscimos. Marcelo foi enorme. Mas nenhum jogador do Real Madrid foi mais valioso que Isco na campanha do título espanhol, conquistado no domingo com a vitória em Málaga – justamente a região natal do meia.

Não estou falando que Isco é melhor que esses caras. E não estou colocando a Liga dos Campeões da Europa na conta. Isco foi o MVP, o mais importante do Real especificamente na campanha da Liga doméstica.

O título chega após cinco anos da última conquista e havia virado uma obsessão do Real Madrid. Afinal, o todo poderoso clube da capital havia conquistado só uma das oito competições anteriores. O domínio do Barcelona estava incomodando demais, e Zidane sabia que era importante reconquistar a soberania nacional.

Para isso, arriscou. Depois da longa viagem para o Mundial, quando virou o ano e o calendário apertou, com Copa do Rei e mata-mata da Champions, Zidane passou a usar seguidamente a profundidade do elenco. Foram cinco jogos em casa com praticamente só reservas do meio para frente – só não usou reservas na defesa também por causa das lesões.

Isco estava nesse grupo de reservas. Zidane sempre deixou muito claro que não mexeria no tal trio BBC, Bale-Benzema-Cristiano, apesar da pressão da imprensa espanhola. A pressão era mais por causa de Morata, outro dos reservas, que poderia entrar no lugar de Benzema. Isco nunca teve esse lobby todo.

Com os reservas, ele brilhou. O jogo em que o Real passou mais perto de tropeçar foi o de Gijón. E aí Isco fez isso aqui para empatar a partida. E depois isso aqui, aos 45min do segundo tempo, para decidir. Logo depois de os titulares perderem o clássico para o Barcelona, os reservas foram a La Coruña e fizeram 6 a 2 no Deportivo. Jogo-chave em que Isco só não fez chover.

E Bale se machucou. E depois se machucou de novo. Chegou a hora de Isco entre os titulares, justo nessa reta final de campeonato e Champions.

E a presença dele no meio de campo, à frente de Modric e Kroos, formando um losango com Casemiro no vértice oposto, simplesmente arrumou o Real Madrid.

Por mais que os resultados estivessem chegando, o Real Madrid deixava muitas interrogações ao longo da temporada. Talvez, em um campeonato mais competitivo, tipo Inglês ou Alemão, tivesse deixado mais pontos para trás na primeira metade. Conseguiu muitas vitórias no sufoco, nos minutos finais (isso tem mérito, mas por que chegar a esse ponto?) e era um time ultradependente da bola aérea. Parecia só fazer gol assim.

Os times cortavam as linhas de passe de Modric e Kroos e complicavam muito a fluência de jogo do Real Madrid. A presença de Isco no lugar de Bale acerta isso. Os corredores ficam livres para os laterais, Kroos e Modric ganham um parceiro e possibilidades, Benzema e Cristiano Ronaldo passam a receber muito mais bolas limpas na frente.

Isco mandou no jogo contra o Atlético de Madri, no Calderón, com o Real 2 a 0 abaixo e contra a parede (isso pela Champions). Foi dominante na reta final do Espanhol, concluindo com um jogaço contra o Málaga dele na última partida. Saiu aplaudido pelas duas torcidas, algo raro, fez uma assistência maravilhosa, de três dedos, para o primeiro gol (de Cristiano Ronaldo).

Está cada vez mais parecido com Iniesta e tem só 25 anos de idade. Um meia que se mexe muito pelo campo, tem chegada, drible curto. A bola gruda em seus pés, ele limpa as jogadas passando por um ou dois e abre o campo para criar jogadas de perigo. Muito rápido, muito inteligente, muito esperto na tomada de decisões.

E ainda por cima tem gol! Fez dez no campeonato, apenas um a menos que Benzema, cinco a menos que Morata.

Mas então, se Isco foi tão importante assim, por que ele é um problema para Zidane?

Bale está trabalhando para chegar bem à final de Cardiff – por sinal, Cardiff é a capital do País de Gales. A imagem de Bale estará por todos os lados, ele é o grande personagem no local da decisão da Champions.

Zidane já disse mil vezes que “com o trio BBC não se mexe”.

E agora? E se Bale se recuperar a tempo? Zidane terá coragem de deixar Isco no banco e mexer em um sistema de jogo que está dando tão certo, voltando para um esquema de Cristiano e Bale abertos, com um vão no meio?

Isco não será problema. Se Zidane tiver percebido que ele foi a solução.


Real Madrid e Juventus campeões. Agora só falta saber quem é melhor
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Faz muito tempo que a final da Liga dos Campeões da Europa não é, além da disputa pelo título, um tira-teima. O jogo para determinar quem é, de fato, o melhor do continente. É o caso neste ano.

Neste domingo pela manhã, a Juventus confirmou o hexampeonato italiano com uma vitória sobre o Crotone por 3 a 0. De tarde, o Real Madrid ganhou o Campeonato Espanhol ao fazer 2 a 0 sobre o Málaga.

Quem é melhor? Juventus ou Real Madrid? Para mim, é impossível dizer. Precisamos da final do dia 3 de junho, daqui a dois fins de semana, em Cardiff, para saber. Sinto-me incapaz de apontar um favorito.

Os títulos domésticos deste domingo mostram a força de ambos. A Juventus construiu uma dinastia na Itália. O Real Madrid quebra o incômodo domínio do Barcelona. Pode até ter o melhor ataque do mundo, mas não tem a taça.

Por ser um torneio de mata-mata, nem sempre a Champions League opõe na final os dois melhores times da temporada.

Nos últimos três anos, qualquer final sem o Bayern de Munique não reunia os dois melhores da Europa. Talvez a última vez tenha sido em 2011? Mas o atropelamento do Barcelona de Guardiola na final mostra que aquele Manchester United não estava em um nível tão alto. Possivelmente o segundo melhor time daquele ano era o Real Madrid de Mourinho, eliminado pelo Barça na semi.

Enfim, quanto mais voltamos no tempo, mais vamos chegando a tempos em que equipes não eram super seleções, como hoje. E fica mais difícil achar a situação em que os melhores do ano estavam na final.

No sábado, 20 de maio, foi o aniversário de 19 anos da final de 1998, entre Juve e Real. Aquele Real Madrid acabou em quarto lugar a Liga espanhola, mas venceu por 1 a 0 a decisão contra uma Juve bicampeã italiana e que estava em sua terceira final europeia seguida. Naquela final, havia um favorito. Que perdeu, por sinal.

Mas não falávamos dos dois melhores da Europa, o Real Madrid não era nem o melhor da Espanha.

Hoje, como negar que a final será um tira-teima?

A Juventus construiu um domínio nunca antes visto na Itália. É o primeiro time hexacampeão da história da Série A e o primeiro a ganhar três vezes seguidas a Copa da Itália (conquistada na última quarta, 2 a 0 na final sobre a Lazio). Em casa, a Juve ganhou 18 jogos e empatou 1 no campeonato. Não perde desde setembro de 2015 um jogo em seu estádio.

Tudo isso ancorada com uma base defensiva ultrasólida, jogadores que atuam juntos há muito tempo. Buffon, Chiellini, Bonucci, Barazagli. Ganhou um campeão com Daniel Alves. Outro em Mandzukic. Jogadores de espírito competitivo e história. História que querem construir personagens sedentos e decisivos, como Higuaín e Dybala. É um time equilibrado e que sabe jogar de várias maneiras diferentes.

E o Real Madrid, depois de um título espanhol em oito anos, consegue retomar a hegemonia doméstica. O último título tinha sido em 2012, com Mourinho. É verdade que perdeu para o Barcelona em casa no mês passado. Mas aquilo foi coisa de Messi. Não dá para contestar a campanha madridista.

Zidane teve coragem, colocou times mistos em várias partidas fora de casa e conseguiu ter os titulares inteiros fisicamente para a reta final, quando não havia margem para tropeços. É verdade que em muitos momentos o time parecia não saber bem a que jogava, ganhou muitos pontos na marra, nos minutos finais, nas bolas levantadas na área.

Mas a lesão de Bale e a consequente entrada de Isco no time equilibrou tudo. O Real Madrid passou a depender menos de bolas aéreas, passou a ter mais a bola nos pés, a fazer valer a qualidade de seu meio de campo. O time fez pelo menos um gol em TODOS os jogos da temporada. Já são 64 consecutivos.

A Internazionale, em 2010, foi o único time italiano a conseguir a tríplice coroa na história. A Juventus, campeã da Série A e da Copa, pode repetir o feito. Para isso, precisa quebrar o jejum de 21 anos sem conquistar a Europa.

O Real Madrid nunca conquistou a tríplice coroa. Os 11 títulos europeus só vieram acompanhados de título espanhol duas vezes. Em 1957 e 1958. O time de Zidane tenta quebrar um tabu de 59 anos, portanto. Não é pouca coisa.

Um dos dois fará história com H maiúsculo. Precisamos dessa final para saber quem é o melhor. Chega logo, dia 3!


Notórias despedidas na Europa: Calderón, Wenger, Xabi Alonso e Lahm
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O estádio Vicente Calderón já é história. E que história! À beira do rio Manzanares, com uma avenida passando por baixo das tribunas, com uma vista linda da cidade, com grande ambiente, de estádio de futebol de verdade.

O Atlético se despediu de seu estádio vencendo o Athletic Bilbao por 3 a 1. Dois gols de Fernando Torres, el niño, a grande esperança nos anos de vacas magras e que depois voltou em anos muito melhores – que só não foram perfeitos por causa das quatro derrotas seguidas para o Real Madrid em Champions League.

A festa foi maravilhosa. Com gols, aclamação aos velhos ídolos e ao time feminino, campeão nacional.

O Calderón era um estádio ruim para trabalhar, não vou negar. Chato para chegar. A zona mista, nos meus anos lá, pelo menos, era caótica. Ficar no campo era meio arriscado, já caiu radinho de pilha do meu lado. Na tribuna de imprensa, uma escadaria inacabável, chuva no computador… mas a vista da catedral de Almudena e do Palácio Real compensava tudo.

Vai deixar saudades. O Atlético vai jogar do outro lado da cidade, em uma arena dessas ultramodernas. Tomara que não perca o espírito, cada vez mais em falta no futebol-business.

Arsène Wenger é outro que se despede. Talvez do Arsenal, ainda não sabemos. Mas certamente da Champions League, pelo menos por um ano.

Wenger foi o primeiro homem nascido fora das ilhas britânicas a assumir o comando do Arsenal. Isso aconteceu no meio de 1996, há exatos 21 anos. Em sua primeira temporada, o Arsenal acabou em terceiro lugar, mas naquele ano somente os dois primeiros se classificavam para a Champions League.

No ano seguinte, temporada 97/98, o Arsenal conquistou o primeiro de seus três títulos ingleses com Wenger. Nunca ficou fora do G4 e, consequentemente, se classificou 19 vezes seguidas para a máxima competição europeia. Um feito e tanto, ainda mais considerando que no meio disse tudo o clube construiu um estádio novo e não teve tanto dinheiro para contratar, ainda mais se compararmos com clubes milionários controlados por estrangeiros (Chelsea, Manchester City).

Em 2016/2017, o Arsenal acabou pela primeira vez fora dos quatro primeiros na era Wenger. Ficou em quinto, com 75 pontos, mais que os 71 que renderam o vice-campeonato no ano passado. De nada adiantou bater o Everton por 3 a 1 na última rodada da Premier League, já que o Manchester City e o Liverpool venceram seus jogos e acabaram em terceiro e quarto, respectivamente.

Na vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Middlesbrough, o brasileiro Lucas Leiva entrou a 10 minutos do final e acabou o jogo com a tarja de capitão no braço. Teve toda a pinta de despedida, após 10 anos no clube. Uma carreira de muito respeito. Se algum time brasileiro conseguir trazê-lo, estará fazendo um enorme negócio.

Também na Inglaterra, John Terry se despediu do Chelsea com mais uma vitória e título inglês. Um jogador que nunca teve esse futebol todo que se fala por lá, mas que inegavelmente é um símbolo da era vencedora do Chelsea.

Outros que se despediram, mas do futebol, foram Xabi Alonso e Phillip Lahm, com o fim da temporada do Bayern de Munique – pentacampeão alemão.

Xabi Alonso é um dos jogadores mais subestimados que vimos ao longo das últimas décadas. Enorme participações, dentro e fora de campo, em times históricos: o Liverpool campeão da Europa em 2005, o Real Madrid da Décima em 2014, a Espanha bicampeã europeia e, claro, campeã do mundo em 2010. Sabe demais de futebol, não tenho dúvida que voltará ao cenário europeu em outro cargo logo logo.

Phillip Lahm, o último homem a levantar uma Copa do Mundo, é outro que merece menção. Desafiou a lógica (um baixinho no futebol alemão!), ocupou muitas posições, triunfou com todos os técnicos. Exemplo de atitude e bola.


Chelsea leva a Premier! Saiba quem mais pode ser campeão na Europa
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O título da Premier League estava cantado faz tempo. Foram várias as rodadas que mostraram que o Chelsea seria campeão, e o fato de os Blues estarem fora da Liga dos Campeões, totalmente focados no Campeonato Inglês, era uma vantagem e tanto.

O título antecipado veio nesta sexta-feira, na abertura da penúltima rodada, como uma vitória suada sobre o West Bromwich, fora de casa, por 1 a 0.

A Premier havia tido quatro campeões diferentes nos últimos quatro anos – é, de fato, o campeonato europeu grande que começa com mais candidatos ao título. O Chelsea, com Conte, repete o feito depois do título de 2015, com Mourinho. Desde a injeção bizarra de dinheiro do russo Roman Abramovich, que começou em 2003, o Chelsea, que completava naquele ano uma fila de 48 anos sem título nacional, conquista sua quinta Premier League.

Um título justo. Conte mudou o sistema no começo da temporada, passou a usar três zagueiros, deu liberdade a Hazard e contou com grande temporada de Diego Costa. Em relação ao time que fracassou na temporada passada, a grande mudança foi a chegada do volante francês Kanté, que veio do Leicester. Ele é o único bicampeão inglês e foi, na opinião deste blog, o melhor jogador do campeonato.

OUTROS CAMPEÕES?

A Europa já conhece os campeões da Inglaterra e da Alemanha (Bayern de Munique). Neste fim de semana, podem ser definidos os campeões na Itália, França, Portugal e Holanda.

Na Itália, faltam três rodadas e a Juventus é líder com sete pontos de vantagem para a Roma e oito para o Napoli. No domingo, 15h45, jogam Roma e Juventus em um confronto direto no Olímpico. O empate dará à Juventus o inédito hexacampeonato italiano. Se a Roma vencer, diminuirá a diferença para quatro pontos e ainda sobreviverá na briga.

Na França, o Monaco tem 86 pontos, contra 83 do tetracampeão PSG. Mas o Monaco ainda tem mais três jogos a fazer, o PSG só tem dois. No domingo, às 16h, o Monaco enfrenta o Lille (11o colocado) em casa. Será campeão se fizer um resultado melhor que o do PSG, que vai a Saint Étienne pegar o sétimo colocado da Ligue 1. Se os dois vencerem, o título não será ainda matemático, mas será do Monaco na prática – pois o saldo de gols do time do Principado é muito superior ao da capital (18 gols a mais).

Em Portugal, faltam duas rodadas e o Benfica tem cinco pontos a mais do que o Porto. Para ser campeão, basta ao Benfica vencer em casa o Vitória de Guimarães (quarto colocado), às 14h15 do sábado. Se não vencer no sábado, ainda assim será campeão se o Porto não derrotar o Paços Ferreira no domingo.

Por fim, na Holanda será disputada a última rodada no domingo, às 9h30. É o segundo match point para o Feyenoord, que não conquista o campeonato desde 1999. O time de Roterdã já poderia ter sido campeão na rodada passada, mas sentiu a pressão e perdeu por 3 a 0 para um time de meio de tabela. Agora, a vantagem para o Ajax caiu para apenas um ponto. O Feyenoord recebe o Heracles, nono colocado, eu seu estádio. Se vencer, será campeão. Se amarelar, terá de torcer contra o Ajax, que viaja para pegar o Willem II (12o colocado).

 


Juventus x Real Madrid: O um contra um e os duelos-chave
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Ainda falta muito tempo para a final da Liga dos Campeões da Europa, entre Juventus e Real Madrid. O jogo será só no dia 3 de junho. Até lá, algum jogador pode se machucar, alguma ideia pode mudar. A proposta aqui é analisar um a um (ou, em alguns casos, dois a dois) os times de Juventus e Real. E os duelos que podem fazer a diferença tática em campo.

Importante ressaltar que os times jogam com sistemas diferentes. O Real Madrid, com Isco e sem Bale, joga num 4-1-3-2 em que Casemiro é o volante à frente da defesa. A Juventus não tem um volante como Casemiro, mas atua com um jogador aberto pela direita (Cuadrado ou Daniel Alves).

Não há alguém para comparar com Casemiro, então ele não entra na lista abaixo. E não há alguém no Real que possa ser comparado a Daniel Alves ou Cuadrado – a não ser que Bale volte ao time, neste caso seria Dybala, pelo meio, que ficaria sem um jogador para ser comparado a ele. Vou levar em conta que Isco estará no time (e não Bale). Assim, tampouco há um antagonista a Daniel Alves.

Há um duelo entre eles, Daniel Alves x Casemiro. Disso, falo mais abaixo neste post.

GOLEIROS

Buffon x Navas
Aqui não há debate. Navas é ótimo goleiro e mostrou isso contra o Atlético de Madri. Mas Buffon é Buffon. Se vencer a final, pode até ser Bola de Ouro da temporada. Talvez não seja o melhor goleiro da atualidade (porque Neuer está em altíssimo nível), mas certamente é o goleiro mais regular e importante dos últimos 20 anos. Não falha! 1 a 0 Juve.

ZAGUEIROS

Chiellini e Bonucci x Sergio Ramos e Varane (ou Pepe)
A dupla da Juventus é a melhor do mundo no momento, é a defesa mais sólida. Rápida, forte no jogo aéreo, nas antecipações, ocupação de espaços e mantém alto nível de concentração o tempo todo. Não fazem lambança e também são uma arma ofensiva. Sergio Ramos é muito bom e talvez esteja em nível parecido ao dos italianos (para este blog, um pouco abaixo). Mas Varane, provável titular, está alguns degraus abaixo ainda de todos os outros. A zaga do Real é fortíssima na bola aérea e é rápida, mas perde a disputa. Juve 2 a 0.

LATERAL DIREITO

Barzagli x Nacho? Daniel Alves x Carvajal?
Aqui temos uma grande dúvida na escalação de ambos. Carvajal é o titular do Real Madrid, mas se machucou na ida contra o Atlético e não se sabe se chegará à decisão. Danilo é seu reserva imediato, mas voltou a mostrar ser pouco confiável. Se Carvajal não jogar, acredito que Zidane irá priorizar a defesa e escalará Nacho por ali. Já a Juventus teve Daniel Alves contra o Barcelona, mas adiantou o brasileiro contra o Monaco e preferiu Barzagli, um terceiro zagueiro, na lateral. Barzagli é melhor que Nacho. Mas, se jogar Carvajal, não cabe comparação.

LATERAL ESQUERDO

Alex Sandro x Marcelo
Alex Sandro faz uma temporada muito boa, mas aqui a comparação é quase covarde. Marcelo é, de longe, o melhor lateral esquerdo do mundo. Essencial no fluxo do jogo do Real Madrid, um jogador capaz de quebrar sistemas com jogadas individuais ou chegadas inesperadas. Juve 2 a 1.

VOLANTES

Pjanic e Khedira (ou Marchisio) x Kroos e Modric
Khedira é dúvida para a final. Independente disso e do bom funcionamento da dupla da Juve, a do Real Madrid é simplesmente melhor. Até porque, como Kroos e Modric têm o luxo de Casemiro segurando as pontas e fazendo o trabalho sujo atrás, eles têm mais liberdade para chegar à frente. São jogadores que quase não erram. Uma das chaves da final para a Juventus será cortar esse fluxo de passes, criar problemas para Kroos e Modric. 2 a 2.

MEIA

Dybala x Isco
O final de temporada de Isco, seja nos jogos com os reservas seja após a lesão de Bale, tem sido espetacular. Um jogador que está lembrando muito os bons momentos de Iniesta. Bola grudada no pé, raciocínio rápido, movimentação por todo o terço final, o homem perfeito de ligação. E fazendo gols! Mas Dybala está um pouco acima, na minha opinião. Faz a temporada da explosão e provou-se capaz de decidir no jogo de ida contra o Barcelona. Se jogar Bale, e não Isco, Dybala sobra. E Daniel Alves entraria na comparação com Bale. Considero o brasileiro mais desequilibrante nesta temporada. Em qualquer caso, por pouco, Juve 3 a 2.

ATACANTES

Higuaín e Mandzukic x Benzema e Cristiano Ronaldo
Não são exatamente duplas de ataque, mas funcionam assim em muitos momentos. Allegri descobriu uma maneira de colocar Mandzukic no time, com o croata atuando mais pela esquerda. Mas, como vimos no primeiro gol contra o Monaco, ele é capaz de chegar por dentro na área e, claro, machucar no jogo aéreo. Tanto ele quanto Cristiano Ronaldo atuam pela esquerda, mas com muita chegada na área. O debate entre Higuaín e Benzema já foi muito forte no próprio Real Madrid. Apesar de Benzema estar constantemente mostrando seu valor, como na impressionante jogada do gol contra o Atlético, este blog considera Higuaín um pouco superior. Tem mais gol. Mas Cristiano Ronaldo desequilibra a balança para o Real Madrid, e chegamos a um empate de 3 a 3.

BANCO DE RESERVAS 

É uma extensão das forças do time titular. A Juventus tem mais opções de segurança para a defesa e a contenção no meio. Mas o Real Madrid tem muitos jogadores de meio e ataque capazes de mudar o destino do jogo: Morata, James Rodríguez e os jovens (e rápidos) Asensio e Lucas Vázquez. Para a Juve, faltam jogadores para mudar  jogo saindo do banco. Para o Real, faltam jogadores para segurar uma eventual vitória. Dou vantagem para Zidane, tem mais peças. Por outro lado, considero Allegri um treinador melhor que o francês na leitura de jogo. A Juve tem um técnico mais experiente no banco de reservas. 4 a 4.

DUELOS-CHAVE

Daniel Alves x Marcelo (e Casemiro)
Acredito que Allegri repetirá na final o modelo que funcionou contra o Monaco. Daniel Alves tentará explorar os corredores que Marcelo deixa atrás, como já fazia nos clássicos quando estava no Barcelona. Sobrará para Casemiro anular Alves. Um Casemiro que tem tido cartões seguidamente perdoados pelas arbitragens na Champions e precisa tomar cuidado para não deixar o time na mão. Por outro lado, Marcelo é um jogador chave para a saída do Real Madrid, e Daniel Alves precisará atuar defensivamente para evitar que Marcelo e Cristiano façam estragos pela esquerda.

Dybala x Casemiro (ou quem?)
Isso nos traz ao segundo duelo. Quem irá fechar os caminhos para Dybala? A priori, Casemiro. Mas se ele estiver muito ocupado com as costas de Marcelo… Kroos será fundamental no trabalho defensivo. E Ramos e Varane precisarão estar muito atentos ao trabalho de Dybala entre as linhas. A defesa do Real vai precisar de muita sincronia.

Isco/Kroos/Modric x Pjanic/Khedira
É de se imaginar que o Real Madrid terá a bola por mais tempo no jogo. E a Juventus vai precisar encontrar uma forma de cortar as linhas de passe dos meio-campistas do Real. Fiquem com a bola, mas longe de minha área. Pjanic e Khedira (ou Marchisio) ficarão sobrecarregados e precisarão de ajudas dos homens de frente. Se os dois conseguirem se desdobrar na função, a Juve tem meio caminho andado. Se forem atropelados, a balança pende para o Real Madrid.

Cristiano Ronaldo x BBC juventino
Se Allegri escalar Barzagli, ele terá a missão de fechar o setor por onde Cristiano Ronaldo mais gosta de atuar. Se o português cair para o meio, estará no setor de Bonucci e Chiellini. Quem quer que esteja perto dele, vai precisar fechar as opções de finalização de Cristiano, que matou o Bayern e o Atlético com sua incrível capacidade de fazer gols.

 


Atlético se despede com dignidade, Real Madrid merece a final
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O Atlético de Madri conseguiu o mais difícil. Aquilo que estava em qualquer roteiro dos sonhos de Simeone ou dos torcedores. Fazer dois gols nos primeiros 15 minutos. Mas, depois, parou.

O Atlético achou que conseguiria jogar com o 2 a 0 e fazer o terceiro naturalmente – ou no abafa nos minutos finais. Mas não existe segurar jogo contra o Real Madrid.

Quando um time está contra as cordas, é necessário continuar batendo até cair. O Real não conseguia trocar dois passes. Por pelo menos mais 5 ou 10 minutos, o Atlético deveria ter continuado com a mesma pegada. Errou. Recuou. Pagou o preço.

Isco começou a tomar conta do jogo. Jogando entre as linhas, botou a bola embaixo do braço e tranquilizou as coisas, trouxe o Real Madrid de volta para a partida – sempre escorado, claro, pelos perfeitos Kroos e Modric. Eles simplesmente não erram!

O gol da classificação sai de uma jogada magnífica de Benzema, recebendo um lateral e passando por três jogadores com um lindo drible a la futsal. Oblak para Kroos, mas não para Isco no rebote. Ali, com 2 a 1, caiu a já esperada ducha de água fria na cabeça do Atlético.

Isco deveria ter recebido um amarelo no primeiro e outro no segundo, assim como Casemiro, Varane e Gabi. O juiz foi muito mal na parte disciplinar. Mas acabou não interferindo no resultado do jogo.

No segundo tempo, o Atlético teve algumas chances de fazer o terceiro. Aos 20min, Navas faz duas ótimas defesas no mesmo lance. O jogo poderia ter sido incendiado ali. Não foi.

O Atlético errou ao ser pouco agressivo no Santiago Bernabéu. E perdeu a chance do milagre ao recuar depois de fazer 2 a 0 nesta quarta.

De todos os modos, o estádio Vicente Calderón se despede de competições europeias com uma noite para ser lembrada e uma vitória do Atlético sobre seu maior rival. Uma despedida muito bonita de um time que é o mais importante da história do clube.

O Real Madrid mereceu a classificação. Transformou a enorme superioridade da ida em resultado. E administrou com consistência a volta, quando poderia ter afundado.

Real e Juventus disputam a final europeia de novo 19 anos depois do duelo de Amsterdã e o gol histórico de Mijatovic. Já haverá tempo de falar sobre isso nas próximas semanas.


Juventus para dois dos ataques mais poderosos. Falta o melhor
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juliogomes

O Barcelona fez 160 gols em 56 jogos oficiais na temporada. Zero nos dois jogos contra a Juventus. O Monaco fez 150 gols em 60 partidas. Apenas um contra a Juventus, com a eliminatória já decidida e os jogadores menos concentrados em campo.

Falta, agora, à quase intransponível defesa da Juve parar o melhor dos ataques. O do Real Madrid, dos 158 gols em 55 jogos. Média de 2,87 gols por jogo, o ataque mais positivo da Europa.

Isso, claro, caso o Real Madrid confirme sua classificação para a final da Champions nesta quarta-feira – enfrenta o Atlético de Madri com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 3 a 0. Já a Juventus se garantiu vencendo o Monaco por 2 a 1 – havia vencido por 2 a 0 a partida de ida.

Em 2015, a Juventus chegou à final contra o Barcelona sem ter passado por tantas provas. Neste ano, chega com confiança na estratosfera. Com a bagagem de uma final nas costas e jogadores que dão caráter ao time, como Daniel Alves – o grande nome das semifinais.

É um time que provou a si mesmo e ao mundo que é capaz de parar qualquer ataque. Seja Falcao e Mbappé, seja Messi, Suárez e Neymar, por que não pode parar Cristiano Ronaldo?

É um time capaz de jogar de muitas formas. Tem um goleiro histórico e com os reflexos em dia, uma dupla de zaga que é a melhor do mundo, laterais brasileiros todo-terreno, volantes que fecham linhas e com passe para a transição. E, claro, Dybala, Higuaín e Mandukic, homens com muito gol.

Um time completo, consistente, com camisa. A Juventus chega à nona final europeia. Ganhou pela última vez em 1996. Perdeu as finais de 97, 98, 2003 e 2015. Chegou a hora de sair da fila?


Juventus e Feyenoord podem ser campeões no fim de semana europeu
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juliogomes

O Bayern de Munique já garantiu o título na Alemanha. Neste fim de semana, Juventus, na Itália, e Feyenoord, na Holanda, podem garantir títulos domésticos nesta reta final de campeonatos europeus.

A Juve, virtual finalista da Liga dos Campeões da Europa, tem tudo para conquistar um inédito hexacampeonato italiano. Nunca um clube ganhou a Série A seis vezes seguidas.

A própria Juve conquistou o penta entre 1931 e 35, feito também conseguido pelo super Torino dos anos 40, antes do acidente de avião que vitimou o time inteiro. Mais recentemente, a Inter ganhou cinco títulos seguidos, mas em circunstâncias especiais (o primeiro dos cinco, em 2006, foi herdado após o escândalo extra-campo que tirou o título da Juventus e a mandou para a Série B).

Para ser campeã 2016/2017 com três rodadas de antecipação, a Juventus precisa vencer o dérbi da cidade contra o Torino, no sábado. No domingo, a vice-líder Roma tem um duro clássico fora de casa contra o Milan. Se a Juve ganhar e a Roma tropeçar, o hexa estará decidido. A rodada seguinte, a antepenúltima, tem justamente o duelo entre Roma e Juventus na capital.

Em seu estádio, a Juve ganhou os 17 jogos que fez no campeonato. Se juntarmos com a temporada passada, são 33 vitórias seguidas em partidas de Série A no Juventus Stadium. Em agosto de 2015, a Juve perdeu pela última vez em casa: 0-1 para a Udinese. Em setembro, empatou os dois jogos seguintes, 1-1 com Chievo e Frosinone. De lá para cá, só ganhou.

Se contarmos todas as competições, são 43 vitórias e 6 empates desde aquela derrota para a Udinese. A Juve pode chegar no sábado, portanto, a 50 jogos de invencibilidade em casa. E, ironicamente, comemorar o inédito hexa no sofá, no domingo.

RENASCIMENTO

Na Holanda, o Feyenoord pode quebrar um jejum incômodo de 18 anos sem um título da liga nacional. Para isso, basta vencer o Excelsior (13o colocado) no domingo de manhã. Como tem quatro pontos de vantagem para o Ajax, mesmo que tropece ainda terá a chance de ser campeão jogando em casa na última rodada.

O Feyenoord é o grande time de Roterdã, a segunda cidade do país. Foi o primeiro clube holandês a ganhar a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental (1970). Também foi o primeiro a ganhar a Copa da Uefa, em 1974 (depois repetiria a dose em 2002, o último grande momento do clube, ainda tempos de Van Persie).

Até o meio da década de 70, era o grande rival do Ajax. Enquanto o gigante de Amsterdã tinha 16 títulos nacionais, o Feyenoord tinha 11, e o PSV Eindhoven tinha só 4. Desde então, no entanto, o Ajax ganhou outros 17 campeonatos (soma 33), o PSV ganhou 19 (soma 23) e, o Feyenoord, apenas 3 (está a ponto de ganhar o 15o título no total).

Depois de uma grave crise financeira, o Feyenoord conseguiu acertar as contas nos últimos cinco anos. E, na temporada passada, fez um aposta alçando o ex-lateral Giovanni Van Bronckhorst ao cargo de técnico – seu primeiro como treinador principal de uma equipe.

Gio era titular do Barcelona de Ronaldinho, campeão da Europa em 2006, e chegou a fazer gol em semifinal de Copa do Mundo – 2010, contra o Uruguai. A final daquela Copa, perdida para a Espanha, foi seu último jogo como atleta profissional. Gio foi assistente de Koeman no Feyenoord antes de assumir o cargo principal.

Logo em sua primeira temporada, ano passado, quebrou um jejum de oito anos sem títulos com a conquista da Copa da Holanda. E, agora, está a ponto de quebrar o jejum de 18 anos sem ganhar a competição principal do país.

O Feyenoord foi cirúrgico no mercado do verão europeu, trazendo alguns jogadores de pouco nome e fama, mas que encaixaram bem com os jovens que subiram da base. O melhor exemplo é o atacante dinamarquês Nicolai Jorgensen, de 26 anos. Foi comprado por 3,5 milhões de euros após boas temporadas no Copenhagen e hoje é avaliado em 9 milhões. Ele é o artilheiro do Holandês, com 21 gols em 30 jogos.

OUTROS CAMPEONATOS

Na Inglaterra, o Chelsea tende a dar mais um passo rumo ao título. Na segunda-feira, recebe o penúltimo colocado e virtual rebaixado Middlesbrough. O Tottenham, que está quatro pontos atrás, quer seguir pressionando e enfrenta nesta sexta o West Ham, fora de casa, em um dérbi londrino.

O grande jogo da Premier no fim de semana será o clássico entre Arsenal e Manchester United, domingo, às 12h. Se o Arsenal não vencer, estará praticamente descartado do G4 e da classificação para a Champions League (não fica fora desde 1997/1998, segunda temporada de Wenger no clube). Wenger, por sinal, nunca venceu um jogo de Premier League contra times de José Mourinho (sete empates e cinco derrotas).

Na Espanha, o Barcelona entrará em campo para enfrentar o Villarreal, quinto colocado. Jogo perigoso, já que o Villarreal já ganhou do Atlético e empatou com o Real Madrid e com o Sevilla fora de casa na temporada. É a segunda melhor defesa do campeonato. Logo depois, o Real pega o já rebaixado Granada. O time reserva, que vem se mostrando para lá de confiável, tentará a sexta vitória em seis “missões” fora de casa. Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem viajou a Granada. Após o atropelo diante do Real na Champions, o Atlético de Madri joga por uma vitória contra o Eibar para se garantir, de novo, na Liga dos Campeões da próxima temporada.

Na Alemanha, o Bayern de Munique celebrará o título em casa contra o lanterna e rebaixado Darmstadt. Promessa de uns 10 a 0. O grande jogo do sábado (10h30) é entre o quarto colocado, Borussia Dortmund, e o terceiro, Hoffenheim. Os times estão separados por apenas um ponto, e chegar em terceiro significa não jogar fase prévia da próxima Champions League.

Na França, Monaco e PSG enfrentam penúltimo e último, respectivamente. Mas são jogos complicadinhos, pois a rabeira da tabela está toda embolada e esses times jogam a vida. O PSG deve passar em casa pelo Bastia no primeiro jogo do sábado (12h) e novamente alcançar o Monaco em pontos – mas ainda ficar muito atrás no saldo de gols e com dois jogos a mais. O Monaco precisa esquecer a derrota para a Juventus quando entrar em campo para enfrentar o Nancy (15h), fora de casa.

Por fim, em Portugal faltam três rodadas e o Benfica tem três pontos de vantagem para o Porto – que empatou demais ao longo do campeonato. Os dois times jogam fora de casa: o Porto com o Marítimo (sexto) no sábado, o Benfica com o Rio Ave (sétimo) no domingo. Difícil imaginar que o Benfica fique sem o tetracampeonato.