Blog do Júlio Gomes

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Barcelona tem calendário melhor que o do Real Madrid na busca pelo título
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A vitória do Barcelona sobre o Real em Madri, no domingo, escancarou a disputa pelo título do Campeonato Espanhol. Com o show de Messi, que fez o gol decisivo nos acréscimos, o Barça chegou aos mesmos 75 pontos do Real Madrid e ganhou a vantagem no confronto direto – este é o primeiro critério de desempate na Espanha, ou seja, o Barcelona ficará com o título caso acabe com a mesma pontuação do rival.

Nos últimos oito campeonatos, o Barça ganhou seis e o Real foi campeão apenas uma vez. Apesar de a Liga dos Campeões da Europa ser a competição predileta para os madridistas, os dois títulos continentais nos últimos três anos mataram a sede e é a liga doméstica que virou questão de honra na temporada atual – até porque o Real liderou o campeonato e esteve no comando praticamente desde o início.

Apesar de a liderança ter passado para as mãos do Barça, é o Real que só depende de si, pois tem um jogo a fazer contra o Celta, em Vigo. Uma partida adiada em fevereiro por questões climáticas e que, por causa do calendário, será realizada entre a penúltima e última rodadas.

Calendário. Aqui está a grande vantagem do Barça. Eliminado da Champions, o time catalão tem pela frente somente os cinco jogos finais do Espanhol, sem nada no meio. Depois da rodada desta quarta-feira, serão quatro jogos em fins de semana, com semanas inteiras de descanso entre eles. Três jogos em casa e dois fora. Encerrada a Liga, o Barça voltará a campo para a final da Copa do Rei no fim de maio.

Já o Real Madrid não tem mais semana alguma de descanso daqui até o final da disputa. Nos meios de semana entre as quatro rodadas derradeiras, o Real fará dois dérbis contra o Atlético de Madri pelas semifinais da Champions e jogará a partida atrasada contra o Celta. Sem viagens longas, mas com muitos minutos, muita pressão psicológica e física para cima dos jogadores.

São quatro jogos fora de casa e dois no Bernabéu – justamente contra Sevilla e Valencia, os dois únicos times que haviam vencido o Real Madrid no campeonato até Messi fazer o estrago de ontem.

Zidane já usou times mistos em três partidas nas últimas semanas, antes dos jogos contra Napoli e Bayern de Munique pela Champions. Conseguiu vitórias importantes nos campos do Eibar, Leganés e Sporting Gijón. Terá coragem de voltar a usar tantos reservas agora?

Se levarmos em conta os jogos do turno em que Barcelona e Real Madrid enfrentaram os mesmos adversários que enfrentarão daqui até o fim, o Barça somou 13 pontos de 15 possíveis, enquanto o Real somou 12 de 18.

Repassamos o calendário daqui até o final da Liga, começando pelos jogos do meio desta semana.

RODADA 34
Quarta, 26 de abril
14h30 Barcelona x Osasuna (turno 0-3 Barça)
16h30 La Coruña x Real Madrid (turno Real 3-2)

O Barça recebe o lanterna do campeonato. O Osasuna perdeu só um de seus últimos quatro jogos, mas já é tarde para reagir. Está a nove pontos da salvação com mais 15 para jogar – ou seja, o rebaixamento é apenas questão de tempo. O Barça ganhou os últimos seis jogos que fez no Camp Nou contra o Osasuna, com 28 gols marcados (teve 7 a 0 e 8 a 0). O Real vai a um estádio em que ficou 18 anos sem ganhar – Zidane, por exemplo, nunca venceu uma no Riazor como atleta. Mas, uma vez quebrado o jejum, em 2010, o Real Madrid transformou o La Coruña em saco de pancadas. Nos últimos oito anos, são 11 vitórias do Real e um empate – são três vitórias seguidas no Riazor, com direito a um 8 a 2 em 2014. O La Coruña vive péssimo momento na temporada, mas as chances de cair são pequenas e o time ganhou do Barcelona e empatou com o Atlético em seu estádio.

RODADA 35
Sábado, 29 de abril
11h15 Real Madrid x Valencia (turno Val 2-1 Real)
15h45 Espanyol x Barcelona (turno Barça 4-1)

A rodada do fim de semana que vem é perigosa para ambos. O Real Madrid faz um clássico e, apesar de o Valencia não ser o mesmo de outros anos, venceu o jogo do turno e arrancou empates em quatro de suas últimas cinco visitas ao Bernabéu. O jogo será apenas três dias antes do primeiro dérbi entre Real e Atlético pela Champions, então é capaz que Zidane arrisque e deixe alguns titulares de fora. Em casa, o Real tinha 12 vitórias e 3 empates em 15 jogos na Liga, até ceder o empate ao Atlético e perder do Barça.  O dérbi catalão marcará a volta de Neymar ao Barça. O Espanyol não vence um jogo contra o Barça desde 2009 – desde então, 14 vitórias culés e três empates. É um time reforçado nesta temporada e que ocupa a metade de cima da tabela, no entanto, e sempre está louco para estragar as chances do Barcelona. Rodada chave para a definição do título.

RODADA 36
Sábado, 6 de maio
13h30 Barcelona x Villarreal (turno 1-1)
15h45 Granada x Real Madrid (turno Real 5-0)

Se tiver vencido o Osasuna na rodada 34, o Barcelona chegará a esse jogo com 10 vitórias seguidas em casa. Mas é bom lembrar que o time só não está em vantagem na tabela porque desperdiçou muitos pontos no Camp Nou em 2016: empates com Real, Atlético e Málaga, derrota para o Alavés. O Villarreal, fora de casa, arrancou empates contra o Real Madrid e o Sevilla. Em casa, ganhou do Atlético, empatou com o próprio Barça (gol de falta de Messi no último minuto) e só perdeu do Real porque levou uma virada no fim com influência de arbitragem. É um time perigoso, que sabe jogar contra os grandes e que chegará à partida disputando postos em competições europeias.

Já o Real Madrid viajará a Granada no jogo ensanduichado entre os dérbis de Champions contra o Atlético. É um jogo-armadilha, pois possivelmente Zidane poupará jogadores mais desgastados. O Granada é, hoje, o penúltimo, a sete pontos da salvação e com sete derrotas nos últimos oito jogos. Ou chegará a esta partida em recuperação e sonhando ou chegará praticamente rebaixado, que é o mais provável. O Real ganhou 10 de 11 jogos contra o Granada desde o acesso da equipe andaluza à elite.

RODADA 37
Domingo, 14 de maio, sem horários
Real Madrid x Sevilla (turno Sev 2-1 Real)
Las Palmas x Barcelona (turno Barça 5-0)

Depois de novo dérbi contra o Atlético, o Real Madrid chegará à penúltima rodada ou classificado para mais uma final ou eliminado da Champions League – o que significaria peso extra para ganhar a Liga. O Sevilla, hoje, está em quarto na tabela, a três pontos do Atlético de Madri em busca da classificação direta para a próxima Liga dos Campeões. Se ele ainda estará ou não nesta briga na penúltima rodada é uma das chaves para este duelo. Em seu estádio, o Sevilla ganhou do Real na atual e na temporada passada. Mas, em Madri, perdeu os últimos 11 jogos que fez por todas as competições. Não sai do Bernabéu com um pontinho sequer desde 2008. O Barcelona vai às Ilhas Canárias enfrentar o Las Palmas, um time que foi capaz de altos e baixos ao longo do ano e que empatou os dois jogos contra o Real Madrid. Quem sair dependendo apenas de si desta rodada possivelmente ficará com o título.

JOGO ATRASADO
Quarta, 17 de maio, ainda sem confirmação oficial
Celta x Real Madrid (turno Real 2-1)

O jogo que seria disputado em fevereiro vai ficar para o meio da semana que antecede a rodada final. Isso porque o Real Madrid foi avançando na Champions e o Celta, de forma surpreendente, chegou às semifinais da Europa League, onde enfrentará o Manchester United em busca da glória europeia. As atenções em Vigo estão todas na competição continental, mas muita água terá rolado por baixo das pontes quando este jogo for disputado. O Celta já ganhou do Real em Madri na temporada, empatando depois em casa e eliminando o todo poderoso oponente da Copa do Rei – ambos os jogos em janeiro.

ÚLTIMA RODADA
Domingo, 21 de maio, sem horários
Barcelona x Eibar (turno Eib 0-4 Barça)
Málaga x Real Madrid (turno Real 2-1)

Quem chegar à última rodada na liderança dificilmente deixará o título escapar. O Eibar faz um campeonato digno, mas é muito mais perigoso em seu estádio. O Málaga tirou cinco pontos do Barcelona, mas fez uma temporada instável e não costuma atrapalhar a vida do Real Madrid.

 


Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


Nas casas de apostas, Juventus é tão favorita ao título quanto o Real
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O sorteio das semifinais da Champions League, na manhã desta sexta-feira, colocou a Juventus em uma posição de tão favorita quanto o Real Madrid para ser a campeã europeia. Pelo menos é o que dizem as casas de apostas.

Os “odds” são o retorno oferecido para uma certa aposta, calculados (por computador) em função da probabilidade de certo evento ocorrer. Os odds calculados para título da Juventus caíram após o sorteio, ou seja, a aposta em título da equipe italiana passou a pagar menos do que pagava antes.

No maior site de apostas do mundo (Bet365), o título da Juventus dá um retorno de 2,62 para 1, idêntico ao do Real Madrid. Antes do sorteio, o título da Juve pagava 3 para 1. O mesmo ocorreu em outras casas importantes de apostas.

Na semifinal, a Juventus enfrentará o Monaco, considerado o “azarão” entre os quatro times vivos na competição. Dono de um dos ataques mais positivos da temporada europeia, o Monaco aposta em um futebol ofensivo e revelou neste ano o jovem Mbappé, de 18 anos de idade, que está fazendo uma dupla de ataque mortal com o colombiano Falcao García.

Mas a Juve levou só dois gols em dez jogos na Champions, é um time mais equilibrado nas duas fases e acaba de eliminar o Barcelona sem sofrer um gol sequer. Ainda por cima, a Juventus decide o duelo contra o Monaco em casa, no Juventus Stadium, onde está invicta há um ano e meio (são quatro anos em competições europeias).

O título do Monaco, que antes pagava 7,50 para 1, agora paga 9 paga 1. Ou seja, o time monegasco é considerado mais azarão ainda hoje do que ontem.

Lembrando que o Monaco está em uma disputa ponto a ponto com o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e o técnico português Leonardo Jardim já disse que este é o grande objetivo da temporada.

Uma eventual conquista do Atlético de Madri dá um retorno de 5 para 1 para quem quiser apostar nos colchoneros. Eram 4,50 para 1 antes de ser definida a semifinal contra o Real Madrid.

Os odds para título do Real Madrid (2,62 para 1) são os únicos que ficaram iguais após o sorteio. Se o Real for campeão, será o primeiro clube da história a ganhar duas Champions Leagues seguidas (desde que a Copa dos Campeões foi ampliada e ganhou esse nome), nos anos 90.

Real e Atlético se enfrentaram nas últimas três edições da Champions, sempre com vantagem para o primo rico da capital. O Real Madrid venceu o rival nas finais de 2014 (na prorrogação) e 2016 (nos pênaltis) e nas quartas de final de 2015 (empate por 0 a 0 no campo do Atlético, vitória do Real por 1 a 0 em casa). Desta vez, o jogo de volta será no estádio Vicente Calderón, que será desativado ao final da temporada.

Para saber mais sobre o histórico das duas semifinais, leia aqui:

Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas


Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas
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O sorteio desta sexta-feira definiu os dois duelos de semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O Real Madrid recebe o Atlético de Madri em mais um grande dérbi, o quarto consecutivo na Europa, com a definição no estádio Vicente Calderón. Na outra semi, Monaco e Juventus, com segundo jogo da Itália.

Os dois duelos opõem dois dos ataques mais positivos da temporada europeia (Real Madrid e Monaco) contra os dois times de melhor defesa, os mais bem organizados e capazes de machucar o adversário de várias formas diferentes (Atlético e Juventus).

A Juventus é clara favorita contra o Monaco. Se por um lado o time francês tem a grande sensação da temporada europeia, o francês Mbappé, de 18 anos, a Juve tem apenas dois gols sofridos em dez partidas na competição. É um muro a ser derrubado – até agora, ninguém conseguiu.

O Monaco está em uma luta acirrada contra o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e tem um duelo direto contra o mesmo rival no meio da semana que vem pela semifinal da Copa da França. É uma maratona de jogos pesados, e maratonas costumam deixar “vítimas” pelo caminho (lesionados, jogadores esgotados).

Já a Juventus está com o inédito hexacampeonato italiano em mãos (oito pontos de vantagem para a Roma), e a final da Copa da Itália, contra a Lazio, será só em junho. Pode tranquilamente administrar jogadores e focar totalmente na Champions – o segundo e último título máximo europeu da Juve foi conquistado em 1996, com quatro finais perdidas desde então.

O histórico entre os times tem dois confrontos em mata-mata. A Juventus superou o Monaco nas semifinais de 98 e nas quartas de final de 2015, vencendo em casa e administrando na volta – perderia as duas decisões posteriormente para Real Madrid e Barcelona.

Na temporada inteira, a Juventus tomou 30 gols em 47 jogos oficiais. Com Buffon, Chiellini e Bonucci, tem uma defesa sólida, experiente e entrosada. No ataque, a sensação argentina Dybala e o goleador Higuaín. É um timaço.

O Monaco, por sua vez, sofre muitos gols. Mas marcou 141 em 54 jogos oficiais. Só nas oitavas e quartas da Champions, contra Manchester City e Dortmund, foram 12 gols marcados em 4 jogos (e 9 sofridos). É um time que joga e deixa jogar, completamente diferente da equipe italiana.

A Juventus fará um plano de jogo para conter a agressividade do Monaco e se aproveitar das falhas defensivas. Ela é capaz de fazer isso? Bem, ficou dois jogos sem tomar um gol sequer do Barcelona de Messi, Suárez e Neymar. É plausível acreditar que conseguirá repetir a dose e chegar a mais uma final europeia.

O Real Madrid fez os mesmos 141 gols que o Monaco na temporada, mas em 50 jogos – anotou pelo menos um gol em todos os jogos que fez. O Barcelona fez 143 gols oficiais, 2 a mais que Real e Monaco, mas alternou goleadas com jogos em branco, foi um ataque menos consistente ao longo da temporada.

Curiosamente, o Real Madrid sofreu os mesmos 61 gols que o Monaco – é bastante vazado. Já o Atlético de Madri tem um perfil de gols parecido com o a Juventus, tendo sofrido 38 em 50 jogos.

O Atlético sempre foi o saco de pancadas do Real Madrid. Quando Zidane, hoje técnico, jogava, os dérbis eram favas contadas. Mas tudo mudou com a chegada de Simeone ao Atlético, no final de 2011.

Nos 21 dérbis anteriores a Simeone, foram 16 vitórias do Real e 5 empates. Desde que o argentino assumiu o Atlético, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético e 7 empates. Uma história completamente diferente. No Santiago Bernabéu, onde será o primeiro jogo, Simeone ganhou quatro vezes e perdeu três em dez partidas.

Mas, é bom ressaltar, foi o Real Madrid quem riu por últimos nas últimas três Ligas dos Campeões da Europa. Sempre com equilíbrio e sofrimento.

Na final de 2014, em Lisboa, o Atlético vencia sua primeira Champions até os acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos empatou o jogo de cabeça. Na prorrogação, mais inteiro, o Real passou o carro (4 a 1) e conquistou “La Décima”. No ano seguinte, duelo de quartas de final, com 0 a 0 no Calderón e vitória do Real por 1 a 0 no Bernabéu, gol do mexicano Chicharito Hernández aos 43min do segundo tempo. E, no ano passado, final novamente, empate por 1 a 1 e título do Real nos pênaltis.

Cicatrizes são importantes no futebol. As derrotas costumam trazer mais lições do que as vitórias. O Atlético de Madri está babando por este duelo contra o Real Madrid. Não há favorito neste confronto, é 50 a 50.

O Atlético vai precisar conter as bolas aéreas do Real, grande arma do time de Zidane ao longo da temporada. E o Real Madrid vai precisar superar uma eliminatória em que terá a bola e fatalmente ficará exposto em alguns momentos. Os dérbis têm sido encardidos para o Real porque Simeone sabe explorar bem o desconforto do adversário para jogar assim.

O último deles foi pouco tempo atrás, 1 a 1 pela Liga espanhola. E foi isso aqui o que escrevi no blog sobre o jogo.

 


O papo de Neymar melhor do mundo era precipitado e evaporou-se
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O futebol é muito dinâmico, e as pessoas (aqui incluindo jornalistas, torcedores e apreciadores do esporte) costumam se precipitar bastante e “cravar” verdades absolutas após um ou dois jogos de futebol, no calor das emoções.

Depois de anos ouvindo que Neymar seria o melhor do mundo (talvez essa hora chegue, talvez não, não seria absurdo não chegar), muitos disseram que havia chegado o momento. Tal certeza devia-se aos extraordinários minutos finais de Neymar naquele 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG e aos bons jogos com a seleção brasileira.

Neymar foi, de fato, o jogador de futebol de melhor desempenho no mês de março. Daí a SER o melhor do mundo…

O fato é que em poucos dias evaporou-se qualquer chance de Neymar passar perto da Bola de Ouro 2017. Observe a sequência de fatos:

No sábado retrasado, o Barcelona perdeu por 2 a 0 para o Málaga e ficou em situação difícil na Liga espanhola. Neymar foi expulso por uma entrada infantil, desnecessária, quando o time corria atrás do empate. Ainda aplaudiu o quarto árbitro ironicamente e pegou três jogos de gancho, ficando fora do clássico de domingo contra o Real Madrid.

Dias depois da derrota em Málaga, o Barça perdeu por 3 a 0 para a Juventus, em Turim. No jogo de volta, ontem, só empatou sem gols no Camp Nou, sendo eliminado da principal competição interclubes do ano. No final do primeiro tempo, após uma falta de Pjanic em Messi, Neymar resolve tomar as dores do companheiro e dá uma espécie de voadora no juventino. Levou amarelo, que o deixaria fora da semifinal, caso o Barça se classificasse – mas não seria absurdo se o árbitro mostrasse vermelho direto.

Bom lembrar que, na partida épica contra o PSG, minutos depois de o Barcelona sofrer o gol que parecia ser o da eliminação (vencia por 3 a 1), Neymar deu um chute por trás em Marquinhos, sem bola. Recebeu amarelo que também poderia ter sido vermelho.

A atitude de Neymar melhorou ultimamente, parece ser um jogador mais maduro dentro e fora de campo.

Nas vitórias.

Antes, Neymar era mau vencedor e mau perdedor. Hoje, parece ter se transformado em um bom vencedor, diminuindo os lances de humilhação a adversários em campo, adotando um discurso sóbrio, etc.

Mas, nas derrotas, nos momentos de frustração, a atitude continua precisando melhorar. Poderia ter sido expulso contra o PSG, poderia ter sido expulso contra a Juventus, foi expulso contra o Málaga e, de quebra, ainda pegou um gancho que o deixará fora do último jogo gigante do Barcelona na temporada.

O choro copioso após a eliminação de quarta-feira significa o quê?

A impressão é que Neymar considerava que esse era seu momento. O ano dele. A hora de colocar uma Champions nas costas, tomar o protagonismo para si, resolver. Contra o PSG, ele parecia ser o único que verdadeiramente acreditava na virada e, assim sendo, acabou se transformando no símbolo daquela vitória.

Contra a Juventus, ele também parecia ser o único que acreditava. Excesso de fé ou falta de doses de realidade?

Neymar chorou pelo Barça ou por ele mesmo?

O choro não combinou tanto com o clima no Camp Nou. A torcida apoiou o time, todos ali já esperavam a eliminação. O Barcelona não vive um momento trágico, vive um momento de interrogações.

O choro realmente parece a frustração de quem deve estar ouvindo há tempos que esse seria o “seu ano”.

A temporada de Neymar foi ruim no início, chegou a ficar três meses sem fazer um gol sequer. Em janeiro, começou a virar, em março teve um pico, em abril foi mal. Taticamente, a evolução dele é nítida. Tanto na seleção quanto no Barcelona, está assumindo mais funções, dando assistências, tomando decisões melhores.

Em 2017, ano natural iniciado em janeiro, Neymar está em qualquer lista dos cinco melhores jogadores do planeta. Mas, se pensarmos na temporada como um todo, a temporada 2016/2017, será que ele figuraria entre os dez melhores?

Messi fez 45 gols em 45 jogos na temporada. Verdade, não foi o protagonista dos 6 a 1. Desperdiçou as chances que teve contra a Juventus. Ainda assim, não dá para comparar a temporada de Neymar com a de Messi. Suárez, com 24 gols, foi mais importante que Neymar até agora para o Barça ainda se manter vivo no Espanhol.

Lewandowski tem 39 gols em 41 jogos e será campeão alemão – sua importância para o Bayern ficou nítida após não jogar a ida e atuar baleado na volta contra o Real Madrid pela Champions.  Cavani fez 43 gols em 43 jogos do PSG. Griezmann, com 24 gols, é o grande nome do Atlético de Madri, novamente na semifinal europeia. Falcao, com 27 gols em 36 jogos, e o jovem Mbappé, de 18 anos, com 22 gols em 36 jogos, muitos deles no mata-mata da Champions, estão nas semis com o Monaco.

Hazard faz uma temporada brilhante pelo Chelsea, com quem será campeão inglês. Philippe Coutinho, no Liverpool, faz uma temporada melhor que a de Neymar. Dybala está a ponto de explodir e foi o homem mais decisivo da eliminatória que classificou a Juventus. Higuaín, com 23 gols em uma liga dura como a Italiana, não cansa de marcar. Aubameyang fez 26 gols para o Borussia Dortmund em 27 jogos na Bundesliga.

Opa, não estou esquecendo não. Deixei Cristiano Ronaldo para o fim. São 31 gols em 39 jogos na temporada, cinco deles marcados para cima de Neuer. Justamente quando Neymar caiu, Cristiano Ronaldo apareceu para lembrar todo mundo que a Bola de Ouro está lá na estante da casa dele.

E olha que nem estou falando dos defensores. Neymar faz uma temporada melhor que a de Sergio Ramos? Que a de Buffon? Que a de Kanté? Que a de Marcelo?

Pois é. Se analisarmos com olho clínico, sem emoções, esquecendo as patriotadas, possivelmente não colocaremos Neymar entre os dez jogadores de melhor desempenho na temporada. Em 2017, sim, na temporada inteira, não.

O que realmente incomoda é essa forçação de barra para colocar Neymar como o terceiro melhor do mundo isolado, pertinho de Messi e Cristiano Ronaldo, quase no nível deles, a ponto de ultrapassá-los. É uma grande ilusão.

Neymar é o melhor “do resto” para alguns. Não é para outros. Está longe de ser unanimidade. Atrás dos dois gênios, ele está ali num bolo que tem gente como Griezmann, Suárez, Lewandowski, Hazard.

A grande desvantagem em relação a essa turma é que parece que ser o melhor se torna uma obsessão de brasileiros. Antes seu “staff” falasse menos disso e mais sobre as regras disciplinares na Espanha, que não permitem aplausos irônicos a árbitros.

Outra má notícia é que os anos vão passando, Cristiano e Messi não largam o osso, não parecem perto de passar o bastão. Seguem em altíssimo nível. Quando eles caírem de verdade, quantos anos terá Neymar? Será que não é mais fácil vermos Gabriel Jesus ou Mbappé estarem ali prontos para pegar o bastão?

A grande vantagem de Neymar, por outro lado, é jogar em uma seleção azeitada e com chances para lá de reais de ser campeã do mundo em 2018. É com o Brasil, na Rússia, que Neymar tem sua chance mais realista de ser coroado melhor do mundo.

Mas isso só acontecerá se não for o objetivo. Sempre é bom lembrar. O futebol é um esporte coletivo, cada vez mais coletivo, em que o individual se destaca. E não o contrário.

Blogueiros do UOL: Com choro de Neymar, Juventus se classifica na Liga


Juventus faz o que quer contra o Barcelona. Quem segura?
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A Juventus fez o que quis no jogo contra o Barcelona, no Camp Nou. O empate sem gols estava totalmente no script, ainda que o 1 a 1 fosse o resultado mais provável na cabeça do técnico Allegri.

A Juve cedeu chances ao Barça, era óbvio que isso aconteceria. Messi teve uma clara no primeiro tempo, algumas bolas cruzaram a área perigosamente, mas Buffon, de fato, teve pouco trabalho. Do outro lado, também dentro do script, a Juve teve contra ataques que poderia ter aproveitado no segundo tempo.

No fim das contas, foi uma eliminatória fácil para a Juventus, contra um Barcelona que vai acabando de forma deprimente uma temporada ruim. Se perder do Real Madrid, domingo, a Liga espanhola também terá ido para o espaço.

A Juve tem uma chance mais clara de vencer a Liga dos Campeões agora do que em 2015, quando chegou às semifinais após bons sorteios anteriores e tinha uma nítida inferioridade contra aquele Barcelona na decisão.

É um time com a mesma defesa de sempre, boa individualmente, boa coletivamente, boa por baixo, pelo alto, boa marcando atrás, boa marcando na frente. E com ótimos valores individuais na frente. Tem um homem gol em Higuaín, velocidade com Cuadrado, esforço e altura com Mandzukic, drible e gol com Dybala, criação e trabalho com Pjanic e Khedira.

Quem pode parar a Juventus? Será que chegou a hora de levantar a orelhuda pela primeira vez desde 1996?

Um confronto contra o Monaco seria o ideal. O Monaco é um time perigoso, com ótimos valores e um técnico inteligente. Mas está muito envolvido com uma forte disputa pelo título francês contra o PSG, um campeonato que não ganha há tempos. Irá se desgastar e possivelmente irá ser amarrado taticamente em hipotéticos duelos contra a Juve.

O Atlético de Madri é um confronto perigosíssimo. Outro time mordido, tentando a terceira final em quatro anos, que, assim como a Juventus, é capaz de encontrar vários métodos para ganhar uma partida. É o duelo menos interessante para a Juventus.

E contra o Real Madrid seria um superclássico, sem favoritos e, possivelmente, sem tanta influência de arbitragens – muito pelo contrário, a Uefa deve estar envergonhada por ver o Real na semi após o que aconteceu contra o Bayern.

Se em 1998 o Real Madrid quebrou um jejum de mais de três décadas sem título máximo europeu ao vencer a Juve por 1 a 0 na final, depois disso os italianos se deram bem nos três confrontos de mata-mata entre eles. Semifinal em 2003, oitavas em 2005, semifinal de novo em 2015, a única vez que um time conseguiu superar o Real Madrid na Champions nas últimas quatro temporadas (contando a atual).

Não há, portanto, qualquer bloqueio mental para a Juventus enfrentar o Real Madrid. Há respeito mútuo e a certeza de que os dois podem vencer. A Juve, convenhamos, tem mais capacidade de anular a bola aérea, principal fonte de gols do Real de Zidane ao longo da temporada.

O sorteio será sexta-feira, e a certeza é uma só: ninguém quer enfrentar a Juventus.

 


Como o apito amigo ajudou o Real e o recurso de vídeo mudaria tudo
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Sobre os erros na eliminatória em que o Real Madrid eliminou o Bayern de Munique (e como uma possível ajuda do vídeo poderia ter interferido):

 

– é verdade que o Bayern ganha um pênalti no jogo de ida, mas Vidal chuta para fora e anula o erro. Se tivesse feito o gol, tudo ficaria condicionado ao erro, mas não foi o caso. Se houvesse vídeo, não acredito que o pênalti tivesse sido anulado, foi um lance de interpretação em que a bola, de fato, toca no braço de Carvajal;

– naquele mesmo jogo, Thomas Muller ficaria na cara do gol (estava 1 a 1, 11 contra 11) e há um impedimento mal marcado. No Bernabéu, Lewandowski também ficaria na cara do gol com 0 a 0 e há impedimento mal marcado. Ambos os lances poderiam ter tido sequência (e se saíssem gols?) e o recurso do vídeo, mais tarde, os validaria;

– eu não expulsaria Vidal no início do segundo tempo no jogo do Bernabéu. É uma falta de jogo sobre Casemiro. Não seria absurdo mostrar o segundo amarelo ao chileno, mas não era um lance tão claro de cartão e a expulsão ali condicionaria a eliminatória. De qualquer forma, o juiz compensa cinco minutos depois não expulsando Casemiro no lance do pênalti sobre Robben. Ficou elas por elas, nestes dois lances Viktor Kassai optou por não estragar a eliminatória e foi bem. Nenhum destes lances poderia ser revertido por vídeo, foram interpretações do árbitro no momento;
– não vejo impedimento de Lewandowski no lance do 1-2, gol contra de Sergio Ramos. Está na mesma linha da bola quando ela sai do peito de Muller e era simplesmente impossível o bandeirinha ter visão. Se houvesse o recurso do vídeo, esse gol seria anulado? Não. Não está nem um pouco claro um impedimento ali;
(O diário espanhol Marca revisita todos os lances deste post. E usa uma imagem congelada do segundo gol do Bayern em que a bola já havia saído do peito de Muller. Não há imagem definitiva sobre o lance, pois o jogador está encobrindo a bola)

– Casemiro faz outra falta para amarelo em Robben aos 35min do segundo tempo, logo após o 2 a 1 do Bayern, quando o Real Madrid estava contra as cordas. A expulsão ali definiria o jogo, possivelmente. Não haveria como o vídeo ajudar, foi interpretação de Kassai novamente;

– logo depois há a expulsão bizarra de Vidal, que dá um carrinho limpo. Quando o Bayern estava a ponto de matar a eliminatória, o juiz coloca o Real Madrid no comando com um homem a mais. Neste caso, creio que o vídeo faria Kassai rever o amarelo a Vidal, pois o chileno pega só a bola e nem encosta no jogador do Real;

– já na prorrogação, Casemiro, de novo, tenta induzir o árbitro ao marcar um pênalti. Se atira descaradamente antes de haver qualquer contato com Boateng. Kassai, bem posicionado, de frente para o lance, a dois metros, não marca a penalidade. E, pela terceira vez, perdoa o que seria o segundo amarelo a Casemiro. Naquele momento, a eliminatória estava empatada e ficariam em 10 contra 10. Outro lance em que o vídeo seria inútil, foi uma interpretação do árbitro no momento;

– logo depois, no tempo extra, Cristiano Ronaldo faz o gol decisivo em impedimento de 1 metro. E ainda estava um pouco à frente no gol do 3 a 2. Mas bem pouco, neste caso já estava tudo acabado. O primeiro gol certamente seria anulado com o recurso do vídeo, um lance capital. Abaixo, a ironia postada por Ribery no Instagram.

Se excluirmos os lances de cartão, que dependem de interpretação do árbitro, estamos falando de dois impedimentos mal marcados que poderiam acabar em gols do Bayern em distintos momentos e dois impedimentos não marcados que deram a vitória ao Real Madrid na prorrogação.

Não foi um roubo a mão armada, como o que deu a classificação ao Barcelona sobre o PSG. Talvez, mesmo sem a expulsão de Vidal, o Real Madrid tivesse se saído com a classificação. O jogo estava 2 a 1 para o Bayern, se encaminhando para meia hora de prorrogação. Nunca saberemos o que teria acontecido.
Mas o fato é que o húngaro Kassai decidiu a eliminatória, tão equilibrada e tão bela que não merecia algo assim.

O recurso de vídeo PRECISA fazer parte do futebol. Para a linha de gol, já está acontecendo. Ele é urgente para impedimentos e erros bizarros (confusão de jogadores, como vimos no dérbi centenário entre Corinthians e Palmeiras no Paulistão, ou mesmo expulsões bizarras, como a de Vidal no Bernabéu).


Árbitro define classificação do Real Madrid sobre o Bayern
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juliogomes

Não dá para entender o que está acontecendo com a Uefa. Mas a atual vai se transformando na edição mais manchada da história da Liga dos Campeões da Europa.

Depois da absurda arbitragem que determinou a virada épica que classificou o Barcelona contra o PSG, depois de erros cruciais em Turim (gol mal anulado da Juventus na ida contra o mesmo Barça), em Dortmund (pênalti não marcado e gol em impedimento do Monaco na ida), e em Madri (pênalti mal marcado e outro claro não marcado para o Atlético no jogo de ida com o Leicester), o homem do apito voltou a ser decisivo. Voltou a ser definitivo.

O Real Madrid foi extremamente beneficiado pela arbitragem do húngaro Viktor Kassai para vencer o Bayern de Munique por 4 a 2, na prorrogação, e se classificar para as semifinais da Champions.

O árbitro expulsou absurdamente Vidal no fim do tempo regulamentar. Teve três oportunidades de expulsar Casemiro, que já estava amarelado e deveria ter visto o vermelho. E deu o gol de Cristiano Ronaldo que decretou o empate por 2 a 2, já na prorrogação, quando o português estava um metro em impedimento.

Não estamos falando de mimimi. Estamos falando de lances capitais, que determinam o placar final do jogo.

O Barcelona não teria chance de se classificar contra o PSG se não fosse a arbitragem. O Real Madrid poderia ter se classificado mesmo sem a arbitragem. Mas, com ela, a coisa foi definida.

O Bayern começou melhor o jogo e teve o domínio nos 20 primeiros minutos. Mas o Real Madrid melhorou e criou as melhores chances. Gols perdidos que lembraram as chances desperdiçadas em Munique.

Em Munique, é bom lembrar, o Bayern desperdiçou um pênalti mal marcado a seu favor. Mas, no segundo tempo, com 1 a 1, foi marcado um impedimento em lance que deixaria Thomas Müller de cara para o gol. Teve Javi Martínez corretamente expulso.

E, com um a mais, o Real venceu por 2 a 1, mas poderia ter vencido por mais. Como poderia ter feito algum gol no primeiro tempo no Bernabéu.

Mas o segundo tempo foi inteirinho do Bayern de Munique. Jogou melhor que o Real Madrid, fez Zidane realizar alterações precipitadas, calou o estádio e foi empurrando.

Com 0 a 0 no marcador, Vidal fez uma falta que poderia ter sido para segundo amarelo. Poderia. Eu não daria. Falta normal, de jogo, em que não se pode expulsar um jogo e comprometer a partida. Lance fora da área, sem perigo de gol e sem violência excessiva. Não acho um absurdo que se defenda um amarelo no lance, mas eu não daria.

Minuto seguinte, Casemiro derruba Robben na área. Lance em que foi marcado pênalti e Lewandowski fez 1 a 0. Uma jogada de gol, dentro da área e em que Casemiro poderia ter visto o segundo amarelo. Talvez com o lance de Vidal na cabeça, talvez sem convicção da falta, Kassai não expulsou o brasileiro.

Com 1 a 0, o Bayern tomou conta do jogo. Mas Cristiano Ronaldo, após ótimo cruzamento de Casemiro, empatou a partida. Ainda assim, o Bayern continuou em cima e fez 2 a 1 meio que sem querer, em um infeliz gol contra de Sergio Ramos. No lance, não há impedimento de Lewandowski, que estava na mesma linha da bola no passe de Müller. Passe que foi cortado por Nacho e colocado para dentro do gol por Ramos.

Com 2 a 1, o Bayern acreditou que poderia se classificar e o Real Madrid nitidamente sentiu a pressão. Em um lance de ataque de Robben, Casemiro fez outra falta para amarelo. Mas novamente deixou de ser expulso.

Pouco depois, Vidal deu um carrinho limpo, na bola, em lance que nem duvidoso foi. E acabou expulso por Kassai. Ali, o juiz praticamente determinava o destino do jogo. Justo quando o Bayern parecia perto de matar a partida, com um Real Madrid com medo em campo, o árbitro inverte a lógica da partida.

Mas ainda tinha mais. Na prorrogação, Casemiro simula um pênalti na cara do juiz e novamente deixa de receber o segundo amarelo. E logo depois Cristiano Ronaldo faz o 2 a 2 recebendo cruzamento em posição de muuuuito impedimento.

Com um a mais em campo, o placar e os espaços, o Real Madrid chegou ao 4 a 2.

Dois grandes jogos de futebol. E, novamente, atuação decisiva da arbitragem.

Assim como o Barcelona, o Real Madrid não pode falar de árbitros.


Cristiano Ronaldo faz o Bayern pagar pelos erros de Vidal e Ancelotti
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juliogomes

Não é a primeira nem a última vez que um jogador vai de herói a vilão em poucos minutos. Depois de um belo gol de cabeça, Vidal perdeu um pênalti no primeiro tempo. Chutou na lua, no último minuto, o que seria o 2 a 0 para o Bayern de Munique contra o Real Madrid. Obrigaria o Real a sair e deixar espaços no segundo tempo. Resultado final: virada, 2 a 1 para o Real Madrid. E foi pouco.

O favoritismo do Bayern foi pelos ares a partir do momento em que Vidal perde o pênalti, Javi Martínez é expulso e Carlo Ancelotti toma várias decisões erradas em sequência no segundo tempo. Cristiano Ronaldo fez o técnico italiano pagar por todas elas. E Neuer evitou que o prejuízo fosse ainda maior.

A lesão de Lewandowski foi mais sentida do que o mais pessimista torcedor do Bayern poderia imaginar. O polonês é o cobrador oficial de pênalti, e Vidal nunca teria tido a chance de chutar o segundo gol lá em Santiago. E, o principal, o Bayern não teria em campo por 80 minutos um Thomas Müller irreconhecível.

Müller errou simplesmente tudo. Nenhuma bola parou em seus pés. Não fez pivô, não ajudou o time, não ameaçou a defesa, não finalizou. Foi um peso morto no ataque do Bayern, dando sequência à temporada horrorosa que faz. Fica até difícil imaginar se Müller teria feito o gol cara a cara com Navas, com 1 a 1 no placar e um impedimento mal marcado, que prejudicou o Bayern no segundo tempo.

Mal marcado também havia sido o pênalti desperdiçado por Vidal, diga-se. Somados erros graves nos jogos de Dortmund e Madri, entre Atlético e Leicester, tivemos uma quarta-feira inacreditável da arbitragem europeia. Mais uma.

Mas, voltando ao jogo e Müller. Aí entra o primeiro grande erro de Ancelotti, uma insistência inexplicável. Por mais que não tivesse outro centroavante de ofício no banco, o italiano poderia e deveria ter pensado em outra opção e sacado Müller logo no intervalo. Demorou 35 minutos para fazê-lo. Guardiola, creio, nem mesmo teria escalado Müller, dada a fase horrorosa do alemão.

Com o gol de Cristiano Ronaldo logo no início do segundo tempo, o Bayern adiantou suas linhas. E até jogava bem, mas Javi Martínez precisou matar um contra ataque e foi corretamente expulso.

A partir daí, outro grande erro de Ancelotti. Tirou de campo Xabi Alonso, um dos xerifes do time e que seguraria tranquilamente as pontas ali na zaga. Mexeu em duas posições, pois trouxe Alaba para a zaga e colocou Bernat na lateral. Ainda tirou Ribery para colocar Douglas Costa, o que tampouco teve efeito.

O jogo se transformou em ataque contra defesa. O Real Madrid viu aberta a possibilidade de matar a eliminatória, e aí Neuer passou a fazer seguidos milagres. Teria sido uma das melhores atuações de um goleiro na história da Champions League, não fosse o segundo gol do Real, uma bola defensável que passou entre as pernas do goleiro. Cortesia de Cristiano Ronaldo.

Não se enganem. Até que se prove o contrário, o melhor do mundo é um só. São 100 gols em competições europeias. Tenho pena de quem acha que Cristiano Ronaldo não passe de um jogador “bem dotado fisicamente”.

Neuer, com seus milagres, fez com que os erros de Vidal e Ancelotti não terminassem em eliminatória já decidida.

É claro que a vaga fica nas mãos do Real Madrid. Em dez duelos de mata-mata entre os dois gigantes, três vezes o time da casa não venceu o jogo de ida. Nas três, acabou eliminado. O Bayern vai precisar quebrar um tabu para passar.

São dois times ótimos, camisas pesadas, qualquer erro grave do Real Madrid pode trazer o Bayern de volta para a eliminatória. A virada, sem dúvida, passa por Lewandowski. Sem ele, o Bayern tem poucas chances.

Juventus, Real Madrid, Monaco e Atlético de Madri estão com um pé nas semifinais.


Cinco razões pelas quais o Bayern é favorito a vencer o Real Madrid
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juliogomes

Bayern de Munique e Real Madrid fazem o maior clássico da Europa. É isso mesmo que você leu. Não há jogo maior no mundo envolvendo times de países diferentes. Muito se deve ao fato de ambos serem os maiores campeões de seus países e dois dos maiores do continente. Mas o grande fator que faz esse jogo tão grande é o fato de terem se enfrentado tantas vezes em horas tão importantes.

Bayern e Real farão nesta quarta o 23o jogo entre eles – um recorde entre clubes em competições europeias. Até hoje, foram dez duelos de mata-mata, com cinco classificações para cada um. Só falta mesmo uma grande final, que nunca ocorreu (foram seis semifinais).

Junto com o Barcelona, os dois têm dominado o futebol europeu recentemente. São os três times apontados como favoritos desde o início da Liga dos Campeões. No entanto, este blog considera o Bayern bastante favorito para o jogo contra o Real, e o time alemão tem a chance de deixar a eliminatória encaminhada. Aqui estão as cinco razões.

1- Técnico

É o típico confronto entre mestre e pupilo, com a diferença que o aprendiz não parece nem um pouco perto de superar o professor. Zidane foi auxiliar de Ancelotti quando o italiano passou pelo Real Madrid. O próprio Zidane credita muito de seu estilo como técnico ao que aprendeu neste período.

Por mais que tenha conquistado a Champions League no ano passado, no entanto, Zidane ainda tem muito para provar. Seu time joga o arroz com feijão e é ultradependente das bolas aéreas. Com o que tem em mãos, poderia fazer muito mais. Sem dúvidas, Zidane fala a linguagem da boleirada, entende o Real Madrid, o torcedor, as necessidades. São fatores que não tiro da lista de méritos dele. Por outro lado, é nítida a dificuldade para ler partidas durante os 90 minutos e fazer alterações que melhorem o time. É quase sempre o seis por meia dúzia, tudo muito previsível.

Já Ancelotti, um mestre da arte, conhece o elenco do Real Madrid de trás para frente e sabe como explorar os pontos fracos. Tampouco se notabilizou na carreira pela criatividade, mas é bastante mais refinado que Zidane na leitura de jogo.

2- História

O passado pode não servir para garantir o futuro, mas certamente nos indica tendências. E, nos confrontos entre Bayern e Real, historicamente quem joga em casa se dá bem. O Bayern recebeu o rival espanhol 11 vezes em Munique: ganhou nove, empatou uma e perdeu só uma, a última, aqueles 4 a 0 de 2014 que levaram o Real à decisão. É bom lembrar que aquele era um jogo de volta – após o Real vencer na ida – e que Guardiola escancarou o Bayern para os contra ataques madridistas.

Das cinco vezes em que o jogo de ida de um mata-mata entre eles ocorreu em Munique, o Bayern venceu quatro.

O Real Madrid é um clube que se considera o maior do mundo. Os torcedores dizem não ter medo de nada nem ninguém, o clube já se mostrou capaz de tudo – e acreditar nisso certamente ajuda. Mas é inegável que o Bayern é o clube mais temido pelo Real, talvez o único. Não à toa, há faixas, camisetas e cachecóis em Munique com os dizeres “La bestia negra”. Eles adoram o apelido dado pelos próprios madrilenhos.

3- Defesa desfalcada

O Real Madrid já não tinha Varane e perdeu Pepe para o jogo e para a temporada, com duas costelas quebradas. Nacho atuará na zaga ao lado do Sergio Ramos, uma considerável queda de qualidade. Nacho entrou no dérbi, sábado, e logo teve posicionamento falho que permitiu a Griezmann empatar o jogo para o Atlético de Madri.

Na imprensa de Madri, Nacho é muito elogiado. Natural, é o único jogador do elenco que subiu da base para o time principal sem passar por outros clubes – a prata da casa é sempre valorizada e precisa ter a confiança do torcedor. Pelas muitas lesões dos outros, foi titular em 25 dos 47 jogos. Não é um completo novato, mas não tem a bagagem de um Pepe. Além do mais, Sergio Ramos jogará a ida pendurado, o que limita muito sua atuação em Munique. É um Real sem reservas para a zaga, no limite da improvisação.

4- BBC? Ou RLR?

Eu ODEIO essa sopa de letrinhas que inventaram na Espanha. BBC, MSN, PQP. Seria ridículo apelidar o ataque do Bayern de RLR, não é mesmo? O que não é ridículo é o futebol que estão mostrando Robben, Lewandowski e Ribèry.

Robben e Ribèry juntos e saudáveis, uma raridade. O Bayern sofreu demais sem os dois em boa forma na hora H das últimas três temporadas. Agora, não só estão bem como têm entre eles o que talvez seja o melhor camisa 9 do mundo hoje: Lewandowski. Até gol de falta ele anda fazendo, um atacante completo e que já destruiu o Real Madrid quando jogava no Dortmund.

A fase do ataque é tão boa (39 gols nos últimos 11 jogos) que mal nos lembramos que o Bayern tem um certo Thomas Mueller no elenco – em má temporada, é verdade, mas um jogador que já mostrou muito valor em partidas enormes.

Atualização: Algumas horas antes do jogo, o Diário Marca noticia que Lewandovski não jogará, por problemas no ombro. Mueller em seu lugar. Sensível baixa técnica para o ataque do Bayern, mas um substituto de peso.

O contraponto é o trio do Real Madrid. Cristiano Ronaldo não consegue fazer a mesma temporada de outros anos, e Bale não entrou nos eixos após a lesão que lhe deixou três meses sem jogar. Tanto não funciona como em outros anos que o principal “atacante” do Real Madrid, nos momentos mais agudos, foi Sergio Ramos. Morata pede passagem ou até mesmo uma formação diferente, mas Zidane insiste com o BBC.

5- Jogo coletivo

O Real tem problemas defensivos (só deixou de sofrer gols em 3 dos últimos 21 jogos) e de construção. É nítido que o time sofre demais quando Kroos e Modric são bem marcados. A bola não chega no trio de ataque e, por isso, o Real tem dependido tanto da bola parada para ganhar jogos. Sim, são 52 jogos seguidos fazendo gols, um mérito inegável. Mas quantos deles tiveram a ver com o “jogo jogado”?

Na temporada, o Real Madrid fez 132 gols e levou 56 em 47 partidas. O Bayern fez 109 gols e levou 24 em 41 jogos. Tem números ofensivos parecidos, mas sofre muito menos gols.

É um jogo coletivo mais fluido, com um meio de campo formado por jogadores capazes de tudo: destruir, cobrir laterais, construir com passes curtos ou longos, chegar à frente e marcar gols. Xabi Alonso, Vidal e Thiago são completos e vivem grande momento de forma.

O alicerce de qualquer time é o meio de campo. O do Bayern está melhor conectado com as linhas de trás e de frente do que o (também ótimo) meio de campo do Real Madrid.