Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Fluminense

Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
Comentários Comente

juliogomes

A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
Comentários Comente

juliogomes

É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
Comentários Comente

juliogomes

Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Mimimi do presidente do Flu é exagero completo
Comentários Comente

juliogomes

Quantos times já não saíram de Itaquera ou do Pacaembu reclamando de arbitragem? Ou do Maracanã? Ou do Bernabéu? Ou do Camp Nou? Ou do Delle Alpi?

Amigos, arbitragens caseiras são a notícia mais velha que há no futebol. O torcedor de futebol se sente bem achando que ele faz diferença no estádio. O que sempre fez diferença para time da casa foram as arbitragens. Sempre fizeram e sempre farão. E na esmagadora maioria dos casos os erros vão ajudar o time grande, o mais popular, o mais importante.

Árbitros têm medo de errar contra os grandes. Sabem que suas carreiras podem ser prejudicadas. Essa é uma verdade inexorável no futebol e que nunca será alterada. Vivam com isso.

O Corinthians sempre fez e sempre fará parte do seleto grupo de clubes que foram e serão mais beneficiados que prejudicados por arbitragens. Não estou falando em compra de árbitros nem nada do tipo (pode até ter acontecido no passado, mas hoje em dia acho muito difícil). Estou falando de uma coisa simples: árbitros têm medo de errar contra os grandões, ainda mais em sua casa.

Quando Levir Culpi fala que foram “seis lances capitais no jogo e o Corinthians ganhou de 6 a 0”, ele está clamando por uma “divisão” na hora dos lances duvidosos. Sorry, Levir. Isso nunca acontecerá.

O Corinthians já ganhou jogos com lances muito, mas muito mais polêmicos ou cristalinos que os desta quarta à noite contra o Fluminense.

A chave do jogo não foi a arbitragem. O Flu tinha um plano de jogo. Ser conservador no primeiro tempo e arriscar no segundo. Se levasse um gol, OK, plano seguiria, pois bastaria marcar um para levar a pênaltis. O que não estava nos planos foi a apatia do time carioca após levar o gol de Rodriguinho. O Fluminense não soube manter a frieza e o jogo que estava fazendo. Derreteu em campo, se encolheu, foi engolido.

Foi o gol de Rodriguinho que entrou na cabeça dos atores em campo e fez com que o Corinthians se classificasse.

O Flu teve três gols bem anulados, em lances pouco duvidosos. A expulsão de Marquinho, na minha visão, é ridícula. Não concordo com a atitude do árbitro, muito autoritária. Juízes são xingados o tempo todo, precisam entender a frustração de jogadores, relevar muita coisa. Amarelo bastaria. Mas foi uma expulsão nos minutos finais. Eu nem chamaria de lance capital. O pênalti reclamado em Cícero, para mim, não foi nada. Ombro com ombro.

O de Fágner nos acréscimos é um lance muito duvidoso. O jogador do Flu é acertado, sem dúvida. Mas caiu por isso? Se deixou cair? É pura interpretação. E aí caímos no que eu disse no começo desse post. Na dúvida, será sempre pro da casa ou pro grandão. Não adianta dar murro em ponta de faca. Aliás, eu não daria o pênalti. Concordo com a decisão do árbitro. Richarlison já estava caindo antes de haver o contato com Fágner, que recolhe a perna.

Aí vem o presidente do Fluminense, aquele mesmo do Pequeno Príncipe, dizer que o Corinthians “sempre joga com 12” e que foi “uma vergonha” o que aconteceu no Itaquerão.

Algum maldoso diria que vergonha é cair para a segunda divisão no campo e ficar na primeira no tribunal. Pessoalmente, acho que dirigentes como Siemsen mais ajudam do que atrapalham o futebol brasileiro.

Mas o choro teve todas as características para ser chamado de “mimimi”. Um exagero completo. Nunca vemos dirigentes falando com tanto fervor quando arbitragens ajudam seus times, somente quando atrapalham – ou supostamente atrapalham. Por isso, entre outras coisas, eles vão perdendo credibilidade.

O presidente, ou chefe, deveria ouvir a entrevista de seu técnico, o funcionário. Muito mais classe para reclamar. A frustração da eliminação é normal, a frustração por ter todas as decisões difíceis contra si é compreensível. O exagero, além de inútil, é nocivo. Dirigentes e jogadores fazem a vida dos árbitros ser muito mais difícil do que já é.

Siemsen passou completamente do ponto. Jogou para a torcida. Essa história também é velha. Dirigentes falando como torcedores e árbitros apitando lances duvidosos para o time da casa… o mundo gira, mas certas coisas não mudarão nunca.

siemsen


Brasileirão, rodada 25. Corinthians e Palmeiras são as barbadas
Comentários Comente

juliogomes

Na rodada 23, acertei 5 de 10. Lamentável. Na rodada 24, me recuperei. Agora, chegou a 25! Leia, aposte na Loteria Esportiva e depois me conte como foi.

CORITIBA X INTER
Couto Pereira, sábado, 18h30

O Coritiba vive seu melhor momento no campeonato, o que coincide com a chegada de Ney Franco. O Inter está num ganha e perde danado com Argel. Não gostei da postura fora de casa contra Avaí e São Paulo e não vejo por que será diferente desta vez. O Inter ainda não é confiável e especula demais fora. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X FIGUEIRENSE
Allianz Parque, sábado, 21h

Uma das barbadas da rodada. Depois do ótimo jogo contra o Corinthians, não teria como o Palmeiras repetir a dose com 536 desfalques contra o Inter. Muitos titulares voltam, é um jogo em casa e que mantém o time na briga pelo quarto lugar. Pode ser o grande beneficiado da rodada, já que outros concorrentes têm partidas bem mais duras, como veremos abaixo. Previsão: PALMEIRAS.

CORINTHIANS X JOINVILLE
Itaquera, domingo, 11h

Finalmente o Corinthians joga de manhã. E logo contra um adversário que foi obrigado a jogar na quinta-feira à noite. Será ataque contra defesa e, no momento em que “abrir a lata”, o Corinthians dominará com facilidade. Não duvido que o Joinville venda caro, mas é a barbada do domingo. Previsão: CORINTHIANS.

PONTE PRETA X SANTOS
Campinas, domingo, 11h

Como já disse semana passada, esses jogos do domingo cedo, pelo clima, horário pouco usual, etc, costumam ter resultados estranhos. O Santos é o favorito, apesar de castigado pelo calendário. É um time em ótima fase e em busca de uma improvável vaga na Libertadores. Mas a Ponte está à beira do abismo depois da absurda demissão de Guto Ferreira. Vai conseguir um ponto em casa, até porque tem como hábito complicar a vida do Santos em Campinas. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-PR
Maracanã, domingo, 16h

Eu não me deixo levar pela vitória do Vasco em Campinas. Time ruim é time ruim, não sai ganhando duas, três, quatro seguidas em um campeonato em que nem os líderes conseguem fazê-lo. O Atlético Paranaense é franco favorito, ainda mais no Maracanã, onde enfrentará o Vasco pela primeira vez. Em São Januário, nunca venceu. Na história. Eu já disse que acredito em retrospecto, né? Previsão: EMPATE.

GRÊMIO X SÃO PAULO
Arena Grêmio, domingo, 16h

Já apostei contra o Grêmio na semana passada e não repetirei o erro, ainda mais depois da ótima atuação em Itaquera e da debacle são-paulina em Santos. Não vejo o Grêmio na disputa pelo título, ainda que a matemática me desminta. Vejo o Grêmio juntando pontos que serão preciosos lá na frente, quando voltar à mais realista batalha pela Libertadores. Previsão: GRÊMIO.

CRUZEIRO X ATLÉTICO-MG
Mineirão, domingo, 16h

É o jogo da rodada e que pode ter consequências gigantes para a disputa do título. Uma vitória contra o maior rival mantém (provavelmente) o Atlético a três pontos do Corinthians e dá um impulso anímico importante depois de o time passar por uma fase instável no campeonato. Por outro lado, a derrota pode ser decisiva, devastadora. Para o Cruzeiro, vencer é atrapalhar muito a briga do rival e seria um passo gigante (definitivo) na luta pela salvação. O clássico mineiro tem tido poucos empates nos últimos anos e uma pequena superioridade atleticana. Acredito que o campeonato seguirá vivo. Previsão: ATLÉTICO.

CHAPECOENSE X FLAMENGO
Chapecó, domingo, 16h

O Flamengo é quem menos empata no campeonato e vive essa fase tremenda desde a chegada de Oswaldo. Mas tem três desfalques importantes e enfrenta uma Chapecoense precisando de pontos para não cair de vez na briga do rebaixamento. Chapecó é um lugar duro de ganhar. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X GOIÁS
Ressacada, domingo, 18h30

É verdade que o Goiás vive um momento melhor no campeonato. Só que isso aqui é vida ou morte para o Avaí. Está começando a se descolar dentro do Z-4 e é vencer ou vencer em um duelo contra concorrente direto. Fator campo faz a diferença. Previsão: AVAÍ.

SPORT X FLUMINENSE
Arena Pernambuco, domingo, 18h30

Na semana passada eu disse que a previsão racional para Sport e Santos seria o empate, mas que tinha um feeling que o Sport quebraria a série de jogos sem vencer. Pode repetir tudo, só muda o adversário. O racional é o empate. Mas meu palpite é outro. Previsão: SPORT.

E para você? O que vai dar nessa rodada?


Brasileirão, rodada 23. Previsões ousadas e diferença inalterada na ponta
Comentários Comente

juliogomes

Seco pra você! Quem ganha, quem perde?

A bola de cristal está limpinha. Quer ver? Isso é o que acredito que vá acontecer na rodada do Brasileirão:

SÃO PAULO X INTERNACIONAL
Morumbi, sábado, 19h30

São Paulo com 557 desfalques, sem seu melhor jogador (Pato). O histórico recente em jogos pelo Brasileiro com mando do São Paulo é extremamente favorável ao Inter (três empates e duas vitórias coloradas). Se o Inter ganhar, entra de vez e com força na briga pelo G-4. Ainda não acho, no entanto, esse time tão confiável assim. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-MG
Maracanã, sábado, 19h30

Lanterna e rebaixado contra vice-líder buscando o título. Palpite fácil, certo? Sei não… O Vasco já caiu, mas alguma satisfação tem de dar a seus milhões de torcedores. E o Galo anda muito nervoso, com certa razão até, mas de tal forma que parece não estar olhando para os problemas no campo. Será que desde quinta-feira os jogadores pensaram e falaram mais de árbitros ou mais do Vasco? Atlético não vence o Vasco no Rio desde 2002 (desde então, seis vitórias vascaínas e três empates). Última vitória no Maracanã foi em 95, pela Copa do Brasil – Levir Culpi era o técnico! Última vitória do Galo sobre o Vasco no Maracanã em Brasileiros foi em 1987, há 28 anos. Eu acredito em histórico e falta de foco. Previsão: EMPATE.

ATLÉTICO-PR X JOINVILLE
Arena da Baixada, sábado, 21h

O Furacão acaba de entrar no G-4 e está jogando com consistência. Na minha visão, a maior barbada da rodada. Previsão: ATLÉTICO-PR.

CRUZEIRO X FIGUEIRENSE
Mineirão, domingo, 11h

O único jogo do Cruzeiro às 11h até agora? Derrota em casa para a Chapecoense. A vitória sobre a Ponte no meio de semana foi importantíssima para dar um alívio ao Cruzeiro, mas teve certo componente de sorte. Acredito que o embalo com técnico novo e o dia a menos de folga que teve o Figueira serão os fatores fundamentais para o magro 1 a 0. Previsão: CRUZEIRO.

CHAPECOENSE X PONTE PRETA
Chapecó, domingo, 11h

Já repararam que os jogos das 11h de domingo sempre têm muito 0 a 0? Salvo algumas exceções, são jogos de poucos gols – e o horário é uma explicação para isso. A Ponte está sofrendo, mas a Chapecoense não vive seu melhor momento. É o “oxo” da rodada. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X CORINTHIANS
Allianz Parque, domingo, 16h

Para mim, o jogo de previsão mais complicada do fim de semana. O Palmeiras entrou em uma fase de instabilidade, o que torna mais difícil prever os acontecimentos. O Corinthians segue com consistência na liderança e tem a volta de Renato Augusto. Não sei por que, mas algo me diz que teremos mais uma arbitragem para dar o que falar – como sempre. Previsão: EMPATE.

FLUMINENSE X FLAMENGO
Maracanã, domingo, 16h

A fase do Flamengo é superior, o rubro-negro está embalado. O Fluminense, além de estar colecionando maus resultados, pode ter a volta de Ronaldinho – o que me parece ser mais má do que boa notícia. Fred, sim, é quem faz falta. Previsão: FLAMENGO.

GRÊMIO X GOIÁS
Arena Grêmio, domingo, 16h

Últimos três jogos entre eles: três empates. Retrospecto em Porto Alegre nos últimos 20 anos: quatro vitórias gremistas, cinco empates e quatro vitórias do Goiás. É inegável que o Grêmio costuma ter uma pedra esmeraldina no sapato. Além disso, são muitos os desfalques (incluindo Luan, o jogador mais brilhante do time) e o fato de ter um dia a menos de descanso, neste momento do campeonato, tem mais relevância do que parece. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X CORITIBA
Ressacada, domingo, 16h

Um dos jogos mais imprevisíveis da rodada e que reúne dois times na zona de rebaixamento, com a famosa água no bumbum. O Coritiba cresceu com a chegada de Ney Franco e passou a apresentar resultados melhores – são cinco jogos sem derrotas, lá se vai um mês. É que são muitos empates, então fica difícil andar para frente. O Avaí só leva mais gols que o Vasco no campeonato. Previsão: CORITIBA.

SPORT X SANTOS
Ilha do Retiro, domingo, 18h30

O Sport não vence há um mês e meio, foram cinco empates e três derrotas no período. É, disparado, quem mais empata no campeonato. Nunca achei que o Sport brigaria por G-4, mas é um time bem armado, com técnico há algum tempo no comando e estas sequências ruins acontecem sempre em um campeonato equilibrado como o Brasileiro. Logo, logo, se mantiver a calma, reencontra o caminho. O Santos é o time mais quente do campeonato. Mas jogou na quinta, antes da longa viagem a Recife, e não tem dois dos “moleques” que mais brilham. O mais óbvio e racional seria prever um empate aqui. Mas algo me diz que a Ilha fará a diferença. Previsão: SPORT.

Sim, sim, sim, podem reclamar, xingar, esbravejar e até… concordar, ora pois! Deixe tuas previsões aqui no blog você também!


Jogos de quarta decidem mais o Brasileirão do que os do fim de semana
Comentários Comente

juliogomes

Responda rápido: quais jogos são mais importantes para a definição do campeão brasileiro de 2015? Os jogos da rodada do fim de semana ou os desta quarta-feira?

Oras, a que importa mais é a que vale pontos para o campeonato, certo?

Errado.

O campeonato é diferente. Mas a rodada de quarta-feira, com cinco grandes clubes em campo pela Copa Libertadores da América, tem consequências mais importantes para o Brasileirão do que a primeira rodada do próprio campeonato, disputada neste fim de semana que passou.

Vejam. Não é novidade que campeões da Libertadores “desistam” rapidamente do Brasileiro, guardando (de forma discutível) foco e energia para a disputa do Mundial, no fim do ano. Mas não é só o campeão, não. Um levantamento deste blog mostra que chegar à semifinal da Libertadores já é “distração” suficiente para tirar times da briga doméstica.

Antes do início do Brasileiro, Corinthians e Internacional dividiam a maioria das opiniões dos especialistas sobre quem teriam mais chances de conquistar o título nacional em 2015. São Paulo e Atlético Mineiro correm por fora, mas aparecem entre os favoritos de muitos. E o Cruzeiro, apesar de desconstruído, é o atual bicampeão, fato que não pode ser desconsiderado.

Os cinco jogam a vida na Libertadores nesta quarta-feira. Dois ou três deles passarão para as quartas de final. E, depois, os mesmos dois ou três podem ir para as semifinais. Será que o time que for tão longe assim na competição sul-americana poderá continuar sendo cotado para a disputa nacional?

Aparentemente, debater o favoritismo deste ou daquele neste momento é inútil, enquanto o destino de todos eles não for definido na América.

Desde que o modelo de pontos corridos foi implementado como fórmula de disputa no Brasileiro, em 2003, seis dos doze campeões nacionais nem haviam disputado a Copa Libertadores a partir de sua fase de grupos, no primeiro semestre. Outros cinco campeões brasileiros não haviam passado da fase de quartas de final do torneio continental.

Apenas um time, no longínquo ano de 2006, foi longe na Libertadores (perdeu a decisão) e acabou sendo campeão brasileiro. O São Paulo, então detentor do título mundial (a lista de campeões nos pontos corridos está mais abaixo).

Lá se vão nove anos, portanto, desde que um time chegou pelo menos às semifinais da Libertadores e, na sequência da temporada, disputou efetivamente o título do Brasileirão (ver também lista no fim deste post para lembrar os desempenhos nos anos posteriores).

De 2007 para cá, nenhum time que tenha ficado entre os quatro da América, abdicando da força máxima no quarto inicial do Brasileirão, chegou perto do título nacional no fim do ano.

De forma simplista, podemos rotular como razão principal para isso o fato de jogadores titulares serem poupados nas primeiras rodadas.

Isso costuma acontecer também lá no fim do ano, quando outros times estão envolvidos com retas finais de Copa Sul-Americana e Copa do Brasil – não à toa, além de nunca um time ter sido campeão da Libertadores e do Brasileiro no mesmo, tampouco alguém fez uma dobradinha com Brasileiro e Sul-Americana. E o único campeão nacional e da Copa do Brasil no mesmo ano foi o Cruzeiro, em 2003, quando a Copa do Brasil foi decidida ainda em junho.

Essa coisa de clubes mandarem times reservas a campo é, na minha visão, uma das grandes distorções dos pontos corridos, esquecida pelos defensores deste modelo de campeonato. Que “justiça” tão perfeita é essa quando há tanta variação de estádios e times titulares e reservas?

Vamos a exemplos práticos em função da primeira rodada do Brasileiro.

O Atlético Paranaense é um time que, pelo menos na teoria, vai jogar o campeonato para não ser rebaixado. Ele teve a sorte de enfrentar, na rodada inicial, um time reserva do Internacional. E venceu por 3 a 0.

Será que outros candidatos ao rebaixamento vão enfrentar o Inter reserva em casa? É pura questão de sorte. E, invertendo, falando sobre a disputa pelo título. Será que outros times, ali na hora H do campeonato, vão perder pontos em Curitiba?

Cruzeiro e Corinthians se enfrentaram com times reservas e jogando em Cuiabá, em estádio neutro. Será que outros favoritos ao título terão a sorte de enfrentar o Cruzeiro longe do Mineirão e voltarão para casa com os três pontos?

O que aconteceu na rodada inicial do Brasileirão mostra como a tão falada máxima de que “todas as rodadas valem a mesma coisa” ou não é verdadeira ou não é levada a séria por muitos treinadores e dirigentes.

E esse fato, que é um fato, continuará acontecendo enquanto o Brasileirão tiver rodadas iniciais acontecendo ao mesmo tempo que as fases agudas da Libertadores.

No Brasileiro, o Corinthians ganhou um jogo que, a priori, não ganharia. E o Inter perdeu um que, a priori, não perderia. Será que esses resultados serão decisivos lá no fim?

Pode até ser que sim. Mas, para efeitos de disputa de título, é mais provável que os jogos de quarta-feira, do Corinthians contra o Guaraní do Paraguai e do Inter contra o Atlético Mineiro, sejam mais importantes para o futuro do campeonato.

Ainda que o campeonato seja outro.
Campeões brasileiros nos pontos corridos:
(entre parênteses, o desempenho na Libertadores do mesmo ano)

2003 – Cruzeiro (não jogou)
2004 – Santos (caiu nas quartas)
2005 – Corinthians (não jogou)
2006 – São Paulo (perdeu a final)
2007 – São Paulo (caiu nas oitavas)
2008 – São Paulo (caiu nas quartas)
2009 – Flamengo (não jogou)
2010 – Fluminense (não jogou)
2011 – Corinthians (caiu na fase prévia, não jogou fase de grupos)
2012 – Fluminense (caiu nas quartas)
2013 – Cruzeiro (não jogou)
2014 – Cruzeiro (caiu nas quartas)
Chegar à semi da Libertadores significa que…

2003 – Santos finalista da Libertadores. Foi vice do Brasileiro, longe do campeão;
2004 – São Paulo foi à semi. Foi terceiro no Brasileiro;
2005 – São Paulo venceu Atlético-PR na final. Acabou em 11º no Brasileiro; Atlético-PR em 6º;
2006 – Inter venceu São Paulo na final. Inverteram posições no Brasileiro;
2007 – Grêmio venceu Santos na semi, depois perdeu final. Grêmio foi 6º no Brasileiro; Santos foi vice, mas longe do campeão;
2008 – Fluminense foi finalista. Acabou em 14º no Brasileiro;
2009 – Cruzeiro venceu Grêmio na semi, depois perdeu final. Cruzeiro acabou em 4º no Brasileiro, Grêmio, em 8º;
2010 – Inter venceu São Paulo na semi e foi campeão. Inter foi 7º no Brasileiro, São Paulo foi o 9º;
2011 – Santos campeão. Foi 10º no Brasileiro;
2012 – Corinthians venceu Santos na semi e foi campeão. Acabou em 6º no Brasileiro; Santos em 8º;
2013 – Atlético-MG campeão. Foi 8º no Brasileiro;
2014 – Nenhum brasileiro chegou às semis.


Um mês após a final da ‘nossa’ Copa, o futebol brasileiro agoniza
Comentários Comente

juliogomes

Dia 13 de julho. Maracanã. Um enorme jogo de futebol, taticamente muito bem jogado, tecnicamente quase perfeito, com ritmo, velocidade, emoção, casa histórica, cheia, torcedores misturados, golaço decisivo. Era a final da Copa do Mundo. Tudo bem, é verdade. Não dá para um evento ser muito melhor do que a final da Copa do Mundo.

Mas ela foi em nossa casa. Debaixo dos nossos narizes. E coisas que acontecem por perto são as que têm mais efeitos inspiradores. É claro que eu não tinha a esperança de ver o Campeonato Brasileiro recomeçar com um futebol de primeiríssima. Mas, depois de a Copa ter nos mostrado jogos tão bons em todos os aspectos do esporte e, fundamentalmente, depois dos 7 a 1, eu esperava uma chacoalhada mais forte.

O que vimos? Nada. Ou quase nada. Seguimos na idade da pedra.

Ao longo de um mês, um mês cravado desde o final da Copa, tivemos:

– Jogador apanhando de torcedores e sendo ameaçado de “demissão” pelo próprio clube, que deveria ser o primeiro a protegê-lo;

– Estádios às moscas, com públicos ridiculamente pequenos dois ou três dias depois da decisão da Copa. A ressaca nem havia passado ainda e o futebol lixo já estava sendo empurrado goela abaixo;

– As brigas de sempre entre torcedores, quase sempre os tais “organizados”. Emboscada na porta de estádio, cadeiras quebradas, alpinismo pra pular de um setor a outro de estádio da Copa, etc, etc, etc;

– Jogos espetacularmente ruins, falta de gols, de passes certos, de futebol dinâmico, de campo encurtado, tudo isso junto com as velhas retrancas, o modus operandis consagrado dos últimos anos: a busca pelo resultado, não importa como;

– Um calendário sendo anunciado para o ano que vem sem a pré-temporada corretamente exigida pelos jogadores, um calendário que segue matando tanto clubes grandes quanto pequenos;

– Os dirigentes da CBF tirando olimpicamente o corpo fora ao colocar Dunga de volta no comando técnico da seleção. Mais um que aceita ser a cara da derrota, em caso de derrotas;

– Clubes tradicionais do nosso futebol demitindo treinadores após uma ou duas derrotas, depois de tê-los deixado trabalhando durante toda a pausa para a Copa do Mundo. E o pior, voltando até duas décadas no tempo para trazer os respectivos substitutos (19 anos atrás, repito, DEZENOVE anos atrás, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Internacional e Atlético Mineiro tinham os mesmos técnicos que têm hoje);

– Movimento da “Bancada da Bola” no Congresso Nacional para aprovar uma lei de responsabilidade fiscal que parcelaria as históricas e vultuosas dívidas dos clubes de futebol para com a sociedade que paga seus impostos (sem, claro, as devidas contra partidas). Um show de dirigentes fazendo biquinho e tentando convencer os torcedores de que os clubes são pobre coitados e, se não tiverem a mão benevolente do governo, não poderão fomentar a lúdica prática esportiva a partir do ano que vem;

Devo estar esquecendo de alguma bizarrice pelo caminho.

E, passados 31 dias, chegamos ao 13 de agosto. Um mês depois da Copa.

Pela TV à cabo, poucos viram ou mesmo ficaram sabendo do título inédito do San Lorenzo na Copa Libertadores da América.

Veja bem. Na Europa, dia de final de Champions League é o dia do “para tudo”. Não importa de que país sejam os times finalistas. O jogo será transmitido pela TV que mais pagou, de preferência in loco, pelo melhor narrador, comentarista e repórter possíveis, com interesse total porque, afinal, estarão em campo os melhores do continente. Os times que chegaram onde todos os outros queriam chegar.

Aqui, não. Como não tem brasileiro, a final de Libertadores fica em quinto plano. Quer dizer. É o título que todo mundo quer no Brasil, mas é o torneio que ninguém quer ver se não estiver lá o próprio time ou então o rival, para torcer contra. Isso é gostar de futebol?? É assim que o “país do futebol” faz??

O país não conhece o San Lorenzo. Alguns sabem apenas que é o “time do Papa”. Pois é. A maioria tampouco conhecia Kroos, Khedira e aquele loirinho simpático que nadava no mar com os locais lá na Bahia. A ignorância é uma grande amiga da arrogância.

No dia da final da Libertadores, um mês depois da Copa, o que vimos foi a Copa do Brasil. Um torneio bacana. E que, como o mata-mata faz muita falta, tinha tudo para ser o mais bacana do país. Só que aí a CBF inventou uma regra: quem é eliminado da Copa do Brasil pode acabar tendo como “prêmio” a disputa da Copa Sul-Americana.

Como no futebol se classificar para algo virou mais importante do que ganhar algo, era óbvio que muitos times iriam preferir buscar a vaga na Libertadores seguinte via Sul-Americana, um torneio de menor nível técnico. No ano passado, pela primeira vez na história da Copa do Brasil, sete times de primeira divisão foram eliminados antes das oitavas de final do torneio. Coincidência?

A Ponte Preta mandou reservas e foi eliminada da Copa do Brasil pelo Nacional do Amazonas, então na quarta divisão. “Caiu” para a Sul-Americana. Chegou à final e quase conquistou o primeiro título internacional de sua história.

O assunto das possíveis “marmeladas” não ganhou corpo porque os times grandões do país não haviam sido eliminados de forma esquisita e precoce.

Só que eis que no 13 de agosto de 2014, um mês depois da final da Copa, o Fluminense (levando de 5 no Maracanã), o São Paulo (de 3 no Morumbi) e o Internacional caíram na Copa do Brasil para times da segunda divisão. O prêmio? A Sul-Americana (o Flu ainda não está garantido, depende de o Santos não dar vexame igual).

No futebol brasileiro, é simplesmente difícil acreditar na idoneidade de todos os atores ao mesmo tempo. Muito difícil. No país em que os pontos corridos foram notabilizados pelas entregas nas rodadas finais, para que rivais locais fossem prejudicados, a CBF conseguiu criar uma situação de “o melhor é perder” até mesmo em um torneio de mata-mata.

O melhor pode ser perder para disputar a Sul-Americana. Ou para ter um calendário mais livre e focar no Brasileiro. Ou pode-se perder por incompetência mesmo. Muita gente não acredita em coincidências e que tantas eliminações precoces de times da primeira divisão em 2013 e 2014 não podem ter sido por acaso. Outros acham absurdo pensar em teoria da conspiração.

Mas o fato é que a quarta-feira à noite, um mês depois da Copa que deveria ter mudado nossos rumos, no mesmo dia em que o campeão continental foi definido, o único assunto que se falava era a “esquisitice” de eliminações de times grandes e os bizarros regulamentos da CBF.

Tem gente que também acredita que os 7 a 1 foram só um acidente.

Eu simplesmente não acredito mais em nada.

Para não dizer que tudo foi catástrofe neste mês que se passou, alguns poucos pontos positivos podem ser destacados. Neymar deu uma boa entrevista, admitindo que, na base, “ensina-se futebol de forma errada”. Nomes importantes e com opiniões fortes e duras, que destoam da maioria, como Leonardo, foram ouvidos. A TV Globo, dona do produto, está se mexendo de alguma forma para cobrar dos clubes mais qualidade. O Bom Senso FC tem conseguido se mexer e foi fundamental, com a ajuda de alguns parlamentares, para que a lei que tanto querem os dirigentes não fosse aprovada.

O futebol brasileiro agoniza na UTI. As esperanças são poucas. Quem tem o remédio não pode nem entrar no hospital. E, ao que parece, os que têm a chave são fãs da eutanásia.

 

 


Chega de redomas. Que o futebol preste suas contas
Comentários Comente

juliogomes

O caso Sandro Rosell-Neymar-Santos-Barcelona é um. O caso Héverton-Fluminense-Sestário-Portuguesa-Flamengo é outro.

Dois imbróglios. Como tantos os que vimos e vemos no futebol, os dois casos nos deixam aquela sensação de “tem caroço nesse angu”, “onde tem fumaça, tem fogo”. Resumindo: “aí tem”.

O problema é que somos muito acostumados, aqui no Brasil, a deixar de lado o “aí tem”. Logo entram posições exacerbadas, a ideologia aparece na discussão, os poderosos usam a mídia como sempre, para favores e ajudinhas, e, de repente, o “aí tem” vira o “é melhor deixar como está”. Isso, no Brasil, serve para quase tudo. No futebol, no entanto, isso não é exclusividade nossa. É coisa de quase todos os lugares do mundo.

Se existem jogos manipulados e escândalos na Alemanha, que é o país importante mais sério do mundo, junto com o Japão, para qualquer que seja o tema que queiramos abordar, imaginem só o que não acontece no resto do planeta bola.

É que para nós, que amamos esse esporte, às vezes é melhor simplesmente fechar os olhos para essas coisas. Para jornalistas, grupos de mídia e envolvidos no futebol, só traria prejuízos ver a grande diversão do povo ser desmascarada e cair como um castelo de areia. Empregos seriam dizimados.

Mas o compromisso de todos nós, jornalistas ou não, sempre, deve ser com a verdade. Doa a quem doer. O que estamos vendo na Espanha e no Brasil, neste momento, é tão raro quanto relevante. Que a Justiça dos dois países pare e dê atenção para coisas que simplesmente não podem passar sem que sejam investigadas.

O caso Neymar é um escândalo e deve ser tratado como tal. Pessoalmente, disse em minhas tribunas, e na época eu comentava jogos na ESPN, que me parecia claríssimo que Neymar iria parar no Barcelona.

À época, e conhecedor como sou dos jornais espanhóis, me pareceu muito esquisito aquele final de 2011. Havia uma guerra entre Barcelona e Real Madrid por Neymar. Os jornais da capital (Marca e As) chegaram a dar como certo Neymar no Real, e nestes mesmos dias os jornais de Barcelona (Sport e Mundo Deportivo) simplesmente pararam de falar do brasileiro. Aí, de um dia para o outro, do nada, a coisa se inverteu. Neste momento, para mim ficou cristalino qual seria o destino do jogador.

Os jornais de lá ficam sabendo dessas coisas. Mas muitas vezes não podem publicar, é o ônus das relações próximas demais com os dois clubes. Só que, para bom entendedor, meia palavra basta. Um silêncio, às vezes, fala mais alto do que uma notícia. E a mudança de postura dos quatro jornais, na época, dava a letra do que estava por vir.

Poucos dias depois, no começo de novembro de 2011, veio aquele anúncio bizarro de renovação aqui em Santos. Em que a data de contrato era diminuída, sem que fosse anunciado o valor da multa. Para mim, e agora parece claro que eu tive a leitura correta da coisa, havia sido feito um acordo. Neymar seguiria no Santos por mais tempo, o que dava ao presidente do clube a chance de sambar na cabeça de todo mundo e bater no peito, como se fosse o grande patrono do Santos e do futebol brasileiro. Mas o atacante já tinha destino certo, o Barcelona, e restaria apenas saber quando. Possivelmente, ao final da temporada 2012. Ou então 2013 (que foi o que aconteceu). Valores? Nada a negociar. Já estava tudo negociado e até mesmo pago.

Os tais 40 milhões de euros a Neymar pai apareceram, ou melhor, desapareceram das contas do Barcelona, como mostrou no ano seguinte um dos dois jornais catalães (agora não me lembro qual). Já estava tudo certo, pago, arrumado. Na hora certa, seria feito mais um acordo pontual, mais um jogo de cena. Que foi o que fizeram um pouco menos de um ano atrás.

As “tentativas” do Real Madrid, no ano passado, me pareceram muito mais algo de quem já sabia o que tinha ocorrido, mas queria dar uma satisfação à torcida, fingindo que ainda estava tentando e botando a culpa no jogador por ter escolhido o rival. Jogo de cena puro.

O “problema” é que a tal da DIS botou grana nesse menino. E iria querer receber seu percentual exato da operação. E eu, se fosse dono da DIS, ficaria p da vida ao ver que tantos milhões foram pagos ao Santos em nome de prioridade na contratação de certos jogadores. Oras bolas. Esses tantos milhões seriam pagos, não fosse o negócio de Neymar?? Como assim esses valores NÃO são considerados parte do pagamento de Neymar?? É chamar de bobo, dar um tapa na cara e ainda querer beijinho.

O outro “problema” é que, ao contrário do que se fez por essas bandas, o Barcelona não conseguiu enganar e calar todo mundo por lá. Jornais sérios, um deles o “El Mundo”, começaram a jogar luz sobre algumas coisas. E o negocião foi sendo desmascarado pouco a pouco, a pedido de um sócio, em denúncia aceita pela Justiça. Antes mesmo de qualquer veredicto ser anunciado, Sandro Rosell renuncia ao posto que mais quis na vida: a presidência do Barcelona. Não dá para ter admissão maior de culpa no cartório.

Que a Justiça de lá vá até o fim. Para que todos saibamos quanto exatamente o Barcelona pagou para quem. Que o Santos fique com a parte dele, que tem de ser de 60%, somado tudo o que foi pago. E que a DIS fique com a parte dela. Não sou fã de grupos de empresários comprando jogadores de futebol, sou totalmente favorável a direitos econômicos ligados a entidades desportivas. Mas… o combinado não sai caro. E o investidor tem de receber o que dele é de direito enquanto a lei seguir sendo a porcaria que é.

E que a Justiça de cá também vá até o fim no caso que mudou a classificação final do Campeonato Brasileiro. Bato palmas para o Ministério Público de São Paulo, que rapidamente percebeu que era necessário ir além. Estamos todos de saco cheios de teorias conspiratórias. Que tudo seja investigado, investigado de verdade, por entidades isentas. Por que, afinal, dois erros bizarros de escalação de jogadores irregulares ocorreram justo na última rodada do campeonato? Vejo os auditores e promotores do nefasto STJD pouco preocupados com isso desde o início. Parece que agora, afinal, iremos para frente com investigações que devem e precisam ser feitas.

Uma entidade como a CBF não pode continuar fazendo o que quer, como quer, do jeito que quer com o futebol brasileiro. Esse é um país de leis. E o futebol não pode estar acima delas.

Cá, como lá, não seria nada mal que tudo isso acabasse com renúncias e, por que não, xadrez nos envolvidos.

 


Vai sobrar para a maior culpada: a CBF. Que venha a Liga!
Comentários Comente

juliogomes

Saiu a primeira liminar. A Justiça mandou a CBF devolver os quatro pontos tirados do Flamengo. É uma questão de tempo para que o mesmo seja feito para a Portuguesa. É questão de tempo até que algum indivíduo, também baseado no Estatuto do Torcedor, consiga alguma liminar proibindo um Campeonato Brasileiro 2014 com mais de 20 times.

Porque vejamos. Em outros tempos, era fácil. Deu confusão? Vai lá a CBF e “acomoda” todo mundo. Como fez em 97, quando o Brasileiro teve Fluminense e Bragantino, rebaixados um ano antes. Como fez em 2000, com a criação da Copa João Havelange após todo o imbróglio Gama-Sandro Hiroshi. O Estatuto veio para isso, entre outras coisas. Para evitar a bagunça, as “acomodações cebeefianas”.

E agora?

O que será do Brasileiro 2014?

À CBF, resta torcer. Torcer para que a liminar pró-Flamengo e as que possivelmente virão pró-Portuguesa caiam. Se elas não caírem, o que farão os cartolas? Rebaixarão o Fluminense, desautorizando seu próprio tribunal? Tentarão o campeonato de 24 clubes, sob risco de novas liminares?

A batata quente vai parar no colo de quem realmente merece se queimar.

Nada disso teria acontecido, fosse a CBF uma instituição que minimamente cuidasse de seu produto. Divulgasse e publicasse suspensões. Tivesse um simples sistema que impedisse a escalação de jogadores que não podem atuar (para que servem os delegados dos jogos?) Tivesse um tribunal de penas, não o patético STJD, sem qualquer credibilidade e fanático por holofotes. Tivesse, enfim, regras e métodos claros e cristalinos, não feitos para dar margem a viradas e tapetadas.

A CBF, no fim das contas, é a grande culpada por toda a confusão. Agora, que aguente o rojão. Foi-se o tempo em que as pessoas ficavam passivas diante de mandos e desmandos.

A Confederação Brasileira de Futebol deveria ter dois, somente dois objetivos. 1) Zelar pelas coisas da seleção brasileira. Cuidar para que os jogadores e outros profissionais da seleção tenham as melhores condições de trabalho possíveis, fechar grandes contratos e fazer dinheiro com um dos maiores produtos do futebol mundial; e 2) Usar esse dinheiro para fomentar e aperfeiçoar a prática do esporte no país. Cuidar do futebol amador, da formação de altíssimo nível de dirigentes, técnicos, fisios, preparadores físicos e, claro, jogadores.

Campeonatos não são coisa da CBF. Não têm de ser. Ela já mostrou, ao longo dos anos, que não entende NADA disso.

Que essa bagunça toda sirva para a criação, afinal da Liga de Clubes. Como fizeram os ingleses, 20 anos atrás, transformando um campeonato de futebol horroroso na liga mais rica e assistida do mundo. Como fizeram todos os europeus, enfim, ano após ano. Que os clubes brasileiros sentem na mesa, busquem regras que sirvam para todos, de forma democrática e justa, e passem a organizar o próprio campeonato. De olho no próprio campeonato, não nos próprios interesses.

Basta encontrar alguém que fale alemão. Peguem o modelo da Bundesliga, de fair play financeiro, exigências de qualidade no futebol de base, distribuição justa (em função de desempenho) do bolo da TV. Traduzam. E apliquem. Não é preciso fazer mais.