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Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
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A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
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juliogomes

É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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juliogomes

Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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juliogomes

Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

jorge_monaco

Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Brasileirão, rodada 25. Corinthians e Palmeiras são as barbadas
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juliogomes

Na rodada 23, acertei 5 de 10. Lamentável. Na rodada 24, me recuperei. Agora, chegou a 25! Leia, aposte na Loteria Esportiva e depois me conte como foi.

CORITIBA X INTER
Couto Pereira, sábado, 18h30

O Coritiba vive seu melhor momento no campeonato, o que coincide com a chegada de Ney Franco. O Inter está num ganha e perde danado com Argel. Não gostei da postura fora de casa contra Avaí e São Paulo e não vejo por que será diferente desta vez. O Inter ainda não é confiável e especula demais fora. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X FIGUEIRENSE
Allianz Parque, sábado, 21h

Uma das barbadas da rodada. Depois do ótimo jogo contra o Corinthians, não teria como o Palmeiras repetir a dose com 536 desfalques contra o Inter. Muitos titulares voltam, é um jogo em casa e que mantém o time na briga pelo quarto lugar. Pode ser o grande beneficiado da rodada, já que outros concorrentes têm partidas bem mais duras, como veremos abaixo. Previsão: PALMEIRAS.

CORINTHIANS X JOINVILLE
Itaquera, domingo, 11h

Finalmente o Corinthians joga de manhã. E logo contra um adversário que foi obrigado a jogar na quinta-feira à noite. Será ataque contra defesa e, no momento em que “abrir a lata”, o Corinthians dominará com facilidade. Não duvido que o Joinville venda caro, mas é a barbada do domingo. Previsão: CORINTHIANS.

PONTE PRETA X SANTOS
Campinas, domingo, 11h

Como já disse semana passada, esses jogos do domingo cedo, pelo clima, horário pouco usual, etc, costumam ter resultados estranhos. O Santos é o favorito, apesar de castigado pelo calendário. É um time em ótima fase e em busca de uma improvável vaga na Libertadores. Mas a Ponte está à beira do abismo depois da absurda demissão de Guto Ferreira. Vai conseguir um ponto em casa, até porque tem como hábito complicar a vida do Santos em Campinas. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-PR
Maracanã, domingo, 16h

Eu não me deixo levar pela vitória do Vasco em Campinas. Time ruim é time ruim, não sai ganhando duas, três, quatro seguidas em um campeonato em que nem os líderes conseguem fazê-lo. O Atlético Paranaense é franco favorito, ainda mais no Maracanã, onde enfrentará o Vasco pela primeira vez. Em São Januário, nunca venceu. Na história. Eu já disse que acredito em retrospecto, né? Previsão: EMPATE.

GRÊMIO X SÃO PAULO
Arena Grêmio, domingo, 16h

Já apostei contra o Grêmio na semana passada e não repetirei o erro, ainda mais depois da ótima atuação em Itaquera e da debacle são-paulina em Santos. Não vejo o Grêmio na disputa pelo título, ainda que a matemática me desminta. Vejo o Grêmio juntando pontos que serão preciosos lá na frente, quando voltar à mais realista batalha pela Libertadores. Previsão: GRÊMIO.

CRUZEIRO X ATLÉTICO-MG
Mineirão, domingo, 16h

É o jogo da rodada e que pode ter consequências gigantes para a disputa do título. Uma vitória contra o maior rival mantém (provavelmente) o Atlético a três pontos do Corinthians e dá um impulso anímico importante depois de o time passar por uma fase instável no campeonato. Por outro lado, a derrota pode ser decisiva, devastadora. Para o Cruzeiro, vencer é atrapalhar muito a briga do rival e seria um passo gigante (definitivo) na luta pela salvação. O clássico mineiro tem tido poucos empates nos últimos anos e uma pequena superioridade atleticana. Acredito que o campeonato seguirá vivo. Previsão: ATLÉTICO.

CHAPECOENSE X FLAMENGO
Chapecó, domingo, 16h

O Flamengo é quem menos empata no campeonato e vive essa fase tremenda desde a chegada de Oswaldo. Mas tem três desfalques importantes e enfrenta uma Chapecoense precisando de pontos para não cair de vez na briga do rebaixamento. Chapecó é um lugar duro de ganhar. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X GOIÁS
Ressacada, domingo, 18h30

É verdade que o Goiás vive um momento melhor no campeonato. Só que isso aqui é vida ou morte para o Avaí. Está começando a se descolar dentro do Z-4 e é vencer ou vencer em um duelo contra concorrente direto. Fator campo faz a diferença. Previsão: AVAÍ.

SPORT X FLUMINENSE
Arena Pernambuco, domingo, 18h30

Na semana passada eu disse que a previsão racional para Sport e Santos seria o empate, mas que tinha um feeling que o Sport quebraria a série de jogos sem vencer. Pode repetir tudo, só muda o adversário. O racional é o empate. Mas meu palpite é outro. Previsão: SPORT.

E para você? O que vai dar nessa rodada?


A “Espanholização” está aí*
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juliogomes

* Este é um texto do amigo e colega de profissão Napoleão Almeida. Assino.

E faço apenas um adendo. Se as coisas continuarem como estão, especialmente na divisão de verbas, veremos, nos próximos 10 anos, todo mundo disputar apenas uma vaga na Libertadores. No máximo, duas. Porque as outras estarão nas mãos dos mesmos. Os pontos corridos, que privilegiam quem tem mais elenco, ou seja, dinheiro, potencializam o problema. 

*****

Temida por muitos, desejada por poucos e esperada por todos aqueles que acompanham o futebol brasileiro desde o fim do Clube dos 13, a “Espanholização” do futebol brasileiro chegou e está vista à olhos nus desde o final da rodada #24 do Brasileirão. Se você não observou atentamente, fique de olho a partir de agora.

Domingo, 11h da manhã, o Corinthians recebe o Joinville na Arena em Itaquera. De um lado, um gigante em faturamento, com o elenco mais completo do Brasil, jogando em casa, na maior e mais rica cidade do País. Do outro, uma equipe modesta de uma cidade de 500 mil habitantes, com arrecadação infinitamente menor.

Não bastasse esse abismo natural, pela tradição e histórico de cada um, que representam juntos o interesse de mercado para ambos, dentro do mesmo campeonato que disputam — e precisam um do outro para jogar — uma dura realidade: enquanto o JEC leva R$ 20 milhões do patrocinador, o Timão começa o ano sabendo que conta com R$ 120 milhões, seis vezes mais.

O resultado é que veremos um jogo igual a qualquer outro do Espanhol que não seja Barcelona x Real Madrid, quiçá o Atlético madrilenho. Como quando Elche ou Almería visitam o Camp Nou, o Joinville irá até Itaquera na expectativa de não levar o primeiro gol. Irá se defender por 10, 20, 30 minutos enquanto o Corinthians usará suas alternativas para furar a retranca. Uma vez furada, os paulistas terão a possibilidade de abrir uma goleada, pois a derrota já não interessará aos catarinenses. Se estiver difícil, o Corinthians pode sacar Jadson e tentar com Danilo; tem opções de igual quilate no banco. Ao JEC, a esperança de que essa seja uma manhã infeliz corintiana, quem sabe com uma bola vadia chutada por Kempes ou Marcelinho Paraíba vencendo Cássio.

Será assim com o Joinville, como já foi o Avaí. E será assim contra o Coritiba e até contra Cruzeiro, Santos e Inter à médio prazo. A partir de 2016, Corinthians e Flamengo terão à sua disposição mais que o dobro do dinheiro da imensa maioria dos clubes do campeonato, exceção ao São Paulo — mas muito mais que Palmeiras e Vasco.

Não está convencido? Ok.

A rodada 24 também marcou a entrada do Flamengo no G4. “Deixaram chegar” é o bordão dos rubro-negros cariocas, que precisa ser corrigido para “pombas, só chegou agora?”

Com o que arrecada, o Flamengo tem a obrigação de estar entre os dois primeiros colocados do Brasileirão ano sim, ano também. Tem errado muito nos últimos anos e 2015 não foi diferente. Ainda assim, desta vez, a “Espanholização” já faz efeito. Vejamos.

O Fla buscou ainda no começo do ano um dos maiores talentos de um de seus concorrentes pelo G4. Marcelo Cirino chegou do Atlético Paranaense custando bem e fez um bom estadual, mas sumiu no Brasileirão. Então o Flamengo foi buscar Emerson e Guerrero, encostados no Corinthians. Ambos começaram bem mas o segundo caiu de produção. O time patinava no campeonato. Não satisfeito, foi buscar Ederson na Lazio. Jogador padrão Europa, alto custo. Esse emplacou. De brinde, venceu outro concorrente direto pelo G4, o Santos, na pretensão de contratar Kayke junto ao ABC-RN, destaque do time na Série B deste ano.

Que outro time senão Corinthians ou Flamengo poderiam errar tanto com tamanha possibilidade de se reinventar dentro de uma mesma competição à ponto de superar seus concorrentes? No Brasil, nenhum. Talvez o São Pàulo, que afinal arrecada parecido e está ali rondando os quatro primeiros.

Atlético Mineiro e sua base de alguns anos de sucesso e trocas estratégicas, e Grêmio com um time de jovens (mesma receita do Furacão) estão por lá, contradizendo a lógica. Não se sabe por quanto tempo.

Um bom CT aqui, um estádio moderno acolá, um número de sócios que dê sustentabilidade ao clube e todos os demais vão ter seus anos de Valencia, Sevilla ou Athletic Bilbao. Será possível chegar na Libertadores, ganhar uma Copa do Brasil ou Sul-Americana e, num ano de muita felicidade, voltar a vencer o Brasileirão.

Mas, assim como na Espanha, cada vez mais a regra será o campeonato acabar com o título de Corinthians, Flamengo ou no máximo São Paulo. Não coincidentemente, aliás, vencedores de seis dos últimos 10 campeonatos.


Brasileirão, rodada 23. Previsões ousadas e diferença inalterada na ponta
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juliogomes

Seco pra você! Quem ganha, quem perde?

A bola de cristal está limpinha. Quer ver? Isso é o que acredito que vá acontecer na rodada do Brasileirão:

SÃO PAULO X INTERNACIONAL
Morumbi, sábado, 19h30

São Paulo com 557 desfalques, sem seu melhor jogador (Pato). O histórico recente em jogos pelo Brasileiro com mando do São Paulo é extremamente favorável ao Inter (três empates e duas vitórias coloradas). Se o Inter ganhar, entra de vez e com força na briga pelo G-4. Ainda não acho, no entanto, esse time tão confiável assim. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-MG
Maracanã, sábado, 19h30

Lanterna e rebaixado contra vice-líder buscando o título. Palpite fácil, certo? Sei não… O Vasco já caiu, mas alguma satisfação tem de dar a seus milhões de torcedores. E o Galo anda muito nervoso, com certa razão até, mas de tal forma que parece não estar olhando para os problemas no campo. Será que desde quinta-feira os jogadores pensaram e falaram mais de árbitros ou mais do Vasco? Atlético não vence o Vasco no Rio desde 2002 (desde então, seis vitórias vascaínas e três empates). Última vitória no Maracanã foi em 95, pela Copa do Brasil – Levir Culpi era o técnico! Última vitória do Galo sobre o Vasco no Maracanã em Brasileiros foi em 1987, há 28 anos. Eu acredito em histórico e falta de foco. Previsão: EMPATE.

ATLÉTICO-PR X JOINVILLE
Arena da Baixada, sábado, 21h

O Furacão acaba de entrar no G-4 e está jogando com consistência. Na minha visão, a maior barbada da rodada. Previsão: ATLÉTICO-PR.

CRUZEIRO X FIGUEIRENSE
Mineirão, domingo, 11h

O único jogo do Cruzeiro às 11h até agora? Derrota em casa para a Chapecoense. A vitória sobre a Ponte no meio de semana foi importantíssima para dar um alívio ao Cruzeiro, mas teve certo componente de sorte. Acredito que o embalo com técnico novo e o dia a menos de folga que teve o Figueira serão os fatores fundamentais para o magro 1 a 0. Previsão: CRUZEIRO.

CHAPECOENSE X PONTE PRETA
Chapecó, domingo, 11h

Já repararam que os jogos das 11h de domingo sempre têm muito 0 a 0? Salvo algumas exceções, são jogos de poucos gols – e o horário é uma explicação para isso. A Ponte está sofrendo, mas a Chapecoense não vive seu melhor momento. É o “oxo” da rodada. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X CORINTHIANS
Allianz Parque, domingo, 16h

Para mim, o jogo de previsão mais complicada do fim de semana. O Palmeiras entrou em uma fase de instabilidade, o que torna mais difícil prever os acontecimentos. O Corinthians segue com consistência na liderança e tem a volta de Renato Augusto. Não sei por que, mas algo me diz que teremos mais uma arbitragem para dar o que falar – como sempre. Previsão: EMPATE.

FLUMINENSE X FLAMENGO
Maracanã, domingo, 16h

A fase do Flamengo é superior, o rubro-negro está embalado. O Fluminense, além de estar colecionando maus resultados, pode ter a volta de Ronaldinho – o que me parece ser mais má do que boa notícia. Fred, sim, é quem faz falta. Previsão: FLAMENGO.

GRÊMIO X GOIÁS
Arena Grêmio, domingo, 16h

Últimos três jogos entre eles: três empates. Retrospecto em Porto Alegre nos últimos 20 anos: quatro vitórias gremistas, cinco empates e quatro vitórias do Goiás. É inegável que o Grêmio costuma ter uma pedra esmeraldina no sapato. Além disso, são muitos os desfalques (incluindo Luan, o jogador mais brilhante do time) e o fato de ter um dia a menos de descanso, neste momento do campeonato, tem mais relevância do que parece. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X CORITIBA
Ressacada, domingo, 16h

Um dos jogos mais imprevisíveis da rodada e que reúne dois times na zona de rebaixamento, com a famosa água no bumbum. O Coritiba cresceu com a chegada de Ney Franco e passou a apresentar resultados melhores – são cinco jogos sem derrotas, lá se vai um mês. É que são muitos empates, então fica difícil andar para frente. O Avaí só leva mais gols que o Vasco no campeonato. Previsão: CORITIBA.

SPORT X SANTOS
Ilha do Retiro, domingo, 18h30

O Sport não vence há um mês e meio, foram cinco empates e três derrotas no período. É, disparado, quem mais empata no campeonato. Nunca achei que o Sport brigaria por G-4, mas é um time bem armado, com técnico há algum tempo no comando e estas sequências ruins acontecem sempre em um campeonato equilibrado como o Brasileiro. Logo, logo, se mantiver a calma, reencontra o caminho. O Santos é o time mais quente do campeonato. Mas jogou na quinta, antes da longa viagem a Recife, e não tem dois dos “moleques” que mais brilham. O mais óbvio e racional seria prever um empate aqui. Mas algo me diz que a Ilha fará a diferença. Previsão: SPORT.

Sim, sim, sim, podem reclamar, xingar, esbravejar e até… concordar, ora pois! Deixe tuas previsões aqui no blog você também!


Jogos de quarta decidem mais o Brasileirão do que os do fim de semana
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juliogomes

Responda rápido: quais jogos são mais importantes para a definição do campeão brasileiro de 2015? Os jogos da rodada do fim de semana ou os desta quarta-feira?

Oras, a que importa mais é a que vale pontos para o campeonato, certo?

Errado.

O campeonato é diferente. Mas a rodada de quarta-feira, com cinco grandes clubes em campo pela Copa Libertadores da América, tem consequências mais importantes para o Brasileirão do que a primeira rodada do próprio campeonato, disputada neste fim de semana que passou.

Vejam. Não é novidade que campeões da Libertadores “desistam” rapidamente do Brasileiro, guardando (de forma discutível) foco e energia para a disputa do Mundial, no fim do ano. Mas não é só o campeão, não. Um levantamento deste blog mostra que chegar à semifinal da Libertadores já é “distração” suficiente para tirar times da briga doméstica.

Antes do início do Brasileiro, Corinthians e Internacional dividiam a maioria das opiniões dos especialistas sobre quem teriam mais chances de conquistar o título nacional em 2015. São Paulo e Atlético Mineiro correm por fora, mas aparecem entre os favoritos de muitos. E o Cruzeiro, apesar de desconstruído, é o atual bicampeão, fato que não pode ser desconsiderado.

Os cinco jogam a vida na Libertadores nesta quarta-feira. Dois ou três deles passarão para as quartas de final. E, depois, os mesmos dois ou três podem ir para as semifinais. Será que o time que for tão longe assim na competição sul-americana poderá continuar sendo cotado para a disputa nacional?

Aparentemente, debater o favoritismo deste ou daquele neste momento é inútil, enquanto o destino de todos eles não for definido na América.

Desde que o modelo de pontos corridos foi implementado como fórmula de disputa no Brasileiro, em 2003, seis dos doze campeões nacionais nem haviam disputado a Copa Libertadores a partir de sua fase de grupos, no primeiro semestre. Outros cinco campeões brasileiros não haviam passado da fase de quartas de final do torneio continental.

Apenas um time, no longínquo ano de 2006, foi longe na Libertadores (perdeu a decisão) e acabou sendo campeão brasileiro. O São Paulo, então detentor do título mundial (a lista de campeões nos pontos corridos está mais abaixo).

Lá se vão nove anos, portanto, desde que um time chegou pelo menos às semifinais da Libertadores e, na sequência da temporada, disputou efetivamente o título do Brasileirão (ver também lista no fim deste post para lembrar os desempenhos nos anos posteriores).

De 2007 para cá, nenhum time que tenha ficado entre os quatro da América, abdicando da força máxima no quarto inicial do Brasileirão, chegou perto do título nacional no fim do ano.

De forma simplista, podemos rotular como razão principal para isso o fato de jogadores titulares serem poupados nas primeiras rodadas.

Isso costuma acontecer também lá no fim do ano, quando outros times estão envolvidos com retas finais de Copa Sul-Americana e Copa do Brasil – não à toa, além de nunca um time ter sido campeão da Libertadores e do Brasileiro no mesmo, tampouco alguém fez uma dobradinha com Brasileiro e Sul-Americana. E o único campeão nacional e da Copa do Brasil no mesmo ano foi o Cruzeiro, em 2003, quando a Copa do Brasil foi decidida ainda em junho.

Essa coisa de clubes mandarem times reservas a campo é, na minha visão, uma das grandes distorções dos pontos corridos, esquecida pelos defensores deste modelo de campeonato. Que “justiça” tão perfeita é essa quando há tanta variação de estádios e times titulares e reservas?

Vamos a exemplos práticos em função da primeira rodada do Brasileiro.

O Atlético Paranaense é um time que, pelo menos na teoria, vai jogar o campeonato para não ser rebaixado. Ele teve a sorte de enfrentar, na rodada inicial, um time reserva do Internacional. E venceu por 3 a 0.

Será que outros candidatos ao rebaixamento vão enfrentar o Inter reserva em casa? É pura questão de sorte. E, invertendo, falando sobre a disputa pelo título. Será que outros times, ali na hora H do campeonato, vão perder pontos em Curitiba?

Cruzeiro e Corinthians se enfrentaram com times reservas e jogando em Cuiabá, em estádio neutro. Será que outros favoritos ao título terão a sorte de enfrentar o Cruzeiro longe do Mineirão e voltarão para casa com os três pontos?

O que aconteceu na rodada inicial do Brasileirão mostra como a tão falada máxima de que “todas as rodadas valem a mesma coisa” ou não é verdadeira ou não é levada a séria por muitos treinadores e dirigentes.

E esse fato, que é um fato, continuará acontecendo enquanto o Brasileirão tiver rodadas iniciais acontecendo ao mesmo tempo que as fases agudas da Libertadores.

No Brasileiro, o Corinthians ganhou um jogo que, a priori, não ganharia. E o Inter perdeu um que, a priori, não perderia. Será que esses resultados serão decisivos lá no fim?

Pode até ser que sim. Mas, para efeitos de disputa de título, é mais provável que os jogos de quarta-feira, do Corinthians contra o Guaraní do Paraguai e do Inter contra o Atlético Mineiro, sejam mais importantes para o futuro do campeonato.

Ainda que o campeonato seja outro.
Campeões brasileiros nos pontos corridos:
(entre parênteses, o desempenho na Libertadores do mesmo ano)

2003 – Cruzeiro (não jogou)
2004 – Santos (caiu nas quartas)
2005 – Corinthians (não jogou)
2006 – São Paulo (perdeu a final)
2007 – São Paulo (caiu nas oitavas)
2008 – São Paulo (caiu nas quartas)
2009 – Flamengo (não jogou)
2010 – Fluminense (não jogou)
2011 – Corinthians (caiu na fase prévia, não jogou fase de grupos)
2012 – Fluminense (caiu nas quartas)
2013 – Cruzeiro (não jogou)
2014 – Cruzeiro (caiu nas quartas)
Chegar à semi da Libertadores significa que…

2003 – Santos finalista da Libertadores. Foi vice do Brasileiro, longe do campeão;
2004 – São Paulo foi à semi. Foi terceiro no Brasileiro;
2005 – São Paulo venceu Atlético-PR na final. Acabou em 11º no Brasileiro; Atlético-PR em 6º;
2006 – Inter venceu São Paulo na final. Inverteram posições no Brasileiro;
2007 – Grêmio venceu Santos na semi, depois perdeu final. Grêmio foi 6º no Brasileiro; Santos foi vice, mas longe do campeão;
2008 – Fluminense foi finalista. Acabou em 14º no Brasileiro;
2009 – Cruzeiro venceu Grêmio na semi, depois perdeu final. Cruzeiro acabou em 4º no Brasileiro, Grêmio, em 8º;
2010 – Inter venceu São Paulo na semi e foi campeão. Inter foi 7º no Brasileiro, São Paulo foi o 9º;
2011 – Santos campeão. Foi 10º no Brasileiro;
2012 – Corinthians venceu Santos na semi e foi campeão. Acabou em 6º no Brasileiro; Santos em 8º;
2013 – Atlético-MG campeão. Foi 8º no Brasileiro;
2014 – Nenhum brasileiro chegou às semis.


Retorno de Dunga pouco importa em meio ao caos do futebol brasileiro
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juliogomes

São muitos os dias em que muitas coisas sem importância viram o assunto do dia. É a chamada “falta de assunto”, tão recorrente no jornalismo esportivo. Fala-se, fala-se e fala-se do que não tem relevância. Os dias 21 e 22 de julho foram raros. Porque foram aqueles dias em que muitas coisas com muita importância aconteceram. E várias delas, por isso mesmo, não tiveram a devida atenção.

Na segunda-feira, o grupo Bom Senso FC, aquele que não é recebido pela Confederação Brasileira de Futebol, foi ouvido novamente pela presidência da República. O Bom Senso é, hoje, a única “organização” com representantes do futebol que luta contra o sistema que devastou o esporte mais popular do país. É a única esperança de vermos o futebol brasileiro rumar na direção para onde ele precisa ir. É a primeira vez que pessoas com a visão correta se colocam em posição tão próxima de quem pode realmente interferir de alguma maneira (possivelmente com a aprovação de leis) no círculo vicioso que rege o esporte.

Pouco se falou do Bom Senso e as consequências da reunião com a presidente. Pouco se fala sobre a lei que os clubes querem passar, quase que uma espécie de anistia das dívidas contraídas ao longo das décadas. Pouco se fala sobre a possibilidade de tirar de agentes ou empresas terceiras e deixar só com os clubes os direitos econômicos de jogadores de futebol.

E pouco se falou da agressão covarde ao atleta André Santos por parte de aproximadamente 20 “torcedores” do Flamengo. Um rapaz que, bom ou não, grosso ou não, simpático ou não, mascarado ou não, transformou-se em vítima de um sistema que ajuda e dá cobertura a bandidos disfarçados de torcedores. E, para completar, teve o contrato rescindido pelo clube no mesmo dia em que, com pompa e circunstância, a CBF anunciava o novo treinador da seleção brasileira.

Vejam bem. Um jogador apanhou. Em circunstâncias já bastante curiosas, pois aconteceu na saída de um estádio de Copa do Mundo. E, depois de apanhar, foi despedido. Que mensagem o clube mais popular do Brasil pretende mandar?

No meio de tudo isso, Dunga.

Nada mais conveniente, não é verdade?

Não é interessante para muita gente que se fique debatendo Bom Senso, calendário, novas leis para o esporte e para as confederações, a formação de atletas com maior peso dos clubes e menor dos empresários, a responsabilidade de dirigentes, transparência financeira, cadastro biométrico para a entrada de torcedores nos estádios, a relação umbilical entre clubes e torcidas organizadas, estádios da Copa vazios uma semana depois da Copa, a bancada da bola no Congresso.

Nada como anunciar um novo técnico.

Falem de Dunga, falem de Dunga, falem de Dunga.

Falarei de Dunga, lógico. Tem lá sua importância. Mas é importante ressaltar que, neste momento, após o caos vivido pelo futebol brasileiro ter ficado evidenciado nos próprios gramados do país, a escolha do novo técnico da seleção principal seja, possivelmente, o assunto menos importante da semana.

Bom, talvez não menos importante do que os resultados do Campeonato Brasileiro. Mas, ainda assim, pouco importante perto de tudo o que citei acima.

A seleção brasileira é apenas a ponta do iceberg. O Brasil é um país de 200 milhões de habitantes em que existe a monocultura do esporte e onde problemas sociais empurram muitas crianças em direção ao esporte que pode salvá-las e suas famílias. Sempre, repito, sempre haverá matéria-prima. A metáfora do amigo Paulo Calçade é perfeita. Este é um enorme jardim em que, no meio de tanto mato, sempre brotará uma flor aqui, outra ali.

O “vaso” é o futebol europeu. E este sempre estará lá, de braços abertos, pagando relativamente pouco por diamantes brutos que podem, eventualmente, ser lapidados. Esta roda gira assim há pelo menos 20 anos. E seguirá girando da mesma maneira.

Com matéria-prima, história, camisa pesada e mentalidade vencedora, a seleção brasileira nunca deixará de estar entre as favoritas ou candidatas ao título. Não importa o técnico. O técnico pode ser a diferença entre ganhar uma Copa e perdê-la? Sim. Entre perder com dignidade e tomar de 7 a 1? Sim. Mas não é o técnico que vai revolucionar o futebol do nosso país. Ele pode, no máximo, revolucionar a seleção. Não o futebol. E não é ganhar ou perder a Copa que fará do Brasil dono do melhor ou pior futebol.

Já disse e repetirei quantas vezes for necessário. No futebol e na vida, precisamos ver as coisas menos pretas ou brancas. Relativizar resultados. Pensar mais nos meios, não apenas nos fins. Parar de achar que, se ganhou ou deu certo, tudo bem, se perdeu ou deu errado, que sejam buscados os culpados.

Os resultados anteriores à Copa do Mundo não fazem de Dunga um gênio. A derrota para a Holanda, em jogo equilibradíssimo, não faz dele uma anta.

Foi interessante ver Dunga entoar um “mea culpa” pelas relações duras com a imprensa. Mas também será tão importante assim que ele seja o rei da cordialidade com a imprensa? Não quero cair na armadilha de falar muito sobre algo que importa a tão poucos.

Pessoas como Dunga e Scolari têm dificuldades para entender que a imprensa não faz parte da seleção brasileira. Dunga disse hoje: “A imprensa tem que entender que o objetivo maior, a frente de todos nós, é a seleção brasileira”.

Não, não, não, mil vezes não. A imprensa séria e que zela pela profissão coloca o trabalho e os compromissos com o leitor e a informação correta (e outras coisas, até) muito à frente da seleção. Eles não entendem que, às vezes, o compromisso com a profissão acabe sendo prejudicial à seleção. Sinto muito, mas às vezes é assim.

Vejamos. Uma situação absurda. Imaginem que o Thomas Muller tivesse sentido uma pancada no treino anterior à semifinal da Copa. E a única pessoa capaz de atendê-lo lá na Bahia fosse um médico brasileiro. O que deveria fazer o médico? Atendê-lo, fazer o máximo por ele e respeitar a própria profissão? Ou boicotar o tratamento em nome do “objetivo maior”, a seleção brasileira?

Não seria absurdo pensar em um cenário em que o médico abandonaria o paciente “em nome da pátria amada”? Por que, então, alguns querem que jornalistas abandonem o compromisso com a profissão pelo simples fato de terem nascido no Brasil?

É este descompasso que gera atritos. Geram atritos também as críticas destrutivas e perguntas desrespeitosas feitas ao longo do ciclo de um treinador no comando da seleção. E aí alguns desses caras colocam todos no mesmo saco e passam a distribuir patadas para todos os lados. Quem não deveria ser atingido, é atingido. Se ofende. Vira guerra, enfim.

Foi o que virou no ciclo da Copa de 2010. E, apesar de Dunga prometer o contrário, tem toda a pinta qu acontecerá o mesmo no próximo ciclo. Porque, como ele mesmo disse, não mudará a própria essência. E a essência de Dunga tem certa truculência para com uma classe que ele despreza – e tem lá suas razões para isso. A maior parte da imprensa tampouco fará questão de tratar fatos e profissionais de forma menos rasa.

Mas e o futebol?

A seleção de Dunga jogava um futebol coerente o tempo todo. Preocupações defensivas, time compacto, linhas juntas, velocidade no contra ataque. Não, não tinha nada a ver com o futebol histórico do Brasil. Não é a escola brasileira de toda a vida. Mas era um jeito de jogar. E moderno, por sinal. Que explorava a velocidade e a capacidade de decisão dos jogadores de frente (Robinho, Kaká e Luis Fabiano). Mais ou menos o jeito que todos queriam para a partida contra a Alemanha, na semifinal.

Dunga erra ao dizer que “nenhuma seleção jogou de forma ofensiva na Copa”. Leitura errada de um Mundial que mostrou priorização da posse da bola, técnica, velocidade e, sim, marcação lá na frente, adiantada. Mas acerta ao dizer que o coletivo precisa estar na frente das individualidades. Sem dúvida, é um dos paradigmas que precisam ser quebrados no modo brasileiro de ensinar e ver futebol.

Sim, o Brasil pode ser campeão do mundo com Dunga em 2018.

Mas e daí? O buraco do nosso futebol está muito mais… acima.


Arbitragem, no Rio, técnicos, em SP, definem clássicos
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juliogomes

O erro do árbitro de linha, no Rio, beira o inacreditável. A imagem da bola a 600 metros da linha do gol e ele olhando atentamente para o lugar certo (e não checando o horário de verão, batendo um papo com repórter atrás do gol ou vendo um belo traseiro passar ali por perto) constata o que já sabíamos: pode ter 500 árbitros, o futebol continuará sendo bastante injusto enquanto a eletrônica não fizer parte dele.

A tecnologia custa caro? Paciência. Não é possível um esporte que movimente tanto dinheiro estar passível de erros como este. Erros, com ou sem intenção, que determinam jogos e títulos. O futebol é um esporte bastante subjetivo. Podemos ver muitas e muitas vezes o mesmo lance e, se para um será pênalti e expulsão, para outro será amarelo por simulação. Não falo da eletrônica para determinar faltas, cartões, etc. No entanto, bola dentro ou bola fora não tem subjetividade. É o mínimo. Dar o gol que foi. Não dar o gol que não foi.

Puxa, mas como fazer na várzea? Oras. Quando eu jogo tênis com algum amigo não tem olho do falcão para nos ajudar. No US Open, tem. É natural que o futebol possa ter esse investimento nos grandes estádios, nos grandes campeonatos, os que movimentam milhões. Em outros campos, não haverá. Paciência. Melhor termos a justiça em alguns jogos (os mais importantes) do que em nenhum.

Se o no Campeonato Inglês existe a tecnologia, se na Copa das Confederações ela estava “instalada” em nossos estádios… por que a CBF, cheia da grana, nadando no dinheiro que rende seu produto, a seleção brasileira, não faz o mínimo para melhorar a qualidade e credibilidade do esporte mais importante do país?

Não assisti ao Flamengo x Vasco de hoje. Mas qualquer análise ficará sempre em segundo plano diante do absurdo gol não dado para o Vasco. E o hiperduvidoso gol, que era o de empate, dado para o Flamengo.

Em São Paulo, Corinthians e Palmeiras fizeram um jogo, ainda bem, sem influência alguma da arbitragem.

O Corinthians foi melhor do que o Palmeiras. O primeiro tempo foi equilibrado, com ligeiro domínio do Palmeiras com a posse, enquanto o segundo foi todo do Corinthians – até os técnicos mexerem. Quando fez o gol, o time corintiano já deveria estar ganhando com sobras. Gostei da construção do meio de campo com Ralf atrás, Guilherme pela direita, Bruno Henrique pela esquerda e Jádson no topo do diamante. Sem a bola, Jádson se posicionava à esquerda, fechando a linha de quatro no meio.

Jádson foi bem na estreia. É um jogador raro de meio de campo e com mobilidade e vontade para fazer mais funções. Para mim, o São Paulo errou ao entregar seu projeto nos pés de Ganso, não de Jádson. O Corinthians vai se dar bem. Guilherme e Bruno Henrique (que, na Lusa, jogava muito melhor pela direita do que pela esquerda) são dois volantes como muito bom passe e distribuição de bola. Só que não finalizam bem.

Finalizar bem vem sendo o grande problema para o Corinthians, de Tite ou Mano. Alguns gols perdidos por Romarinho e Guerrero foram inaceitáveis, sem tirar os méritos do ótimo Fernando Prass. Os atacantes perdem chances e os volantes estão longe de ser um Paulinho na hora de matar jogadas. Talvez o Corinthians precise mesmo é de um Alan Kardec da vida. Eu disse o Corinthians, não a seleção, por favor.

Mano Menezes mexeu cedo demais para defender o placar no Pacaembu. É verdade que Jádson e Bruno Henrique sentiram o cansaço, mas as mudanças chamaram o Palmeiras para o empate. E Gilson Kleina foi bem ao perceber isso e fazer as mudanças contrárias, empurrando o time para frente. Quando a fase de um é ruim, a do outro, ótima, nunca é bom deixar as coisas nas mãos da sorte.