Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Cristiano Ronaldo

O papo de Neymar melhor do mundo era precipitado e evaporou-se
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O futebol é muito dinâmico, e as pessoas (aqui incluindo jornalistas, torcedores e apreciadores do esporte) costumam se precipitar bastante e “cravar” verdades absolutas após um ou dois jogos de futebol, no calor das emoções.

Depois de anos ouvindo que Neymar seria o melhor do mundo (talvez essa hora chegue, talvez não, não seria absurdo não chegar), muitos disseram que havia chegado o momento. Tal certeza devia-se aos extraordinários minutos finais de Neymar naquele 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG e aos bons jogos com a seleção brasileira.

Neymar foi, de fato, o jogador de futebol de melhor desempenho no mês de março. Daí a SER o melhor do mundo…

O fato é que em poucos dias evaporou-se qualquer chance de Neymar passar perto da Bola de Ouro 2017. Observe a sequência de fatos:

No sábado retrasado, o Barcelona perdeu por 2 a 0 para o Málaga e ficou em situação difícil na Liga espanhola. Neymar foi expulso por uma entrada infantil, desnecessária, quando o time corria atrás do empate. Ainda aplaudiu o quarto árbitro ironicamente e pegou três jogos de gancho, ficando fora do clássico de domingo contra o Real Madrid.

Dias depois da derrota em Málaga, o Barça perdeu por 3 a 0 para a Juventus, em Turim. No jogo de volta, ontem, só empatou sem gols no Camp Nou, sendo eliminado da principal competição interclubes do ano. No final do primeiro tempo, após uma falta de Pjanic em Messi, Neymar resolve tomar as dores do companheiro e dá uma espécie de voadora no juventino. Levou amarelo, que o deixaria fora da semifinal, caso o Barça se classificasse – mas não seria absurdo se o árbitro mostrasse vermelho direto.

Bom lembrar que, na partida épica contra o PSG, minutos depois de o Barcelona sofrer o gol que parecia ser o da eliminação (vencia por 3 a 1), Neymar deu um chute por trás em Marquinhos, sem bola. Recebeu amarelo que também poderia ter sido vermelho.

A atitude de Neymar melhorou ultimamente, parece ser um jogador mais maduro dentro e fora de campo.

Nas vitórias.

Antes, Neymar era mau vencedor e mau perdedor. Hoje, parece ter se transformado em um bom vencedor, diminuindo os lances de humilhação a adversários em campo, adotando um discurso sóbrio, etc.

Mas, nas derrotas, nos momentos de frustração, a atitude continua precisando melhorar. Poderia ter sido expulso contra o PSG, poderia ter sido expulso contra a Juventus, foi expulso contra o Málaga e, de quebra, ainda pegou um gancho que o deixará fora do último jogo gigante do Barcelona na temporada.

O choro copioso após a eliminação de quarta-feira significa o quê?

A impressão é que Neymar considerava que esse era seu momento. O ano dele. A hora de colocar uma Champions nas costas, tomar o protagonismo para si, resolver. Contra o PSG, ele parecia ser o único que verdadeiramente acreditava na virada e, assim sendo, acabou se transformando no símbolo daquela vitória.

Contra a Juventus, ele também parecia ser o único que acreditava. Excesso de fé ou falta de doses de realidade?

Neymar chorou pelo Barça ou por ele mesmo?

O choro não combinou tanto com o clima no Camp Nou. A torcida apoiou o time, todos ali já esperavam a eliminação. O Barcelona não vive um momento trágico, vive um momento de interrogações.

O choro realmente parece a frustração de quem deve estar ouvindo há tempos que esse seria o “seu ano”.

A temporada de Neymar foi ruim no início, chegou a ficar três meses sem fazer um gol sequer. Em janeiro, começou a virar, em março teve um pico, em abril foi mal. Taticamente, a evolução dele é nítida. Tanto na seleção quanto no Barcelona, está assumindo mais funções, dando assistências, tomando decisões melhores.

Em 2017, ano natural iniciado em janeiro, Neymar está em qualquer lista dos cinco melhores jogadores do planeta. Mas, se pensarmos na temporada como um todo, a temporada 2016/2017, será que ele figuraria entre os dez melhores?

Messi fez 45 gols em 45 jogos na temporada. Verdade, não foi o protagonista dos 6 a 1. Desperdiçou as chances que teve contra a Juventus. Ainda assim, não dá para comparar a temporada de Neymar com a de Messi. Suárez, com 24 gols, foi mais importante que Neymar até agora para o Barça ainda se manter vivo no Espanhol.

Lewandowski tem 39 gols em 41 jogos e será campeão alemão – sua importância para o Bayern ficou nítida após não jogar a ida e atuar baleado na volta contra o Real Madrid pela Champions.  Cavani fez 43 gols em 43 jogos do PSG. Griezmann, com 24 gols, é o grande nome do Atlético de Madri, novamente na semifinal europeia. Falcao, com 27 gols em 36 jogos, e o jovem Mbappé, de 18 anos, com 22 gols em 36 jogos, muitos deles no mata-mata da Champions, estão nas semis com o Monaco.

Hazard faz uma temporada brilhante pelo Chelsea, com quem será campeão inglês. Philippe Coutinho, no Liverpool, faz uma temporada melhor que a de Neymar. Dybala está a ponto de explodir e foi o homem mais decisivo da eliminatória que classificou a Juventus. Higuaín, com 23 gols em uma liga dura como a Italiana, não cansa de marcar. Aubameyang fez 26 gols para o Borussia Dortmund em 27 jogos na Bundesliga.

Opa, não estou esquecendo não. Deixei Cristiano Ronaldo para o fim. São 31 gols em 39 jogos na temporada, cinco deles marcados para cima de Neuer. Justamente quando Neymar caiu, Cristiano Ronaldo apareceu para lembrar todo mundo que a Bola de Ouro está lá na estante da casa dele.

E olha que nem estou falando dos defensores. Neymar faz uma temporada melhor que a de Sergio Ramos? Que a de Buffon? Que a de Kanté? Que a de Marcelo?

Pois é. Se analisarmos com olho clínico, sem emoções, esquecendo as patriotadas, possivelmente não colocaremos Neymar entre os dez jogadores de melhor desempenho na temporada. Em 2017, sim, na temporada inteira, não.

O que realmente incomoda é essa forçação de barra para colocar Neymar como o terceiro melhor do mundo isolado, pertinho de Messi e Cristiano Ronaldo, quase no nível deles, a ponto de ultrapassá-los. É uma grande ilusão.

Neymar é o melhor “do resto” para alguns. Não é para outros. Está longe de ser unanimidade. Atrás dos dois gênios, ele está ali num bolo que tem gente como Griezmann, Suárez, Lewandowski, Hazard.

A grande desvantagem em relação a essa turma é que parece que ser o melhor se torna uma obsessão de brasileiros. Antes seu “staff” falasse menos disso e mais sobre as regras disciplinares na Espanha, que não permitem aplausos irônicos a árbitros.

Outra má notícia é que os anos vão passando, Cristiano e Messi não largam o osso, não parecem perto de passar o bastão. Seguem em altíssimo nível. Quando eles caírem de verdade, quantos anos terá Neymar? Será que não é mais fácil vermos Gabriel Jesus ou Mbappé estarem ali prontos para pegar o bastão?

A grande vantagem de Neymar, por outro lado, é jogar em uma seleção azeitada e com chances para lá de reais de ser campeã do mundo em 2018. É com o Brasil, na Rússia, que Neymar tem sua chance mais realista de ser coroado melhor do mundo.

Mas isso só acontecerá se não for o objetivo. Sempre é bom lembrar. O futebol é um esporte coletivo, cada vez mais coletivo, em que o individual se destaca. E não o contrário.

Blogueiros do UOL: Com choro de Neymar, Juventus se classifica na Liga


Árbitro define classificação do Real Madrid sobre o Bayern
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Não dá para entender o que está acontecendo com a Uefa. Mas a atual vai se transformando na edição mais manchada da história da Liga dos Campeões da Europa.

Depois da absurda arbitragem que determinou a virada épica que classificou o Barcelona contra o PSG, depois de erros cruciais em Turim (gol mal anulado da Juventus na ida contra o mesmo Barça), em Dortmund (pênalti não marcado e gol em impedimento do Monaco na ida), e em Madri (pênalti mal marcado e outro claro não marcado para o Atlético no jogo de ida com o Leicester), o homem do apito voltou a ser decisivo. Voltou a ser definitivo.

O Real Madrid foi extremamente beneficiado pela arbitragem do húngaro Viktor Kassai para vencer o Bayern de Munique por 4 a 2, na prorrogação, e se classificar para as semifinais da Champions.

O árbitro expulsou absurdamente Vidal no fim do tempo regulamentar. Teve três oportunidades de expulsar Casemiro, que já estava amarelado e deveria ter visto o vermelho. E deu o gol de Cristiano Ronaldo que decretou o empate por 2 a 2, já na prorrogação, quando o português estava um metro em impedimento.

Não estamos falando de mimimi. Estamos falando de lances capitais, que determinam o placar final do jogo.

O Barcelona não teria chance de se classificar contra o PSG se não fosse a arbitragem. O Real Madrid poderia ter se classificado mesmo sem a arbitragem. Mas, com ela, a coisa foi definida.

O Bayern começou melhor o jogo e teve o domínio nos 20 primeiros minutos. Mas o Real Madrid melhorou e criou as melhores chances. Gols perdidos que lembraram as chances desperdiçadas em Munique.

Em Munique, é bom lembrar, o Bayern desperdiçou um pênalti mal marcado a seu favor. Mas, no segundo tempo, com 1 a 1, foi marcado um impedimento em lance que deixaria Thomas Müller de cara para o gol. Teve Javi Martínez corretamente expulso.

E, com um a mais, o Real venceu por 2 a 1, mas poderia ter vencido por mais. Como poderia ter feito algum gol no primeiro tempo no Bernabéu.

Mas o segundo tempo foi inteirinho do Bayern de Munique. Jogou melhor que o Real Madrid, fez Zidane realizar alterações precipitadas, calou o estádio e foi empurrando.

Com 0 a 0 no marcador, Vidal fez uma falta que poderia ter sido para segundo amarelo. Poderia. Eu não daria. Falta normal, de jogo, em que não se pode expulsar um jogo e comprometer a partida. Lance fora da área, sem perigo de gol e sem violência excessiva. Não acho um absurdo que se defenda um amarelo no lance, mas eu não daria.

Minuto seguinte, Casemiro derruba Robben na área. Lance em que foi marcado pênalti e Lewandowski fez 1 a 0. Uma jogada de gol, dentro da área e em que Casemiro poderia ter visto o segundo amarelo. Talvez com o lance de Vidal na cabeça, talvez sem convicção da falta, Kassai não expulsou o brasileiro.

Com 1 a 0, o Bayern tomou conta do jogo. Mas Cristiano Ronaldo, após ótimo cruzamento de Casemiro, empatou a partida. Ainda assim, o Bayern continuou em cima e fez 2 a 1 meio que sem querer, em um infeliz gol contra de Sergio Ramos. No lance, não há impedimento de Lewandowski, que estava na mesma linha da bola no passe de Müller. Passe que foi cortado por Nacho e colocado para dentro do gol por Ramos.

Com 2 a 1, o Bayern acreditou que poderia se classificar e o Real Madrid nitidamente sentiu a pressão. Em um lance de ataque de Robben, Casemiro fez outra falta para amarelo. Mas novamente deixou de ser expulso.

Pouco depois, Vidal deu um carrinho limpo, na bola, em lance que nem duvidoso foi. E acabou expulso por Kassai. Ali, o juiz praticamente determinava o destino do jogo. Justo quando o Bayern parecia perto de matar a partida, com um Real Madrid com medo em campo, o árbitro inverte a lógica da partida.

Mas ainda tinha mais. Na prorrogação, Casemiro simula um pênalti na cara do juiz e novamente deixa de receber o segundo amarelo. E logo depois Cristiano Ronaldo faz o 2 a 2 recebendo cruzamento em posição de muuuuito impedimento.

Com um a mais em campo, o placar e os espaços, o Real Madrid chegou ao 4 a 2.

Dois grandes jogos de futebol. E, novamente, atuação decisiva da arbitragem.

Assim como o Barcelona, o Real Madrid não pode falar de árbitros.


Cristiano Ronaldo faz o Bayern pagar pelos erros de Vidal e Ancelotti
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juliogomes

Não é a primeira nem a última vez que um jogador vai de herói a vilão em poucos minutos. Depois de um belo gol de cabeça, Vidal perdeu um pênalti no primeiro tempo. Chutou na lua, no último minuto, o que seria o 2 a 0 para o Bayern de Munique contra o Real Madrid. Obrigaria o Real a sair e deixar espaços no segundo tempo. Resultado final: virada, 2 a 1 para o Real Madrid. E foi pouco.

O favoritismo do Bayern foi pelos ares a partir do momento em que Vidal perde o pênalti, Javi Martínez é expulso e Carlo Ancelotti toma várias decisões erradas em sequência no segundo tempo. Cristiano Ronaldo fez o técnico italiano pagar por todas elas. E Neuer evitou que o prejuízo fosse ainda maior.

A lesão de Lewandowski foi mais sentida do que o mais pessimista torcedor do Bayern poderia imaginar. O polonês é o cobrador oficial de pênalti, e Vidal nunca teria tido a chance de chutar o segundo gol lá em Santiago. E, o principal, o Bayern não teria em campo por 80 minutos um Thomas Müller irreconhecível.

Müller errou simplesmente tudo. Nenhuma bola parou em seus pés. Não fez pivô, não ajudou o time, não ameaçou a defesa, não finalizou. Foi um peso morto no ataque do Bayern, dando sequência à temporada horrorosa que faz. Fica até difícil imaginar se Müller teria feito o gol cara a cara com Navas, com 1 a 1 no placar e um impedimento mal marcado, que prejudicou o Bayern no segundo tempo.

Mal marcado também havia sido o pênalti desperdiçado por Vidal, diga-se. Somados erros graves nos jogos de Dortmund e Madri, entre Atlético e Leicester, tivemos uma quarta-feira inacreditável da arbitragem europeia. Mais uma.

Mas, voltando ao jogo e Müller. Aí entra o primeiro grande erro de Ancelotti, uma insistência inexplicável. Por mais que não tivesse outro centroavante de ofício no banco, o italiano poderia e deveria ter pensado em outra opção e sacado Müller logo no intervalo. Demorou 35 minutos para fazê-lo. Guardiola, creio, nem mesmo teria escalado Müller, dada a fase horrorosa do alemão.

Com o gol de Cristiano Ronaldo logo no início do segundo tempo, o Bayern adiantou suas linhas. E até jogava bem, mas Javi Martínez precisou matar um contra ataque e foi corretamente expulso.

A partir daí, outro grande erro de Ancelotti. Tirou de campo Xabi Alonso, um dos xerifes do time e que seguraria tranquilamente as pontas ali na zaga. Mexeu em duas posições, pois trouxe Alaba para a zaga e colocou Bernat na lateral. Ainda tirou Ribery para colocar Douglas Costa, o que tampouco teve efeito.

O jogo se transformou em ataque contra defesa. O Real Madrid viu aberta a possibilidade de matar a eliminatória, e aí Neuer passou a fazer seguidos milagres. Teria sido uma das melhores atuações de um goleiro na história da Champions League, não fosse o segundo gol do Real, uma bola defensável que passou entre as pernas do goleiro. Cortesia de Cristiano Ronaldo.

Não se enganem. Até que se prove o contrário, o melhor do mundo é um só. São 100 gols em competições europeias. Tenho pena de quem acha que Cristiano Ronaldo não passe de um jogador “bem dotado fisicamente”.

Neuer, com seus milagres, fez com que os erros de Vidal e Ancelotti não terminassem em eliminatória já decidida.

É claro que a vaga fica nas mãos do Real Madrid. Em dez duelos de mata-mata entre os dois gigantes, três vezes o time da casa não venceu o jogo de ida. Nas três, acabou eliminado. O Bayern vai precisar quebrar um tabu para passar.

São dois times ótimos, camisas pesadas, qualquer erro grave do Real Madrid pode trazer o Bayern de volta para a eliminatória. A virada, sem dúvida, passa por Lewandowski. Sem ele, o Bayern tem poucas chances.

Juventus, Real Madrid, Monaco e Atlético de Madri estão com um pé nas semifinais.


Cinco razões pelas quais o Bayern é favorito a vencer o Real Madrid
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juliogomes

Bayern de Munique e Real Madrid fazem o maior clássico da Europa. É isso mesmo que você leu. Não há jogo maior no mundo envolvendo times de países diferentes. Muito se deve ao fato de ambos serem os maiores campeões de seus países e dois dos maiores do continente. Mas o grande fator que faz esse jogo tão grande é o fato de terem se enfrentado tantas vezes em horas tão importantes.

Bayern e Real farão nesta quarta o 23o jogo entre eles – um recorde entre clubes em competições europeias. Até hoje, foram dez duelos de mata-mata, com cinco classificações para cada um. Só falta mesmo uma grande final, que nunca ocorreu (foram seis semifinais).

Junto com o Barcelona, os dois têm dominado o futebol europeu recentemente. São os três times apontados como favoritos desde o início da Liga dos Campeões. No entanto, este blog considera o Bayern bastante favorito para o jogo contra o Real, e o time alemão tem a chance de deixar a eliminatória encaminhada. Aqui estão as cinco razões.

1- Técnico

É o típico confronto entre mestre e pupilo, com a diferença que o aprendiz não parece nem um pouco perto de superar o professor. Zidane foi auxiliar de Ancelotti quando o italiano passou pelo Real Madrid. O próprio Zidane credita muito de seu estilo como técnico ao que aprendeu neste período.

Por mais que tenha conquistado a Champions League no ano passado, no entanto, Zidane ainda tem muito para provar. Seu time joga o arroz com feijão e é ultradependente das bolas aéreas. Com o que tem em mãos, poderia fazer muito mais. Sem dúvidas, Zidane fala a linguagem da boleirada, entende o Real Madrid, o torcedor, as necessidades. São fatores que não tiro da lista de méritos dele. Por outro lado, é nítida a dificuldade para ler partidas durante os 90 minutos e fazer alterações que melhorem o time. É quase sempre o seis por meia dúzia, tudo muito previsível.

Já Ancelotti, um mestre da arte, conhece o elenco do Real Madrid de trás para frente e sabe como explorar os pontos fracos. Tampouco se notabilizou na carreira pela criatividade, mas é bastante mais refinado que Zidane na leitura de jogo.

2- História

O passado pode não servir para garantir o futuro, mas certamente nos indica tendências. E, nos confrontos entre Bayern e Real, historicamente quem joga em casa se dá bem. O Bayern recebeu o rival espanhol 11 vezes em Munique: ganhou nove, empatou uma e perdeu só uma, a última, aqueles 4 a 0 de 2014 que levaram o Real à decisão. É bom lembrar que aquele era um jogo de volta – após o Real vencer na ida – e que Guardiola escancarou o Bayern para os contra ataques madridistas.

Das cinco vezes em que o jogo de ida de um mata-mata entre eles ocorreu em Munique, o Bayern venceu quatro.

O Real Madrid é um clube que se considera o maior do mundo. Os torcedores dizem não ter medo de nada nem ninguém, o clube já se mostrou capaz de tudo – e acreditar nisso certamente ajuda. Mas é inegável que o Bayern é o clube mais temido pelo Real, talvez o único. Não à toa, há faixas, camisetas e cachecóis em Munique com os dizeres “La bestia negra”. Eles adoram o apelido dado pelos próprios madrilenhos.

3- Defesa desfalcada

O Real Madrid já não tinha Varane e perdeu Pepe para o jogo e para a temporada, com duas costelas quebradas. Nacho atuará na zaga ao lado do Sergio Ramos, uma considerável queda de qualidade. Nacho entrou no dérbi, sábado, e logo teve posicionamento falho que permitiu a Griezmann empatar o jogo para o Atlético de Madri.

Na imprensa de Madri, Nacho é muito elogiado. Natural, é o único jogador do elenco que subiu da base para o time principal sem passar por outros clubes – a prata da casa é sempre valorizada e precisa ter a confiança do torcedor. Pelas muitas lesões dos outros, foi titular em 25 dos 47 jogos. Não é um completo novato, mas não tem a bagagem de um Pepe. Além do mais, Sergio Ramos jogará a ida pendurado, o que limita muito sua atuação em Munique. É um Real sem reservas para a zaga, no limite da improvisação.

4- BBC? Ou RLR?

Eu ODEIO essa sopa de letrinhas que inventaram na Espanha. BBC, MSN, PQP. Seria ridículo apelidar o ataque do Bayern de RLR, não é mesmo? O que não é ridículo é o futebol que estão mostrando Robben, Lewandowski e Ribèry.

Robben e Ribèry juntos e saudáveis, uma raridade. O Bayern sofreu demais sem os dois em boa forma na hora H das últimas três temporadas. Agora, não só estão bem como têm entre eles o que talvez seja o melhor camisa 9 do mundo hoje: Lewandowski. Até gol de falta ele anda fazendo, um atacante completo e que já destruiu o Real Madrid quando jogava no Dortmund.

A fase do ataque é tão boa (39 gols nos últimos 11 jogos) que mal nos lembramos que o Bayern tem um certo Thomas Mueller no elenco – em má temporada, é verdade, mas um jogador que já mostrou muito valor em partidas enormes.

Atualização: Algumas horas antes do jogo, o Diário Marca noticia que Lewandovski não jogará, por problemas no ombro. Mueller em seu lugar. Sensível baixa técnica para o ataque do Bayern, mas um substituto de peso.

O contraponto é o trio do Real Madrid. Cristiano Ronaldo não consegue fazer a mesma temporada de outros anos, e Bale não entrou nos eixos após a lesão que lhe deixou três meses sem jogar. Tanto não funciona como em outros anos que o principal “atacante” do Real Madrid, nos momentos mais agudos, foi Sergio Ramos. Morata pede passagem ou até mesmo uma formação diferente, mas Zidane insiste com o BBC.

5- Jogo coletivo

O Real tem problemas defensivos (só deixou de sofrer gols em 3 dos últimos 21 jogos) e de construção. É nítido que o time sofre demais quando Kroos e Modric são bem marcados. A bola não chega no trio de ataque e, por isso, o Real tem dependido tanto da bola parada para ganhar jogos. Sim, são 52 jogos seguidos fazendo gols, um mérito inegável. Mas quantos deles tiveram a ver com o “jogo jogado”?

Na temporada, o Real Madrid fez 132 gols e levou 56 em 47 partidas. O Bayern fez 109 gols e levou 24 em 41 jogos. Tem números ofensivos parecidos, mas sofre muito menos gols.

É um jogo coletivo mais fluido, com um meio de campo formado por jogadores capazes de tudo: destruir, cobrir laterais, construir com passes curtos ou longos, chegar à frente e marcar gols. Xabi Alonso, Vidal e Thiago são completos e vivem grande momento de forma.

O alicerce de qualquer time é o meio de campo. O do Bayern está melhor conectado com as linhas de trás e de frente do que o (também ótimo) meio de campo do Real Madrid.

 


O segredo de Zidane para levar o Real da humilhação ao Mundial em um ano
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juliogomes

Com a vitória dramática na prorrogação por 4 a 2 sobre o Kashima Antlers, neste domingo, no Japão, o Real Madrid tornou-se o primeiro a conquistar cinco títulos mundiais. Nada estranho para o clube mais vitorioso da história. Ainda assim, incrível imaginar, 13 meses atrás, que tudo isso aconteceria.

Em novembro do ano passado, o Real Madrid levava 4 a 0 do Barcelona em pleno Santiago Bernabéu, mais uma humilhação em casa para o maior rival. Poucos meses após a inexplicável demissão de Carlo Ancelotti e a contestada contratação de Rafael Benítez, o técnico já balançava. Caiu 45 dias depois, com o time em terceiro lugar no campeonato.

Zinedine Zidane assumiu em 4 de janeiro. Em menos de um ano, levou o Real Madrid ao título da Champions League, o Mundial da Fifa e estabeleceu a maior sequência sem derrotas da história do clube – já são 37 jogos sem perder, somadas todas as competições.

É preciso bater palmas de pé para o Kashima Antlers, que foi melhor do que o Real Madrid durante todo o jogo e não se limitou a uma retranca, como vêm fazendo os times sul-americanos de uns 15 anos para cá. O Real foi beneficiado pelo árbitro, que afinou quando ia expulsar Sergio Ramos no segundo tempo. Levou sufoco nos minutos finais do jogo e levou bola no travessão na prorrogação. Mas aí Cristiano Ronaldo decidiu – apesar dos três gols dele, foi Benzema o melhor em campo. O mesmo Benzema que muitos na imprensa de Madri queriam ver no banco – preferem o “local” Morata.

2016 foi o ano em que o futebol ficou de pernas para o ar. Teve Leicester, Portugal, Palmeiras e Grêmio quebrando longos jejuns por aqui, seleção olímpica. Só não teve zebra mesmo para os lados do Real Madrid. Nos pênaltis, na Champions, e na prorrogação, no Mundial, o clube mais vencedor de todos os tempos fez valer a máxima do “no fim, o grande sempre ganha”. A sorte não para de sorrir para Zinedine Zidane. Mas a sorte também precisa ser merecida, não cai no colo de qualquer um.

Zidane não tinha experiência alguma como técnico. Foi alçado à condição em janeiro muito mais como um recurso de defesa do presidente Florentino Pérez, como contei neste mesmo blog à época. Vaiado pelas arquibancadas, Pérez se blindou chamando um dos maiores ídolos do clube, que, quando jogador, era a encarnação do jeito de ser madridista em campo.

Poderia ter dado muito errado. Poderia ter jogado um ídolo na fogueira. Deu certo. Muito certo. A lenda só aumenta.

Costumo dizer que não há um modelo ideal de técnico de futebol, que sirva para qualquer situação. Há diferentes situações, que exigem mais ou menos do cardápio de qualidades e virtudes de treinadores. Às vezes, o melhor que um técnico pode aportar a um clube é sua capacidade de entender e atacar o mercado. Às vezes, conhecimentos tático, técnico e físico. Muitas vezes, a capacidade de motivar jogadores.

No caso dos gigantes clubes europeus, com elencos estrelares, e especificamente no caso do Real Madrid, creio que a principal virtude de um técnico é saber fazer os jogadores estarem felizes e comprometidos. São craques em todas as posições, gente de países diferentes, culturas diferentes. Não é necessário inventar rodas taticamente. O Real Madrid passará a temporada inteira ganhando jogos antes até de entrar em campo.

Não estou aqui falando que qualquer um pode ser técnico lá e que não é preciso conhecer tática, métodos de treinamento, etc. Estou falando que o que Zidane trouxe, como técnico, é o mais importante que um técnico pode trazer a um clube com essas características.

O francês trouxe calma ao ambiente, diálogo. Trouxe simplicidade, não complicações. Ele foi jogador até outro dia, sabe o que os caras querem e precisam. Sabe a linguagem necessária para motivar e formar um grupo unido e coeso. Sabe como dar bronca, como valorizar, como massagear egos – e em vários idiomas.

A característica de Zidane no comando não é a de “paizão”, como gostam de atuar os treinadores brasileiros de uma ou duas gerações atrás. Estrelas do futebol mundial não querem um paizão e nem treinadores que deem pitis na beira do campo ou mandem recadinhos em entrevistas coletivas. Zidane é um colega, um cara que entende o que eles sentem e passam, porque também era uma superestrela.

Empatia é a palavra chave aqui.

Quando um gênio, com toda essa história na bagagem e um jeito calmo e comedido de falar resolve te chamar para uma conversa…. você ouve!

E aí, claro, entra a parte tática – que o cara não precisa resolver sozinho, pois há uma equipe de trabalho.

Nos melhores anos de Zidane no Real Madrid, que desembocaram no título da Champions de 2002, havia uma carregador de piano que limpava a barra para todo mundo. Chamava-se Claude Makélélé. No fim da temporada 2003, Florentino Pérez não só dispensou Vicente del Bosque, amado pelos jogadores, como não valorizou Makélélé, que se mandou para o Chelsea.

Zidane sabe bem que ali foi o começo do fim da era “galáctica”. Um craque sabe muito bem valorizar quem faz o trabalho sujo para ele.

Quase dois meses após a estreia como técnico, em fevereiro, Zidane perdeu no Bernabéu o dérbi para o Atlético de Madri. E, a partir daquele jogo, Casemiro virou titular do time. As características são diferentes, mas ele encontrou ali o seu Makélélé. Um jogador para trazer equilíbrio a um time cheio de gente capaz de desequilibrar na frente.

Isso já estava nos planos de Benítez. E Ancelotti já fazia isso com Xabi Alonso em 2014. Não foi uma genialidade de Zidane, mas ele foi humilde para realizar o ajuste após o mau início.

Três meses após a estreia, veio a vitória sobre o Barcelona, no Camp Nou – eram 39 jogos de invencibilidade dos catalães, recorde histórico do futebol espanhol que está com pinta de cair em breve. Logo depois, a derrota por 2 a 0 para o Wolfsburg nas quartas de final da Champions – seria a última de Zidane, em 6 de abril. Desde então, nove meses sem derrotas. Os 3 a 0 para cima dos alemães logo depois e a classificação no jogo de volta acabaram por consolidar Zidane no cargo. Viria, então, a “undécima” e, agora, o “Mundialito”, como eles chamam lá.

Zidane fez o arroz com feijão tático. Com Casemiro, a defesa fica mais segura, o jogo aéreo ganha força, Modric e Kroos ganham liberdade, a ligação fica mais fluida com o trio de ataque. E fez o arroz com feijão também no vestiário, trazendo as estrelas de volta a um ambiente de comprometimento com a instituição.

O Real Madrid de Zidane sofre muitas vezes, como sofreu contra o Kashima Antlers. Precisou da sorte em muitos momentos, precisou de pênaltis para ganhar a Champions, encontrou gols milagrosos em minutos derradeiros. Zidane ainda parece ter um longo caminho tático a percorrer. Na decisão do Mundial, por exemplo, quando se viu 1-2 abaixo, adiantou o posicionamento de Marcelo – nada mais ousado foi feito para buscar o resultado. Mas, para variar, ele veio.

Quando eu morava em Madri, no fim de cada ano minha esposa recebia da empresa em que trabalhava uma peça de jamón ibérico. O tal “pata negra”, o melhor presunto cru do mundo, uma coisa espetacular. Íamos ao mercado municipal, entregávamos o jamón e ele voltava fatiado e embalado a vácuo. Dava para o ano inteiro. Mas a cereja do bolo era um saquinho que o cara do mercado me entregava com os ossos.

Um dia, inventei de, ao cozinhar uma feijoada, colocar alguns dos ossos durante o cozimento. Eu apelidei de “feijoada ibérica”. Era, sem dúvida, a melhor coisa que eu fazia na cozinha. Um desbunde.

Fazer arroz com feijão não é difícil. E quando você tem nas mãos ingredientes espetaculares, até um básico arroz com feijão, se bem conduzido, torna-se um prato para lá de maravilhoso.

2016 foi um ano triste para muita gente. Um ano horroroso em muitos aspectos. Para o torcedor do Real Madrid, porém, foi só de alegrias. O Real de Zidane não brilha como poderia, mas vence como deveria.

 


Clássico com Barça tão atrás do Real? É preciso voltar 12 anos no tempo
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juliogomes

Para o Barcelona, o clássico deste sábado contra o Real Madrid é uma espécie de final antecipada na Liga espanhola. Ou ganha o jogo ou o título começa a virar missão quase impossível.

Sim, todo clássico Barça-Madrid é encarado como uma final. Sim, ainda estamos em dezembro. Mas o fato é que os seis pontos que o Real tem de vantagem na tabela geram este ambiente de “ou ganha ou adiós, Barça”. E um cenário como este é raridade no superclássico, pelo menos desde 2004, início dos melhores anos da história do clube catalão.

Com 13 rodadas no Campeonato Espanhol, o Real Madrid soma 33 pontos, contra 27 de Barça e Sevilla, 24 do Atlético de Madri. Se vencer no Camp Nou, abrirá nove pontos para o maior rival e é importante lembrar que  jogará, logicamente, a partida do segundo turno em Madri. Nem o empate serve para o Barça. É vencer ou vencer para acalmar as coisas e se recolocar na briga pelo campeonato.

É preciso voltar 12 anos no tempo para encontrarmos um Barcelona em situação (delicada) parecida antes de um clássico.

Em abril de 2004, no fim do primeiro ano da “era Ronaldinho”, o Barça ganhou no Santiago Bernabéu por 2 a 1, com um gol de Xavi no finalzinho. Faltavam cinco rodadas para o fim do campeonato, e o Barça estava sete pontos atrás dos líderes Real e Valencia. Se não vencesse, estaria fora da briga pelo título. Venceu e cortou para quatro a desvantagem na tabela. O Barça acabaria passando o Real nas rodadas finais, mas o título ficaria com o Valencia.

De todas as maneiras, o Barça fizera um primeiro turno tenebroso naquele campeonato e ficar sem a conquista não havia sido exatamente um fracasso. Não era um Barça “contra a parede”, como neste sábado. Era um time em construção, que seria bicampeão nos anos seguintes e voltaria a brilhar na Europa.

Desde aquele jogo, em 2004, foram realizados 24 superclássicos válidos pela Liga espanhola. Em 16 ocasiões (dois terços dos jogos), o Barça chegou à partida com mais pontos no campeonato do que o Real Madrid.

A maior vantagem que o Real detinha nestes anos todos era a de 2008. Já campeão, o Real tinha 14 pontos de diferença – o jogo (que acabou 4 a 1 para o time de Madri) não tinha importância para o campeonato e ficou marcado pelo “pasillo”, o corredor feito pelos jogadores do Barça para aplaudir o time campeão nacional, uma tradição na Espanha. Portanto, não era um Barça pressionado pela vitória, era um Barça já derrotado e humilhado no campeonato. Humilhação que gerou a aposta em um certo Guardiola e a dispensa de Ronaldinho. Começava de vez a “era Messi”.

Em outras duas ocasiões nestes anos todos, o Barça chegou ao clássico contra a parede. Mas a desvantagem era de quatro pontos, não de seis, como ocorre no momento.

Em março de 2014, o Barça chegou ao Bernabéu quatro pontos atrás e venceu por 4 a 3, mantendo-se na briga. O técnico era o argentino Tata Martino. Depois daquela rodada, o Barça foi a 69 pontos, um a menos que Real e Atlético – que acabaria sendo campeão naquela temporada.

Já dois anos antes, em abril de 2012, o Barça recebeu o rival no Camp Nou precisando ganhar, com quatro pontos a menos e cinco rodadas para o fim. Perdeu por 2 a 1, no jogo em que Cristiano Ronaldo marcou e pediu “calma” para o estádio, em um gesto no estilo “baixem a bolinha”. O Real abriu sete pontos e ganhou, logo depois, seu único título da Liga com Mourinho. Por sinal, o único título nacional do gigante de Madri em oito temporadas.

O fato é que desde a era Ronaldinho, passando depois por Messi-Xavi-Iniesta, Guardiola e, agora, com o trio Messi-Suárez-Neymar, o Barcelona muito mais ganhou do que perdeu contra o Real Madrid.

Desde 2004, foram muitos clássicos com o Real contra a parede. Poucos, como já vimos, com o Barça desesperado pelo resultado. Ainda mais tão cedo na temporada.

Nos últimos dez jogos no Camp Nou pelo Campeonato Espanhol, incluindo a temporada passada, o Barça ganhou cinco, empatou dois e perdeu três. Um desempenho ruim, o estádio não tem sido mais uma fortaleza. Somando todas as competições na atual temporada, são apenas duas vitórias nos últimos seis jogos, uma minicrise.

Pelo menos volta ao time Iniesta e o sistema defensivo se recompõe com Piqué, Umtiti e Alba.

Já o Real Madrid joga sem Casemiro, Kroos e Bale, desfalques importantes para o time de Zidane. Apesar de tantas baixas desde o início da temporada, o clube branco ganhou 10 de seus últimos 11 jogos, marcando 43 gols (quase 4 por jogo) no período. A sangria defensiva foi estancada, com três gols sofridos nos últimos cinco jogos. Casemiro, após dois meses, voltou no meio de semana pela Copa do Rei e pode até ser uma novidade neste sábado.

Em sites que orientam apostadores e analisam as probabilidades dos esportes mundo afora, como o Oddshark, o Barcelona é considerado favorito (1,85 para 1). O Real Madrid (4 para 1), no entanto, está invicto na Liga e tem jogado melhor no campeonato local do que na Champions. Façam suas apostas.

Curiosidades do superclássico:

– Último empate pela Liga foi em 7/10/12. Desde então, quatro vitórias do Barça e três do Real.

– Nos últimos 10 anos de campeonato (20 jogos), foram apenas três empates. Somando todas as competições, foram 8 empates em 38 jogos (período de 13 anos). Empatam pouco!

– Também nestes últimos 13 anos, neste mesmo período, o mandante ganhou 14 clássicos, o visitante ganhou outros 14. Fator casa??

– Nos últimos 20 jogos entre eles, só um destes jogos teve um dos times sem marcar gols. O último 0 a 0 foi em novembro de 2002, há 14 anos. Zidane ainda jogava.

 

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“Noventa minutos no Bernabéu são muito longos”
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juliogomes

Uma falta bobinha, bobinha de Elias em Cristiano Ronaldo nos minutos finais do jogo. Bola no ângulo. Caixa. E o melhor jogador do mundo em 2016 salva o Real Madrid do que seria a maior zebra dos últimos anos na Liga dos Campeões da Europa.

Como o Bernabéu é o palco das viradas históricas, sempre foi e sempre será, Morata, aos 49, de cabeça, ainda virou o jogo.

O Real não perde um jogo de fase de grupos de Champions em casa desde 2009 (contra o Milan, então forte). Nunca perdeu para um time português em casa. Os tabus continuam vivos com o 2 a 1 dramático – e injusto, até – sobre o Sporting.

Mas, muito mais importante do que isso, foi arrumar uma virada que não deixa o Real Madrid contra a parede – o que seria surreal para o atual detentor do título.

No outro jogo do grupo, o Borussia Dortmund venceu o Legia Varsóvia por 6 a 0. Na próxima rodada, o Borussia recebe o Real, o Sporting recebe o Legia. Poderia se desenhar um cenário com portugueses e alemães com seis pontos, o Real com nenhum. Mas não é o caso, graças à genialidade de Cristiano, desamarrando um jogo para lá de amarrado.

Foi um péssimo jogo do Real Madrid. Apático, com um certo desdém pelo adversário, sem movimentação. O Sporting, por outro lado, fez o jogo para lá de correto, um time muito firme desde a chegada de Jorge Jesus ao comando técnico. Com três campeões da Euro entre os titulares, envolveu o Real em alguns momentos, abriu o placar no começo do segundo tempo e chegou a flertar com o segundo gol.

Zidane fez substituições até certo ponto óbvias, mas que deram certo. Entraram Morata, que se não é pelo menos está muito melhor que Benzema, Vázquez e James Rodrígues. Nos últimos 20 minutos, o Sporting recuou demais e o Real Madrid, afinal, acordou. Quando acordou, virou.

É cruel ver um clube como o Sporting, que sofre tanto domesticamente, ter o doce tirado da boca desse jeito. Nem xingar Cristiano Ronaldo o torcedor verde pôde, o cara nem comemorou o golaço de falta que fez, em respeito ao clube que o revelou. Mas o que aconteceu com o Sporting já aconteceu dezenas e dezenas de vezes, com clubes grandes, pequenos, espanhóis ou estrangeiros.

30 anos atrás, Juanito, um jogador histórico do Real Madrid, disse a um rival da Internazionale após derrota de 2 a 0 em um jogo de ida, em Milão, pela Copa dos Campeões. “Noventa minutos no Bernabéu são muito longos”. Na volta, o Real venceu por 3 a 0. E esses minutos continuam longuíssimos para quem se atreve a incomodar o maior campeão da Europa.

Resto da rodada

Em jogo adiado de ontem, o Manchester City meteu 4 a 0 no Borussia Moenchengladbach, que é um bom time. Foram três gols de Aguero, e o time de Guardiola segue voando no início de temporada.

A Juventus, uma das candidatas a tentar quebrar o domínio de Real, Barça e Bayern na Champions, fez um jogo ruim em casa contra o Sevilla. Foi um 0 a 0 chato, amarrado, com poucas ocasiões de gol. Não gostei da escalação da Juve, muito conservadora. Higuaín acertou uma bola no travessão, mas o empate sem gols retratou bem o que foi o jogo.

O Leicester, campeão inglês, ganhou por 3 a 0 do Brugge na Bélgica. E ainda viu o Porto decepcionar e empatar em casa com o Copenhague. Olha o Leicester aí!

No grupo E, um desses equilibrados e imprevisíveis, o Bayer Leverkusen bobeou em casa e empatou por 2 a 2 com CSKA Moscou. E o Tottenham perdeu em casa por 2 a 1 para o Monaco.

Daqui a duas semanas, temos Atlético de Madri x Bayern de Munique, repetição da semifinal da última temporada. E Borussia x Real Madrid, repeteco da semi de 2013, quando o time de Dortmund passou o carro sobre o maior campeão europeu. Dois jogaços envolvendo espanhóis e alemães.


Portugal e França, finalistas da Euro, têm péssimo início rumo à Copa
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juliogomes

Os jogos da terça-feira encerraram a primeira rodada das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Das chamadas “potências”, Portugal e França, curiosamente as finalistas da última Euro, foram as que tiveram resultados preocupantes.

Não subestimemos o fato de ser apenas a primeira rodada. São 13 vagas para o Mundial, só passam de forma direta os vencedores dos nove grupos. Os segundos colocados terão de rebolar em uma repescagem com mata-mata no fim do ano que vem.

Portugal perdeu para a Suíça por 2 a 0, na Basileia. Este era um tropeço previsível até, como eu apontava no post do último domingo, fazendo uma análise geral das eliminatórias europeias.

Previsível, mas preocupante. É um grupo sem adversários capazes de desafiar suíços ou portugueses, e a vitória em casa é fundamental para deixar a Suíça em vantagem na busca pela vaga direta para a Copa.

Sem Cristiano Ronaldo, Portugal fez ótimos 20 minutos no primeiro tempo. Dominou completamente o jogo e parecia jogar em casa, até porque era forte a presença dos torcedores lusos nas arquibancadas – a Suíça é dos países europeus que mais recebeu imigrantes portugueses ao longo das últimas décadas. Apertou, teve chances e parecia carregar o momento após o título sonhado da Eurocopa, em junho.

Mas aí um erro besta de saída de bola, primeiro em um passe errado de Raphael Guerreiro, depois um de Nani, acabou em falta perigosa para a Suíça. No rebote da bola parada, saiu o primeiro gol, de Embolo. Portugal entrou em pane e levou o segundo gol logo depois, contra ataque e belo chute colocado de Mehmedi. Apesar de ter dominado o segundo tempo, faltou “punch” a Portugal, faltou Cristiano Ronaldo. O bom sistema defensivo suíço segurou as pontas sem muitos sustos.

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Não foi um mau jogo de Portugal. Mas o resultado é péssimo, muito pior do que o futebol apresentando pelo time de Fernando Santos. O futebol é mesmo muito dinâmico. Em um dia, campeão pela primeira vez. No outro, contra a parede para ir ao Mundial.

Menos mal para Portugal que a Hungria, que talvez pudesse entrar nessa briga no grupo, ficou no 0 a 0 contra Ilhas Faroe. É mesmo um grupo de dois, que continua em outubro. Portugal recebe Andorra e vai às Ilhas Faroe com a obrigação de conseguir duas goleadas. E torce para a Suíça tropeçar contra Hungria, fora de casa, no único jogo complicado para os suíços nesse grupo.

Nas eliminatórias para a Euro-2016, Portugal começou perdendo em casa da Albânia e jogou o resto das partidas contra a parede. Sim, ganhou as sete. Mas duas delas, contra a Dinamarca e a própria Albânia, com gols nos acréscimos. Foi muito mais dramático do que a tabela indica.

O próximo confronto direto entre Portugal e Suíça só acontecerá na última rodada das eliminatórias, em 10 de outubro de 2017, e caberá aos campeões europeus chegar a este jogo dependendo de uma vitória simples para fugir da repescagem. Para isso, não há mais margem para erro.

Tropeço francês

A vice-campeã europeia empatou um desses jogos que não pode empatar. 0 a 0 com Belarus, fora de casa. Nos outros jogos do grupo A, empate por 1 a 1 entre Suécia e Holanda e vitória de 4 a 3 da Bulgária sobre Luxemburgo.

Este é um dos grupos complicados das eliminatórias. A Suécia, sem Ibrahimovic e com um time bem “medião”, não deveria ameaçar França ou Holanda, que disputariam vaga direta. Mas é bom lembrar que a Holanda ficou fora da última Euro, acabando a eliminatória atrás de República Tcheca, Islândia e Turquia. O equilíbrio é total.

A Holanda é uma seleção renovada e com Danny Blind, um técnico sem currículo extenso, no comando. Para a Laranja, a rodada foi ótima. Empatou na Suécia e viu a França tropeçar. No dia 10 de outubro, as duas forças do grupo se enfrentam em Amsterdã. Se a Holanda ganhar, e considerando que a Suécia deve passar pela Bulgária, a França pode ficar precocemente (e surpreendentemente) contra as cordas nas eliminatórias.

Outras forças

No grupo H, o outro com jogos nesta terça-feira, a Bélgica fez sua parte e meteu 3 a 0 no Chipre, fora de casa, dois gols de Lukaku e um de Carrasco. Encontrar intensidade e competitividade é a grande chave para a tal geração belga alçar voos mais altos. Jogadores não faltam. O grupo teve também Bósnia-Herzegovina 5 x 0 Estônia e Gibraltar 1 x 4 Grécia. Não dá para imaginar que bósnios ou gregos ameacem a vaga direta da Bélgica na Copa.

Nos dias anteriores, os favoritos fizeram sua parte.

No grupo C, domingo, a Alemanha começou fazendo 3 a 0 na Noruega e mostrando força. No grupo F, a Inglaterra fez 1 a 0 na Eslováquia no finalzinho. Falei aqui sobre estes dois jogos.

Na segunda-feira, a Itália sofreu, mas, mesmo com um a menos, ganhou de Israel por 3 a 1 fora de casa. E a Espanha passou, com 8 a 0 sobre Liechtenstein. O clássico entre Itália e Espanha, em Turim, no dia 6 de outubro, é o grande jogo da próxima rodada das eliminatórias europeias.

À parte a derrota de Portugal e o tropeço francês, outros favoritos que deixaram a desejar na rodada: a Croácia, favorita no grupo I, que empatou por 1 a 1 em casa com a Turquia; e a Polônia, favorita no grupo E, que ficou no 2 a 2 no Cazaquistão. Já País de Gales, com direito a gol de Bale (para variar), fez 4 a 0 em Moldova, lidera o grupo D e sonha em voltar a uma Copa após 60 anos. A chance é boa.

 

Clique aqui para ver a página do UOL Esporte com todos os resultados e tabela completa das eliminatórias europeias.

Segunda e terceira rodadas de todos os grupos serão disputadas entre 6 e 11 de outubro. Destaques para Itália x Espanha (6/10), Bélgica x Bósnia (7/10), Holanda x França (10/10), Alemanha x República Tcheca (8/10), Áustria x Gales (6/10), Polônia x Dinamarca (8/10) – são os jogos com mais implicações em termos de classificação – e Kosovo x Croácia (6/10), o primeiro jogo de Kosovo em casa em competições oficiais (a partida será na Albânia).


PORTUGAL. Porque coragem e espírito coletivo mandam no futebol e na vida
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juliogomes

Peço desculpas de antemão por algumas licenças que, creio, são merecidas. Escrevo a chorar.

Sou neto de português. Torço pela Portuguesa. Amo tudo de Portugal. Sinto-me vitorioso, sinto-me campeão. Tanto quanto meus amigos Chico Caldeira e João Espalha, que me abrigaram tantas vezes em Portugal e me fizeram aprender mais sobre como é esse povo. As contradições, as paixões. Meu amigo Vagnão, que está mais feliz que eu com toda certeza. Minha tia Fina que pouco vejo. Sinto-me vitorioso tanto quanto meu pai, meu velho pai.

Enquanto nossa Lusa morre, Portugal está a renascer. Um país vivo. Lindo. E de corajosos.

Há de ser corajoso demais.

Por Camões, por Pessoa, pelos Nobres, Gomes, Sás, Pintos, Oliveiras, Magalhães, Britos, pelos heróis do dia a dia de Bissau, da Madeira, de Angola, Moçambique, do nosso Brasil, do Porto ao Algarve. Por eles e por muito mais. Pelos pais, filhos, esposas, esses gajos colocaram-se a jogar como heróis descobridores.

Há de ser corajoso demais para desbravar oceanos. Para desbravar o mundo. O velho mundo, por sinal, é cada vez mais novo. Enquanto o novo é cada vez mais velho.

Como explicar um time fazer o que Portugal fez hoje em Saint Denis perdendo Cristiano Ronaldo com 5 minutos de jogo?

Não era o time de um jogador só?

Aprendam. Aprendam de uma vez, ó pá.

Futebol não é mais coisa de um. Não é mais coisa de se resolver com um. É coisa de se resolver em equipe. Só em equipe. Quem não entender isso depois de hoje, não vai entender nunca mais.

E tem mais uma lição que nossos portugueses, nossos irmãos portugueses, nos ensinaram hoje. Coitadismo é nocivo. É ruim. Não serve. Não leva a vitórias. O coitadismo depois do piripaque de Ronaldo em 98. O coitadismo depois da lesão de Neymar em 2014. Transformemo-nos. Façamos o coitadismo virar coragem. Como fizeram os tugas.

Tanto zoamos os tugas. Contamos piadas. Chamamos de burros. Não são. São, sim, é corajosos.

Sem Cristiano Ronaldo?

Seguimos, ó pá!

O plano de jogo era o mesmo. Cuidar da bola no campo de defesa. Diminuir a velocidade do jogo. Não deixar a França se sentir cômoda. Não deixar a torcida se inflamar. Não errar passes. Povoar o meio de campo sem a bola. Buscar a velocidade ao contra atacar. Não se abater. Levantar a cabeça. Concentração total.

A França teve suas chances, claro que teve. Quando teve, lá estava Rui Patrício. Mãos santas, as tuas! Mas a França nunca gostou do jogo. Nunca se sentiu bem. Nunca dominou.

O jogo transcorreu como queria Fernando Santos. Não é bonito? Não é. Não emociona? Não emociona. Mas o homem entende um pouquinho dessa coisa chamada futebol. Tiro meu chapéu para Fernando Santos. Que homem, esse senhor.

E para Portugal como centro de excelência de futebol. Três prorrogações e nenhuma cãimbra, ó pá! Que físico é esse??? Onde arrumaram esses preparadores físicos?

Até que entrou Éder. O menino de Bissau. Que tão bem entrou. Que ganhou todas as boas pelo alto. Arrumou faltas, criou contra ataques. E acertou o chute. Que a partir de agora será assim chamado. O CHUTE.

Que golaço, Éder. Me fizeste chorar, Éder! E fizeste Cristiano chorar. E como merecia, esse menino.

Eu já entrevistei Cristiano. Eu já tive minha carreira na linha, a depender do caráter e da palavra de Cristiano. E só ouvi coisas boas de quem jogou com Cristiano. De quem treinou Cristiano. Como merecia, esse Cristiano.

Como mereciam, os portugueses. Como trabalham, como se esforçam. Se dedicam tanto que riem pouco. Riam mais, portugueses. Chorem mais de alegria, portugueses, como eu chorei hoje.

Riam hoje tudo o que não riram em vossas vidas.

Porque hoje…. hoje É PORTUGAL. PURTUGAL. PUR-TU-GAL. PUR-TU-GAL. PUR-TU-GAL.

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12 anos depois da maior das tristezas, Portugal faz o papel de Grécia
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juliogomes

Aquele 4 de julho de 2004 deveria ser o dia da independência de Portugal, no dia mais famoso das independências mundo afora. Festa preparada. Não tinha como perder aquela final. Era contra a Grécia, ora pois…

A Euro 2004 foi a competição mais legal que cobri na vida. E olha que já foram 4 Copas! Mas nada foi como aquela Euro. A sensação de apostar desde o início que seria um torneio especial, com a coisa de Felipão em Portugal. Passar um mês e meio em Lisboa, que foi o centro total do torneio. As coisas deram certo profissionalmente, o ambiente estava espetacular, tudo funcionou, a Europa descobriu Portugal. Um país alegre, de clima e culinária maravilhosos e que recebeu todos de braços abertos. E a cereja no bolo… faltava o título.

Era um timaço, o de Portugal.

Na estreia, perdeu justamente da Grécia. Imaginem o drama. “Não passaremos nem de fase em nossa Euro!”, lamuriavam-se os portugas. Mas Felipão foi rápido. Mudou logo quatro pro jogo seguinte. Apostou em Deco e no entrosamento da turma do Porto, campeão da Champions League semanas antes. Depois entraria no time um tal Cristiano Ronaldo.

E aí vieram as grandes vitórias. O 1 a 0 na Espanha, os pênaltis e a mão de Ricardo (sem luvas) contra a Inglaterra. O atropelo sobre a Holanda. Não havia como a Grécia estragar aquela festa!

Mas…

Os gregos haviam feito 1 a 0 na França e na República Tcheca, ambas favoritas no mata-mata. Tinham um técnico da velha guarda, armaram uma retranca que estava funcionando. Era um time que jogava feio. Não encantava ninguém. Não tinham nenhum estrela, nenhum fora-de-série. Portugal tinha Figo, Cristiano, Deco.

Mas…

Como bom torcedor da Lusa, eu saí do estádio da Luz naquele dia com a certeza absoluta que nem meu time nem Portugal ganhariam alguma coisa na vida. Nunca. Nem a estrela de Felipão dava jeito. Tinha alguma zica, não é possível. A Grécia havia feito UMA finalização certa a gol naquela decisão. Foi uma tristeza, um caminhão pipa de água fria no povo português.

cristiano_2004

Neste domingo, no Stade de France, 12 anos depois, Portugal está no papel de Grécia.

Um time limitado, que joga de acordo com o adversário, não tem medo de jogar feio, de dar a bola, de ficar se defendendo em busca de uma chance. A França é um grande time de futebol, com um grande técnico, jogando em casa, tendo superado problemas extra-campo e de convocações, tendo superado a campeã do mundo no caminho e com jogadores de primeiro nível mundial, como Pogba e Griezmann. Exatamente a mesma situação de Portugal 12 anos atrás.

A França teve problemas no início, se saiu com gols no apagar das luzes contra Romênia (!) e Albânia (!!). Empatou sem gols com a Suíça e suou muito para virar contra a Irlanda (!!!). Aí deslanchou contra a Islândia. Por favor, não nos esqueçamos que, por mais bela que tenha sido essa história, a Islândia segue sendo a Islândia.

E aí fez uma semi para lá de honesta, mas contando com muita sorte, contra a Alemanha. Os erros que os alemães cometeram (Schweinsteiger gerando o pênalti e depois a lambança coletiva e em sequência de Kimmich, Mustafi e Neuer no segundo gol) simplesmente não condizem com o histórico germânico. A França se aproveitou, mas jogou de uma forma que não será possível repetir contra Portugal.

Deschamps admitiu a inferioridade e se defendeu contra a Alemanha, como fizera a Itália. Não é fácil se defender. Está no DNA italiano, mas não no francês. Exige perseverança e concentração. O jogo mostrou a maturidade desta seleção francesa, mas o desenho será diferente contra a seleção lusa.

Um Portugal que se sentiu incômodo quando precisou propor futebol nos jogos da primeira fase contra seleções inexpressivas. E que se soltou contra times melhores, podendo recuar e sair, sem o peso do favoritismo.

A França vai ter de jogar como não gostou. Portugal, como se sente cômodo. A história aponta uma freguesia das grandes, tanto em amistosos quanto em jogos oficiais – a França ganhou de Portugal nas semis das Euros de 84 e 2000, ambas de forma dramática na prorrogação, além da Copa de 2006. A responsabilidade está todinha do lado do time da casa.

A história, os times, o fator casa. Tudo aponta para um título da França.

Portugal é a Grécia. Pronto para seu encontro com a história. Para ser o estraga-prazeres de todo um país, contra tudo e contra todos. Mas com uma pequena diferença. No ataque, não tem Charisteas. Tem um certo Cristiano.