Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Corinthians

Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Corinthians se safa com chutaços, mas não inspira confiança
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Em algum momento do primeiro tempo, a Universidad de Chile tinha 70% de posse de bola em Itaquera. Por mais que o Corinthians sob Fábio Carille goste de dar a bola ao adversário para ter campo para contra atacar, o que aconteceu nesta quarta foi um escândalo.

O Corinthians foi completamente dominado pelo rival, em seu estádio, durante dois terços do jogo. Mas conseguiu um ótimo 2 a 0 que certamente irá mascarar quase tudo. Um 2 a 0 construído por dois chutes de fora da área de rara felicidade.

No final do primeiro tempo, Gabriel acertou um míssil de fora da área. No primeiro rebote, Arana quase marcou. No segundo, após outro milagre do goleiro, Rodriguinho empurrou para dentro. E, no segundo tempo, novo rebote e Jadson acerta um chute firme, rasteiro, no cantinho, para o 2 a 0.

A etapa inicial foi de um domínio impressionante dos chilenos. O Corinthians não pegava na bola, não trocava cinco passes, jogava acuado em seu campo. No único bom ataque, fez o gol. No segundo tempo, La U também começou melhor, mas a postura corintiana foi, pelo menos, mais corajosa.

Foi somente com o 2 a 0 no placar que o Corinthians conseguiu ter os contra ataques limpos que tanto adora. E o time chileno passou a errar passes, baixou a cabeça, perdeu o controle do jogo. O time de Carille teve duas boas chances para fazer um placar ainda melhor. A última impressão é a que vai ficar, mas não deveria.

Não é uma coincidência o Corinthians ter vencido dois clássicos no Paulista e o jogo grande pela Sul-Americana. É um time que se dará bem em alguns jogos grandes pelo jeito de jogar. O problema são os jogos contra times que não agridem, que não fazem questão de atacar.

Tipo o Botafogo de Ribeirão. O empate sem gols, modorrento, no fim de semana, pode muito bem se repetir. Não vejo a vaga nas semifinais do Paulista tão claramente garantida. O Corinthians ganhou, mas não inspira confiança.


Palmeirenses tinham obrigação de avisar o juiz do erro ao expulsar Gabriel
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juliogomes


O árbitro Thiago Duarte Peixoto fazia uma bela partida em Itaquera. Era o melhor em campo, até. Em um horroroso Corinthians x Palmeiras, que não honrou toda a ação que os clubes fizeram antes da partida, com vídeos bonitos, times perfilados de forma intercalada para o hino nacional, etc.

O jogo começou violento. Com atletas pouco preocupados em jogar bola, mais preocupados em jogar para a torcida (única). Carrinhos e mais carrinhos. Incrível a necessidade de mostrar “raça” hoje em dia.

E o árbitro conseguiu controlar o ímpeto violento inicial. Não contemporizou. Amarelo para Felipe Melo, amarelo para Raphael Veiga, amarelo para Gabriel (com uma jogada de atraso, mas OK, foi dado). Segurou o jogo. A partir daí, a violência diminuiu. Continuamos sem ver bola, porque aí já é pedir demais no nosso futebol. Mas o árbitro controlou a coisa.

Infelizmente, no finalzinho do primeiro tempo, cometeu um erro. Um erro que certamente terá grandes consequências para ele na carreira.

Quando Keno avançou no campo de ataque palmeirense, foi seguro por Maycon. Era amarelo para Maycon e segue o jogo.

Mas, no momento em que apita a falta, o árbitro Thiago Duarte Peixoto olha para o lado esquerdo. Quando olha para a jogada de novo, Maycon havia saído de cena e Gabriel estava no lugar em que Maycon estaria, não tivesse continuado correndo.

Não quero aqui minimizar o erro. Mas os caras são até parecidos no porte físico, tem uma barbicha parecida. O juiz obviamente não olhou o número 30 às costas de Maycon no momento da falta. Ele se confundiu, nada mais do que isso. E expulsou Gabriel.

Os jogadores do Corinthians tentaram desesperadamente avisá-lo do erro.

O que mais me incomodou no lance foi ver todo o banco palmeirense e também alguns jogadores tentando evitar que alguém passasse a informação correta para o árbitro ou para o quarto árbitro. Tentando evitar a tal “interferência externa”.

O que é pior? A irregularidade da interferência externa para ajudar o árbitro em um lance em que não há margem para dúvida? Ou a irregularidade de expulsar um jogador que não merecia ser expulso?

Oras.

Na boa? Podem me chamar de exagerado. Mas é por essas coisas que temos a sociedade que temos.

O que é certo é certo, oras. Keno até pode ser perdoado, estava de costas no momento em que sofre a falta. Mas ninguém mais viu que foi Maycon, e não Gabriel, até outro dia companheiro desses palmeirenses todos, que fez a falta? Dudu, por exemplo, estava de frente para o lance.

Será sonhar demais esperar pelo dia em que o banco do Palmeiras será o primeiro a avisar o juiz de seu erro?

A lisura não é mais importante do que a vitória? O que é certo não é certo e ponto final?

Não, não estou dizendo que “se fosse ao contrário” o banco do Corinthians faria de outra forma. Acho até que não. Mas isso pouco importa. É infantil ficar usando o argumento do “se fosse ao contrário”. Assim como é infantil comparar com um lance de pênalti em que o árbitro é “enganado” pelo atacante. São naturezas bem diversas. O futebol é um jogo de engano mesmo, mas não esse tipo de engano.

Será que nunca vamos entender que fazer as coisas certas é o mais importante nessa vida? Que ganhar não é tudo?

O juiz errou feio. Por mais que seja “ao vivo”, tudo muito rápido, etc, ele é treinado e tem técnicas para não cometer esse tipo de erro. Mas errou, oras. Como todos nós erramos. Uma imagem da Globo que permitiu leitura labial mostrou que o quarto árbitro avisou: “não foi o Gabriel!”. Errou de novo ao não confiar no colega (se é que ouviu o colega).

No fim, foi salvo pelo resultado. O Palmeiras achou que ganharia a qualquer momento, perdeu chances no segundo tempo e, no único bom contra ataque do Corinthians, após um erro grotesco de Guerra, Jô fez o gol da vitória. O Corinthians mereceu por ter mostrado mais vontade em campo.

Mas, pior que o erro do árbitro, foi o erro de quem não ajudou a consertar.

Em um jogo sem a menor importância para o campeonato, convenhamos.

Imaginem que linda seria a cena de alguém do Palmeiras avisando o árbitro do erro? Iria rodar o mundo, seria um exemplo de fair play. Quem estava vestido de verde, percebeu o erro e não falou nada perdeu uma grande chance na vida.


Atlético e Santos têm tudo para fazer semi na Copa do Brasil
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juliogomes

Foram definidas as quartas de final da Copa do Brasil. Todos queriam pegar o Juventude. Com todo respeito ao time que eliminou o São Paulo, segue sendo de terceira divisão (pode subir para segunda se passar do mata-mata que tem contra o Fortaleza na Série C).

E quem se deu bem foi o Galo. Apesar de decidir a vaga em Caxias, o Atlético Mineiro tem tudo para abrir boa vantagem na ida, semana que vem, e encaminhar a classificação para as semifinais. Marcelo Oliveira chegou a quatro das últimas cinco finais de Copa do Brasil – ganhou ano passado com o Palmeiras, perdeu com o Cruzeiro (2014) e duas vezes com o Coritiba (11 e 12).

marcelo-oliveira-atletico-mineiro

É um técnico com histórico muito bom na competição, pois. O sorteio ajudou. O Galo pode até estar ficando para trás no Brasileiro, mas está claro que vai para as cabeças na Copa do Brasil.

Uma semifinal está super desenhada entre Atlético e Santos.

O Santos enfrenta o Internacional. É verdade que o jogo de volta em Porto Alegre, mas isso, na verdade, me parece ser uma boa notícia para o Santos. O Inter vive um momento horroroso, mais um técnico balança, a preocupação é para evitar um rebaixamento que seria inédito. O Santos tem tudo para encaminhar o confronto semana que vem, se ganhar bem na Vila.

Atlético e Santos, pois, têm a faca e o queijo nas mãos para deixar quase garantida a vaga nas semis e poderem focar em buscar os líderes do Brasileiro no próximo mês (os jogos de volta são somente no fim de outubro).

Do outro lado da chave, tudo mais nebuloso. Grêmio e Palmeiras fazem primeiro jogo em Porto Alegre, volta em São Paulo. Corinthians e Cruzeiro abrem as quartas em Itaquera, decidem no Mineirão.

A tabela do Brasileiro, se servir como indicativo, aponta para Palmeiras e Corinthians como favoritos. Mas são duelos muito abertos. O Grêmio, apesar da grande crise, tem técnico novo, faz um jogo em casa meio que para “salvar o ano” semana que vem e, quando chegar a partida de volta, o Palmeiras pode estar totalmente focado em conquistar um Brasileiro que não ganha há 22 anos.

Já o Cruzeiro melhorou com Mano Menezes e, daqui a um mês, já deverá ter se afastado da briga contra o rebaixamento. O Corinthians nem saberemos se estará de técnico novo, disputando título ou G4, enfim.

A distância entre os duelos de ida e volta dilui – e muito – o suposto favoritismo de Palmeiras e Corinthians nestes dois duelos.

Palpite do blog: Atlético x Santos. Palmeiras x Cruzeiro. Final mineira. Calma. É apenas palpite. Deixe o teu aqui também.


Mimimi do presidente do Flu é exagero completo
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juliogomes

Quantos times já não saíram de Itaquera ou do Pacaembu reclamando de arbitragem? Ou do Maracanã? Ou do Bernabéu? Ou do Camp Nou? Ou do Delle Alpi?

Amigos, arbitragens caseiras são a notícia mais velha que há no futebol. O torcedor de futebol se sente bem achando que ele faz diferença no estádio. O que sempre fez diferença para time da casa foram as arbitragens. Sempre fizeram e sempre farão. E na esmagadora maioria dos casos os erros vão ajudar o time grande, o mais popular, o mais importante.

Árbitros têm medo de errar contra os grandes. Sabem que suas carreiras podem ser prejudicadas. Essa é uma verdade inexorável no futebol e que nunca será alterada. Vivam com isso.

O Corinthians sempre fez e sempre fará parte do seleto grupo de clubes que foram e serão mais beneficiados que prejudicados por arbitragens. Não estou falando em compra de árbitros nem nada do tipo (pode até ter acontecido no passado, mas hoje em dia acho muito difícil). Estou falando de uma coisa simples: árbitros têm medo de errar contra os grandões, ainda mais em sua casa.

Quando Levir Culpi fala que foram “seis lances capitais no jogo e o Corinthians ganhou de 6 a 0”, ele está clamando por uma “divisão” na hora dos lances duvidosos. Sorry, Levir. Isso nunca acontecerá.

O Corinthians já ganhou jogos com lances muito, mas muito mais polêmicos ou cristalinos que os desta quarta à noite contra o Fluminense.

A chave do jogo não foi a arbitragem. O Flu tinha um plano de jogo. Ser conservador no primeiro tempo e arriscar no segundo. Se levasse um gol, OK, plano seguiria, pois bastaria marcar um para levar a pênaltis. O que não estava nos planos foi a apatia do time carioca após levar o gol de Rodriguinho. O Fluminense não soube manter a frieza e o jogo que estava fazendo. Derreteu em campo, se encolheu, foi engolido.

Foi o gol de Rodriguinho que entrou na cabeça dos atores em campo e fez com que o Corinthians se classificasse.

O Flu teve três gols bem anulados, em lances pouco duvidosos. A expulsão de Marquinho, na minha visão, é ridícula. Não concordo com a atitude do árbitro, muito autoritária. Juízes são xingados o tempo todo, precisam entender a frustração de jogadores, relevar muita coisa. Amarelo bastaria. Mas foi uma expulsão nos minutos finais. Eu nem chamaria de lance capital. O pênalti reclamado em Cícero, para mim, não foi nada. Ombro com ombro.

O de Fágner nos acréscimos é um lance muito duvidoso. O jogador do Flu é acertado, sem dúvida. Mas caiu por isso? Se deixou cair? É pura interpretação. E aí caímos no que eu disse no começo desse post. Na dúvida, será sempre pro da casa ou pro grandão. Não adianta dar murro em ponta de faca. Aliás, eu não daria o pênalti. Concordo com a decisão do árbitro. Richarlison já estava caindo antes de haver o contato com Fágner, que recolhe a perna.

Aí vem o presidente do Fluminense, aquele mesmo do Pequeno Príncipe, dizer que o Corinthians “sempre joga com 12” e que foi “uma vergonha” o que aconteceu no Itaquerão.

Algum maldoso diria que vergonha é cair para a segunda divisão no campo e ficar na primeira no tribunal. Pessoalmente, acho que dirigentes como Siemsen mais ajudam do que atrapalham o futebol brasileiro.

Mas o choro teve todas as características para ser chamado de “mimimi”. Um exagero completo. Nunca vemos dirigentes falando com tanto fervor quando arbitragens ajudam seus times, somente quando atrapalham – ou supostamente atrapalham. Por isso, entre outras coisas, eles vão perdendo credibilidade.

O presidente, ou chefe, deveria ouvir a entrevista de seu técnico, o funcionário. Muito mais classe para reclamar. A frustração da eliminação é normal, a frustração por ter todas as decisões difíceis contra si é compreensível. O exagero, além de inútil, é nocivo. Dirigentes e jogadores fazem a vida dos árbitros ser muito mais difícil do que já é.

Siemsen passou completamente do ponto. Jogou para a torcida. Essa história também é velha. Dirigentes falando como torcedores e árbitros apitando lances duvidosos para o time da casa… o mundo gira, mas certas coisas não mudarão nunca.

siemsen


Palmas para Sylvinho
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Sylvinho seria um grande nome para o Corinthians. Com história no clube, passagens por gigantes da Inglaterra e Espanha, auxiliar técnico do próprio Tite, de Mano, de Mancini. Já tem curriculum. Seria um tiro praticamente certo, apesar de nunca ter sido testado em um cargo deste peso.

Mas ele recusou. Ainda precisa de tempo para se graduar nos cursos de treinador da Uefa.

O convite foi muito bacana, mas o meu momento, hoje, é de terminar a graduação na Europa. Corinthians é uma máquina, um clube de dimensão impressionante, além de ser a minha casa. Mas, neste exato momento, eu não acho justo comigo mesmo ter que interromper tudo isso que tenho feito na Europa.”

É a explicação de Sylvinho.

Todos que querem ser técnicos sonham como uma oportunidade assim. Mas ele coloca na frente sua carreira. Os estudos. O preparo. É como o cara que se recusa a deixar a faculdade em nome de um empregão “antes do tempo”.

Perfeito.

Quantos profissionais teriam tido essa consciência que Sylvinho mostra ter? Quantas pessoas hoje em dia colocam o futuro na frente do presente imediato?

Quem tiver Sylvinho nos próximos anos fará um grandíssimo negócio.

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Trio-de-ferro começa a Libertadores do jeito que acabou o ano
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juliogomes

O trio-de-ferro paulista começou a Libertadores da América do jeito que acabou o ano passado.

O Corinthians sabe o que quer e acha resultados até quando não merece. O Palmeiras, no vai-não vai, cheio de incertezas. E o São Paulo, com rumo para lá de duvidoso.

O Corinthians fez um primeiro tempo horroroso no deserto de Atacama, Chile, no estádio em que cabe três vezes a população da cidade (!!). O Cobresal pressionou lá no alto a saída de bola corintiana. Resultado: chutão atrás de chutão. No segundo tempo, com André e Giovanni Augusto, o Corinthians melhorou – logicamente ambos terão de ser titulares.

Passou a rondar mais a área adversária, ameaçar minimamente. Ainda assim, não assustou. Pouco finalizou. Não mereceu ganhar. Mas ganhou. Foi um jogo horroroso, para 0 a 0, mas times campeões encontram maneiras de vencer – mesmo que a maneira seja um gol contra nos acréscimos. É o prêmio pela organização e o esforço coletivo.

O resultado é ótimo em um grupo complicado. O Cobresal não acabará sem pontos. Cerro Porteño e, principalmente, o Santa Fé são times de tradição em seus países e até no futebol sul-americano. É claro que 9 pontos em Itaquera resolvem tudo.

Preocupa a dificuldade incrível para jogar quando pressionado. Mas o Corinthians tem uma base de jogo, um treinador ótimo e só vai melhorar ao longo das semanas.

O Palmeiras empatou com o pior time do grupo, mas fora de casa. No entanto, não transmite a mesma segurança em relação a ganhar 9 pontos em casa. O técnico parece ameaçado, pelo menos de acordo com quem acompanha o clube de perto. E o time continua sem padrão de jogo.

O Palmeiras esteve duas vezes à frente, cedeu o empate e perdeu a chance de respirar e ganhar tranquilidade para trabalhar com menos pressão. Não foi pressionado como o Corinthians, não enfrentou a altitude. E não ganhou.

E o São Paulo, esse sim, precisa se preocupar.

Continua o mesmo time instável de 2015, capaz do melhor e do pior em pequeno espaço de tempo. Na pré-Libertadores, faz um ótimo jogo fora e um péssimo em casa. Tem a chance de começar a fase de grupos com tudo. E…. derrota, vaias, crise.

O The Strongest é o típico time forte em casa (altitude) e que literalmente não ganha de ninguém fora. Mas… ganhou. No Pacaembu.

O grupo do São Paulo tem um desenho nítido. Duas supostas forças, River Plate e São Paulo. Um time que “poderia” complicar, o Strongest. E uma baba, o Trujillanos. Ganhar do Strongest era um resultado básico. A consequência agora? Vai ter de ganhar na Argentina do River ou na altitude boliviana. O São Paulo coloca, sobre as próprias costas, uma pressão monstra para o resto da fase de grupos.

Na Libertadores, os prognósticos são mais complicados. A imprevisibilidade é maior. É apenas uma rodada, mas uma rodada de jogos com peso grande no papel.

O Corinthians ganhou onde talvez os outros não ganhem. Encaminhou a classificação. O São Paulo perdeu o jogo que não podia perder. Já coloca em risco a classificação. E o Palmeiras volta do Uruguai deixando no ar as mesmas interrogações que levou para lá.


No papel, sorteio bom para São Paulo e Galo, ruim para Palmeiras e Grêmio
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Finalmente, a Copa Libertadores teve um sorteio decente, bacana. Nada de Peru 3, Argentina 4, Venezuela 2. Times com nome, alguns até com sobrenome, e já sabemos os grupos da competição no ano que vem. Foi um pouco arrastado, o sorteio, com muita falação até a hora da definição dos grupos. Mas avançou, ficou mais legal.

Pelo menos no papel, o sorteio foi péssimo para Palmeiras e Grêmio. Ótimo para o São Paulo e para o Atlético Mineiro. E regular para o Corinthians.

Por que “no papel”?

copalibertadoresPorque a real é que conhecemos pouco da maioria dos times da Libertadores. É muito difícil ter acesso aos jogos dos campeonatos da Colômbia, Equador, mesmo do Uruguai. Aliás, é por isso que costumamos ter essa relação de medo e soberba ao mesmo tempo com a Libertadores.

Por um lado, todo mundo é “perigoso”. Por causa da camisa, da altitude, da viagem, do que seja. Por outro lado, poucos são verdadeiramente temidos e respeitados, porque brasileiro é assim mesmo com futebol. O desconhecimento costuma gerar petulância e às vezes medo exagerado.

Teoricamente, pois, Palmeiras e Grêmio estão em grupos complicadíssimos.

O Palmeiras, no grupo 2, encara um uruguaio de tradição, o Nacional, um argentino, o Rosario Central, e provavelmente a Universidad de Chile. O Nacional deu papelão na pré-Libertadores do ano passado, mas depois ganhou o campeonato nacional. O Rosario foi terceiro na Argentina, deve ser respeitado. E “La U” já mostrou força nos últimos anos – tem de passar do River Plate uruguaio no mata-mata de fevereiro antes.

Já o Grêmio, no grupo 6, também terá uma missão difícil. O San Lorenzo, vice-campeão argentino e campeão da América no ano passado, é o cabeça-de-chave. A LDU joga em Quito, tem a altitude a seu lado. E o quarto time é o Toluca, obrigando o Grêmio a fazer a longa viagem ao México.

Palmeiras e Grêmio não terão um jogo sequer para respirar. É batalha jogo sim, jogo também, para ficar entre os dois primeiros e sobreviver para o mata-mata.

O São Paulo encara o Cesar Vallejo, do Peru, na eliminatória. No papel, não terá problemas, e a eliminação, dado o tamanho dos clubes, seria vexaminosa. Passando, o São Paulo cai em um grupo com River Plate, o atual campeão, The Strongest, da Bolívia, e Trujillanos, da Venezuela.

O River, é bom lembrar, assusta no nome e na camisa, mas só se classificou da fase de grupos da última Libertadores na bacia das almas. Acabaria sendo campeão do torneio, já sabemos. Tem de ser respeitado, mas não temido, pois além de tudo perdeu jogadores importantes. Aliás, bom lembrar que todos os times sul-americanos ficam expostos na janela de transferências de janeiro e podem sofrer com a perda de peças-chave.

O Strongest tem a altitude a seu lado, o Trujillanos não mete medo. É um grupo, no papel, que deve ser tranquilo para o São Paulo. Tudo dependerá da adaptação rápido do novo técnico e um bom planejamento, daqui 40 dias já tem jogo decisivo.

O mesmo serve para o Atlético Mineiro, que encara Colo Colo, do Chile, o Melgar, campeão peruano, e ou o Independiente del Valle, do Equador, ou o Guaraní, do Paraguai, que surpreendeu ao eliminar o Corinthians e ir à semifinal da última Libertadores.

Com Javier Aguirre no comando, o Atlético não terá o problema de desconhecimento dos adversários. É um treinador sul-americano, experiente, estudioso e que não deixará a soberba tomar conta. Grupo bom para o Atlético ficar em primeiro e fazer uma das melhores campanhas da primeira fase, para depois ganhar o direito de decidir em casa nos mata-matas.

O Corinthians caiu em uma chave nem tão dura quanto as de Grêmio e Palmeiras, nem tão fácil (na teoria) como as de São Paulo e Atlético.

Favorito destacado do torneio ao lado do Boca Juniors – foram os dois melhores times do continente em 2015 -, o Corinthians encara Cerro Porteño, sempre um rival chato lá no Paraguai, o desconhecido Cobresal, que, no entanto, ganhou título no Chile, e possivelmente o Independiente Santa Fé, da Colômbia, se este passar da fase prévia.

Se fizer a lição de casa no alçapão de Itaquera, o Corinthians não terá problemas para passar.


Não deu para o River. Ganhar Mundial hoje é preparo, vontade e muita sorte
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juliogomes

“São Paulo e Corinthians deram MUITA sorte. Liverpool em 2005 e Chelsea em 2012 ganharam a Champions por sorte, não eram nem top-5 da Europa”.

Essa foi a “tuitada” que eu dei hoje em cedo, logo depois de dizer que “O Mundial virou uma coisa desnivelada demais nos últimos 15 anos. Os sul-americanos estão a anos-luz dos times europeus”.

Escrevia isso conforme o Barcelona destroçava o River Plate, sem nenhuma margem para zebra.

Infelizmente, na tuitada da “sorte”, pela limitação de caracteres, faltou dizer que São Paulo e Corinthians deram muita sorte “por enfrentar Liverpool e Chelsea”. E não nas vitórias sobre ambos. Mas, claro, corações apaixonados leem o que querem. A tuitada deu polêmica. E muita! E agora, com mais espaço, vamos desenvolver o raciocínio.

O Mundial de Clubes é o ponto fraco do brasileiro. Esse é um torneio que precisa ser relativizado. Mas como relativizar quando se pensa com coração e fígado? Como relativizar quando temos uma sociedade paranóica em querer ser “a melhor do mundo”, principalmente quando o tema é futebol?

O Mundial precisa ser relativizado por vários fatores.

Não necessariamente envolve os melhores de cada continente – há um mata-mata, com alto grau de imprevisibilidade, para definir Champions e Libertadores. Além disso, os times chegam, em regra, modificados em relação aos que ganharam o título continental. Às vezes mais fortes ainda, às vezes mais fracos, não raro com treinador diferente. A viagem, principalmente se for para o Japão, é longuíssima. E o nível de preparação varia demais.

Espanhóis, por exemplo, até dão certa importância. Capa de jornal, pelo menos. Ingleses não dão a menor pelota. Isso varia até mesmo dentro da Europa. E é dificílimo conseguir assistir ao jogo na Europa, a não ser que você esteja no país de um dos clubes envolvidos.

Hoje em dia, e cada vez mais, a preparação dita a história de um jogo de futebol. Programas de computador ajudam comissões técnicas que, se realizarem o trabalho de depuração com competência, passam tudo mastigadinho para jogadores. Vai marcar fulano? Analisa-se, com dados e estatísticas, a melhor maneira de combate os pontos fortes de fulano. Para onde corta, dribla, etc.

Times sul-americanos vivem, respiram o Mundial durante seis meses. Os europeus, por uma semana. Isso faz muita diferença. Aí é necessário colocar na mistura a vontade. E isso vai variar muito conforme a quantidade de jogadores sul-americanos atuando pelo time europeu em questão. Porque jogadores sul-americanos nascem e crescem ouvindo que o Mundial é a coisa mais importante que existe. Europeus, não.

E vontade, no futebol e em qualquer esporte ou profissão, conta muito. Quem quer mais amplia suas chances de vitória contra quem quer menos.

De 15 anos para cá, com a Lei Bosman e o livre mercado europeu consolidados, os clubes de lá viraram verdadeiras seleções. Enquanto os daqui, sujeitos a desmandos de federações corruptas e situação econômica instável em países emergentes (quando muito), foram ficando para trás. Criou-se um abismo.

Abismo que não existia quando Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo ganharam Mundiais lá atrás. Havia equilíbrio, havia, sim, duelos entre escolas. Naquele tempo, o Mundial era mesmo um tira-teima. O último sul-americano com nível mundial foi o Corinthians de 2000. De lá para cá, abriu-se o abismo.

Com verdadeiras seleções e se nada de significativo mudar, os times europeus vão perder “Mundiais” para os sul-americanos beeeeeem de vez em quando. E essa tendência já pode ser notada. De 1960 até o ano 2000, por quatro décadas, foram 22 títulos sul-americanos contra 18 europeus. Equilíbrio total. De 2001 até 2015, o placar está 11 a 4 para os europeus. Desequilíbrio.

Estou juntando Copa Intercontinental e Copa do Mundo de Clubes da Fifa, logicamente. Porque, salvo para mentes doentias, é a mesma coisa.

O River Plate, neste domingo, não teve qualquer chance contra o Barcelona. Em outros tempos, Messi, Neymar e Suárez, os três melhores jogadores sul-americanos da atualidade, talvez estivessem jogando pelo River (ou pelo menos um deles). Hoje, estão os três juntos. No time europeu.

Foi um passeio.

E é aí que está a questão. Não é apenas o fato de europeus estarem ganhando mais. É que os sul-americanos já entram em campo sem qualquer chance. Não é muito diferente, para o Barcelona, se impor contra o River Plate ou contra o Guangzhou Evergrande. Como não foi para o Real Madrid ano passado, Bayern de Munique no retrasado, etc.

Os times sul-americanos estão mais expostos a perder de algum africano ou asiático (Mazembe e Raja Casablanca que o digam) do que a ganhar de um europeu. O nível é mais próximo de quem está abaixo do que quem está acima.

O que pode fazer um sul-americano ganhar, então?

Um completo alinhamento de estrelas. Tudo tem que dar certo. E o legal do futebol é que, às vezes, dá.

Como eu já disse lá em cima, a preparação do sul-americano tem de ser muito mais bem feita, é necessário aproveitar o fato de conhecer o rival de baixo pra cima, de frente para trás, enquanto os do outro lado não têm o mesmo nível de conhecimento. A vontade de ganhar dos jogadores tem que ser maior – e é. Sul-americanos têm jogado em casa (20 mil argentinos para ver o River contra o Barça, 30 mil corintianos no Japão em 2012, etc).

E sorte, claro, conta muito em um duelo de partida única. Um goleiro inspirado, um impedimento mal marcado, um cartão vermelho, uma falha individual. Quanto menor o espaço para disputa, maior a chance de quem é pior.

Ajuda também enfrentar um europeu que não seja o melhor do momento.

E foi exatamente isso o que aconteceu com o São Paulo, em 2005, e o Corinthians, em 2012.

Os corintianos do Twitter ficaram menos exaltados do que os são-paulinos. Talvez por ser uma memória mais recente. O próprio Tite já disse que, tivesse o Corinthians enfrentado o Barcelona de Guardiola, muito dificilmente teria sido campeão no Japão.

O Chelsea estava longe de ser o melhor da Europa. Deu uma estrelada na Champions daquelas que fazem a gente amar o futebol. Na semifinal, contra o Barça, até Messi perdeu pênalti. Isso não é sorte? Da parte de Messi, não é azar, é incompetência. Da parte do Chelsea, é o quê? Quantos times tiveram a sorte de aproveitar um raríssimo momento de fraqueza de Messi? E na final, contra o Bayern? Achou um gol improvável de empate, depois ganhou nos pênaltis.

Não foi pouca sorte que o Chelsea teve para ser campeão europeu naquele ano. Foi muita. Mas MUITA. Claro que sorte, sem competência, coração, orgulho, etc, não leva ninguém a lugar algum. Mas ignorar os fatos subjetivos daqueles jogos é ignorar a própria essência apaixonante do futebol. Seis meses depois, quando foi enfrentar o Corinthians, o Chelsea já tinha outro técnico (Benítez, que coincidência) e havia sido eliminado na primeira fase da Champions League 2012-2013.

Isso está claro para qualquer pessoa que entenda de futebol. Que o Corinthians teve uma sorte danada de ter o Chelsea como rival no fim de ano. O que não tira, em nada, o mérito do título corintiano. As defesas de Cássio, o sistema tático montado por Tite, etc. Era um time inferior, mas que havia se preparado melhor, queria mais a vitória e enfrentou um rival ideal. As estrelas se alinharam.

Como se alinharam, ainda mais, para o São Paulo em 2005.

Porque hoje, com o futebol global, o abismo entre times europeus e sul-americanos diminuiu um pouquinho. No meio da década passada, estava no ápice.

O São Paulo deu uma sorte danada de enfrentar o Liverpool.

Aquela Champions 2004/2005 foi especial. O Barcelona de Ronaldinho já era um dos grandes times da Europa, foi eliminado de forma épica pelo Chelsea de Mourinho nas oitavas – o início da rivalidade Barça-Mou, que marcou a Europa nos anos seguintes. O Real Madrid galáctico de Luxemburgo ficou pelo caminho também.

Ao Liverpool, de Benítez, brilhou a estrela com gol espírita na semifinal contra o Chelsea. E depois, aquela final de Atenas, possivelmente a maior final europeia de todos os tempos. Um Milan 250 vezes superior já metia 3 a 0 no primeiro tempo. A superioridade era tanta, e tão rara em uma final europeia, que o Milan se deu o direito de achar que estava ganho no intervalo. E aí, carregado por sua linda torcida, o Liverpool foi buscar o empate e o título nos pênaltis.

Foi um dos títulos mais épicos e improváveis da história da Champions League – comparável ao do Chelsea em 2012, do Porto (Mourinho) em 2004 e da Inter (Mourinho de novo) em 2010.

Naquele ano, o Liverpool acabou em quinto o Campeonato Inglês, 37 pontos atrás do Chelsea. Teve uma polêmica na Europa, porque o campeão da Champions sempre joga o torneio seguinte. Mas ele também sempre é um time forte o suficiente para se classificar para a Champions seguinte via liga doméstica.

Pois aquele Liverpool não conseguiu a vaga via Premier League. Foi necessário aumentar o número de ingleses na Champions 05-06, e o Liverpool precisou passar pelas fases eliminatórias, jogando contra times de Gales, Lituânia e Bulgária. Caiu nas oitavas de final da Champions seguinte, para o Benfica.

E esse era o nível daquele Liverpool. Médio. Do nível do Benfica, inferior a 10 ou mais times europeus. Um time que ganhou a Champions porque as estrelas se alinharam e a energia de jogadores e torcida fez toda a diferença. Energia que times ingleses, especialmente os ingleses, não levam para o Mundial tão amado pelos sul-americanos.

Problema deles? Sim, problema deles. E problema do torneio também.

A sorte que o São Paulo teve foi de encarar um adversário que não era, nem de longe, o mais forte e interessado que podia enfrentar. E logo teve o jogo épico de Rogério Ceni, o bandeirinha acertando impedimentos milimétricos que acabariam em gols do Liverpool (outros times não têm essa “sorte” de acertos tão difíceis para a arbitragem). Enfim. Teve méritos, muitos méritos. E teve sorte, em boa dose.

Ninguém está aqui para tirar os méritos de São Paulo e Corinthians por aqueles Mundiais. Apenas para contextualizar.

O que aconteceu com o River Plate neste domingo ou com o Santos em 2011 é o normal de 15 anos para cá. Atropelamento sem dó. O que aconteceu em 2005 e 2012, e também em 2006 com o Inter, só é possível quando tudo conspira, tudo se alinha, é formada a tempestade perfeita.

E isso faz até ser mais bacana ver as esporádicas vitórias sul-americanas. Sempre é legal ver Davi derrubar Golias. O que não dá é para achar que essas vitórias eventuais simbolizam alguma coisa. Elas são pequenos milagres, nada muito além disso.

O Mundial deixou, faz tempo, de ser um duelo de escolas, um jogo aberto em que qualquer um poderia ganhar. Os sul-americanos ganharão de vez em quando. E, para isso, precisam de muita preparação, de muita vontade e, claro, de muita sorte.


Os 6 a 1 são a real diferença entre Corinthians e São Paulo hoje
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juliogomes

Os 7 a 1 do Mineirão, na Copa do Mundo do ano passado, foram simbólicos. Pois eles eram o retrato fiel da diferença entre Alemanha e Brasil no futebol da atualidade.

O 1 do Brasil talvez seja o talento, ainda presente na matéria-prima mal trabalhada. Os 7 da Alemanha estão por todas as partes: futebol de base, seriedade, formação de profissionais, atualização tática, estrutura dos clubes, fomento ao esporte por parte da federação, enfim. Acho que é até mais do que 7 a 1.

O jogo, portanto, foi mais que um jogo. Foi um tratado. Um livro.

Impossível não fazer um paralelo com os 6 a 1 do Corinthians sobre o São Paulo nesta tarde de domingo. Que podem até ser vistos como um 7 a 1, pois o pênalti defendido por Cássio valeu um gol.

O São Paulo, dono de um discurso soberbo que foi comprado meio mundo, posou durante anos e anos como o único clube moderno e organizado do Brasil.

Sim, era mais organizado que a média. Mas nunca foi essa diferença toda. Os títulos, e foram muitos, podiam ser explicados de várias maneiras, não apenas pelo extra-campo. Poucos se preocuparam em dar uma olhadinha no que, por exemplo, Cruzeiro e os Atléticos Mineiro e Paranaense estavam fazendo com seus CTs, os gaúchos com o programa sócio-torcedor.

O Morumbi, que sempre foi um estádio ruim, era tratado como melhor do Brasil, “o único capaz de receber a Copa”, diziam. Precisaram construir uma dezena de estádios decentes para colocar o Morumbi no devido lugar.

O bonde passou. E o São Paulo não viu. Enquanto isso, foi dizimado por lutas políticas. A base, que deveria ser orgulho, revela muito pouco. “Tem hardware, mas não tem software”, me disse uma vez uma pessoa que tem conhecimento de sobra sobre Cotia. Parece que, aconteça o que acontecer, a palavra humildade não consegue pular para dentro do muro.

O Corinthians fez estádio, CT, manteve praticamente dois técnicos durante um longo período. Foi buscar seu torcedor, trouxe Ronaldo, programas de scout, gente séria. Se organizou de verdade.

Os 6 a 1 são, sim, a diferença de hoje entre Corinthians e São Paulo. Não só no campo, mas fora dele.

Para o Brasil, não caiu a ficha após os 7 a 1. Cairá para o São Paulo? Ou ficaremos ouvindo o discurso do “foi um acidente” por muito tempo?