Blog do Júlio Gomes

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Nas casas de apostas, Juventus é tão favorita ao título quanto o Real
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O sorteio das semifinais da Champions League, na manhã desta sexta-feira, colocou a Juventus em uma posição de tão favorita quanto o Real Madrid para ser a campeã europeia. Pelo menos é o que dizem as casas de apostas.

Os “odds” são o retorno oferecido para uma certa aposta, calculados (por computador) em função da probabilidade de certo evento ocorrer. Os odds calculados para título da Juventus caíram após o sorteio, ou seja, a aposta em título da equipe italiana passou a pagar menos do que pagava antes.

No maior site de apostas do mundo (Bet365), o título da Juventus dá um retorno de 2,62 para 1, idêntico ao do Real Madrid. Antes do sorteio, o título da Juve pagava 3 para 1. O mesmo ocorreu em outras casas importantes de apostas.

Na semifinal, a Juventus enfrentará o Monaco, considerado o “azarão” entre os quatro times vivos na competição. Dono de um dos ataques mais positivos da temporada europeia, o Monaco aposta em um futebol ofensivo e revelou neste ano o jovem Mbappé, de 18 anos de idade, que está fazendo uma dupla de ataque mortal com o colombiano Falcao García.

Mas a Juve levou só dois gols em dez jogos na Champions, é um time mais equilibrado nas duas fases e acaba de eliminar o Barcelona sem sofrer um gol sequer. Ainda por cima, a Juventus decide o duelo contra o Monaco em casa, no Juventus Stadium, onde está invicta há um ano e meio (são quatro anos em competições europeias).

O título do Monaco, que antes pagava 7,50 para 1, agora paga 9 paga 1. Ou seja, o time monegasco é considerado mais azarão ainda hoje do que ontem.

Lembrando que o Monaco está em uma disputa ponto a ponto com o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e o técnico português Leonardo Jardim já disse que este é o grande objetivo da temporada.

Uma eventual conquista do Atlético de Madri dá um retorno de 5 para 1 para quem quiser apostar nos colchoneros. Eram 4,50 para 1 antes de ser definida a semifinal contra o Real Madrid.

Os odds para título do Real Madrid (2,62 para 1) são os únicos que ficaram iguais após o sorteio. Se o Real for campeão, será o primeiro clube da história a ganhar duas Champions Leagues seguidas (desde que a Copa dos Campeões foi ampliada e ganhou esse nome), nos anos 90.

Real e Atlético se enfrentaram nas últimas três edições da Champions, sempre com vantagem para o primo rico da capital. O Real Madrid venceu o rival nas finais de 2014 (na prorrogação) e 2016 (nos pênaltis) e nas quartas de final de 2015 (empate por 0 a 0 no campo do Atlético, vitória do Real por 1 a 0 em casa). Desta vez, o jogo de volta será no estádio Vicente Calderón, que será desativado ao final da temporada.

Para saber mais sobre o histórico das duas semifinais, leia aqui:

Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas


Semis da Champions opões melhores ataques contra as melhores defesas
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O sorteio desta sexta-feira definiu os dois duelos de semifinais da Liga dos Campeões da Europa. O Real Madrid recebe o Atlético de Madri em mais um grande dérbi, o quarto consecutivo na Europa, com a definição no estádio Vicente Calderón. Na outra semi, Monaco e Juventus, com segundo jogo da Itália.

Os dois duelos opõem dois dos ataques mais positivos da temporada europeia (Real Madrid e Monaco) contra os dois times de melhor defesa, os mais bem organizados e capazes de machucar o adversário de várias formas diferentes (Atlético e Juventus).

A Juventus é clara favorita contra o Monaco. Se por um lado o time francês tem a grande sensação da temporada europeia, o francês Mbappé, de 18 anos, a Juve tem apenas dois gols sofridos em dez partidas na competição. É um muro a ser derrubado – até agora, ninguém conseguiu.

O Monaco está em uma luta acirrada contra o PSG pelo título francês, que não conquista desde o ano 2000, e tem um duelo direto contra o mesmo rival no meio da semana que vem pela semifinal da Copa da França. É uma maratona de jogos pesados, e maratonas costumam deixar “vítimas” pelo caminho (lesionados, jogadores esgotados).

Já a Juventus está com o inédito hexacampeonato italiano em mãos (oito pontos de vantagem para a Roma), e a final da Copa da Itália, contra a Lazio, será só em junho. Pode tranquilamente administrar jogadores e focar totalmente na Champions – o segundo e último título máximo europeu da Juve foi conquistado em 1996, com quatro finais perdidas desde então.

O histórico entre os times tem dois confrontos em mata-mata. A Juventus superou o Monaco nas semifinais de 98 e nas quartas de final de 2015, vencendo em casa e administrando na volta – perderia as duas decisões posteriormente para Real Madrid e Barcelona.

Na temporada inteira, a Juventus tomou 30 gols em 47 jogos oficiais. Com Buffon, Chiellini e Bonucci, tem uma defesa sólida, experiente e entrosada. No ataque, a sensação argentina Dybala e o goleador Higuaín. É um timaço.

O Monaco, por sua vez, sofre muitos gols. Mas marcou 141 em 54 jogos oficiais. Só nas oitavas e quartas da Champions, contra Manchester City e Dortmund, foram 12 gols marcados em 4 jogos (e 9 sofridos). É um time que joga e deixa jogar, completamente diferente da equipe italiana.

A Juventus fará um plano de jogo para conter a agressividade do Monaco e se aproveitar das falhas defensivas. Ela é capaz de fazer isso? Bem, ficou dois jogos sem tomar um gol sequer do Barcelona de Messi, Suárez e Neymar. É plausível acreditar que conseguirá repetir a dose e chegar a mais uma final europeia.

O Real Madrid fez os mesmos 141 gols que o Monaco na temporada, mas em 50 jogos – anotou pelo menos um gol em todos os jogos que fez. O Barcelona fez 143 gols oficiais, 2 a mais que Real e Monaco, mas alternou goleadas com jogos em branco, foi um ataque menos consistente ao longo da temporada.

Curiosamente, o Real Madrid sofreu os mesmos 61 gols que o Monaco – é bastante vazado. Já o Atlético de Madri tem um perfil de gols parecido com o a Juventus, tendo sofrido 38 em 50 jogos.

O Atlético sempre foi o saco de pancadas do Real Madrid. Quando Zidane, hoje técnico, jogava, os dérbis eram favas contadas. Mas tudo mudou com a chegada de Simeone ao Atlético, no final de 2011.

Nos 21 dérbis anteriores a Simeone, foram 16 vitórias do Real e 5 empates. Desde que o argentino assumiu o Atlético, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético e 7 empates. Uma história completamente diferente. No Santiago Bernabéu, onde será o primeiro jogo, Simeone ganhou quatro vezes e perdeu três em dez partidas.

Mas, é bom ressaltar, foi o Real Madrid quem riu por últimos nas últimas três Ligas dos Campeões da Europa. Sempre com equilíbrio e sofrimento.

Na final de 2014, em Lisboa, o Atlético vencia sua primeira Champions até os acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos empatou o jogo de cabeça. Na prorrogação, mais inteiro, o Real passou o carro (4 a 1) e conquistou “La Décima”. No ano seguinte, duelo de quartas de final, com 0 a 0 no Calderón e vitória do Real por 1 a 0 no Bernabéu, gol do mexicano Chicharito Hernández aos 43min do segundo tempo. E, no ano passado, final novamente, empate por 1 a 1 e título do Real nos pênaltis.

Cicatrizes são importantes no futebol. As derrotas costumam trazer mais lições do que as vitórias. O Atlético de Madri está babando por este duelo contra o Real Madrid. Não há favorito neste confronto, é 50 a 50.

O Atlético vai precisar conter as bolas aéreas do Real, grande arma do time de Zidane ao longo da temporada. E o Real Madrid vai precisar superar uma eliminatória em que terá a bola e fatalmente ficará exposto em alguns momentos. Os dérbis têm sido encardidos para o Real porque Simeone sabe explorar bem o desconforto do adversário para jogar assim.

O último deles foi pouco tempo atrás, 1 a 1 pela Liga espanhola. E foi isso aqui o que escrevi no blog sobre o jogo.

 


O papo de Neymar melhor do mundo era precipitado e evaporou-se
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O futebol é muito dinâmico, e as pessoas (aqui incluindo jornalistas, torcedores e apreciadores do esporte) costumam se precipitar bastante e “cravar” verdades absolutas após um ou dois jogos de futebol, no calor das emoções.

Depois de anos ouvindo que Neymar seria o melhor do mundo (talvez essa hora chegue, talvez não, não seria absurdo não chegar), muitos disseram que havia chegado o momento. Tal certeza devia-se aos extraordinários minutos finais de Neymar naquele 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG e aos bons jogos com a seleção brasileira.

Neymar foi, de fato, o jogador de futebol de melhor desempenho no mês de março. Daí a SER o melhor do mundo…

O fato é que em poucos dias evaporou-se qualquer chance de Neymar passar perto da Bola de Ouro 2017. Observe a sequência de fatos:

No sábado retrasado, o Barcelona perdeu por 2 a 0 para o Málaga e ficou em situação difícil na Liga espanhola. Neymar foi expulso por uma entrada infantil, desnecessária, quando o time corria atrás do empate. Ainda aplaudiu o quarto árbitro ironicamente e pegou três jogos de gancho, ficando fora do clássico de domingo contra o Real Madrid.

Dias depois da derrota em Málaga, o Barça perdeu por 3 a 0 para a Juventus, em Turim. No jogo de volta, ontem, só empatou sem gols no Camp Nou, sendo eliminado da principal competição interclubes do ano. No final do primeiro tempo, após uma falta de Pjanic em Messi, Neymar resolve tomar as dores do companheiro e dá uma espécie de voadora no juventino. Levou amarelo, que o deixaria fora da semifinal, caso o Barça se classificasse – mas não seria absurdo se o árbitro mostrasse vermelho direto.

Bom lembrar que, na partida épica contra o PSG, minutos depois de o Barcelona sofrer o gol que parecia ser o da eliminação (vencia por 3 a 1), Neymar deu um chute por trás em Marquinhos, sem bola. Recebeu amarelo que também poderia ter sido vermelho.

A atitude de Neymar melhorou ultimamente, parece ser um jogador mais maduro dentro e fora de campo.

Nas vitórias.

Antes, Neymar era mau vencedor e mau perdedor. Hoje, parece ter se transformado em um bom vencedor, diminuindo os lances de humilhação a adversários em campo, adotando um discurso sóbrio, etc.

Mas, nas derrotas, nos momentos de frustração, a atitude continua precisando melhorar. Poderia ter sido expulso contra o PSG, poderia ter sido expulso contra a Juventus, foi expulso contra o Málaga e, de quebra, ainda pegou um gancho que o deixará fora do último jogo gigante do Barcelona na temporada.

O choro copioso após a eliminação de quarta-feira significa o quê?

A impressão é que Neymar considerava que esse era seu momento. O ano dele. A hora de colocar uma Champions nas costas, tomar o protagonismo para si, resolver. Contra o PSG, ele parecia ser o único que verdadeiramente acreditava na virada e, assim sendo, acabou se transformando no símbolo daquela vitória.

Contra a Juventus, ele também parecia ser o único que acreditava. Excesso de fé ou falta de doses de realidade?

Neymar chorou pelo Barça ou por ele mesmo?

O choro não combinou tanto com o clima no Camp Nou. A torcida apoiou o time, todos ali já esperavam a eliminação. O Barcelona não vive um momento trágico, vive um momento de interrogações.

O choro realmente parece a frustração de quem deve estar ouvindo há tempos que esse seria o “seu ano”.

A temporada de Neymar foi ruim no início, chegou a ficar três meses sem fazer um gol sequer. Em janeiro, começou a virar, em março teve um pico, em abril foi mal. Taticamente, a evolução dele é nítida. Tanto na seleção quanto no Barcelona, está assumindo mais funções, dando assistências, tomando decisões melhores.

Em 2017, ano natural iniciado em janeiro, Neymar está em qualquer lista dos cinco melhores jogadores do planeta. Mas, se pensarmos na temporada como um todo, a temporada 2016/2017, será que ele figuraria entre os dez melhores?

Messi fez 45 gols em 45 jogos na temporada. Verdade, não foi o protagonista dos 6 a 1. Desperdiçou as chances que teve contra a Juventus. Ainda assim, não dá para comparar a temporada de Neymar com a de Messi. Suárez, com 24 gols, foi mais importante que Neymar até agora para o Barça ainda se manter vivo no Espanhol.

Lewandowski tem 39 gols em 41 jogos e será campeão alemão – sua importância para o Bayern ficou nítida após não jogar a ida e atuar baleado na volta contra o Real Madrid pela Champions.  Cavani fez 43 gols em 43 jogos do PSG. Griezmann, com 24 gols, é o grande nome do Atlético de Madri, novamente na semifinal europeia. Falcao, com 27 gols em 36 jogos, e o jovem Mbappé, de 18 anos, com 22 gols em 36 jogos, muitos deles no mata-mata da Champions, estão nas semis com o Monaco.

Hazard faz uma temporada brilhante pelo Chelsea, com quem será campeão inglês. Philippe Coutinho, no Liverpool, faz uma temporada melhor que a de Neymar. Dybala está a ponto de explodir e foi o homem mais decisivo da eliminatória que classificou a Juventus. Higuaín, com 23 gols em uma liga dura como a Italiana, não cansa de marcar. Aubameyang fez 26 gols para o Borussia Dortmund em 27 jogos na Bundesliga.

Opa, não estou esquecendo não. Deixei Cristiano Ronaldo para o fim. São 31 gols em 39 jogos na temporada, cinco deles marcados para cima de Neuer. Justamente quando Neymar caiu, Cristiano Ronaldo apareceu para lembrar todo mundo que a Bola de Ouro está lá na estante da casa dele.

E olha que nem estou falando dos defensores. Neymar faz uma temporada melhor que a de Sergio Ramos? Que a de Buffon? Que a de Kanté? Que a de Marcelo?

Pois é. Se analisarmos com olho clínico, sem emoções, esquecendo as patriotadas, possivelmente não colocaremos Neymar entre os dez jogadores de melhor desempenho na temporada. Em 2017, sim, na temporada inteira, não.

O que realmente incomoda é essa forçação de barra para colocar Neymar como o terceiro melhor do mundo isolado, pertinho de Messi e Cristiano Ronaldo, quase no nível deles, a ponto de ultrapassá-los. É uma grande ilusão.

Neymar é o melhor “do resto” para alguns. Não é para outros. Está longe de ser unanimidade. Atrás dos dois gênios, ele está ali num bolo que tem gente como Griezmann, Suárez, Lewandowski, Hazard.

A grande desvantagem em relação a essa turma é que parece que ser o melhor se torna uma obsessão de brasileiros. Antes seu “staff” falasse menos disso e mais sobre as regras disciplinares na Espanha, que não permitem aplausos irônicos a árbitros.

Outra má notícia é que os anos vão passando, Cristiano e Messi não largam o osso, não parecem perto de passar o bastão. Seguem em altíssimo nível. Quando eles caírem de verdade, quantos anos terá Neymar? Será que não é mais fácil vermos Gabriel Jesus ou Mbappé estarem ali prontos para pegar o bastão?

A grande vantagem de Neymar, por outro lado, é jogar em uma seleção azeitada e com chances para lá de reais de ser campeã do mundo em 2018. É com o Brasil, na Rússia, que Neymar tem sua chance mais realista de ser coroado melhor do mundo.

Mas isso só acontecerá se não for o objetivo. Sempre é bom lembrar. O futebol é um esporte coletivo, cada vez mais coletivo, em que o individual se destaca. E não o contrário.

Blogueiros do UOL: Com choro de Neymar, Juventus se classifica na Liga


Juventus faz o que quer contra o Barcelona. Quem segura?
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A Juventus fez o que quis no jogo contra o Barcelona, no Camp Nou. O empate sem gols estava totalmente no script, ainda que o 1 a 1 fosse o resultado mais provável na cabeça do técnico Allegri.

A Juve cedeu chances ao Barça, era óbvio que isso aconteceria. Messi teve uma clara no primeiro tempo, algumas bolas cruzaram a área perigosamente, mas Buffon, de fato, teve pouco trabalho. Do outro lado, também dentro do script, a Juve teve contra ataques que poderia ter aproveitado no segundo tempo.

No fim das contas, foi uma eliminatória fácil para a Juventus, contra um Barcelona que vai acabando de forma deprimente uma temporada ruim. Se perder do Real Madrid, domingo, a Liga espanhola também terá ido para o espaço.

A Juve tem uma chance mais clara de vencer a Liga dos Campeões agora do que em 2015, quando chegou às semifinais após bons sorteios anteriores e tinha uma nítida inferioridade contra aquele Barcelona na decisão.

É um time com a mesma defesa de sempre, boa individualmente, boa coletivamente, boa por baixo, pelo alto, boa marcando atrás, boa marcando na frente. E com ótimos valores individuais na frente. Tem um homem gol em Higuaín, velocidade com Cuadrado, esforço e altura com Mandzukic, drible e gol com Dybala, criação e trabalho com Pjanic e Khedira.

Quem pode parar a Juventus? Será que chegou a hora de levantar a orelhuda pela primeira vez desde 1996?

Um confronto contra o Monaco seria o ideal. O Monaco é um time perigoso, com ótimos valores e um técnico inteligente. Mas está muito envolvido com uma forte disputa pelo título francês contra o PSG, um campeonato que não ganha há tempos. Irá se desgastar e possivelmente irá ser amarrado taticamente em hipotéticos duelos contra a Juve.

O Atlético de Madri é um confronto perigosíssimo. Outro time mordido, tentando a terceira final em quatro anos, que, assim como a Juventus, é capaz de encontrar vários métodos para ganhar uma partida. É o duelo menos interessante para a Juventus.

E contra o Real Madrid seria um superclássico, sem favoritos e, possivelmente, sem tanta influência de arbitragens – muito pelo contrário, a Uefa deve estar envergonhada por ver o Real na semi após o que aconteceu contra o Bayern.

Se em 1998 o Real Madrid quebrou um jejum de mais de três décadas sem título máximo europeu ao vencer a Juve por 1 a 0 na final, depois disso os italianos se deram bem nos três confrontos de mata-mata entre eles. Semifinal em 2003, oitavas em 2005, semifinal de novo em 2015, a única vez que um time conseguiu superar o Real Madrid na Champions nas últimas quatro temporadas (contando a atual).

Não há, portanto, qualquer bloqueio mental para a Juventus enfrentar o Real Madrid. Há respeito mútuo e a certeza de que os dois podem vencer. A Juve, convenhamos, tem mais capacidade de anular a bola aérea, principal fonte de gols do Real de Zidane ao longo da temporada.

O sorteio será sexta-feira, e a certeza é uma só: ninguém quer enfrentar a Juventus.

 


Como o apito amigo ajudou o Real e o recurso de vídeo mudaria tudo
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Sobre os erros na eliminatória em que o Real Madrid eliminou o Bayern de Munique (e como uma possível ajuda do vídeo poderia ter interferido):

 

– é verdade que o Bayern ganha um pênalti no jogo de ida, mas Vidal chuta para fora e anula o erro. Se tivesse feito o gol, tudo ficaria condicionado ao erro, mas não foi o caso. Se houvesse vídeo, não acredito que o pênalti tivesse sido anulado, foi um lance de interpretação em que a bola, de fato, toca no braço de Carvajal;

– naquele mesmo jogo, Thomas Muller ficaria na cara do gol (estava 1 a 1, 11 contra 11) e há um impedimento mal marcado. No Bernabéu, Lewandowski também ficaria na cara do gol com 0 a 0 e há impedimento mal marcado. Ambos os lances poderiam ter tido sequência (e se saíssem gols?) e o recurso do vídeo, mais tarde, os validaria;

– eu não expulsaria Vidal no início do segundo tempo no jogo do Bernabéu. É uma falta de jogo sobre Casemiro. Não seria absurdo mostrar o segundo amarelo ao chileno, mas não era um lance tão claro de cartão e a expulsão ali condicionaria a eliminatória. De qualquer forma, o juiz compensa cinco minutos depois não expulsando Casemiro no lance do pênalti sobre Robben. Ficou elas por elas, nestes dois lances Viktor Kassai optou por não estragar a eliminatória e foi bem. Nenhum destes lances poderia ser revertido por vídeo, foram interpretações do árbitro no momento;
– não vejo impedimento de Lewandowski no lance do 1-2, gol contra de Sergio Ramos. Está na mesma linha da bola quando ela sai do peito de Muller e era simplesmente impossível o bandeirinha ter visão. Se houvesse o recurso do vídeo, esse gol seria anulado? Não. Não está nem um pouco claro um impedimento ali;
(O diário espanhol Marca revisita todos os lances deste post. E usa uma imagem congelada do segundo gol do Bayern em que a bola já havia saído do peito de Muller. Não há imagem definitiva sobre o lance, pois o jogador está encobrindo a bola)

– Casemiro faz outra falta para amarelo em Robben aos 35min do segundo tempo, logo após o 2 a 1 do Bayern, quando o Real Madrid estava contra as cordas. A expulsão ali definiria o jogo, possivelmente. Não haveria como o vídeo ajudar, foi interpretação de Kassai novamente;

– logo depois há a expulsão bizarra de Vidal, que dá um carrinho limpo. Quando o Bayern estava a ponto de matar a eliminatória, o juiz coloca o Real Madrid no comando com um homem a mais. Neste caso, creio que o vídeo faria Kassai rever o amarelo a Vidal, pois o chileno pega só a bola e nem encosta no jogador do Real;

– já na prorrogação, Casemiro, de novo, tenta induzir o árbitro ao marcar um pênalti. Se atira descaradamente antes de haver qualquer contato com Boateng. Kassai, bem posicionado, de frente para o lance, a dois metros, não marca a penalidade. E, pela terceira vez, perdoa o que seria o segundo amarelo a Casemiro. Naquele momento, a eliminatória estava empatada e ficariam em 10 contra 10. Outro lance em que o vídeo seria inútil, foi uma interpretação do árbitro no momento;

– logo depois, no tempo extra, Cristiano Ronaldo faz o gol decisivo em impedimento de 1 metro. E ainda estava um pouco à frente no gol do 3 a 2. Mas bem pouco, neste caso já estava tudo acabado. O primeiro gol certamente seria anulado com o recurso do vídeo, um lance capital. Abaixo, a ironia postada por Ribery no Instagram.

Se excluirmos os lances de cartão, que dependem de interpretação do árbitro, estamos falando de dois impedimentos mal marcados que poderiam acabar em gols do Bayern em distintos momentos e dois impedimentos não marcados que deram a vitória ao Real Madrid na prorrogação.

Não foi um roubo a mão armada, como o que deu a classificação ao Barcelona sobre o PSG. Talvez, mesmo sem a expulsão de Vidal, o Real Madrid tivesse se saído com a classificação. O jogo estava 2 a 1 para o Bayern, se encaminhando para meia hora de prorrogação. Nunca saberemos o que teria acontecido.
Mas o fato é que o húngaro Kassai decidiu a eliminatória, tão equilibrada e tão bela que não merecia algo assim.

O recurso de vídeo PRECISA fazer parte do futebol. Para a linha de gol, já está acontecendo. Ele é urgente para impedimentos e erros bizarros (confusão de jogadores, como vimos no dérbi centenário entre Corinthians e Palmeiras no Paulistão, ou mesmo expulsões bizarras, como a de Vidal no Bernabéu).


Árbitro define classificação do Real Madrid sobre o Bayern
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Não dá para entender o que está acontecendo com a Uefa. Mas a atual vai se transformando na edição mais manchada da história da Liga dos Campeões da Europa.

Depois da absurda arbitragem que determinou a virada épica que classificou o Barcelona contra o PSG, depois de erros cruciais em Turim (gol mal anulado da Juventus na ida contra o mesmo Barça), em Dortmund (pênalti não marcado e gol em impedimento do Monaco na ida), e em Madri (pênalti mal marcado e outro claro não marcado para o Atlético no jogo de ida com o Leicester), o homem do apito voltou a ser decisivo. Voltou a ser definitivo.

O Real Madrid foi extremamente beneficiado pela arbitragem do húngaro Viktor Kassai para vencer o Bayern de Munique por 4 a 2, na prorrogação, e se classificar para as semifinais da Champions.

O árbitro expulsou absurdamente Vidal no fim do tempo regulamentar. Teve três oportunidades de expulsar Casemiro, que já estava amarelado e deveria ter visto o vermelho. E deu o gol de Cristiano Ronaldo que decretou o empate por 2 a 2, já na prorrogação, quando o português estava um metro em impedimento.

Não estamos falando de mimimi. Estamos falando de lances capitais, que determinam o placar final do jogo.

O Barcelona não teria chance de se classificar contra o PSG se não fosse a arbitragem. O Real Madrid poderia ter se classificado mesmo sem a arbitragem. Mas, com ela, a coisa foi definida.

O Bayern começou melhor o jogo e teve o domínio nos 20 primeiros minutos. Mas o Real Madrid melhorou e criou as melhores chances. Gols perdidos que lembraram as chances desperdiçadas em Munique.

Em Munique, é bom lembrar, o Bayern desperdiçou um pênalti mal marcado a seu favor. Mas, no segundo tempo, com 1 a 1, foi marcado um impedimento em lance que deixaria Thomas Müller de cara para o gol. Teve Javi Martínez corretamente expulso.

E, com um a mais, o Real venceu por 2 a 1, mas poderia ter vencido por mais. Como poderia ter feito algum gol no primeiro tempo no Bernabéu.

Mas o segundo tempo foi inteirinho do Bayern de Munique. Jogou melhor que o Real Madrid, fez Zidane realizar alterações precipitadas, calou o estádio e foi empurrando.

Com 0 a 0 no marcador, Vidal fez uma falta que poderia ter sido para segundo amarelo. Poderia. Eu não daria. Falta normal, de jogo, em que não se pode expulsar um jogo e comprometer a partida. Lance fora da área, sem perigo de gol e sem violência excessiva. Não acho um absurdo que se defenda um amarelo no lance, mas eu não daria.

Minuto seguinte, Casemiro derruba Robben na área. Lance em que foi marcado pênalti e Lewandowski fez 1 a 0. Uma jogada de gol, dentro da área e em que Casemiro poderia ter visto o segundo amarelo. Talvez com o lance de Vidal na cabeça, talvez sem convicção da falta, Kassai não expulsou o brasileiro.

Com 1 a 0, o Bayern tomou conta do jogo. Mas Cristiano Ronaldo, após ótimo cruzamento de Casemiro, empatou a partida. Ainda assim, o Bayern continuou em cima e fez 2 a 1 meio que sem querer, em um infeliz gol contra de Sergio Ramos. No lance, não há impedimento de Lewandowski, que estava na mesma linha da bola no passe de Müller. Passe que foi cortado por Nacho e colocado para dentro do gol por Ramos.

Com 2 a 1, o Bayern acreditou que poderia se classificar e o Real Madrid nitidamente sentiu a pressão. Em um lance de ataque de Robben, Casemiro fez outra falta para amarelo. Mas novamente deixou de ser expulso.

Pouco depois, Vidal deu um carrinho limpo, na bola, em lance que nem duvidoso foi. E acabou expulso por Kassai. Ali, o juiz praticamente determinava o destino do jogo. Justo quando o Bayern parecia perto de matar a partida, com um Real Madrid com medo em campo, o árbitro inverte a lógica da partida.

Mas ainda tinha mais. Na prorrogação, Casemiro simula um pênalti na cara do juiz e novamente deixa de receber o segundo amarelo. E logo depois Cristiano Ronaldo faz o 2 a 2 recebendo cruzamento em posição de muuuuito impedimento.

Com um a mais em campo, o placar e os espaços, o Real Madrid chegou ao 4 a 2.

Dois grandes jogos de futebol. E, novamente, atuação decisiva da arbitragem.

Assim como o Barcelona, o Real Madrid não pode falar de árbitros.


Cristiano Ronaldo faz o Bayern pagar pelos erros de Vidal e Ancelotti
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Não é a primeira nem a última vez que um jogador vai de herói a vilão em poucos minutos. Depois de um belo gol de cabeça, Vidal perdeu um pênalti no primeiro tempo. Chutou na lua, no último minuto, o que seria o 2 a 0 para o Bayern de Munique contra o Real Madrid. Obrigaria o Real a sair e deixar espaços no segundo tempo. Resultado final: virada, 2 a 1 para o Real Madrid. E foi pouco.

O favoritismo do Bayern foi pelos ares a partir do momento em que Vidal perde o pênalti, Javi Martínez é expulso e Carlo Ancelotti toma várias decisões erradas em sequência no segundo tempo. Cristiano Ronaldo fez o técnico italiano pagar por todas elas. E Neuer evitou que o prejuízo fosse ainda maior.

A lesão de Lewandowski foi mais sentida do que o mais pessimista torcedor do Bayern poderia imaginar. O polonês é o cobrador oficial de pênalti, e Vidal nunca teria tido a chance de chutar o segundo gol lá em Santiago. E, o principal, o Bayern não teria em campo por 80 minutos um Thomas Müller irreconhecível.

Müller errou simplesmente tudo. Nenhuma bola parou em seus pés. Não fez pivô, não ajudou o time, não ameaçou a defesa, não finalizou. Foi um peso morto no ataque do Bayern, dando sequência à temporada horrorosa que faz. Fica até difícil imaginar se Müller teria feito o gol cara a cara com Navas, com 1 a 1 no placar e um impedimento mal marcado, que prejudicou o Bayern no segundo tempo.

Mal marcado também havia sido o pênalti desperdiçado por Vidal, diga-se. Somados erros graves nos jogos de Dortmund e Madri, entre Atlético e Leicester, tivemos uma quarta-feira inacreditável da arbitragem europeia. Mais uma.

Mas, voltando ao jogo e Müller. Aí entra o primeiro grande erro de Ancelotti, uma insistência inexplicável. Por mais que não tivesse outro centroavante de ofício no banco, o italiano poderia e deveria ter pensado em outra opção e sacado Müller logo no intervalo. Demorou 35 minutos para fazê-lo. Guardiola, creio, nem mesmo teria escalado Müller, dada a fase horrorosa do alemão.

Com o gol de Cristiano Ronaldo logo no início do segundo tempo, o Bayern adiantou suas linhas. E até jogava bem, mas Javi Martínez precisou matar um contra ataque e foi corretamente expulso.

A partir daí, outro grande erro de Ancelotti. Tirou de campo Xabi Alonso, um dos xerifes do time e que seguraria tranquilamente as pontas ali na zaga. Mexeu em duas posições, pois trouxe Alaba para a zaga e colocou Bernat na lateral. Ainda tirou Ribery para colocar Douglas Costa, o que tampouco teve efeito.

O jogo se transformou em ataque contra defesa. O Real Madrid viu aberta a possibilidade de matar a eliminatória, e aí Neuer passou a fazer seguidos milagres. Teria sido uma das melhores atuações de um goleiro na história da Champions League, não fosse o segundo gol do Real, uma bola defensável que passou entre as pernas do goleiro. Cortesia de Cristiano Ronaldo.

Não se enganem. Até que se prove o contrário, o melhor do mundo é um só. São 100 gols em competições europeias. Tenho pena de quem acha que Cristiano Ronaldo não passe de um jogador “bem dotado fisicamente”.

Neuer, com seus milagres, fez com que os erros de Vidal e Ancelotti não terminassem em eliminatória já decidida.

É claro que a vaga fica nas mãos do Real Madrid. Em dez duelos de mata-mata entre os dois gigantes, três vezes o time da casa não venceu o jogo de ida. Nas três, acabou eliminado. O Bayern vai precisar quebrar um tabu para passar.

São dois times ótimos, camisas pesadas, qualquer erro grave do Real Madrid pode trazer o Bayern de volta para a eliminatória. A virada, sem dúvida, passa por Lewandowski. Sem ele, o Bayern tem poucas chances.

Juventus, Real Madrid, Monaco e Atlético de Madri estão com um pé nas semifinais.


Cinco razões pelas quais o Bayern é favorito a vencer o Real Madrid
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juliogomes

Bayern de Munique e Real Madrid fazem o maior clássico da Europa. É isso mesmo que você leu. Não há jogo maior no mundo envolvendo times de países diferentes. Muito se deve ao fato de ambos serem os maiores campeões de seus países e dois dos maiores do continente. Mas o grande fator que faz esse jogo tão grande é o fato de terem se enfrentado tantas vezes em horas tão importantes.

Bayern e Real farão nesta quarta o 23o jogo entre eles – um recorde entre clubes em competições europeias. Até hoje, foram dez duelos de mata-mata, com cinco classificações para cada um. Só falta mesmo uma grande final, que nunca ocorreu (foram seis semifinais).

Junto com o Barcelona, os dois têm dominado o futebol europeu recentemente. São os três times apontados como favoritos desde o início da Liga dos Campeões. No entanto, este blog considera o Bayern bastante favorito para o jogo contra o Real, e o time alemão tem a chance de deixar a eliminatória encaminhada. Aqui estão as cinco razões.

1- Técnico

É o típico confronto entre mestre e pupilo, com a diferença que o aprendiz não parece nem um pouco perto de superar o professor. Zidane foi auxiliar de Ancelotti quando o italiano passou pelo Real Madrid. O próprio Zidane credita muito de seu estilo como técnico ao que aprendeu neste período.

Por mais que tenha conquistado a Champions League no ano passado, no entanto, Zidane ainda tem muito para provar. Seu time joga o arroz com feijão e é ultradependente das bolas aéreas. Com o que tem em mãos, poderia fazer muito mais. Sem dúvidas, Zidane fala a linguagem da boleirada, entende o Real Madrid, o torcedor, as necessidades. São fatores que não tiro da lista de méritos dele. Por outro lado, é nítida a dificuldade para ler partidas durante os 90 minutos e fazer alterações que melhorem o time. É quase sempre o seis por meia dúzia, tudo muito previsível.

Já Ancelotti, um mestre da arte, conhece o elenco do Real Madrid de trás para frente e sabe como explorar os pontos fracos. Tampouco se notabilizou na carreira pela criatividade, mas é bastante mais refinado que Zidane na leitura de jogo.

2- História

O passado pode não servir para garantir o futuro, mas certamente nos indica tendências. E, nos confrontos entre Bayern e Real, historicamente quem joga em casa se dá bem. O Bayern recebeu o rival espanhol 11 vezes em Munique: ganhou nove, empatou uma e perdeu só uma, a última, aqueles 4 a 0 de 2014 que levaram o Real à decisão. É bom lembrar que aquele era um jogo de volta – após o Real vencer na ida – e que Guardiola escancarou o Bayern para os contra ataques madridistas.

Das cinco vezes em que o jogo de ida de um mata-mata entre eles ocorreu em Munique, o Bayern venceu quatro.

O Real Madrid é um clube que se considera o maior do mundo. Os torcedores dizem não ter medo de nada nem ninguém, o clube já se mostrou capaz de tudo – e acreditar nisso certamente ajuda. Mas é inegável que o Bayern é o clube mais temido pelo Real, talvez o único. Não à toa, há faixas, camisetas e cachecóis em Munique com os dizeres “La bestia negra”. Eles adoram o apelido dado pelos próprios madrilenhos.

3- Defesa desfalcada

O Real Madrid já não tinha Varane e perdeu Pepe para o jogo e para a temporada, com duas costelas quebradas. Nacho atuará na zaga ao lado do Sergio Ramos, uma considerável queda de qualidade. Nacho entrou no dérbi, sábado, e logo teve posicionamento falho que permitiu a Griezmann empatar o jogo para o Atlético de Madri.

Na imprensa de Madri, Nacho é muito elogiado. Natural, é o único jogador do elenco que subiu da base para o time principal sem passar por outros clubes – a prata da casa é sempre valorizada e precisa ter a confiança do torcedor. Pelas muitas lesões dos outros, foi titular em 25 dos 47 jogos. Não é um completo novato, mas não tem a bagagem de um Pepe. Além do mais, Sergio Ramos jogará a ida pendurado, o que limita muito sua atuação em Munique. É um Real sem reservas para a zaga, no limite da improvisação.

4- BBC? Ou RLR?

Eu ODEIO essa sopa de letrinhas que inventaram na Espanha. BBC, MSN, PQP. Seria ridículo apelidar o ataque do Bayern de RLR, não é mesmo? O que não é ridículo é o futebol que estão mostrando Robben, Lewandowski e Ribèry.

Robben e Ribèry juntos e saudáveis, uma raridade. O Bayern sofreu demais sem os dois em boa forma na hora H das últimas três temporadas. Agora, não só estão bem como têm entre eles o que talvez seja o melhor camisa 9 do mundo hoje: Lewandowski. Até gol de falta ele anda fazendo, um atacante completo e que já destruiu o Real Madrid quando jogava no Dortmund.

A fase do ataque é tão boa (39 gols nos últimos 11 jogos) que mal nos lembramos que o Bayern tem um certo Thomas Mueller no elenco – em má temporada, é verdade, mas um jogador que já mostrou muito valor em partidas enormes.

Atualização: Algumas horas antes do jogo, o Diário Marca noticia que Lewandovski não jogará, por problemas no ombro. Mueller em seu lugar. Sensível baixa técnica para o ataque do Bayern, mas um substituto de peso.

O contraponto é o trio do Real Madrid. Cristiano Ronaldo não consegue fazer a mesma temporada de outros anos, e Bale não entrou nos eixos após a lesão que lhe deixou três meses sem jogar. Tanto não funciona como em outros anos que o principal “atacante” do Real Madrid, nos momentos mais agudos, foi Sergio Ramos. Morata pede passagem ou até mesmo uma formação diferente, mas Zidane insiste com o BBC.

5- Jogo coletivo

O Real tem problemas defensivos (só deixou de sofrer gols em 3 dos últimos 21 jogos) e de construção. É nítido que o time sofre demais quando Kroos e Modric são bem marcados. A bola não chega no trio de ataque e, por isso, o Real tem dependido tanto da bola parada para ganhar jogos. Sim, são 52 jogos seguidos fazendo gols, um mérito inegável. Mas quantos deles tiveram a ver com o “jogo jogado”?

Na temporada, o Real Madrid fez 132 gols e levou 56 em 47 partidas. O Bayern fez 109 gols e levou 24 em 41 jogos. Tem números ofensivos parecidos, mas sofre muito menos gols.

É um jogo coletivo mais fluido, com um meio de campo formado por jogadores capazes de tudo: destruir, cobrir laterais, construir com passes curtos ou longos, chegar à frente e marcar gols. Xabi Alonso, Vidal e Thiago são completos e vivem grande momento de forma.

O alicerce de qualquer time é o meio de campo. O do Bayern está melhor conectado com as linhas de trás e de frente do que o (também ótimo) meio de campo do Real Madrid.

 


Barcelona não mostra bola para novo milagre na Champions
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juliogomes

E lá vai o Barcelona atrás de um novo milagre. Depois dos 4 a 0 sofridos em Paris e a surreal reviravolta com os 6 a 1 no Camp Nou, agora o time de Messi, Neymar e Suárez precisará reverter um 3 a 0 sofrido em Turim, diante da Juventus.

Três semanas se passaram entre as goleadas sofrida e imposta nas oitavas de final. Tempo suficiente para fazer time, torcida e o mundo inteiro, até o adversário, se convencerem de que “se há um time capaz de virar essa eliminatória é o Barcelona”.

Agora, só uma semana separa a ida da volta nas quartas de final da Liga dos Campeões. Será tempo suficiente para convencer que um milagre é possível, de novo, só que contra a Juventus?

Não precisamos de muitos minutos para pensar logo em outra frase pronta: “Uma coisa é reverter contra o PSG, outra história é a Juventus”.

E a frase é muito verdadeira. O PSG é um time que gosta de jogar com a bola, dominar o adversário, tem problemas sérios para jogar se defendendo. Já a Juventus sente-se muito confortável defendendo e o faz como poucos times no mundo. Domina espaços, fecha, se tranca e adora decidir jogos com poucas bolas.

Além de tudo, tem uma camisa pesada o suficiente para não ser destruída pela arbitragem, como foi o PSG em Barcelona. Nem interessa à Uefa outro escândalo.

Somando a atual temporada e a passada, a Juventus fez 97 jogos oficiais. Em nenhum destes 97 jogos sofreu uma derrota que seria capaz de eliminá-la no Camp Nou no tempo normal. Levou um 3 a 0 da Inter de Milão em fevereiro do ano passado, pela semifinal da Copa da Itália – havia vencido por 3 a 0 na ida e avançou nos pênaltis.

A Juventus parece um time pronto para o próximo passo na Europa. Atropela qualquer um em seu estádio (são 48 jogos de invencibilidade), tem um sistema defensivo sólido, jogadores que atuam juntos há muito tempo, e criou uma equipe consistente, criativa e goleadora na frente.

Gente como Buffon, Chiellini e Bonucci tem malícia suficiente para não deixar o time assistir ao Barça, como o Paris fez.

Já o Barcelona segue com seus problemas de fluxo de jogo. A saída de Daniel Alves foi muito mais sentida do que se pensava e, quando finalmente Luís Enrique achou uma alternativa, perdeu Rafinha por lesão.

Em Turim, voltou ao 4-3-3 e sofreu dois gols. Teve posse de bola, mas não criou nem finalizou na etapa inicial – só teve uma jogada de perigo, grande defesa de Buffon no um contra um diante de Iniesta. Luís Enrique mexeu e voltou ao 3-3-Messi-3 no segundo tempo, com Rakitic aberto pela direita. O time até pressionou e poderia ter feito um gol no segundo tempo, mas a vaca já tinha ido para o brejo.

Neymar sumiu na marcação, Suárez voltou a perder uma grande chance (já havia feito um jogo ruim em Málaga) e Messi voltou a ser uma andorinha que não faz verão. É um time com sérios problemas defensivos e de criação contra times bem postados.

Justa vitória da Juventus. E um milagre muito mais difícil de ser alcançado pelo Barcelona.


Como Juventus e Barcelona mudaram e ficaram nivelados desde a final de 2015
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juliogomes

O Barça é quase o mesmo, a Juve é outra. Como os times mudaram dois anos após a final da Champions (se enfrentam na terça à tarde pelas quartas de final)

Juventus x Barcelona. As quartas de final da Liga dos Campeões da Europa começam com um dos grandes clássicos do futebol mundial. Camisas que entortam o varal, entidades globalizadas e multimilionárias, jogadores quase todos de seleção, celebridades, estrelas mundiais. Os dois gigantes disputaram, até hoje, oito finais cada um da máxima competição europeia. Mais que eles, só Real Madrid, Milan e Bayern de Munique.

E foi dois anos atrás, em 2015, que Juve e Barça se enfrentam na única final entre eles, em Berlim. O Barcelona venceu por 3 a 1, conquistando seu quinto título europeu – a Juventus tem dois, o último conquistado em 1996.

De dois anos para cá, poucos nomes mudaram no Barcelona – mas a produtividade caiu. Já a Juventus é um time muito parecido na defesa, mas completamente diferente do meio para frente.

A Juve, que já era treinada por Allegri, mantém a sólida base defensiva com Buffon, Lichtsteiner, Barzagli, Bonucci, Chiellini. Aquele time de 2015 tinha, então, um meio de campo com Pirlo, Pogba e Vidal. Os atacantes eram Morata e Tévez.

Pirlo e Tévez foram ganhar dinheiro nos EUA e na China, respectivamente. Pogba foi a peso de ouro para o Manchester United, Vidal é titular do Bayern, Morata voltou ao Real Madrid para esquentar banco.

Hoje, a Juve tem um time com nomes de menos peso, mas que jogam de forma mais solta e agressiva no ataque. Pjanic e Khedira são volantes de muita chegada. Cuadrado é uma opção para espalhar o campo. O croata Mandzukic, centroavantão de toda a vida, se descobriu atuando pelo lado esquerdo e complementando muito bem as movimentações de Dybala e Higuaín, a dupla goleadora argentina.

Um parágrafo à parte para Daniel Alves. Talvez não seja ele, individualmente, a grande diferença entre os times de 2015 e 2017. Mas o fato é que o jogador brasileiro se encaixou na Juventus como poucos esperavam. Talvez joga de lateral, talvez mais avançado, talvez até comece no banco. Mas trouxe experiência, mentalidade ganhadora e, certamente, suas informações sobre o Barcelona não serão desprezadas.

Se para a Juventus Daniel Alves é importante, para o Barcelona a falta que ele fez e faz é vital.

O Barça que entrou em campo na final de 2015 tinha Ter Stegen; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Alba; Busquets, Rakitić e Iniesta, Messi, Suárez e Neymar. Para se ter uma ideia, nove destes jogadores começaram a partida histórica dos 6 a 1 contra o PSG, que colocaram o Barcelona nas quartas.

Estamos falando essencialmente do mesmo time. Só que Daniel Alves nunca foi apenas um lateral direito no clube catalão, com quem quer que fosse o técnico da vez. Ele sempre foi muito mais um atacante pela direita, um jogador essencial para o fluxo de jogo do time, fazendo associações com Xavi, depois Rakitic, sempre com Messi.

A queda de rendimento do Barcelona nesta temporada passa muito por essa perda. A produção de Rakitic despencou, por exemplo, a ponto de passar muitos jogos relegado ao banco de reservas. Foi somente entre os dois jogos contra o PSG, no auge da crise, que o técnico Luis Enrique encontrou uma solução. Linha com três zagueiros atrás e Rafinha atuando aberto pela direita, como fazia Daniel Alves, e espalhando totalmente o campo – já que Neymar abre pela esquerda.

Só que 1) Rafinha se lesionou e está fora da temporada; 2) Sergi Roberto, que deverá ser o substituto e foi o herói anotando o sexto gol no PSG, não tem a mesma qualidade ofensiva; 3) agora todo mundo já conhece o sistema tático que fez o jogo virar.

Contra o Málaga, no fim de semana, o Barcelona voltou a apresentar seus problemas defensivos e de criação de jogo. Voltou a atuar de forma medíocre, o típico jogo que dependia do trio MSN resolvendo tudo na frente. Só que, desta vez, dois dos três deixaram o time na mão: Neymar com uma expulsão infantil, Suárez com uma de suas piores partidas, perdendo gols e tomando decisões equivocadas.

Iniesta está dois anos mais velho e longe da melhor forma, Rakitic sumiu sem Alves, Busquets é um carregador de piano de cauda, Piqué mais tuita do que joga. Aliás, Busquets é desfalque para a partida de ida, e Neymar, Piqué e Rakitic estão pendurados para a volta. Dois anos atrás, Luís Enrique tinha gente como Xavi e Pedro no banco de reservas. Hoje, tem André Gomes e Alcácer. Um oceano.

É claro que não convém duvidar do Barcelona – o PSG que o diga. Mas o fato é que a super “remontada” (com uma ajudaça da arbitragem, sempre é bom lembrar) e o crescimento de Neymar em março mascararam uma temporada para lá de opaca.

É um Barça defensivamente frágil, que tem problemas para criar jogo, sem grandes opções de banco e ultradependente das individualidades na frente.

Já a Juventus, apesar de não ter Pirlo, Pogba ou Tévez, como em 2015, é um time experiente, coeso, rápido, goleador e forte nos bastidores. Um time que em casa não perde há 21 jogos europeus (quatro anos). Contra espanhóis, só perdeu 2 de 23 jogos em casa na história das competições europeias. Uma Juve que não precisará jogar todas as fichas em um jogo só, pois desta vez o duelo é em ida e volta.

Se o Barça levar um ferro daqueles no Juventus Stadium, uma nova remontada seria muito mais complicada contra um time cascudo como este da Juve. O duelo de 2017 não tem pinta de revanche, até pelas grandes diferenças que citei na Juve.

Mas tem pinta, sim, de um confronto entre times muito mais nivelados agora do que eram antes.