Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Campeonato Espanhol

Barcelona tem calendário melhor que o do Real Madrid na busca pelo título
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A vitória do Barcelona sobre o Real em Madri, no domingo, escancarou a disputa pelo título do Campeonato Espanhol. Com o show de Messi, que fez o gol decisivo nos acréscimos, o Barça chegou aos mesmos 75 pontos do Real Madrid e ganhou a vantagem no confronto direto – este é o primeiro critério de desempate na Espanha, ou seja, o Barcelona ficará com o título caso acabe com a mesma pontuação do rival.

Nos últimos oito campeonatos, o Barça ganhou seis e o Real foi campeão apenas uma vez. Apesar de a Liga dos Campeões da Europa ser a competição predileta para os madridistas, os dois títulos continentais nos últimos três anos mataram a sede e é a liga doméstica que virou questão de honra na temporada atual – até porque o Real liderou o campeonato e esteve no comando praticamente desde o início.

Apesar de a liderança ter passado para as mãos do Barça, é o Real que só depende de si, pois tem um jogo a fazer contra o Celta, em Vigo. Uma partida adiada em fevereiro por questões climáticas e que, por causa do calendário, será realizada entre a penúltima e última rodadas.

Calendário. Aqui está a grande vantagem do Barça. Eliminado da Champions, o time catalão tem pela frente somente os cinco jogos finais do Espanhol, sem nada no meio. Depois da rodada desta quarta-feira, serão quatro jogos em fins de semana, com semanas inteiras de descanso entre eles. Três jogos em casa e dois fora. Encerrada a Liga, o Barça voltará a campo para a final da Copa do Rei no fim de maio.

Já o Real Madrid não tem mais semana alguma de descanso daqui até o final da disputa. Nos meios de semana entre as quatro rodadas derradeiras, o Real fará dois dérbis contra o Atlético de Madri pelas semifinais da Champions e jogará a partida atrasada contra o Celta. Sem viagens longas, mas com muitos minutos, muita pressão psicológica e física para cima dos jogadores.

São quatro jogos fora de casa e dois no Bernabéu – justamente contra Sevilla e Valencia, os dois únicos times que haviam vencido o Real Madrid no campeonato até Messi fazer o estrago de ontem.

Zidane já usou times mistos em três partidas nas últimas semanas, antes dos jogos contra Napoli e Bayern de Munique pela Champions. Conseguiu vitórias importantes nos campos do Eibar, Leganés e Sporting Gijón. Terá coragem de voltar a usar tantos reservas agora?

Se levarmos em conta os jogos do turno em que Barcelona e Real Madrid enfrentaram os mesmos adversários que enfrentarão daqui até o fim, o Barça somou 13 pontos de 15 possíveis, enquanto o Real somou 12 de 18.

Repassamos o calendário daqui até o final da Liga, começando pelos jogos do meio desta semana.

RODADA 34
Quarta, 26 de abril
14h30 Barcelona x Osasuna (turno 0-3 Barça)
16h30 La Coruña x Real Madrid (turno Real 3-2)

O Barça recebe o lanterna do campeonato. O Osasuna perdeu só um de seus últimos quatro jogos, mas já é tarde para reagir. Está a nove pontos da salvação com mais 15 para jogar – ou seja, o rebaixamento é apenas questão de tempo. O Barça ganhou os últimos seis jogos que fez no Camp Nou contra o Osasuna, com 28 gols marcados (teve 7 a 0 e 8 a 0). O Real vai a um estádio em que ficou 18 anos sem ganhar – Zidane, por exemplo, nunca venceu uma no Riazor como atleta. Mas, uma vez quebrado o jejum, em 2010, o Real Madrid transformou o La Coruña em saco de pancadas. Nos últimos oito anos, são 11 vitórias do Real e um empate – são três vitórias seguidas no Riazor, com direito a um 8 a 2 em 2014. O La Coruña vive péssimo momento na temporada, mas as chances de cair são pequenas e o time ganhou do Barcelona e empatou com o Atlético em seu estádio.

RODADA 35
Sábado, 29 de abril
11h15 Real Madrid x Valencia (turno Val 2-1 Real)
15h45 Espanyol x Barcelona (turno Barça 4-1)

A rodada do fim de semana que vem é perigosa para ambos. O Real Madrid faz um clássico e, apesar de o Valencia não ser o mesmo de outros anos, venceu o jogo do turno e arrancou empates em quatro de suas últimas cinco visitas ao Bernabéu. O jogo será apenas três dias antes do primeiro dérbi entre Real e Atlético pela Champions, então é capaz que Zidane arrisque e deixe alguns titulares de fora. Em casa, o Real tinha 12 vitórias e 3 empates em 15 jogos na Liga, até ceder o empate ao Atlético e perder do Barça.  O dérbi catalão marcará a volta de Neymar ao Barça. O Espanyol não vence um jogo contra o Barça desde 2009 – desde então, 14 vitórias culés e três empates. É um time reforçado nesta temporada e que ocupa a metade de cima da tabela, no entanto, e sempre está louco para estragar as chances do Barcelona. Rodada chave para a definição do título.

RODADA 36
Sábado, 6 de maio
13h30 Barcelona x Villarreal (turno 1-1)
15h45 Granada x Real Madrid (turno Real 5-0)

Se tiver vencido o Osasuna na rodada 34, o Barcelona chegará a esse jogo com 10 vitórias seguidas em casa. Mas é bom lembrar que o time só não está em vantagem na tabela porque desperdiçou muitos pontos no Camp Nou em 2016: empates com Real, Atlético e Málaga, derrota para o Alavés. O Villarreal, fora de casa, arrancou empates contra o Real Madrid e o Sevilla. Em casa, ganhou do Atlético, empatou com o próprio Barça (gol de falta de Messi no último minuto) e só perdeu do Real porque levou uma virada no fim com influência de arbitragem. É um time perigoso, que sabe jogar contra os grandes e que chegará à partida disputando postos em competições europeias.

Já o Real Madrid viajará a Granada no jogo ensanduichado entre os dérbis de Champions contra o Atlético. É um jogo-armadilha, pois possivelmente Zidane poupará jogadores mais desgastados. O Granada é, hoje, o penúltimo, a sete pontos da salvação e com sete derrotas nos últimos oito jogos. Ou chegará a esta partida em recuperação e sonhando ou chegará praticamente rebaixado, que é o mais provável. O Real ganhou 10 de 11 jogos contra o Granada desde o acesso da equipe andaluza à elite.

RODADA 37
Domingo, 14 de maio, sem horários
Real Madrid x Sevilla (turno Sev 2-1 Real)
Las Palmas x Barcelona (turno Barça 5-0)

Depois de novo dérbi contra o Atlético, o Real Madrid chegará à penúltima rodada ou classificado para mais uma final ou eliminado da Champions League – o que significaria peso extra para ganhar a Liga. O Sevilla, hoje, está em quarto na tabela, a três pontos do Atlético de Madri em busca da classificação direta para a próxima Liga dos Campeões. Se ele ainda estará ou não nesta briga na penúltima rodada é uma das chaves para este duelo. Em seu estádio, o Sevilla ganhou do Real na atual e na temporada passada. Mas, em Madri, perdeu os últimos 11 jogos que fez por todas as competições. Não sai do Bernabéu com um pontinho sequer desde 2008. O Barcelona vai às Ilhas Canárias enfrentar o Las Palmas, um time que foi capaz de altos e baixos ao longo do ano e que empatou os dois jogos contra o Real Madrid. Quem sair dependendo apenas de si desta rodada possivelmente ficará com o título.

JOGO ATRASADO
Quarta, 17 de maio, ainda sem confirmação oficial
Celta x Real Madrid (turno Real 2-1)

O jogo que seria disputado em fevereiro vai ficar para o meio da semana que antecede a rodada final. Isso porque o Real Madrid foi avançando na Champions e o Celta, de forma surpreendente, chegou às semifinais da Europa League, onde enfrentará o Manchester United em busca da glória europeia. As atenções em Vigo estão todas na competição continental, mas muita água terá rolado por baixo das pontes quando este jogo for disputado. O Celta já ganhou do Real em Madri na temporada, empatando depois em casa e eliminando o todo poderoso oponente da Copa do Rei – ambos os jogos em janeiro.

ÚLTIMA RODADA
Domingo, 21 de maio, sem horários
Barcelona x Eibar (turno Eib 0-4 Barça)
Málaga x Real Madrid (turno Real 2-1)

Quem chegar à última rodada na liderança dificilmente deixará o título escapar. O Eibar faz um campeonato digno, mas é muito mais perigoso em seu estádio. O Málaga tirou cinco pontos do Barcelona, mas fez uma temporada instável e não costuma atrapalhar a vida do Real Madrid.

 


Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


Real Madrid deixa interrogações, Atlético deixa certezas
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O jogo do Real Madrid era para lá de completo. O time tinha uma grande atuação contra um grande adversário. Mas o recuo exagerado nos 15 minutos finais foi punido. O Atlético de Madri buscou o empate, e o dérbi madrilenho acabou em 1 a 1.

O Real Madrid chega a 72 pontos. E a grande sorte que teve no dia veio mais tarde, já que o Barcelona perdeu por 2 a 0 do Málaga e ficou três pontos atrás. O Real ainda tem um jogo a menos, então segue com gordura antes do superclássico do dia 23.

O grande problema para o time de Zidane são as dúvidas que ele deixa no ar. É um time capaz de empurrar, dominar, criar. Mas passa a impressão de só fazer gols de bola parada. E de não ter a mesma intensidade o tempo todo, como fazem times como o Atlético. Zidane não consegue fugir do arroz com feijão nas substituições.

Bale era o pior jogador do time durante toda a partida. Mas o francês tirou Kroos para colocar Isco. A substituição certa era tirar Bale e reforçar um meio de campo que estava sendo atropelado pela intensidade atlética.

O Real, previsível, tem agora dois confrontos “só” contra o Bayern de Munique. Haverá momentos para um lado e para o outro nos dois duelos. Mas será que o Real conseguirá derrubar o mais completo elenco da Europa só com bolas paradas?

O número de gols de bola parada que o Real Madrid fez na temporada é brutal. O amigo Vítor Birner, companheiro blogueiro aqui no UOL, criou um apelido: Zidanebol.

De fato, em muitos jogos da temporada o Real Madrid não fez absolutamente nada e encontrou a vitória depois de uma falta ou escanteio levantados na área. Foi deste jeito que o Real achou o gol no dérbi deste sábado. Para não ser injusto, Zidanebol seria se o Real Madrid fizesse apenas isso. Se levantar bolas na área fosse o recurso único. Não foi o caso contra o Atlético. Ainda assim, foi só desse jeito que saiu o gol.

O Atlético de Madri é um baita time de futebol. Se o Real sai do dérbi com interrogações, o Atlético sai com certezas. Vive seu melhor momento na temporada e tem tudo para passar o carro em cima do Leicester e chegar a mais uma semifinal europeia.

Não dá chutão. Não adianta ser tão bom defensivamente, recuperar bolas e dar uma bicuda para ver o que acontece. Era assim três, quatro anos atrás, ainda com Diego Costa. Ao longo das últimas temporadas, o Atlético foi desenvolvendo esse jogo de bola no chão, passes curtos, saída rápida e com qualidade.

Alterna marcação alta com marcação mais recuada, sempre com incrível sincronia. Sabe sair trocando passes de trás, sabe alongar para a velocidade nas costas dos laterais. O Atlético sabe, enfim, levar partidas de futebol de muitos modos diferentes. É mais imprevisível. Tem mais recursos táticos do que o Real Madrid sob Zidane.

O primeiro tempo neste sábado foi um grandíssimo jogo de futebol, apesar do 0 a 0. O Atlético fechou as linhas de passe para Modric e Kroos, deixando a bola sobrar para Casemiro e os zagueiros. Mesmo assim, o Real Madrid conseguiu mandar no duelo. E foi pelo meio, primeiro após uma tabela, depois com bola roubada por Modric, que o Real quase chegou ao gol. Benzela obrigou Oblak a fazer uma defesaça, e Cristiano Ronaldo teve gol certo salvo em cima da linha por Savic.

Ao Atlético, faltava a conexão final com Griezmann e Torres. O time marcava bem, saía bem da marcação do Real, mas não conseguia conectar com os homens de frente – até porque Saúl fazia péssima partida, errático nos passes, e Carrasco estava muito afastado do campo de ataque.

Ainda assim, Griezmann chegou a obrigar Navas a fazer ótima defesa e algumas bolas paradas levaram perigo.

O segundo tempo começa com mais uma defesaça de Oblak contra Benzema. E, aos 7min, vem a falta infantil de Saúl, colocando a mão na bola em um lance bobo na intermediária. Quem dá bolas paradas de graça para o Real Madrid paga o preço. O cruzamento de Kroos foi na medida para o gol de Pepe.

Neste momento, o Real tinha o jogo a seu dispor. Mas o Atlético é um time tão bom e experiente que não caiu na armadilha. Não foi desesperado para frente, dando o contra ataque que o Real tanto ama.

Numa enfiada pelo meio, Torres ficou cara a cara, e Navas fez ótima defesa. Saíram Saúl e Torres, os piores do Atlético. A entrada de Correa deu mais do que certo. O argentino e Thomas conseguiram trabalhar entre as linhas do Real, sobrecarregando Casemiro. Zidane perdeu Pepe, que levou uma joelhada de Kroos, e tirou o próprio alemão.

O Real Madrid recuou demais na expectativa de contra atacar. Não agrediu. Quis segurar o 1 a 0. E aí o Atlético, que sabe jogar também com a bola nos pés, tomou conta do jogo. Em uma enfiada de Correa, Griezmann, um dos atacantes mais quentes do momento, empatou. Nacho, que entrou no lugar de Pepe, não parece ter a capacidade de ser o zagueiro titular ao lado de Ramos. Mas com Varane e, pelo jeito, Pepe fora de combate, é o que Zidane tem para hoje.

O Real Madrid quis fazer o que não sabe. Não é um time que domina todas as facetas do jogo, como seu rival de hoje.

O Atlético dominou os minutos finais, contra um Real Madrid aturdido em campo. É intensidade demais para um jogo só.

Desde que Simeone chegou ao Atlético, no fim de 2011, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético, 7 empate. São três vitórias atléticas e um empate nos últimos quatro jogos entre eles pela Liga espanhola no Bernabéu.

O Atlético era freguês de carteirinha do maior rival. Hoje, é uma pedra de sapato quase que intransponível.


Pedra no sapato, Atlético é barreira para o Real voltar a ganhar a Liga
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juliogomes

Muitos se espantam e demoram para assimilar esta informação: o Real Madrid ganhou somente uma das últimas oito ligas espanholas.

Precisaríamos voltar à década de 40, no período pós-Guerra Civil espanhola, para encontrar uma seca de títulos domésticos comparável. É por isso que, apesar de o Real Madrid ser o rei da Europa, com 11 títulos máximos continentais, e amar de paixão a Champions League, nesta temporada especificamente muitos considerem mais importante ganhar a Liga.

Para isso, o time de Zidane chega neste fim de semana a um duelo crucial: o dérbi contra o Atlético de Madri (sábado, 11h15 de Brasília). O dérbi eram favas contadas quando Zidane jogava pelo Real. Mas as coisas mudaram um pouquinho depois da chegada de um certo argentino.

O Real tem 71 pontos na tabela, 2 a mais que o Barcelona e com um jogo a menos. Ou seja, está no comando. Mas um tropeço no dérbi deixaria o time sem margem de erros antes do superclássico do dia 23, contra o Barça, em Madri.

O Barcelona vive seu melhor momento na temporada após a virada sobre o PSG e com o crescimento fenomenal de Neymar em março. O Atlético de Madri também vive seu melhor momento na temporada, com cinco vitórias consecutivas no campeonato e o reencontro com a solidez defensiva que marca o time desde a chegada de Simeone, no fim de 2011.

Já o Real Madrid, apesar de também vir de cinco vitórias seguidas e de ter feito gols nos últimos 51 jogos oficiais que realizou, ainda deixa dúvidas. Sofre muitos gols (só deixou de ser vazado em 3 dos últimos 20 jogos) e depende demais da bola cruzada na área para conseguir vitórias na marra. Chega uma hora em que ímpeto e confiança não são suficientes para compensar a falta de volume de jogo, de criação, de alternativas ofensivas.

Zidane, campeão europeu, foi inteligente ao apostar no arroz com feijão. Foi depois da derrota no dérbi para o Atlético, no Bernabéu, em fevereiro de 2016, que ele voltou a colocar Casemiro no time. O problema é que muito arroz com feijão enjoa. E o francês vai cada vez mais dando argumentos aos que desconfiam de sua capacidade de mudar jogos e criar alternativas táticas.

Do outro lado, está “El Cholo” Simeone. Muito já se falou disso, mas é impossível deixar de lembrar. Há um antes e depois de Simeone na história recente dos dérbis madrilenhos.

No início do século, o Atlético vivia o fundo do poço, amargurou dois anos da segunda divisão. Voltou à elite na temporada 2002/2003 e, se fizermos o recorte aqui, veja que dado interessante encontramos.

Nos 21 dérbis após a volta do Atlético, o Real Madrid ganhou 16 e empatou 5 – por todas as competições. Eram sete vitórias consecutivas do Real quando Simeone chegou ao banco do Atlético. Desde então, foram disputados outros 21 dérbis por todas as competições: 7 vitórias do Atlético, 8 do Real e 6 empates.

O aproveitamento de pontos do Atlético nos dérbis subiu de 8% a 43% com Simeone. Alguma coisa, não é mesmo?

É claro que a memória recente das duas finais de Champions League vão nos remeter à imagem dos jogadores do Real Madrid com a “orelhuda” em mãos. Mas o fato é que o Atlético passou a jogar os dérbis de igual para igual, passou a ser uma pedra no sapato do primo rico da cidade.

O Atlético passou a ser um time com escalação conhecida por qualquer pessoa mais atenta. Tem uma espinha dorsal formada por jogadores que não pretendem “subir um degrau”, trocando o Atlético por um clube maior na Europa. Jogadores, muitos deles, campeões da Espanha três anos atrás, finalistas de Champions, que sentem a camisa do clube e que se sentem capazes de tudo. Confiam cegamente no treinador e realizam todas (e mais algumas) tarefas requisitadas.

Juanfran, Godín, Gabi e Koke jogaram, juntos, em 18 dos 21 dérbis sob Simeone. Filipe Luís compôs a linha defensiva em 9 destes 18 jogos (passou uma temporada fora). Atrás, o time é o mesmo há anos. Tem um goleiraço, Oblak, e muita sincronia defensiva. Entrosamento a toda prova.

Na frente, sim, o time foi mudando. Para melhor. Ganhou qualidade, acrescentou jogadores técnicos como Carrasco e Griezmann. No meio, apareceu o ótimo Saúl. Na frente, o resgate de Torres, a chegada de Gameiro. É um Atlético que já há tempos não vive só de se defender, como gostam de falar os críticos de Simeone. Um time sem medo algum de ter a bola, que se adapta e joga o jogo de várias formas diferentes ao longo de 90 minutos.

Simeone comandou o Atlético nove vezes no Bernabéu, ganhou quatro e perdeu três. Os colchoneros ganharam no estádio rival nos últimos três campeonatos, coisa que clube algum havia conseguido na história do futebol espanhol.

 

O Real Madrid sabe que ganhar a Liga passa por quebrar essa pequena escrita e ganhar o dérbi.


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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juliogomes

O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.

 


Real arruma mais um ponto milagroso; Barça arruma tranquilidade
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juliogomes

O Campeonato Espanhol ferve. Depois de um fim de semana em que o Barcelona ganhou sabe-se lá como do Atlético de Madri e o Real Madrid precisou de uma ajudaça da arbitragem para virar um jogo em Villarreal, a rodada de meio de semana acabou representando mais gasolina na fogueira.

Em um espaço de poucos minutos, Luís Enrique anunciou que não será mais técnico do Barcelona ao final da temporada. Bale foi expulso por perder a cabeça. O Real Madrid perdia em pleno Santiago Bernabéu para o modestíssimo Las Palmas. E arrumou mais um empate com DOIS GOLS nos minutos finais.

É incrível como é difícil ganhar do Real Madrid. Não existe clube no mundo com um espírito tão competitivo. Para jogar no Real Madrid, a primeira credencial de qualquer atleta é nunca achar que não dá. Para o Real Madrid, sempre dá.

Com 0-2 em Villarreal, um pênalti bizarro significou o 2-2, logo depois veio o 3-2. Com 1-3 contra o Las Palmas, mais um pênalti bem duvidoso representou o segundo gol – para ser justo com o juiz, pênalti tão duvidoso quanto o dado para o Las Palmas fazer o segundo dele. Eu daria ambos.

O Las Palmas é um time de meio de tabela, que vinha de quatro derrotas seguidas, em seu pior momento. Havia visitado o Bernabéu 32 vezes na história do campeonato, tinha ido embora 28 vezes derrotado e outras 4 com um empate. Perde a chance de ouro de ganhar lá pela primeira vez.

No Bernabéu, o Real não perde um jogo de Liga espanhola há exatamente um ano – o 1 a 0 para o Atlético de Madri que colocou interrogações no trabalho de Zidane – interrogações que pairam como nunca. Foram 15 vitórias e 3 empates no período.

Todos esses dados apenas nos fazem ver o quão improvável seria uma vitória do Las Palmas em Madri nesta quarta-feira.

E servem para expor também um Real Madrid que não consegue mais resultados sem criar jogo. É um time que depende demais de chuveirinhos, que alterna boas partidas com outras horrorosas. Os dois gols do empate milagroso saíram de cruzamentos na área. Um resultou em pênalti, o outro, de um escanteio também duvidoso, acabou em gol de cabeça de Cristiano Ronaldo.

Um Real que passou a temporada inteira tomando gols demais – primeiro, colocavam a culpa nos desfalques defensivos. Agora, difícil não apontar o dedo para Zidane. Casemiro não jogou contra o Las Palmas. Não é possível um time como o Real Madrid depender tanto de Casemiro para ter algum equilíbrio defensivo. Com todo respeito ao ótimo volante, estamos falando do clube mais vencedor e mais rico da Europa.

Por outro lado, o Barcelona vai conseguindo afastar seus fantasmas.

Depois da debacle europeia em Paris e as fortes críticas a Luís Enrique, tanto por seu trabalho e a falta de jogo do time quanto por sua má educação no trato com a imprensa, o Barça reencontrou um caminho.

A vitória sobre o Atlético em Madri e a goleada tranquila sobre o Sporting Gijón, nesta quarta, mostram que o time encontrou certa tranquilidade no campo. A construção de jogo é problemática, mas, com Messi, Suárez e Neymar, é possível imaginar que o Barcelona fará muitos gols e terá raros tropeços na Liga.

O anúncio da saída de Luís Enrique também ajuda. É melhor a imprensa passar semanas especulando quem será o próximo técnico do que ficar debatendo se Luís Enrique fica ou não fica.

Já falou, vai sair, acabou a novela.

De alguma forma, dentro da bomba que é o anúncio de Luís Enrique, o Barcelona ganha certa paz para a reta final da Liga. O técnico sai dos holofotes.

Quer queira quer não, o Barça é o líder, um ponto na frente do Real Madrid. É verdade que o Real ainda tem um jogo a menos. Mas, no atual momento, não dá mais para garantir que o Real ganhe jogo algum.


Messi resolve contra a vítima predileta, e Barça renasce
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juliogomes

Após dias para lá de tumultados, o Barcelona renasceu na temporada com uma importante vitória por 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em pleno estádio Vicente Calderón.

O Barcelona segue um ponto atrás do Real Madrid na tabela, já que o Real virou em Villarreal após estar perdendo por 2 a 0 – haverá muita polêmica na semana, o gol de empate do time madridista saiu de um pênalti absurdamente marcado. A virada veio logo depois.

O futebol do Barça mostrou poucos sinais de melhora. No primeiro tempo, o Atlético dominou completamente a partida, foi muito superior contra um rival apático em campo. As chances do Barcelona vieram em dois contra ataques e uma falta cobrada por Messi.

O goleiro Ter Stegen era o melhor em campo. Com mais vontade nas divididas, mais volume de jogo no meio de campo, mais bola, de fato, o Atlético mandava.

No segundo tempo, o Barcelona melhorou. E chegou ao gol com Rafinha, o filho mais novo de Mazinho, titular no meio de campo e que tentou fazer as vezes de Daniel Alves, jogando bem aberto pela direita – foi a mudança tática do pressionado técnico Luís Enrique para tentar resolver o fluxo de jogo. Rafinha aproveitou um bate rebate na área, com duas bolas espirradas seguidas, para tocar com oportunismo.

O Atlético seguiu melhor, empatou em uma bola parada (Godín, de cabeça) e quase virou. Mas, no finalzinho, Messi definiu. Um Messi sumido em campo. Mas Messi é Messi.

Foi o último jogo entre Atlético e Barça no Calderón, pois o Atlético terá estádio novo na temporada que vem. E Messi fez 13 gols nesse estádio, o lugar onde mais fez gols (fora o Camp Nou, logicamente). Já são 27 gols em 34 partidas contra o Atlético, a vítima preferida do argentino.

Em jogos exclusivamente da Liga espanhola, são 22 gols em 22 partidas contra o Atlético, que se despede do Calderón com um incômodo jejum. Ganhou pela última vez do Barça ali em jogos da Liga em 2010 – logicamente, houve vitórias por outros torneios, como a Liga dos Campeões do ano passado. Mas, pelo Campeonato Espanhol, Simeone segue sem ter vencido o Barcelona.

Para o Atlético, a derrota significa pouco. Jogou muito bem, acabou perdendo, mas já não tinha chances reais de ser campeão espanhol. O negócio para o Atlético é a Champions, com vaga quase certa nas quartas de final e em busca da terceira final em quatro anos.

Para o Barcelona, a vitória pode ser um renascimento. Já que a Inês é morta na Champions, é importantíssimo vencer em um estádio como este e mostrar ao Real Madrid que está vivo e forte na briga pelo título.

O jogo do time continua dependendo de estocadas dos três atacantes. O meio de campo segue inoperante. Mas Messi segue aí. Enquanto há Messi, há vida.

 


Pênalti em Neymar salva Barcelona do tropeço, mas não do vexame
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juliogomes


Com 3 minutos de jogo, já estava 1 a 0. Era Barcelona, o todo poderoso Barcelona, contra o Leganés, time minúsculo, pela primeira vez em sua história na primeira divisão espanhola, pela primeira vez jogando no Camp Nou.

4 a 0? 5 a 0? 6 a 0? Qual seria o resultado final da partida?

Pois é. Foi 2 a 1. Com um gol de pênalti de Messi aos 44min do segundo tempo.

Pênalti cavado por Neymar, que jogou bem o tempo inteiro.

No Camp Nou, o Barcelona já havia perdido para o Alavés e empatado com o Málaga na temporada. Não havia conseguido superar os rivais Real e Atlético de Madri. Já são 9 pontos perdidos em casa. O Barça escapou de serem mais, mas não escapou das justas (e raras) vaias.

Seria surreal um tropeço neste domingo, porque o jogo era contra um debutante em péssima fase. Apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento, sem vencer uma partida sequer desde novembro, o pior ataque do campeonato, que havia passado cinco dos últimos seis jogos sem fazer um golzinho.

Se o Barça não ganhasse do Leganés, ia ganhar de quem?

Tudo isso apenas cinco dias depois da humilhação de Paris, a derrota por 4 a 0 para o PSG que deixou o Barcelona praticamente eliminado nas oitavas de final da Champions League – fato que não acontece desde 2007.

O Barça começou o jogo com raiva. Querendo dar uma resposta após a goleada de terça-feira. Fez 1 a 0, martelou, realmente parecia que chegaria à goleada. Mas foi perdendo velocidade, ímpeto, caindo de novo na dinâmica de jogo que não encanta ninguém.

Mais do que falta de vontade, o Barcelona sofre de falta de jogo.

Neste domingo, Messi, Suárez e Neymar fizeram uma partida para lá de digna. Todos tentaram, participaram, se movimentaram. Mas jogam sozinhos. Os adversários sabem disso, dobram ou triplicam a marcação nos atacantes e deixam os meias e laterais livres.

Sergi Roberto definitivamente não é a resposta à sentida ausência de Daniel Alves. Foi ele, aliás, que perdeu uma bola boba, que acabaria no empate do Leganés – antes disso, diga-se a verdade, o Leganés já havia criado três boas chances em contra ataques. E ainda teve uma bola raspando a trave nos acréscimos.

Digne, o francês que jogou pela esquerda, fez uma má partida. Não ajudou Neymar em nada. André Gomes é um meio campista fraco e está virando o símbolo desta fase de futebol medonho do clube. É o rosto da crise.

Iniesta e Busquets fazem muita falta. Como também fazem Mascherano e Piqué. Como faz Rakitic (jogou, mas por onde andará aquele Rakicitc?). O Barcelona não consegue sair com a bola. Não há fluxo de jogo, triangulação, diagonais. O meio de campo culé não cria nada, apenas entrega a bola aos atacantes com uma mensagem de papel: “se vire aí”.

Luís Enrique foi massacrado ao longo da semana, até porque deu uma resposta extremamente grosseira a um repórter catalão após a goleada em Paris. Será mais uma semana tensa e de especulações. O técnico só tem contrato até o final da temporada e vai parecendo cada vez mais claro que não continuará. Quando isso fica claro, sobra tentar adivinhar quem chegará para seu lugar.

Quem tem Messi, Suárez e Neymar no time, nenhum deles machucado, precisa fazer algo melhor do que Luís Enrique vem fazendo.

O Barcelona está virtualmente eliminado da Champions. Na Liga espanhola, está um ponto atrás do Real Madrid – mas podem ser sete, porque o Real tem dois jogos a menos, e o duelo entre eles no segundo turno será em Madri. Sobra a Copa do Rei, com final contra o também pequenino Alavés.

Se a final fosse domingo que vem, capaz que desse Alavés. Mas domingo que vem o Barcelona tem que ir a Madri enfrentar o Atlético. Só isso.

O pênalti sofrido por Neymar, em uma jogada individual e nada coletiva, salvou o Barcelona de um tropeço surreal. Mas não salvou do vexame.

 


Sergio Ramos redefine a “lei do ex”. Sevilla derruba o Real!
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juliogomes

Sergio Ramos jogou muito bem no Sevilla, em uma época de renascimento do clube. É um filho da cidade. Com 19 anos, o Real Madrid foi até o Sul contratar o zagueiro que seria o “novo Hierro”. Na época, falou-se daqui, dali e não pegou muito bem a saída de Ramos lá na Andaluzia.

Acelera a fita e chegamos ao meio da semana, quando Sevilla e Real Madrid se enfrentavam pela Copa do Rei. Com os 3 a 0 da ida, a eliminatória estava morta. Mas o Real defendia uma invencibilidade de 39 jogos oficiais, marca histórica e igual à conquistada pelo Barcelona nas duas temporadas anteriores.

O Sevilla ganhava por 3 a 1 até o 38min do segundo tempo. Foi quando Sergio Ramos bateu um pênalti com cavadinha. Deu aquela humilhada. Comemorou, meio que com raiva da torcida. E, claro, foi vaiado. Depois, disse que não tinha comemorado nada e que, quando morresse, seria enterrado com uma bandeira do Sevilla e outra do Real sobre o caixão. Disse que não entendia por que Daniel Alves (um brasileiro) era aplaudido no estádio Ramón Sánchez Pizjuán, enquanto ele era xingado.

Nos acréscimos daquele jogo, Benzema decretaria o 3 a 3, e o Real chegaria ao recorde do país, 40 jogos de invencibilidade. E Sergio Ramos se transformou no personagem da semana.

Chegamos a este domingo, jogo válido pela liga espanhola. Líder contra vice-líder, para se ter uma ideia de quão bons são o time do Sevilla e seu técnico, Jorge Sampaoli.

Após um bom primeiro tempo do Sevilla, o Real tomou conta do jogo no segundo, chegou ao gol e parecia a ponto de jogar um balde de água fria na liga espanhola. Criava chances para matar a partida.

Foi quando, aos 40min do segundo, Sergio Ramos apareceu. E fez um gol… contra!

Não dava para ter deixado o torcedor do Sevilla mais feliz. O personagem da semana tirava a vitória importantíssima do Real. Como disse um seguidor no Twitter. “A lei do ex se superou”.

A “lei do ex”, todos sabem, é evocada sempre que um ex-jogador de um clube marca quando reencontra o time que defendia. Sergio Ramos redefine a lei do ex ao meter um gol contra o Sevilla na quarta para depois, no domingo, fazer contra o atual, em favor do ex. Uau!

Mas tinha mais. O Sevilla cresceu no jogo, e o Real ficou atordoado. Jovetic, que chegou agora ao clube, meteu o 2 a 1 aos 45! E foi pelos ares a história invencibilidade de 40 jogos do Real Madrid de Zidane.

Êxtase total no Sánchez Pizjuán, onde o Sevilla derruba o todo poderoso Madrid pela segunda temporada consecutiva, quebra a série invicta e coloca fogo no campeonato.

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Na Espanha, são poucos os jogos em que você olha para a tabela e imagina um tropeço de Real Madrid ou Barcelona. O tropeço pode acontecer, vira e mexe acontece. Mas é difícil prevê-lo. Salvo pouquíssimas exceções, os dois grandões entram sempre em campo com um favoritismo destacado. Neste domingo, tínhamos um desses jogos-chave para o campeonato. Um jogo em que poderia acontecer o que, de fato, aconteceu. Gracias, Sergio Ramos!

O Real Madrid fica com 40 pontos, apenas 1 de vantagem para o Sevilla e 2 para o Barcelona. O Atlético está 6 atrás. Tem um detalhe: o Real tem um jogo a menos que essa turma toda. Ainda está no controle. Mas…

Esquenta na Itália, esfria na Inglaterra

A Juventus levou 2 a 1 da Fiorentina, em Florença, ao mesmo tempo que o Real caía em Sevilha. E a liga italiana também esquentou. A Juve tem agora só um ponto de vantagem para a Roma e quatro para o Napoli – apesar de, assim como o Real, ter um jogo a menos.

Já na Inglaterra, foi o contrário.

O Chelsea foi até a casa do atual campeão, o Leicester, e meteu 3 a 0 sem suar muito no sábado. Isso com uma semi crise se desenhando, após Antonio Conte barrar Diego Costa do jogo – falou-se de tudo, mas parece que tiveram um bate boca e o centroavante está balançado pela absurda proposta que recebeu da China.

Não bastasse a demonstração de foco e força, o Chelsea ainda viu de camarote, no domingo, Manchester United e Liverpool empatarem um ótimo jogo por 1 a 1. E o Manchester City levar 4 a 0 do Everton – Guardiola já até “jogou a toalha“.

O Chelsea lidera a Premier League com 52 pontos, 7 a mais que Liverpool e Tottenham, 8 a mais que o Arsenal, 10 a mais que o City e 12 a mais que o United. Faltam ainda 17 rodadas, mas é difícil ver o time de Conte perdendo pontos bobos – e o Chelsea tem a vantagem de não estar envolvido na Champions League, o foco é total na liga doméstica.

No dia 31 de janeiro tem Liverpool x Chelsea. Logo depois, no dia 4 de fevereiro, tem Chelsea x Arsenal. Ou a liga inglesa esquenta de novo nesses dois jogos ou o Chelsea já pode ir preparando a festa e nos restará acompanhar uma bela briga pelas vagas na Champions – hoje, os dois times de Manchester, de Pep e Mou, estariam fora.

Na sexta-feira, volta a Bundesliga. Olho no Bayern de Munique de Carlo Ancelotti. Começou a temporada claudicante, mas engatou no fim do ano e é um dos grandes favoritos a conquistar a Champions League.