Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Campeonato Espanhol

Isco, melhor do Real Madrid, é solução e problema para Zidane
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Cristiano Ronaldo fez 25 gols. Sergio Ramos arrancou muitos pontos nos “seus” acréscimos. Marcelo foi enorme. Mas nenhum jogador do Real Madrid foi mais valioso que Isco na campanha do título espanhol, conquistado no domingo com a vitória em Málaga – justamente a região natal do meia.

Não estou falando que Isco é melhor que esses caras. E não estou colocando a Liga dos Campeões da Europa na conta. Isco foi o MVP, o mais importante do Real especificamente na campanha da Liga doméstica.

O título chega após cinco anos da última conquista e havia virado uma obsessão do Real Madrid. Afinal, o todo poderoso clube da capital havia conquistado só uma das oito competições anteriores. O domínio do Barcelona estava incomodando demais, e Zidane sabia que era importante reconquistar a soberania nacional.

Para isso, arriscou. Depois da longa viagem para o Mundial, quando virou o ano e o calendário apertou, com Copa do Rei e mata-mata da Champions, Zidane passou a usar seguidamente a profundidade do elenco. Foram cinco jogos em casa com praticamente só reservas do meio para frente – só não usou reservas na defesa também por causa das lesões.

Isco estava nesse grupo de reservas. Zidane sempre deixou muito claro que não mexeria no tal trio BBC, Bale-Benzema-Cristiano, apesar da pressão da imprensa espanhola. A pressão era mais por causa de Morata, outro dos reservas, que poderia entrar no lugar de Benzema. Isco nunca teve esse lobby todo.

Com os reservas, ele brilhou. O jogo em que o Real passou mais perto de tropeçar foi o de Gijón. E aí Isco fez isso aqui para empatar a partida. E depois isso aqui, aos 45min do segundo tempo, para decidir. Logo depois de os titulares perderem o clássico para o Barcelona, os reservas foram a La Coruña e fizeram 6 a 2 no Deportivo. Jogo-chave em que Isco só não fez chover.

E Bale se machucou. E depois se machucou de novo. Chegou a hora de Isco entre os titulares, justo nessa reta final de campeonato e Champions.

E a presença dele no meio de campo, à frente de Modric e Kroos, formando um losango com Casemiro no vértice oposto, simplesmente arrumou o Real Madrid.

Por mais que os resultados estivessem chegando, o Real Madrid deixava muitas interrogações ao longo da temporada. Talvez, em um campeonato mais competitivo, tipo Inglês ou Alemão, tivesse deixado mais pontos para trás na primeira metade. Conseguiu muitas vitórias no sufoco, nos minutos finais (isso tem mérito, mas por que chegar a esse ponto?) e era um time ultradependente da bola aérea. Parecia só fazer gol assim.

Os times cortavam as linhas de passe de Modric e Kroos e complicavam muito a fluência de jogo do Real Madrid. A presença de Isco no lugar de Bale acerta isso. Os corredores ficam livres para os laterais, Kroos e Modric ganham um parceiro e possibilidades, Benzema e Cristiano Ronaldo passam a receber muito mais bolas limpas na frente.

Isco mandou no jogo contra o Atlético de Madri, no Calderón, com o Real 2 a 0 abaixo e contra a parede (isso pela Champions). Foi dominante na reta final do Espanhol, concluindo com um jogaço contra o Málaga dele na última partida. Saiu aplaudido pelas duas torcidas, algo raro, fez uma assistência maravilhosa, de três dedos, para o primeiro gol (de Cristiano Ronaldo).

Está cada vez mais parecido com Iniesta e tem só 25 anos de idade. Um meia que se mexe muito pelo campo, tem chegada, drible curto. A bola gruda em seus pés, ele limpa as jogadas passando por um ou dois e abre o campo para criar jogadas de perigo. Muito rápido, muito inteligente, muito esperto na tomada de decisões.

E ainda por cima tem gol! Fez dez no campeonato, apenas um a menos que Benzema, cinco a menos que Morata.

Mas então, se Isco foi tão importante assim, por que ele é um problema para Zidane?

Bale está trabalhando para chegar bem à final de Cardiff – por sinal, Cardiff é a capital do País de Gales. A imagem de Bale estará por todos os lados, ele é o grande personagem no local da decisão da Champions.

Zidane já disse mil vezes que “com o trio BBC não se mexe”.

E agora? E se Bale se recuperar a tempo? Zidane terá coragem de deixar Isco no banco e mexer em um sistema de jogo que está dando tão certo, voltando para um esquema de Cristiano e Bale abertos, com um vão no meio?

Isco não será problema. Se Zidane tiver percebido que ele foi a solução.


Na Espanha, o papo agora é a “mala branca”. Será?
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juliogomes

É tão comum quanto aqui no Brasil. Chega o final da temporada na Espanha e sempre algum time precisa da ajuda do outro para alguma coisa. Para ser campeão, para não cair, para ir para a Champions…

O que conhecemos aqui como “mala branca”, na Espanha é chamado de “maletín”.

No campeonato, já estão definidos os rebaixados (Sporting Gijón, Osasuna e Granada) e os classificados para a Liga dos Campeões da Europa (Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri na fase de grupos, Sevilla na fase prévia). Resta essencialmente a briga pelo título.

Real Madrid e Barcelona têm os mesmos 87 pontos na tabela. O primeiro critério de desempate é o confronto direto, e aí o Barça tem a vantagem – é, portanto, o líder no momento. Mas ao Barça só resta mais um jogo, em casa contra o Eibar. O Real Madrid ainda joga mais duas vezes, ambas fora de casa – quarta-feira contra o Celta, em Vigo, e domingo em Málaga.

A entrevista coletiva de Zinedine Zidane, hoje, teve perguntas sobre os famosos “maletínes”.

Será que alguém (tipo… o Barcelona) vai oferecer mala branca para os jogadores do Celta?

“Não falarei sobre isso. São jogadores profissionais, os do Celta”, falou Zidane.

Que, por sinal, desenvolveu uma enorme capacidade de encerrar as polêmicas rapidamente em suas entrevistas. Não dá a corda que a imprensa tanto gosta. Morata saiu zangado no domingo? “Não era comigo”. Vai ter mala branca? “Não respondo”. James Rodríguez não treinou e já está negociado com o Manchester United? “Só levou uma pancada”.

E assim vai Zidane. Sem polêmicas, sem apontar dedo, fiel a seus conceitos e com a linguagem que os jogadores adoram.

Mala branca é debate antigo. Alguns acham que é normal, um incentivo a outros jogadores. Alguns acham antiético, um expediente que não deveria ser usado. No mundo perfeito, nenhuma premiação em dinheiro deveria ser necessária para jogadores de futebol darem tudo em campo. Mas sabemos que o ser humano está longe de ser perfeito.

Não acho muito normal que o Barcelona perca tempo e corra risco de se expor oferecendo bicho extra aos jogadores do Celta. Mas, no futebol, convém não duvidar de nada.

O Celta perdeu cinco jogos seguidos na Liga espanhola. E não vence há um mês somando todas as competições (dois empates e seis derrotas). Esse “derretimento” no fim da temporada tem a ver com as atenções voltadas para o sonho vivido na Europa League. O Celta acabou eliminado pelo Manchester United na semifinal, mas teve grande chance de gol perdida aos 51min do segundo tempo em Old Trafford. Esteve a uma finalização bem feita de eliminar o United e ir à final.

É um time que tem, portanto, bola para complicar o Real Madrid. E complicar o Real Madrid é algo que toda torcida na Espanha quer. Nem precisa de maletínes.


Esperança do Barça é que Real repita pior sequência com Zidane
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juliogomes

Zidane assumiu o comando técnico do Real Madrid em janeiro de 2016. Ao longo do ano passado inteiro, perdeu apenas dois jogos, foi campeão da Liga dos Campeões e do Mundial da Fifa. No comecinho de 2017, perdeu dois jogos seguidos: para Sevilla e Celta de Vigo.

São exatamente os dois adversários do Real Madrid no domingo e quarta-feira seguintes ao duelo de Champions contra o Atlético no meio desta semana.

Para ser campeão espanhol pela primeira vez desde 2012, o Real Madrid precisa somar sete pontos em seus três jogos restantes. Em casa contra o Sevilla, fora contra o Celta e fora contra o Málaga.

Após as goleadas de sábado sobre Granada e Villarreal, respectivamente, Real e Barcelona têm os mesmos 84 pontos. O Barça tem a vantagem no critério de desempate, mas só jogará mais duas vezes – o normal é que some seis pontos contra Las Palmas (fora) e Eibar (em casa).

Ao Barcelona, além de ganhar seus jogos, resta torcer contra o Real Madrid, um time que fez gols em todos os 55 jogos oficiais da temporada.

O Real de Zidane estabeleceu em janeiro um recorde histórico de 40 jogos seguidos sem perder. O jogo do recorde foi em Sevilha, pela Copa do Rei, um 3 a 3 arrancado com um gol de Benzema aos 48min do segundo tempo – valia apenas a marca, pois o Real já estava classificado, havia vencido por 3 a 0 na ida.

Três dias depois, os times voltaram a se enfrentar, pela penúltima rodada do turno da Liga espanhola. E o Sevilla quebrou a invencibilidade histórica do Real com uma vitória por 2 a 1 – gol contra de Sergio Ramos (ex-sevillista), aos 40min, e virada com Jovetic, aos 46min do segundo tempo.

Mais três dias se passaram, e o Real Madrid perdeu em casa para o Celta, por 2 a 1, pela Copa do Rei – com alguns desfalques, mas time titular em campo. Um empate por 2 a 2 na semana seguinte, em Vigo, decretaria a eliminação do Real na competição.

O Real voltaria a jogar em Vigo em fevereiro pelo Campeonato Espanhol, mas uma tempestade afetou o estádio Balaídos, e o jogo foi adiado. Por coincidência, será realizado agora entre penúltima e última rodadas, justamente depois do duelo contra o Sevilla.

Esta mesma sequência de jogos, a única em que Zidane saiu derrotado seguidamente desde que assumiu o clube, se repete – com os mandos de campo invertidos.

Um fio de esperança para um Barcelona se amarrando a qualquer coisa em suas “secadas”. E não basta torcer para o Real empatar uma. Precisa perder uma. Ou empatar duas.

O Sevilla está em quarto no campeonato e o jogo de domingo, no Bernabéu, está longe de ser de vida ou morte. São cinco pontos abaixo do Atlético de Madri e seis acima do Villarreal na tabela. Um ponto basta ao Atlético para se garantir em terceiro lugar e ganhar a vaga direta para a próxima Champions. E um ponto basta ao Sevilla para se garantir em quarto e ir pelo menos para a fase prévia da Champions. Na última rodada, o time de Sampaoli recebe em casa o lanterna e já rebaixado Osasuna. Se perder do Real Madrid, portanto, deve conseguir o ponto que falta depois.

Já o Celta perdeu três jogos seguidos e caiu para 11o lugar na tabela – são cinco derrotas em seis partidas. É um bom time, mas com a cabeça em outro lugar, com a cabeça no sonho europeu. Na quinta-feira, o Celta viaja a Manchester para enfrentar o United por uma vaga na Europa League. É a melhor campanha europeia da história do clube, que tenta sua primeira final continental. Para isso, terá de reverter a derrota de 1 a 0 em casa, sofrida na última quinta.

O mais provável é que chegue eliminado para o confronto da outra quarta-feira, contra o Real Madrid. Será aplaudido e homenageado por seu torcedor. Mas daí a complicar um time ultramotivado pela chance de título…

O Barcelona perdeu para o Celta em Vigo e perdeu também para o Málaga, que será o adversário do Real Madrid na última rodada.

Se o Real não tropeçar e ganhar o título em Málaga, o terá feito na mesma cidade em que o Barcelona perdeu pontos pela última vez no campeonato. Aquele jogo da expulsão de Neymar.


A Liga dos reservas do Real Madrid e da coragem de Zidane
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juliogomes

Não sou o analista mais eufórico sobre a capacidade de Zinedine Zidane como técnico de futebol. Ao longo deste pouco mais de um ano de sua carreira, no comando “só” do Real Madrid, vi muito conservadorismo nas substituições, um time ultradependente da bola aérea e muito vazado atrás. Pouca capacidade de mudar jogos complicados.

Mas não é possível tirar os méritos de Zidane se o Real confirmar o título espanhol (só ganhou um nos últimos oito anos) e chegar à final da Champions – duas possibilidades para lá de prováveis. A estratégia de rodízio nas escalações foi simplesmente perfeita.

Se Zidane ainda sente dificuldades nos 90 minutos, mostrou enorme capacidade de pensar a temporada como um todo. Mostrou coragem. Porque, se desse errado, seria criticado. E o fato é que o time está voando na hora H, sobrando fisicamente nos jogos grandes.

Neste sábado, os reservas do Real golearam o Granada com quatro gols no primeiro tempo. Com isso, o Real segue empatado com o Barcelona em pontos, mas com um jogo a menos. Duas vitórias e um empate nas últimas três partidas serão suficientes para o título espanhol. Isco não jogou em Granada, mas Morata, James Rodríguez, Lucas Vázquez e Asensio deram conta do recado.

Desde o começo de abril, em um período de um mês, Zidane optou por colocar um time praticamente inteiro reserva em campo em quatro partidas. Todas fora de casa. Os reservas ganharam os quatro jogos. 12 pontos de 12. Com direito a 21 gols marcados – cinco de James, que quase deixou o clube em janeiro, e sete de Morata, que, por mais que a imprensa madrilenha tenha tentado forçar a situação, nunca ameaçou a titularidade de Benzema. Coloquei a lista de jogos dos reservas e marcadores no final deste post.

Devido às lesões, só o sistema defensivo foi pouco rodado nestes jogos. Sergio Ramos, por exemplo, esteve em campo em quase todos. Marcelo, em metade.

Zidane não só conseguiu os pontos que precisava como não sucumbiu às pressões midiáticas. Em nenhum momento os titulares se sentiram ameaçados. Quem era craque sabe que qualquer jogador, craque ou não, precisa de confiança para desempenhar.

Cristiano Ronaldo nem no banco ficou nestas partidas e tampouco viajou para um jogo em março, contra o Eibar. Consequência? O português está tinindo no fim de temporada e fez oito gols em três jogos nas eliminatórias contra Bayern e Atlético na Champions. Lembrando que, após a Eurocopa do ano passado e a lesão sofrida na final, Cristiano ficou sem pré-temporada.

Zidane conseguiu conter a “fome” de Cristiano Ronaldo por minutos, gols e números. E criou o melhor dos mundos: o português está voando na Champions, e os reservas voando para estádios hostis, dando conta sem ele.

As rotações começaram em janeiro, quando há os jogos de Copa do Rei no meio de semana. Zidane já dava mostras do que faria mais para frente, deixando alguns titulares fora de alguns jogos. O time titular, então, teve uma sequência horrorosa no Espanhol no final de fevereiro. Derrota para o Valencia, vitória no finalzinho (e com ajuda da arbitragem) em Villarreal e empate em casa contra o Las Palmas. Ali, foi tomada a decisão.

O jogo seguinte a este empate foi em Eibar, e Zidane deixou mais de meio time de fora, incluindo Cristiano. A partir daí, começou a alternar times. Enquanto os titulares cederam pontos em casa nos clássicos contra Atlético e Barcelona, os reservas foram ganhando uma atrás da outra. Drama mesmo só no jogo de Gijón, com gol de Isco no último minuto. De resto, goleadas e pontos.

Os titulares voltam a campo contra o Atlético, quarta, pela Champions. E aí serão disputados os três jogos finais pela Liga espanhola. Sevilla em casa, Celta fora, Málaga fora. Será que Zidane terá coragem de colocar os reservas em algum destes três jogos? Veremos.

A epopeia dos reservas (entre parênteses, quem fez os gols):

4/3 Eibar 1-4 Real (Benzema-2, James, Asensio)
5/4 Leganés 2-4 Real (Morata-3, James)
15/4 Gijón 2-3 Real (Isco-2, Morata)
26/4 La Coruña 2-6 Real (James-2, Morata, Lucas Vázquez, Isco, Casemiro)
6/5 Granada 0-4 Real (James-2, Morata-2)


Juventus e Feyenoord podem ser campeões no fim de semana europeu
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O Bayern de Munique já garantiu o título na Alemanha. Neste fim de semana, Juventus, na Itália, e Feyenoord, na Holanda, podem garantir títulos domésticos nesta reta final de campeonatos europeus.

A Juve, virtual finalista da Liga dos Campeões da Europa, tem tudo para conquistar um inédito hexacampeonato italiano. Nunca um clube ganhou a Série A seis vezes seguidas.

A própria Juve conquistou o penta entre 1931 e 35, feito também conseguido pelo super Torino dos anos 40, antes do acidente de avião que vitimou o time inteiro. Mais recentemente, a Inter ganhou cinco títulos seguidos, mas em circunstâncias especiais (o primeiro dos cinco, em 2006, foi herdado após o escândalo extra-campo que tirou o título da Juventus e a mandou para a Série B).

Para ser campeã 2016/2017 com três rodadas de antecipação, a Juventus precisa vencer o dérbi da cidade contra o Torino, no sábado. No domingo, a vice-líder Roma tem um duro clássico fora de casa contra o Milan. Se a Juve ganhar e a Roma tropeçar, o hexa estará decidido. A rodada seguinte, a antepenúltima, tem justamente o duelo entre Roma e Juventus na capital.

Em seu estádio, a Juve ganhou os 17 jogos que fez no campeonato. Se juntarmos com a temporada passada, são 33 vitórias seguidas em partidas de Série A no Juventus Stadium. Em agosto de 2015, a Juve perdeu pela última vez em casa: 0-1 para a Udinese. Em setembro, empatou os dois jogos seguintes, 1-1 com Chievo e Frosinone. De lá para cá, só ganhou.

Se contarmos todas as competições, são 43 vitórias e 6 empates desde aquela derrota para a Udinese. A Juve pode chegar no sábado, portanto, a 50 jogos de invencibilidade em casa. E, ironicamente, comemorar o inédito hexa no sofá, no domingo.

RENASCIMENTO

Na Holanda, o Feyenoord pode quebrar um jejum incômodo de 18 anos sem um título da liga nacional. Para isso, basta vencer o Excelsior (13o colocado) no domingo de manhã. Como tem quatro pontos de vantagem para o Ajax, mesmo que tropece ainda terá a chance de ser campeão jogando em casa na última rodada.

O Feyenoord é o grande time de Roterdã, a segunda cidade do país. Foi o primeiro clube holandês a ganhar a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental (1970). Também foi o primeiro a ganhar a Copa da Uefa, em 1974 (depois repetiria a dose em 2002, o último grande momento do clube, ainda tempos de Van Persie).

Até o meio da década de 70, era o grande rival do Ajax. Enquanto o gigante de Amsterdã tinha 16 títulos nacionais, o Feyenoord tinha 11, e o PSV Eindhoven tinha só 4. Desde então, no entanto, o Ajax ganhou outros 17 campeonatos (soma 33), o PSV ganhou 19 (soma 23) e, o Feyenoord, apenas 3 (está a ponto de ganhar o 15o título no total).

Depois de uma grave crise financeira, o Feyenoord conseguiu acertar as contas nos últimos cinco anos. E, na temporada passada, fez um aposta alçando o ex-lateral Giovanni Van Bronckhorst ao cargo de técnico – seu primeiro como treinador principal de uma equipe.

Gio era titular do Barcelona de Ronaldinho, campeão da Europa em 2006, e chegou a fazer gol em semifinal de Copa do Mundo – 2010, contra o Uruguai. A final daquela Copa, perdida para a Espanha, foi seu último jogo como atleta profissional. Gio foi assistente de Koeman no Feyenoord antes de assumir o cargo principal.

Logo em sua primeira temporada, ano passado, quebrou um jejum de oito anos sem títulos com a conquista da Copa da Holanda. E, agora, está a ponto de quebrar o jejum de 18 anos sem ganhar a competição principal do país.

O Feyenoord foi cirúrgico no mercado do verão europeu, trazendo alguns jogadores de pouco nome e fama, mas que encaixaram bem com os jovens que subiram da base. O melhor exemplo é o atacante dinamarquês Nicolai Jorgensen, de 26 anos. Foi comprado por 3,5 milhões de euros após boas temporadas no Copenhagen e hoje é avaliado em 9 milhões. Ele é o artilheiro do Holandês, com 21 gols em 30 jogos.

OUTROS CAMPEONATOS

Na Inglaterra, o Chelsea tende a dar mais um passo rumo ao título. Na segunda-feira, recebe o penúltimo colocado e virtual rebaixado Middlesbrough. O Tottenham, que está quatro pontos atrás, quer seguir pressionando e enfrenta nesta sexta o West Ham, fora de casa, em um dérbi londrino.

O grande jogo da Premier no fim de semana será o clássico entre Arsenal e Manchester United, domingo, às 12h. Se o Arsenal não vencer, estará praticamente descartado do G4 e da classificação para a Champions League (não fica fora desde 1997/1998, segunda temporada de Wenger no clube). Wenger, por sinal, nunca venceu um jogo de Premier League contra times de José Mourinho (sete empates e cinco derrotas).

Na Espanha, o Barcelona entrará em campo para enfrentar o Villarreal, quinto colocado. Jogo perigoso, já que o Villarreal já ganhou do Atlético e empatou com o Real Madrid e com o Sevilla fora de casa na temporada. É a segunda melhor defesa do campeonato. Logo depois, o Real pega o já rebaixado Granada. O time reserva, que vem se mostrando para lá de confiável, tentará a sexta vitória em seis “missões” fora de casa. Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem viajou a Granada. Após o atropelo diante do Real na Champions, o Atlético de Madri joga por uma vitória contra o Eibar para se garantir, de novo, na Liga dos Campeões da próxima temporada.

Na Alemanha, o Bayern de Munique celebrará o título em casa contra o lanterna e rebaixado Darmstadt. Promessa de uns 10 a 0. O grande jogo do sábado (10h30) é entre o quarto colocado, Borussia Dortmund, e o terceiro, Hoffenheim. Os times estão separados por apenas um ponto, e chegar em terceiro significa não jogar fase prévia da próxima Champions League.

Na França, Monaco e PSG enfrentam penúltimo e último, respectivamente. Mas são jogos complicadinhos, pois a rabeira da tabela está toda embolada e esses times jogam a vida. O PSG deve passar em casa pelo Bastia no primeiro jogo do sábado (12h) e novamente alcançar o Monaco em pontos – mas ainda ficar muito atrás no saldo de gols e com dois jogos a mais. O Monaco precisa esquecer a derrota para a Juventus quando entrar em campo para enfrentar o Nancy (15h), fora de casa.

Por fim, em Portugal faltam três rodadas e o Benfica tem três pontos de vantagem para o Porto – que empatou demais ao longo do campeonato. Os dois times jogam fora de casa: o Porto com o Marítimo (sexto) no sábado, o Benfica com o Rio Ave (sétimo) no domingo. Difícil imaginar que o Benfica fique sem o tetracampeonato.

 


Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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juliogomes

A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…


Barcelona tem calendário melhor que o do Real Madrid na busca pelo título
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juliogomes

A vitória do Barcelona sobre o Real em Madri, no domingo, escancarou a disputa pelo título do Campeonato Espanhol. Com o show de Messi, que fez o gol decisivo nos acréscimos, o Barça chegou aos mesmos 75 pontos do Real Madrid e ganhou a vantagem no confronto direto – este é o primeiro critério de desempate na Espanha, ou seja, o Barcelona ficará com o título caso acabe com a mesma pontuação do rival.

Nos últimos oito campeonatos, o Barça ganhou seis e o Real foi campeão apenas uma vez. Apesar de a Liga dos Campeões da Europa ser a competição predileta para os madridistas, os dois títulos continentais nos últimos três anos mataram a sede e é a liga doméstica que virou questão de honra na temporada atual – até porque o Real liderou o campeonato e esteve no comando praticamente desde o início.

Apesar de a liderança ter passado para as mãos do Barça, é o Real que só depende de si, pois tem um jogo a fazer contra o Celta, em Vigo. Uma partida adiada em fevereiro por questões climáticas e que, por causa do calendário, será realizada entre a penúltima e última rodadas.

Calendário. Aqui está a grande vantagem do Barça. Eliminado da Champions, o time catalão tem pela frente somente os cinco jogos finais do Espanhol, sem nada no meio. Depois da rodada desta quarta-feira, serão quatro jogos em fins de semana, com semanas inteiras de descanso entre eles. Três jogos em casa e dois fora. Encerrada a Liga, o Barça voltará a campo para a final da Copa do Rei no fim de maio.

Já o Real Madrid não tem mais semana alguma de descanso daqui até o final da disputa. Nos meios de semana entre as quatro rodadas derradeiras, o Real fará dois dérbis contra o Atlético de Madri pelas semifinais da Champions e jogará a partida atrasada contra o Celta. Sem viagens longas, mas com muitos minutos, muita pressão psicológica e física para cima dos jogadores.

São quatro jogos fora de casa e dois no Bernabéu – justamente contra Sevilla e Valencia, os dois únicos times que haviam vencido o Real Madrid no campeonato até Messi fazer o estrago de ontem.

Zidane já usou times mistos em três partidas nas últimas semanas, antes dos jogos contra Napoli e Bayern de Munique pela Champions. Conseguiu vitórias importantes nos campos do Eibar, Leganés e Sporting Gijón. Terá coragem de voltar a usar tantos reservas agora?

Se levarmos em conta os jogos do turno em que Barcelona e Real Madrid enfrentaram os mesmos adversários que enfrentarão daqui até o fim, o Barça somou 13 pontos de 15 possíveis, enquanto o Real somou 12 de 18.

Repassamos o calendário daqui até o final da Liga, começando pelos jogos do meio desta semana.

RODADA 34
Quarta, 26 de abril
14h30 Barcelona x Osasuna (turno 0-3 Barça)
16h30 La Coruña x Real Madrid (turno Real 3-2)

O Barça recebe o lanterna do campeonato. O Osasuna perdeu só um de seus últimos quatro jogos, mas já é tarde para reagir. Está a nove pontos da salvação com mais 15 para jogar – ou seja, o rebaixamento é apenas questão de tempo. O Barça ganhou os últimos seis jogos que fez no Camp Nou contra o Osasuna, com 28 gols marcados (teve 7 a 0 e 8 a 0). O Real vai a um estádio em que ficou 18 anos sem ganhar – Zidane, por exemplo, nunca venceu uma no Riazor como atleta. Mas, uma vez quebrado o jejum, em 2010, o Real Madrid transformou o La Coruña em saco de pancadas. Nos últimos oito anos, são 11 vitórias do Real e um empate – são três vitórias seguidas no Riazor, com direito a um 8 a 2 em 2014. O La Coruña vive péssimo momento na temporada, mas as chances de cair são pequenas e o time ganhou do Barcelona e empatou com o Atlético em seu estádio.

RODADA 35
Sábado, 29 de abril
11h15 Real Madrid x Valencia (turno Val 2-1 Real)
15h45 Espanyol x Barcelona (turno Barça 4-1)

A rodada do fim de semana que vem é perigosa para ambos. O Real Madrid faz um clássico e, apesar de o Valencia não ser o mesmo de outros anos, venceu o jogo do turno e arrancou empates em quatro de suas últimas cinco visitas ao Bernabéu. O jogo será apenas três dias antes do primeiro dérbi entre Real e Atlético pela Champions, então é capaz que Zidane arrisque e deixe alguns titulares de fora. Em casa, o Real tinha 12 vitórias e 3 empates em 15 jogos na Liga, até ceder o empate ao Atlético e perder do Barça.  O dérbi catalão marcará a volta de Neymar ao Barça. O Espanyol não vence um jogo contra o Barça desde 2009 – desde então, 14 vitórias culés e três empates. É um time reforçado nesta temporada e que ocupa a metade de cima da tabela, no entanto, e sempre está louco para estragar as chances do Barcelona. Rodada chave para a definição do título.

RODADA 36
Sábado, 6 de maio
13h30 Barcelona x Villarreal (turno 1-1)
15h45 Granada x Real Madrid (turno Real 5-0)

Se tiver vencido o Osasuna na rodada 34, o Barcelona chegará a esse jogo com 10 vitórias seguidas em casa. Mas é bom lembrar que o time só não está em vantagem na tabela porque desperdiçou muitos pontos no Camp Nou em 2016: empates com Real, Atlético e Málaga, derrota para o Alavés. O Villarreal, fora de casa, arrancou empates contra o Real Madrid e o Sevilla. Em casa, ganhou do Atlético, empatou com o próprio Barça (gol de falta de Messi no último minuto) e só perdeu do Real porque levou uma virada no fim com influência de arbitragem. É um time perigoso, que sabe jogar contra os grandes e que chegará à partida disputando postos em competições europeias.

Já o Real Madrid viajará a Granada no jogo ensanduichado entre os dérbis de Champions contra o Atlético. É um jogo-armadilha, pois possivelmente Zidane poupará jogadores mais desgastados. O Granada é, hoje, o penúltimo, a sete pontos da salvação e com sete derrotas nos últimos oito jogos. Ou chegará a esta partida em recuperação e sonhando ou chegará praticamente rebaixado, que é o mais provável. O Real ganhou 10 de 11 jogos contra o Granada desde o acesso da equipe andaluza à elite.

RODADA 37
Domingo, 14 de maio, sem horários
Real Madrid x Sevilla (turno Sev 2-1 Real)
Las Palmas x Barcelona (turno Barça 5-0)

Depois de novo dérbi contra o Atlético, o Real Madrid chegará à penúltima rodada ou classificado para mais uma final ou eliminado da Champions League – o que significaria peso extra para ganhar a Liga. O Sevilla, hoje, está em quarto na tabela, a três pontos do Atlético de Madri em busca da classificação direta para a próxima Liga dos Campeões. Se ele ainda estará ou não nesta briga na penúltima rodada é uma das chaves para este duelo. Em seu estádio, o Sevilla ganhou do Real na atual e na temporada passada. Mas, em Madri, perdeu os últimos 11 jogos que fez por todas as competições. Não sai do Bernabéu com um pontinho sequer desde 2008. O Barcelona vai às Ilhas Canárias enfrentar o Las Palmas, um time que foi capaz de altos e baixos ao longo do ano e que empatou os dois jogos contra o Real Madrid. Quem sair dependendo apenas de si desta rodada possivelmente ficará com o título.

JOGO ATRASADO
Quarta, 17 de maio, ainda sem confirmação oficial
Celta x Real Madrid (turno Real 2-1)

O jogo que seria disputado em fevereiro vai ficar para o meio da semana que antecede a rodada final. Isso porque o Real Madrid foi avançando na Champions e o Celta, de forma surpreendente, chegou às semifinais da Europa League, onde enfrentará o Manchester United em busca da glória europeia. As atenções em Vigo estão todas na competição continental, mas muita água terá rolado por baixo das pontes quando este jogo for disputado. O Celta já ganhou do Real em Madri na temporada, empatando depois em casa e eliminando o todo poderoso oponente da Copa do Rei – ambos os jogos em janeiro.

ÚLTIMA RODADA
Domingo, 21 de maio, sem horários
Barcelona x Eibar (turno Eib 0-4 Barça)
Málaga x Real Madrid (turno Real 2-1)

Quem chegar à última rodada na liderança dificilmente deixará o título escapar. O Eibar faz um campeonato digno, mas é muito mais perigoso em seu estádio. O Málaga tirou cinco pontos do Barcelona, mas fez uma temporada instável e não costuma atrapalhar a vida do Real Madrid.

 


Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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juliogomes

Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


Real Madrid deixa interrogações, Atlético deixa certezas
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juliogomes

O jogo do Real Madrid era para lá de completo. O time tinha uma grande atuação contra um grande adversário. Mas o recuo exagerado nos 15 minutos finais foi punido. O Atlético de Madri buscou o empate, e o dérbi madrilenho acabou em 1 a 1.

O Real Madrid chega a 72 pontos. E a grande sorte que teve no dia veio mais tarde, já que o Barcelona perdeu por 2 a 0 do Málaga e ficou três pontos atrás. O Real ainda tem um jogo a menos, então segue com gordura antes do superclássico do dia 23.

O grande problema para o time de Zidane são as dúvidas que ele deixa no ar. É um time capaz de empurrar, dominar, criar. Mas passa a impressão de só fazer gols de bola parada. E de não ter a mesma intensidade o tempo todo, como fazem times como o Atlético. Zidane não consegue fugir do arroz com feijão nas substituições.

Bale era o pior jogador do time durante toda a partida. Mas o francês tirou Kroos para colocar Isco. A substituição certa era tirar Bale e reforçar um meio de campo que estava sendo atropelado pela intensidade atlética.

O Real, previsível, tem agora dois confrontos “só” contra o Bayern de Munique. Haverá momentos para um lado e para o outro nos dois duelos. Mas será que o Real conseguirá derrubar o mais completo elenco da Europa só com bolas paradas?

O número de gols de bola parada que o Real Madrid fez na temporada é brutal. O amigo Vítor Birner, companheiro blogueiro aqui no UOL, criou um apelido: Zidanebol.

De fato, em muitos jogos da temporada o Real Madrid não fez absolutamente nada e encontrou a vitória depois de uma falta ou escanteio levantados na área. Foi deste jeito que o Real achou o gol no dérbi deste sábado. Para não ser injusto, Zidanebol seria se o Real Madrid fizesse apenas isso. Se levantar bolas na área fosse o recurso único. Não foi o caso contra o Atlético. Ainda assim, foi só desse jeito que saiu o gol.

O Atlético de Madri é um baita time de futebol. Se o Real sai do dérbi com interrogações, o Atlético sai com certezas. Vive seu melhor momento na temporada e tem tudo para passar o carro em cima do Leicester e chegar a mais uma semifinal europeia.

Não dá chutão. Não adianta ser tão bom defensivamente, recuperar bolas e dar uma bicuda para ver o que acontece. Era assim três, quatro anos atrás, ainda com Diego Costa. Ao longo das últimas temporadas, o Atlético foi desenvolvendo esse jogo de bola no chão, passes curtos, saída rápida e com qualidade.

Alterna marcação alta com marcação mais recuada, sempre com incrível sincronia. Sabe sair trocando passes de trás, sabe alongar para a velocidade nas costas dos laterais. O Atlético sabe, enfim, levar partidas de futebol de muitos modos diferentes. É mais imprevisível. Tem mais recursos táticos do que o Real Madrid sob Zidane.

O primeiro tempo neste sábado foi um grandíssimo jogo de futebol, apesar do 0 a 0. O Atlético fechou as linhas de passe para Modric e Kroos, deixando a bola sobrar para Casemiro e os zagueiros. Mesmo assim, o Real Madrid conseguiu mandar no duelo. E foi pelo meio, primeiro após uma tabela, depois com bola roubada por Modric, que o Real quase chegou ao gol. Benzela obrigou Oblak a fazer uma defesaça, e Cristiano Ronaldo teve gol certo salvo em cima da linha por Savic.

Ao Atlético, faltava a conexão final com Griezmann e Torres. O time marcava bem, saía bem da marcação do Real, mas não conseguia conectar com os homens de frente – até porque Saúl fazia péssima partida, errático nos passes, e Carrasco estava muito afastado do campo de ataque.

Ainda assim, Griezmann chegou a obrigar Navas a fazer ótima defesa e algumas bolas paradas levaram perigo.

O segundo tempo começa com mais uma defesaça de Oblak contra Benzema. E, aos 7min, vem a falta infantil de Saúl, colocando a mão na bola em um lance bobo na intermediária. Quem dá bolas paradas de graça para o Real Madrid paga o preço. O cruzamento de Kroos foi na medida para o gol de Pepe.

Neste momento, o Real tinha o jogo a seu dispor. Mas o Atlético é um time tão bom e experiente que não caiu na armadilha. Não foi desesperado para frente, dando o contra ataque que o Real tanto ama.

Numa enfiada pelo meio, Torres ficou cara a cara, e Navas fez ótima defesa. Saíram Saúl e Torres, os piores do Atlético. A entrada de Correa deu mais do que certo. O argentino e Thomas conseguiram trabalhar entre as linhas do Real, sobrecarregando Casemiro. Zidane perdeu Pepe, que levou uma joelhada de Kroos, e tirou o próprio alemão.

O Real Madrid recuou demais na expectativa de contra atacar. Não agrediu. Quis segurar o 1 a 0. E aí o Atlético, que sabe jogar também com a bola nos pés, tomou conta do jogo. Em uma enfiada de Correa, Griezmann, um dos atacantes mais quentes do momento, empatou. Nacho, que entrou no lugar de Pepe, não parece ter a capacidade de ser o zagueiro titular ao lado de Ramos. Mas com Varane e, pelo jeito, Pepe fora de combate, é o que Zidane tem para hoje.

O Real Madrid quis fazer o que não sabe. Não é um time que domina todas as facetas do jogo, como seu rival de hoje.

O Atlético dominou os minutos finais, contra um Real Madrid aturdido em campo. É intensidade demais para um jogo só.

Desde que Simeone chegou ao Atlético, no fim de 2011, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético, 7 empate. São três vitórias atléticas e um empate nos últimos quatro jogos entre eles pela Liga espanhola no Bernabéu.

O Atlético era freguês de carteirinha do maior rival. Hoje, é uma pedra de sapato quase que intransponível.


Pedra no sapato, Atlético é barreira para o Real voltar a ganhar a Liga
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juliogomes

Muitos se espantam e demoram para assimilar esta informação: o Real Madrid ganhou somente uma das últimas oito ligas espanholas.

Precisaríamos voltar à década de 40, no período pós-Guerra Civil espanhola, para encontrar uma seca de títulos domésticos comparável. É por isso que, apesar de o Real Madrid ser o rei da Europa, com 11 títulos máximos continentais, e amar de paixão a Champions League, nesta temporada especificamente muitos considerem mais importante ganhar a Liga.

Para isso, o time de Zidane chega neste fim de semana a um duelo crucial: o dérbi contra o Atlético de Madri (sábado, 11h15 de Brasília). O dérbi eram favas contadas quando Zidane jogava pelo Real. Mas as coisas mudaram um pouquinho depois da chegada de um certo argentino.

O Real tem 71 pontos na tabela, 2 a mais que o Barcelona e com um jogo a menos. Ou seja, está no comando. Mas um tropeço no dérbi deixaria o time sem margem de erros antes do superclássico do dia 23, contra o Barça, em Madri.

O Barcelona vive seu melhor momento na temporada após a virada sobre o PSG e com o crescimento fenomenal de Neymar em março. O Atlético de Madri também vive seu melhor momento na temporada, com cinco vitórias consecutivas no campeonato e o reencontro com a solidez defensiva que marca o time desde a chegada de Simeone, no fim de 2011.

Já o Real Madrid, apesar de também vir de cinco vitórias seguidas e de ter feito gols nos últimos 51 jogos oficiais que realizou, ainda deixa dúvidas. Sofre muitos gols (só deixou de ser vazado em 3 dos últimos 20 jogos) e depende demais da bola cruzada na área para conseguir vitórias na marra. Chega uma hora em que ímpeto e confiança não são suficientes para compensar a falta de volume de jogo, de criação, de alternativas ofensivas.

Zidane, campeão europeu, foi inteligente ao apostar no arroz com feijão. Foi depois da derrota no dérbi para o Atlético, no Bernabéu, em fevereiro de 2016, que ele voltou a colocar Casemiro no time. O problema é que muito arroz com feijão enjoa. E o francês vai cada vez mais dando argumentos aos que desconfiam de sua capacidade de mudar jogos e criar alternativas táticas.

Do outro lado, está “El Cholo” Simeone. Muito já se falou disso, mas é impossível deixar de lembrar. Há um antes e depois de Simeone na história recente dos dérbis madrilenhos.

No início do século, o Atlético vivia o fundo do poço, amargurou dois anos da segunda divisão. Voltou à elite na temporada 2002/2003 e, se fizermos o recorte aqui, veja que dado interessante encontramos.

Nos 21 dérbis após a volta do Atlético, o Real Madrid ganhou 16 e empatou 5 – por todas as competições. Eram sete vitórias consecutivas do Real quando Simeone chegou ao banco do Atlético. Desde então, foram disputados outros 21 dérbis por todas as competições: 7 vitórias do Atlético, 8 do Real e 6 empates.

O aproveitamento de pontos do Atlético nos dérbis subiu de 8% a 43% com Simeone. Alguma coisa, não é mesmo?

É claro que a memória recente das duas finais de Champions League vão nos remeter à imagem dos jogadores do Real Madrid com a “orelhuda” em mãos. Mas o fato é que o Atlético passou a jogar os dérbis de igual para igual, passou a ser uma pedra no sapato do primo rico da cidade.

O Atlético passou a ser um time com escalação conhecida por qualquer pessoa mais atenta. Tem uma espinha dorsal formada por jogadores que não pretendem “subir um degrau”, trocando o Atlético por um clube maior na Europa. Jogadores, muitos deles, campeões da Espanha três anos atrás, finalistas de Champions, que sentem a camisa do clube e que se sentem capazes de tudo. Confiam cegamente no treinador e realizam todas (e mais algumas) tarefas requisitadas.

Juanfran, Godín, Gabi e Koke jogaram, juntos, em 18 dos 21 dérbis sob Simeone. Filipe Luís compôs a linha defensiva em 9 destes 18 jogos (passou uma temporada fora). Atrás, o time é o mesmo há anos. Tem um goleiraço, Oblak, e muita sincronia defensiva. Entrosamento a toda prova.

Na frente, sim, o time foi mudando. Para melhor. Ganhou qualidade, acrescentou jogadores técnicos como Carrasco e Griezmann. No meio, apareceu o ótimo Saúl. Na frente, o resgate de Torres, a chegada de Gameiro. É um Atlético que já há tempos não vive só de se defender, como gostam de falar os críticos de Simeone. Um time sem medo algum de ter a bola, que se adapta e joga o jogo de várias formas diferentes ao longo de 90 minutos.

Simeone comandou o Atlético nove vezes no Bernabéu, ganhou quatro e perdeu três. Os colchoneros ganharam no estádio rival nos últimos três campeonatos, coisa que clube algum havia conseguido na história do futebol espanhol.

 

O Real Madrid sabe que ganhar a Liga passa por quebrar essa pequena escrita e ganhar o dérbi.