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Brasileirão, ato 3: primeiros clássicos estaduais e tabus em jogo
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A terceira rodada do Brasileiro começa neste sábado com os primeiros clássicos estaduais e acaba na segunda-feira da mesma maneira. No sábado, Vasco e Fluminense fazem, às 16h, o primeiro duelo entre cariocas. Logo depois, às 19h, tem São Paulo x Palmeiras no Morumbi. A rodada acaba com o duelo entre os catarinenses, Chapecoense x Avaí.

São muitos tabus em jogo. O Fluminense, um dos líderes do campeonato, não vence o Vasco em São Januário há 44 anos. Foram apenas dez jogos entre eles depois disso, mas o fato é que é uma vantagem considerável para o Vasco jogar em seu campo. O Flu já venceu Santos e Atlético Mineiro e pode começar a sonhar alto se ganhar mais uma.

No Morumbi, o São Paulo não perde do Palmeiras desde 2002 – aquele jogo do golaço de Alex sobre Rogério Ceni. Talvez nunca o Palmeiras tenha tido uma perspectiva tão grande de quebrar o tabu. Mas o São Paulo teve descanso e treino durante a semana, enquanto seu rival jogou pela Libertadores e precisa pensar no jogo de quarta contra o Inter, pela Copa do Brasil. A necessidade da vitória está muito mais do lado do São Paulo.

Outro duelo de tabu relevante é o de domingo, entre Atlético-PR e Flamengo. Será o terceiro confronto entre eles este ano e a estreia de Eduardo Baptista no comando do Furacão. O Flamengo nunca venceu e perdeu 11 dos 15 jogos que fez na Arena da Baixada em Brasileiros.

Aqui vão os prognósticos da terceira rodada.

SÁBADO

16h Vasco 2 x 2 Fluminense
Depois de vencer no Independência, o Flu garante não se assustar com São Januário. Sornoza é desfalque, mas Scarpa volta ao time titular. O Vasco terá a estreia de Breno na zaga, e Nenê continua no banco. Último clássico entre eles em São Januário foi em 2005, decidido por Romário. Em seu estádio, o Vasco não perde do Flu desde 1973 (dez jogos). Jogo promete ser animado e cheio de alternativas.

19h São Paulo 1 x 1 Palmeiras
É um dos tabus mais conhecidos do futebol brasileiro. O São Paulo não perde do Palmeiras no Morumbi desde 2002 (14 vitórias e 9 empates desde então). Depois da suada vitória sobre o Avaí, o São Paulo teve uma semana mais tranquila de trabalho, mas perdeu Thiago Mendes, lesionado. O Palmeiras avançou na Libertadores, mas mostrou vulnerabilidade contra o Tucumán e pode poupar alguns veteranos de olho na Copa do Brasil. Bom lembrar que é jogo de torcida única.

21h Vitória 1 x 1 Coritiba
Duelo direto entre times que jogam para permanecer na elite. O Vitória apresentou Neílton, que ainda não pode jogar, mas terá Kieza de volta ao ataque – boa notícia para um time que fez só um gol em seus últimos cinco jogos. Em momento mais tranquilo, o Coritiba tem uma boa chance de beliscar um bom resultado na Fonte Nova.

DOMINGO

11h Atlético-MG 3 x 1 Ponte Preta
Depois de duas derrotas seguidas, para Fluminense e Paraná (pela Copa do Brasil), o Atlético entra em campo pressionado. Time que quer ser campeão não pode perder pontos em casa contra uma Ponte Preta reformulada em relação ao Paulista e que ainda não pode escalar vários dos seus reforços. O favoritismo do Galo é total.

16h Santos 1 x 1 Cruzeiro
O Cruzeiro é um dos poucos times do Brasil que tem bom retrospecto na Vila Belmiro, onde o Santos perde pouco. Mano Menezes vai para buscar o empate, e pode muito bem conseguir diante de um Santos seguro na Libertadores, mas que penou para vencer o Coritiba pelo Brasileiro e que não terá Lucas Lima.

16h Atlético-GO 0 x 2 Corinthians
O Dragão perdeu do Flamengo no meio de semana e foi eliminado da Copa do Brasil, mesmo com o Fla fazendo jogo horroroso. O time goianiense é candidatíssimo ao rebaixamento, enquanto o Corinthians é forte fora de casa.

16h Atlético-PR 2 x 1 Flamengo
O Atlético promoveu Autuori a diretor e tem a estreia de Eduardo Baptista no comando técnico. Na Arena da Baixada, o Flamengo é freguês histórico do Furacão. Só venceu lá uma vez, em 2011, pela Sul-Americana. Em Brasileiros, 15 jogos, com 11 derrotas e 4 empates. Uma das derrotas foi um mês atrás, na fase de grupos da Libertadores. O Atlético perdeu as duas no Brasileiro, mas recupera lesionados pouco a pouco, enquanto o Flamengo jogou muito mal em Goiânia no meio de semana.

18h Sport 1 x 1 Grêmio (*atualização de palpite sábado, 10h45)
Depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Bahia, o Sport mandou Ney Franco embora e será comandado pelo interino Daniel Paulista – que havia começado o ano como técnico, mas deixou o cargo há dois meses para assumir coordenação da base. O time se desgastou mais na final de Salvador, jogando com 10, do que o Grêmio, que passeou contra o Zamora na Libertadores. Grêmio mandará a campo time reserva.

19h Botafogo 2 x 0 Bahia
O Botafogo perdeu para o Estudiantes na Argentina, mas ainda assim passou em primeiro em seu grupo na Libertadores. Já o Bahia ainda comemora o título da Copa do Nordeste. Nenhum dos dois dias teve tempo de treinar para o jogo.

SEGUNDA

20h Chapecoense 1 x 1 Avaí
Os times acabam de se enfrentar na final do Catarinense, com uma vitória para cada lado (ambas fora de casa) e título para a Chape.


Brasileirão, ato 2: Flamengo tem obrigação de vitória. Veja os prognósticos
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É sempre assim. O campeonato mal começou e técnicos balançam, torcedores que, um dia estavam no aeroporto para fazer selfies, no outro estão para jogar pedras. Às vezes não são nem os resultados no próprio campeonato que geram tal pressão.

É o caso do Flamengo. Estava tudo lindo, maravilhoso. De repente, um gol nos acréscimos, derrota para o San Lorenzo, eliminação precoce na Libertadores e muita, muita pressão. A moda vai ser dizer que “ganhar o Brasileiro é obrigação”. Como se fosse um campeonato fácil de ser vencido.

Mas o fato é que o Flamengo entra na segunda rodada contra a parede. Tem time para vencer o Brasileiro, mas precisa reagir já, imediatamente. Tem um jogo em um estádio em que terá maioria de torcedores, ainda que atue fora de casa, e contra um Atlético-GO com toda a pinta de que subiu para já cair. Se quiser ser campeão, não pode perder pontos em jogos assim.

O São Paulo é outro grande contra a parede. Após as seguidas eliminações em tudo o que disputava, só sobrou o Brasileiro. Na segunda-feira, fechando a rodada, precisa dar uma resposta vencendo o Avaí e tranquilizando um pouco as coisas.

Começamos nossa série de palpites com um acerto em cheio e sete acertos de vitória ou empate na rodada 1. Nesta segunda rodada, a previsão é de que os times da casa não prevaleçam tanto como na inaugural. Será? Palpite você também! É de graça :-)

SÁBADO

16h Santos 3 x 1 Coritiba
O Peixe vem de um enorme esforço físico na Bolívia e já joga de novo pela Libertadores na terça, então vai poupar alguns jogadores. Mas o Coritiba também tem desfalques, principalmente no meio de campo.

19h Chapecoense 1 x 1 Palmeiras
A Chape conseguiu vitória heróica na Argentina, mas pode ficar fora da Libertadores por ter escalado um jogador irregular. Nunca perdeu em casa para o Palmeiras, que vai com time misto (ou mesmo só de reservas) após a vitória sobre o Inter e com jogo pela Libertadores na quarta-feira.

19h Atlético-GO 0 x 2 Flamengo
Os times se enfrentarão duas vezes seguidas, na quarta tem jogo pela Copa do Brasil (0 a 0 na ida). O Atlético troca goleiro após as falhas de Kléver na estreia e o Flamengo chega após eliminação traumática na Libertadores. Mas jogar no Serra Dourada é quase sempre jogar em casa para o Mengo. E agora todo jogo é uma final no Brasileiro.

DOMINGO

11h Vasco 1 x 1 Bahia
Pode ser duro para o torcedor ouvir isso, mas esse é um jogo entre dois times que jogam para ficar na Série A – para onde acabam de voltar. O Bahia não leva Régis ao Rio e vai buscar o empate. O Vasco pode ter Nenê relegado ao banco após o sacode na estreia. O histórico do Bahia no Rio é muito bom contra o Vasco, mais venceu do que perdeu. Não perde lá desde o ano 2000.

16h Atlético-MG 3 x 1 Fluminense
No ano passado, o Flu quebrou um jejum de seis anos sem vencer o Galo no Brasileiro. São raras as vitórias tricolores em BH. Com o trabalho feito na Libertadores, o Atlético pode voltar as atenções ao Brasileiro e não vai poupar titulares. No Horto, são 11 vitórias em 11 jogos neste ano.

16h Vitória 0 x 1 Corinthians
Jogo será na Fonte Nova, não no Barradão. O Vitória quebrou um jejum de 20 anos sem bater o Corinthians ano passado, existe uma freguesia aqui. O time baiano tem muitos desfalques, enquanto o Corinthians teve semana livre para treinar. É o favorito.

16h Atlético-PR 1 x 1 Grêmio
O Atlético chega ao jogo embalado pela heróica classificação na Libertadores. O Grêmio também se deu bem no meio de semana, venceu o Flu pela Copa do Brasil. Jogo promete ser truncado e com pouco espaço.

18h Botafogo 0 x 0 Ponte Preta
Já classificado na Libertadores, mas ainda com chances de ganhar seu grupo (joga na Argentina quinta), o Botafogo pode poupar algum jogador que esteja desgastado. É um jogo perigoso, contra um adversário chato, que não dará o espaço que o Botafogo gosta e que historicamente arranca pontos no Rio.

19h Sport 0 x 2 Cruzeiro
O Sport não vem jogando bem, Ney Franco sofre críticas e tem final da Copa do Nordeste na quarta, portanto alguns jogadores podem ficar fora dessa partida. Já sabemos como são os times de Mano Menezes em pontos corridos, pragmáticos e pescadores de pontos.

SEGUNDA

20h São Paulo 4 x 1 Avaí
Se não ganhar esse jogo, vai ganhar de quem? É a hora para o time de Rogério Ceni afastar a crise e respirar uma semana um pouco mais tranquila.


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Palmeiras liquida a fatura com outra vitória na marra
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A matemática pode falar o que ela quiser. Mas também é bem fácil só “cravar” alguma coisa no esporte quando a matemática comprovar a tese, certo? Então, mesmo que a matemática me desminta, o fato é que o Palmeiras, com a vitória sobre o Inter neste domingo, liquidou a fatura no Brasileirão na visão deste blog. Pá de cal na concorrência.

Foi um jogo duro, debaixo de chuva, contra um adversário moralmente recuperado, que joga melhor do que jogava mês e pouco atrás e que estava disposto a conseguir um empate no Allianz. Vitória de campeão, na marra.

Desempenho ruim? Sim. Já faz tempo que é assim. Mas isso é natural, em um campeonato nivelado. E, convenhamos, o Palmeiras não é esse timaço todo. Teve ótimo desempenho quando Gabriel Jesus fazia a diferença e no momento crucial do campeonato, o início do returno, com uma sequência duríssima. A partir daí, vira o resultado como quer que seja.

E o resultado tem sido conseguido nos jogos obrigatórios (Inter, Sport e Coritiba em casa, Figueirense, América-MG e Santa Cruz fora, tudo isso depois da sequência brava na tabela, tudo isso “na marra”). Cuca chamou de “jogo de gauchão” e mostrou muito alívio na entrevista pós-jogo. Ele sabe o tamanho da vitória.

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Vamos imaginar que dê tudo errado de agora até quinta-feira para o Palmeiras, quando o campeonato para por causa das eliminatórias. Que o Galo vença seus dois jogos (contra Coritiba e o próprio Palmeiras), Flamengo vença o América-MG na quarta e o Santos bata o Vitória na quinta. Neste cenário, que é até o mais provável, o campeonato ficaria assim: Palmeiras 70, Santos 67, Atlético-MG e Flamengo 66. Faltando somente três rodadas.

(Atualizando: o Galo perdeu do Coritiba e deu adeus ao título definitivamente, o que torna o jogo entre eles menor do que muitos pensavam que seria. Mesmo que vença o Palmeiras na quinta, o Atlético, com a cabeça na final da Copa do Brasil, ficaria 7 pontos atrás com três rodadas para o final)

Mesmo que perca em Minas, o Palmeiras teria direito a um empate nos três jogos finais, que são contra Botafogo em casa, contra Chapecoense em casa e contra o Vitória fora. Em relação ao Flamengo, o Palmeiras tem direito até a perder uma ou empatar duas.

O Santos tem Cruzeiro (fora), Flamengo (fora) e América-MG (casa). O Flamengo tem Coritiba (casa), Santos (casa) e Atlético-PR (fora). O Atlético-MG tem Santa Cruz (fora), São Paulo (casa) e Chapecoense (fora). A briga pelo segundo e terceiro lugares, que dão vaga direta à Libertadores, será fantástica. Mas será isso, briga por segundo e terceiro lugares.

A tabela do Palmeiras é melhor que a do Santos, que parece ser o único concorrente verdadeiro no momento e que pode ficar empatado com o Verde na tabela por ter mais vitórias.

Claro que o discurso será o do “não tem nada ganho”. Justo que seja assim. O discurso dos concorrentes será o do “ainda dá”. Justo que seja assim. A imprensa especializada em vender emoção venderá emoção. Justo que seja assim. A comemoração em São Paulo foi de título. E também é justo que seja assim.

O Palmeiras está na regressiva, não tem a menor pinta de que vá entregar o sonhado título de bandeja.


Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final “caem” para a Copa Sul-Americana, no estilo “rebaixamento” da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar “folga” no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na “hora H” em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse “abrir mão”, seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase “final” dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para “salvar o ano”. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

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Os 6 a 1 são a real diferença entre Corinthians e São Paulo hoje
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Os 7 a 1 do Mineirão, na Copa do Mundo do ano passado, foram simbólicos. Pois eles eram o retrato fiel da diferença entre Alemanha e Brasil no futebol da atualidade.

O 1 do Brasil talvez seja o talento, ainda presente na matéria-prima mal trabalhada. Os 7 da Alemanha estão por todas as partes: futebol de base, seriedade, formação de profissionais, atualização tática, estrutura dos clubes, fomento ao esporte por parte da federação, enfim. Acho que é até mais do que 7 a 1.

O jogo, portanto, foi mais que um jogo. Foi um tratado. Um livro.

Impossível não fazer um paralelo com os 6 a 1 do Corinthians sobre o São Paulo nesta tarde de domingo. Que podem até ser vistos como um 7 a 1, pois o pênalti defendido por Cássio valeu um gol.

O São Paulo, dono de um discurso soberbo que foi comprado meio mundo, posou durante anos e anos como o único clube moderno e organizado do Brasil.

Sim, era mais organizado que a média. Mas nunca foi essa diferença toda. Os títulos, e foram muitos, podiam ser explicados de várias maneiras, não apenas pelo extra-campo. Poucos se preocuparam em dar uma olhadinha no que, por exemplo, Cruzeiro e os Atléticos Mineiro e Paranaense estavam fazendo com seus CTs, os gaúchos com o programa sócio-torcedor.

O Morumbi, que sempre foi um estádio ruim, era tratado como melhor do Brasil, “o único capaz de receber a Copa”, diziam. Precisaram construir uma dezena de estádios decentes para colocar o Morumbi no devido lugar.

O bonde passou. E o São Paulo não viu. Enquanto isso, foi dizimado por lutas políticas. A base, que deveria ser orgulho, revela muito pouco. “Tem hardware, mas não tem software”, me disse uma vez uma pessoa que tem conhecimento de sobra sobre Cotia. Parece que, aconteça o que acontecer, a palavra humildade não consegue pular para dentro do muro.

O Corinthians fez estádio, CT, manteve praticamente dois técnicos durante um longo período. Foi buscar seu torcedor, trouxe Ronaldo, programas de scout, gente séria. Se organizou de verdade.

Os 6 a 1 são, sim, a diferença de hoje entre Corinthians e São Paulo. Não só no campo, mas fora dele.

Para o Brasil, não caiu a ficha após os 7 a 1. Cairá para o São Paulo? Ou ficaremos ouvindo o discurso do “foi um acidente” por muito tempo?


Título do Corinthians é incontestável e vai pra conta de Tite
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Antes de começar o campeonato, por mais que se diga que haja equilíbrio no futebol brasileiro, etc, etc, etc, o Corinthians era o principal favorito ao título.

O bicampeão Cruzeiro se desfez do elenco. O Corinthians tinha um elenco fortíssimo e com ótimo técnico. Com continuidade.

Alguém poderia colocar um time ou outro na lista de candidatos. A minha só tinha um mesmo, o Corinthians.

No entanto, o Corinthians que eu e outros colocaram como favoritaço ao título lá em abril era outro. Com Guerrero no ataque, por exemplo. Sem a decepção de ter sido eliminado pelo Guaraní do Paraguai na Libertadores.

É verdade que, apesar das dívidas, etc, o Corinthians é um dos clubes brasileiros com situação financeira de dar inveja. Ganha muito da televisão e enche o estádio. Consequentemente, consegue segurar elenco. Apesar de atrasos salariais, é tanto dinheiro entrando que o funcionário não vive com aquele medo constante de calote. Sabe que uma hora a coisa se ajusta.

Mas muito mais do que a organização do clube, vai para a conta de Tite o título brasileiro 2015. O homem que apagou com incrível velocidade todo e qualquer pequeno foco de incêndio que apareceu ao longo do ano.

Que perdeu Guerrero, perdeu Luciano e bancou Vágner Love. Que convenceu Jádson, peça fundamental do título, a ficar. O que teria sido do Corinthians sem Jádson neste Brasileiro? Impossível prever.

Vai ser necessário compartilhar o prêmio de melhor jogador do campeonato entre ele e Renato Augusto. Modernos, ofensivos, defensivos, dinâmicos e complementares.

É verdade que no final do turno alguns erros de arbitragem deram folga ao Corinthians na tabela. Mas estes erros não podem ser colocados na conta do título. Eles foram, de fato, diluídos. E a pá de cal no tema foi o jogo deste domingo no Independência.

Um turno atrás, o Atlético veio a Itaquera e foi superior ao Corinthians. Perdeu sem merecer. 19 jogos depois, a coisa virou completamente. Hoje, não há debate algum sobre qual o melhor time.

O Atlético criou pouquíssimas chances de gol. Só ameaçou em laterais e escanteios levantados na área. O Corinthians controlou a partida, teve várias chances com Malcom até que, com o próprio, abriu o placar. E aí virou passeio.

Os 3 a 0 foram uma demonstração de força tremenda. O título deve ser sacramentado já na próxima rodada, com quatro de antecipação.

A vantagem técnica não é tão grande para os outros times. A vantagem tática existe perante a maioria, mas não é gigantesca. O que sim, é considerável, é a vantagem psicológica. É um grupo de profissionais pronto para lidar com vitórias e derrotas, com pressão, adversidade. Tudo, enfim. E isso tem muito a ver com o comando, ou seja, Tite.

O homem é, hoje, disparado o melhor treinador do Brasil. E, o Corinthians, o justo campeão.


Atlético e Corinthians: matemática e contexto indicam que não haverá empate
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No rádio, ouvi na sexta-feira uma sessão de palpites em que houve unanimidade: o Atlético e Corinthians de domingo acabará empatado. Dois dos colegas (não vem ao caso quem) são corintianíssimos. Como o são tantos amigos que, nos últimos dias, clamaram pelo empate.

É como se apenas dois resultados fossem possíveis no Independência: ou dá Galo e o campeonato respira; ou empata e o campeonato praticamente acaba. Parece que uma vitória corintiana está sendo vista como algo tão distante que nem os próprios torcedores falam dela.

Pois eu vou contra a maré. Na minha visão, o empate é um resultado improvável domingo. Acho muito difícil que aconteça. Ou o Atlético ganha, fica a cinco pontos e renova o sonho. Ou o Corinthians ganha, abre 11 e já abre a champanhe também no vestiário.

Alguns dados aqui.

Os matemáticos da Federal de Minas (aliás, super recomendo o site da UFMG para quem gosta de estatísticas e probabilidades: http://www.mat.ufmg.br/futebol/index.html) dizem que o resultado MENOS provável no domingo é o empate. São 40,55% de chances para o Atlético, 32,27% para o Corinthians e 27,18% para o empate.

No Sportingbet, no entanto, um dos principais sites de apostas do mundo, a coisa é diferente. Vitória atleticana paga 1,80 para 1. O empate paga 3,30. Menos que vitória corintiana, que paga 4,00.

Como mandante, o Atlético é o terceiro melhor time do campeonato. Em casa, ganhou 12, empatou 1 (Santos) e perdeu 3 (Cruzeiro, Grêmio e Atlético-PR). Ou seja, das vezes em que tropeçou, mais perdeu que empatou.

Já o Corinthians, melhor visitante, ganhou 7, empatou 6 e perdeu 3 fora de Itaquera. O líder do campeonato perdeu do terceiro (Grêmio), do quarto (Santos) e do sexto (Inter) quando saiu. Não perdeu do quinto (São Paulo) porque teve um pênalti perdoado no final. E agora encara o segundo colocado.

Ou seja, os empates do Corinthians fora de casa não vieram contra os times imediatamente abaixo dele na tabela.

É claro que para o Corinthians o empate estaria de ótimo tamanho. Mas Tite sabe bem, melhor do que eu, que não conseguirá ficar 90 minutos suportando um 0 a 0, especulando com o resultado. A pressão será grande. O Corinthians precisa de alternativas fortes de contra ataque.

Aliás, foi assim que ganhou por 1 a 0 em Itaquera, no jogo em que alcançou o Atlético ponta. O Galo, que naquele momento era o melhor time do campeonato, foi consideravelmente superior, buscou o resultado, atacou durante metade do primeiro tempo e o segundo tempo inteiro e o Corinthians, em casa, teve nos contra golpes sua melhor arma. Jogou de forma acuada diante da própria torcida.

Se quiser empatar em BH, o Corinthians sairá derrotado e sabe disso. No entanto, se conseguir criar situações, pode sair de lá com uma vitória que não deixará a mínima dúvida sobre o merecimento do campeonato.

O Atlético é um time ofensivo, que se expõe e busca o resultado. Essa é a marca do time sob a batuta de Levir Culpi. Não será diferente contra o líder, em um jogo em que só a vitória interessa para lavar a alma dos torcedores e dos próprios jogadores.

Se o jogo chegar empatado aos 10, 15 minutos finais, o Atlético sairá desesperadamente atrás da vitória, como se fosse um jogo de mata-mata. E o campo se abrirá ao Corinthians. Esse cenário é bastante possível, ainda que seja impossível dizer que ele ocorrerá.

Assim como os matemáticos, e ainda por cima com a fundamental ausência de Elias, considero o Atlético favorito. Mas, assim como os matemáticos, acho que a chance de vitória do Corinthians, acabando com a disputa, é bastante maior que a do empate.

Já se o Atlético ganhar, o campeonato dá uma animada – ainda que considere quase impossível o título não ficar em Itaquera.

Na rodada seguinte teríamos um Corinthians x Coritiba e Figueirense x Atlético, ou seja, chances maiores de tropeço do Galo no papel, mas difícil imaginar vindo de uma vitória no Independência. Na outra rodada, São Paulo x Atlético e Vasco x Corinthians. Se eles estiverem separados por cinco pontos, essa 35a será uma rodada gigantesca. Ou o Corinthians fará um resultado igual ou melhor que o Galo, mantendo a tranquilidade. Ou o Galo diminuirá para dois ou três pontos, e aí a rodada seguinte, a antepenúltima, é de Corinthians x São Paulo e Atlético x Goiás. E aí a coisa se define. Porque a tendência nas últimas duas rodadas é quem estiver na frente ganhar as duas e colocar a faixa.

Se o Atlético ganhar domingo, é bem possível que ganhe as cinco partidas seguintes. E aí a dobradinha contra o Vasco e contra o São Paulo, podendo empatar as duas ou perder uma, selará o título – ou não – do Corinthians.

É uma final, um jogo imperdível no domingo. Se eu fosse apostar na loteria, iria de Atlético. Mas, se tivesse um duplo, seria aberto. E você? Aposta em quem?

 


Brasileirão, rodada 25. Corinthians e Palmeiras são as barbadas
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juliogomes

Na rodada 23, acertei 5 de 10. Lamentável. Na rodada 24, me recuperei. Agora, chegou a 25! Leia, aposte na Loteria Esportiva e depois me conte como foi.

CORITIBA X INTER
Couto Pereira, sábado, 18h30

O Coritiba vive seu melhor momento no campeonato, o que coincide com a chegada de Ney Franco. O Inter está num ganha e perde danado com Argel. Não gostei da postura fora de casa contra Avaí e São Paulo e não vejo por que será diferente desta vez. O Inter ainda não é confiável e especula demais fora. Previsão: EMPATE.

PALMEIRAS X FIGUEIRENSE
Allianz Parque, sábado, 21h

Uma das barbadas da rodada. Depois do ótimo jogo contra o Corinthians, não teria como o Palmeiras repetir a dose com 536 desfalques contra o Inter. Muitos titulares voltam, é um jogo em casa e que mantém o time na briga pelo quarto lugar. Pode ser o grande beneficiado da rodada, já que outros concorrentes têm partidas bem mais duras, como veremos abaixo. Previsão: PALMEIRAS.

CORINTHIANS X JOINVILLE
Itaquera, domingo, 11h

Finalmente o Corinthians joga de manhã. E logo contra um adversário que foi obrigado a jogar na quinta-feira à noite. Será ataque contra defesa e, no momento em que “abrir a lata”, o Corinthians dominará com facilidade. Não duvido que o Joinville venda caro, mas é a barbada do domingo. Previsão: CORINTHIANS.

PONTE PRETA X SANTOS
Campinas, domingo, 11h

Como já disse semana passada, esses jogos do domingo cedo, pelo clima, horário pouco usual, etc, costumam ter resultados estranhos. O Santos é o favorito, apesar de castigado pelo calendário. É um time em ótima fase e em busca de uma improvável vaga na Libertadores. Mas a Ponte está à beira do abismo depois da absurda demissão de Guto Ferreira. Vai conseguir um ponto em casa, até porque tem como hábito complicar a vida do Santos em Campinas. Previsão: EMPATE.

VASCO X ATLÉTICO-PR
Maracanã, domingo, 16h

Eu não me deixo levar pela vitória do Vasco em Campinas. Time ruim é time ruim, não sai ganhando duas, três, quatro seguidas em um campeonato em que nem os líderes conseguem fazê-lo. O Atlético Paranaense é franco favorito, ainda mais no Maracanã, onde enfrentará o Vasco pela primeira vez. Em São Januário, nunca venceu. Na história. Eu já disse que acredito em retrospecto, né? Previsão: EMPATE.

GRÊMIO X SÃO PAULO
Arena Grêmio, domingo, 16h

Já apostei contra o Grêmio na semana passada e não repetirei o erro, ainda mais depois da ótima atuação em Itaquera e da debacle são-paulina em Santos. Não vejo o Grêmio na disputa pelo título, ainda que a matemática me desminta. Vejo o Grêmio juntando pontos que serão preciosos lá na frente, quando voltar à mais realista batalha pela Libertadores. Previsão: GRÊMIO.

CRUZEIRO X ATLÉTICO-MG
Mineirão, domingo, 16h

É o jogo da rodada e que pode ter consequências gigantes para a disputa do título. Uma vitória contra o maior rival mantém (provavelmente) o Atlético a três pontos do Corinthians e dá um impulso anímico importante depois de o time passar por uma fase instável no campeonato. Por outro lado, a derrota pode ser decisiva, devastadora. Para o Cruzeiro, vencer é atrapalhar muito a briga do rival e seria um passo gigante (definitivo) na luta pela salvação. O clássico mineiro tem tido poucos empates nos últimos anos e uma pequena superioridade atleticana. Acredito que o campeonato seguirá vivo. Previsão: ATLÉTICO.

CHAPECOENSE X FLAMENGO
Chapecó, domingo, 16h

O Flamengo é quem menos empata no campeonato e vive essa fase tremenda desde a chegada de Oswaldo. Mas tem três desfalques importantes e enfrenta uma Chapecoense precisando de pontos para não cair de vez na briga do rebaixamento. Chapecó é um lugar duro de ganhar. Previsão: EMPATE.

AVAÍ X GOIÁS
Ressacada, domingo, 18h30

É verdade que o Goiás vive um momento melhor no campeonato. Só que isso aqui é vida ou morte para o Avaí. Está começando a se descolar dentro do Z-4 e é vencer ou vencer em um duelo contra concorrente direto. Fator campo faz a diferença. Previsão: AVAÍ.

SPORT X FLUMINENSE
Arena Pernambuco, domingo, 18h30

Na semana passada eu disse que a previsão racional para Sport e Santos seria o empate, mas que tinha um feeling que o Sport quebraria a série de jogos sem vencer. Pode repetir tudo, só muda o adversário. O racional é o empate. Mas meu palpite é outro. Previsão: SPORT.

E para você? O que vai dar nessa rodada?


A “Espanholização” está aí*
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juliogomes

* Este é um texto do amigo e colega de profissão Napoleão Almeida. Assino.

E faço apenas um adendo. Se as coisas continuarem como estão, especialmente na divisão de verbas, veremos, nos próximos 10 anos, todo mundo disputar apenas uma vaga na Libertadores. No máximo, duas. Porque as outras estarão nas mãos dos mesmos. Os pontos corridos, que privilegiam quem tem mais elenco, ou seja, dinheiro, potencializam o problema. 

*****

Temida por muitos, desejada por poucos e esperada por todos aqueles que acompanham o futebol brasileiro desde o fim do Clube dos 13, a “Espanholização” do futebol brasileiro chegou e está vista à olhos nus desde o final da rodada #24 do Brasileirão. Se você não observou atentamente, fique de olho a partir de agora.

Domingo, 11h da manhã, o Corinthians recebe o Joinville na Arena em Itaquera. De um lado, um gigante em faturamento, com o elenco mais completo do Brasil, jogando em casa, na maior e mais rica cidade do País. Do outro, uma equipe modesta de uma cidade de 500 mil habitantes, com arrecadação infinitamente menor.

Não bastasse esse abismo natural, pela tradição e histórico de cada um, que representam juntos o interesse de mercado para ambos, dentro do mesmo campeonato que disputam — e precisam um do outro para jogar — uma dura realidade: enquanto o JEC leva R$ 20 milhões do patrocinador, o Timão começa o ano sabendo que conta com R$ 120 milhões, seis vezes mais.

O resultado é que veremos um jogo igual a qualquer outro do Espanhol que não seja Barcelona x Real Madrid, quiçá o Atlético madrilenho. Como quando Elche ou Almería visitam o Camp Nou, o Joinville irá até Itaquera na expectativa de não levar o primeiro gol. Irá se defender por 10, 20, 30 minutos enquanto o Corinthians usará suas alternativas para furar a retranca. Uma vez furada, os paulistas terão a possibilidade de abrir uma goleada, pois a derrota já não interessará aos catarinenses. Se estiver difícil, o Corinthians pode sacar Jadson e tentar com Danilo; tem opções de igual quilate no banco. Ao JEC, a esperança de que essa seja uma manhã infeliz corintiana, quem sabe com uma bola vadia chutada por Kempes ou Marcelinho Paraíba vencendo Cássio.

Será assim com o Joinville, como já foi o Avaí. E será assim contra o Coritiba e até contra Cruzeiro, Santos e Inter à médio prazo. A partir de 2016, Corinthians e Flamengo terão à sua disposição mais que o dobro do dinheiro da imensa maioria dos clubes do campeonato, exceção ao São Paulo — mas muito mais que Palmeiras e Vasco.

Não está convencido? Ok.

A rodada 24 também marcou a entrada do Flamengo no G4. “Deixaram chegar” é o bordão dos rubro-negros cariocas, que precisa ser corrigido para “pombas, só chegou agora?”

Com o que arrecada, o Flamengo tem a obrigação de estar entre os dois primeiros colocados do Brasileirão ano sim, ano também. Tem errado muito nos últimos anos e 2015 não foi diferente. Ainda assim, desta vez, a “Espanholização” já faz efeito. Vejamos.

O Fla buscou ainda no começo do ano um dos maiores talentos de um de seus concorrentes pelo G4. Marcelo Cirino chegou do Atlético Paranaense custando bem e fez um bom estadual, mas sumiu no Brasileirão. Então o Flamengo foi buscar Emerson e Guerrero, encostados no Corinthians. Ambos começaram bem mas o segundo caiu de produção. O time patinava no campeonato. Não satisfeito, foi buscar Ederson na Lazio. Jogador padrão Europa, alto custo. Esse emplacou. De brinde, venceu outro concorrente direto pelo G4, o Santos, na pretensão de contratar Kayke junto ao ABC-RN, destaque do time na Série B deste ano.

Que outro time senão Corinthians ou Flamengo poderiam errar tanto com tamanha possibilidade de se reinventar dentro de uma mesma competição à ponto de superar seus concorrentes? No Brasil, nenhum. Talvez o São Pàulo, que afinal arrecada parecido e está ali rondando os quatro primeiros.

Atlético Mineiro e sua base de alguns anos de sucesso e trocas estratégicas, e Grêmio com um time de jovens (mesma receita do Furacão) estão por lá, contradizendo a lógica. Não se sabe por quanto tempo.

Um bom CT aqui, um estádio moderno acolá, um número de sócios que dê sustentabilidade ao clube e todos os demais vão ter seus anos de Valencia, Sevilla ou Athletic Bilbao. Será possível chegar na Libertadores, ganhar uma Copa do Brasil ou Sul-Americana e, num ano de muita felicidade, voltar a vencer o Brasileirão.

Mas, assim como na Espanha, cada vez mais a regra será o campeonato acabar com o título de Corinthians, Flamengo ou no máximo São Paulo. Não coincidentemente, aliás, vencedores de seis dos últimos 10 campeonatos.